Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

MEMÓRIAS LEONINAS José Roquette

“(…) O papel pioneiro do Sporting revela-se igualmente pelo esforço desenvolvido para modernizar as infra-estruturas desportivas e adequá-las às exigências cada vez maiores do futebol. O novo Estádio, um dos mais belos e funcionais do Mundo, será inaugurado no Verão de 2002. O Centro de Estágio e Formação de Alcochete, estrutura imprescindível para o trabalho diário dos profissionais e para a valorização da famosa escola de talentos do Clube, estará operacional em Agosto de 2000.
A valorização do património imobiliário, em sintonia com a Câmara de Lisboa, vai gerar os recursos indispensáveis para o desenvolvimento desportivo. Serão três enormes saltos em frente de que o Sporting colherá frutos a curto prazo a nível da estabilidade financeira e de grandes resultados desportivos.
Estamos conscientes de que o caminho traçado não é fácil, mas é o único compatível com a realidade e as exigências actuais do desporto de alta competição. Um Sporting moderno e virado para o futuro será certamente um Sporting à altura das suas tradições e de um passado glorioso. (…)”
AUTOR: José Roquette, presidente do Sporting, no prefácio do “Livro de Ouro do Sporting Clube de Portugal”, editado pelo “Diário de Notícias, 2000

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Soares Franco e o título

Finalmente, o presidente do Sporting mostra um discurso a empurrar o clube para o sucesso desportivo. "Quero ser campeão na próxima época", anuncia Soares Franco ao "Record", o que significa que, até agora, andou a jogar para o segundo lugar.
Tinha de ser. Ou melhor, Soares Franco tinha de querer ser campeão. Sobretudo agora. Porque caminha para o seu terceiro ano como presidente e ainda não ganhou um título de campeão nacional. Aliás, o Sporting, ao não ter sido campeão em 2008, entrou no segundo período mais longo da sua história sem conquistar o título de campeão nacional de futebol, depois do longo jejum entre 2002 e 2000. E, como há eleições no primeiro semestre do próximo ano, é fundamental um Sporting vencedor no futebol para apagar quaisquer alternativas ao franquismo. Daí a súbita viragem para o reforço da equipa de futebol, embrulhando lá no meio um projecto de reestruturação financeira que, a ser verdadeiro, e tendo em conta o preço altíssimo que o clube está a pagar pelo dinheiro que pediu à banca, será a maior prova da incompetência de todos os gestores do Sporting, que, só por isso, justificaria a sua demissão imediata.
A questão é simples: se a partir de agora o preço do dinheiro vai baixar, porque o Sporting se lembrou de renegociar a dívida à banca, por que é que esse preço não baixou há mais tempo? E como é que é possível baixar o preço do dinheiro numa época de juros cada vez mais altos? Quem anda a viver à custa do Sporting?...

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A democracia leonina

O sítio oficial do Sporting na Internet não está ao serviço do clube. Está ao serviço de Soares Franco. Como se vê aqui, é lamentável que, perante uma situação que está a dividir o clube, só sejam colocadas opiniões favoráveis às pretensões de Filipe Soares Franco. Delicioso é que Salema Garção, o director de "comunicação", que deve mandar no sítio do clube na Internet, não tenha resistido a colocar a opinião de Carlos Horta e Costa, seu antigo patrão nos CTT. Numa situação destas, só haveria um caminho eticamente aceitável: colocar disponível a maior quantidade possível de informação sobre o plano de reestruturação financeira e a respectiva justificação de quem o propõe. Colocar as opiniões favoráveis e esquecer as opiniões desfavoráveis é desprezar os associados que pensam de modo diferente e promover a mera propaganda em detrimento do esclarecimento de todos. É entrar num terreno perigoso... Mas é assim que o "Sporting de Soares Franco" fica mais parecido com a "Rússia de Putin" ou a "Cuba de Fidel". A não ser que a página do Sporting na Internet e o jornal "Sporting" sejam feitos apenas para os eleitores de Filipe Soares Franco e não para todos os sportinguistas...

