domingo, 30 de setembro de 2007

O centenário do vinho tinto...

Na organização do jogo do centenário do Benfica-Sporting vimos a vacuidade que é o “merchandising” e o marketing dos clubes e da Liga Portuguesa de Futebol Profissional a funcionar. Tendo em conta a importância histórica deste jogo para a cidade de Lisboa e para o futebol português, o centenário do Benfica-Sporting deveria ter sido devidamente assinalado. Desde logo com um estádio cheio. Impunha-se, por exemplo, que as camisolas das duas equipas assinalassem exclusivamente esse facto. E que fossem postas à venda em todo o País. Quem diz camisolas diz cachecóis e outros adereços... Mas o que vimos para assinalar o centenário de grande jogo foi um encontro de Filipe Soares Franco e Luís Filipe Vieira, para o jornal “A Bola”, numa mesa com copos de vinho tinto. E o Estádio da Luz ficou longe de encher. FOTO: Armando França (AP Photo)

O Sporting e a arbitragem

No que diz respeito à arbitragem portuguesa os dirigentes do Sporting revelam-se bipolares. O problema não é de agora, é de há muitos anos. É por isso que o clube continua a ser um dos parentes pobres do famigerado “sistema”. A verdade é que os dirigentes leoninos ora assobiam para o lado quando está em causa o “Apito Dourado”, ora saem à rua numa enorme gritaria inconsequente sem motivos aparentes, ora ficam escondidos num estranho silêncio depois de terem sido roubados à vista de toda a gente, ora pedem para repetir um jogo com base na argumentação jurídica mais obtusa, ora decretam um patético luto pela arbitragem.
Agora, após o jogo com Benfica, que teve casos como qualquer bom jogo de futebol, mas não teve roubos, os dirigentes leoninos entraram na fase da gritaria inconsequente e sem motivos, depois de terem ficado calados face aos roubos de que o clube foi alvo no Dragão e na Reboleira. É por causa desta estratégia casuística que o futebol português está como está e que a voz do Sporting é relativizada.
Berrar contra um árbitro por não ter assinalado grandes penalidades para os dois lados é colocar um árbitro honesto no mesmo pântano onde estão verdadeiros gatunos do futebol português. Berrar contra Pedro Henriques (como já acontecera este ano no jogo com o mesmo Benfica no último Torneio do Guadiana!...) e aliar o seu trabalho na Luz às trapalhadas de Vítor Pereira nos bastidores da arbitragem é não saber distinguir o erro cirúrgico e premeditado do erro próprio de um árbitro que é humano. E Pedro Henriques – que só não é internacional porque é demasiado sério para o “sistema” que temos – errou para os dois lados. E quando errou foi da mesma maneira que Carlos Freitas errou quando contratou jogadores desconhecidos a “custo zero” que depois não renderam o esperado. Ou da mesma maneira que Stojkovic errou ao defender uma bola para os pés de Nuno Gomes que só não decidiu o jogo por falta de jeito do avançado do Benfica. E tudo isso é futebol.
Portanto, a gritaria leonina, depois de mais um empate e de mais um jogo sem marcar golos, e com o FC Porto bem lançado no caminho do terceiro título consecutivo, só contribui para o descrédito da voz do Sporting, não só nos órgãos do futebol como junto da opinião pública. FOTO: www.sporting.pt

sábado, 29 de setembro de 2007

Sporting a leste da eficácia

Num jogo muito bem disputado, o Sporting deve apenas a si próprio o facto de ter perdido mais dois pontos nesta Liga, desta vez no Estádio da Luz. Foi superior ao Benfica em largos períodos do jogo, mas continuou a revelar uma confrangedora falta de eficácia no último terço do campo, não aproveitando de forma quase escandalosa as “avenidas” abertas na defesa encarnada, nomeadamente na primeira parte. Por várias razões: o futebol leonino não é suficientemente largo, perdeu a fantasia que gera desequilíbrios e não é mortal dentro da área, onde falta sempre alguém em boas condições para o remate final. Este ano não há a fantasia do melhor Nani, nem os cruzamentos tensos e largos de Rodrigo Tello, que sustentaram uma boa parte do Sporting mais criativo da época passada. Logo, também não há Liedson que resolva tudo e esconda esta insuficiência colectiva.
O que fica é que este empate na Luz tem o sabor a dois pontos mal perdidos, face a um Benfica que só existiu verdadeiramente quando a bola se colava aos pés de Rui Costa.
Tudo somado, dá sete pontos de vantagem ao FC Porto, embora cinco deles tenham sido perdidos no terreno dos concorrentes directos, o que desdramatiza este arranque de campeonato muito frouxo do Sporting. Mas sete pontos perdidos, são sete pontos perdidos, mais a mais em apenas seis jogos. Particularmente grave ainda é o facto de o Sporting não ganhar nos noventa minutos há quatro jogos consecutivos e não marcar golos há dois!
Sobre o trabalho do árbitro, Pedro Henriques, não se comprendem as críticas do Sporting por causa de um alegado penálti, quando houve outro a favor do Benfica que também não foi assinalado. Onde o trabalho de Pedro Henriques teve influência no desenrolar do jogo foi ao não expulsar o melhor defesa do Benfica, Luísão, aos 42'. O defesa-central brasileiro deveria ter sido expulso porque foi deliberadamente às pernas de Yannick Djaló, por trás. Mas viu apenas o cartão amarelo. FOTO: Steven Governo (Associated Press)

Leões conquistam PSD

Nas eleições para a liderança do PSD, o Sporting (Luís Filipe Menezes) derrotou o Benfica (Luís Marques Mendes) contra as previsões de muito boa gente, após um longo jogo com muitos protestos e lances duvidosos que nos últimos dias atiraram o clube da Rua de S. Caetano para o grau zero da política. É o que dá abrir um partido do arco governativo ao voto popular dos militantes... Com Santana Lopes (também do Sporting) prontinho para avançar para a primeira fila do Parlamento, ele que agora foi elevado à condição de herói nacional, e Luís Filipe Menezes, cá fora, a dar a táctica, José Sócrates, que é do Benfica, que se cuide... FOTO: Tiago Miranda (Expresso)

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Dois presidentes em grande

Por uma questão de protocolo, comecemos pelo presidente da Assembleia Geral, Rogério Alves, cujas crónicas no jornal “A Bola”, à sexta-feira, são de leitura obrigatória para os sportinguistas. Na prosa de hoje, Rogério Alves – que é o presidente da Assembleia Geral do Sporting mais mediático de sempre, emprestando ao cargo uma visibilidade e uma autoridade jamais vistas anteriormente - revela um paralelismo curioso entre as arbitragens que nos últimos tempos apitaram os jogos do Sporting e do Benfica no terreno do Estrela da Amadora. Assim: “Na Amadora até houve um penalty a mais. Parece que aquele estádio exerce fenómenos de quinta dimensão sobre as arbitragens. Já tínhamos visto no jogo com o Sporting o atropelamento do Abel, sancionado com um insólito amarelo. O penalty que, então, ficou por marcar, foi agora reposto, num lance que lançou a maior das perplexidades no campo e fora dele. Foi de levar as mãos à cabeça, num lance em que o jogador do Estrela viu a equipa de arbitragem confundir, precisamente, as mãos com a cabeça.”
Também em grande tem estado o presidente do Conselho Directivo e da SAD, Filipe Soares Franco, apesar de, como revelou há dias, só destinar uma hora por dia ao seu trabalho no Sporting. Franco esteve bem não só a pedir “atitude e determinação” à equipa leonina para o jogo da Luz, como também a observar discrepâncias inaceitáveis no comportamento dos árbitros em relação aos erros que cometem. FOTO: www.sporting.pt

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Santana Lopes de parabéns


O ex-primeiro-ministro e ex-presidente do PSD, Pedro Santana Lopes, foi convidado pela SIC Notícias para falar sobre a agitada situação política do seu partido. Quando a entrevista decorria, chegava ao aeroporto de Lisboa o ex-treinador do Chelsea, José Mourinho. A SIC interrompeu a entrevista política para fazer uma ligação em directo ao aeroporto, não para dar uma notícia, mas para mostrar o circo da chegada de "uma figura importante no País". Do cimo da vedeta que é, Mourinho borrifou-se para os jornalistas e para os directos, não dizendo uma palavra. Quando a emissão regressou aos estúdios, Santana Lopes - que também tem no currículo a presidência do Sporting - recusou continuar a ser entrevistado. O episódio, que evidencia o estado a que chegou a nossa televisão, mesmo aquela que se considera uma referência na informação, fica na história dos "media" portugueses como um grande momento de Pedro Santana Lopes. Talvez o seu melhor momento, desde que cometeu o erro histórico de assumir a chefia do Governo sem ouvir a opinião dos portugueses nas urnas. Clique na imagem para ver.

