sábado, 30 de junho de 2007

RECORTES LEONINOS Marco Caneira

O EMPRÉSTIMO
Quem não tem dinheiro para comprar, pede emprestado. A máxima serve para tudo e, ultimamente, tem servido ao Sporting para formar plantéis muito razoáveis gastando pouco. É certo que Bueno e Alecsandro não convenceram, mas o futebol está num ponto em que nem com cinco milhões de euros se pode garantir o sucesso de um jogador, pelo que mais vale gastar a décima parte disso e ir atirando ao calhas, até se acertar, como os leões acertaram com Romagnoli.
O problema dos empréstimos é que, se os jogadores convencem, há sempre uma forte possibilidade de ser o clube que empresta a lucrar. E o Sporting sabe disso, pois também empresta jogadores. O caso de Caneira é paradigmático: apesar de o Sporting ter assegurado um empréstimo de longa duração, pagando apenas parte do salário do jogador, o negócio tinha um alçapão, pois o Valência ficou com a possibilidade de reaver o defesa de Negrais no início de cada época. E parece que é isso que quer fazer neste momento. A relação de Caneira com o Sporting parece a de dois apaixonados de liceu que seguem caminhos diferentes na vida e ficam sem saber o que fazer quando voltam a encontrar-se, já na meia-idade. Depois de se terem separado de forma litigiosa há uns anos, agora o Sporting quer tanto ficar com Caneira que pensa dar-lhe a faixa de "capitão" e este quer tanto ficar no Sporting que o seu empresário, Paulo Barbosa, destaca mesmo que "o jogador sabe ser grato". O problema é que, para ficarem todos felizes, terá de haver cedências: o Sporting terá de gastar os tais quatro ou cinco milhões para ficar com o jogador e este precisará de reduzir o salário para metade para ficar no Sporting. Pelo menos por isso, a intervenção do Valência acaba por ser clarificadora. E então? Ainda se amam?
FONTE: António Tadeia, jornalista, "Diário de Notícias", 30-06-2007

RECORTES LEONINOS Izmailov

"Não sabia que o Sporting tinha tantos títulos, inclusive, a nível europeu.”
Izmailov, ex-Lokomotiv de Moscovo, "Sportugal", 25-06-2007

quinta-feira, 28 de junho de 2007

O roubo das camisolas

O preço das camisolas oficiais do Sporting, ou de outro clube português, é aquilo que, tecnicamente, se pode considerar um "roubo consentido". Segundo o sítio oficial do Sporting na Internet, a camisola 2007-2008, cujo design ainda se desconhece, está à venda por 65 euros, sendo oferecidos os portes de envio para o território nacional. A personalização da camisola (isto é, a colocação de um nome e um número) custa mais 12 euros. Ou seja, para divulgar as cores do Sporting, a publicidade da Portugal Telecom e a publicidade do Banco Espírito Santo é preciso pagar 77 euros! E ainda ficam a faltar os calções e as meias. O clube contrata jogadores do segundo e do terceiro mercados. E os sócios e simpatizantes são obrigados a comprar camisolas do primeiro mercado, que ainda por cima se destacam pela publicidade ao banco e à telefónica. Não deixa de ser Portugal no seu melhor.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

OS NOSSOS CAMPEÕES (2) De Francheschi

Há jogadores que representam um clube durante um, dois ou três ou mais anos e, no entanto, o tempo passa e o seu nome apaga-se da memória dos adeptos. Outros, vestem a camisola de uma equipa durante alguns meses e deixam marcas. O italiano Ivone Di Francheschi – que foi o extremo-esquerdo da equipa do Sporting que na temporada 1999-2000 conquistou o título nacional ao fim de um jejum de 18 anos –, é um dos poucos estrangeiros que não estiveram no clube de Alvalade mais do que uma temporada e que, mesmo assim, deixaram marcas positivas, sendo lembrados com saudade. A raça, a técnica e a velocidade, na frescura dos seus 25 anos, fizeram de Di Francheschi um ídolo das bancadas leoninas. Infelizmente, só esteve um ano no Sporting. Quando era lançado em velocidade junto à linha, Di Francheschi era praticamente imbatível, servindo depois o argentino Acosta e companhia… Foi assim que ajudou a fabricar muitos dos golos de uma equipa que começou por ser treinada pelo seu compatriota Giuseppe Materazzi, que, pouco depois, cedeu o lugar a Augusto Inácio. Mas tudo tem um fim e a carreira do esquerdino italiano acaba agora, aos 33 anos, um ano mais cedo do que o esperado, em virtude de problemas cardiovasculares que, entretanto, lhe foram diagnosticados. Di Francheschi acaba onde começou: no seu Padova, da Série C italiana, onde, no início dos anos noventa, despontara para o futebol. Afinal, um bom filho à casa torna. Pelo meio, o simpático italiano, que no estrangeiro só jogou em Portugal, representou, sucessivamente, o Sandona, o Rimini, o Padova novamente, o Veneza, o Sporting, de novo o Veneza, o Salernitana, o Veneza outra vez, o Chievo Verona, o Bari, outra vez o Chievo Verona, até que, em 2005, regressou ao Cálcio Padova da sua terra natal. E por lá vai ficar, ao que parece, como dirigente. Na imagem, Di Francheschi, fiel ao seu estilo em campo, conduz a bola, num dos últimos jogos do Padova. FOTO: Leonardo Scarabello

terça-feira, 26 de junho de 2007

O melhor do mundo

O que é importante é ter imaginação. Da mesma forma que um jogador pode resolver um jogo complicado num lance de génio, também um jornalista pode fazer um excelente trabalho sobre futebol, mesmo quando os campeonatos estão parados e os futebolistas estão de férias. Por isso, a falta de futebol dentro do campo não justifica a falta de interesse da informação desportiva durante o defeso - excluindo, claro, o noticiário sobre as transferências, mais ou menos surpreendentes.
Vem isto a propósito de um excelente trabalho do "Record", assinado pelo jornalista Rui Dias, sobre Fernando Peyroteo, "O melhor do mundo", assinalando o facto de hoje passarem 70 anos sobre a chegada a Lisboa daquele que ficaria na história como o ponta-de-lança do futebol português e mundial mais eficaz de todos os tempos, tendo conseguido a impressionante média de 1,68 golos por jogo, contra, por exemplo, 1,02 golos por jogo de Eusébio ou 1 golo por jogo de Yazalde e Mário Jardel. Num tempo em que os jornais desportivos, e generalistas, são cada vez mais iguais uns aos outros, são trabalhos assim que fazem a diferença. Mas a direcção do "Record" nem sequer se lembrou de um título na primeira página...
No entanto, lá dentro, em duas páginas, o jornalista Rui Dias escreve sobre a história do grande ponta-de-lança nascido em Angola, que foi cinco vezes campeão nacional pelo Sporting, não tendo obtido títulos europeus porque no seu tempo não havia provas da UEFA. Revela dados estatísticos e curiosidades sobre Peyroteo e outros pontas-de-lança do futebol português e internacional. Foi Peyroteo, por exemplo, o jogador que mais golos marcou ao Benfica (64) e ao FC Porto (33). Foi o primeiro jogador a marcar no Estádio Nacional, e logo ao... Benfica!
Estes e outros dados são desconhecidos da opinião pública. Cabe, por isso, ao Sporting um trabalho de comunicação mais eficaz no sentido de perservar e valorizar a sua memória de grandes conquistas. Para que um atleta internacional russo como Izmailov, em plena era da globalização e da comunicação, chegue a Alvalade e não fique de boca aberta perante tantos troféus conquistados pelo clube...

domingo, 24 de junho de 2007

Juvenis tetracampeões

O Sporting sagrou-se tetracampeão nacional de futebol na categoria de juvenis ao vencer hoje o Vitória de Guimarães por 3-0, na sexta e última jornada da fase final da competição. Depois da conquista da Taça de Portugal, nos seniores, este é o segundo título nacional do futebol leonino na temporada 2006-2007, faltando ainda disputar a Supertaça Cândido de Oliveira, com o FC Porto, no próximo dia 11 de Agosto. Desde 2003 que o Sporting conquista títulos no futebol jovem todos os anos. Os jovens "leões" terminaram a fase final do campeonato nacional de juvenis 2007 com 14 pontos, mais três que o Benfica, segundo classificado, que na última ronda venceu o Boavista por 1-0. O Vitória de Guimarães, que à partida para a última jornada ocupava a segunda posição a dois pontos do Sporting, terminou na terceira posição, e o Boavista na quarta. Parabéns aos juvenis do Sporting! FOTO: André Figueiredo (http://photofootball.blogspot.com/)

Obs. - A Puma deveria ter mais respeito pelas camisolas que produz para o Sporting. E o Sporting deveria ter mais cuidado com as camisolas que recebe, antes de distribui-las pelos atletas. Porque uma camisola do Sporting ainda é uma camisola do Sporting... Reparem na camisola do terceiro atleta leonino agachado a contar da esquerda: o emblema do Sporting está colocado sobre a lista verde ao contrário dos restantes, que estão colocados sobre a lista branca. Ou seja, as camisolas não são todas iguais. Alguém tem uma explicação para isso?