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QUESTÃO LEONINA Estádio José Alvalade

Será que o Estádio José Alvalade, propriedade do Sporting Clube de Portugal, que foi construído com a ajuda de dinheiro do Estado Português, ou seja, dos impostos de todos os portugueses, poderá ser vendido à Sporting SAD, empresa cotada na Bolsa?

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SPORTINGUISTAS Joana Cruz

Joana Cruz, locutora da RFM, fotografada junto ao Estádio do Manchester United, aquando do jogo do Sporting com a equipa de Cristiano Ronaldo, para a última edição da Liga dos Campeões, tendo a equipa leonina perdido por 2-1. FOTO: www.rfm.pt

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Sábado, 24 de Maio de 2008

Um clube em guerra civil

Três anos depois do rocambolesco afastamento de Dias da Cunha, abrindo caminho à presidência "programada" de Filipe Soares Franco e do seu pequeno "exército" de apaniguados, o Sporting continua em guerra civil. Basta ler esta entrevista e ler esta notícia. Em três anos, Soares Franco foi incapaz de pacificar as hostes e de acabar com a chamada "oposição" do Sporting. Deve ser o único clube desportivo português que tem uma oposição à direcção. Um dos falhanços de Soares Franco foi não ter conseguido acabar com isso. Pior: tem é estimulado a divisão. Por um motivo genético: a sua legitimidade política para gerir o Sporting foi conquistada à custa de muita intriga e facadas nas costas. Uma lógica pouco democrática. Como pouco democráticas e incompreensíveis são as suas reacções a quase tudo o que mexe num sentido contrário ao seu. Seja ao movimento Leão de Verdade, seja às entrevistas de Rui Meireles ou de Dias da Cunha.
A continuar assim, exterminando pela via administrativa quem não está de acordo com a "lei do poder", será impossível chegar à meta prometida dos 150 mil sócios. Em vez de termos Soares Franco e Miguel Ribeiro Teles em acções de marketing junto da "nação sportinguista", promovendo o novo cartão de sócio, agora que o clube acabou a temporada vitorioso na Taça de Portugal, ou dando explicações num amplo debate público sobre o plano de reestruturação financeira que querem ver aprovado à pressa, temos outra vez o Sporting entretido nas guerras intermináveis consigo próprio. FOTO: "Record Online"

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LEÃO DA ESTRELA na imprensa

"O Jogo", 23-05-2008

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Quinta-feira, 22 de Maio de 2008

A chantagem começou

Deitado na almofada da conquista da Taça de Portugal, Filipe Soares Franco vai submeter aos associados do Sporting o famigerado projecto de reestruturação financeira. Curioso é que Franco faça constar que admite ir embora, caso os associados estejam mais virados para as posições do Leão de Verdade ou de Dias da Cunha. A administração do Sporting tem medo de quê?... É evidente que Soares Franco não vai embora, nem quer ir. E a avaliar pelo que diz esta notícia, a chantagem já começou. Inaceitável.

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RECORTES LEONINOS

A INCUBADORA LEONINA
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"(...) O Sporting é responsável pela formação de 35% dos jogadores da selecção. São oito os atletas com a chancela das escolas de Alvalade convocados para a fase final do Euro 2008. Cristiano Ronaldo, Ricardo Quaresma, Simão Sabrosa, Nani, Miguel Veloso, João Moutinho, Miguel e Rui Patrício passaram pela fábrica de craques leonina antes de se tornarem, alguns deles, referências do futebol mundial. Cristiano Ronaldo é, no presente, o expoente máximo dessa notável incubadora de estrelas, após a retirada de Luís Figo. (...)"
FONTE: "Jornal de Notícias", 22-05-2008