Pedro Henriques no dérbi

Depois do apuramento do Benfica para a próxima eliminatória da Taça de Liga, à custa de uma grande penalidade inexistente, como já veio a público reconhecer o árbitro Duarte Gomes, a Comissão de Arbitragem da Liga Portuguesa de Futebol só tinha uma solução: nomear um árbitro insuspeito para o Benfica-Sporting. Com a escolha de Pedro Henriques, temos a garantia de um árbitro sério. Oxalá o Sporting exiba futebol para vencer! FOTO: "Record Online"

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Uma lotaria merecida

Tiago teve um regresso em grande à baliza do Sporting

Com uma equipa renovada e uma atitude competitiva bem diferente daquela que foi revelada no jogo anterior frente ao Setúbal, e numa das semanas mais difíceis para Paulo Bento, dada a proximidade do importante jogo da Luz, o Sporting foi a Guimarães conquistar com todo o merecimento o passaporte para a próxima eliminatória da Taça da Liga, após uma longa e emocionante sessão de grandes penalidades, que só terminou quando o ex-sportinguista João Alves, na vigésima tentativa das duas equipas, rematou ao lado.
Frente a uma equipa que está em alta no campeonato, o Sporting não jogou bonito, é verdade, mas foi uma equipa operária e coesa, que até poderia ter decidido o jogo nos primeiros minutos, não fosse a noite inspirada de Nilson, nomeadamente em duas grandes defesas, face a dois remates certeiros de Izmailov. Isto depois de Yannick – em noite de sacrifício sozinho na frente – ter cabeceado à barra. Era um Sporting sereno e seguro na retaguarda e movido por uma excelente exibição de Romagnoli, que foi determinante para o domínio leonino na primeira metade.
No segundo tempo, o Guimarães carregou no acelerador à procura do golo, chegou a pôr à prova a qualidade de Tiago, que transmitiu uma segurança na baliza como há muito não se via, e o jogo leonino deixou de ter comprimento, passando a equipa do Sporting a revelar a tal capacidade de sofrimento de que tem falado Paulo Bento. Nem mesmo com a mudança de Miguel Veloso para o meio-campo e de Purovic para o lado de Yannick foi possível ao Sporting construir uma única oportunidade de golo no segundo tempo. Mas o empate a zero justificava-se. Na lotaria das grandes penalidades, o grande prémio coube aos “Leões”, que assim se vingaram da derrota do jogo da pré-temporada, no Algarve, frente ao mesmo Vitória de Guimarães. Depois de eliminações nas grandes penalidades em jogos para a Taça de Portugal de anos anteriores, designadamente frente ao FC Porto e ao Benfica, já era tempo de o Sporting ganhar na lotaria. FOTO: "Record Online"

O discurso do sofrimento

Antes da deslocação a Guimarães, Paulo Bento adopta um discurso deprimente, próprio de quem vai entrar em campo para esperar pelo que vai acontecer e reagir depois. “Se pensarmos que não vamos sofrer em Guimarães, sofreremos ainda mais”, diz o treinador do Sporting. É caso para dizer que é sofrimento a mais numa única frase. O Sporting que hoje vai jogar em Guimarães, em jogo para a Taça da Liga, é o mesmo Sporting que foi dos “Cinco Violinos”, que só não ganharam taças europeias porque não havia provas da UEFA; é o mesmo Sporting que foi de Morais, de José Carlos, de Hilário, de Lourenço, que marcou quatro golos ao Benfica no Estádio da Luz na semana em que eu nasci; é o mesmo Sporting de Yazalde, que continua a ser o melhor marcador de sempre do campeonato português e dos campeonatos europeus; é o mesmo Sporting onde jogou Manuel Fernandes, que marcou quatro golos ao Benfica no célebre jogo dos 7-1 de 1986, em Alvalade; é o mesmo Sporting onde jogaram campeões como Vítor Damas, Jordão, Pedro Barbosa, João Pinto, Balakov, Schmeichel, Acosta, Luís Figo, Cristiano Ronaldo e muitos outros. E o Sporting destes grandes jogadores é o Sporting do bom futebol, que joga com alegria de jogar e que impõe respeito em qualquer campo. É preciso que alguém diga isto aos jogadores que hoje vestem a camisola do Sporting. Basta de sofrimento!

LEÃO DA ESTRELA na imprensa

["Jornal de Notícias", 26-09-2007]

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

O brilho de Saleiro em Fátima

O ponta-de-lança internacional do Sporting Carlos Saleiro tem confirmado as qualidades que lhe são apontadas, tendo marcado 3 golos nas primeiras cinco jornadas da Liga de Honra, mais um na Taça da Liga frente ao Santa Clara. É o melhor marcador da equipa e tem apenas menos um golo que o trio de melhores marcadores da Liga de Honra. Saleiro tem sido um dos jogadores em destaque no ataque do Fátima neste início de época, ao ponto de o Sporting ter iniciado conversações tendentes à renovação de contrato, que termina em Junho de 2008. O ponta-de-lança, com apenas 21 anos, está em Fátima na condição de emprestado pelo Sporting, depois de ter representado o Olivais e Moscavide nas duas últimas épocas. O jogador – que tem a particularidade de ter sido o primeiro bebé-proveta português – diz que tem “tempo para analisar” a proposta de renovação leonina e que se sente “preparado para jogar ao mais alto nível”. Saleiro é apenas um exemplo de um valor de que o Sporting abdicou para contratar um estrangeiro que não acrescenta qualidade notória, como é o caso de Milan Purovic. Com estas decisões, para além de perderem os jogadores portugueses, perde o próprio Sporting como clube formador. FOTO: André Figueiredo / Blog Lusofootball

Exigência e responsabilidade

O futebol do Sporting precisa de uma cultura de exigência e responsabilidade. Uma cultura de exigência implica que todos dêem o máximo. Uma cultura de responsabilidade implica que os erros tenham um rosto. O discurso redondo de Paulo Bento logo após o empate frente ao Vítória de Setúbal - no sentido em que não trouxe nada de novo em relação ao que toda a gente vira durante o jogo - não tem lugar neste patamar de exigência e responsabilidade que todos os sportinguistas devem preconizar para o futebol do clube. "Se, na primeira parte, tivéssemos feito metade do que fizemos na segunda, estaríamos a falar de outro resultado", chegou a dizer Paulo Bento, parafraseando La Palisse. Como dizia o inglês Malcolm Allison, "em futebol, o "se" é apenas uma palavra". Vinte e cinco anos depois, o velho treinador, que neste mês completou 80 anos, continua a ter razão. É preciso dizer claramente: o Sporting não ganhou ao Vitória de Setúbal porque não correu nem lutou o suficiente, nem demonstrou fibra de campeão. É um "filme" que já rodou na época passada. Quem não se lembra das más primeiras partes do Sporting da primeira metade da temporada 2006-2007?
Voltando à cultura de exigência e responsabilidade. Parece que está na hora de tomar decisões técnicas. Se Stojkovic falhou, se ele continua a ter medo de agarrar a bola, por mais inofensiva que ela seja, então não revela categoria para ser guarda-redes do Sporting e talvez esteja a precisar de uma "cura de banco". Que Paulo Bento tenha coragem e lance Rui Patrício já em Guimarães. Foi assim que começou Vítor Damas.
Ainda no âmbito de uma cultura de exigência e responsabilidade. O que se passa com o relvado é lastimável. A UEFA já deveria ter vetado o Estádio José Alvalade para os jogos da Liga dos Campeões. Mas o mais grave é que ninguém tenha sido responsabilizado pela vergonha lesa-futebol que o Sporting está a promover.

domingo, 23 de setembro de 2007

O peso do Manchester...

SPORTING-V. SETÚBAL, 2-2 (I Liga Portuguesa, 5ª jornada) - Foi mau, muito mau. Ou a derrota frente ao Manchester pesou demasiado no estado anímico dos jogadores leoninos (e aí Paulo Bento deve chamar um psicólogo…) ou algo de estranho fez com que o Sporting estivesse “ausente” do “batatal” de Alvalade, permitindo ao Vitória de Setúbal empatar a dois golos. Como consequência, o FC Porto já está embalado, provavelmente rumo a mais um título nacional, levando cinco pontos de vantagem em apenas cinco jornadas.
À equipa de Carlos Carvalhal bastou exibir organização defensiva e também ofensiva (no contra-ataque) para tolher um Sporting apático, lento, pastoso, sem rasgo, sem capacidade de surpreender. O que dizer de uma equipa candidata ao título, que nunca esteve a ganhar e cujos dois avançados (Liedson e Purovic) fizeram apenas três remates à baliza em todo o jogo?...
Por outro lado, o que mais impressionou foi a atitude aparentemente despreocupada dos jogadores à medida que o tempo ia passando, assim como o conformismo de Paulo Bento face ao desastre que passava na frente dos seus olhos. Na verdade, o Sporting só se lembrou de que o jogo era para ganhar quando já não havia tempo: foi a cinco minutos do fim, quando Milan Purovic fixou o 2-2 final. Era o primeiro remate à baliza do jogador montenegrino. O segundo foi nos descontos, falhando um golo com a baliza aberta.
Mas não foram só os jogadores os responsáveis por este empate. Paulo Bento falhou redondamente neste jogo. Desde logo na formação inicial da equipa, apresentando mudanças a mais. Se a Stojkovic, Gladstone, Simon e Purovic juntarmos o reservista Farnerud, e depois Izmailov, estamos a falar em meia equipa nova relativamente à temporada passada. Ora, num jogo que era importante apresentar um colectivo forte para ganhar e esquecer rapidamente a derrota com o Manchester, parece ter faltado uma certa “cultura sportinguista” dentro das quatro linhas. O Sporting foi, por isso, uma espécie de manta de retalhos, com a agravante de ser curta quando atacava e também quando defendia. O “frango” de Stojkovic foi apenas a consequência natural da desconcentração colectiva. FOTO: Armando França (AP Photo)

sábado, 22 de setembro de 2007

RECORTES LEONINOS Relvado

O CONCERTO E O CALOR (*)
Duas coisas acerca da lastimável relva de Alvalade. Vai sendo tempo de os dirigentes do Sporting revelarem quanto rendeu ao clube o concerto dos Rolling Stones: até hoje, tudo o que se lhes ouviu foi que chegou para pagar um relvado (mau) para substituir o outro (que era bom). E, já agora, alguém explique como é que no Verão menos quente dos últimos anos foi o calor a impedir o enraizamento da relva.
Autor: António Tadeia, "Diário de Notícias", 22-09-2007
(*) - Título do LEÃO DA ESTRELA

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

O "LEÃO DA ESTRELA" HÁ UM ANO...

