sexta-feira, 30 de novembro de 2007

LEÃO DA ESTRELA na imprensa

"Público", 23-11-2007

RECORTES LEONINOS Rui Patrício

ENORME POTENCIAL
A perspectiva de o Sporting encontrar, finalmente, um sucessor de Damas tem feito com que a crítica até lhe desculpe os erros naturais de juventude. Rui Patrício tem, de facto, um enorme potencial e é grande a tentação de provar que a escola de Alvalade não sabe só fazer médios e avançados. Como o Benfica não tem sabido aproveitar Moreira e o FC Porto ainda não lançou Ventura, Patrício é bem capaz de ser o guarda-redes português mais promissor desde Vítor Baía.
Bruno Prata, "Público", 30-11-2007

RECORTES LEONINOS Soares Franco

INÁBIL GESTOR DE ACTIVOS...
(...) Uma coisa é jogar esporadicamente num estádio com 50 ou 60 mil espectadores e outra é actuar semana após semana em recintos lotados e que permitem aos clubes, é verdade, pagar quantias astronómicas a vedetas recrutadas no estrangeiro. Tudo isto não deveria incomodar Soares Franco, muito pelo contrário, sobretudo numa altura em que o Sporting já olha no plano internacional para o "segundo objectivo" e no plano interno poderá ser obrigado a pensar da mesma forma, mesmo que vença no domingo a U. Leiria e tanto Benfica como FC Porto percam pontos.
O presidente do Sporting, ao pronunciar-se da forma como o fez, primeiro criticando os jornalistas e depois Carlos Queiroz a propósito dos elogios a Miguel Veloso, revelou-se um inábil gestor de activos e pior do que isso uma "ameaça" para os cofres do clube. O melhor que podia acontecer aos leões seria o Manchester "chegar-se" já à frente no mercado de Inverno e depositar os 30 milhões de euros que constarão da cláusula de rescisão daquele que até Fátima Lopes reconheceu como um "diamante" que não poderia desperdiçar na sua "colecção".
Fazendo negócio com o United, em menos de meio ano, o Sporting lucraria aproximadamente 55 milhões de euros (Nani saiu por 25, 5 milhões), verba de estrondoso significado no panorama actual e que jamais poderia ser dissociada da generosa avaliação técnica de Queiroz. Sem o positivo aconselhamento do treinador português (que já estava em Manchester quando Ronaldo há quatro anos foi adquirido por míseros 7,5 milhões de euros), não é crível que Alex Ferguson desse as respectivas ordens de compra das pérolas formadas na margem sul do Tejo, onde a melhor Academia do País até já terá posto à disposição de Paulo Bento o sucessor natural de Miguel Veloso. Chama-se Adrien Silva e poderá ser o próximo a "explodir" no Sporting caso Soares Franco esteja na disposição de aprender a vender a "mercadoria" em vez de a desvalorizar em público. Há muito tempo que Alcochete é para os leões um poço de petróleo que não pode ser tapado mesmo que para isso alguém tenha de se virar para o presidente Franco e perguntar: "Por qué no te callas?..."
João Rosado, "Diário de Notícias", 30-11-2007

RECORTES LEONINOS Soares Franco

DISPARATES
A resposta de Carlos Queiroz foi violenta e nada elegante, mas acaba por ser compreensível, se atentarmos aos disparates anteriormente proferidos pelo presidente do Sporting.
Bruno Prata, "Público", 30-11-2007

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

CORREIO LEONINO Núcleo Sportinguista de Goa

O SPORTING NO ORIENTE
Em viagem por terras Indianas, emocionei-me ao encontrar, praticamente no último dia da minha estadia em Goa (Pangim), a sede do Núcleo Sportinguista de Goa. O Núcleo, tal como consta da informação recolhida no “site” do Sporting, tem sede em Pangim e está registado com o nº 170 tendo sido fundado a 25-02-1996.
O Núcleo propriamente dito partilha o espaço com uma loja de bebidas, que é das poucas (senão a única!) que vende cervejas portuguesas e Água das Pedras! O seu proprietário e heróico fundador desta casa leonina é o Sr. Bento Fernandes, que, quando me viu a tirar avidamente fotografias à fachada da loja/Núcleo, interpelou-me dizendo: "O senhor é português?" A resposta afirmativa foi complementada com um inevitável: "Sou sim senhor! E sócio do Sporting!"
A partir dessa ressalva conversamos como velhos conhecidos: "O jogo BragaXSPORTING dá na RTP Internacional?”, perguntei. “Sim, sim!”
“Então? Está com fezada?”, perguntei. “Vamos lá ver, este ano as coisas não estão muito famosas!", respondeu o goês. É essa a magia leonina que, como um feitiço, faz com que haja um Sportinguista presente nos quatro cantos do mundo e que a conversa flua com a maior das naturalidades!
Infelizmente, o tempo já era escasso e não houve possibilidade para conversar muito mais! O Sr. Bento tinha um compromisso e eu tinha de ir para o hotel e fazer a mala para regressar a Bombaim! Seria fantástico poder sentar-me à mesa (saboreando talvez uma Sagres ou uma Super Bock) com tão ilustre Sportinguista e saber em pormenor as estórias da Diáspora Leonina na "Índia Portugueza" de então até aos nossos dias! Fica para uma próxima viagem, aliás já prometida!
Confesso que senti uma grande nostalgia e uma saudade imensa de um tempo em que o SPORTING CLUBE DE PORTUGAL era grande e que, com o advento dos clubes-empresa, parece que já não volta mais, ficando para sempre esquecido no baú colectivo das nossas memórias Sportinguistas! VIVA O SPORTING!
Luís de Magalhães Pereira, Lisboa, Sócio nº 18.736
(Enviado por e-mail)

O "inimigo" Queirós...

O presidente do Sporting, Filipe Soares Franco, está a precisar urgentemente de um “GPS” que lhe indique quem são os verdadeiros inimigos do Sporting. Em Manchester, com o pretenso objectivo de defender o clube na questão do assédio internacional a Miguel Veloso – que, como se sabe, é “obra” do seu empresário, entre outros… –, Soares Franco teceu umas declarações sobre o papel de Carlos Queirós nessa novela, que soaram a muito estranho, tanto mais que estamos a falar da relação entre dois clubes que têm um protocolo de cooperação, que, até ver, só tem resultado na transferência de jogadores portugueses para Inglaterra.
Soares Franco, que não costuma alinhar nestas peixeiradas, nem tem feitio para isso, uma vez que nem todos são obrigados a possuir os dotes de expressão verbal de Pinto da Costa, deu, afinal, mais um passo em falso. Na resposta de Carlos Queirós, que foi mais preparada do que parece, o presidente leonino ouviu o que não queria. Ouviu mesmo aquilo que nem o seu pior inimigo jamais lhe atirara à cara.
Não sei se Carlos Queirós é sócio do Sporting. Se for, pode muito bem ter lançado ontem a sua candidatura à presidência do clube, tal foi a rabecada dada no presidente. Uma coisa é certa: Queirós até tem títulos conquistados para exibir – para usar um argumento tão caro a Carlos Freitas. Muito antes de Franco, e em condições bem difíceis, Queirós deu uma Taça de Portugal ao Sporting. Muito antes de Franco, Queirós colocou o Sporting na rota de uma Supertaça, conquistada ao FC Porto.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

CORREIO LEONINO

OS TALENTOS E AS TENTAÇÕES
Sabe sempre bem ler e debater questões sobre o nosso querido Sporting. Eu sou sportinguista, filho e neto de sportinguistas, e pai de sportinguistas, mas sou tão sportinguista como os demais. Sobre a opinião de Miguel Veloso e Paulo Bento e outras, eu só pergunto em que época é que vocês vivem? Hoje, a realidade das coisas é muito diferente e acho espantoso que pessoas, que até utlizam blogues, Internet e outras panóplias comunicacionais do século XXI ainda tenham a mentalidade dos anos 40/50 do século passado. Então acham que, com as solicitações financeiras e outras que existem, os jogadores de futebol talentosos seriam imunes a tudo isso? Por muito que queiram, isso é impossível e, querendo ou não, essa é a realidade.
Nos tempos famigerados do Dr. Oliveira Salazar é que um ditadorzeco de aldeia podia impedir jogadores de sair do seus clube e do país. Abram os olhinhos para não andarem com ar de serem os últimos a saber. Temos de perceber estas realidades e continuar a lutar por suplantar a nossa pequenez de mercado, através da qualidade, num projecto que tem de ser visto a médio longo prazo. As tentações imediatistas já provaram que só estragam. Temos de perceber que os nossos talentos, por muito que nos custe, vão - mais tarde ou mais cedo, tomara que o mais tarde possível - zarpar para mercados mais aliciantes e o resto... são cantigas e conversa miserabilista. Saudações Leoninas!
Jorge Lemos Peixoto, Lisboa (enviado por e-mail)

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Valeu por Rui Patrício

É um paradoxo e deveria servir de motivo de grande reflexão para os responsáveis do Sporting: os problemas da equipa de Paulo Bento nunca estiveram nas suas prestações europeias, ao mais alto nível, onde sempre se exibiu com os defeitos próprios das limitações do plantel, mas sempre com uma doação enorme ao jogo e uma qualidade que raramente se vê nas competições internas. Na época passada, o Sporting realizou algumas das suas melhores exibições na Liga dos Campeões. E este ano também. No final, os resultados não foram os melhores, por falta de sorte, por falta de mais competência ou de outra coisa qualquer, mas a verdade é que a equipa leonina mostrou bom futebol por essa Europa.
O cenário repetiu-se, desta vez no mítico Old Trafford, com o Sporting, que não consegue ganhar ao Leixões, a ganhar em grande parte do tempo de jogo ao Manchester United, e a justificar a vantagem, independentemente da visível economia exibicional dos britânicos registada no primeiro tempo. E também se repetiu a história do golo sofrido nos minutos finais, uma sina das equipas azaradas ou menos preparadas.
Em resumo, o jogo de Manchester valeu porque nos mostrou Rui Patrício como uma excelente opção para a baliza. Ágil, destemido e “jogador de campo”, pela forma como chuta rapidamente a bola para a frente e provoca um contra-ataque perigoso, Rui Patrício merece continuar a ter a confiança de Paulo Bento.
Quanto ao apuramento para a Taça UEFA, tem o sabor amargo de uma derrota. Porque o objectivo da administração e da equipa técnica do Sporting era atingir a segunda fase da Liga dos Campeões. Essa história de valorizar a conquista do “segundo objectivo” significa festejar uma “vitória moral”. Ora, as vitórias morais não interessam a uma grande equipa e a um grande clube. FOTO: Jon Super (Associated Press)

