sexta-feira, 31 de agosto de 2007

O azar de David Caiado

Há futebolistas que não têm sorte nenhuma. O antigo júnior do Sporting David Caiado, que está a fazer a sua segunda temporada como sénior no Estoril Praia, lesionou-se com gravidade durante um treino: ao rodar com o peso do corpo sobre a perna esquerda, rasgou os ligamentos da articulação tibiotársica. Foi operado e agora está em recuperação. Dias antes, na primeira jornada da II Liga, jogara a segunda parte em Barcelos, com o Gil Vicente (derrota por 3-0). Agora não voltará tão cedo aos relvados. Esta grave lesão aconteceu precisamente na semana em que o jogador, que é internacional sub-20, entrevistado pelo jornal SPORTING, mostrava optimismo em relação à nova temporada, queixando-se de não ter tido oportunidade de se afirmar como titular do Estoril no ano anterior, precisamente por causa das lesões. Perdeu, por isso, a oportunidade de regressar a Alvalade no último defeso.
Convém lembrar que David Caiado já vestiu a camisola principal do Sporting, em Janeiro de 2006, em Braga, tendo sido um dos que remaram contra a maré, ingloriamente, porque a equipa leonina acabou por perder por 3-2. Mas os minutos de Caiado nessa partida ficaram na retina dos mais atentos. Porém, o jogador, que então ainda era júnior, jamais vestiria a camisola principal do seu clube, sendo emprestado ao Estoril, onde permanece até hoje. Ele que fora essencial na conquista do bicampeonato nacional de juniores em 2005 e 2006, ao lado de Bruno Pereirinha.
Quem conhece bem o jogo de David Caiado, como podemos ler na Centúria Leonina, diz que se trata de um extremo inteligente, que sabe gerir a posse de bola, que sabe quando atacar o espaço, o jogador ou rodar a bola para o desequilíbrio colectivo. Tem a vantagem de ser ambidestro, embora jogue mais na esquerda, à procura das suas rápidas penetrações na diagonal - uma característica do tempo dos juniores. Além disso, dizem que cumpre bem as missões defensivas, que é aguerrido na conquista da posse de bola e que sabe recuar colectivamente, posicionando-se bem na hora de recuperar a bola.
Por agora, David Caiado e o sucesso estão de costas voltadas. É uma maré de azar que já entrou no segundo ano de vigência, mais a mais num período sensível da afirmação de Caiado como futebolista profissional. Segundo notícia vinda a público, o atleta vai fazer a sua recuperação no departamento clínico do Sporting. Isto demonstra que o clube está preocupado com o seu jogador, o que é bom sinal. Mas não sabemos se David Caiado está a ter todo o apoio que precisa, nomeadamente ao nível psicológico. E a psicologia é decisiva num casos destes. Para que o atleta recupere com toda a serenidade e possa regressar em força e confiante no seu grande talento.

O clã Schmeichel

Ser comparado com o pai será, talvez, o maior obstáculo da carreira do jovem Kasper Schmeichel, que, aos 20 anos, regressou ao Manchester City - curiosamente, o último clube de Peter Schmeichel. Mas o rapaz, que não é tão encorpado como o pai (1,85 m. e 76 kg contra 1,95 m. e 98 kg) está a sair-se muito bem. O início de época tem sido fulgurante, em Inglaterra, com a sua afirmação como titular. Em quatro jogos da Liga Inglesa, sofreu apenas um golo (derrota por 1-0 no terreno do Arsenal, onde até defendeu uma grande penalidade). Pelo meio, registou uma vitória por 1-0 sobre o Manchester United (na foto, o jovem guardião segura a bola, tendo a pressão do argentino Tevez). A verdade é que o miúdo, que treinava no velho campo de treinos de Alvalade quando, adolescente, acompanhava o pai Peter Schmeichel, o grande guarda-redes do Sporting entre 1999 e 2001, já merece o respeito de figuras como Arséne Wenger. "Lembrei-me de 1999, quando Kergkamp enfrentou Peter Schmeichel. Agora estava outro holandês contra o filho. Desejei que a história não se repetisse, mas foi isso que conteceu. Só espero não ter de enfrentar o seu neto", comentou o treinador do Arsenal a propósito da grande penalidade defendida por Kasper. "Ainda é um miúdo. É muito maduro e não é exibicionista. Não lhe coloco pressão, só quero que seja feliz. Já é difícil para ele carregar o nome da família, não seria justo colocar-lhe pressão", diz, por seu turno, o papá Schmeichel, orgulhoso da estreia do filho na Liga Inglesa. Ah! Kasper Schmeichel tem ainda a grande virtude de gostar muito do Sporting.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Mulheres com garra

Quando o mais lógico seria que vestissem a camisola, porque é importante o apoio de todos, eis que a sportinguista Liliana Santos, a portista Marta Leite Castro e a benfiquista Rita Andrade resolveram despir a camisola do seu clube na edição de Setembro da revista GQ. Mas acalmem-se, pois não a despiram totalmente... Foi assim que a revista assinalou o regresso do futebol. Um excelente regresso, como se vê. Se Pedro Proença não for nomeado para arbitrar os jogos, Liliana Santos tem tudo para ganhar o campeonato.

O Sporting na Liga dos Campeões

Manchester United, Roma e Dínamo de Kiev. Qualquer que fosse o resultado do sorteio da Liga dos Campeões 2007-2008, haveria sempre por lá um ou dois dos chamados colossos do futebol europeu. Colosso por colosso, ainda bem que nos calhou o Manchester United, pois será a forma de revermos os "nossos" Cristiano Ronaldo e Nani. Portanto, o resultado do sorteio foi bom. Agora é preciso que o Sporting jogue para ser melhor que os adversários e cumpra o objectivo estabelecido de atingir a segunda fase. Depois... Se Derlei, com aquela camisola azul e branca, já conseguiu erguer a Taça dos Campeões uma vez, não seria de admirar que a erguesse novamente, agora vestido de verde. Se não há duas sem três, também não há uma sem duas.

"A Bola" e a sorte do Benfica

Há muito que o jornal "A Bola" não é o que era. Era um jornal dominado por benfiquistas, mas era um jornal credível e respeitado por todos. Até ganhou a fama de ser "a bíblia do desporto". Hoje já não é assim. O rigor que só "A Bola" fornecia já é um património do passado. Basta dar uma vista de olhos pela edição 2007 dos "Cadernos de 'A Bola'" - uma espécie de guia anual dos campeonatos nacionais de futebol - para perceber como o jornal da Tavessa da Queimada se encontra em plano inclinado, atingido pelo vírus da incompetência profissional. Um problema que se tornou evidente quando o jornal deixou de ser um trissemanário bem escrito e bem reflectido e passou a ser mal escrito diariamente. Numa coisa "A Bola" continua fiel a si própria: é que continua a ser um jornal dominado por benfiquistas. Basta Rui Costa espirrar ou fazer anos para ter duas ou quatro páginas de textos laudatórios com fotografias bem enquadradas. Vem isto a propósito da edição de hoje do jornal que já foi de jornalistas brilhantes como Carlos Pinhão, Vítor Santos, Alfredo Farinha, Aurélio Márcio, Carlos Miranda, entre muitos outros. O que "A Bola" de hoje prova é que a realidade é aquilo que o jornalista quiser que ela seja. A propósito do apuramento do Benfica para a fase de grupos da Liga dos Campeões, "A Bola" consegue ser totalmente contraditória. Na primeira página, o director, ou quem o substituiu, escreveu: "A SORTE NÃO CAIU DO CÉU". Nas duas páginas da crónica do jogo, que foram escritas por um dos jornalistas que estiveram em Copenhaga, o título e o texto dizem absolutamente o contrário: "HÁ DIAS EM QUE SE PODE SAIR DE CASA E ESPERAR A SORTE". É uma no cravo e outra na ferradura! É a sorte do Benfica!

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Mortes no estádio

A morte do jovem futebolista espanhol Antonio Puerta, um "internacional" do Sevilha, é mais um sinal de alarme para os futebolistas profissionais da actualidade. Nos últimos tempos, as mortes nos estádios têm sido mais frequentes do que nunca. Em Portugal, a vítima mais mediática foi o húngaro Miklos Fehér, do Benfica. Não é conhecida nenhuma investigação rigorosa sobre as circunstâncias que têm rodeado estas mortes. Dirão que cada caso é um caso. E cada corpo também é um corpo. Mas não haverá corpos a quem é exigido um esforço que vai para além daquilo que podem aguentar?... FOTO: "El Mundo"

Os defensores do Sporting

Dois dias depois e à margem de uma corrida de touros, o presidente leonino, Filipe Soares Franco, lá reagiu aos erros grosseiros da arbitragem de Pedro Proença, que foram decisivos para a superioridade do FC Porto sobre o Sporting. Reagiu tarde e muito brandinho. “O lance não foi bem ajuizado”, limitou-se a comentar Filipe Soares Franco, sem se referir a outros casos do jogo. Esperava-se mais do responsável máximo de um clube que foi roubado à vista de todos. Parece mentira, mas a verdade é que o jornalista Rui Santos, na SIC e no "Record", e o ex-árbitro Jorge Coroado, que escreve sem azia no jornal "O Jogo", que até é de Joaquim Oliveira, foram os grandes defensores do Sporting na análise à arbitragem deste jogo no Dragão. FOTO: Luís Manuel Neves

terça-feira, 28 de agosto de 2007

RECORTES LEONINOS Jorge Coroado

O CASO DA JORNADA
"Hélder Postiga dominava a bola, Polga, surpreendendo-o, surgiu rápido chutando a bola para zona onde estava Tonel, que deixou passar o esférico para o seu guardião que, podendo rechaçá-la, optou por a agarrar. O passe ao guarda-redes é entendido quando aquele que o efectua está de posse da bola, é ele quem a domina, tem bem melhores condições para a endossar certeiramente. O sucedido no Dragão foi OBJECTIVAMENTE um corte porque não era o defesa visitante quem estava de posse do esférico.
PS: Lei XII – Decisão 3 do International FA Board: Em conformidade com os termos de Lei 12, um jogador pode efectuar um PASSE para o guarda-redes da sua equipa, mas unicamente com a cabeça, o peito ou o joelho, etc.. O texto é claro, não fala em JOGAR, TOCAR ou CORTE da bola para o guarda-redes. Equívocos todos têm, temos ou tivemos; não cai bem é justificarem-se erros ludibriando a ignorância dos leigos.