Vukcevic promete

O internacional montenegrino Simon Vukcevic tem tudo para conquistar o público de Alvalade, caso se confirme a sua transferência para o Sporting. Diz ele: “Ir para o Sporting é um passo de gigante e estou ansioso para que tudo se confirme. O Sporting é um clube estupendo e basta analisar o seu percurso. É mundialmente conhecido e tenho vindo a recolher excelentes informações. Sinceramente, estou encantado.” Ora aqui está um bom começo.

sábado, 23 de junho de 2007

O "merchandising" dos clubes portugueses

Um dos sectores que funcionam muito mal nos clubes portugueses é o "merchandising” (prática de marketing em que a marca ou a imagem de um produto ou serviço é utilizada para vender outro, destacando-o da concorrência). Os artefactos que existem à venda promovendo a imagem dos clubes de futebol portugueses, de uma maneira geral, são pirosos, são de má qualidade e são caros. E como não há qualidade, nem uma política de promoção e distribuição massificada e à escala internacional, as receitas são diminutas, o que faz com que os dirigentes dos clubes não percam tempo com a brincadeira, entregando o negócio a terceiros. E tal como acontece com a transmissão dos jogos pela televisão, também no “merchandising” há uma empresa sozinha a dominar – a “Tbz”, criada em 1996, que se apresenta como a maior empresa de licenciamento da Península Ibérica – que controla e avalia toda a bujiganga que entra no mercado com o emblema dos clubes portugueses.
A verdade é que, em muitas cidades do interior do país, é mais fácil encontrar camisolas ou cachecóis do Barcelona, do Real Madrid, do AC Milan ou do Manchester United do que camisolas ou cachecóis do Sporting, do Benfica ou do FC Porto. (Um parêntesis para dizer que também não se compreende que a camisola do Sporting assinalando o centenário - por sinal, muito bonita e emblemática - tenha sido retirada do mercado logo que acabaram as comemorações dos 100 anos do clube). É evidente que, deste modo, as receitas do “merchandising” pesam muito mais nos orçamentos do Manchester ou do Real Madrid do que nos orçamentos dos clubes portugueses.
Vem isto a propósito de eu ter visto num dos hipermercados da rede Jumbo uma imitação foleira dos chinelos Havaianas (marca fabricada no Brasil pela empresa Alpargatas), apresentada como “Chinelo Havaiana” (assim mesmo…), e a um preço acessível: custava 5,90 euros. Havia “chinelo havaiana” em três cores: verde, azul e vermelho. E cada um dos chinelos ostentava na base um enorme emblema dos respectivos clubes desportivos, talvez para ser pisado pelo dono em dia de fúria, e um emblema pequenino, na alça do chinelo, muito mal aplicado, exactamente a imitar as “Havaianas” legítimas, onde a bandeira do Brasil é impressa com qualidade (ver na imagem). Nesta altura já adivinharam que os clubes que dão nome ao tal “chinelo havaiana” que está à venda no Jumbo são os três grandes clubes portugueses. O Sporting, o Benfica e o FC Porto - eventualmente sujeitos a serem acusados de contrafacção... - associaram a sua marca a um produto foleiro autorizando que determinada empresa fizesse chinelos que imitam as “havaianas” legítimas e que os seus emblemas fossem aplicados na base dos chinelos para serem pisados sempre que um pé entra neles. Para não falar da fraca qualidade da borracha do dito chinelo. Assim vai o “merchandising” dos clubes portugueses…

SPORTING NO MUNDO Timor

Sede do Sporting Clube de Timor, filial nº 85 do Sporting Clube de Portugal, em Dili. Segundo o autor do blog Timor Liberdade, um núcleo significativo de sócios e simpatizantes do Sporting Clube de Timor "festejaram com exuberância a vitória" do Sporting sobre o Belenenses, na final da Taça de Portugal 2007. FOTO: Blog Timor Liberdade

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Parabéns ao Sporting!

O dia 21 de Junho de cada ano merece ser devidamente assinalado pelo Sporting, pois trata-se de uma data que marca uma viragem estrutural muito importante no futebol do clube, em particular na área da formação. Foi em 21 de Junho de 2002 que foi inaugurada a Academia do Sporting, em Alcochete. Passam hoje cinco anos. E alguns dos resultados estão aí:
a) O Sporting utilizou, em média, na época 2006-2007, oito jogadores nacionais e seis estrangeiros por jogo na I Liga, sendo, dos três grandes, a equipa mais portuguesa;
b) A venda de Nani dá para pagar a próxima temporada e ainda sobra troco;
c) Dos oito jogadores do plantel sénior que este ano deixam Alvalade, quatro, ou seja, 50 por cento, foram formados no Sporting. A saber: Miguel Garcia, Custódio, Nani e Carlos Martins. Mas há mais três ou quatro para os substituir - e até poderia haver mais... -, sem que a qualidade colectiva saia prejudicada.
A academia leonina foi um projecto pioneiro em Portugal - idealizado por José Roquette e inaugurado por Dias da Cunha -, que "obrigou" o FC Porto e o Benfica a investirem também nas suas infra-estruturas para a formação, sob pena de perderem o comboio da competitividade.
Antes do Sporting, apenas o Vitória de Guimarães - onde Paulo Bento e Pedro Barbosa trabalharam juntos - dispunha de um centro de trabalho fora da cidade com vários relvados, mas sem as condições logísticas e hoteleiras da academia leonina. A Academia de Futebol do Sporting foi uma das grandes obras concretizadas pelo clube em cem anos de história. Parabéns ao Sporting!

A política de contratações

Gladstone, Izmailov e, agora, Derlei. As três primeiras contratações externas do Sporting para a nova temporada têm um traço comum que representa um risco para o projecto ganhador anunciado pelo presidente Soares Franco. É que estamos a falar de três jogadores escolhidos por Carlos Freitas que chegam a Alvalade à procura de uma reabilitação das suas carreiras profissionais. São três jogadores com provas dadas, é certo, mas também é verdade que são três jogadores que não têm andado de braço dado com o sucesso. Gladstone, que já falhara uma primeira aventura europeia, era suplente no Cruzeiro; Izmailov, depois de sacudido por lesões, não mais evidenciou todo o seu potencial, que fez dele uma estrela emergente do futebol russo; e sobre Derlei, em fim de carreira, já sabemos o que fez no Benfica nos últimos meses. Portanto, o Sporting, que apesar da venda de Nani continua a ser um clube deficitário, acaba por comprar apenas aqueles que outros concorrentes na Liga dos Campeões não querem, na esperança de que a coisa funcione. É um risco que Paulo Bento assume, ao elogiar esta política de contratações. Mas afirmar que os jogadores já contratados são “ideais” para “reforçar” o plantel e têm o “perfil e características” pretendidas talvez seja um exagero. Afinal, o Sporting contrata o que pode contratar. Depois vê-se... Se houver azar com algum destes "craques", não faltarão miúdos da Academia prontos a dar o litro, cheios de força, de técnica, de prazer em jogar à bola e de muita ambição. E a aposta na formação continuará a ser uma bandeira do Sporting… Já foi assim em 2006-2007.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

A grande bomba do mercado

“A Bola” diz que “o Sporting está prestes a fazer estoirar a grande bomba do mercado de Verão ao anunciar a contratação do ex-benfiquista Derlei para as próximas duas temporadas”. E para que não haja dúvidas, mostra-nos o jogador já vestido com a camisola verde e branca. Não duvido que poderá ser uma grande bomba, só que será sempre uma bomba de pólvora seca. Sejamos honestos: o único Derlei que serviria ao Sporting já não existe. Seria o Derlei que José Mourinho descobriu em Leiria e potenciou no FC Porto. Só que esse Derlei, que entretanto se lesionou gravemente, já pertence ao passado. Hoje, Derlei já não tem condições físicas nem motivação para correr ao lado dos miúdos do Sporting. Deve ser caro e faz 32 anos no próximo dia 14 de Julho. Está numa fase descendente da carreira e acaba de falhar no Benfica. Não tem nada a ver com a juventude e a ambição que têm sido marcas distintivas do Sporting. Espero bem que a manchete de “A Bola” de hoje seja uma manobra de diversão. Se não for, é caso para exclamar: voltem Alecsandro e Carlos Bueno, que estão perdoados!