A ANEDOTA JURÍDICA
A ideia de pedir a repetição do jogo Sporting-Paços de Ferreira, que é defendida pelos juristas da SAD do Sporting, é mais um episódio destinado a entrar no anedotário bem recheado do grande pântano em que vive o futebol português, à semelhança do célebre luto sportinguista decretado há uns anos pelo ex-presidente Dias da Cunha.
Infelizmente, nos últimos 25 anos, a história do futebol português está resumida a títulos do FC Porto, entremeados com títulos do Benfica enquanto andava por lá Fernando Martins, o grande amigo de Pinto da Costa em Lisboa. Para o Sporting, que investiu como ninguém em grandes equipas e em grandes treinadores, ficaram três campeonatos e umas taças sobrantes, conquistados em anos de crise e distracção dos controladores.
Nos anos 90, o Sporting ganhou uma Taça de Portugal e uma Supertaça porque tinha mesmo uma grande equipa, o mesmo acontecendo quando foi campeão em 2000 e 2002, falhando muito ingloriamente um tri-campeonato porque o Boavista de Valentim Loureiro se meteu na luta, presumivelmente por "determinação" do tal "sistema", vencendo a Liga de 2001. Quem não se lembra do anti-jogo e do jogo violento que levou o Boavista ao título em 2000-2001?!... Quem não se lembra da protecção dos árbitros e da comunicação social a esse tipo de jogo?!...
Apesar do jejum de títulos, é curioso verificar as tentativas do Sporting para abraçar os métodos nortenhos, ao ponto de o "namoro" incluir trocas de jogadores com o FC Porto e transferências de quadros técnicos. É também curioso lembrar o silêncio cúmplice do Sporting quando a classificação da equipa no campeonato indicava o cumprimento dos objectivos...
O mesmo silêncio, afinal, que se verificou antes do último Nacional-Sporting, e mesmo depois dele. O árbitro Paulo Paraty nunca poderia ser o escolhido e a sua nomeação deveria ter sido recusada ou aceite sob protesto, mais a mais por se tratar de um dos homens do "apito dourado". Mas ele acabou por dar a vitória ao Sporting que, com os três pontos no bolso, assobiou para o ar e para os lados. Também a nomeação de João Ferreira deveria ter sido chumbada pelos dirigentes sportinguistas antes do jogo com o Paços de Ferreira, nomeadamente por anteriores graves prejuízos que esse árbitro já provocou ao clube leonino.
O "sistema" mafioso que domina o futebol português é tão requintado que, em apenas dois jogos, conseguiu arrumar com a legitimidade de quaisquer críticas do Sporting. Numa jornada, o "sistema" deu três pontos na Madeira, ante o silêncio cúmplice do clube. Noutra, logo a seguir, tratou de retirar os mesmos três pontos. Enquanto isso, o FC Porto faz o seu caminho sem arbitragens polémicas, repete excelentes inícios de campeonato em termos de facturação de pontos e, como noutros anos, ganha balanço para mais um título...
Neste quadro, a argumentação que a administradora da SAD Rita Figueira e outros juristas do Sporting estão a reunir deixa de ter sentido, nomeadamente por já ter passado a ideia de que o clube só está contra quando é lesado, calando-se quando é beneficiado. Foi, de resto, o que se passou na última temporada, num Sporting-União de Leiria, em Alvalade, em que a equipa de arbitragem ignorou um golo limpo dos leirienses, evitando assim a derrota leonina. E também não consta que Paulo Bento, num assomo de "fair play", tenha pedido a repetição desse jogo, como agora Soares Franco acha que o treinador do Paços de Ferreira, José Mota, deveria fazer...
É por estas e por outras que o Sporting, nesta cruzada pela repetição do jogo com o Paços, pode ter o apoio dos adeptos e simpatizantes mais ferrenhos, mas não tem, seguramente, o apoio da opinião pública. Nem sequer legitimidade.
LEÃO DA ESTRELA, 20-09-2006

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

A vitória dos detalhes

Há um ano, na primeira jornada da Liga dos Campeões, a vitória do Sporting por 1-0 sobre o Inter de Milão, que seria a única na primeira fase da prova, caiu do céu e foi pontapeada por Marco Caneira, com raiva, para o fundo da baliza de Francesco Toldo. Agora, frente ao igualmente poderoso Manchester United, a equipa leonina não teve essa sorte e perdeu, também por 1-0.
O Sporting voltou aos grandes jogos europeus, voltou a demonstrar que é uma boa equipa, mas voltou a falhar em detalhes importantes que decidem estes jogos. Lembro apenas dois lances distintos que evidenciaram a grande diferença entre as duas equipas. Primeiro detalhe: Cristiano Ronaldo chegou ao golo decisivo na sequência de uma perda de bola aparentemente infantil no meio-campo contrário. Segundo detalhe: na recarga a uma das duas defesas enormes de Van der Sar, após remate de Tonel, Yannick Djaló, com a baliza ali perto, demonstrou toda a ansiedade da equipa ao rematar muito por cima da barra.
É certo que o Manchester respeitou a equipa portuguesa, jogando tranquilamente pelo seguro. Mas na primeira ocasião de que dispôs, decidiu tudo. O Sporting abanou muito e quando procurava recuperar o registo mais atacante da primeira parte, os ingleses punham a funcionar o seu contra-ataque perigosíssimo.
O que este jogo revelou é que o Sporting, no plano internacional, está exactamente como há um ano atrás. O que significa que as aquisições estrangeiras justificadas com a necessidade de dar maior experiência não estão a resultar. Continuar a perder pela diferença mínima contra grandes equipas do futebol mundial não pode ser motivo de consolação, mais a mais para um clube que formou 20 por cento dos jogadores de campo do adversário e que representa um país que é vice-campeão europeu e quarto classificado no último campeonato do mundo.
Destaques no Sporting: Anderson Polga (uma das melhores exibições de sempre), Ronny (está cada vez mais prático e confiante), Miguel Veloso (depois de uma temporada desgastante, que durou até mais tarde por causa da selecção, está de regresso à boa forma) e Liedson (muito bem a arranjar espaço e um remate para golo que só Van der Sar poderia evitar). Destaque ainda para a forma discreta como Cristiano Ronaldo festejou o golo e para a retribuição calorosa do público leonino ao ex-jogador do Sporting. FOTO: Armando França (Associated Press)

Obs. - Há ainda um outro detalhe que jogou contra as duas equipas, embora mais contra o Sporting, pois continua a prejudicar gravemente os seus jogadores mais criativos nos jogos em casa. Refiro-me à espécie de relvado que plantaram em Alvalade. Até dá vontade de sugerir que peçam o Estádio da Luz emprestado!...

Os lucros do Sporting

Em dia de arranque de mais uma edição da Liga dos Campeões, o presidente do Sporting, Soares Franco, anuncia uma excelente notícia: o exercício 2006-2007 da SAD leonina regista um lucro de 14,5 milhões de euros, montante que se situa 9,4 milhões acima do orçamentado e 14,2 milhões acima do lucro registado em 2006. A venda de Nani ao Manchester United foi decisiva para o resultado obtido. Aliás, tendo previsto uma receita de 6,5 milhões de euros resultante da venda de jogadores, o Sporting acabou por encaixar 25,4 milhões, segundo dados da SAD revelados pelo “Jornal de Negócios”. Havendo, ainda, áreas a melhorar muito ao nível das receitas, nomeadamente no sector do “merchandising”, que, em Portugal, como sabemos, é tão pouco significante que não conta para as contas dos clubes, estamos perante um resultado muito bom, tendo em conta também as apostas perdidas na aquisição de alguns jogadores cujo rendimento não justificou ou não tem justificado o investimento. O que nos diz ainda este ano lucrativo do futebol leonino é que, num cenário em que o património imóvel se vai reduzindo, o Sporting tem de olhar cada vez mais para a sua academia de futebol como factor de riqueza.

RECORTES LEONINOS Sandra Lucas Simões

MAIS VALIA ESTAR CALADO
O bom árbitro Vítor Pereira está a tornar-se num mau presidente da Comissão da Arbitragem da Liga, sobretudo por ter sido inoportuno em sair em defesa de árbitros quando a prudência exigia que fizesse um controlo interno urgente para banir os erros.
O Sporting tem toda a razão nas queixas que fez após o jogo com o Estrela da Amadora e nos argumentos que utiliza na exposição dirigida ao presidente da Liga. Vítor Pereira caiu no ridículo ao dizer que a atitude mais correcta em relação a Paulo Pereira era o agradecimento porque o árbitro agiu de forma preventiva. As regras não se alteram como e quando nos apetece, como está bem claro no espírito da lei.
Depois da confusão que levantou com um comunicado a defender Pedro Proença, o normal é que tivesse apreendido com os erros mas não. Vítor Pereira agravou o que por si só já era gravíssimo. Os árbitros estão nos jogos para fazer cumprir as leis e não na qualidade de conselheiros dos jogadores/clubes, pelo que Paulo Pereira não tem de ser elogiado pela advertência, tanto mais porque o que está na origem desse comportamento é uma barbaridade.
Autora: Sandra Lucas Simões, jornalista, “Record”
Imagem:
www.cruzeiro.org

LEÃO DA ESTRELA na imprensa

[ "Jornal de Notícias", 19-09-2007]

INTERVALO



ACROBACIAS DE UM AVIÃO DA TAP
Em Évora houve um espectáculo aéreo denominado Portugal Air Show 2007, em que participou um avião Airbus 310 da TAP, cujos voos rasantes chegaram a assustar os milhares de pessoas que assistiam ao espectáculo. As únicas imagens que existem foram mostradas ao mundo pelo Youtube. Para além das manobras perigosas do A310 da TAP, o que verdadeiramente é notícia é que nenhuma televisão portuguesa tenha estado lá. O que é notícia é que só temos conhecimento do que aconteceu porque os cidadãos que lá foram assumiram o papel dos jornalistas que lá deveriam estar. Mais ocupadas com as aventuras dos McCann e outras novelas, as televisões portuguesas vão de mal a pior. CLIQUE NA IMAGEM PARA VER

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Obrigado, Cristiano Ronaldo e Nani!