OS LANCES DUVIDOSOS

33’ (Expulsão) - Quaresma, que chegou atrasado à disputa da bola, apresentou-se de sola na frente de Miguel Veloso atingindo-o na curva do pé, lance perigosíssimo que pode causar dano terrível. A bola já lá não se encontrava. O jovem portista protagonizou conduta violenta. Impunha-se exibição de cartão vermelho, nunca o amarelo que foi mostrado.

42’ (Expulsão) - Pedro Emanuel saltou para, supostamente, disputar a bola com a cabeça a Derlei. Levando o braço direito arqueado, o capitão azul procurou o local onde atingir o adversário. O contacto não foi violento, contudo, porque se tratou de uma cotovelada e é exigido erradicação de lances do género, o cartão vermelho impunha-se.

90’ (Expulsão) - Sancionado por falta sobre Pedro Emanuel, Derlei dirigiu-se ao árbitro assistente reclamando da intervenção daquele. Os propósitos com que o fez não foram os mais cordatos. A advertência, que seria a segunda e portanto expulsão, impunha-se. Admitir que um jogador conteste intervenção de um assistente é atribuir a este a desconsideração que todos lhe tributam."

Autor: Jorge Coroado, ex-árbitro internacional, "O Jogo", 28-08-2007

RECORTES LEONINOS António Tadeia

FOI DELIBERADO OU NÃO?
"No FC Porto-Sporting, após um passe para Postiga, Polga desarmou o avançado, a bola correu até Stojkovic, que a agarrou. Pedro Proença assinalou livre indirecto na linha de pequena área e dali nasceu o golo que decidiu o jogo. Não me senti escandalizado pela decisão, como não me chocaria o seu contrário. Já vi árbitros marcarem falta, já vi outros deixarem passar, pelo que o mais avisado é fazer o que disse Paulo Bento: "meter a bola longe da área". Da mesma forma, não me espantou que, em "O Jogo", dois árbitros achassem que Proença fez bem e outros dois que fez mal. Porquê? Na lei diz-se que deve ser marcado livre indirecto se "o guarda-redes tocar a bola com as mãos depois de esta ter sido deliberadamente pontapeada para ele por um colega". O problema é mesmo esse: o deliberadamente. No fundo, o que Proença devia ter feito era perguntar: "Ó sr. Polga, você queria mesmo passar a bola ao guarda-redes ou limitou-se a cortá-la para onde estava virado?" Passaríamos a ter muitos defesas a confessar limitações técnicas e acabavam os livres indirectos. Há quem diga que um dos segredos do futebol é esta subjectividade, que permite a discussão à segunda-feira. Mas isso era antes do "Apito Dourado"."
Autor: António Tadeia, jornalista, "Diário de Notícias", 28-08-2007

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

O que Paulo Bento tem a fazer

Apesar de o Sporting ter sido prejudicado pela arbitragem em diversos lances do jogo com o FC Porto, tendo uma das decisões erradas do árbitro Pedro Proença sido decisiva para a derrota final, ninguém do clube se queixou após o encontro. Sobre o lance capital, os próprios especialistas em arbitragem estão divididos quanto à decisão de Pedro Proença de assinalar um livre indirecto dentro da área castigando o facto de Stojkovic ter agarrado a bola com as mãos, vinda de um corte de Anderson Polga que Tonel deixou passar. Mas o que ouvimos no final do jogo foi o treinador Paulo Bento e o médio-esquerdo Vukcevic a assumirem um alegado erro do guarda-redes do Sporting. Num sentido contrário, Tonel, por seu turno, explicou por que motivo o lance fatal não deveria ter sido sancionado com um pontapé-livre indirecto. Dos dirigentes do Sporting não se ouviu uma palavra. O que vimos foi Filipe Soares Franco "nos braços" de Pinto da Costa... Ou seja, sem uma estratégia de comunicação articulada face às perguntas dos jornalistas, os elementos do Sporting “chutaram” para onde estavam virados, respondendo a várias vozes. E o resultado está à vista. A ideia que passa é que a responsabilidade foi mesmo do guarda-redes sérvio. Se assim é, então Paulo Bento só tem uma coisa a fazer na próxima jornada: afastar Stojkovic da equipa titular. Porque um erro tão grande não pode passar em branco.
De resto, após este polémico FC Porto-Sporting, é particularmente grave o silêncio directivo, tanto mais que os erros de Pedro Proença não se limitaram ao lance que originou o golo e a derrota: Quaresma deveria ter sido expulso por jogo violento sobre Miguel Veloso (33'); Bosingwa entrou sobre João Moutinho à margem da lei e não lhe foi mostrado cartão amarelo (38') e Pedro Emanuel deu uma cotovelada na cabeça de Derlei e também não viu o cartão amarelo (42'). O que disseram os responsáveis do Sporting sobre isto? Nada, absolutamente nada. Assim não vamos lá...

domingo, 26 de agosto de 2007

A noite negra de Stojkovic

FC PORTO-SPORTING, 1-0 (I Liga Portuguesa; 2ª Jornada) - Diz a Lei nº 12 das Regras do Futebol, relativa a “Faltas e Comportamento Anti-Desportivo”, que é concedido um pontapé-livre indirecto à equipa adversária sempre que o guarda-redes tocar com as mãos na bola vinda de “um passe atirado deliberadamente com o pé por um seu colega de equipa”. Ora, não foi isto que aconteceu no lance que originou o livre indirecto que decidiu a vitória do FC Porto sobre o Sporting, por 1-0. O que se viu foi Anderson Polga - acossado por um atacante portista - a fazer um corte na direcção da sua baliza, só que, entre ele e o guarda-redes, estava o seu colega Tonel, que optou por deixar passar a bola directamente para Stojkovic. Ou seja, Anderson Polga não passou a bola deliberadamente para o guarda-redes Stojkovic. Logo, a vitória do FC Porto – que acabou com a invencibilidade forasteira do Sporting em provas nacionais, que já durava há 26 jogos, desde Janeiro de 2006 – assenta num erro grave do árbitro Pedro Proença. Que, aliás, teve outros, do ponto de vista disciplinar, sendo permissivo face à dureza dos jogadores do FC Porto.
Stojkovic, que até é um guarda-redes internacional, deveria saber que as leis do jogo nem sempre são interpretadas correctamente, pelo que, naquele lance, impunha-se que chutasse a bola para bem longe da sua baliza. Porque, assim como Stojkovic vai expondo os seus erros em campo – para além de muito mal colocado naquele remate de Quaresma à barra, voltou a defender uma bola para a frente, que poderia ter resultado numa recarga fatal… – também os árbitros podem cometer os seus pecados...
No Dragão, o Sporting não cumpriu o discurso ambicioso que foi enunciando durante a semana. A equipa foi jogando para o zero-a-zero, limitando-se a controlar as operações, numa noite em que pedras importantes como Izmailov, João Moutinho, Liedson e Derlei não conseguiram libertar-se das amarras portistas e estiveram abaixo do normal. Na primeira parte, com o FC Porto ligeiramente superior, muito à custa do surpreendente Tarik e de Quaresma, a equipa de Alvalade foi defendendo, que é o melhor que sabe fazer. Após o intervalo, a coisa parecia que estava a virar, com o Sporting a reaparecer mais dinâmico e mais próximo da baliza de Helton, muito embora sem mostrar poder de fogo. Depois veio o golo, contra a chamada "corrente do jogo", e, então, foi mesmo evidente a incapacidade leonina para dar a volta à situação, embora a equipa passasse a jogar mais no meio-campo adversário. E quando Paulo Bento, a dez minutos do fim, chamou os jovens Yannick Djaló e Pereirinha e passou a jogar com três centrais, cinco médios e dois avançados, também não se viu nada de melhor. O que deu para ver é que Vukcevic tem valor para tomar conta da asa esquerda do meio-campo leonino e merecia ter continuado como titular. Tanto mais que Izmailov passou ao lado do jogo. Fotos: Paulo Duarte (Associated Press)