O futuro capitão do Sporting

Com a transferência de Custódio para o Dínamo de Moscovo, a nomeação de um novo capitão da equipa de futebol do Sporting será um dos dossiês para decidir na pré-temporada. Na última época, Custódio foi o capitão, por escolha do treinador Paulo Bento, que também nomeou Ricardo e João Moutinho, como segundo capitão e terceiro capitão, respectivamente. Foi uma solução que veio de cima.
Há dias, o jornal “A Bola” surpreendeu com mais uma daquelas notícias que nos obrigam a ler tudo até ao fim para ficarmos a saber o mesmo. “Caneira provável capitão se ficar no plantel”, revelava “A Bola” na primeira página. Lá dentro, o título “Caneira a capitão”. No corpo da notícia havia de tudo. Desde “forças no Leão” a querer alterar o estatuto do internacional português até “alguns altos responsáveis do clube” que vêem em Caneira qualidades para capitão. “Algumas figuras do universo futebolístico sportinguista” também eram mencionadas como defensoras de um capitão “mais interventivo”. “Vários dirigentes de destaque no clube” também acham que Caneira deveria ser o capitão, pelo que consideram que Ricardo e João Moutinho – os capitães que se seguiriam como “seria mais lógico” – devem ser descartados. “A Bola” diz ainda que até “alguns jogadores” consideram que Caneira é que deve ser o capitão.
Bom, se isto não é o tal “jornalismo de sarjeta” de que recentemente falava o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, que tutela a Comunicação Social, andará, certamente, muito perto da sarjeta. Porque “A Bola” deveria, no mínimo, dizer quem são as tais “figuras do universo futebolístico sportinguista” e os jogadores que defendem Caneira como próximo capitão. E deveria perguntar a Paulo Bento se voltará a decidir quem será o capitão ou se deixará a tarefa da escolha para os próprios jogadores. Como esse trabalho não foi feito, a notícia cheira a encomenda destinada a condicionar a escolha. Aliás, não deixa de ser curioso que se fale em Caneira para capitão e, ao mesmo tempo, a continuidade do jogador em Alvalade continue “envolta num ponto de interrogação”
Não estando em causa o profissionalismo de Marco Caneira e a sua experiência multifacetada - de que fez parte uma incursão no Benfica… -, pensamos, no entanto, que o jogador não reúne todas as condições para ser o próximo capitão do Sporting. Por uma razão principal: Caneira não pertence aos quadros do clube. E da mesma forma que o Sporting viveu quase cem anos para admitir um capitão estrangeiro – o búlgaro Yordanov – não deverá entregar a braçadeira de capitão a um atleta cuja continuidade no clube está em dúvida sempre que o mercado reabre.
Um capitão deve projectar uma imagem exemplar em todos os níveis. Uma imagem exemplar pelas suas qualidades humanas e profissionais. E dentro das qualidades profissionais, o vínculo ao clube é fundamental, desde logo como sinal para o interior do grupo de trabalho. O futebol do Sporting, que tem apostado numa política de contratações externas que passa pelo empréstimo com opção de compra, não pode, no entanto, deixar de consolidar um grupo forte entre aqueles futebolistas que são da casa, que são dos “nossos”, que são um exemplo para todos. É a mística gerada por esse grupo que deve acolher e integrar da melhor forma aqueles que vão entrando em cada reabertura do mercado, fazendo com que todos sejam “nossos” quando vestem a camisola verde e branca… É daquele grupo "acolhedor" que terá de sair o futuro capitão do Sporting.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Espantar a caça

A discrição com que o Sporting tratou da contratação do brasileiro Gladstone não tem nada a ver com o espalhafato que rodeia o interesse do clube em Izmailov, um médio ofensivo, de 24 anos, do Lokomotiv de Moscovo, considerado um dos melhores futebolistas russos da sua geração. Assumindo um papel que lhe pode sair caro, o presidente Filipe Soares Franco veio a público reconhecer que o Sporting "tem intenção de poder contratar" o jogador russo, embora falte "acertar condições". De duas, uma: ou as coisas estão mesmo garantidas ou há prazer em espantar a caça...

CORREIO LEONINO

O SPORTING EM PAÇO DE ARCOS
Venho dar-lhe os parabéns pela forma muito bem elaborada e pelo fervor sportinguista que é colocado neste blog por si dirigido. Como presidente da direcção do Núcleo Sportinguista de Paço de Arcos, vila onde nasceu o "nosso" Jesus Correia, e vendo o apoio que presta aos núcleos, deixo-lhe aqui o endereço do nosso núcleo para, se quiser, adicionar ao dos núcleos já por si colocados no LEÃO DA ESTRELA. Muito agradeço. Saudações Leoninas!
Juvenal Carvalho, Presidente do Núcleo Sportinguista de Paço de Arcos (enviado por e-mail)

domingo, 17 de junho de 2007

A odisseia holandesa

Com uma prestação global para esquecer, onde os jogadores - muitos deles do Sporting - são os menos culpados, a selecção portuguesa de sub-21 ficou pelo caminho na fase final do campeonato Europeu, que está a decorrer na Holanda. Agora, os jovens portugueses vão defrontar a Itália, no dia 21, no chamado “play-off” dos terceiros classificados, para apurar a quarta selecção europeia que estará nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, o que acontece porque o futebol inglês não estará nas olimpíadas. Mas o que fica desta presença portuguesa na Holanda é uma página mal escrita das nossas selecções, pontuada por condimentos que já há muito conhecemos, onde não faltam declarações misteriosas do treinador e críticas à arbitragem. Era assim na selecção principal, antes de chegar Luiz Filipe Scolari. O que as selecções mais jovens de Portugal precisam é de outro Scolari – um homem que ponha as equipas a jogar com os melhores jogadores, que corte a direito e que seja imune aos lóbis e aos interesses escondidos. Mas não deve haver dinheiro para ele. Tem havido para Scolari porque não lhe faltam patrocinadores generosos… FOTO: Koen van Weel (Reuters)

Seja bem-vindo, Gladstone!

"Espero fazer muito sucesso na pele de Leão. A primeira coisa em que pensei, quando as negociações começaram, foi na vontade que tenho de conquistar a Champions. Não quero deixar o Sporting passar na minha vida. Quero fazer história." Com as expectativas bem altas, sonhando fazer dupla com Anderson Polga no eixo da defesa do Sporting, o defesa-central brasileiro Gladstone já se despediu do Cruzeiro e deverá chegar a Lisboa na manhã desta segunda-feira. Depois de pisar o solo português, o primeiro reforço externo do Sporting 2007-2008, realizará testes médicos na Academia de Alcochete e passará pelo Edifício Visconde de Alvalade, para assinar um contrato com a duração de uma temporada, tendo o Sporting opção de compra do seu passe, no montante de 3,5 milhões de euros. Seja bem-vindo, Gladstone!

DADOS SOBRE GLADSTONE

Nome completo: Gladstone Pereira Della Valentina
Nome profissional: Gladstone
Posição: Defesa-Central
Data de Nascimento: 29/01/1985
Local de Nascimento: Vila Velha (Estado do Espírito Santo - Brasil)
Nacionalidade: Brasileiro e Italiano
Altura: 1,83 m
Peso: 79 kg
Carreira Profissional: Cruzeiro (2003 a 2005); Juventus (2005); Verona (2006); Cruzeiro (06/2006 - 06/2007); Sporting (2007-...)
Títulos: Campeonato Mineiro (2003); Taça do Brasil (2003); Campeonato Brasileiro (2003); Campeonato Mineiro (2004)
Convocações para a Selecção Brasileira: Torneio Irlanda Sub-20 (2004); Torneio Japão Sub-20 (2004), amistosos Sub-20 2004; Mundial Sub-20 da Holanda 2004; amistoso da Selecção Principal contra a Suíça, em 15/11/2006
Título Selecção Brasileira: Torneio Japão Sub-20 (2004), terceiro lugar no Mundial Sub-20 da Holanda 2004.