Soares Franco e a moda

O presidente do Sporting, Filipe Soares Franco, disse, em Manchester, que tem uma opinião acerca da participação do futebolista Miguel Veloso nos projectos de moda da estilista Fátima Lopes. Porém, escusou-se a divulgá-la. Está no seu direito e até se compreende a sua reserva, dado tratar-se de uma situação nova no clube. Mas, nesta matéria, talvez fosse importante dizer em público o que pensa em privado. Porque o assunto tem a ver com o Sporting. É importante saber se o Sporting quer ou não acolher no seu plantel futebolistas que tenham actividades extra-futebol susceptíveis de provocarem desgaste, nomeadamente físico e psicológico, como é o caso da moda.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Bento no cravo, Veloso na ferradura…

Esta segunda-feira fica para a história desta temporada como mais um dia extraordinário no futebol do Sporting, cuja equipa se encontra em Manchester, para mais um jogo da Liga dos Campeões, com um adversário que sabe como aproveitar da melhor forma a escola de formação do clube de Alvalade. Na conferência de imprensa que antecede o jogo desta terça-feira, Paulo Bento, que não anda propriamente na mó de cima, atacou “todos” os que “estão a pôr” Miguel Veloso “todos os dias nos jornais”, pois esses, diz o treinador do Sporting, “não o estão a ajudar”. Bento referia-se às notícias que dão Miguel Veloso em vários clubes europeus. "O nosso trabalho é fazer que todo esse pseudo-assédio não prejudique a equipa. Mas há também um trabalho dele. Sabemos que com a idade que ele tem e com tanta notícia é complicado manter a tranquilidade”, referiu o treinador leonino.
O que é extraordinário é que, no mesmo dia, Miguel Veloso, a mãe, o pai, a criadora de moda Fátima Lopes, claro, e o empresário Paulo Barbosa – o homem que, através de Carlos Freitas, colocou a larga maioria dos pseudo-reforços de Leste no clube de Alvalade – tenham aparecido no "Jornal da Noite", da SIC, a falar do futuro da nova estrela. O pai até foi para as bancadas do Estádio Nacional para dar a entrevista. A única coisa menos má foi ouvir a mãe de Miguel Veloso a dizer que agora é sportinguista porque o clube de Alvalade ajudou o filho, quando o Benfica o dispensou por considerá-lo gordo.
Triste, triste, foi ouvir Miguel Veloso a falar, não sobre o jogo com o Manchester United ou sobre o mau momento do futebol do Sporting. Deprimente foi ouvir Miguel Veloso a falar como se já não fosse jogador do Sporting. “Venha o diabo e escolha”, disse o rapaz, indeciso entre Espanha, Itália ou Inglaterra.
Quanto ao empresário Paulo Barbosa, claro, lá dissertou sobre a cláusula de rescisão, que é muito alta em função daquilo que o jogador ganha, etc.. São estes artistas que estão a minar o futebol do Sporting, com a complacência do próprio clube. Só Paulo Bento não vê isso e continua a disparar ao lado. E depois de mais este episódio extraordinário, é evidente que o treinador sai muito chamuscado. E agora começa a doer, pois é a própria credibilidade de Paulo Bento que é posta em causa. Neste caso pelo próprio jogador. Isto vai de mal a pior. Só não vê quem não quer. FOTO: Ávaro Isidoro (www.flickr.com)

domingo, 25 de novembro de 2007

As noites quentes de Lisboa...

A jovem estrela portuguesa do Sporting Miguel Veloso anda a saltar entre a Academia de Alcochete, os desfiles e jantares de Fátima Lopes e os milhões à vista do Manchester United ou de outros clubes europeus. O brasileiro Celsinho foi apresentado ao “Sporting de Carlos Freitas” como o novo Ronaldinho Gaúcho e, ao fim de quatro meses, ainda não conseguiu ser opção para Paulo Bento na equipa principal. O paraguaio Carlos Paredes, um ano e meio após ter sido contratado, também continua de fora dos planos do treinador do Sporting. Sem qualidades para mostrar na equipa de futebol, estes dois sul-americanos brilham nos ambientes mais quentes da noite lisboeta. As fotos têm sido publicadas em alguma imprensa, para quem quiser ver. Não quero saber se vão para a noite em dias de folga ou em dias de trabalho, porque é irrelevante, pois basta pensar nas recentes revelações do ex-benfiquista Miguel... A verdade é que estas estrelas leoninas, pagas a peso de ouro para aquilo que produzem no relvado, andam por lá, como as imagens documentam. E não se preocupam com os fotógrafos. A acompanhá-los anda Fábio Rochemback, outro brasileiro, que se lesionou no Middlesbrough Football Club e que escolheu o Sporting, seu antigo clube, para fazer os curativos. Ao mesmo tempo, saltou para a comunicação social a oferecer-se ao clube leonino, meses depois de se ter oferecido ao Benfica. Não admira. A noite de Lisboa é uma tentação, como podemos ver nas últimas edições da revista de fim-de-semana do diário "24 Horas". Filipe Soares Franco seria esperto se se preocupasse seriamente em inventar uma espécie de GPS que lhe indicasse por onde andam os jogadores fora de horas...

sábado, 24 de novembro de 2007

Futebol do Sporting sem classe e sem magia

LEIXÕES-SPORTING, 1-1 (11ª Jornada, I Liga Portuguesa) - Numa declaração proferida há dias, que passou despercebida, mas que considero estranha, porque contraria o objectivo traçado pelo conselho de administração do Sporting, Paulo Bento confessou ter sido um erro apontar o apuramento para a segunda fase da Liga dos Campeões como uma das metas da temporada. E, pelo andar da carruagem, talvez tenhamos Paulo Bento, ainda antes do Natal, a dizer-nos que, se calhar, também foi um erro apontar a conquista do título nacional de futebol como objectivo principal nas competições internas.
Nos 30 jogos da época passada, o Sporting consentiu oito empates e duas derrotas, perdendo um total de 22 pontos em noventa possíveis. Nesta época, com apenas onze jornadas disputadas, já consentiu quatro empates e duas derrotas, tendo perdido um total de 14 pontos – mais do que um ponto por jogo. Pior ainda: em onze jogos não conseguiu ganhar a maioria deles. Significa isto que, a continuar neste ritmo, o Sporting terá de suar muito para conseguir um lugar de acesso às competições europeias. É esta a dura realidade do futebol leonino, depois deste empate no terreno do Leixões (mais um jogo a Norte sem ganhar…) – um resultado muito mau tendo em conta a goleada de Braga...
Jogar no Norte do País, e em particular no velho Estádio do Mar, mais a mais em dia de inauguração da iluminação do estádio, é muito diferente do que treinar em Alcochete. O Leixões, que é talvez a equipa mais barata da I Liga Portuguesa, acabou de chegar da segunda divisão e o Sporting é que é (ou era…) o candidato ao título nacional, mas, em Matosinhos, os papéis inverteram-se, nomeadamente pela forma como a equipa leonina consentiu o golo leixonense, ainda nos primeiros minutos, digna de uma equipa recém-chegada de um escalão secundário. Vukcevic, numa daquelas acrobacias que deve ter aprendido nas artes marciais, tentou evitar a saída para fora de um passe errado e acabou por servir um adversário que avançou como uma flecha pelo seu corredor direito, sem precisar de acelerar para ultrapassar Ronny como quis e cruzar para alguém desviar para dentro da baliza de Rui Patrício, coitado, também mal batido.
Enquanto teve pernas, o Leixões – que teve no seu guarda-redes, Beto, formado no Sporting, o melhor homem em campo, por duas ou três defesas quase impossíveis – foi mais rápido e fez mais pressão sobre a bola, tolhendo um Sporting que precisou de rematar quase vinte vezes para marcar um golo já sobre a hora final. Um golo marcado por Purovic – um jogador tão alto que tem problemas de mobilidade, demorando uma eternidade a fazer uma rotação – no único lance em que o montenegrino não enfrentou a bola de costas para a baliza contrária…
Resumindo e concluindo, este Sporting perdeu a aura de invencível fora de casa e transformou-se numa equipa insegura e permeável e defender e lenta e ineficaz a atacar. Não é um problema de falta de sorte. É um problema táctico, mas também de falta de jeito de vários dos seus jogadores. O futebol do Sporting não é agradável, não tem imaginação, não tem magia, não tem classe. O Sporting é hoje uma equipa de jogadores esforçados, havendo entre eles, curiosamente, alguns que são disputados pelos melhores clubes do mundo. O que também não deixa de ser estranho. Notas positivas na equipa leonina: Gladstone, Miguel Veloso, João Moutinho e Bruno Pereirinha. FOTO: Manuel Araújo (Record Online")

MEMÓRIAS LEONINAS A estreia dos "Violinos"

Já passaram 61 anos, mas ainda há sportinguistas que se lembram como se fosse hoje. Foi no dia 24 de Novembro de 1946, em Vila Nova de Famalicão, que os "Cinco Violinos" se exibiram pela primeira vez juntos na competição maior do futebol português. Segundo recorda o sítio do Sporting na Internet, num campo que mais parecia um lamaçal, a equipa leonina venceu por 9-5, com 4-3 ao intervalo. Marcaram pelo Sporting Peyroteo(5), Vasques(2), Travassos e Albano. Outros tempos...