Nani dá primeira vitória ao Manchester United

O ex-jogador do Sporting Nani já começa a justificar a contratação. Hoje foi decisivo na primeira vitória do Manchester United sobre o Tottenham, na primeira liga inglesa, marcando o único golo da partida, festejado com o habitual salto mortal, por muito que Alex Ferguson não goste, por considerar essa forma de comemoração perigosa para a integridade física do atleta. FOTO: Reuters

sábado, 25 de agosto de 2007

Um Leão na cultura portuguesa

Com a morte de Eduardo Prado Coelho (EPC) desaparece um vulto da cultura portuguesa. E o que é que um blog sobre o Sporting Clube de Portugal tem a ver com a morte de EPC? É que EPC tinha um coração que sofria pelo Sporting. Quando se diz que o Sporting é um clube das elites, isso também tem muito a ver com o facto de ter adeptos e simpatizantes intelectuais como EPC, sem pejo de assumir que gostam de futebol e que têm um clube. EPC, que cultivava uma atitude aristocrática, não tinha preconceitos pseudo-intelectuais. Era capaz de escrever sobre o “nosso” Sporting e, mesmo assim, ser lido por quem detesta futebol. Porque quando escrevia sobre futebol abordava o fenómeno como uma pessoa normal. Com coração, cabeça e estômago. Também por isso, sendo um homem assumidamente de esquerda, chegando, às vezes, a escrever como se de um “spin doctor” do PS se tratasse, era lido e respeitado em todos os quadrantes políticos. Porque era livre nas suas escolhas, nos seus elogios e nas suas críticas. Desde a fundação do jornal “Público”, em 1990, EPC escrevia diariamente sobre as grandezas e as misérias da cultura, da política e da sociedade portuguesas, a partir dos episódios do quotidiano. Tinha amigos de estimação. E inimigos também. Como qualquer ser humano marcante e perene. Nos últimos tempos cruzou-se com a doença. Em Abril passado regressava às páginas do “Público”. Mas a recuperação plena não aconteceu. Na sexta-feira publicava a última crónica "O Fio do Horizonte". FOTO: Ana Baião (Expresso)

ALGUMAS CRÓNICAS DE EDUARDO PRADO COELHO SOBRE FUTEBOL

21-06-2005 - O naufrágio (do Sporting na época 2004-2005)
04-10-2005 - Fado (sobre a crise no Sporting 2005-2006)
23-05-2006 - A derrota
08-06-2006 - Dispersos
27-06-2006 - O país em guerra
01-09-2006 - Crise no futebol
05-09-2006 - E viva o futebol!
14-09-2006 - Assim vale a pena
30-01-2007 - No terceiro lugar

O cansaço do "Dragão"...

Salvo raras excepções, no futebol português joga-se devagar e devagarinho. Basta acompanhar os jogos da Liga Inglesa - e não é preciso ver os jogos dos candidatos ao título, basta aqueles entre os que lutam pela Europa e os que lutam por não descer de divisão - e comparar o ritmo de jogo com qualquer jogo que se realize em Portugal. Em Inglaterra podem não adornar tão bem a bola, mas a verdade é que as equipas correm mais e os jogos têm mais tempo útil.
Nesta matéria, também é tempo de repartir responsabilidades. A culpa não é apenas dos treinadores que trabalham em Portugal, nem da cultura que vigora nos clubes. É tempo também de responsabilizar a comunicação social. No "Diário de Notícias" de hoje, num trabalho jornalístico de antevisão do FC Porto-Sporting, o destaque vai para o cansaço dos jogadores. E o campeonato só agora está a começar...
O título do grande trabalho de duas páginas remete logo o leitor para a "A importância dos minutos". Importância dos minutos? Sim, o problema de Paulo Bento e Jesualdo Ferreira, diz o DN, estará nos "minutos a mais" dos jogadores que a meio da semana representaram as respectivas selecções nacionais. Mas a cereja em cima do bolo está num pequeno destaque a informar-nos: "Dragão mais cansado". Mas porquê? É simples: como o Sporting abriu o campeonato jogando sexta-feira e o FC Porto jogou no sábado, já lá vão oito dias, então, conclui o DN, no clássico deste domingo, a equipa portista estará mais cansada. Isto é capaz de ter uma explicação: é de admitir que os jornalistas do DN andem a ler muitos livros e nunca tenham jogado à bola.

FORAM LEÕES (1) Fernando Gomes

O PRÍNCIPE IMPERFEITO
Durante mais de uma década, Fernando Gomes pagou com silêncio numa espécie de exílio local a afronta dos dois anos finais ao serviço do Sporting, por não ter aceite o decreto presidencial que lhe encerrara a carreira aos 32. O maior goleador portista de todos os tempos, empurrado para fora das Antas pelo culto de personalidade que lhe reduzia o espaço de uma eventual afirmação política, é hoje uma espécie de Príncipe Carlos do reino do Dragão, envelhecendo à medida que o carisma pessoal se dissolve com as memórias, à espera que a Rainha morra, aparentemente perdendo energia e legitimidade para receber a coroa. Se há vinte anos Fernando era um príncipe, hoje não perdeu as referências genéticas, mas também não cresceu como pretendente ao trono. A fractura que sofreu dois dias antes da final de Viena marcou-lhe o destino, afastando-o da final e da iconografia do dragão dos tempos modernos, de nada lhe valendo ter sido o herói de Kiev na eliminatória anterior, quando comparado com o calcanhar de Madjer.
Transformou-se numa espécie de príncipe imperfeito, como se condenado a ser príncipe toda a vida. Gomes jogou 13 épocas pelo FC Porto, foi campeão cinco vezes e melhor goleador em seis temporadas, duas delas também melhor marcador da Europa, e representou a selecção em 48 ocasiões, marcando 13 golos, o que pode parecer pouco pelos padrões actuais, mas chegou para lhe dar uma dimensão nacional, muito rara nos jogadores do FC Porto, por causa das reservas e favoritismos concedidos pela imprensa aos jogadores dos clubes de Lisboa. Antes de Vítor Baía e Fernando Couto, expoentes da geração dourada que também adquiriram prestígio nacional, Gomes foi o portista mais célebre da selecção.
Por essa razão, os dois anos que passou no Sporting, a encerrar a carreira com uma significativa marca de 22 golos na época derradeira, foram encarados com a naturalidade reconhecida ao seu profissionalismo, sem beliscar a matriz da sua imagem desportiva.
Ao optar por uma vida empresarial à margem do futebol, Gomes hipotecou algumas das suas capacidades, mas procurou manter inatacável e afastado de qualquer polémica um estatuto pessoal que suplantou largamente o nível médio dos principais jogadores do seu clube, sempre muito obedientes e alinhados à nomenclatura que os vai mantendo na órbita dos dirigentes, alternando em cargos técnicos ou auxiliares de média ou baixa importância.
Podia ter desenvolvido uma actividade ligada ao futebol, aproveitar o prestígio interno e internacional, beneficiar do facto de ser um portista com dimensão, liberto dos estigmas que ao longo dos 25 anos de gerência de Pinto da Costa foram reduzindo o espaço de manobra da maioria das figuras do clube. Gomes nunca usou a camisola número 2, que o presidente definiu para os delfins, e nunca aceitou ser pajem da liderança indiscutível imposta pelo oligarca.
Remeteu-se ao papel discreto e reservado de sócio, deu-se ao respeito e manteve-se para lá das fronteiras do clube, o que é raro, pelo menos entre os portistas mais conhecidos publicamente. Nunca alguém o viu ou ouviu a defender o indefensável, a vilipendiar os adversários ou a patrocinar as absurdas guerras regionais. Talvez isso não lhe aumente o crédito a nível local enquanto durar o ‘regime’, mas o grosso dos anos já passou e, apesar de tudo, não se vê quem tenha mais condições para liderar a mudança que se vai impor a seguir aos anos do ‘Apito Dourado’ e a necessária reabilitação do nome e da imagem do clube.
Gomes, maior glória de sempre do FC Porto, é uma referência. Esteve sempre lá, mas parecia ignorado por decreto presidencial. Hoje, quando começam a olhar para o futuro, os portistas recuperam o orgulho pelo bibota de ouro europeu, perdoam a heresia dos dois anos de leão e começam a encará-lo como rosto da transição. Ainda a tempo de ser perfeito outra vez.
Autor: João Querido Manha, "Correio da Manhã", 25-08-2007
Fotografia: Sérgio Lemos

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

RECORTES LEONINOS Rogério Alves

"Vamos ao "Dragão" com raça de Leão"
Rogério Alves, presidente da Assembleia Geral do Sporting, "A Bola", 24-08-2007