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O Alex Ferguson do Sporting

Tenha sido por estratégia assumida com convicção, por força das circunstâncias ou por mero acaso, a verdade é que Filipe Soares Franco, quando disse que gostaria de transformar o treinador Paulo Bento no “Alex Ferguson do Sporting”, deveria estar longe de imaginar que essa seria a tarefa mais fácil de realizar no clube.
Os mais viperinos começaram logo a fazer comparações profissionais entre os dois treinadores para desvalorizarem a ideia do presidente do Sporting. Mas o que ele quis dizer é que gostaria que um treinador do Sporting deixasse de estar exposto à necessidade de ganhar sempre para que tenha a tranquilidade suficiente para desenvolver o seu trabalho. Em 22 anos de trabalho no Manchester United, Ferguson tanto ganhou tudo o que havia para ganhar como também perdeu. Já fez e desfez equipas. Teve tempo. Teve dinheiro. Teve condições.
Ora, Paulo Bento, ao conquistar o acesso à Liga dos Campeões e a Taça de Portugal, conseguiu renascer como treinador leonino e reconquistar crédito para continuar em Alvalade. E, no entanto, em grande parte da época, a equipa do Sporting pareceu perdida com o seu futebol triste, que desbaratou pontos e não divertiu ninguém. O próprio treinador reconhece, agora, que a equipa não teve identidade. E, por isso, atravessou humilhações inimagináveis e perdeu o comboio do título nacional de forma prematura.
Em condições normais, como sucedera a muitos treinadores leoninos nos últimos 30 anos, Paulo Bento não resistiria à derrota humilhante registada em Braga, em Novembro, que foi talvez o jogo que ditou o afastamento do Sporting da rota do título, por ter mostrado a toda a gente uma equipa sem qualidade, sem vontade de ganhar, à deriva. Mas Soares Franco não deixou cair o treinador, ainda que cada empate ou cada derrota que iam surgindo na I Liga parecessem um caminho perigoso de relativização dos resultados desportivos...
Isto não quer dizer, evidentemente, que Paulo Bento seja a solução ideal para o futebol do Sporting, assim como também não quer dizer que o próprio Paulo Bento não tenha algo de novo para dar. Ora, a sua permanência em Alvalade, onde também está em formação como treinador, não tendo sequer chegado aos 40 anos de idade, também irá depender da sua capacidade de evoluir e de nos surpreender. Sendo certo que ele já é o “Alex Ferguson do Sporting”, na medida em que já esteve em alta, já esteve em baixa e voltou a ficar em alta. E já regista oito anos de permanência no clube, como jogador, treinador dos juniores e da equipa principal. De resto, na próxima época, quando aparecer uma série de dois ou três jogos sem ganhar ou uma daquelas derrotas humilhantes com um clube do meio ou do fim da tabela, Soares Franco e seus pares irão lembrar que isso já aconteceu no passado e as dificuldades foram ultrapassadas. FOTO: www.sporting.pt

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A vitória do Manchester United

Ver o Manchester United conquistar a Liga dos Campeões 2007-2008 com a felicidade própria dos vencedores... Ver Cristiano Ronaldo e Nani a segurarem a grande taça... E ter a certeza de que o Sporting também ajudou ao investir durante alguns anos na formação destes craques. Parabéns, Cristiano Ronaldo (apesar daquele penálti falhado)! Parabéns, Nani! FOTO: Paul Ellis (AFP/Getty Images)

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Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

LEÃO DA ESTRELA na imprensa

"Jornal de Notícias", 21-05-2008

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RECORTES LEONINOS Rodrigo Tiuí

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UM HERÓI INESPERADO
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Não seria de todo aguardada a contribuição de Rodrigo Tiuí para a conquista da 15.ª Taça de Portugal da história do Sporting (está a nove do Benfica e tem mais duas que o FC Porto). De previsível dispensável a herói imprevisto, o brasileiro terá vivido ontem [domingo, 18 de Maio] o maior momento da sua ainda curta carreira.
Nascido há 22 anos, em Taboão da Serra, no estado de São Paulo, no Brasil, o avançado começou nas categorias jovens do Fluminense, não conseguindo grande destaque nas oportunidades que teve na equipa principal. Marcou 11 golos em 74 partidas, antes de ser emprestado ao Noroeste e depois ao Santos, regressando em 2007 ao Fluminense.
Chegou ao Sporting na reabertura do mercado, em Janeiro deste ano, tendo participado em 16 partidas (três como titular). A sua veia goleadora chegou no ocaso da temporada, tendo apontado o seu primeiro golo frente ao Boavista, há uma semana, na última jornada do campeonato. O melhor estava, porém, para vir e chegou mesmo em cima do apito final da época: dois golos, o segundo espectacular, num remate acrobático. Já entrou na galeria de heróis dos "leões", mas estes argumentos terão chegado para convencer Paulo Bento?
AUTOR: Paulo Curado, "Público", 19-05-2008
FOTO: Steven Governo (AP Photo)