Juniores também a um ponto do título

No mínimo, é curioso. Tal como nos seniores, o Sporting ficou em segundo lugar no campeonato nacional de juniores e também a apenas um ponto do FC Porto. Na última jornada, disputada neste sábado, o Sporting venceu o FC Porto por 1-0, com um golo marcado por Tiago Pinto (filho do antigo jogador leonino João Pinto), mas o título de campeão já tinha sido assegurado pelos dragões na semana passada. Os jovens leões ficaram, assim, a apenas um ponto dos dragões na classificação final, tendo apenas perdido um jogo nesta fase final contra dois do FC Porto. Ora, também nos seniores, o Sporting foi a equipa que perdeu menos vezes... Mas há mais semelhanças: tal como aconteceu com os seniores, os juniores do Sporting perderam a revalidação do título ao empatar no Estádio da Luz (1-1), onde estiveram a ganhar por 1-0 e dominaram o jogo, mas acabaram por sofrer o golo do empate numa altura em que estavam a segurar a vitória pela margem mínima. Tal como na liga profissional, os juniores do Benfica também acabaram em terceiro lugar. Classificação final:1.º FC Porto, 12 pontos (campeão); 2.º Sporting, 11; 3.º Benfica, 8; 4.º Boavista, 2. FOTO: André Figueiredo (http://photofootball.blogspot.com/)

sábado, 16 de junho de 2007

Cristiano Ronaldo em Gaza

Um jovem palestiniano vestido com uma camisola da selecção portuguesa de futebol com o nome do antigo jogador do Sporting Cristiano Ronaldo tira uma fotografia com o seu telemóvel a um veículo da polícia incendiado, em Gaza, em mais um conflito violento naquela região. É também por imagens como esta que Cristiano Ronaldo vale milhões e milhões. E nos tempos que correm, só através do futebol é que as referências a Portugal chegam aos lugares mais estranhos do planeta. FOTO: Ahmed Jadallah (Reuters)

O empréstimo de Varela

Aos poucos, o Huelva está a transformar-se numa espécie de clube-satélite do Sporting. Primero foi Beto, depois Carlos Martins e, agora, confirma-se a transferência do avançado Varela, por empréstimo, tendo o clube espanhol opção de compra do ex-setubalense em 2008. Este empréstimo de Varela significa também que o internacional português é mais um atleta formado em Alvalade que não interessa, em definitivo, ao Sporting. O que se estranha, tratando-se um jogador da selecção nacional. Haverá melhor pelo mesmo preço ou mais barato no mercado internacional?...

sexta-feira, 15 de junho de 2007

João Moutinho negociável?...

O presidente do Sporting, Filipe Soares Franco, na linha de uma mudança de discurso que tem sido notória nos últimos meses, para melhor, reafirmou hoje que "o Sporting vai entrar na próxima temporada para ser campeão, para ganhar a Taça, para tentar vencer a Taça da Liga e para fazer uma brilhante competição na Liga dos Campeões". São palavras que se saúdam e que os adeptos gostam de ouvir. Mas depois da saída de Nani e de outros jogadores - em número superior ao que seria de esperar... -, seria importante que Soares Franco desse um forte sinal de tranquilidade interna afirmando claramente que o cumprimento daquelas metas desportivas implica que não haja mais jogadores a deixar Alvalade. Porque ao mesmo tempo que declarou as metas ganhadoras do Sporting, Soares Franco abriu a porta à saída de João Moutinho, caso algum clube pague a cláusula dos 30 milhões de euros. "João Moutinho não é para sair do Sporting. Como o próprio Nani, mas saiu porque existiu um clube que superou a cláusula de rescisão", disse o presidente leonino. Esperemos que o Arsenal não se entusiasme.

Pinto da Costa dá o exemplo

Há dias escrevi aqui sobre o exemplo de organização, de planeamento e de aproveitamento dos recursos humanos por parte do Inter de Milão, ao ter renovado o contrato com o veterano Luís Figo, contemplando, desde já, a passagem do internacional português para a função de dirigente responsável pelas relações internacionais do clube italiano, daqui a um ano. Ao mesmo tempo, lembrei alguns maus exemplos de desaproveitamento de ex-jogadores emblemáticos por parte do Sporting, do Benfica e do FC Porto. Na altura não se sabia o que seria de Vítor Baía na proxima época. Pois bem, Pinto da Costa, que bem precisa de dar sinais de modernidade, imitou os italianos do Inter de Milão e nomeou Vítor Baía como responsável pelas relações exteriores do FC Porto. Por aquilo que deu ao clube e ao futebol português, pelos inúmeros títulos que conquistou, Vítor Baía merecia esta nova função. E acabaria mal se fosse jogar para Braga, como chegou a ser hipótese. Que outros dirigentes do futebol português sigam este exemplo de Pinto da Costa. O homem, afinal, tem virtudes...

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Uma boa solução

A SAD do Sporting acabou por conseguir uma boa solução para o problemático Carlos Martins - um jogador querido da massa associativa leonina, mas irregular e de candeias às avessas com o treinador Paulo Bento. A sua transferência para o Huelva, onde jogará nas próximas quatro temporadas, foi mesmo um achado: o jogador muda de ares e dispõe de mais uma oportunidade para se afirmar, continuando 40 por cento do seu passe a pertencer ao clube de Alvalade; vai ganhar o triplo do que ganhava no Sporting; e em caso de um futuro regresso a Portugal, continua a ter a preferência do Sporting, inibindo apetites rivais... É caso para dizer que ficaram todos a ganhar. Parabéns! FOTO: Fernando Correia (www.futegrafia.com)

quarta-feira, 13 de junho de 2007

O Sporting e os jovens da formação

Por vezes, a aposta da SAD do futebol do Sporting nos jogadores da sua formação para a equipa principal parece mais uma consequência das circunstâncias do que a tradução prática de uma política. Esta conclusão surge a propósito da contratação, por empréstimo, do jovem brasileiro Gladstone (ex-Cruzeiro). Estamos a falar de um jogador com 22 anos, que chegou a ser emprestado à Juventus sem nunca ter jogado pelo emblema de Turim e que foi chamado à selecção principal do Brasil, para um jogo particular com a Suíça, sem que tenha sido utilizado. E, no Brasil, conforme podem confirmar no blog Páginas Heróicas Digitais, da autoria do sociólogo e escritor Jorge Santana, adepto do Cruzeiro, Gladstone divide opiniões, com os adeptos do clube brasileiro a focarem a falta de experiência e as más prestações nos últimos tempos. Ou seja, Gladstone estará para o Cruzeiro como Custódio e Carlos Martins, já dispensados, estiveram para o Sporting...
Ora, possuindo o Sporting, na equipa de juniores, um defesa-central chamado Daniel Carriço, que é internacional português, não se entende como é que o Sporting vai ao mercado brasileiro buscar um atleta que, do lado de lá, dizem que precisa de experiência. Mas há outros exemplos, justamente da temporada 2006-2007, que confirmam uma ideia que parece estranha, sobretudo num clube que tem sido um bom exemplo mundial ao nível da formação: parece que o facto de os jovens formados no Sporting se afirmarem na equipa principal se deve mais às circunstâncias e à qualidade própria dos jogadores do que a qualquer estratégia definida em favor dos atletas formados em Alcochete.
Dois exemplos: Miguel Veloso, que foi a revelação do campeonato, não foi uma aposta do treinador do Sporting. Paulo Bento sempre disse que via Miguel Veloso como defesa-central, acabando por colocá-lo no meio-campo porque num determinado jogo internacional, o primeiro da Liga dos Campeões contra o Inter de Milão (vitória leonina por 1-0), não havia mais ninguém para o seu lugar, pois estavam todos lesionados: Custódio, Farnerud e Carlos Paredes. Sobrava Miguel Veloso, e o rapaz lá foi lançado às feras. Como se trata de um futebolista de qualidade, passou no teste de fogo. Ainda assim, Paulo Bento só o colocaria na equipa principal durante a segunda volta, afastando Custódio. É curioso lembrar que o meio-campo e o ataque do jogo da vitória do Sporting sobre os italianos, em 12 de Setembro de 2006, foram formados pelos mesmos jogadores que terminaram a temporada em grande: João Moutinho, Miguel Veloso, Nani, Romagnoli, Yannick e Liedson. Na altura, é bom lembrar, era uma equipa de recurso!
O caso de Yannick acaba por ser mais ou menos igual. Acabou por ser o seu bom jogo com o Benfica, na pré-temporada, em que marcou dois golos e se entendeu muito bem com Liedson, que fez dele uma opção válida para Paulo Bento. Porque, até então, Yannick era mais um rapaz, acabado de chegar do Casa Pia, a quem tinham dado "autorização" para fazer a pré-temporada no plantel principal do Sporting.
Pode não ser intenção dos responsáveis do Sporting, mas a ideia que ressalta para o exterior destes dois casos é que o valor dos atletas acabou por ser mais forte para a sua fixação na equipa principal, indo os responsáveis técnicos a reboque da situação. E tem sido esta aparente falta de coragem para apostar claramente nos jovens, sem que eles tenham prestado provas cabais por circunstâncias mais ou menos imprevistas, que não tem permitido ao Sporting aproveitar para a equipa principal alguns valores da sua formação. E tem originado contratações de valor muito duvidoso.Basta recordar os casos de Paulo Futre, Luís Boa-Morte (que saiu dos juniores directamente para Inglaterra) ou Semedo (actualmente na primeira liga italiana) – e de muitos outros que não chegam a afirmar-se e acabam por ser dispensados.
Em relação à próxima temporada está a acontecer a mesma excessiva prudência em relação aos jovens que saem da academia. Porque todas as notícias que vão surgindo na imprensa sobre os ex-juniores que poderão integrar o plantel principal do Sporting 2007-2008 vão no sentido de que os atletas em causa terão "uma oportunidade de participar nos trabalhos da pré-temporada". Ou seja, parece que vão ser sujeitos a mais um exame. Ora, os jornais não podem ser responsabilizados por esse "discurso", porque os jornalistas escrevem mediante as informações a que têm acesso.
Na última segunda-feira, por exemplo, a “A Bola” anunciava que o médio Adrien Silva tinha sido informado no dia anterior que “integrará pré-época com plantel principal”, juntando-se a Yannick Pupo e Paulo Renato. “É uma recompensa para mim”, dizia Adrien Silva, com uma humildade que só o valoriza. No entanto, integrar a pré-época “com plantel principal” é ligeiramente diferente de integrar o plantel principal na próxima época…