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

O exemplo de Yazalde

O argentino Yazalde, infelizmente já desaparecido, foi eleito esta semana o melhor futebolista estrangeiro de sempre do Sporting Clube de Portugal, por escolha de 39,1 por cento de cinco mil leitores do sítio do jornal "A Bola" na Internet. Para esta iniciativa, "A Bola" escolheu dez futebolistas. Atrás de Yazalde, seguiram-se Jardel (19,4%), Balakov (18,1%), Liedson (13,8%), Acosta (4,6%), Seminário (1,5%), André Cruz (1,3%), Keita (0,9%), Osvaldo Silva (0,7%) e Meszaros (0,6%). Certamente que faltaram outros atletas, como Peter Schmeichel, por exemplo. Mas não é isso que justifica este apontamento. O que realmente impressionou foi reler uma série de entrevistas que Yazalde deu ao jornal "A Bola", quando era atleta do Sporting, e comparar as suas declarações com as declarações dos miúdos de hoje, sempre que estão em causa eventuais convites de clubes estrangeiros.
Em 1974, o Sporting sagrou-se campeão nacional e Yazalde conquistou a "Bola de Prata" e a "Bota de Ouro", por ter apontado 46 golos nessa época, fasquia que ainda é um recorde nos campeonatos europeus. Em 25 de Maio desse ano, seis dias após ter sido campeão, era convocado pelo seleccionador argentino para a fase final do Mundial'74, na Alemanha. Questionado sobre o interesse do Real Madrid, "Chirola", que estava no auge da sua carreira, com 27 anos, respondeu assim: "O Real Madrid apresentou-me uma proposta muito superior à do Sporting. Temos de ver este ponto: um Rolls Royce não pode gastar cinco litros aos cem. Portanto, se o Sporting concordar em me pagar aquilo que corresponde à minha cotação na Europa, ficarei em Lisboa".
A verdade é que o goleador argentino acabou por renovar com o Sporting por dois anos. "Fiz um contrato muito bom, apesar de que, se não tivesse havido o 25 de Abril, poderia ter sido muito melhor". Na sequência da revolução, que instaurou a democracia em Portugal, o Sporting passou por dificuldades económicas e Yazalde seria vendido um ano depois ao Marselha. "Saudades de Portugal?", perguntou-lhe "A Bola", já em França: "Claro que sim. Gostava, aliás, que transmitisse, através de 'A Bola', que adoro Portugal, os portugueses, o Sporting e os sportinguistas. Estarão sempre no meu coração."

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Soares Franco e o GPS do Sporting

O Sporting, o Benfica e o FC Porto fecharam um acordo com a empresa TBZ para a produção de um aparelho de GPS exclusivo de cada clube. O objecto é destinado a sócios e simpatizantes e será vendido num “kit” com outros produtos licenciados. O Sporting foi o primeiro a apresentar o produto. Por 249 euros, os adeptos podem comprar o “kit” que conta com uma camisa oficial do respectivo clube, um tapete de “rato”, alguns outros brindes e o aparelho de GPS especial associado ao clube. A ideia é facilitar o acesso dos adeptos aos pontos de interesse do clube, em particular aos estádios onde a equipa de futebol actua em cada fim-de-semana. Há cerca de 30 anos, quando os estádios enchiam nas tardes de domingo, de Norte a Sul do País, talvez este GPS fosse um grande sucesso. Hoje, talvez não, porque toda a gente sabe onde estão os estádios, tanto mais que o campeonato português é disputado numa faixa do litoral entre Braga e Setúbal. O problema é que há 30 anos - como documenta esta excelente imagem de um Sporting-Benfica de 1974, disputado em Alvalade -, havia público e não havia GPS. Hoje há GPS, mas não há público. Mas um GPS é sempre muito útil. Ainda que não haja uma máquina dessas que ilumine o caminho para o título. Aí, Filipe Soares Franco foi honesto, ao confessar-se incapaz de fazer do Sporting um clube campeão sem a ajuda do GPS.

O LEÃO DA ESTRELA HÁ UM ANO...

A MANTA CURTA DO SPORTING

INTER DE MILÃO-SPORTING, 1-0 (Liga dos Campeões 2006-2007, 5ª jornada) – Com um futebol assente numa "manta" muito curta, em resultado de vários impedimentos físicos e da ausência de Liedson por motivos disciplinares, o Sporting perdeu em Milão e carimbou a eliminação da Liga dos Campeões 2006-2007. Agora terá que ganhar ou empatar para poder aceder à Taça UEFA e tentar, pelo menos, repetir a campanha de sucesso registada em 2005, onde a equipa, então orientada por José Peseiro, foi finalista, perdendo em Alvalade com o CSKA de Moscovo.
Importa dizer que a eliminação desta Liga dos Campeões é uma desilusão, mas não é motivo para baixar os braços e abandonar o caminho traçado. É verdade que não foi uma campanha gloriosa, mas foi uma campanha muito séria, muito digna, com o Sporting, não obstante possuir um dos grupos de trabalho mais baratos da prova (ou talvez o mais barato), a demonstrar que sabe praticar um excelente futebol, a mostrar novos talentos, a assustar dois gigantes do futebol mundial, o Bayern de Munique e o Inter de Milão, não tendo feito melhor em termos de resultados por inexperiência internacional, muitas vezes, por falta de sorte, mas, sobretudo, por falta de estofo europeu.
Apesar disso, pela primeira vez em muitos anos, o Sporting perdeu jogos para os gigantes da Europa sem ser humilhado, exibindo-se de igual para igual e apenas perdendo pela diferença mínima. É bom lembrar que, em cinco jogos disputados, a equipa sportinguista, não perdeu a maioria deles e regista apenas três golos sofridos, sendo uma das melhores defesas da prova. Aliás, em Milão, Anderson Polga encheu o campo e Ricardo realizou uma excelente exibição, só não defendendo o remate indefensável de Crespo.
O que faltou foi ter jogadores que permitissem estender a “manta” de modo a que a equipa jogasse no campo todo. E neste jogo de Milão, para além de não estarem Liedson e Yannick (as duas melhores opções à disposição de Paulo Bento para dupla atacante), houve a infelicidade de perder dois laterais direitos nos primeiros minutos do jogo, fechando, assim, duas opções tácticas mais audazes. E foi por isso que vimos Alecsandro sozinho entre três e quatro italianos e, mesmo assim, a tentar chutar à baliza.
Por outro lado, o Sporting também não fez mais porque o Inter – cuja maioria dos jogadores já tem nas pernas dezenas de jogos da Liga dos Campeões... – não deixou, revelando-se, sobretudo, uma equipa destruidora do jogo contrário, com base de um meio-campo combatente apostado em não dar tréguas ao futebol escorreito que os “miúdos” de Lisboa costumam exibir.
Agora, quanto ao Sporting, há que levantar a cabeça, pousar os pés no chão e concentrar as atenções nas provas nacionais e na Taça UEFA. Depois, será imprescindível manter a equipa-base, polvilhá-la com um ou dois reforços cirúrgicos – evitando os de "custo-zero"... – e voltar com mais força e mais experiência na Liga dos Campeões 2007-2008. Pelo que se vê este ano, já muito estão a fazer os leõezinhos...
LEÃO DA ESTRELA, 22-11-2006

O apuramento triste de Portugal

Foi o apuramento para uma fase final da Europa ou do Mundo menos espectacular da história da selecção portuguesa de futebol. Há vários motivos. O primeiro tem seguramente a ver com a falta de um discurso de exigência por parte dos responsáveis da Federação Portuguesa de Futebol. Luiz Felipe Scolari também não ajudou nada ao ter lançado como objectivo uma fasquia mínima que passaria por ganhar os jogos em “casa” e empatar os jogos “fora”. A retirada de símbolos e líderes de campo como Luís Figo e Rui Costa também pesou negativamente, apesar da qualidade dos talentos emergentes. A verdade é que, em 14 jornadas deste apuramento frio e calculado ao golo, ao remate, quase ao passe, não houve espectáculo nem emoção. Isto transformou o passaporte português para o Euro 2008 numa festa triste. Perdão, espectáculo e emoção houve: foi quando Scolari agrediu um futebolista sérvio e, na conferência de imprensa após o último jogo, com a Finlândia, abandonou a sala e deixou os jornalistas sem respostas. As coisas são como são. Scolari foi o treinador do mundo que mais fez pela selecção portuguesa. Mas o seu prazo de validade na Praça da Alegria já terminou. Agora é que a Inglaterra está a precisar… FOTO: Armando França (Associated Press)

terça-feira, 20 de novembro de 2007

A disputa de uma criança

O que se está a passar com a disputa de uma criança de oito anos, por parte do Sporting e do Benfica, quando toda a gente já sabia que o miúdo iria para o clube de Alvalade, havendo várias notícias e reportagens sobre o caso, é absolutamente lamentável. Sporting e Benfica que, recorde-se, fizeram um brinde ao “fair play” ainda há poucas semanas, sob o alto patrocínio do jornal “A Bola”. Sabe-se agora que aquele vinho tinto estava fora de prazo, tendo feito muito mal a Luís Filipe Vieira. Farto de casos de jogadores que brilham no Sporting depois de terem sido desprezados pelo Benfica nos seus tempos de adolescência, Luís Filipe Vieira, com uma evidente falta de nível, quer agora dar um sinal de que a bandalheira vai acabar no futebol de formação do Benfica – mesmo que a sua versão neste caso contrarie o que dizem o pai da criança e o director da escola Bragafut. O presidente do Benfica começou por utilizar uma criança, ou seja, começou da pior maneira. Era bom que Vieira tivesse tento na língua e não misturasse uma criança de oito anos com um grupo de “oportunistas” que não identifica. O Sporting tem estado calado e faz muito bem. Um caso destes tem de ser tratado com toda a discrição. Uma criança ainda é uma criança. FOTO: Luís Vieira (Record)

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Sete perguntas para reflexão

À margem de uma reunião com Carlos César, presidente do Governo dos Açores, Filipe Soares Franco informou que o futebol do Sporting não vai às compras no mês de Janeiro. Presume-se, por isso, que o processo de avaliação da necessidade ou não de o clube ir ao mercado de Inverno, de que falaram os administradores Miguel Ribeiro Teles e Carlos Freitas, já terminou, tendo sido derrotada a tese das novas compras para corrigir as asneiras do último defeso. E por falar nisso, eis sete perguntas para reflexão:
  1. O brasileiro Pedro Silva é assim tão bom que tenha justificado o desinteresse na renovação do contrato com Miguel Garcia, lateral-direito internacional português, formado no Sporting, herói de Alkmaar, que se transferiu para o Reggina (Itália)?

