O chileno Rodrigo Tello realizou uma exibição miserável na final da Taça de Portugal, acabando por ter sido substituído no início da segunda parte. A verdade é que ele estava a ser o pior sportinguista em campo, pois o Belenenses explorava como queria o lado esquerdo da defesa leonina. Poucas horas depois, tudo ficava mais claro. Afinal, a má exibição era um mau prenúncio. Tello já andava psicologicamente afectado por um acto que iria cometer: virar as costas ao clube que serviu durante sete anos, onde já era um dos mais antigos. Surpreendidos com o desaparecimento do jogador e sem conhecermos a sua versão nesta história, ficou a ideia que Rodrigo Tello, aparentemente, revelou falta de carácter. Mas talvez o futebolista chileno, aos 28 anos, não tivesse outra forma de realizar o melhor contrato da sua carreira.Quando chegou a Portugal e ao Sporting, a meio da temporada 2000-2001, com apenas 21 anos, Rodrigo Tello foi apresentado como o melhor extremo-esquerdo que emergia na América do Sul. O seu passe custou 7,5 milhões de euros, sendo ainda hoje o jogador contratado pelo Sporting mais caro de todos os tempos. Marcado por este fardo, Tello nunca teve vida fácil em Alvalade, dado que o seu desempenho nunca correspondeu à imagem de grande craque que tinham dado dele. Acabou por recuar no campo, sendo adaptado a lateral-esquerdo e podendo jogar em qualquer lugar da ala esquerda. E foi ficando, ficando, provando ser um sobrevivente que sabe subir a pulso. Nunca foi um indiscutível, mas a sua utilidade foi sendo evidente. A verdade é que, no plantel de 2006-2007, depois do guarda-redes Tiago, o lateral-esquerdo Tello era o jogador mais antigo, com sete anos de permanência consecutiva. Tinha o pé mais pequeno do campeonato, pois calça o número 38, mas não era por isso que deixava de ter o pé esquerdo mais quente e certeiro da prova. Os seus cruzamentos tensos e colocados para o interior da área eram uma arma recorrente nos jogos em que o golo demorava a aparecer. Liedson, ou até Maurício Pinilla – no célebre “hat-trick” de Braga, em 2005 –, que o digam.
Em sete anos participou em cerca de 140 jogos da I Liga e marcou um total de 7 golos, tendo, em quatro deles, sido o autor do golo único que deu a vitória ao Sporting. A época que agora terminou, a última do seu contrato, foi a melhor. Fez mais jogos do que a média dos anos anteriores e marcou por duas vezes, tendo contribuído com seis pontos para o Sporting, com golos na marcação de livre directo na Madeira, frente ao Marítimo, e no Dragão, derrotando o FC Porto, naquele que foi o jogo que transformou a equipa de Alvalade para melhor até ao último minuto do campeonato. Foi o grande momento de glória de Rodrigo Tello ao serviço do Sporting. Uma glória deitada ao lixo, ao reagir mal a uma proposta de renovação com a qual o jogador não concordava, pois achava que estava na altura de ganhar muito mais do que os 25 mil euros que auferia. Talvez estivesse. E talvez o Sporting não tenha tratado este caso com a eficácia necessária. Que Tello seja feliz no Besiktas, um clube turco cujo símbolo, ironicamente, é uma águia preta. FOTO: Reuters
2 comentários:
Na final já não precisava de se esforçar mais, já tinha o contrato feito.
Permita-me discordar. O Tello ao efectuar o ultimo jogo pelo Sporting, com ou sem contrato,t eria que se esforçar da mm maneira, pois ainda estava a ser pago pelo Sporting. Depois, se queria sair para ganhar mais eu n o censuro, afinal todos procuramos isso. Mas tinha agido com lealdade e caracter. E foi ai que pecou. Teria sido leal e sincero, tinha desmarcado a reunião que tinha e tinha feito tudo às claras. Só lhe ficava bem. Mas tb num clube daqueles acabou de morrer p o futebol.
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