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

LEÃO DA ESTRELA, Ano I

O LEÃO DA ESTRELA começou aqui faz hoje um ano. Até hoje, passaram por este blog, que agora está aqui, um total de 116.330 leitores. Uma média diária de 318 visitantes. Que estão todos de parabéns! É por isso que vale a pena continuar. Em nome do Sporting Clube de Portugal! Recordo a declaração de princípios:
Sou do Sporting Clube de Portugal desde criança. Desde o tempo em que o futebol se jogava aos domingos à tarde e nós, que morávamos longe de Lisboa, ficávamos colados ao rádio a ouvir as emoções que nos eram transmitidas por vozes de nomes como Romeu Correia, Fernando Correia, Orlando Dias Agudo, Ribeiro Cristóvão, Alves dos Santos e outros.
Era o tempo em que os laterais avançavam pelo campo como se fossem extremos e nós testemunhávamos cada lance com os ouvidos...
Os resumos dos jogos passavam na televisão única aos domingos à noite, a horas certas e sem intermináveis "programas de publicidade" pelo meio...
"A Bola" e o "Record" eram jornais publicados a preto e branco, duas ou três vezes por semana, e chegavam ao quiosque da terra a meio da tarde para serem consumidos num ápice por magotes de leitores ávidos de informação sobre os seus í­dolos...
Os equipamentos dos jogadores eram numerados de 1 a 11.
Uma entrevista exclusiva era uma entrevista exclusiva...
O sí­mbolo do clube era a única marca visível nas camisolas dos jogadores...
Sporting, Benfica e FC Porto arrastavam grandes multidões, enchendo os campos e os estádios do País e provocando um clima de festa em cada vila ou cidade onde jogassem.
Havia um dia a meio da semana para a realização dos jogos das competições da UEFA, que validava a expressão "Quarta-feira Europeia"...
Uma equipa só usava o equipamento alternativo quando recebia um adversário cujo equipamento oficial fosse da mesma cor.
Os cromos eram vendidos como embrulhos de pastilhas elásticas...
Foi em criança que comecei a ouvir relatos de golos de jogadores talentosos como Eusébio, Chico Gordo, Jacinto João, Vítor Baptista, Nené, Fernando Gomes, Cubillas, Seninho... Mas só conseguia vibrar com o relato das portentosas defesas de Ví­tor Damas ou Botelho, com os eficazes e oportunos cortes e desarmes de Laranjeira, com a espectacular fantasia de Fraguito, e com os golos "sem apelo nem agravo" de Hector Yazalde, de Marinho, de Manoel, de Keita, de Manuel Fernandes, de Rui Jordão. Os golos do Sporting, claro. E não sei por que motivo. Ou até sei. É que uma paixão não se explica. Sente-se e vive-se. Começou na década de setenta do século passado, quando os títulos nacionais começavam a escassear no Sporting, e atravessou intacta o perí­odo mais longo da história do clube sem vencer campeonatos, que durou entre 1982 e 2000.
Atento e disponí­vel para abordar temas gerais da actualidade, este blog é, sobretudo, um espaço do futebol do Sporting para os que gostam de futebol e do clube fundado por Alfredo Holtreman, em 1906, que procura ser atractivo e interessante. Ou seja, neste blog podem encontrar o futebol, Portugal e o mundo vistos com o esforço, a dedicação, a devoção e a glória de um sportinguista.
A blogosfera é um espaço indubitavelmente democrático. Como em todos os lados onde há liberdade de expressão, a opinião é livre, sendo certo que os factos são sagrados. E, como tal, os factos podem ser merecedores de aplauso ou assobio, tendo, no entanto, o Sporting como denominador comum. Afinal, a força e o crédito de qualquer opinião também se medem pela sua sinceridade intelectual.
Com base nestes pressupostos, o LEÃO DA ESTRELA, enquanto fonte de informação, de opinião e de debate, está sempre do lado do Sporting Clube de Portugal, embora numa atitude independente, mas não neutral, face às diversas correntes de opinião que sempre coexistem nas instituições que se regem por princí­pios democráticos.
O blog chama-se LEÃO DA ESTRELA. Por nenhum motivo especial. Não tem nada a ver com o filme de Arthur Duarte, embora fosse inspirado nele, nem significa que o autor seja da Estrela. É apenas um jogo de palavras, entre o "Leão", que é o animal de estimação de qualquer sportinguista, e a "Estrela" de que as equipas de futebol do Sporting precisam para conseguirem alcançar os seus objectivos.
O sucesso deste blog passa também pela participação dos leitores, desde logo através da leitura dos conteúdos que aqui são lançados, mas também com as suas notí­cias, curiosidades ou opiniões, sobre o futebol em geral, e o futebol do Sporting em particular, que podem mandar por e-mail. Se tiverem fotos antigas de jogadores, treinadores, equipas ou dirigentes do Sporting, agradeço. Críticas e sugestões também serão bem recebidas. Obrigado! E viva o Sporting!...
L E Ã O _ D A _ E S T R E L A, 2006

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

O Sporting no Portugal profundo

Parambos é uma freguesia da margem norte do Alto Douro vinhateiro, no concelho de Carrazeda de Ansiães, distrito de Bragança. Terra de vinho e azeite de grande qualidade, e de outros produtos tradicionais de um Portugal profundo que, felizmente, continua vivo, apesar de debandada para o estrangeiro e para as grandes cidades, em busca de melhores condições de vida.
Em Parambos o futebol profissional é aquele que chega pela televisão. Mas há lá um clube, o Sporting Clube de Parambos, que está a comemorar 70 anos. É a filial nº 87 do Sporting Clube de Portugal. No último fim-de-semana, a pequena aldeia, que se considera “a mais sportinguista de Portugal”, engalanou-se para a festa popular. Homens e mulheres, crianças - há crianças no Interior desertificado!... - e velhos pegaram numa peça de vestuário verde e foram comemorar. Não haveria "Game Box" que proporcionasse uma demonstração de sportinguismo tão genuíno!
Do Sporting, foram o vice-presidente Menezes Rodrigues e os antigos jogadores e treinadores Fernando Mendes e Hilário da Conceição. Outro dos presentes foi o antigo presidente Jorge Gonçalves, que foi homenageado. Gonçalves tem ligações a esta freguesia de Carrazeda de Ansiães, onde nasceu o seu pai, e é lembrado na terra por ter sido o único a trazer até à aldeia a equipa principal do Sporting e os seus dirigentes, em 1989, a caminho de um jogo em Chaves. Outros tempos, de facto.
Este exemplo de Parambos deveria fazer com que Filipe Soares Franco olhasse com mais atenção aos núcleos e às filiais, porque são extensões decisivas para a afirmação do Sporting no país e no estrangeiro. E neste caso, deveria ter tomado a iniciativa de enviar um ou dois jogadores do plantel principal. A equipa até tinha jogado para a Liga no dia anterior. Aquele povo sportinguista e simples jamais iria esquecer o grande dia. Como não foram os jogadores, fica na memória a mensagem de Menezes Rodrigues: elogiou a mística local e criticou aos acessos rodoviários. Ele não foi lá em 1989. De certeza absoluta. FOTOS: Blog Viver Parambos

Ana Paula Oliveira levanta a bandeira

Depois deste ensaio fotográfico na edição brasileira da "Playboy", o Sporting tem sérios motivos para se queixar da nomeação de Pedro Proença para arbitrar o jogo com o FC Porto, no próximo sábado, no Estádio do Dragão. O presidente da Comissão de Arbitragem da Liga, Vítor Pereira, deveria ter nomeado a brasileira Ana Paula Oliveira, sobretudo agora que a moça decidiu levantar a bandeira. E que bandeira!...

terça-feira, 21 de agosto de 2007

1ª JORNADA O dinheiro e os resultados

Paulo Bento é líder da I Liga pela primeira vez

O regresso do Sporting à liderança, mais de dois anos depois, e a crise instalada no Benfica são as consequências mais notórias da primeira jornada da I Liga Portuguesa 2007-2008, que também confirmou um arranque forte do FC Porto, ao vencer em Braga por 2-1, tornando o clássico com os “leões” da próxima ronda num jogo importante para o futuro imediato das duas equipas.
O Sporting já não era primeiro classificado do principal campeonato português desde a antepenúltima jornada da Liga de 2004-2005, ou seja, desde a jornada anterior à derrocada no Estádio da Luz da equipa então orientada por José Peseiro. Em 2005-2006, a melhor classificação que Paulo Bento conseguiu, recorde-se, foi o segundo lugar, que manteve entre a 21ª jornada e o fim do campeonato. Em 2006-2007, o Sporting só foi líder da I Liga durante alguns minutos naqueles dramáticos jogos finais. Por isso, a vitória folgada sobre a Académica (4-1) permitiu ao Sporting iniciar a Liga 2007-2008 na liderança.
O despedimento de Fernando Santos, depois do empate a um golo com o Leixões, no Estádio do Bessa, é outra consequência importante da primeira jornada. O que é extraordinário é que a equipa com mais problemas dos chamados três grandes clubes seja aquela que mais dinheiro implicou em contratações. O que significa que, no futebol, o dinheiro não é sinónimo de resultados. O Benfica gastou mais de 20 milhões de euros na aquisição de dez jogadores e chega ao ponto de ter que adaptar um médio a defesa-central por falta de opções naturais. Já agora, o FC Porto, também na aquisição de dez novos jogadores, investiu 12,8 milhões. E o Sporting, o mais poupadinho dos três grandes, cumpriu com folga as projecções iniciais de Filipe Soares Franco, investindo apenas sete milhões de euros, também na aquisição de dez jogadores (contando com a compra de Romagnoli, que já estava em Alvalade).
Quanto à prestação das restantes equipas da I Liga nesta primeira jornada, nada a salientar. Os jogos U. Leiria-Boavista, Naval-Belenenses, Nacional-E. Amadora e Guimarães-Setúbal terminaram empatados, o que não deve ser um bom indicador sobre o futebol que se joga no país. A excepção foi o Marítimo, que venceu o Paços de Ferreira por 3-1, pelo que o clube da terra de Joe Berardo arranca no segundo lugar.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