  2. O jovem ponta-de-lança montenegrino Milan Purovic justificaria os dois milhões de euros que custou, quando havia o jovem ponta-de-lança internacional português Carlos Saleiro, formado no Sporting, que foi emprestado ao Fátima e até já marcou um golo ao clube do seu coração?

  3. Valeu a pena adiar o processo de renovação do lateral-esquerdo Rodrigo Tello, até que apareceu um clube que lhe ofereceu mais três ou quatro vezes o que ganhava no Sporting, quando a alternativa era o eslovaco Marian Had?

  4. O jovem internacional português Silvestre Varela, formado no Sporting, não poderia ser uma boa alternativa ao jovem montenegrino Simon Vukcevic, em vez de ser emprestado aos espanhóis do Recreativo de Huelva?

  5. O jovem médio ofensivo brasileiro Yannick Pupo, que fez os juniores no Sporting, era assim tão inexperiente que não pudesse ficar no plantel, evitando assim a contratação do também jovem médio ofensivo brasileiro Celsinho, marcado pelo fracasso da sua aventura russa?

  6. Se a opção na formação do plantel fosse no sentido da valorização dos jovens formados na Academia do Sporting, como chegou a preconizar o presidente Filipe Soares Franco, não seria expectável um plantel leonino com uma “mística sportinguista” mais forte?

  7. Se a opção na formação do plantel fosse no sentido da valorização dos jovens formados na Academia do Sporting, como chegou a preconizar o presidente Filipe Soares Franco, poupando recursos financeiros e ganhando “espírito de grupo”, não seria de apostar na compra de um jogador de qualidade indiscutível, daqueles que trazem valor acrescentado e que podem ser valorizados, mediante indicação da equipa técnica, ainda que esse jogador custasse cinco, sete, oito ou dez milhões de euros?...

O LEÃO DA ESTRELA HÁ UM ANO...

A NOITE DE RUI PATRÍCIO

MARÍTIMO-SPORTING, 0-1 (Liga Portuguesa 2006-2007, 10ª jornada)
– Apetece começar por dizer que o "sistema" tentou, mas não conseguiu. Todos os árbitros merecem o benefício da dúvida até prova em contrário. E o trabalho global da equipa de arbitragem liderada por Bruno Paixão até estava a ser positivo, mas perto do fim, com o Marítimo a perder por 0-1, decidiu assinalar uma grande penalidade contra o Sporting, por uma falta cometida por um pé de Anderson Polga que estava cerca de um metro fora da área. O que custa é perceber como é que o árbitro assistente, por muito mal colocado que estivesse, e não poderia estar, conseguiu vislumbrar uma falta dentro da área. Só que Deus escreveu direito por linhas tortas e o guarda-redes Rui Patrício (um jovem de 18 anos, que fez a sua estreia como titular por impedimentos físicos de Ricardo e Tiago) conseguiu defender a grande penalidade, sendo, deste modo, o protagonista do momento do jogo. Foi ali que o Sporting carimbou a segunda vitória conquistada este ano na ilha da Madeira, um pleno de vitórias que acontece pela primeira vez, o que é um excelente indicador para o resto do campeonato. Foi também ali que o Sporting “ganhou” um novo guarda-redes, mais a mais produto da academia de Alcochete, que poderá muito bem, a curto ou médio prazo, ser uma alternativa credível à sucessão de Ricardo. O Sporting acabou por chegar à vantagem na marcação de um livre directo apontado por Rodrigo Tello (63’), curiosamente na fase mais equilibrada do jogo, em que o Marítimo já encetava perigosos contra-ataques. Isto depois de uma excelente primeira parte do Sporting, onde, através de um jogo colectivo muito activo e dinâmico, conseguiu uma série de oportunidades para marcar. Mas ter Carlos Bueno na frente de ataque é equivalente a jogar com menos um... Aliás, bastou o uruguaio sair (dando lugar a Alecsandro) para que o Sporting marcasse e garantisse três pontos essenciais para uma perseguição sem tréguas ao FC Porto...
LEÃO DA ESTRELA, 19-11-2006

domingo, 18 de novembro de 2007

A caminho do Europeu

Com mais ou menos polémica, com mais ou menos soco, com mais ou menos Scolari, com mais ou menos exibição, eis Portugal apenas a um ponto do apuramento para o Euro’2008. O golo de Hugo Almeida – ponta-de-lança ex-FC Porto, que precisou de emigrar para se afirmar como fazedor de golos, um pouco à semelhança de Pauleta, que nunca jogou na I Liga portuguesa – foi decisivo na vitória de Portugal sobre a Arménia. Mas, antes disso, houve um momento que foi determinante para o apuramento de Portugal: foi quando Luiz Felipe Scolari se mostrou ao mundo igual a si próprio, tentando agredir um jogador sérvio, no Estádio de Alvalade. Esse foi o momento decisivo desta campanha. Aí, Scolari arranjou um motivo para unir o grupo. E Portugal, a jogar mal e a deixar a qualificação para os últimos noventa minutos, apesar de concorrer num grupo aparentemente fácil, lá vai a caminho do Europeu… FOTO: Steven Governo (Associated Press)

sábado, 17 de novembro de 2007

Parceiros do "sistema"

O poderoso Joaquim Oliveira, um dos homens com mais influentes em Portugal, não tem culpa. É o Sporting que se entrega e que vai até ele. Agora, foi até ele para criar uma agência de viagens, denominada Sporting Chek-In. Trata-se de uma nova agência de viagens que até tem excelentes propósitos: permitir aos sportinguistas viajar a preços mais competitivos. A iniciativa resulta de uma parceria entre o Sporting e a Cosmos, uma agência de viagens do Porto, do universo empresarial de Joaquim Oliveira – escolhida, presume-se, por não existir em Portugal mais nenhuma empresa de viagens interessada numa parceria com o clube de Alvalade. Ao escolher a Cosmos, Filipe Soares Franco optou por uma empresa próxima do FC Porto, através da qual, segundo veio a público, árbitros que roubaram o Sporting fizeram viagens para destinos paradisíacos.
Mais uma vez, o Sporting dá uma no cravo e outra na ferradura. Filipe Soares Franco, que esta semana surpreendeu pela positiva, ao responder ao jornalista Rui Santos escrevendo um artigo no “Record” – não pelo conteúdo, mas pela forma, agindo no mesmo “terreno”, e não ameaçando com tribunais, numa atitude inovadora entre o dirigismo desportivo – bem pode apregoar a sua “paciência” na denúncia dos males do “sistema”.
A verdade é que a sua “paciência” deixa de ter qualquer sentido quando somos surpreendidos pela criação de empresas que visam apenas engordar o mesmo “sistema”. Mas o que acontece com a agência de viagens, acontece também com o “site” oficial do Sporting Clube de Portugal na Internet. Ora, o Sporting, para ser encarado como "um grande clube, tão grande como os maiores da Europa", como preconizava o fundador Visconde de Alvalade, tem que definir uma estratégia clara. Não pode ser vítima e denunciante do “sistema” português às segundas, quartas e sextas, e seu parceiro cúmplice às terças, quintas e sábados.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

A história da contratação de Paulinho

Carlos Antunes, um homem com uma longa passagem pela gestão de recursos humanos quer em instituições privadas quer públicas, passou também pela gestão de recursos humanos de um dos principais clubes do futebol português, o Sporting. Quando desafiado a contar uma “estória” ligada à gestão das pessoas no mundo do pontapé na bola, lembrou-se da contratação do Paulinho.
Talvez desse logo para pensar na contratação do famoso Paulinho Cascavel, que ainda por cima chegou ao Sporting em 1987, aquando da passagem de Carlos Antunes pelo clube. Mas não. Atente-se no que conta Carlos Antunes: “Na direcção presidida pelo já falecido Amado Freitas, o mandato de 1986 a 1988, um dos vogais, prestigiado sportinguista e meu particular amigo, Rogério Beatriz, convidou-me para o cargo de director de pessoal. O curioso é que embora sob essa designação, e tratando-se de um lugar não remunerado e exercido em part-time, se aproximava daquilo que muitos hoje defendem ser o verdadeiro papel do gestor de recursos humanos nas organizações, que é o de ser consultor das administrações e dos restantes directores na gestão dos respectivos recursos humanos. O que não admira, se pensarmos que aquela direcção foi também a primeira a tentar ensaiar um novo tipo de gestão profissional ao nível de um clube em Portugal, sem dependências de mecenas. Este convite naturalmente que me deixou feliz, uma vez que isso me proporcionava a possibilidade de colaborar com o meu clube de sempre. Costumo dizer na roda dos meus amigos que antes de ser português já era sportinguista... Isto deve ser entendido na perspectiva de alguém nascido em África, em Moçambique, nos anos cinquenta do século passado; o ideal sportinguista, bem como dos outros clubes portugueses, nomeadamente do Benfica, do Porto e do Belenenses, era vivido através dos relatos via Emissora Nacional ou das deslocações no defeso da temporada das principais equipas de futebol... Eram das bem poucas referências que nos ligavam à então denominada metrópole.”
Mas voltemos ao Paulinho. O Cascavel, chegado de Guimarães com o estatuto de melhor marcador do campeonato, haveria de repetir a façanha, sem que isso levasse o Sporting a conquistar o título de campeão de forma a interromper um longo jejum de meia dúzia de anos. Longo, dizia-se naquela altura, porque a verdade é que ninguém imaginava que ainda estavam para vir mais dois jejuns iguais, até ao ano 2000. Enfim, adiante...
A verdade é que foi durante o mesmo mandato da chegada de Paulinho Cascavel a Alvalade que por lá aportou um outro Paulinho. Paulinho, apenas assim, sem apelido de cobra como complemento, tão pouco de lagarto, ou de qualquer outro bicho parecido. O Paulinho apenas Paulinho haveria de se tornar conhecido não pelas façanhas no relvado (embora tenha acabado por protagonizar algumas), mas como técnico de equipamentos.