Nesta quarta-feira, as grandes noites europeias regressam a Alvalade com a recepção ao Manchester United na abertura da Liga dos Campeões 2007-2008. Pelos ingleses vão alinhar dois jogadores formados no Sporting: Cristiano Ronaldo e Nani. São jogadores que deram muito ao Sporting Clube de Portugal e continuam a dar, mesmo jogando num dos maiores clubes do mundo, pois serão sempre emblemas mundiais da nossa escola de formação. À excepção da contribuição de Nani para a conquista da Taça de Portugal 2007, só não deram mais títulos ao Sporting porque foram vendidos. Mas deram muito dinheiro e continuam a dar prestígio à Academia de Alcochete. São, portanto, um excelente instrumento de marketing que o Sporting deveria aproveitar na plenitude. Por isso, a melhor forma de receber Cristiano Ronaldo e Nani será com o Estádio José Alvalade de pé a aplaudi-los e a dizer-lhes: “OBRIGADO, CRISTIANO RONALDO E NANI!” FOTO: Armando França (Associated Press)

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

O aproveitamento dos veteranos

Só em Portugal é que um jogador da qualidade de João Pinto não consegue terminar a carreira num dos chamados clubes grandes. A questão da gestão da carreira dos jogadores que estão à beira de pendurar as botas é um problema do Sporting, mas também do FC Porto e do Benfica. Mas falemos no clube leonino, onde são muitos os exemplos de desperdício do prestígio e da experiência dos jogadores veteranos: o próprio João Pinto, Manuel Fernandes, Jordão, Oceano, Sá Pinto, entre outros. Todos estes jogadores decidiram mudar de camisola quando o Sporting os considerou “velhos”. Mas há os casos recentes de Pedro Barbosa e Rui Jorge, que também deixaram o clube a mal, tendo o primeiro, entretanto, voltado para o departamento de futebol, entre outros motivos, pelo facto de formar com Paulo Bento uma das duplas mais antigas do futebol português, criada em Guimarães, quando ambos lá jogaram no início dos anos noventa. Nos últimos anos, o único caso de um jogador bem aproveitado até à última temporada da carreira e depois bem integrado na máquina do futebol leonino foi, curiosamente, o actual treinador Paulo Bento. Mas voltemos a João Pinto, que por estes dias anunciou o termo da sua longa carreira para o final desta temporada. Depois de vencer um campeonato, uma Taça de Portugal e uma Supertaça, foi dispensado pelo Sporting em 2004, com 32 anos, na altura com o argumento de que era caro no contexto de uma política salarial de contenção, o que, aliado ao factor-idade, acabou por se tornar numa saída mais ou menos consensual aos olhos dos adeptos. Porém, João Pinto ainda realizou três épocas (vai a caminho da quarta) em bom nível, no Boavista e no Braga, onde foi suplente ou titular consoante a sua condição ou a estratégia da sua equipa para cada jogo. A sensação com que ficamos é que a permanência de João Pinto em Alvalade teria sido uma aposta segura, em que o Sporting ficaria a ganhar, e teria contribuído para mudar mentalidades. Porque, em Portugal, ao contrário do que se passa em Itália, descartamos com a maior facilidade aqueles que julgamos velhos…

LEÃO DA ESTRELA na imprensa

["Público", 15-09-2007]

domingo, 16 de setembro de 2007

Era impossível ganhar por mais...

ESTRELA DA AMADORA-SPORTING, 0-2 (I Liga Portuguesa, 4ª jornada) - Como diria Paulo Bento, o Sporting venceu o Estrela da Amadora com toda a tranquilidade. Uma tranquilidade que até contagiou o árbitro da partida. De facto, com o resultado final já feito, Paulo Pereira foi errando tranquilamente, não tendo assinalado duas grandes penalidades a favor da equipa leonina: uma a fechar a primeira parte e outra no decorrer do segundo tempo. No primeiro caso, em que Maurício abalroou Abel dentro da área, o árbitro até conseguiu ver “teatro” do jogador leonino e mostrou-lhe um cartão amarelo. No segundo caso, Simon estava dentro da área quando foi derrubado pelo mesmo Maurício, embora o jogador montenegrino tenha caído fora. Paulo Pereira mostrou o amarelo a Maurício (que deveria ser o segundo…) e assinalou livre directo. O que é um facto é que, à custa destes erros grosseiros, a equipa do Sporting – que, a poucos dias de receber o Manchester United, nem precisou de “meter o pé”, ao contrário do que preconizara Paulo Bento – foi impedida pelo árbitro de obter uma vitória bem mais robusta e susceptível de aumentar ainda mais os níveis de confiança. Porque os roubos não devem ser denunciados só quando não se ganha, impõe-se uma reacção forte de Filipe Soares Franco contra este "sistema", que continua pujante, apesar do "Apito Dourado". Porque, se o jogo tivesse ficado empatado a zero golos, não se falaria em outra coisa e até apareceria alguém do Sporting a pedir a sua repetição, como já aconteceu... Destaques na equipa leonina: Simon, João Moutinho e Liedson. FOTOS: Nacho Doce (Reuters)

As memórias "estranhas" de Juskowiak...

Juskowiak, antigo ponta-de-lança polaco do Sporting, que jogou em Alvalade entre 1992 e 1995, tendo apenas conquistado a Taça de Portugal no último ano, depois de ter sido o melhor marcador nos Jogos Olímpicos de Barcelona’92, deu uma entrevista ao diário desportivo “Record”, neste sábado, onde diz que, no seu tempo, “era quase impossível ganhar nas Antas” ao FC Porto. E recorda um jogo, precisamente nas Antas, que o Sporting perdeu por 2-0, a 3 de Maio de 1994, em que Juskowiak foi expulso logo aos 35 minutos, na sequência de “picardias” com Fernando Couto, tendo a equipa leonina terminado com oito jogadores em campo. Isto a poucos dias de um Sporting-Benfica decisivo, o célebre jogo dos 3-6, que conduziu o clube da Luz à conquista do seu penúltimo título nacional. “Levei o cartão vermelho na primeira falta; o Fernando Couto deu pancada e nem amarelo viu. Para mim era um pouco estranho”, recorda Juskowiak. Por falar em pancada, neste sábado, vimos Bosingwa a dar pancada no jogo FC Porto-Marítimo. Ainda na primeira parte, o lateral-direito portista, com a bola fora do seu alcance, foi deliberadamente às pernas de Marcinho, mas nem amarelo viu. Nem ninguém fala disso. Na segunda parte deu “uma tapa” na cara de um adversário, segundo o registo habitualmente apaziguador e desculpabilizante dos comentadores da Sport TV, mas também ninguém viu nada de errado. O FC Porto acabou com onze jogadores em campo, venceu e está tudo bem. Segue isolado com quatro vitórias em quatro jogos. IMAGEM: Capa do jornal "Record" de 13 de Fevereiro de 2004

sábado, 15 de setembro de 2007

A camisola de Vítor Damas

Considero altamente meritório o trabalho desenvolvido pelo movimento sportinguista Ofensiva 1906, nomeadamente ao nível da preservação da memória colectiva leonina. Basta consultar os blogues SPORTING VINTAGE e OFENSIVA 1906 para perceber a paixão que os elementos da Ofensiva sentem pelo Sporting e pelos seus ídolos. E a grandeza de um clube de futebol também é feita deste trabalho desinteressado de evocação das figuras que participaram na sua história, que, no caso do Sporting, é centenária.
Para além da memória, que tem sido reunida em textos e fotografias naqueles blogues, a Ofensiva 1906 promove homenagens e apresenta ideias no clube. A mais recente, solicita à SAD do Sporting que a camisola número 1 deixe de ser atribuída aos guarda-redes do clube, em homenagem a Vítor Damas.
Devo confessar que não acho boa esta proposta. É certo que Vítor Damas foi um dos melhores guarda-redes portugueses de todos os tempos. Mas também é certo que houve outros excelentes guarda-redes que vestiram a camisola número 1 do Sporting. Dois exemplos: Azevedo, com sete títulos, e Carlos Gomes, com cinco, foram campeões nacionais em mais de metade dos títulos do Sporting! E depois de Vítor Damas tivemos, por exemplo, o grande Peter Schmeichel, que, em 1999-2000, foi essencial para quebrar um jejum de vitórias no campeonato nacional que durava há 18 anos e só não acabou a sua carreira em Alvalade porque o clube, agitado por erros na gestão do futebol que se seguiram à conquista desse título, era pouco motivante para o gigante dinamarquês e mundial.
É certo que há casos nacionais e internacionais em que, por uma extraordinária motivação emocional, os clubes decidem deixar determinado número da camisola sem dono como forma de homenagear o último jogador que a envergou. Foi o caso da camisola nº 29, de Miklos Fehér, que morreu em campo ao serviço do Benfica. Ora, no caso de Vítor Damas não existe essa conjuntura emocional.
Vítor Damas foi enorme na baliza do Sporting. A determinada altura rompeu com o clube (tendo até sido insultado pelos adeptos num jogo com a Académica, em 1976, em que sofreu três golos em 24 minutos...), e saiu de Alvalade para voltar oito anos depois. Não deixa, obviamente, de ser uma grande referência do clube e dos sportinguistas, tal como os “Cinco Violinos” continuam a ser grandes referências. E se os “Cinco Violinos”, por exemplo, ou muitos outros, fossem alvo de uma homenagem semelhante, qualquer dia não teríamos números disponíveis para os jogadores do Sporting. E eu gosto de olhar para a nossa baliza e ver o nosso guarda-redes com o número 1 nas costas, assim como haverá futuros guarda-redes do Sporting que façam questão de vestir essa camisola.
O LEÃO DA ESTRELA lança esta questão para debate e análise, desafiando os leitores a sugerir formas de homenagear antigos atletas do Sporting.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