RECORTES LEONINOS João Geada

O MARKETING DO SPORTING
"Os clubes de futebol mantiveram-se desde sempre afastados das actividades de marketing até se aperceberem que existe uma relação única e especial entre o clube e o adepto e que essa relação, bem explorada desde o ponto de vista de um marketing bem feito, pode ser e é um autêntico filão de ouro.
Seguindo o exemplo de grandes clubes internacionais como o Real Madrid e o Manchester United, que por sua vez seguiram os exemplos das grandes equipas dos EUA de futebol americano, basebol e basquetebol, os clubes nacionais estão a despertar para esta realidade e, no caso que vos vou comentar, estão mesmo muito acordados.
Falo especificamente de uma pequena grande pérola de comunicação, integrada na campanha para a aquisição da Game Box (passe de época) do Sporting Clube de Portugal desenvolvida para a internet em que o utilizador é transportado, de uma forma muito divertida e bem realizada, para o balneário do clube antes do que aparenta ser um ‘grande jogo’.
Não vos vou descrever a peça mas sugiro vivamente que a visitem em www.sporting.pt/Servicos/Gamebox/Gameboxvideo.asp asseguro-vos que, qualquer que seja o vosso clube do coração vão, no mínimo, ficar com um sorriso nos lábios (bom, acredito que alguns mais ferrenhos não fiquem). Está criativa, tem humor qb, protagoniza inteligentemente o treinador do Sporting, Paulo Bento, que à custa de si mesmo, de gatos fedorentos e outras razões se tornou num personagem mediaticamente simpático e utiliza a tecnologia e a personalização para torná-la numa experiência interactiva muito interessante e surpreendente. Estou seguro que, para além da viralidade que vai provocar e do nº de visitas que vai gerar, vai seguramente cumprir os objectivos primordiais de marketing, ou seja, vender produto.
Como tenho defendido em outros artigos, este é o caminho para a boa publicidade do futuro, não considerar o consumidor como uma parte passiva da comunicação e deixá-lo envolver-se e descobrir por si mesmo as mensagens e conteúdos que se pretendem passar. E a tecnologia está aí à nossa disposição possibilitando infinitos novos caminhos para serem explorados pela criatividade.
Estão definitivamente de parabéns os responsáveis do Sporting que aprovaram a peça, a agência que a realizou e o Paulo Bento pela sua brilhante actuação. Como benfiquista até me custa dizer isto, mas em termos de publicidade, com esta, o Sporting lidera o ‘campeonato’."
João Geada, especialista em assuntos de "media", "Diário Económico", 20-08-2007

A queda do Benfica

Com uma estrutura directiva dependente dos humores de um presidente esforçado e sem resultados desportivos, o Benfica continua em queda lenta, mas gradual. Já tinha despedido o chefe do futebol, José Vieiga, e o chefe da enfermagem, Rodolfo Moura. Depois zarparam Simão Sabrosa e Manuel Fernandes, pedras basilares da equipa de futebol. Agora é o treinador Fernando Santos a receber guia de marcha. Fernando Santos acaba por ser culpado pelo despedimento, pois ele devia saber que um cemitério é um lugar estranho para trabalhar. Para a limpeza ficar concluída só falta mesmo sair Luís Filipe Vieira, deixando o clube nas mãos da Águia Vitória ou de Joe Berardo. O que se nota é que aquele título de 2005 foi, afinal, uma obra do acaso. A verdade é que, neste século XXI, com oito campeonatos já disputados, o Benfica já está muito atrás do Sporting e do FC Porto: tem menos títulos, menos vitórias, menos golos marcados, mais golos sofridos e menos pontos. Num total de 269 jogos deste século, o FC Porto lidera a classificação com 598 pontos e quatro títulos; o Sporting é segundo, com 550 pontos e dois títulos; e o Benfica segue em terceiro, com 535 pontos e apenas um título. Significa isto que o grande Benfica com mais campeonatos e mais taças que os outros não passa de uma memória cada vez mais distante. FOTO: José Ventura (Expresso)

Celsinho: a fama e o proveito


O médio-ofensivo brasileiro Celsinho, que completa 19 anos no dia 25 de Agosto, está confirmado no Sporting. Contratado pelo Lokomotiv de Moscovo à Portuguesa dos Desportos por sete milhões de euros, acabou por falhar a sua aventura russa. Agora chega emprestado ao Sporting, ficando o clube de Alvalade com opção de compra no final da temporada, por dois milhões de euros. Para trás ficou o Corinthians, que também estava na corrida pelo jogador. Internacional das selecções jovens brasileiras, Celsinho é conhecido como o novo Ronaldinho Gaúcho. Oxalá confirme a fama para que o Sporting tire o devido proveito. CLIQUE NO VÍDEO (em cima) PARA VER O QUE CELSINHO JÁ FEZ

domingo, 19 de agosto de 2007

Futebol cada vez menos português

Não há nada de xenófobo na constatação deste facto, mas a verdade é que os jogadores portugueses estão em minoria nos chamados três grandes (Sporting, FC Porto e Benfica) e em toda a I Liga. Em setenta anos do principal campeonato português penso que é a primeira vez que as três principais equipas só contam com dez portugueses nos seus plantéis. No Sporting, por exemplo, e contando com a contratação de Celsinho, há oito jogadores de campo portugueses e sete brasileiros. E estamos a falar de um clube formador... É um sinal dos tempos. Tempos difíceis para o futebolista português e, por consequência, para o próprio futebol nacional. Se a tendência não for invertida rapidamente, as exportações milionárias terão os dias contados. No meio disto tudo há um pequeno mistério: por um lado, ninguém do estrangeiro quer contratar os nossos árbitros e os nossos dirigentes desportivos. Por outro, por cá, não há ninguém interessado em importar essas espécies de outros países... Às tantas, é por isso que o futebol português não desenvolve...

CURIOSIDADES LEONINAS A proeza de Derlei

Ao marcar o primeiro golo da Liga 2007-2008, o brasileiro Derlei entrou para a história do futebol português, tornando-se o terceiro futebolista a marcar com as camisolas do Sporting, FC Porto e Benfica, igualando os feitos de Eurico Gomes e Paulo Futre. Fernando Mendes, Alhinho e Peixe e Romeu foram outros jogadores que também representaram os três "grandes", mas não apontaram golos pelas três equipas. A vitória do Sporting sobre a Académica, por 4-1, foi também o resultado mais volumoso dos "leões" dos últimos 20 anos na ronda inaugural da Liga Portuguesa. Na primeira jornada da Liga 1987-88, o Rio Ave perdeu em Alvalade também por 4-1. A equipa leonina era treinada pelo inglês Keith Burkinshaw. Mas o bom arranque não significou, nessa altura, uma boa temporada, não obstante o clube ter alcançado os quartos-de-final da Taça das Taças e o Natal desse ano ter ficado marcado pela conquista da Supertaça, com o Sporting a registar duas vitórias sobre o Benfica (3-0 na Luz e 1-0 em Alvalade). A eliminação prematura da Taça de Portugal e um desempenho irregular no campeonato, a juntar a uma grande instabilidade directiva – o fim da presidência de Amado de Freitas e a emergência de um “fenómeno” chamado Jorge Gonçalves – ditariam o afastamento do treinador inglês, tendo sido substituído pelo português António Morais, que tinha sido adjunto de José Maria Pedroto no FC Porto. No final, o Sporting – onde pontificava o brasileiro Paulinho Cascavel como homem-golo – foi quarto classificado no campeonato, com 47 pontos, menos 19 do que o FC Porto de Tomislav Ivic, que conquistou o título nacional. FOTO: Sporting.pt

sábado, 18 de agosto de 2007

E X C I T A Ç Õ E S Manuel Machado

“Marcar um penálti com um jogador que fica de pé acaba por ser um pouco estranho.”
Manuel Machado, treinador da Académica, sobre a grande penalidade assinalada pelo árbitro Elmano Santos, por falta cometida sobre Liedson, "O Jogo", 18-08-2007

ARBITRAGEM Sporting-Académica 4-1

O árbitro Elmano Santos, da Madeira, cometeu alguns erros graves, teoricamente em prejuízo do Sporting. No entanto, não tiveram influência na vitória leonina sobre a Académica, por 4-1, na primeira jornada da Liga Portuguesa 2007-2008. Eis os casos:
7´- Com o jogo empatado a zero, o defesa da Académica Berger cometeu falta sobre Liedson dentro da grande-área, derrubando o avançado leonino com as duas mãos. Grande penalidade a favor do Sporting que não foi assinalada.
60' - Com o Sporting a vencer por 2-0, Litos, da Académica, pisou ostensivamente o pé de Derlei. Ficou por mostrar um cartão vermelho. Litos nem o cartão amarelo viu.
72' - Com o resultado em 3-0, o avançado da Académica Lito ajeitou a bola com o braço na grande área do Sporting, ganhando vantagem ilegal, e, de seguida, o defesa leonino Anderson Polga derruba-o. Elmano Santos não interrompeu o jogo. Se tivesse assinalado livre contra a Académica, punindo o jogo irregular de Lito, ninguém falaria agora de uma grande penalidade não assinalada contra o Sporting.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Um bom arranque do Sporting