A GRANDE CONTRATAÇÃO Conta ainda Carlos Antunes: “Toda a gente ligada ao fenómeno do futebol conhece o Paulinho, o roupeiro. Hoje a designação parece ser a de técnico de equipamentos, mas esta questão da modificação das designações funcionais a que vamos assistindo é outro problema que não cabe aqui ser analisado. O Paulinho, o roupeiro da equipa principal de futebol do Sporting... Pode mesmo dizer-se que ele é mesmo o único elemento que ombreia em popularidade e mediatismo com os futebolistas, o que não acontece nas restantes equipas do nosso futebol. Haverá alguém capaz de se lembrar do nome do roupeiro do Benfica, ou do nome do roupeiro do Porto?”
Pouca gente, por certo. Assim como pouca gente conhece as circunstâncias em que se processou “a contratação do grande Paulinho”. De novo Carlos Antunes: “No decurso da minha passagem pelo Sporting, fomos contactados, eu e a então chefe de secção de pessoal, Fernanda Simões, por uma instituição de deficientes no sentido de saber até que ponto poderíamos colaborar na recuperação de um dos seus alunos, cuja característica principal era a de que se tratava de alguém cuja referência e modo de lhe fixar a atenção ter a ver unicamente com tudo o que se relacionava com o Sporting.”
E então, um belo dia, “apareceu-nos em Alvalade a responsável da instituição, acompanhada do Paulo Gama, que na altura, se me lembro, tinha dezasseis anos. Todos constatámos logo o ar de felicidade estampado no rosto dele por se encontrar em Alvalade; era certamente a realização dos seus sonhos. A responsável da instituição queria que analisássemos em conjunto a questão, ou seja, estava vago o lugar de roupeiro da equipa de futebol dos juvenis. As funções eram arrumar os equipamentos provenientes da lavandaria, limpar e engraxar as botas, etc. Ficou logo acertada a contratação do rapaz para o lugar.”
Numa primeira fase, ainda que se deslocasse diariamente às instalações do clube, para a prestação dos serviços atrás referidos, o Paulinho continuou entregue aos cuidados da instituição, a quem de resto o Sporting pagava a remuneração da sua colaboração. “O que interessa relevar é que, na sequência dos traços psicológicos detectados e das tarefas que lhe foram dadas, o Paulinho revelou desde o início uma enorme motivação; e, certamente como consequência, uma enorme dedicação e um enorme profissionalismo no exercício do cargo. Isso permitiu-lhe, já muito tempo depois da minha saída, a promoção ao lugar de técnico de equipamentos da equipa de futebol profissional, com um estatuto que só ele possui em Portugal.”
Trata-se, sem dúvida, de um “estória” feliz. “Uma ‘estória’ dos recursos humanos no futebol, em que foi possível, através do desporto e de um ideal, o de pertencer ao Sporting, proceder à recuperação integral de um deficiente. Uma pessoa que, para além de ter demonstrado capacidade para o exercício de uma profissão, superou através dela o essencial da sua deficiência, tornando-se, e isto é o mais importante, autónomo, não dependente, e plenamente integrado na sociedade.”
Ninguém duvida, com toda a certeza, de que foi uma grande contratação. Quanto ao Paulinho goleador, referido no início, ao que se sabe tornou-se fazendeiro, criador de gado. No Brasil, no lugar onde nasceu, a cidade de Cascavel.
Texto enviado por António Manuel Venda, editor do blog Floresta do Sul

terça-feira, 13 de novembro de 2007

O exemplo de Roland Linz

O ponta-de-lança austríaco Roland Linz (26 anos), que na época passada se mostrou em Portugal ao serviço do Boavista, chegou a ser hipótese para o Sporting. Mas não passou de hipótese. Acabou por ser transferido para o Sporting de Braga – tendo, no último domingo, marcado um dos três golos da equipa minhota na baliza de Tiago. Ainda jovem, Linz é um dos bons futebolistas estrangeiros a actuar em Portugal que seria um excelente reforço para o clube leonino para fazer dupla com Liedson no ataque. Seria um jogador caro para o orçamento do Sporting? Não creio, até porque o orçamento do Braga representa apenas um quarto do orçamento do clube de Alvalade. Por outro lado, o Sporting, que se deu ao luxo de dispensar os internacionais portugueses Carlos Saleiro e Varela, teve dois milhões de euros para pagar por Milan Purovic. Mais: ao contrário de Purovic, Linz tinha feito uma boa época e estava perfeitamente adaptado ao futebol português. Por que é que o Sporting não o contratou? Haverá muitas explicações, à medida dos interesses de cada um. Mas tudo indica que Linz não está no Sporting porque, actualmente, e por muito que os treinadores digam publicamente que deram o seu aval, a verdade é que as questões técnicas que deveriam determinar a contratação de todos os jogadores de um plantel são colocadas num plano secundário no momento da decisão. Para muitos, o que conta mais é o alinhamento de um clube com este ou aquele empresário, com este ou aquele grupo de interesses. Ou seja, o que conta é o negócio. É uma certa indústria do futebol no seu esplendor, que está na origem da contratação de jogadores a esmo, tanto no Sporting, como no FC Porto e no Benfica. Estará o Sporting a ser vítima desse "sistema"? O que diria a administração do Sporting sobre isto? E Paulo Bento?... FOTO: Miguel Vidal (Reuters)

RECORTES LEONINOS

REFORÇOS AO RAIO-X

STOJKOVIC - A saída de Ricardo obrigou à contratação de um guarda-redes. Chegou o número 1 da baliza da Sérvia. Já provou o bom e o mau. Bons reflexos e presença na área, mas também pouca agilidade com os pés e sangue pouco frio. Sofreu cinco golos em 9 jogos.

PEDRO SILVA - Veio do Brasil (Corinthians) para reforçar a ala direita. Depois de uma passagem discreta pela Académica há duas épocas, regressou a Portugal para limpar a imagem. Ainda não conseguiu: uma lesão no primeiro jogo oficial da época não o trouxe de volta aos relvados.

GLADSTONE - O brasileiro ainda não convenceu nem adeptos nem o treinador. E quando Polga ou Tonel estão lesionados, a primeira opção é... Miguel Veloso. Alto e forte, o central ex-Cruzeiro (foi chamado por Dunga à selecção) é preterido por Paulo Bento - fez três jogos, um na Taça da Liga.

MARIAN HAD - Tello fugiu para a Turquia e o lado esquerdo da defesa ficou entregue a Ronny. O checo Marian Had, alto (1,89m) e dependente do pé esquerdo, foi contratado para o lugar do adaptado Tello. Mas uma lesão e a boa forma de Ronny atiraram-no para o esquecimento (participou em 4 encontros, um para a Taça).

VUKCEVIC - Veio rotulado de craque. E é-o, mas aos soluços. Faz parte do losango do meio-campo (bem como Izmailov), mas, à semelhança do russo, este montenegrino ainda não se conseguiu impor: participou em 9 jogos, apenas completou quatro... Do seu pé esquerdo já saíram dois golos e algumas assistências.

IZMAILOV - O russo foi a melhor contratação deste defeso. Já rendeu um título (Supertaça) e saíram do seu pé direito dois dos golos do triunfo sobre o V. Guimarães e duas assistências para os golos de Liedson à Roma (2-2). Mesmo assim, Izmailov tem poucos minutos nas pernas e já passou por lesões (2 jogos completos na Liga).

DERLEI - Chegou carregado de cepticismo. Não havia triunfado no Benfica e a sua forma parecia longe da que levou o FC Porto à conquista da Europa. Um início fulgurante, com um golo à Académica, prometeram uma dupla terrível com Liedson. Mas uma lesão grave no joelho tirou o palco ao brasileiro. Até hoje.

PUROVIC - É o bode expiatório para o falhanço das contratações. O seu andar tosco e a sua altura (1,93m) não se impõem no futebol rápido do Sporting. A ele se pedem golos que caem às pinguinhas: um em sete jogos na Liga.
FONTE: “Público”, 13-11-2007

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

O fim de um ciclo

A derrota estrondosa do Sporting no Estádio do Braga, aliada aos altos e baixos da equipa de Alvalade nas últimas semanas, à gestão do plantel às ordens de Paulo Bento e aos problemas que se vivem nos bastidores do clube leonino, em que a "saída" e o "regresso" de Carlos Freitas foi o episódio visível, encerra todos os condimentos de um fim de ciclo.
Nos últimos tempos de José Peseiro no Sporting, no Outono de 2005, o plantel também parecia curto de soluções para além dos onze jogadores escalados para cada jogo. O problema estava em Peseiro e nas circunstâncias, parte delas criadas por ele próprio no fim da época de 2004-2005, ao não ter apresentado a demissão após ter perdido o campeonato e a final da Taça UEFA. Era o fim de um ciclo.
Quando Paulo Bento foi chamado a treinador principal, bastou-lhe retocar a equipa com o lançamento de novos valores do plantel que estavam esquecidos por Peseiro para conquistar os adeptos. Nessa altura, Paulo Bento surpreendia e arriscava. Lançou Nani e André Marques, por exemplo. E até foi aos juniores buscar Tomané e David Caiado para um jogo em Braga para o qual não tinha jogadores suficientes, porque tinha decidido “castigar” a indisciplina no balneário.
Este ano, Paulo Bento, mais conservador, perdeu a aura de vencedor e está demasiado comprometido com um certo “sistema” que hoje é contestado no Sporting, por quem o treinador tem dado o peito às balas. E já não é mais aquele treinador que ousa arriscar no lançamento de novos valores. O que se viu em Braga foi Paulo Bento a tirar Ronny para meter Purovic, voltando atrás pouco tempo depois quando a equipa já tinha naufragado. Este ano, está a faltar-lhe a capacidade de arriscar e de inovar. Há jogadores que já devem sentir-se “encostados”. Que motivação terá Gladstone? E Adrien Silva? E Paulo Renato? E Celsinho? Porque integram o plantel se não são chamados a jogar? E Rui Patrício também não merece uma oportunidade na baliza?
Ora, esta época, Paulo Bento, cuja contratação teve justamente a ver com o facto de estar identificado com o projecto de formação da Academia do Sporting, não conseguiu lançar nenhum novo valor formado no clube e ficou refém de uma dezena de novos jogadores que tardam em confirmar as credenciais que estiveram na origem da sua contratação. É por isso que a manta está cada vez mais curta e a cheirar ao fim de um ciclo. O que virá a seguir não se sabe, seja com Paulo Bento ou sem Paulo Bento. Por aquilo que o treinador e os jogadores disseram ontem após o descalabro, algo terá forçosamente que mudar. FOTO: José Manuel Ribeiro (Reuters)