A segunda vida de Scolari

É evidente que Luiz Filipe Scolari não caiu, não vai cair e merece uma segunda oportunidade. Por um motivo essencial: tudo o que ele fez, não pelo futebol português, mas pelos resultados desportivos da selecção portuguesa, está largamente acima das implicações negativas do murro falhado ao jogador sérvio. O murro de Scolari que todos vimos em directo acabará por se transformar no inimigo externo que o seleccionador precisava e tinha perdido depois das excelentes campanhas do Euro'2004 e do Mundial'2006. E esse inimigo externo está corporizado em todos os "abutres" que já apareceram a pedir a cabeça de Scolari, de que fala Manuel José, os quais querem voltar a mandar na Selecção Nacional de futebol. O que é lamentável é o silêncio de Gilberto Madaíl. Um silêncio muito barulhento de uma autêntica avestruz. Ele quer vir a público defender Scolari, mas tem medo de o fazer. Nada melhor do que um inquérito para assentar a poeira e, assim, o presidente da FPF poder ver melhor o que pode fazer para se manter à tona...

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

OS NOSSOS CAMPEÕES (3) Vítor Damas

Para além de ter sido um dos melhores guarda-redes da história do futebol português, Vítor Damas é um dos grandes símbolos da história centenária do Sporting. Há muitos sportinguistas que devem o seu fervor clubístico ao ágil, destemido, intuitivo e elegante guardião que nos anos sessenta sucedeu a Carvalho na baliza de Alvalade.
Considerado por Eusébio como “o melhor guarda-redes” que o antigo avançado do Benfica defrontou, Vítor Damas foi o jogador que realizou mais jogos oficiais com a camisola leonina (743 vezes), apesar de ter estado oito anos fora de Alvalade, entre 1976 e 1984, talvez o período que correspondeu ao seu auge como atleta. É também o jogador do Sporting com mais jogos nas competições europeias (52): 6 na Taça dos Campeões Europeus, 16 na Taça das Taças, e 30 na Taça UEFA.
Natural de Lisboa, onde nasceu em 8 de Outubro de 1947, entrou no Sporting aos 14 anos e fez a sua estreia na equipa principal aos dezanove. Foi campeão nacional em 1970 e 1974 e conquistou a Taça de Portugal em 1971, 1973 e 1974.
O ano de 1976 marcou, porém, o divórcio com o Sporting. Assediado pelo FC Porto e admirado por José Maria Pedroto, que treinava o Boavista, Damas tinha também convites de Espanha e adiava a renovação do seu contrato. Num célebre jogo com a Académica, em Alvalade, Vítor Damas sofreu três golos nos primeiros 24 minutos e foi insultado e assobiado pelos adeptos leoninos. O treinador, Juca, substituiu-o aos 29 minutos. O jogo terminaria empatado 3-3, com três golos de Manuel Fernandes, mas o guarda-redes não evitou uma “espera” dos adeptos do clube na célebre Porta 10 A... No final da temporada, o Benfica sagrava-se campeão, o Sporting perdia uma meia-final da Taça de Portugal com o V. Guimarães e Damas mudava-se para o Racing de Santander, onde fez quatro temporadas.
Voltou a Portugal em 1980, aos 32 anos, mas para jogar no Guimarães de José Maria Pedroto e, depois, no Portimonense. “Só me posso arrepender de não ter entrado em Portugal directamente para Alvalade", confessaria mais tarde o antigo guarda-redes, que o jornalista Carlos Pinhão celebrizara como “o Eusébio do Sporting”.
Só regressou a Alvalade em 1984, como um filho pródigo, com 36 anos, mas já não cumpriu o desejo de voltar a ser campeão pelo Sporting. Pendurou as luvas aos 41 anos. A sua mudança para Espanha, aliada ao facto de representar “clubes menores” como Guimarães e Portimonense, afastou-o de uma carreira ainda mais brilhante, nomeadamente na selecção nacional. Ainda assim, Damas esteve presente no Europeu’84, em França, e no Mundial’86, no México. No total, vestiu 29 vezes a camisola da selecção “A” de Portugal, a primeira das quais aos 17 anos.
Cumpriu o último jogo de leão ao peito em 27 de Novembro de 1988, no Estádio do Fontelo, em Viseu, tendo o Sporting empatado 2-2. O então presidente Jorge Gonçalves convidou-o para treinador adjunto de Pedro Rocha, que, entretanto, cedeu o lugar ao próprio Vítor Damas, em Fevereiro de 1989. Mas foi por pouco tempo. Nos anos noventa foi treinador de guarda-redes. Treinou o clube-satélite, o Lourinhanense, em 2000, e o Sporting B em 2001. Vítor Damas faleceu prematuramente aos 55 anos, vítima de cancro, em 13 de Setembro de 2003. Faz hoje quatro anos.

O tridente e a avestruz

Com Sá Pinto, João Pinto e Luiz Filipe Scolari, a selecção de Portugal em futebol tem o melhor tridente ofensivo do mundo. E com Gilberto Madaíl na presidência da Federação Portuguesa de Futebol e no Comité Executivo da UEFA temos a maior avestruz do futebol mundial. A ideia de mandar fazer um inquérito a um episódio lamentável que todos vimos em directo, já depois de o Governo ter assumido o que pensava, é típica das avestruzes. Mas a vida está para as avestruzes.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Noite estranha em Alvalade

Foi estranho, muito estranho. A minha selecção portuguesa jogava em Alvalade, mas o único jogador do Sporting em campo estava na baliza do adversário. E agora? Como conciliar a vitória de Portugal com as redes da Sérvia invioladas? Não foi preciso esperar muito tempo. Logo aos 11’, Simão Sabrosa, no primeiro remate à baliza, fez o golo português. Pronto. A partir daí que viesse o ataque português em catadupa para que o Stojkovic pudesse mostrar serviço. Uma vez, o poste mostrou que continua ao lado do guardião leonino. Logo a seguir, uma defesa vistosa. E nada mais. Nada mesmo. A relva não estava famosa e a equipa portuguesa deixou de jogar e começou a pastar. Até que, no fim, os sérvios empataram. O problema, como se viu, é que a família de Scolari e o bom futebol estão desavindos. Tão desavindos que o próprio Scolari até andou à batatada com os sérvios. É certo que o relvado de Alvalade mais parece um batatal, mas daí a andar à batatada… Decididamente, essa não foi de líder. E os bancos não querem um cliente assim. Luiz Filipe Scolari arrisca-se a ter de voar para Inglaterra antes do tempo. Como fizeram os McCann. FOTO: Armando França (Associated Press)

terça-feira, 11 de setembro de 2007

O plantel de Paulo Bento

Paulo Bento fez muito bem em vir a público travar as expectativas dos vendedores de futebolistas em saldo, afiançando que são suficientes os 23 jogadores actualmente disponíveis no plantel do Sporting, complementados com outros da formação que possam ser chamados aos trabalhos da equipa principal. A posição de Paulo Bento representa ainda uma grande prova de confiança no plantel principal e nos jovens da academia, que é uma das condições essenciais para a rendibilização plena dos recursos humanos disponíveis. Parabéns ao treinador!