Notícias de primeira página

A avaliar por esta primeira página, de "O Jogo" de hoje, a notícia da acusação de corrupção a Pinto da Costa e Reinaldo Teles, no âmbito do processo "Apito Dourado", ou não tem nada a ver com o futebol português ou teve que ser escondida num pequeno título bem encostado ao canto inferior esquerdo da página, que é o lugar mais discreto da primeira página de qualquer jornal.

O que dizem de Gladstone no Brasil...

A transferência do internacional brasileiro Gladstone do Cruzeiro para o Sporting, comentada no Blog PÁGINAS HERÓICAS DIGITAIS, da autoria do sociólogo e escritor Jorge Santana, adepto do Cruzeiro e autor de "Páginas Heróicas - Onde a Imagem do Cruzeiro Resplandece" livro com perfis de heróis do Cruzeiro Esporte Clube:

"Gladstone está indo embora pela segunda vez. Da primeira, ainda garoto, passou pela Juventus e Verona sem destaque. Mais experiente, no Sporting, ele pode se livrar de vez da tranqueira em que se transformou o futebol brasileiro.
Aqui, a crítica vai muito além do mérito técnico. Com a maior desfaçatez o torcedor ataca pessoalmente o jogador de futebol. Não basta chamá-lo de perna-de-pau, cabeça-de-bagre e termos já incorporados ao anedotário do futebol. Quando está irado, o fanático ofende o atleta sem respeitar sua condição de ser humano e de cidadão.
Gladstone vinha passando por má fase técnica, isto não se discute. O que não se deve esquecer é que ele participou da campanha de 4 títulos celestes nos últimos 4 anos. Um deles, entrando num momento complicado. Com 18 anos, estreou no time principal numa final de Copa do Brasil. E saiu de campo campeão após uma atuação perfeita.
Também não se pode negar que ele tenha sido um lutador. Foi um jogador que honrou a camisa celeste nas 62 vezes em que a vestiu como titular do time profissional. Por tudo isto, desejo-lhe toda sorte do mundo nesta sua volta à civilizada Europa."


OS COMENTÁRIOS DOS ADEPTOS DO CRUZEIRO

Mauro França escreveu: "Eu critiquei muito o Gladstone pelas muitas falhas cometidas nos últimos jogos. Daí a querer que ele saísse do clube vai uma grande distância. Porque é inegável que comprometimento com a camisa ele tem. E nesse momento precisamos muito de jogadores comprometidos e que ponham o coração em campo. Má fase, uma temporada no banco resolve."

Rafael Henrique escreveu: "(...) Nada obstante, também desejo ao Gladstone sucesso. Pode não ter envergado a azul celeste com a classe e técnica de outros, mas, é inegável que este capixaba sempre lutou por ela."

Charles escreveu: "Assim com o Geovanni, com o Gladstone podemos reclamar das atuações, mas jamais podemos deixar de reconhecer a dedicação pelo clube. Vontade de vencer, sofrimento na derrota, insatisfação com a má fase do clube e felicidade na vitória são caracteristicas que Gladstone e Geovanni têm… Sempre vou torcer muito por jogadores como eles. Que sejam felizes onde estiverem…"

Paulo Travassos escreveu: "Ele ganhava muito bem e o mínimo que tinha que mostrar é dedicação ao trabalho. Gladstone não estava jogando absolutamente nada e sua saída para mim é um alívio."

Flávio Vieira escreveu: "Que a saída do Gladstone seja o prenúncio da contratação de um bom e experiente zagueiro. Não dá pra ficar de muito lero-lero agora não, temos que ser práticos. O time precisa de alguém pra pôr ordem na casa lá atrás."

Edenilson Marra escreveu: "A saída do Gladstone será uma grande perda pro atual elenco do Cruzeiro… Afinal, qem sobrou de zagueiros: Luizão (20 anos), Thiago Heleno (18 anos), Eliésio (20 anos), Léo Fortunato (24 anos), Simões (18 anos), Maicon (18 anos), Wellington (18 anos)... Tá faltando experiência na zaga… Precisamos de um jogador mais experiente neste setor (Antônio Carlos, do Santos, por exemplo), para ajudar a passar tranquilidade para os meninos… No começo da década de 90 tivemos o Luizinho… Depois meados de 90, Wilson Gotardo e o Marcelo Djean. Se cuida Cruzeiro…"

Eduardo escreveu: "Gladstone, tal qual o Cris, vai e depois volta e quando voltar, com o time em outa situação, arrebenta. Ao meu ver o maior problema do Cruzeiro hoje, é a indefinição. (...) A torcida e a imprensa não perdoam, pegam no pé pra valer. E a diretoria contratando adoidado e o treinador mexendo no time o tempo todo, completam o quadro. Gladstone e Ricardinho estão sendo sacrificados e com eles muito outros ainda serão. Injustamente."

Filipe Braga escreveu: "Quanto ao Gladstone, não bato palma para sua saída apesar da má fase técnica (independente da opinião de cada um sobre seu futebol) e das falhas grotescas. Não parecia estar com a cabeça no Cruzeiro. Agora, se foi negociado pela situação e fase que passa, perdemos o jogador “mais rodado” da defesa, mesmo sendo o Fortunato dois anos mais velho. E contratamos um “ilustre desconhecido” que nem sequer temos data para chegar."

Naldo escreveu: "Caro Jorge Santana, cada vez mais me convenço que você é um Euro-Brasileiro. Tudo bem quem não gosta de coisas boas? Não vejo a hora de juntar uns trocados e fazer uma turnê por lá.Como você desejo boa sorte ao Gladstone, pois se aqui ele não conseguiu agradar, que por lá seja tudo diferente."

Luís Viana escreveu: O Gladstone era dos poucos jogadores a mostrarem brio. Estava em uma má fase técnica (e me parece fisíca, também), mas era nosso melhor zagueiro. Mas como só acontece no futebol brasileiro, um sempre tem de ser crucificado para aplacar a sanha voraz da torcida e a incapidade da comissão técnica e da diretoria."