domingo, 11 de novembro de 2007

Futebol do Sporting por um canudo

Uma equipa do Braga com um treinador interino, mas bem afinada e com muitos recursos; um Sporting mais uma vez sem atitude e sem suplentes à altura no banco; e um árbitro com uma dose q.b. de habilidade, mas irrelevante para o caso. Eis os factores que ditaram o desmoronamento da equipa leonina, à 10ª jornada da I Liga Portuguesa. Em Braga, o Sporting voltou aos jogos vergonhosos, quatro dias depois de uma excelente exibição para consumo internacional.
O projecto de Paulo Bento no Sporting parece estar falido ou à beira da falência, desde logo pelo facto de, mais uma vez, o treinador ter sido contrariado pelos jogadores dentro do campo. O treinador pedira mais daquele Sporting que tinha reduzido a AS Roma a uma equipa banal e os jogadores mostraram mais daquele Sporting que foi humilhado pelo Desportivo de Fátima. O Sporting entrou retraído e nunca teve bola para impor o seu jogo. Os bracarenses chegavam sempre primeiro e corriam mais. Por isso ganharam.
Quando o Braga marcou o terceiro golo e Paulo Bento mandou entrar Marian Had, estava tudo explicado. A equipa estava mesmo à deriva. E o treinador também. Do alto da bancada presidencial, o presidente Filipe Soares Franco, desta vez com Carlos Freitas a seu lado, assistia ao triste espectáculo. O Sporting, sob o comando técnico de Paulo Bento, jamais perdera por mais de dois golos de diferença. No final, Paulo Bento fazia declarações de enorme impacto que prenunciam consequências durante a semana. “O Sporting está no lugar que merece, porque não tem feito um bom campeonato” e “não fomos dignos de representar o Sporting esta noite” foram algumas das frases que se ouviram da boca do treinador. O “capitão” João Moutinho também disse que este jogo não era para esquecer. Oxalá não seja.
Para além de uma vitória do Braga sobre o Sporting, o que aconteceu no estádio bracarense foi também uma vitória do empresário Jorge Mendes sobre o “gestor de activos” leonino Carlos Freitas. Como diria Octávio Machado, eles sabem do que é que eu estou a falar…
Em jeito de balanço, ao fim de dez jogos disputados na I Liga, que correspondem ao primeiro terço da prova, o Sporting já perdeu doze pontos, mais do que um ponto por jogo. O FC Porto tem mais oito e o Benfica mais quatro. No ano passado, também à décima jornada, o Sporting tinha perdido sete pontos e tinha à sua frente apenas o FC Porto, com mais dois. As coisas estão piores.

sábado, 10 de novembro de 2007

O desafio de Braga

Neste domingo, os jogadores do Sporting têm um desafio pela frente: provar em Braga que são capazes de jogar sempre o melhor possível, seja para a Taça da Liga, a Taça de Portugal, a I Liga ou a Liga dos Campeões. Paulo Bento já balizou o que espera: "O jogo de Braga vai ser o da continuidade do que fizemos com a Roma." Se assim for, os títulos estão ao nosso alcance, independentemente de alguns erros de "casting" no plantel, reconhecidos pelos próprios responsáveis. O que todos os sportinguistas esperam é que a equipa revele a atitude necessária para vencer. No final da cada jogo, o Sporting até pode não conseguir o objectivo de vencer, mas é preciso que a equipa, ao longo dos noventa minutos, nos convença de que não foi possível fazer melhor. Como aconteceu com a AS Roma.

Obs. - Seria importante que não fosse criada uma "novela" em torno do futuro de Liedson (um atleta que subiu na minha consideração ao dizer que, a jogar por uma selecção nacional, seria sempre pela brasileira). Talvez o presidente Filipe Soares Franco possa ter uma palavra a dizer ou uma atitude a tomar nesse sentido. Depois de tantas novelas, só nos faltava mais esta.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Um "caso" por resolver em Alvalade

O treinador Paulo Bento – vá-se lá saber porquê… – tinha dito que o presidente Soares Franco seria a primeira pessoa a falar sobre as conclusões daquele enigmático jantar de segunda-feira, onde Carlos Freitas foi “chamado à razão” - segundo palavras do próprio - e decidiu continuar em Alvalade. Para além de Freitas, estiveram nesse jantar Soares Franco, Miguel Ribeiro Teles, Pedro Barbosa e Paulo Bento. Não se entendeu a presença destes dois últimos – dado que estava em causa um superior hierárquico –, mas, enfim, quem manda no Sporting é que sabe.
O curioso é que Soares Franco não disse uma palavra depois dessa reunião, ele que, antes da mesma, tinha dito que o que Carlos Freitas decidisse estaria bem decidido. Sem o “tapete” presidencial, Freitas acabou por ser forçado a vir a público dar explicações. Depois da reunião do Conselho Leonino, em que viu a sua gestão elogiada, Franco continuou em silêncio e deixou Freitas a falar sozinho: na noite de quinta-feira, na “SIC Notícias”, e nesta sexta-feira, no “Record”. Mas a ofensiva mediática do homem das “contratações leoninas”, depois de oito anos na discrição dos gabinetes, não correu bem. Carlos Freitas – que falara na necessidade de uma série de condições para continuar no clube e acabou por continuar nas condições em que estava –, foi obrigado a reconhecer a existência de contratações falhadas. Depois deteve-se a explicar o seu sportinguismo recente (o que é irrelevante para a função que ocupa). E algumas das perguntas a que Freitas deveria ter respondido, nomeadamente sobre a súbita viragem do Sporting ao mercado do Leste europeu, nem sequer foram colocadas pelos jornalistas…
O administrador da SAD leonina voltou ao trabalho, mas continua a ser um “caso” por resolver em Alvalade. Basta recordar a entrevista de Miguel Ribeiro Teles ao “Diário de Notícias” – o único dirigente leonino a defender Carlos Freitas – e juntar o silêncio de Filipe Soares Franco, agora elogiado no Conselho Leonino.

SPORTINGUISTAS NO HI 5

Ruivita, Lilyan, Irina e Patrícia: quatro das Cheerleaders do Sporting.

Obs. - O LEÃO DA ESTRELA divulga as fotografias de sócios ou adeptos do Sporting Clube de Portugal que tenham página no HI 5. Para que a fotografia seja publicada é condição essencial que a imagem esteja alojada no HI 5 e que identifique a pessoa como sportinguista, exibindo qualquer adereço alusivo ao Sporting (camisola, calção, cachecol, etc.). As interessadas e os interessados devem enviar as imagens para o endereço leaodaestrela@gmail.com, acompanhadas pelo primeiro e último nome e município de residência.

As férias de Carlos Freitas

Em entrevista à SIC Notícias, em que foi notória a ausência das perguntas que o jornalista Rui Santos faria se lá estivesse, o administrador da SAD do Sporting, Carlos Freitas, revelou uma coisa extraordinária: “Com a concordância do presidente Soares Franco e do vice-presidente Miguel Ribeiro Telles, acordei entrar num período de avaliação das condições por que estávamos a passar. É evidente que o período menos bom da equipa esteve na origem desta minha vontade em parar”, declarou Freitas, que é responsável pela política de aquisições, vendas e dispensas de jogadores do clube, tendo assim explicado o facto de ter metido uns dias de férias. Se a moda pega, não faltarão jogadores do Sporting a bater à porta do departamento de recursos humanos da SAD com um pedido de férias para reflexão, podendo alegar que não sentem a confiança do treinador ou que são assobiados pelo exigente público de Alvalade. Se um jogador que chega de longe pode ter largos meses ou anos para se adaptar ao Sporting, também não há razão para que não tenha um tempo de férias para reflectir...

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Os clubes e a memória

Antes do Sporting-Roma, o Estádio José de Alvalade cumpriu um minuto de silêncio. Por momentos, ainda pensei que tivesse sido uma iniciativa do Sporting em memória das 15 vítimas mortais do acidente rodoviário no distrito de Castelo Branco. Não. Tratava-se de homenagear a memória do sueco Nils Liedholm, um antigo treinador dos romanos, falecido no último fim-de-semana. A AS Roma é um clube com memória. Ao contrário do Sporting. Nas últimas semanas faleceram os antigos treinadores Rodrigues Dias e Juca, que foram responsáveis por vários títulos do clube leonino, mas não tiveram direito a minutos de silêncio. Os clubes não são todos iguais.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

A crueldade e o cinismo italianos

Os jogadores do Sporting, todos, não mereciam. Paulo Bento não merecia. O excelente público que acorreu a Alvalade (apesar de não ter enchido o estádio, longe disso), também não merecia. Nenhum sportinguista merecia. Mas a AS Roma serviu em Alvalade uma enorme dose de crueldade e cinismo, na forma como entrou no jogo a ganhar (marcando aos 4 minutos no primeiro remate à baliza) e como saiu a empatar (marcando através de um desvio involuntário de Anderson Polga, que traiu o guarda-redes Tiago). Pelo meio, entre estes dois momentos fatais para o projecto europeu do Sporting Clube de Portugal, assistimos à melhor exibição da equipa de Paulo Bento nesta temporada, traduzida em dois golos do magnífico Liedson, reduzindo a AS Roma a um conjunto de jogadores banais, e ficámos ainda a saber que os árbitros da UEFA, afinal, também são vesgos como muitos dos portugueses, como ficou patente quando a equipa de arbitragem liderada pelo belga Frank de Bleeckere anulou um auto-golo limpo do guardião italiano.
Nesta Liga dos Campeões, embora tudo ainda seja possível, resta ao Sporting lutar pela conquista do maior número de pontos nos dois jogos que faltam (Manchester United e Dínamo de Kiev), de modo a conseguir o passaporte para a Taça UEFA. Paulo Bento já apontou, e muito bem, a vitória como objectivo em Inglaterra. Em termos nacionais, é preciso que a equipa leonina faça tudo por obrigar os seus adversários na I Liga, na Taça da Liga e na Taça de Portugal a pagarem com juros a factura deste empate cruel com a AS Roma. Por aquilo que vimos hoje, pelo menos nas provas nacionais, o Sporting pode ganhar aquilo que os seus jogadores quiserem. Haja Esforço, Dedicação e Devoção, que a Glória está ao nosso alcance. FOTO: José Manuel Ribeiro (Reuters)