SPORTING-ACADÉMICA, 4-1 (I Liga Portuguesa; 1ª Jornada) - O futebol é mesmo um jogo aleatório, sendo por isso que continua a ser o desporto mais popular, arrastando multidões, mesmo aquelas que se queixam da falta de verdade desportiva. O Sporting começou em grande a Liga Portuguesa 2007-2008, vencendo por 4-1 a Académica de Coimbra, perante um Estádio de Alvalade acima dos 30 mil espectadores. Um resultado farto nos dias que correm, de que muitos sportinguistas, mesmo os mais optimistas, certamente não estariam à espera. Lá está, o futebol é aleatório. Tão aleatório que coube ao brasileiro Derlei a honra de marcar o primeiro golo do campeonato. E logo Derlei, o “velho” que o Benfica deitou fora e que surpreendeu o universo leonino, e a generalidade dos adeptos do futebol, ao ser contratado pelo Sporting.
Foi o primeiro jogo da Liga, mas foi um bom jogo. E um jogo com história. O Sporting - que já mostrou o que fez de melhor nas últimas semanas da última temporada - foi construindo uma vitória tranquila, que chegou ao 3-0, e poderia ter embalado para uma goleada histórica – não fosse o perdulário Liedson, por exemplo, exagerar na procura de golos em jeito… Mas também esteve à beira de um susto, pois deve à sorte de Stojkovic o facto de ter sido evitado um segundo golo da equipa de Coimbra, já nos últimos minutos, que ditaria uma vantagem leonina de apenas um golo. Mas logo a seguir, Liedson foi travado em falta dentro da área, tendo João Moutinho marcado a grande penalidade que fixou o 4-1 que fica para a história.
De um ano para o outro, o “onze” inicial do Sporting conservou as suas unidades nucleares, devendo-se a isso a boa sincronização colectiva que já se observa, com os novos elementos a registarem uma boa integração na filosofia táctica de Paulo Bento. Na baliza apareceu Sojkovic em vez de Ricardo; no meio-campo, apareceu Vukcevic (ou Simon?...) em vez de Nani; e, no ataque, Derlei, em vez de Yannick Djaló, atirado para o banco. Ou seja, apenas dois novos jogadores de campo. E, talvez por isso, o Sporting – que está mais forte fisicamente – se tenha exibido já com algum brilhantismo. Embora toda a equipa tenha estado em bom plano (e a vitória por 4-1 não deixa dúvidas...), são de destacar as exibições de Abel, Anderson Polga, Miguel Veloso, João Moutinho, Vukcevic e Derlei. FOTOS: Armando França (AP Photo)

Entradas de Leão!...

Como diz Liedson, “não podemos facilitar”. Nesta sexta-feira, o Sporting não pode falhar na recepção à Académica, confirmando dentro do campo que está mais forte do que na última temporada e que acaba de ganhar a Supertaça porque está melhor do que o FC Porto. É certo que o campeonato só agora começa, mas é importante um bom arranque. Um arranque daqueles com quatro ou cinco vitórias consecutivas, pelo menos, para dar à equipa o balanço de que precisa para um ano inteiro. Com golos mais rápidos, no primeiro minuto, ou mais demorados, perto do apito final do árbitro. Nos últimos anos, o campeão tem sido definido nas jornadas iniciais. Na última época, por exemplo, o FC Porto assumiu a liderança à segunda jornada e não mais a perdeu. O Sporting, que não ganha campeonatos em anos ímpares desde 1953, vai entrar numa prova que termina num ano par e não pode repetir o segundo lugar dos últimos dois anos. Nesta sexta-feira, o leão vai rugir bem alto no Santuário de Alvalade. É lá que mandamos nós.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

RECORTES LEONINOS Contratações

"(...) Ora, não há dúvida que o Sporting produz talentos, mas que interessa isso se os responsáveis inundam a equipa de estrangeiros, fechando as portas a tanta gente de qualidade? O Sporting podia ter uma consistência que só traria vantagens, se olhasse mais, muito mais, para dentro, fazendo apenas contratações cirúrgicas! Mas não, o conceito é o de empresário de jogadores e não o de gestor de Clube! Não há nada a fazer! Com uma gestão destas a marca de clube formador não faz sentido, porque, como se vê, o benefício é para outros! Valha-nos S. Bento!"
Blog Sporting CP Sempre, 15-08-2007

SPORTING NO PAÍS Parambos

Imagem enviada por José Luís, do Sporting Clube de Parambos, filial nº 87 do Sporting Clube de Portugal, para anunciar a festa do 70º aniversário da instituição, no dia 18 de Agosto, a qual terá como convidados, entre outros, os antigos futebolistas Samuel Fraguito, Hilário da Conceição e Fernando Mendes, o vice-presidente do Sporting, Menezes Rodrigues, e o antigo presidente Jorge Gonçalves, dado tratar-se de uma colectividade de onde é natural o seu pai. Parambos é uma freguesia do concelho de Carrazeda de Ansiães.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Da dispensa de Pupo à contratação de Celsinho

Pupo não quer jogar na II Divisão de Honra e prefere regressar ao Brasil

Contratar o jovem Celsinho, um médio atacante brasileiro de apenas 19 anos, bom de bola, mas que falhou em Moscovo, até seria um bom negócio no âmbito de uma operação que incluisse uma eventual venda de Carlos Paredes para Itália. Mas adquirir o jovem brasileiro também seria passar um atestado de desconfiança aos jovens do Sporting que todos os anos saem da Academia de Alcochete. O que não faltam em Alcochete são, justamente, Celsinhos. O ex-júnior brasileiro Yannick Pupo, por exemplo, um médio atacante que também é bom de bola, e que fez a sua formação em Alcochete nos últimos dois anos, foi chamado ao plantel principal, fez um mês da pré-temporada, mas acabou emprestado ao Fátima, da II Divisão de Honra, onde ainda não apareceu porque prefere jogar no Brasil... O problema está na gestão dos recursos humanos disponíveis. Aliás, o Sporting até tem fabricado talentos de qualidade superior, de que Cristiano Ronaldo, Simão Sabrosa ou Ricardo Quaresma são exemplos. Por isso, lembrarem que Celsinho é sósia de Ronaldinho Gaúcho é só mais uma manobra bacoca para entusiasmar os sportinguistas menos atentos. Celsinho está no Lokomotiv de Moscovo. De lá já vieram Izmailov e Marian Had. Sabemos que não há duas sem três. Mas havendo três, será caso para desconfiar desta parceria sem protocolo. Se querem contratar Celsinho "como aposta de futuro", muito bem, contratem. Não haverá melhor maneira de adiar para sempre a afirmação plena dos jovens portugueses, ou estrangeiros, formados no Sporting. Por isso, o melhor será aproveitar a embalagem e fechar a Academia de Alcochete, pois o clube mostra que não precisa dela para nada.

RECORTES LEONINOS Celsinho

"Eu saí da Portuguesa com o objectivo de jogar uma boa temporada aqui no Lokomotiv e depois me transferir para outro clube. Todo jogador gosta de ser lembrado. Acho que seria o momento certo para voltar ao Brasil. Para aparecer e pensar em selecção..."
Celsinho, jogador brasileiro pretendido pelo Corinthians, de quem a imprensa portuguesa diz que sonha jogar no Sporting, em entrevista à rádio brasileira "Jovem Pan", citada pelo sítio Globoesporte.com

terça-feira, 14 de agosto de 2007

RECORTES LEONINOS Sousa Cintra

"Foram seis anos [na presidência do Sporting]... Fiquei satisfeito pelo trabalho desenvolvido. Tínhamos a melhor equipa, mas não havia verdade no futebol."
Sousa Cintra, presidente do Sporting entre 1989 e 1995, "Jornal de Negócios", 14-08-2007