Eduardo Rezende de Almeida escreveu: "Não tô entendendo, agora vão sentir falta do Gladstone? Pára com isso né gente! 95% dos Cruzeirenses não o queriam mais no time, o plantel tá inchado e pra falar a verdade nossos zagueiros do juniores são melhores que ele. Vai com Deus e fica por lá mesmo, não vou sentir falta nenhuma."

terça-feira, 12 de junho de 2007

O exemplo italiano

Depois de, pateticamente, ter sido mais uma vez levantada a possibilidade de Luís Figo acabar a sua carreira de jogador em Alvalade - e a imprensa desportiva portuguesa, muito dada a explorar os "fait-divers" até ao tutano, chegou a fazer perguntas sobre o assunto a meio mundo, incluindo a Filipe Soares Franco e Paulo Bento -, a resposta acaba de chegar de Itália: o Inter de Milão acordou mais um ano de contrato com Luís Figo e, ao mesmo tempo, estabaleceu com o jogador português os parâmetros de uma colaboração como dirigente do clube, a partir de 2008, como responsável pelas relações internacionais. Para Luís Figo, que sempre foi um líder no campo e fora dele, trata-se de uma sequência natural na sua excelente carreira de praticante. Mas o que fica para nós é o exemplo de organização, de planeamento e, sobretudo, de aproveitamento dos recursos humanos por parte do Inter de Milão. Que não encontra paralelo em nenhum clube português. Nem o caso de Eusébio pode servir de exemplo, porque antes de ele regressar à Luz teve de andar a arrastar as pernas no Beira Mar e no União de Tomar. Quanto ao Sporting, sobram os casos de divórcio com os seus campeões ou "capitães" de equipa. Alguns exemplos: Manuel Fernandes, Jordão e Sá Pinto tiveram que sair para acabar a carreira noutras paragens. Rui Jorge também saiu em ruptura. Pedro Barbosa, que agora é director do departamento de futebol, teve de sair para voltar um ano depois. Oceano e Yordanov (este o primeiro "capitão" estrangeiro) também se zangaram com o clube. O FC Porto, que até tem um historial de aproveitamento dos seus melhores jogadores até ao fim das suas carreiras, também não aproveitou o "bibota de ouro" Fernando Gomes. E não se sabe por onde andará Vítor Baía na próxima temporada... E no Benfica não se sabe o que será de Rui Costa quando pendurar as chuteiras. Em muitos destes casos estamos a falar de atletas que têm carisma e espírito de liderança, qualidades susceptíveis de colidir com os interesses dos dirigentes em permanecerem, intocáveis, nos seus cargos. Por isso, muitos dos problemas que conduzem a rupturas têm a ver com a "sombra" que muitas das estrelas que se preparam para deixar o campo provocam junto dos dirigentes dos clubes. Um problema que Luís Figo não terá em Itália. Porque o Inter de Milão é suficientemente grande para integrar e aproveitar um líder como ele. E Luís Figo é suficientemente grande para ter sucesso nas suas futuras funções de dirigente em Itália. FOTO: www.centenariosporting.com

segunda-feira, 11 de junho de 2007

O clube de Ricardo Costa

O jovem advogado e professor universitário Ricardo Costa, que é presidente da Comissão Disciplinar da Liga de Clubes, consegue hoje a proeza de dar uma entrevista de duas páginas ao "Diário de Notícias" sem dizer nada que se aproveite ou que fique como uma ideia nova, à excepção, talvez, do que diz sobre os critérios que passou a adoptar quando precisa de recorrer ao chamado "processo sumaríssimo". Como advogado, Ricardo Costa parece ser um adepto confesso do "segredo dos deuses", tantas são as suas fugas em frente à medida que o jornalista do "DN" ia fazendo perguntas, nomeadamente acerca da atenção que a Comissão Disciplinar da Liga tem dado, ou não, ao processo "Apito Dourado". E quando se esperava um sopro de novidade, um ar fresco e jovem, condizendo com a imagem que o presidente da Comissão Disciplinar da Liga procurou projectar nas fotografias, confirmou-se a decepção. Quando o "DN" pergunta qual é o clube da sua simpatia, Ricardo Costa mostra que é mais do mesmo: "O futebol português não está preparado para saber o clube das pessoas com responsabilidades." Pois não. E com novos dirigentes assim, continuará a não estar preparado por muitos e muitos anos...

OS NOSSOS CAMPEÕES (1) Ricardo Sá Pinto

Aos 34 anos, o carismático Ricardo Sá Pinto despediu-se do futebol jogando uma partida de beneficiência no Estádio de Alvalade, a convite do amigo Luís Figo. Para um “Coração de Leão” como Sá Pinto não poderia ter sido escolhido outro palco para confirmar o adeus, 15 anos depois de ter feito a sua estreia na I Divisão ao serviço do Salgueiros, clube onde completou a sua formação como futebolista, que fora iniciada no FC Porto. Nascido no Porto, em 10 de Outubro de 1972, curiosamente no mesmo dia em que também nasceu o Visconde de Alvalade, fundador do Sporting Clube de Portugal, Sá Pinto, que foi uma das boas contratações da gestão de Sousa Cintra, viveu momentos de magia e de pesadelo no clube leonino. A magia dos títulos aconteceu com a conquista da Taça de Portugal (1995 e 2002), da Supertaça Cândido Oliveira (1995, 2000 e 2002) e do título nacional (2002). Os momentos de pesadelo começaram num triste episódio que marcou a sua carreira, em 1997, quando agrediu o então seleccionador português Artur Jorge, no Estádio Nacional, por ter sido excluído de uma convocatória, ele que vestiu a camisola de Portugal em 45 jogos, tendo marcado 10 golos. Sá Pinto já levava três anos de leão ao peito, mas acabou por se transferir para Espanha, também para ajudar a “esquecer” o caso da tresloucada agressão ao seleccionador. Esteve três anos na Real Sociedad, onde realizou 70 jogos, regressando ao Sporting em 2000, quando em Lisboa ainda se comemorava o fim de um jejum de títulos nacionais que tinha durado 18 anos. Seguiram-se seis anos no clube do seu coração, nos quais experimentou o martírio das lesões que quase punham um fim antecipado na carreira. Mas o generoso Sá Pinto – em cuja carreira revelou sempre uma entrega ao jogo notável –, deu a volta por cima “com muito empenhamento, muita dedicação e responsabilidade”. Estas características, aliás, estão na origem da grande empatia entre o atleta e o público leonino, em especial a Juventude Leonina. Sem espaço no Sporting em 2006, depois de ter participado em mais de 200 jogos e marcado um total de 50 golos (34 na I Liga Portuguesa; 3 na Liga dos Campeões; 4 na Taça UEFA; 2 na Taça das Taças; 5 na Taça de Portugal e 2 na Supertaça Cândido de Oliveira), Sá Pinto rumou à Bélgica para realizar a sua última temporada no Standard de Liège, onde envergou o número 76, em homenagem à Juve Leo, que, por sua vez, também costuma exibir nos jogos uma tarja em honra do "Grande Capitão" Ricardo Sá Pinto. Despediu-se agora dos relvados. Mas tem o seu lugar em Alvalade. É só uma questão de tempo. “Gostaria de ter acabado ao serviço do Sporting mas, infelizmente, isso não aconteceu. Ainda hoje não sei os motivos que levaram os responsáveis do clube a dispensar-me. Sei apenas que foi, no mínimo, estranho, pois passei de titular a dispensável”, declarou Sá Pinto após o seu último jogo, naquela que diz ter sido “a noite mais triste” da sua carreira.

domingo, 10 de junho de 2007

O substituto de Romagnoli

De acordo com "A Bola" de hoje, o Sporting já está a preparar a opinião pública leonina para a saída de Leandro Romagnoli, ao adiantar que as alternativas ao "playmaker" argentino "já estão equacionadas". De resto, já chateia vermos na imprensa que está tudo acertado com o jogador, faltando apenas o acordo com o Veracruz. Isto indica que, caso o jogador seja descartado, os culpados serão os malandros mexicanos do Veracruz. O que os sportinguistas esperam é que o substituto seja pelo menos da qualidade de Romagnoli e que não custe mais do que 1,5 milhões de euros. Não será fácil. Mas cá estaremos para ver.