O Mundial de Madaíl

O presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Gilberto Madaíl, diz que Portugal pode candidatar-se à organização do Mundial 2018, pelo que preconiza a ousadia que permitiu a organização do Euro 2004. O problema de Madaíl é ser demasiado ousado. Portugal organizou o Euro 2004 e gastou milhões de contos na construção de estádios que estão às moscas. Alguns até já são transformados em pistas de automóveis ocasionais, como acontece no Algarve. O Europeu serviu para mostrar ao mundo uma montra do futebol português muito bonita, mas sem nada dentro do armazém. Ou melhor, com um armazém cheio, mas só de clubes falidos, de “fruta”, de “café simples” e de “café com leite”, fazendo do futebol português uma farsa desportiva. Construíram-se e modernizaram-se estádios com o apoio do Estado, ou seja, com os nossos impostos. Porém, curiosamente, deixaram ao abandono o Estádio Nacional, no magnífico vale do Jamor, o que, num País civilizado, deveria ser considerado um escândalo. O problema é que o Estádio Nacional não tem ninguém que o defenda, nem sequer o Instituto do Desporto de Portugal, do dr. Laurentino Dias. É um corpo morto que não dá votos nas assembleias gerais da Federação ou da Liga. Foi por isso que foi esquecido. Ah! E também ainda não fizeram a prometida Casa das Selecções. Portugal poderá candidatar-se à organização de um Mundial. Mas seria bom que cuidassem primeiro de questões básicas que há muito minam a credibilidade do nosso futebol. Para que tenhamos algo mais do que os excelentes executantes que todos os anos entram no mercado mundial.

Esforço, Dedicação, Devoção e Glória...

Num dia muito importante para os objectivos do Sporting na Liga dos Campeões 2007-2008, o LEÃO DA ESTRELA recorda os Leões Indomáveis de 1964, que, com Esforço, Dedicação, Devoção e Glória, trouxeram para Lisboa a Taça das Taças, tendo sido a única equipa portuguesa a conquistar este troféu da UEFA. Que esta imagem, que nos mostra aqueles que escreveram uma das páginas mais brilhantes e gloriosas da história centenária do futebol do Sporting Clube de Portugal, transmita força, confiança e inspiração à equipa de Paulo Bento para o jogo desta noite com os italianos da Roma...

terça-feira, 6 de novembro de 2007

O discurso do rendimento mínimo

O discurso positivo e ambicioso de um general é decisivo para manter o moral das tropas em alta. No futebol, o discurso de um treinador também é fundamental para motivar uma equipa. Vem isto a propósito das considerações de Paulo Bento sobre o jogo desta quarta-feira com a AS Roma, decisivo para o futuro do Sporting na Liga dos Campeões. Uma vitória por 1-0 é o que pede o treinador leonino, para que a equipa continue a lutar pela presença nos oitavos-de-final da prova. A questão é esta: será bom para uma equipa que um treinador afirme que “basta ganhar por 1-0”? Isso não será o primeiro passo para que a equipa comece a defender e a perder a iniciativa de jogo logo após marcar o tal golo que basta, apareça ele aos 10, aos 20 ou aos 30 minutos, como já aconteceu muitas vezes, levando a equipa do Sporting a uma prestação de rendimento mínimo, sofrendo o que não devia ou não atingindo os seus objectivos?
Bom, esperemos que os jogadores leoninos sejam “donos do jogo”, que actuem “de forma equilibrada”, que não permitam à Roma “jogar da forma que mais gosta", que assumam “riscos” e mantenham “a concentração”, como preconiza Paulo Bento. Mas que não entrem em campo a pensar em jogar só para o 1-0. Isso poderia ser fatal.

Carlos Freitas sem tapete em Alvalade

“Carlos Freitas tem sido um brilhante profissional do Sporting, dando muito ao clube ao longo dos oito anos que serve o clube. Por isso, gostaríamos que continuasse a colaborar connosco no seio da administração da SAD, mas a decisão é apenas dele. E, seja sim ou não, será sempre aceite unanimemente, pois de certeza que não haverá qualquer movimento para o convencer na sua decisão.” A informação ainda é escassa e contraditória sobre o que vai acontecer na SAD leonina, mas, para já, não restam grandes dúvidas de que Carlos Freitas não estaria à espera de declarações tão desprendidas de Filipe Soares Franco em relação ao gestor de activos e à sua continuidade, ou não, em Alvalade. Por outras palavras, o presidente do Sporting pegou num molho de pinças e tirou o tapete ao homem das contratações.
De resto, há uma declaração do presidente do Sporting que é central nesta “novela”, a qual tem a ver com o exercício da crítica como um direito de qualquer sportinguista ou de qualquer profissional da comunicação. Disse Soares Franco: “A crítica tem de ser aceite e nós estamos cá para aceitá-la e todos os que estamos nestes lugares temos de estar conscientes de que vamos sofrer críticas justas e outras que são injustas.”
Não me lembro de ter ouvido algum presidente de um grande clube português a dizer isto antes de Soares Franco. Ora, a defesa do direito à crítica – que transporta um saudável espírito democrático que o Sporting deve promover, sem deixar de tornar o clube permissivo a quem não está de acordo com o modo como está a ser gerido nos vários domínios – acaba por ser uma crítica muito forte do presidente do Sporting a Carlos Freitas, pois esvazia quaisquer queixas que o gestor de activos pudesse ter e que o tinham levado a um estranho pedido de condições para continuar em Alvalade. Deste modo, o problema é mesmo de Carlos Freitas. “Há uns que aguentam e outros que não”, como disse Soares Franco.
Em conclusão, tudo indica que Carlos Freitas tenha ficado com a porta de Alvalade aberta para sair. E que, se continuar, deverá ficar com o espaço de manobra mais reduzido, para além de passar a carregar a ideia de que está agarrado a um lugar bem pago. Filipe Soares Franco revelou, finalmente, quem manda em Alvalade. Resta saber as consequências desse sinal. É uma questão de horas ou dias. FOTO: "Record Online"

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

RECORTES LEONINOS Blogosfera

PROFISSIONAIS DA INTRIGA
"(…) Baseiam o seu poder numa complexa teia de equilíbrios, cuja manutenção assegura a sobrevivência do topo da pirâmide. É, por isso, que os poderes fracos temem estes profissionais da intriga. Escondem a sua incompetência através de "recados" que passam para os seus amigos nos jornais, em troca de uma "cacha", ou de qualquer outro bem mais ou menos comercializável.
Geralmente são pessoas não eleitas, que fogem ao sufrágio dos sócios, mas garantem ordenados de estrelas. São cristãos-novos, sem eira nem beira, mercenários da bola, sem paixão por um clube, apenas pela sua carteira. Gostam de se fazer fotografar junto ao relvado, em dias de treino, falando com jogadores ou com treinadores. Gostam de mostrar que controlam aquele pequeno mundo. Vestem "fatos" de directores desportivos, gestores de activos, “managers”, chefes de gabinete. Disputam o palco com as mais cintilantes estrelas dos relvados e quanto mais ausente for um presidente, mais espaço de manobra têm. É neles que está a origem da turbulência interna nos clubes. Luís Filipe Vieira sabe disso, topa-os à distância [no Benfica]. E, por isso, não hesita em chamar os bois pelos nomes. Noutros clubes, a história é outra – lança-se a atoarda contra os comentadores de domingo ou editores de blogues. Nesses clubes, pouco habituados à livre expressão democrática das ideias, protege-se quem mina, quem intriga, quem causa a instabilidade. Sem coragem para pôr ordem na casa, ataca-se quem desmascara a fraude. O intriguista percebe o perigo de quem escreve que ele comprou gato por lebre e arranja dois ou três amigos, sem talento nem ideias, para defenderem a gamela.”
FONTE: O Inferno da Luz, 04-11-2007

A VOZ DO DONO
“Filipe Soares Franco veio um destes dias a público queixar-se de certos blogs com tendência sportinguista e isso foi uma demonstração inequívoca de que, de facto, este espaço na Internet começa a incomodar aqueles que julgam ter a Comunicação Social controlada. Não quero com isto dizer que Soares Franco, apesar dos seus muitos defeitos, patrocine esse poder, mas tem gente a seu lado que sabe como controlar jornais e jornalistas. Não considero por isso coincidência que João Sanches e Bernardo Ribeiro, jornalistas de “O Jogo” e “Record”, tenha dedicado algum espaço aos tais blogs e isso acontece quando se sabe que Carlos Freitas, “amiguíssimo” de ambos, tem um grave problema para resolver no seio do Sporting. (..)
Claro que eles estão preocupados com os blogs porque já verificaram que estes começam a ser mais credíveis que os seus escritos. Começam a ganhar espaço e os jornais a baixarem as vendas. É isso que os incomoda e se não incomodasse, ninguém falava deles. (…) Diz o Sanches, de “O Jogo”, que os bloguistas recolhem informação em tascas. Esqueceu-se este escriba dos ambientes que o seu patrão frequenta (…). Não recebemos recados no “Snob”, não somos escutados pela PJ a vender e a fabricar notícias, nem frequentamos o Elefante Branco encostados ao nosso protegido. (…) Somos gente séria e é isso que incomoda e vamos continuar a incomodar porque ainda não vi em nenhum blog ataques pessoais baseados em mentiras ou ofensas.”
FONTE: Blog da Bola, 03-11-2007