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Terça-feira, 20 de Maio de 2008

Os "talibãs" do "Record"

Há responsáveis de marketing e comunicação que defendem que “não interessa o que dizem sobre nós, o que interessa é que falem sobre nós”. É óbvio que não é bem assim. Em tudo é preciso bom senso. Vem isto a propósito de uma referência feita ao LEÃO DA ESTRELA, na edição do jornal “Record” desta segunda-feira, a propósito da vitória do Sporting na final da Taça de Portugal. Acontece que o jornalista de serviço, ou outro qualquer elemento da redacção, que nisto de jornais, conheço-os profissionalmente há mais de 20 anos, em vez de publicar o que escrevi nesse “post”, resolveu publicar um comentário anónimo ao mesmo “post”. Não sabemos se o fez por ignorância ou porque aquele comentário dava jeito publicar porque era alinhado com a actual direcção do Sporting. O mais grave é que esse comentário anónimo, que não vincula a minha opinião, constitui um ataque aos milhares de leitores sportinguistas do LEÃO DA ESTRELA que têm expressado livremente as suas opiniões e o seu espírito crítico em defesa dos superiores interesses do Sporting Clube de Portugal. Os leitores do “Record” que são simultaneamente leitores do LEÃO DA ESTRELA terão ficado confusos. A confusão, criada de forma intencional ou manifestamente incompetente, fica aqui desfeita. Os leitores do LEÃO DA ESTRELA não são “talibãs”. Esses acomodam-se atrás das secretárias e dos ecrãs de computador, enquanto esperam por uns telefonemas que lhes encham as páginas. Não é o nosso caso.

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SPORTING NO PAÍS Porto

A CACHUPA E OUTRAS LENDAS

A Cachupa e Carlos Lopes "campeão mundial", Malcolm Allison e muamba de jinguba, Joaquim Agostinho "português de raça", "o senhor" Moniz Pereira, moelas e cerveja a cinquenta cêntimos. No Porto, o Sporting existe. Vivo, algo envergonhado.

Rua Alexandre Herculano, número 311. O "Sporting" não está identificado. Fica no segundo andar, por cima da Escola de Condução Portuense. Era um núcleo. Disfarça, mas já não é. Quando alugaram o espaço, Vítor e Filomena - atenção: benfiquistas assumidos - comprometeram-se em conservar a decoração. Vai fazer dois anos. E lá está: verde e branco até à exaustão, um leão imponente e uma centena de troféus da antiga colectividade. Os clientes só têm uma regra a cumprir. "Respeitar a casa", lança Filomena, que aos sábados oferece "cachupa para cativar" e que já instituiu aquilo a que chama "mesa de família". Tradução: em troca de cinco euros, o cliente senta-se à mesa, confia na "surpresa" cabo-verdiana e serve-se directamente da panela. "Uns piropos e mais nada, não admitimos absolutamente mais nada."
Os sportinguistas sentem-se "em casa". Os portistas estranham, mas são os clientes mais frequentes. Os benfiquistas entram e já não querem sair ("é preciso corrê-los à vassoura"). Até há pouco tempo, o casal recebia o jornal do Sporting, mas não vale a pena abusar. "Os sportinguistas morreram um pouco aqui no Porto. Ficou o amor", sublinha Filomena, um olho no jantar e outro no pequeno Xavier, que já foi apanhado a cantarolar um ou outro "FC Porto". Com ou sem lógica clubística, com ou sem métrica, hoje há cerveja a preço de chuva, tripinhas, patas, bifanas e moelas. "Prò S. João se prolongar/ Só há um sítio para se estar/ É ao Sporting vir parar/ E nunca se esquecer de cá voltar".
Para os interessados, há uma outra colecção de raridades nas redondezas. Rua do Bonfim, número 518. O SOLAR DO NORTE ainda é a delegação do Sporting na cidade do Porto - na última contagem fornecida pelo Sporting, o distrito estava apetrechado com perto de seis mil sportinguistas dos oficiais. O edifício, inaugurado em 1990 por Sousa Cintra, é do Sporting e alberga uma autêntica caderneta de cromos. Junto às duas cadeiras arrancadas do antigo Estádio de Alvalade estão Azevedo "lenda imorredoira do Sporting", Keita "do Mali para criar insónias aos guardiões portugueses", o guarda-redes Carlos Gomes, o "violino" Manuel Vasques... "As nossas preciosidades, os nosso altares são estes." Manuel Pimenta, vice-presidente do Solar, apresenta: ali, a camisola de júnior de Venâncio, aqui uma das camisolas amarelas de Joaquim Agostinho, um "verdadeiro altar", e eis o stick e a máscara com que Chambel defendeu a baliza do Sporting na final da Taça das Taças em 1991.
Desde Janeiro que uma equipa procura um novo poiso (talvez na Foz) para posteriormente apresentar a proposta ao Sporting, mas até lá o SOLAR DO NORTE resiste com as condições mínimas e lutando contra alguns inimigos que ajudam a repelir os adeptos: as estradas boas, a compra de bilhetes através da Internet, a SportTV, o conforto caseiro e alguns actos de vandalismo que deixaram marcas no edifício. "As pessoas preferem estar no sofá do que nestas cadeiras", lamenta Manuel Pimenta, que abre e fecha a porta do Solar. "Não mudou o amor ao clube, mudaram as tradições".
Autor: Luís Octávio Costa, "Público", 18-05-2008