sábado, 9 de junho de 2007

Uma "novela" chamada Romagnoli

Se às saídas de Nani, Rodrigo Tello, Custódio, Carlos Bueno, Miguel Garcia, Carlos Martins e João Alves juntarmos a saída do argentino Leandro Romagnoli, estaremos perante muitas mudanças no plantel do Sporting, sendo de destacar a saída de quatro jogadores formados no clube, o que significaria um grupo de trabalho muito diferente na próxima temporada. Estaremos a falar da retirada de três jogadores titulares, o que parece excessivo para uma equipa que, segundo já declarou o presidente Soares Franco, quer conquistar o título nacional de 2008 e ir mais além na Liga dos Campeões. Tanto mais que ainda há dúvidas sobre a permanência de Marco Caneira. E uma eventual saída de Caneira significaria quase o desmantelamento da melhor defesa do Sporting de todos os tempos, que registou a excelente média de meio golo sofrido por cada jogo da primeira Liga.
O objectivo de gastar o menos possível na compra do passe de Romagnoli pode mesmo inviabilizar a permanência do jogador em Alvalade, podendo acontecer o mesmo que aconteceu com Rodrigo Tello. O que seria grave. E em alternativa chegam notícias sobre a contratação de Patrício Toranzo, um médio do River Plate, que estava emprestado a uma equipa da II Divisão argentina chamada Atlético Rafaela. Dele, Romagnoli já disse que tem a técnica de Nani, embora seja mais lento. Uma definição que não cria grandes ilusões... Oxalá a SAD do Sporting tenha surpresas para anunciar.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

O papel dos empresários

Enquanto os clubes não se libertarem do poder perverso dos empresários (agora conhecidos por "agentes FIFA") e não profissionalizarem os seus departamentos de futebol com pessoas devidamente capacitadas para dirigirem os negócios da compra e venda de jogadores, vão continuar a acontecer episódios como o da estranha saída de Rodrigo Tello do Sporting.
E este episódio levanta uma questão incómoda: os empresários devem ser parceiros dos clubes ou meros agenciadores do melhor contrato possível independentemente de esse contrato prejudicar ou não o clube com quem esses empresários continuam a trabalhar na representação de outros atletas? Por outras palavras: os empresários devem ser homens sérios e defensores do clube que lhes paga a comissão pelas transferências que negoceiam, ou devem agir como se fossem uns mercenários da pior espécie com o beneplácito dos clubes?
Tudo isto a propósito de Rodrigo Tello. É que a empresa de Jorge Mendes, a Gestifute, ao mesmo tempo que negociava a transferência de Nani para o Manchester United, tratava de colocar Rodrigo Tello nos turcos do Besiktas. E ninguém sabia de nada, muito menos onde estava o jogador no dia em que ele não apareceu em Alvalade para renovar. Mais extraordinário não poderia ter sido!... Soares Franco veio a público lamentar a postura de Tello, dizendo que ele tinha passado a ser uma pessoa não grata no Sporting. E Jorge Mendes, continua a ser uma pessoa grata?... NA FOTO: Joseph Blatter, presidente da FIFA

quinta-feira, 7 de junho de 2007

A venda de Nani

Mais do que uma decisão da SAD do Sporting, a venda de Nani ao Manchester United foi uma inevitabilidade acertada. Embora produto da Academia do Sporting, Nani não era propriamente um bem-amado entre o público de Alvalade. Apesar de ser um futebolista talentoso, realizou uma temporada com altos e baixos, fruto da sua imaturidade competitiva e também profissional. A forma como se deixou embrulhar numa disputa de empresários, que ainda corre nos tribunais, é reflexo dessa imaturidade, que acabou por prejudicar a equipa do Sporting, pois foi notório o baixo rendimento de Nani em grande parte da época e em momentos que Paulo Bento bem precisava da arte e do engenho do jovem atleta. Para sermos honestos, o craque Nani andou mais ou menos perdido no período que mediou entre o golo que marcou em Moscovo, em 27 de Setembro, e o arranque para um bom último terço da I Liga, no mês de Março. E não evitou ter sido alvo dos assobios em Alvalade...
Apesar disso, o jogador mais barato da equipa titular – auferia 12 mil euros mensais, sendo talvez o salário mais baixo dos titulares dos três grandes – possibilitou ao Sporting realizar 25,5 milhões de euros – o maior encaixe financeiro da história do clube. E Nani tem pela frente todas as condições para se tornar num dos melhores jogadores do planeta, se souber compatibilizar a arte do seu jogo com as exigências profissionais de uma das melhores ligas de futebol do mundo.
Quanto ao Sporting, o ideal para o equilíbrio financeiro do clube será vender bem um jogador por temporada. A verdade é que com a venda de Nani, já fica paga a próxima época, podendo Soares Franco, deste modo, amortizar uma pequena parte do passivo. E no plano desportivo, o Sporting encontrará, certamente, uma solução à altura, mesmo entre os jovens formados na academia. O que já seria complicado para o projecto desportivo da próxima temporada é se, daqui até 31 de Agosto, aparecesse outro gigante do futebol mundial com dinheiro vivo para levar outros talentos. Lembram-se de Deivid, há um ano, que marcou dois golos na jornada inaugural da I Liga e, no dia seguinte, estava a caminho da Turquia?...

quarta-feira, 6 de junho de 2007

A fuga de Rodrigo Tello

O chileno Rodrigo Tello realizou uma exibição miserável na final da Taça de Portugal, acabando por ter sido substituído no início da segunda parte. A verdade é que ele estava a ser o pior sportinguista em campo, pois o Belenenses explorava como queria o lado esquerdo da defesa leonina. Poucas horas depois, tudo ficava mais claro. Afinal, a má exibição era um mau prenúncio. Tello já andava psicologicamente afectado por um acto que iria cometer: virar as costas ao clube que serviu durante sete anos, onde já era um dos mais antigos. Surpreendidos com o desaparecimento do jogador e sem conhecermos a sua versão nesta história, ficou a ideia que Rodrigo Tello, aparentemente, revelou falta de carácter. Mas talvez o futebolista chileno, aos 28 anos, não tivesse outra forma de realizar o melhor contrato da sua carreira.
Quando chegou a Portugal e ao Sporting, a meio da temporada 2000-2001, com apenas 21 anos, Rodrigo Tello foi apresentado como o melhor extremo-esquerdo que emergia na América do Sul. O seu passe custou 7,5 milhões de euros, sendo ainda hoje o jogador contratado pelo Sporting mais caro de todos os tempos. Marcado por este fardo, Tello nunca teve vida fácil em Alvalade, dado que o seu desempenho nunca correspondeu à imagem de grande craque que tinham dado dele. Acabou por recuar no campo, sendo adaptado a lateral-esquerdo e podendo jogar em qualquer lugar da ala esquerda. E foi ficando, ficando, provando ser um sobrevivente que sabe subir a pulso. Nunca foi um indiscutível, mas a sua utilidade foi sendo evidente. A verdade é que, no plantel de 2006-2007, depois do guarda-redes Tiago, o lateral-esquerdo Tello era o jogador mais antigo, com sete anos de permanência consecutiva. Tinha o pé mais pequeno do campeonato, pois calça o número 38, mas não era por isso que deixava de ter o pé esquerdo mais quente e certeiro da prova. Os seus cruzamentos tensos e colocados para o interior da área eram uma arma recorrente nos jogos em que o golo demorava a aparecer. Liedson, ou até Maurício Pinilla – no célebre “hat-trick” de Braga, em 2005 –, que o digam.
Em sete anos participou em cerca de 140 jogos da I Liga e marcou um total de 7 golos, tendo, em quatro deles, sido o autor do golo único que deu a vitória ao Sporting. A época que agora terminou, a última do seu contrato, foi a melhor. Fez mais jogos do que a média dos anos anteriores e marcou por duas vezes, tendo contribuído com seis pontos para o Sporting, com golos na marcação de livre directo na Madeira, frente ao Marítimo, e no Dragão, derrotando o FC Porto, naquele que foi o jogo que transformou a equipa de Alvalade para melhor até ao último minuto do campeonato. Foi o grande momento de glória de Rodrigo Tello ao serviço do Sporting. Uma glória deitada ao lixo, ao reagir mal a uma proposta de renovação com a qual o jogador não concordava, pois achava que estava na altura de ganhar muito mais do que os 25 mil euros que auferia. Talvez estivesse. E talvez o Sporting não tenha tratado este caso com a eficácia necessária. Que Tello seja feliz no Besiktas, um clube turco cujo símbolo, ironicamente, é uma águia preta. FOTO: Reuters