O filão polaco

Juskowiak com a camisola do Wolfsburg, numa imagem de 2001

O antigo ponta-de-lança internacional polaco Andrzej Juskowiak, que terminou a sua longa carreira no ano passado, ao serviço do FC Erzgebirge, da segunda liga da Alemanha, esteve esta semana em Alcochete. Juskowiak, que foi uma das boas contratações da presidência de Sousa Cintra, jogou no Sporting entre 1992 e 1995, tendo marcado um total de 31 golos nas provas oficiais. Na última temporada, em que conquistou a Taça de Portugal, foi o melhor marcador da equipa, com 13 golos. No tempo em que esteve em Alvalade, jogou ao lado de excelentes executantes, designadamente Luís Figo, Balakov, Jorge Cadete, Cherbakov, Yordanov, Amunike, Naybet, Valckx, Oceano, Carlos Xavier e Sá Pinto. Depois de Alvalade, jogou no Olympiakos, no Borússia de M´gladbach e no Wolfsburg. No FC Erzgebirge esteve os últimos quatro anos. Agora, com 36 anos, Juskowiak vai continuar ligado ao futebol, concretamente numa academia de futebol em Poznan, a sua cidade natal. O seu objectivo é formar novos talentos recrutados em toda a Polónia. Veio a Alcochete com três técnicos da sua academia para conhecer a realidade leonina que considera “um exemplo de excelente trabalho”. Juskowiak, que foi guiado na academia leonina por Diogo Matos, também está disponível para acertar uma eventual fórmula de cooperação com o Sporting. Ora aqui está uma possibilidade a ponderar devidamente pelos responsáveis leoninos. Trata-se de explorar o filão polaco, através de uma academia de prospecção e formação de talentos onde há um responsável que o Sporting conhece bem e vice-versa.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

O talento africano

Chama-se Rabiu Ibrahim, tem 16 anos, foi comprado pelo Sporting por 800 mil euros e acaba de se sagrar campeão do mundo de Sub-17, pela Nigéria, que venceu a Espanha por 3-0 (foto). Juntamente com o brasileiro Anderson Polga e o argentino Romagnoli, Ibrahim, um "número dez" franzino com 167 centímetros e 58 quilos, é mais um campeão mundial de nações a jogar em Alvalade. O presidente da Confederação Nigeriana de Futebol, Issa Hayatou, considera o jovem futebolista leonino como o maior talento que viu jogar nos últimos 50 anos. Outros consideram-no o "Maradona de África". O futuro imediato do jogador deverá passar pelo Sporting, mas no sítio oficial do clube na Internet o jogador nigeriano não consta entre os futebolistas que integram os novos plantéis de juniores ou juvenis. Lapso ou não, a verdade é que as exibições de Rabiu Ibrahim já estão a enlouquecer os agentes das transferências, falando-se que o Real Madrid já oferece 10 milhões de euros pelo jovem talento. Ou seja, mais doze vezes e meia o valor que o Sporting pagou pela sua aquisição há pouco mais de três meses. O Sporting, que o trouxe para Alcochete com tanto secretismo que o jogador até foi dado como “desaparecido”, mandou um emissário para o Mundial de Sub-17, com a missão de andar com o atleta “debaixo de olho”. É que não falta, no seu País, quem queira desviá-lo para outras paragens. Ao Sporting vai valendo, no entanto, a fama de ser um clube com boas tradições na área da formação, exibindo como exemplos, Cristiano Ronaldo, Luís Figo, Simão Sabrosa, Nani ou Ricardo Quaresma. FOTO: AP Photo

O Sporting e o mercado

Vamos lendo, neste ou naquele comentário de jornal, nesta ou naquela entrelinha, que o Sporting precisa de ir ao mercado no próximo mês de Janeiro, eventualmente à procura de mais uns jogadores estrangeiros sem ritmo competitivo que estejam disponíveis a “custo-zero” com opção de compra. Isso por causa das graves lesões do lateral Pedro Silva e do avançado Derlei. Hoje, por exemplo, Luís Pedro Sousa, jornalista do “Record”, adianta que é preciso “compras para o Leão”. Convém lembrar a esses senhores que é justamente para colmatar eventuais lesões que os plantéis têm mais do que onze jogadores. No caso do Sporting 2007-2008, Paulo Bento até tem 25 atletas e pretendia apenas 24. De resto, as lesões de Pedro Silva e Derlei – atletas que, confirmando-se os seis meses de paragem, já terão terminado a temporada – são perfeitamente colmatadas com soluções existentes no plantel. Bruno Pereirinha, Miguel Veloso e até Adrien Silva podem perfeitamente substituir Abel no lado direito da defesa, caso seja necessário. E para o lado esquerdo há Ronny, Marian Had e, eventualmente, também Miguel Veloso e Adrien Silva. Aliás, por falar em Adrien Silva, eis um jogador daqueles que são bons em qualquer lugar do campo, que poderia ter mais minutos nas pernas, para poder entrar mais facilmente na equipa, agora que se aproximam sobrecargas de jogos nacionais e internacionais. Quanto ao ataque, com Derlei fora do combate, chegou a hora de voltar à primeira forma e chamar Yannick Djaló. Mas é curioso que o menino que nasceu na Guiné e que é internacional da selecção portuguesa não tenha uma imprensa que puxe por ele, ao contrário do que faz com outros colegas de equipa... Depois ainda há Purovic (já apontado pelos jornais como parceiro de Liedson...). E o brasileiro Celsinho não deverá estar no plantel para fazer número. Por isso, o essencial é abrir as hipóteses de aparecimento de valores alternativos, rendibilizar as opções disponíveis, motivar os jogadores que estão no plantel e esquecer o mercado, embora saibamos que há agentes do futebol e dos clubes que não pensam em outra coisa ao longo do ano. É por isso que os jornais vão lembrando que é preciso ir ao mercado... FOTO: www.sporting.pt

sábado, 8 de setembro de 2007

A selecção e a ausência do Sporting

Pelo segundo jogo consecutivo da fase de apuramento para o Europeu de futebol 2008, e pela segunda vez em muitos anos, o Sporting não teve representação na equipa inicial da selecção portuguesa. Foi assim na Arménia (empate a um golo) e agora no Estádio da Luz, frente à Polónia (novo empate, desta vez a dois golos). A explicação é fácil. No último defeso, o clube que tem a melhor escola de formação em Portugal viu sair internacionais portugueses e só contratou estrangeiros. Também não muito difícil de explicar é a irregularidade da equipa portuguesa. Luiz Felipe Scolari já fez duas excelentes campanhas (Portugal 2004 e Alemanha 2006), mas nesta terceira nota-se a falta de qualquer coisa à selecção portuguesa, que já não parece ter a alma que tinha quando era o "clube de Portugal" que o seleccionador brasileiro incutiu quando chegou. Depois do Mundial 2006, começou a renovação. Já foram chamados 40 jogadores. Mas agora contra a Polónia, num jogo que era muito importante ganhar, Scolari procurou juntar o máximo de jogadores da "família" que noutros tempos resolvia os jogos. Falhou. O que vale é que ainda há muitos pontos em disputa e o Grupo onde joga Portugal ainda está muito baralhado. FOTO: Steven Governo (AP Photo)

Obs. - Antigamente, a RTP tinha o Gabriel Alves e as suas tiradas sem qualquer sentido. Agora tem uns rapazes que acham que percebem muito de futebol. Quando Scolari trocou o ineficaz Nuno Gomes por Ricardo Quaresma, António Tadeia, em vez explicar como é que Portugal iria jogar, comentou: "É estranho!". Poucos minutos depois, Quaresma inventava um cruzamento num lance de génio e Cristiano Ronaldo marcava um golo de execução técnica primorosa. Daria a vitória por 2-1, não fosse, depois, o auto-golo de Ricardo... Entretanto, os rapazes da RTP continuavam a dar palpites: "Cristiano Ronaldo tem de treinar mais como ponta-de-lança...". Já não há pachorra. Na próxima, o melhor é fazer como Artur Jorge: desligar o som da televisão e ouvir música clássica.

RECORTES LEONINOS Yannick Djaló

Djaló, vida e futebol
Yannick Djaló. É daqueles jogadores que tem alegria até no nome. Atrás da bola, corre parecendo saltar em velocidade. As tranças, o ar de menino, o olhar truculento. Já não aposta grades de Coca-Cola por cada golo, mas o mundo de aventuras em que torna cada jogo cativa de imediato quem gosta do futebol de rua nos grandes estádios.
O seu estilo transmite o verdadeiro aroma multicultural que faz a história e as raízes que embalaram o berço do futebol português. Na mente, o dia em que, com 12 anos, deixou a sua sofrida Guiné e veio viver (repare-se, escrevi viver, não só jogar) para Portugal. Foi para a Covilhã, consta levado então por um olheiro do Porto, com a família. Forçado a crescer depressa, o menino tornou-se homem e jogador. Agora, com a camisola do Sporting e, claro, da selecção portuguesa. Com base humana, emocional e desportiva. Por isso, não perguntem mais a diferença entre jogadores brasileiros e os vindos dos PALOP [Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa]. Olhem para Yannick Djaló, vida e futebol.
Autor: Luís Freitas Lobo, “Expresso”, 08-09-2007
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Obs. - Sobre este texto, assinado por Luís Freitas Lobo, no semanário "Expresso", o LEÃO DA ESTRELA transcreve uma mensagem enviada por Yannick Djaló:
"Olá amigo! Obrigado pelo texto, está muito bem conseguido! No entanto, não deixei a Guiné com 12 anos, mas sim com 7 anos! Um abraço!"
Yannick Djaló