O prof. Marcelo do futebol

Ao passar a escrever de segunda a sexta-feira no diário “Record”, o jornalista Rui Santos tornou-se num caso único em Portugal, com presença diária na comunicação social, uma vez que já escrevia ao sábado e ao domingo, no “Correio da Manhã”. O “gestor de activos” Paulo Fernandes (espero não ser processado pelo patrão da Cofina…) lá saberá como extrair o mais alto rendimento do seu comentador nas várias publicações do grupo… A dura semana de trabalho do jornalista termina nas noites de domingo, no “Tempo Extra”, da SIC Notícias, um programa que faz de Rui Santos o “prof. Marcelo do futebol”.
Em todos estes espaços, o antigo jornalista de “A Bola”, que tem a vantagem de ser dos poucos jornalistas portugueses que já não precisam de escrever para viver, emite opiniões, a partir do seu entendimento sobre o modo como devem funcionar os clubes, os futebolistas, os dirigentes e outros agentes do futebol. E uma opinião vale o que vale. Uma opinião é um universo criado por cada um. Uma opinião não é uma realidade; é o que pensamos sobre uma realidade.
É surpreendente que o Conselho de Administração da SAD do Sporting tenha decidido “remeter imediatamente” para o departamento jurídico da empresa o teor de artigos publicados nas últimas edições do "Record", onde Rui Santos criticou a política de contratações e a falta de um sistema táctico alternativo ao losango de Paulo Bento. A SAD do Sporting anunciou ainda que tal diligência tem em vista “a apresentação da competente queixa-crime por difamação, agravada por ter sido cometida através de meio de comunicação social”.
Esta chamada do departamento jurídico ao trabalho por causa de um diferendo desta natureza não tem sentido nenhum. Estamos perante uma matéria crucial ao nível da política de comunicação do Sporting. Como jornalista, Rui Santos tem direito à sua opinião. Tal como os sócios do Sporting, nomeadamente nas assembleias gerais do clube. E qualquer cidadão também tem direito a dizer o que pensa, nomeadamente na Internet. Caso contrário, o melhor seria exportar o Sporting para Cuba ou para qualquer outro país sem liberdade de expressão...
A ameaça de um processo-crime contra Rui Santos não passa de uma acção folclórica, que tem o efeito perverso de ser vista como uma manobra de intimidação que é insustentável. E que abre caminho a outras queixas-crime contra os mais variados jornalistas que ousem pensar e ter opinião. Já durante a época passada, um mero “relógio” inventado por Rui Santos na “SIC Notícias”, que lembrava os dias que passavam sem que Nani, Liedson e João Moutinho fossem vendidos pelo clube, causou uma agitação inusitada em Alvalade, ao ponto de o director de comunicação do Sporting ter vindo a público atacar o jornalista. O clube ganhou alguma coisa com isso?
Estamos perante uma guerra que não vale a pena, pois é daquelas que só podem dar uma vitória de Pirro. Por outro lado, mais do que um diferendo entre o Sporting-instituição e o jornalista Rui Santos, parece que estamos perante um conflito entre segundas figuras leoninas e o jornalista. E Filipe Soares Franco, que além de presidente da SAD é presidente do Conselho Directivo do clube, não deveria permitir um caso destes.
O clube ganharia, isso sim, se analisasse e reflectisse sobre o que está em causa, separando o trigo do joio, isto é, separando aqueles que querem o desenvolvimento do futebol português e do Sporting daqueles que, passando a mão sobre o pêlo do leão, não pretendem mais do que distraí-lo no meio da selva…

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

HISTÓRIAS LEONINAS Izmailov

Em poucas semanas, Izmailov, o russo com cara de menino que, quando chegou a Lisboa, abriu a boca de espanto ao conhecer a grande sala de troféus do Sporting, já tinha conquistado a maioria dos adeptos leoninos pela qualidade demonstrada nos jogos de preparação. Agora, ao marcar aquele grande golo ao FC Porto, que deu a sexta Supertaça portuguesa ao Sporting, entrou em definitivo no grupo dos bem-amados da equipa. É certo que não fez um grande jogo frente aos "dragões". Por vezes, até parecia ausente. Os analistas da RTP, sempre muito conhecedores, até falaram que Izmailov costuma "desligar" durante os noventa minutos. Bom, se o russo desligou ou não desligou, não sabemos. O que sabemos agora é que, desde os primeiros minutos da partida, Izmailov estava diminuído fisicamente e que, face à saída prematura, igualmente por lesão, do brasileiro Pedro Silva, não teve coragem para dizer a Paulo Bento que não estava em condições. Preferiu sofrer em silêncio durante mais de uma hora de jogo. Pelos vistos, foi altamente recompensado. E o Sporting ganhou a Supertaça.

sábado, 11 de agosto de 2007

"Leões" lavaram bem os dentes

Foi mais uma vitória por 1-0 como no filme "O Leão da Estrela". Foi o segundo troféu conquistado pelo Sporting neste ano civil. Foi a segunda vitória consecutiva do Sporting sobre o FC Porto. Foi a segunda vitória consecutiva por 1-0 com um grande golo marcado aos 75 minutos. No jogo anterior, para a Liga 2006-2007, foi o chileno Rodrigo Tello a gelar o “Dragão”. Desta vez, foi o pé quente e certeiro do russo Izmailov a lançar o gelo nas hostes do FC Porto.
No Estádio Magalhães Pessoa, em Leiria, que deveria ter enchido, mas que só acolheu pouco mais do que 20 mil espectadores, os "leões" afiaram as garras e conquistaram a Supertaça 2007, mostrando no final um sorriso até às orelhas, tendo ficado provado que os jogadores orientados por Paulo Bento lavaram bem os dentes, ao contrário dos portistas, que não acataram as indicações de Jesualdo Ferreira, esquecendo-se desse hábito higiénico.
Num jogo marcado pelo equilíbrio, que teve momentos muito interessantes, não obstante ser jogado com grande parte dos atletas ainda com poucos dias de trabalho na nova época, o Sporting venceu porque foi mais eficaz. Não foi uma partida emocionante, nem espectacular, é certo, mas também não foi o mau jogo que a televisão oficial nos quis impingir. Tanto mais que o golo que decidiu a contenda foi espectacular. Para sermos justos, foi o jogo possível, entre duas equipas em acelerado processo de construção das bases da nova temporada, porque a Liga começa já no próximo fim-de-semana e há jogadores ainda em fase de integração.
Para o Sporting, a vitória confirma a tradição de vencer sempre o FC Porto em jogos da Supertaça. E constitui, sobretudo, um factor de grande motivação para um arranque forte na I Liga. De resto, é preciso jogos para criar rotinas e automatismos, uma vez que o futebol deste Sporting de Paulo Bento, para ter êxito, implica muita qualidade de passe e frescura física. Para isso, é importante uma adaptação plena dos jogadores que chegaram e um grande entendimento colectivo. É por isso que são visíveis lacunas na circulação de bola. Curiosamente, o golo leonino nasceu de um lance de bom entendimento entre Romagnoli, Derlei, Miguel Veloso e Izmailov, com a bola sempre a circular, naquela que foi uma das raras jogadas que levaram a bola à baliza de Helton. FOTOS: Hugo Correia e José Manuel Ribeiro (Reuters)

RECORTES LEONINOS

O SILÊNCIO DO SPORTING
"Já todos teremos deparado com aquele oportuno anúncio de TV em que o personagem, num elegante ambiente de festa, bebe um gole de refrigerante e clama, com eficaz despropósito: “Estou inocente!”
Este ‘spot’, em poucos segundos, faz a síntese mordaz da típica reacção de políticos, empresários ou dirigentes desportivos quando são visados pela justiça. Todos os que contam com um mínimo de poder e máquinas de propaganda juntam os apaniguados e, a dado momento da homenagem, lá sai, com o direito que lhes assiste, a razão de ser da coisa – “Estou inocente!”.
Hoje joga-se a final da Supertaça. O Sporting, único grande clube que não precisa de vestir smoking para sacudir culpas ou pecadilhos no ‘Apito Dourado’, guarda há muito um estranho silêncio. Mesmo sobre a inaceitável lentidão da justiça desportiva. É uma demissão inexplicável no plano ético. E um erro histórico. "
Autor: Octávio Ribeiro, "Correio da Manhã" 11-08-2007