OS NOSSOS CAMPEÕES (5) Manuel Fernandes

Dos grandes jogadores portugueses do século XX, o avançado Manuel José Tavares Fernandes, conhecido por Manuel Fernandes, ou simplesmente por "Manel", foi um dos últimos a permanecerem mais tempo na primeira equipa do Sporting. Nascido em 6 de Junho de 1951, em Sarilhos Pequenos, na Moita, representou o Sporting entre 1975 e 1987, conseguindo, 20 anos depois, manter-se como um dos símbolos do clube. Chegou a Alvalade com a missão de fazer esquecer o argentino Hector Yazalde, depois de uma temporada de sucesso da antiga CUF, que se tornou a equipa-revelação do campeonato português, classificando-se em quarto lugar e garantindo uma participação histórica na Taça UEFA, tendo para isso sido decisivo um golo de Manuel Fernandes, que derrotou o FC Porto. De seguida, surgiram convites de Alvalade, das Antas e de Belém. Manuel Fernandes aceitou o convite que lhe foi feito pelos “leões”, pois lembrou-se da premonição da mãe, que lhe dissera que ele haveria de jogar no Sporting, que era o clube de toda a família. Foi campeão nacional em 1979-80 e 1981-82, venceu a Taça de Portugal em 1977-78 e 1981-82, e conquistou a Supertaça em 1982-83. Com o maliano Keita e o brasileiro Manoel, e mais tarde com os portugueses António Oliveira e Jordão, integrou linhas atacantes temíveis do Sporting nos anos setenta e oitenta. Por vários motivos, incluindo algumas lesões, passou ao lado de uma presença mais assídua na selecção nacional, tendo registado, ainda assim, 31 internacionalizações, mas foi injustamente afastado da fase final do Mundial do México-86, apesar de nesse ano ter sido o melhor marcador do campeonato português, aos 35 anos, com 30 golos marcados. Também injustamente, acabou por sair do Sporting para terminar a sua carreira no Vitória de Setúbal, em 1989. Como treinador, e fora de Alvalade, Manuel Fernandes trabalhou no V. Setúbal, Estrela da Amadora, Ovarense, Campomaiorense, Tirsense, Santa Clara e Penafiel. Actualmente trabalha em Angola, como treinador do ASA, sendo esta a sua primeira no estrangeiro. No Sporting, foi adjunto de Bobby Robson, em 92-93 e 93-94, e teve a sua oportunidade de ouro como treinador principal em meados de 2000-2001, substituindo Augusto Inácio, numa época atribulada para o Sporting, tendo, ainda assim, conquistado a Supertaça Cândido Oliveira. Manuel Fernandes gosta de recordar dois momentos na sua carreira no Sporting: o facto de ter marcado um golo na vitória sobre a União de Leiria que deu o título na época de 79/80 e de ter marcado quatro golos no célebre jogo dos 7-1 sobre o Benfica, realizado a 14 de Dezembro de 1986. "Marquei quatro golos, uma sensação inesquecível... Mas, sinceramente, mais do que qualquer golo ou qualquer jogo, o maior momento de glória da minha vida foi aquele em que vesti, pela primeira vez, a camisola do Sporting", lembra o antigo "capitão".

Obs. – O LEÃO DA ESTRELA aceita e agradece opiniões e correcções.

domingo, 4 de novembro de 2007

Liedson com a equipa às costas

SPORTING-NAVAL, 4-1 (I Liga Portuguesa, 9ª Jornada) - O brasileiro Liedson voltou às grandes noites e foi decisivo para a vitória robusta do Sporting sobre a Naval 1º de Maio, que recolocou a equipa leonina a sete pontos do FC Porto. Tal como acontecera em Fátima, no jogo anterior, para a Taça da Liga, e numa altura em que a Naval estava a ser mais perigosa e tinha acabado de rematar ao poste, foi o génio de Liedson que, aos 62’, desempatou um jogo que vinha mostrando um Sporting adormecido, permeável e desconexo, como nos últimos tempos.
O centésimo golo de Liedson com a camisola verde e branca foi um hino ao futebol, ficando como um dos melhores golos da sua carreira e desta I Liga Portuguesa. Descaído sobre o lado esquerdo da meia-lua, o avançado brasileiro, rodeado de quatro adversários, criou um espaço e atirou em arco sem hipóteses para o guarda-redes Taborda. Pouco depois, foi a grande atitude competitiva do mesmo Liedson - como o Sporting seria diferente se o seu exemplo fosse seguido por todos!... - que o levou a disputar uma bola que estava dominada por Taborda, mas a pressão do avançado levou o guarda-redes a falhar a reposição e a derrubar o jogador do Sporting. O guardião da Naval foi expulso e foi assinalada a respectiva grande penalidade. Chamado a converter, João Moutinho falhou, embora, desta vez, não possa justificar-se com o excelente novo relvado do Estádio José Alvalade. Depois, a expulsão de Taborda permitiu ao Sporting assumir o domínio da partida, que, até ao fim, foi traduzindo com mais dois golos.
A vitória do Sporting é justíssima, mas o seu futebol continuou a revelar as insuficiências do costume. A equipa entrou disposta a resolver o jogo a seu favor, tal como prometera Paulo Bento, mas, depois de marcar o primeiro golo, por João Moutinho, aos 10’, o conjunto voltou a perder gás, como se o resultado de 1-0 fosse suficiente para cumprir a obrigação. Não foi porque a Naval passou a ter mais a bola nos pés e chegou ao golo do empate ainda antes do intervalo, graças a um “frango” de Stojkovic – um guarda-redes que, pelo que já vimos, é capaz de fazer defesas impossíveis e de consentir “frangos” improváveis.
No segundo tempo, a inspiração de Liedson tratou de esconder esse erro e os falhanços de Purovic, que, em duas ocasiões, com a baliza à mercê, revelou toda a sua falta de qualidade. Por isso, foi sem glória que o montenegrino saiu aos 73’, para dar lugar a Gladstone, esse sim, cheio de sorte, pois marcou o quarto golo ao encostar o pé a uma bola que tinha sido chutada por Romagnoli e devolvida, com estrondo, pelo poste. Isto foi já no período de descontos. A tranquilidade tinha chegado aos 85’, por Simon, que também só teve que encostar uma bola vinda de uma defesa incompleta do guarda-redes da Naval, a remate de Liedson. Destaques no Sporting para Liedson, Romagnoli, João Moutinho e Ronny (duas assistências para golo). FOTOS: Armando França (AP Photo) e Nacho Doce (Reuters)

Obs. - Como se viu, e ao contrário do que se passou neste fim-de-semana com o FC Porto e o Benfica, o Sporting não precisou do árbitro para conquistar os três pontos. Pelo contrário, até se pode queixar de um lance de jogo perigoso sobre Liedson que, seguindo a opinião da equipa de arbitragem, teria que implicar a marcação de uma grande penalidade. Porque a falta foi cometida dentro da área e não fora, como entendeu o árbitro, que assinalou livre directo.

O "sistema" no seu melhor

Primeira página de "O Jogo" dos dias 3 e 4 de Novembro de 2007

sábado, 3 de novembro de 2007

Os "craques" de Carlos Freitas

A “imprensa” amiga de Carlos Freitas tem vendido a face positiva do administrador da SAD do Sporting, com referências aos títulos conquistados nos últimos oito anos (poucos, infelizmente, se nos lembrarmos da ambição do "Projecto Roquette") e muitas fotografias das contratações que deram certo. No diário “O Jogo”, de sexta-feira, Freitas é apresentado como um “gestor de títulos”, ao lado das fotografias dos “craques” brasileiros André Cruz, Anderson Polga, Liedson e Mário Jardel. Só não publicaram a fotografia do João Pinto, o famoso “pai de Jardel” e de outros, porque, como se sabe, o seu contrato deu para o torto, estando sob investigação judicial, pelo que seria “chato” mostrar agora João Pinto ao lado do “gestor de activos”…
A verdade é que a grande maioria dos jogadores contratados, entraram no Sporting e não foram valorizados. Carlos Freitas, quando precisava de mostrar serviço, esteve perfeito naquele Inverno de 1999-2000, ao contratar César Prates, André Cruz e Mbo Mpenza. Deu ao treinador Augusto Inácio os jogadores de que precisava para ser campeão. O pior foi depois…
A começar pelo desvario que foi a contratação de quinze jogadores a seguir ao título de 2000, um dos quais, Rodrigo Tello, apareceu em Alvalade como “o melhor extremo-esquerdo da América Latina”, custando 7,5 milhões de euros – tendo sido o jogador mais caro da história do Sporting. Pior: Tello foi contratado em Janeiro de 2001 para corrigir desequilíbrios num plantel que tinha sido dotado com 15 novos jogadores no defeso anterior!... No ano em que mais dinheiro gastou com o futebol, o Sporting perdeu um título que parecia fácil (o Boavista foi campeão e o Benfica sexto classificado!...) e regressou ao terceiro lugar na I Liga.
Entre cerca de seis dezenas de jogadores, e num juízo certamente subjectivo, cerca de metade deles podem ser considerados os “barretes” que Carlos Freitas enfiou ao Sporting (entre compras e empréstimos). Lembremos alguns nomes: Chiquinho, Cáceres, Hugo, Dimas (foi contratado em fim de carreira e nunca se afirmou como titular devido a problemas físicos), Alan Mahon, Kirovski, Horvath, Bruno Caires, Robaina, Mário Sérgio, Sphear, Rodrigo Tello, Diogo, Luís Filipe, Nalitzis, Kutuzov, Marcos Paulo, Silva, Clayton, Mota, Koke, Paredes, Pinilla, Farnerud e Bueno.
Quando às nove contratações desta época (metade delas oriundas de Moscovo…), lá para Maio falamos. A verdade é que, das contratações dos últimos anos, Romagnoli foi o último jogador de campo a fixar-se como titular do Sporting e já está em Alvalade desde Janeiro de 2006, ou seja, há quase dois anos. De então para cá já foram contratados outros treze jogadores (todos estrangeiros) e, à excepção do guarda-redes Stojkovic, nenhum deles é, ou foi, titular indiscutível. Por outras palavras, e em conclusão, Carlos Freitas está a perder qualidades na detecção de jogadores baratos fora do País e está a ignorar os jovens formados na Academia do Sporting, contrariando o desejo anunciado pelo presidente Filipe Soares Franco. Isso é que é grave para o Sporting Clube de Portugal. O resto são tretas.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...