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Domingo, 18 de Maio de 2008

Sem sombra de pecado

O Sporting fechou com chave de ouro a temporada 2007-2008 ao derrotar na final da Taça de Portugal, por um claro e justo 2-0, o FC Porto – campeão nacional recentemente castigado pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional com a perda de seis pontos por motivos de corrupção desportiva ocorridos em 2003-2004. O Sporting contou com um herói improvável chamado Rodrigo Tiuí, que marcou os dois golos, um deles de excelente execução técnica (ver posição acrobática do jogador na imagem acima), nos últimos minutos do prolongamento, após um empate a zero que se registava ao cabo dos 90 minutos.
Ao juntar a conquista da Taça de Portugal ao segundo lugar na I Liga, que deu o apuramento directo para a Liga dos Campeões, o treinador Paulo Bento e a administração leonina respiraram de alívio, pois viram uma temporada irregular e marcada por problemas internos transformada numa temporada desportivamente bem melhor do que a anterior.
Em 2007-2008, o Sporting conquistou ao FC Porto a Supertaça Portuguesa e a Taça de Portugal, sobreviveu na Europa para além da primeira fase da Liga dos Campeões, o que aconteceu pela primeira vez, e manteve um lugar na próxima edição da principal liga europeia, apesar da irregularidade patenteada na liga nacional. O que, no entanto, não apaga o desencanto dos sportinguistas pela excessiva distância pontual em relação ao campeão nacional (14 pontos depois de subtraídos os seis do castigo sofrido pelo FC Porto), pelos maus resultados e pela vulgarização da equipa fora de Alvalade, pelo futebol de má qualidade ou nada espectacular em grande parte dos jogos e pela má figura da equipa na estreante Taça da Liga, onde chegou à final aos trambolhões e perdeu para o Vitória de Setúbal.
Nesta final da Taça de Portugal, Paulo Bento confirmou que deve ser o treinador português que melhor conhece o FC Porto e um dos poucos que sabem como emperrar a máquina portista. Três vitórias em quatro jogos dizem tudo. Por outro lado, tivemos no Estádio Nacional um Sporting competente, que poderia ter resolvido as coisas na primeira parte, e um FC Porto intranquilo, talvez marcado pela vergonha da corrupção, que já chegou aos ouvidos da UEFA, e já algo desligado do trabalho e da intensidade competitiva de outros momentos da época, depois de um título nacional conquistado muito antes do fim da I Liga. O afastamento de Bosingwa, contratado pelo Chelsea – embora possa ser visto como uma decisão técnica destinada a fortalecer o grupo, dando a ideia de que o FC Porto só precisa de quem está com a cabeça a cem por cento no clube… –, acabou por ser mais um dado da descompressão portista de final de época.
Mas estes factos em nada desvalorizam a vitória do Sporting, conquistada sem sombra de pecado, pois foi a equipa que, desde muito cedo, tudo fez por ganhar a Taça de Portugal, conseguindo na primeira parte quatro boas ocasiões de golo, contra apenas uma do FC Porto. E a equipa leonina só não chegou mais cedo à vitória porque a equipa de arbitragem, chefiada por Olegário Benquerença, decidiu mal. Lembro um golo mal anulado a Romagnoli, ainda na primeira parte, culminando uma jogada bem desenhada. Romagnoli estava em posição legal e, mesmo que houvesse dúvidas, a equipa atacante não deve deveria ser penalizada...
Ainda sobre o árbitro, e no plano disciplinar, lembro um cartão vermelho que ficou por mostrar a Ricardo Quaresma, que, no desenvolvimento de uma finta em que rodou o corpo sobre si próprio, agrediu João Moutinho de modo dissimulado, mas violento. Um lance feio que o árbitro deixou passar. À segunda falta violenta, desta vez de João Paulo sobre o mesmo Moutinho, Benquerença lá puxou do cartão vermelho... Mas deixara passar, na primeira parte, um derrube de Grimi sobre Quaresma, que deveria ter sido admoestado com um cartão amarelo.
Na segunda metade, as equipas foram mais cautelosas, ajudando a manter o resultado em branco até aos 90 minutos. Embora o FC Porto tivesse melhorado o seu rendimento, o Sporting soube aguentar em situações de maior aperto. No prolongamento, onde o Sporting se revelou mais fresco, apareceu o surpreendente Rodrigo Tiuí a assinar os dois golos e a justificar, finalmente, a sua contratação, em Janeiro último, por 650 mil euros. Imediatamente antes do primeiro golo leonino, Anderson Polga derrubou Lizandro na zona defensiva leonina. Foi evidente a falta do jogador leonino, que o árbitro não assinalou, mas aconteceu fora da área. FOTOS: Getty Images e Reuters