FORAM LEÕES (3) Octávio Machado

Treinador, agricultor,
autarca, escritor...*

Octávio Machado, um dos poucos treinadores de futebol que conseguiram fazer uma carreira credível nos meios de comunicação, em especial na televisão, interrompe episodicamente o seu ‘exílio’ de Palmela para pontuar a actualidade futebolística, seja em questões de ordem técnica, seja nas de natureza política.
Faz neste fim-de-semana dez anos que um jogo dramático em Guimarães começou a ditar a sua saída do activo, ao perder por 0-1 e ser expulso pelo árbitro José Leirós. Ainda permaneceu algumas semanas no cargo, embora vendo degradar-se a relação, que chegara a funcionar ‘por sinais de fumo’ com o presidente José Roquette. Acabou por resignar a 2 de Novembro, encetando novo período sabático que lhe abriu espaço para desenvolver, no espaço polémico do programa ‘Donos da Bola’, da SIC, uma das personagens mais marcantes da periferia do futebol, que veio a ser apelidada humoristicamente como ‘Octávio Malvado’, pela agressividade do seu tom de voz, caracterizada por alusões e insinuações, sob a expressão-passe de “vocês sabem do que eu estou a falar”.
Em 2001, quando se pensava que pudesse ter virado costas em definitivo ao FC Porto e ao seu presidente, por causa do assumido desalinhamento relativamente à família Oliveira e às teorias conspirativas com que se familiarizou nos cerca de dois anos em que serviu o Sporting, Octávio não resistiu ao charme de Pinto da Costa e aceitou ser o sucessor de Fernando Santos após os dois anos em que o clube passou ao lado do título nacional. Cumprindo a tradição de não aguentar um ano completo como treinador principal, o antigo discípulo dilecto de Artur Jorge esteve apenas 19 jogos à frente dos dragões, sofrendo seis derrotas, o que lhe valeu a demissão e a substituição menos desejada pelo quase conterrâneo José Mourinho, com quem nunca chegou a ir à bola.
Aos 60 anos de idade, exactamente 30 depois do seu último jogo na selecção nacional, por sinal contra a Polónia, Octávio Machado passa por ser o agente mais independente do meio futebolístico nacional. Desalinhado, livre, polémico que baste, está sempre pronto para falar na televisão ou nos jornais, mas já não parece em condições de captar a confiança de qualquer dirigente ou clube de primeiro plano. Abaixo disso, nem considera regressar ao futebol. É improvável que volte a ser convidado para treinar um grande e ele não tem motivação para trabalhar sem ser ao nível mais elevado. Neste momento, vai para a sexta época consecutiva sem treinar, remetendo-se à vida de agricultor, autarca e bombeiro de um meio pequeno mas de grande tradição desportiva. Com demasiados anticorpos nos clubes principais, a Octávio (20 vezes internacional "A" nos anos 70) resta a esperança de um dia poder ser chamado a trabalhar na Federação.
Em meados da década de 90, quando Artur Jorge assumiu o cargo de seleccionador, o nome dele chegou a ser vetado depois de já ter sido apontado como adjunto por inerência. Desenvolveu então uma batalha sem tréguas, adoptou o lado politicamente incorrecto de Sá Pinto no processo do confronto com Artur Jorge e durante vários anos foi uma voz incómoda e desafiadora. Porém, nos últimos tempos, tem concretizado uma relativa trégua com o presidente Madaíl e apontado as suas armas para o poder oculto do futebol; e promete publicar um livro explosivo que desnude e desmistifique um pouco da autoridade de Pinto da Costa. Se alguém pode fazê-lo é Octávio Machado.
Autor: João Querido Manha, "Correio da Manhã", 08-09-2007
(*) - Título da responsabilidade do LEÃO DA ESTRELA

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

A chamada de Gladstone

Quando soube que Dunga chamou o defesa-central do Sporting Gladstone à selecção do Brasil, cuja vaga foi criada por lesões dos habituais titulares, pensei logo numa outra convocação estranhíssima, neste caso feita por Luiz Filipe Scolari, ao ter chamado à selecção portuguesa o jovem Bruno Vale, então terceiro guarda-redes do FC Porto, em vez do titular Vítor Baía. Com esta decisão de Dunga, ao chamar um defesa suplente no Sporting, o seu compatriota Anderson Polga, que é indiscutível na defesa leonina, vê adiado, talvez para sempre, o sonho de regressar à selecção canarinha.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

FORAM LEÕES (2) Robert Waseige

O antigo treinador belga Robert Waseige reapareceu esta semana na imprensa portuguesa através de uma entrevista ao diário “Record”. Aos 68 anos, está afastado do futebol. Quando chegou a Portugal, em 1996, para devolver Octávio Machado às funções de treinador-adjunto, era um desconhecido com carreira feita no discreto futebol belga. Foi o segundo treinador da chamada “era Roquette”, considerando que o consulado do antigo banqueiro no Sporting começara em 1995, tendo como rosto visível o ex-primeiro-ministro Pedro Santana Lopes na presidência do clube, que então surpreendeu o país futebolístico ao contratar Octávio Machado. Waseige fez a sua oficial estreia no Sporting em 23 de Agosto de 1996, com uma vitória por 3-1 sobre o Sp. Espinho, na Maia. O seu reinado não chegou ao Natal. Durou 16 jogos, tendo registado nove vitórias, três empates e quatro derrotas, contando já com os jogos europeus. Agora, Waseige recorda que “o Sporting é como um grande paquete de luxo”, “é um barco muito grande, um clube com muitas modalidades”. Porém, o trajecto do belga em Alvalade jamais correspondeu a essa grandeza. A sua contratação, que deverá ter tido o dedo de Norton de Matos – uma vez que estamos a falar de um treinador vindo da Bélgica… – acabou por se traduzir num erro de “casting”. Mas tudo tem uma explicação. E na entrevista ao “Record”, Waseige levanta a ponta do véu, ao justificar os seus problemas de comunicação com a falta de um tradutor de francês. “Conversei uma vez com os dirigentes, mas disseram-me que não era preciso, porque tinha o director desportivo e o secretário-técnico”, conta Waseige, referindo-se a Norton de Matos e Carlos Janela, respectivamente. Octávio Machado “conhecia, talvez, entre 20 a 50 palavras em francês”, enquanto Norton de Matos e Carlos Janela eram fluentes no idioma de Voltaire, “mas o problema é que eles trabalhavam em gabinetes e não eram pessoas do terreno”, recorda o antigo treinador. A trabalhar nestas condições, o homem teria que falhar. Na altura valeu ao Sporting o pragmatismo de Octávio Machado, que, no final de 2006-2007, levaria o clube ao segundo lugar na I Liga – com mais 14 pontos do que o Benfica e menos 13 pontos do que o FC Porto, que conquistava o terceiro de cinco títulos consecutivos –, e à primeira qualificação para a Liga dos Campeões. Quanto a Waseige, aposentou-se em 2005, tendo, entretanto, sido seleccionador nacional da Bélgica e da Argélia.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

O despedimento de Rui Meireles

Ex-director financeiro
recebe 500 mil euros

Com o acordo entre o Sporting e o ex-funcionário superior Rui Meireles, Filipe Soares Franco está de parabéns, pois resolveu um caso insustentável. Nos últimos dias, Rui Meireles, que já foi director financeiro de uma série de empresas do universo leonino, parecia o antigo jogador Afonso Martins, em finais da década de noventa, que esteve um ano a treinar à parte do plantel por ter cometido o pecado de ter sido contratado pelo Sporting! Tudo porque Meireles, contratado por José Roquette e cuja permanência no Sporting era incómoda, ganhava 12 mil euros mensais e, para sair, exigia ao clube uma verba de 650 mil euros (menos 20 mil euros do que as suas contas iniciais), a título de indemnização. Filipe Soares Franco, por seu turno, não estaria disponível a dar mais do que 300 mil euros. Foi por isso que Rui Meireles gozou férias e regressou ao posto de trabalho. Mas a situação era insustentável. E o acordo com o funcionário, que no tempo de Dias da Cunha terá chegado a ganhar mais do que muitos profissionais de futebol, acabou por acontecer, com o Sporting a aproximar-se das suas exigências financeiras. Segundo apurou o LEÃO DA ESTRELA, o despedimento de Rui Meireles, assinalado em conferência de imprensa e com a promessa do próprio de que jamais falará mal do Sporting, custou ao clube 500 mil euros, que serão pagos em suaves prestações nos próximos tempos, talvez para evitar que o ex-dirigente não volte a jantar tão cedo com Sérgio Abrantes Mendes, opositor de Franco.
O que é lamentável é que estejamos perante um caso de falta de transparência, que é típica no futebol português. O que se passou é que Soares Franco classificou como “pura mentira” os “valores exorbitantes” que foram anunciados como indemnização de Meireles. Mas não revelou os números verdadeiros. Nem a imprensa especializada procurou saber. Ao ocultar os números do acordo, Filipe Soares Franco assumiu um papel que não tem lugar no futebol moderno, mais a mais num clube com uma sociedade cotada na Bolsa. Os sócios do Sporting e os accionistas da SAD leonina teriam o direito de saber oficialmente os verdadeiros contornos deste acordo. Até para ficarmos a saber quanto custa o silêncio de Rui Meireles.

TEXTOS RELACIONADOS COM RUI MEIRELES

O actor Vítor Pereira

Para além de ser mais um sportinguista que foi engolido pelos prazeres do “sistema” – no sentido em que o poder de escolher árbitros é susceptível de provocar uma certa volúpia… –, o presidente da Comissão de Arbitragem da Liga Portuguesa de Futebol, Vítor Pereira, regista a particularidade de ter sido actor na sua juventude. E a experiência adquirida na sua vida artística nos palcos do teatro, por muito amador que fosse o seu teatro, é bem capaz de lhe ser muito útil para o desempenho do actual papel de líder dos árbitros portugueses.
Numa iniciativa inédita, que só se consegue entender como sendo uma resposta ao ex-árbitro Jorge Coroado, Vítor Pereira elaborou um “esclarecimento técnico”, como se estivéssemos cheios de dúvidas, a propósito da polémica arbitragem de Pedro Proença, no último FC Porto-Sporting, onde conclui que “ao contrário do que foi veiculado em diversos meios de informação, se um defensor efectua um pontapé que leve a bola no sentido da linha de baliza, seja esse pontapé um corte ou um passe, pode ser punido com pontapé-livre indirecto, no caso de o guarda-redes tocar a bola com as mãos”. Claro que pode…
Com a habilidade que aprendeu no teatro, Vítor Pereira mistura alhos com bugalhos, pois elabora um documento teórico com o qual estamos todos de acordo (os alhos) e não se refere ao jogo FC Porto-Sporting e ao caso concreto que ditou a derrota leonina (os bugalhos). O curioso é que, para quem considere a acção de Anderson Polga um “tackle” – o defesa brasileiro cortou a bola na direcção de Tonel já em queda e com a visibilidade reduzida pela movimentação de Hélder Postiga – Vítor Pereira menciona um documento do Conselho de Arbitragem da FPF, o qual diz que, quando “um defesa entra em “tackle” por detrás sobre um adversário que conduz a bola, conseguindo desarmar o adversário, indo a bola na direcção do guarda-redes”, nesse caso, “competirá ao árbitro decidir se a bola foi atirada deliberadamente em direcção ao guarda-redes para que este a possa agarrar e punir se o fizer”. Ora, ficamos na mesma. O comunicado de Vítor Pereira, mesmo cheio de nada, foi escrito “deliberadamente” para defender o indefensável, ou seja, uma arbitragem que fez “deliberadamente” um resultado. O resto é treta. Deliberadamente.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