A HISTÓRIA DAS CHAMADAS
"Os jogadores estão ansiosos no balneário. O estádio está cheio, mas falta um adepto para que o jogo possa começar. É então que o ausente recebe um telefonema. "Estou, fala o Paulo Bento... A época vai começar e ainda não estás connosco? Anda rápido que fazes falta, e traz a camisola!" No passado dia 8, o Sporting lançou uma campanha inovadora: através de um vídeo interactivo, colocado no site do clube, cada visitante pode ser convocado pelo treinador para assistir aos jogos da próxima época, bastando para isso escrever o nome e número de telefone. Em dois dias, já foram feitas 190 mil chamadas.
A base da campanha é um modelo interactivo, criado pela empresa multinacional eStara, que sincroniza um vídeo personalizado com uma chamada telefónica gratuita."Há dois elementos muito fortes no anúncio. Primeiro, a personalização. Vê-se o nome no vídeo e isso aproxima os clientes, é muito eficaz. E depois o facto de se ver a pessoa de quem se gosta a ligar, o que é uma imagem muito forte", disse ao PUBLICO.PT Sérgio Glotser, director da multinacional para Portugal e Espanha.
A eStara está a desenvolver este modelo há dois anos e o Sporting é o primeiro clube de futebol a aproveitá-lo para uma campanha publicitária. "Fizemos um acordo de exclusividade para o ramo do futebol em Portugal e acordámos com a empresa que seríamos os primeiros a fazer esta experiência no país", disse ao PUBLICO.PT André Rocha, director de marketing do Sporting.
"Quando apresentámos a ideia ao clube eles gostaram, perceberam o conceito e viram potencial. Este tipo de campanha pode ter dois objectivos: divulgar a imagem de uma marca ou promover um produto concreto", explica o responsável da eStara.
No caso do Sporting, o objectivo da campanha é aumentar a venda de gameboxes (bilhetes para assistir a todos os jogos da época). "Está a ter imenso sucesso. Nunca recebemos tantos emails a dar-nos os parabéns, até de pessoas que não são adeptas do clube", disse o responsável pelo marketing do Sporting. Nos primeiros dois dias, o treinador Paulo Bento "fez" 190 mil telefonemas. Uma surpresa para o clube, já que na véspera do lançamento da campanha eram esperadas 150 mil participações até ao final de Agosto, segundo uma nota publicada no site do clube.
Apesar de se tratar de um filme interactivo, o processo de rodagem é igual ao de um filme normal, explicou a PUBLICO.PT Miguel Varela, produtor executivo da Garage Films, a empresa responsável pelos filmes publicitários do Sporting.
Duas horas e meia foram suficientes para gravar o vídeo. "Há um trabalho de actor, as filmagens são ensaiadas, mas os jogadores são sempre muito participativos. Paulinho, o grande roupeiro do Sporting, foi o homem do filme", disse o produtor, que se confessa adepto ferrenho do clube.
A dedicação ao Sporting valeu a Miguel Varela uma pequena partida dos colegas da produtora. No vídeo, quando Paulinho chega ao balneário para dizer ao treinador a quem é que é preciso ligar, o primeiro nome da lista é o do responsável da Garage Films. "Na edição do vídeo puseram o meu nome em primeiro lugar, mas riscado, como grande sportinguista que sou". Os custos da campanha não são muitos, segundo Sérgio Glotser, da eStara "É o custo de produção e depois o custo das chamadas. Mas o resultado é muito eficaz, há muito mais retorno". Na Europa, a tecnologia já foi utilizada para o lançamento do Opel Cabriolet na Bélgica e numa publicidade à Vodafone na Grécia. "Tudo o que é feito a partir de avanços tecnológicos só se vê com o tempo, mas sabe-se que publicidades mais personalizadas são mais eficazes", disse.
"Esta campanha é um complemento. Tínhamos um anúncio muito emocional na televisão, numa lógica mais centrada nos adeptos, mas era preciso um complemento noutro meio, para um público-alvo mais novo e com o contacto directo com os jogadores", explicou André Rocha, do gabinete de marketing do Sporting.
Nem sempre que se acede à campanha Paulo Bento devolve a chamada. O PUBLICO.PT fez a experiência com números de telefone da rede fixa e telemóveis das três operadoras e verificou repetidas falhas em telemóveis da Vodafone e da Optimus. Questionado, André Rocha diz não haver registo de nenhum problema. "A adesão pode ser demasiada para o programa que só faz 30 chamadas por segundo"."
Autor: Marta Ferreira dos Reis, "PúblicoPT", 10-08-2007, 16h43

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

O marketing da "Gameboxe"

O que se lamenta é que esta campanha de marketing desportivo digital de promoção das "Gameboxes" (este nome é que não ajuda, mas nem tudo é perfeito...) do Sporting Clube de Portugal não mereça mais do que uma notícia de segundo plano na imprensa desportiva. E a imprensa generalista ainda não chegou lá. Uma produção deste género, aproveitando as potencialidades das novas tecnologias, é qualquer coisa de genial. Eu, como adepto do Sporting e do futebol, gostaria de saber quem teve a ideia e como a desenvolveu. Eu, como adepto do Sporting e do futebol, gostaria de ver a comunicação social a falar deste caso como uma excelente ideia de marketing desportivo digital, eventualmente aplicável em outros sectores. Hoje, convenci amigos benfiquistas e portistas a entrarem no sítio do Sporting na Internet e disse-lhes que iriam receber um telefonema do Paulo Bento. Incrédulos, lá entraram. No final, eles foram aos sítios do Benfica e do FC Porto e não viram nada igual. Foi então que percebi que eles gostariam de ser do Sporting. Só por causa desta campanha. Para mim, como sportinguista, foi uma vitória. Igual à vitória que espero comemorar amanhã na Supertaça.

Atenda o telefonema de Paulo Bento...

A campanha de marketing digital destinada a vender as "Gameboxes" do Sporting está simplesmente fabulosa! Basta clicar aqui e seguir as instruções. Experimentem! Segundos depois, Paulo Bento telefona a quem inserir o nome, o apelido e o número de telemóvel. O Sporting garante que os dados enviados não serão vistos por terceiros e serão utilizados exclusivamente para esta acção. Ah! E o filme é totalmente gratuito! Deixe o seu comentário.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Os jornais de Derlei

Não sabemos a troco de quê. O que sabemos é que os jornais desportivos não se cansam de vender a dupla Liedson-Derlei como indiscutível no ataque do Sporting 2007-2008. Derlei, que nos jogos se mostra tão combativo como trapalhão e inconsequente, é mais uma vez apontado como o par ideal para Liedson, esse sim, um jogador de eleição. Nesta quinta-feira é o “Record” a puxar pelo ex-avançado do Benfica e do Dínamo de Moscovo e a destacar “o que une Liedson e Derlei”. E um dos itens dessa união é o facto de terem sido treinados por Fernando Santos!… Os dois avançados “valem mais de 170 golos”, lembra-nos o jornal. Se a saga continuar, Derlei ainda terá direito a uma estátua em Alvalade!

Uma nova atitude

Os jogos oficiais ainda não começaram, mas os dirigentes do Sporting já revelam sinais de um clube mais activo fora das quatro linhas na temporada que agora se inicia. Primeiro foi o presidente Filipe Soares Franco a contestar a arbitragem de Pedro Henriques no jogo com o Benfica, que valia apenas a Taça do Guadiana. Depois foi o vogal do conselho directivo José Filipe Nobre Guedes a criticar declarações do secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias, sobre a carga fiscal e social aplicada aos clubes e aos futebolistas. Independentemente das duas situações em concreto, o que interessa sublinhar é uma aparente nova atitude da SAD do Sporting, claramente mais activa na defesa pública dos interesses do clube. Pode ter sido coincidência, mas constitui novidade ouvir o presidente do Sporting criticar a arbitragem de um jogo de preparação. E o facto de José Filipe Nobre Guedes ter falado em nome do Sporting foi outra novidade. Uma novidade que se saúda, porque o líder Soares Franco, sendo uma voz indispensável nos grandes momentos, não pode, nem deve, aparecer em todas as frentes. E a assessoria de comunicação também não pode desgastar-se ao ponto de emprestar o rosto a todas as guerras…

terça-feira, 7 de agosto de 2007

De Vítor Damas a Stojkovic

Uma grande equipa começa na baliza. Nunca mais esqueço essa máxima invocada pelo treinador inglês Malcolm Allison, em 1981, para exigir ao então presidente leonino João Rocha a contratação do húngaro Ferenc Meszaros, que era titular da selecção do seu país. O treinador considerava o guarda-redes essencial para ganhar o campeonato. E ganhou. Desde então, e à excepção de Vítor Damas (que voltou a Lisboa em meados da década de oitenta, com quase 40 anos de idade), jamais o Sporting teve a sua baliza nas mãos de um guarda-redes de qualidade indiscutível, daqueles cujas defesas valem pontos no final do campeonato. Nos anos noventa, Tomislav Ivkovic, Lemajic, Costinha ou De Wilde nunca foram indiscutíveis. Assim como Tiago ou Nélson. E a verdade é que o clube andou arredado do título nacional até chegar o dinamarquês Peter Schmeichel, em 1999. Foi nessa época que os sportinguistas voltaram a acreditar cegamente no seu guarda-redes. Infelizmente, o gigante dinamarquês ficou farto do nosso futebol ao fim de duas épocas e foi acabar a sua carreira a Inglaterra. A baliza leonina voltou a ficar nas mãos de Tiago e Nélson, que foram campeões em 2002, no ano em que João Pinto ou Pedro Barbosa cruzavam e Mário Jardel marcava... Em 2003, chegou Ricardo, contratado ao Boavista. Tinha 27 anos, estava, portanto, no auge da sua carreira. Mas só na sua quarta época ao serviço do Sporting é que Ricardo se revelou consistente, conseguindo terminar o campeonato com apenas 15 golos sofridos, ou seja, uma média de meio golo por jogo, a melhor de sempre na história do clube em campeonatos nacionais. Ao quarto ano ganhou também o seu primeiro título em Alvalade. No entanto, Ricardo também não convenceu totalmente a exigente plateia leonina, que não lhe perdoa aquela saída em falso à cabeça de Luisão, no Estádio da Luz, que ditou a perda do título nacional de 2005 em favor do Benfica de Geovanni Trapatonni. Foi nesse momento fatal que o guarda-redes da selecção nacional perdeu a confiança dos adeptos leoninos. Daí que a sua saída, neste defeso, para o modesto Bétis de Sevilha, onde vai ganhar dinheiro, não tenha motivado qualquer contestação, mais a mais agora que o sérvio Stojkovic, de apenas 24 anos, dá mostras de ser um guarda-redes de grande qualidade, daqueles que tranquilizam o adepto mais exigente, como não se via em Alvalade desde a partida de Schmeichel. E ao seu lado, pronto a entrar em qualquer momento, está um miúdo de grande futuro chamado Rui Patrício.
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