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O treinador das taças

Paulo Bento é o “treinador do segundo lugar”, pois deve ser o único treinador da história do Sporting a levar a equipa ao segundo lugar do campeonato nacional em três anos consecutivos. Mas é justo reconhecer que Paulo Bento também é o “treinador das taças”. Com Paulo Bento como treinador, o Sporting nunca perdeu nos jogos da Taça de Portugal, ao fim dos 90 minutos ou do prolongamento. Em 17 jogos nas últimas três épocas, a única derrota aconteceu no Estádio do Dragão, nas meias-finais de 2005-2006, no desempate por grandes penalidades, num jogo em que o Sporting foi prejudicado pela arbitragem de forma decisiva. Agora, acaba de conquistar a Taça de Portugal, pela segunda vez consecutiva, igualando um feito do antigo treinador Mário Lino, em 1973 e 1974.
Por falar em taças, também foi com Paulo Bento que o Sporting ganhou a última Supertaça. E ainda por falar em taças, foi com Paulo Bento que o Sporting foi à final da estreante Taça da Liga (mal perdida para o Vitória de Setúbal…) e que, após uma primeira fase da Liga dos Campeões, não foi afastado das provas europeias, conseguindo, pela primeira vez por essa via, o passaporte para a Taça UEFA.
Regressando à Taça de Portugal, também é bom lembrar que a invencibilidade sportinguista ao fim dos 90 minutos de jogo ou do prolongamento não é exclusiva de Paulo Bento e já tem cinco anos. Em 2004-2005, o Sporting, então treinado por José Peseiro, foi afastado pelo Benfica no Estádio da Luz no desempate por grandes penalidades, num dos dérbis mais vibrantes de sempre.
A última derrota registada pelo Sporting na Taça de Portugal em 90 minutos de jogo remonta a 17 de Dezembro de 2003, em Alvalade, frente ao “inevitável” Vitória de Setúbal, por 0-1, na quinta eliminatória. O treinador era Fernando Santos. Dos atletas convocados para esse jogo, seis continuam em Alvalade com funções diversas. Anderson Polga, Liedson e Tiago continuam como jogadores, enquanto Paulo Bento é agora treinador, Pedro Barbosa é director desportivo e Sá Pinto colabora no “marketing”.