O mistério do relvado

O caso da relva que tarda a “enraizar”, segundo a última versão oficial, é um dos problemas mais misteriosos da actualidade do Sporting. O Estádio Alvalade XXI é novo, está classificado com as cinco estrelas da UEFA e, contudo, o tapete verde, que é decisivo para a qualidade do futebol praticado, é do mais foleiro que se conhece, sendo mudado com uma frequência inusitada.
É evidente que o mau estado do relvado influi negativamente no futebol da equipa do Sporting e pode provocar lesões complicadas. Foi isso que se viu no último jogo com o Belenenses. João Moutinho pode agradecer ao mau relvado a grande penalidade falhada. Recordo-me agora de um lance em que Izmailov perdeu a bola de forma aparentemente incompetente. Através das imagens da televisão foi possível verificar que a incompetência do jogador russo, que foi ao chão, teve a ver, afinal, com a relva, pois ao chutar, deu mal na bola porque o pé levantara um tufo enorme da dita cuja. E o caso ocorreu precisamente do lado contrário ao topo norte, que dizem ser o mais afectado por causa do sol e das altas temperaturas. Até prova em contrário, é só mais uma explicação a juntar a tantas outras.
Se o problema é da temperatura, então está na hora de concluir que o Estádio de Alvalade foi mal projectado por Tomás Taveira e pela equipa de técnicos que teria a responsabilidade de monitorizar o efeito da construção na temperatura ambiente nos vários cenários climatéricos. Aliás, por alturas do último Natal, quando se falava em mais uma mudança de relva, surgiu um perito a dizer de sua justiça, Carlos Reis, o homem que até 30 de Junho de 2006 fora o responsável pela manutenção da relva do estádio leonino, através da empresa espanhola SIMA. Segundo Carlos Reis, o problema "é o tipo de arquitectura do estádio, que reduz a captação de luz solar, impede o arejamento e provoca temperaturas muito altas no Verão e muito baixas no Inverno", pelo que "a planta pouco cresce e as raízes ficam em repouso vegetativo". Neste contexto, a manutenção do relvado teria como principal missão "fornecer à planta aquilo que ela não consegue" através da natureza, "reforçando as doses de proteínas e aminoácidos", explicou, na altura, o referido técnico da SIMA, até hoje não desmentido pelo Sporting. O problema é que o reforço das doses de proteínas e de aminoácidos custaria ao clube cerca de 2500 euros mensais. A ser assim, confirma-se um problema de arquitectura com grandes prejuízos para o clube. A ser assim, Tomás Taveira deveria ser chamado a dar explicações e, eventualmente, a assumir responsabilidades. O jornal SPORTING poderia pedir-lhe uma entrevista.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

A credibilidade de Rui Santos

Alvo de muitos comentários de sportinguistas aqui no LEÃO DA ESTRELA, o jornalista Rui Santos, também conhecido por “professor Marcelo do futebol”, está em litígio com o Sporting, que, aliás, bem ou mal, está a ser dirimido na justiça. Independentemente da origem desse conflito, importa sublinhar que, se em muitas situações Santos está carregado de razão, em outras, dá o flanco e coloca em causa a sua credibilidade. A forma como tem abordado o problema da “táctica única” de Paulo Bento, sempre de uma forma “politizada” e não meramente técnica, foi um dos recentes sinais que colocaram Rui Santos como um elemento que está “do outro lado da barricada”. Mas ao analisar a jornada futebolística deste fim-de-semana, Rui Santos esticou muito a corda. Falou do futebol do Benfica, agora sob a égide do “Camachismo”, de forma entusiasmada, passando por cima de um problema que poderá ser complicado para o clube da Luz que é a crescente subalternização de Luís Filipe Vieira em relação ao treinador espanhol, de que são exemplos o facto de ter posto Nuno Gomes a jogar ou de ter revelado que Vieira foi a Ibiza com o problema do treinador para resolver, desmentindo assim o presidente benfiquista. E desvalorizou de forma escandalosa – tendo em conta o registo habitual no jornalista – o facto de o FC Porto ter marcado de forma irregular o segundo golo em Leiria, que foi determinante para tranquilizar a equipa e construir uma vitória robusta. Finalmente, pôs em causa a justiça da vitória do Sporting sobre o Belenenses e acusou o Sporting de ter beneficiado de um alegado “Xistrema”, dando como exemplo uma grande penalidade sobre Liedson que, em seu entender, só foi assinalada para compensar o Sporting do roubo no Dragão. Esta abordagem ao jogo do Sporting, compaginada com a forma elogiosa como tem tratado “o excelente arranque” do FC Porto e o Benfica do “Camachismo”, abalam fortemente a credibilidade de Rui Santos, dando a ideia de que diz mal só por dizer mal tendo o clube de Alvalade como inimigo de estimação.

A grande penalidade falhada

Os jogadores erram, os treinadores erram, os dirigentes erram... Todos têm os seus erros. O LEÃO DA ESTRELA também tem direito ao erro. Vem isto a propósito do lance da grande penalidade, cometida por Costinha sobre Liedson. Vistas e revistas as imagens, não há dúvidas: foi mesmo grande penalidade, com a consequente expulsão. Poderia mudar o texto do "post", mas prefiro pedir desculpas pela análise precipitada, passada ao computador momentos após o final do jogo.
Entretanto, revi também as imagens do lance polémico que resultou no livre indirecto no FC Porto-Sporting e reforcei a ideia de que se tratou de um erro de arbitragem, uma vez que a bola cortada por Anderson Polga não vai na direcção de Stojkovic. O guarda-redes do Sporting, que na opinião de Paulo Bento errou, dá dois ou três passos para a sua direita para poder agarrar a bola. Logo, o corte de Polga não foi na direcção do guarda-redes...

domingo, 2 de setembro de 2007

A vitória do sofrimento

SPORTING-BELENENSES, 1-0 (I Liga Portuguesa; 3ª Jornada) - O Sporting sofreu para derrotar o Belenenses porque ainda não é uma equipa a jogar bem no campo todo. O desempenho de Derlei foi a imagem do conjunto leonino: muito trabalhador, mas ineficaz e inconsequente. Foi assim a equipa de Paulo Bento, que, através do apagado João Moutinho, nem soube aproveitar uma grande penalidade “oferecida” pelo árbitro Carlos Xistra, que, ao decidir como decidiu, estaria, eventualmente, a carregar o peso na consciência do “sistema” que na jornada anterior liquidara as ambições leoninas no Estádio do Dragão. De resto, esta decisão do árbitro só vai servir para que os adversários digam que o Sporting tem é de estar caladinho, porque os árbitros até vão distribuindo o mal pelas aldeias... É o costume.
O tempo ia passando e a contenda estava complicada. Até que apareceu Liedson, dando o melhor seguimento a um excelente cruzamento do possante Simon Vukcevic. O jogo foi praticamente todo no sentido da baliza do Belenenses, mas, antes do intervalo, Stojkovic só não foi buscar a bola ao fundo da baliza porque ela bateu no poste. Ainda assim, mais um caso de má colocação na baliza, pois de nada valeriam os 195 centímetros do guardião sérvio, caso a bola batesse na face interior do poste...
Mesmo jogando contra dez em praticamente toda a segunda parte – uma vez que o guarda-redes Costinha foi expulso no lance da grande penalidade falhada, tendo Carlos Xistra considerado que o guardião belenenses derrubou Liedson com o braço –, o Sporting precisou de oitenta minutos para marcar o golo solitário.
Foi um regresso sofrido às vitórias, com a equipa de Paulo Bento muito ansiosa, a revelar o que queria, mas sem demonstrar sabedoria para o conseguir. Até que o treinador pôs de lado o seu sistema habitual e repovoou o meio-campo e o ataque. Foi uma grande correria atrás dos três pontos do dia. A dez minutos do fim acabava o sofrimento. Graças à eficácia da cabeça de Liedson. Outros destaques: Romagnoli (o melhor sportinguista na partida), Simon Vukcevic (sem ele em campo o Sporting não marca golos) e Anderson Polga (andou por todo o lado). FOTO: Hugo Correia (Reuters)

Os primeiros sinais da Liga 2007-2008

Ao cabo de duas jornadas completas da I Liga Portuguesa 2007-2008, há dois dados a ter em conta: já não há equipas só com derrotas (o que é uma novidade) e há muitas equipas (a maioria) que ainda não conseguiram ganhar. Logo, o empate tem sido o resultado maioritário. Agora que a 3ª jornada já começou, regista-se o facto de Leixões e Vitória de Guimarães contabilizarem já três empates, um dos quais entre as duas equipas. Será sintoma de maior competitividade? Ou anda tudo a jogar para o empate?
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