domingo, 3 de junho de 2007

CORREIO LEONINO

REFERÊNCIA SPORTINGUISTA
Caríssimo Leão da Estrela,
É um prazer ver esta referência sportinguista novamente a funcionar, mesmo que na alternativa. Passo muitas vezes pela Internet, mas como não percebo nada de blogs e detesto registar-me, nunca lhe enviei mensagens, apesar de, diariamente, desde que tomei conhecimento do seu Blog, ir sempre saber as últimas.
Fazem falta todos os locais de discussão séria do nosso Clube. Não votei nestes corpos gerentes, porque sabia que iam ganhar e as alternativas não existiam. Internamente, sou crítico destes dirigentes, mas em qualquer posição que tomem para bem do Sporting estou e estarei sempre a seu lado, porque agora eles são o SPORTING.
Se calhar mais que os dirigentes, critico aqueles que se põem em bicos de pés, quando é para a fotografia, dizem-se muito sportinguistas mas dos seus bolsos ou das suas empresas nunca sai nem saiu nada para o nosso clube.
Para quem como eu que vive o SPORTING há mais de 50 anos, que vi anos a fio o nosso clube ganhar tudo o que eram modalidades "amadoras", passar ao fim-de-semana pelas televisões ver permanentemente os nossos rivais principais, e nós, nada. Eu tenho de "torcer" pela Ovarense, pelo Óquei de Barcelos, pelo Sporting de Espinho, entre outros porque não tenho o meu SPORTING a lutar.
Isto tambem faz definhar o clube. Quem não aparece esquece. E com a orientação clubística que tem a nossa imprensa desportiva ainda pior. Por agora isto já vai longo. Agora que tenho o seu e-mail, vai ter que levar comigo mais vezes. Viva o SPORTING!
C. R. Sousa (enviado por e-mail)

RECORTES LEONINOS Nani

A OPERAÇÃO-RELÂMPAGO

O FC Porto tem mais a perder com a saída de Anderson do que o Sporting com a ‘fuga’ de Nani.

Enquanto não há notícias sobre o Apito Dourado (seria bom que as investigações no futebol continuassem porque ainda neste fim de temporada houve movimentações muito estranhas e declarações de um treinador desprovidas de qualquer sentido) e a agenda mediática é dominada pelo ‘caso Maddie’ e pelas ‘gaffes’ dos senhores ministros (Mário Lino deveria ficar em ‘quarentena’), a semana desportiva traz para a ribalta as transferências de Anderson (FC Porto) e Nani (Sporting) para o Manchester United. Uma ‘operação-relâmpago’ da qual quase todos podem sair vencedores. Passo a explicar:

MANCHESTER UNITED – Foi campeão inglês com um plantel claramente desequilibrado. Ainda com algumas falhas (no meu entender, um guarda-redes, dois laterais e mais um central), a dupla ‘Ro-Ron’ podia ficar condenada a não chegar para as encomendas. O United quer iniciar um novo ciclo, faz parte de uma competição superexigente e, se não quer ficar pelo caminho na Champions, tem de elevar o nível do quadro de jogadores. Fá-lo claramente com a sua investida em Portugal e com cerca de 55 milhões de euros. Contrata dois jogadores muito jovens com enorme ‘margem de progressão’.

SPORTING – Não tenho ainda a certeza de que Nani seja um valor seguro mas estou certo de que Nani não encontraria outro clube tão bem estruturado para poder crescer como o Manchester United. Os leões deixam partir uma ‘promessa’, sem dúvida, ficando com menos um elemento jovem no plantel, e confrontados com a responsabilidade de compensar essa perda sem colocar em causa a boa política de aposta em jovens valores portugueses, mas encaixam um valor acima daquilo que estava fixado na ‘cláusula de rescisão’. Vinte e cinco milhões de euros é um bom preço por um atleta ainda não totalmente afirmado e que muito dificilmente se conseguiria valorizar em Alvalade.

NANI – No Sporting corria o risco de estagnar. A competição, em Portugal, não é muito exigente e a mentalidade competitiva do jogador não é sólida, ao contrário da de Moutinho. Integrado num regime de treinos sério e a beneficiar de um bom enquadramento (Carlos Queiroz por um lado e Cristiano Ronaldo por outro), com o United a precisar de renovação (Giggs e Cª), o ‘jogador festivo’ vai jogar na ‘liga festiva’. O United está em excelentes condições de retirar algumas das inibições que Nani ainda exibe em campo e fazer dele um verdadeiro jogador-espectáculo (os mortais no momento dos golos podem ajudar coreograficamente), na linha do que fez com Cristiano Ronaldo, embora este tenha beneficiado de um trabalho de natureza muscular que faz dele um futebolista único à escala mundial.

ANDERSON – Se Kaká e Cristiano Ronaldo disputam, actualmente, entre si, o ceptro de melhor jogador do Mundo, não tenho dúvidas de que Anderson vai rapidamente, em condições normais (isto é, sem lesões ou recidivas), intrometer-se nessa contenda. Ao contrário de Nani, Anderson é (na minha óptica) um valor seguro. Não será necessário muito para o MU retirar dele um rendimento que vai espantar o Mundo. Se Nani vale 25,5 milhões de euros, Anderson tinha de valer pelo menos mais 10.

FC PORTO – Daí que entenda que o clube portista é aquele que tem menos a ganhar com esta transferência. Porque não detinha a totalidade do passe (20% já estava na posse de Jorge Mendes/Gestifute). Porque perde um jogador que vai ser certamente uma grande referência do futebol mundial e não será fácil substituí-lo. Porque não o conseguiu mostrar nem valorizar como devia. Significa que o FC Porto, confrontado com as suas finanças no ‘vermelho’ e com os sinais emanados da SAD, não se sentia minimamente confortável em travar esta venda. O FC Porto está em ‘mudança estratégica’ e não pode continuar a fingir que nada em dinheiro, apesar das excelentes vendas que realizou nos últimos anos (Paulo Ferreira à cabeça, através da impressionante soma de 20 milhões de euros!). O FC Porto, no fundo, foi obrigado a vender Anderson e Pinto da Costa em relação a isso só pode exibir (como exibiu) conformismo.

CARLOS QUEIROZ – Encontra uma nova motivação dentro do United e revela o seu peso nestas contratações.

JORGE MENDES – O agente-FIFA sai vencedor e já precisava de uma operação destas para regressar à ribalta.

FUTEBOL PORTUGUÊS – Vê reconhecidos os seus méritos em fabricar ou potenciar talentos para os macrocampeonatos europeus."

FONTE: Rui Santos, jornalista, "Correio da Manhã", 02-06-2007
FOTO: Marcos Borga (Reuters)

sábado, 2 de junho de 2007

Uma questão de método

Há uma pequena-grande diferença entre o Manchester United e o Sporting Clube de Portugal. No dia em que os ingleses quiseram contratar um jogador ao Sporting (Nani) e outro ao FC Porto (Anderson) vieram a Portugal em silêncio e levaram-nos. O Sporting, entretanto, foi confrontado com a rocambolesca saída de Rodrigo Tello. Para o seu lugar ainda não foi contratado um substituto. Os responsáveis do Sporting apenas informaram os jornais que o internacional português Antunes (Paços de Ferreira) é alvo eleito no mercado nacional. É tudo uma questão de método.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

O povo leonino

Dizem alguns entendidos no fenómeno que o Benfica é o clube do povo, que o FC Porto é o clube do Norte e que o Sporting não passa de um clube das elites lisboetas. Nada como uma final da Taça de Portugal para desmentir essa ideia feita, que, aliás, o próprio Sporting não tem sabido contrariar. Na final da Taça de Portugal, que o Sporting ganhou merecidamente num jogo em que soube sofrer, mostrando fibra de campeão, o magnífico vale do Jamor transformou-se numa grande romaria popular, durante todo o dia, onde nem sequer faltou quem tivesse levado um porco inteiro para assar e comer. No exterior do Estádio Nacional – um palco lindíssimo que, criminosamente, tem estado abandonado pelos responsáveis políticos que têm (des)mandado no desporto em Portugal, não se percebendo por que motivo o estádio ficou de fora dos apoios no âmbito do Euro 2004 – cheirava a povo, vindo de todo o país, em carros próprios, à boleia ou de autocarro. A verdade é que o Sporting é um clube grande e popular. Basta um título para fazer a grande sondagem. Se o Benfica tem seis milhões de adeptos no Continente e nas Ilhas, então é porque haverá por cá muito mais do que dez milhões de portugueses... FOTOS Nacho Doce (Reuters) e LEÃO DA ESTRELA
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