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A "bi-Taça de Portugal" leonina

Ao vencer o FC Porto, é a segunda vez que o Sporting conquista a Taça de Portugal em dois anos consecutivos. A última "bi-Taça de Portugal" leonina aconteceu há 34 anos, nas temporadas de 1972-1973 e 1973-1974, quando o treinador era Mário Lino. Nessa conquista, o Sporting contou com a prestação dos jogadores que integraram a equipa da imagem em cima, da temporada 72-73, onde reconhecemos, em pé, Bastos, Carlos Pereira (actual adjunto de Paulo Bento), Carlos Alhinho, Fraguito, Vitor Damas, José Carlos e, agachados, Manaca, Chico Faria, Yazalde, Marinho e Nélson.
Quanto a outras vitórias da Taça de Portugal em dois ou mais anos consecutivos, só as encontramos entre 1945 e 1948, no tempo dos gloriosos “Cinco Violinos”, em que o Sporting conquistou a Taça de Portugal por três vezes consecutivas, embora se registe um hiato na temporada de 1946-1947, por não ter havido prova. O FC Porto só conquistou a Taça de Portugal em dois anos consecutivos em 2000 e 2001.

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Sábado, 17 de Maio de 2008

A Supertaça Portuguesa

A final da Taça de Portugal, entre o Sporting e o FC Porto, será a última competição oficial da temporada envolvendo as principais equipas do futebol português. Mas não deveria ser assim. O mais correcto seria disputar-se, oito dias depois, a Supertaça Cândido de Oliveira, com as duas equipas novamente em confronto. Essa competição é que deveria encerrar a temporada 2007-2008.
A Supertaça Cândido Oliveira começou por ser disputada em duas mãos, no terreno de cada um dos finalistas, e a meio da temporada seguinte, eventualmente por motivos de competitividade. Mais recentemente, passou a ser disputada no início da época seguinte e num único jogo em campo neutro. Não é correcto e perde a competição.
A Supertaça Cândido de Oliveira, como troféu que pretende consagrar o vencedor da Liga e o vencedor da Taça de Portugal, deveria ser o último jogo da temporada a que se refere. Teria mais emoção e mais público. Desde logo porque, sendo disputada na temporada seguinte, essa Supertaça não diz nada aos atletas que acabam de chegar aos plantéis dos respectivos finalistas. Porque esses jogadores não suaram a camisola para disputar essa Supertaça e, naturalmente, não a sentem como uma competição maior que deveria ser. É humano.
Por outro lado, sendo a primeira competição da temporada seguinte, a Supertaça Cândido de Oliveira acaba por ser um troféu desportivamente desvalorizado, uma vez que as equipas se encontram em preparação para uma temporada inteira e não para aquele jogo em particular, que normalmente aparece no calendário futebolístico nacional cerca de um mês após as férias, com os jogadores ainda fora de forma.
Talvez o Sporting pudesse lançar esta questão em sede da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga de Clubes. Em nome da competitividade e do engrandecimento de um troféu que deveria ser valorizado como o troféu dos troféus do futebol português.

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A lesão de Liedson

Entre o dia em que sofreu a lesão e o dia da operação ao joelho passaram 20 dias! Quase três semanas para concluir que Liedson, afinal, tinha sofrido uma rotura de ligamentos no joelho esquerdo. Por que é que foi preciso tanto tempo?...
O avançado brasileiro lesionou-se em 27 de Abril, no jogo com o Marítimo. E ainda chegou a ser hipótese a sua recuperação para a final da Taça de Portugal. Estranhamente, e apesar de estarmos na vanguarda da tecnologia médica, só três semanas depois é que os médicos descobriram, afinal, que a lesão do jogador era grave. Não terá sido tempo demais?...
Liedson foi operado nesta sexta-feira e vai parar cinco meses, o que significa que não estará a cem por cento antes de Outubro. Que recupere depressa e bem e que os colegas de equipa, nesta hora difícil, lhe dediquem a conquista da Taça de Portugal são os votos do LEÃO DA ESTRELA!

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