terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Sporting nos jogos mais vistos pela TV em 2008

Ao justificar a falta de público no Estádio de Alvalade, o presidente do Sporting, Filipe Soares Franco, num deslize verbal muito polémico, afirmou que há “uma crise de militância” dos sportinguistas e que os adeptos do Benfica têm uma militância mais forte.
O que é curioso é que a realidade vai desmentindo Soares Franco. Os sportinguistas podem não ir ao estádio em grande número, mas isso até pode ser entendido como um sinal de inteligência de quem não gosta de pagar gato por lebre. E uma sondagem do próprio Sporting até apontou o mau futebol praticado pela equipa de Paulo Bento como uma das causas do afastamento do povo do estádio…
A verdade é que a realidade confirma que os sportinguistas são tão ou mais fervorosos adeptos do seu clube do coração como os adeptos dos clubes rivais. Basta consultar um estudo da Marktest, publicado há dias, sobre os dez jogos de futebol e programas desportivos mais vistos nas televisões portuguesas, em 2008. Dos dez programas mais vistos, sete são relativos a jogos da selecção de Portugal, o que se compreende, mais a mais em ano de Campeonato Europeu de nações. O curioso é que os três jogos nacionais entre clubes que ficaram no “top ten” dos programas de futebol mais vistos na TV, em 2008, todos a contar para a Taça de Portugal, tiveram o Sporting como participante.
Em 16-04-2008, o Sporting-Benfica (vitória leonina por 5-3), disputado em Alvalade, foi visto na TV por 2.553.930 espectadores; em 18-05-2008, o FC Porto-Sporting (vitória leonina por 2-0 na final da Taça de Portugal), no Estádio Nacional, foi visionado por 2.270.160 espectadores; finalmente, em 09-11-2008, o Sporting-FC Porto (que terminou com a vitória dos nortenhos no desempate por grandes penalidades), foi visto por 2.393.127.
Dado interessante: nenhum dos jogos entre o Benfica e o FC Porto disputados em 2008 conseguiu entrar no “top ten” dos programas de televisão mais vistos em Portugal. Dá para reflectir...

domingo, 28 de dezembro de 2008

As entrevistas rápidas

Tal como outras estações de televisão, a Sport TV, do universo mediático do accionista do Sporting Joaquim Oliveira, faz as chamadas “entrevistas rápidas” a treinadores e jogadores, no final de cada jogo transmitido, no cumprimento, aliás, dos regulamentos da Liga Portuguesa de Futebol Profissional. Nos últimos jogos, os repórteres da Sport TV pediram para falar com três jogadores do Sporting que registam a particularidade de protagonizarem ou terem protagonizado “casos” em Alvalade: Miguel Veloso, Yannick Djaló e Vukcevic.
Os jogadores em causa, por mais de uma vez, recusaram ser entrevistados. Deveriam estar no seu direito, mas cometeram uma infracção – uma vez que as “entrevistas rápidas” fazem parte do espectáculo televisivo e estão previstas nos regulamentos da Liga, pelo que o Sporting foi multado. Na última jornada, frente à Académica, a reincidência custou 450 euros de multa aos cofres leoninos.
Percebe-se o interesse jornalístico da escolha daqueles jogadores (normalmente, as televisões pedem para falar com a figura do jogo de cada equipa, pela positiva ou, mais raramente, pela negativa). Como aqueles jogadores leoninos estão na berlinda, mesmo respondendo a perguntas pouco acutilantes, sempre poderiam dizer alguma coisa de “interessante” para a televisão (entendendo-se por “interessante” qualquer revelação menos trivial, ou seja, que ponha em causa o Sporting, evidentemente). Por isso, também se percebe a “recusa” dos jogadores em participar nessa parte do “espectáculo”, mesmo que por determinação da SAD do Sporting, que lhes paga no final do mês.
O que não se percebe é que o departamento de comunicação do Sporting se demita do seu trabalho de “organizar” as referidas “entrevistas rápidas”. Em vez de se colocar “às ordens” das televisões, para chamar pelo jogador pedido, o departamento de comunicação do Sporting teria obrigação de evitar estes problemas, agindo de uma forma simples, eficaz e profissional. Como? Impondo regras claras. E uma regra fundamental, articulada com a equipa técnica, seria nomear, mesmo antes do jogo, qual dos jogadores falaria no final em nome do grupo. Se assim fosse, o Sporting, para além de deixar de pagar multas estúpidas, seria olhado como um clube que impõe regras e seria, por isso, mais respeitado. E se uma televisão não quisesse ouvir o atleta escolhido pelo clube para prestar declarações, então já estaríamos a falar ao contrário: de uma televisão que recusou entrevistar um jogador do Sporting.

sábado, 27 de dezembro de 2008

RECORTES Erros de todos no caso Veloso

Sucedem-se os casos protodisciplinares nos grandes clubes portugueses. Desta vez foi Miguel Veloso, que não abriu a boca, mas assistiu de cadeirão à operação de chantagem que vem sendo montada pelo seu empresário, Paulo Barbosa, e pelo seu pai, António Veloso, este queixando-se que o Sporting, ao colocar o filho a defesa-esquerdo, está a fazer tudo para que ele saia, e aquele revelando, como que por acaso, que há conversações adiantadas com a Fiorentina.
Do caso, retiro duas coisas. Primeiro, que o comportamento do lado do jogador, com ou sem acordo deste, não tem cabimento num futebol altamente profissional como é o futebol de hoje. O pai Veloso, que jogou toda a vida a médio, a defesa-direito e a defesa-esquerdo, sabe bem que isso é natural, mas acha – ou alguém lhe disse – que os médios-centro são mais bem pagos do que os defesas-laterais e que, por isso, ao desviarem o filho para onde dá mais jeito à equipa, fazendo-o perder brilho individual, os treinadores do Sporting estão a prejudicá-lo e a impedir uma futura transferência. Ao dizer o que disse, exerceu uma pressão inaceitável sobre quem tem de decidir, em função dos interesses da equipa, que é o treinador. E este, se errou, nem foi tanto no desvio de Veloso para o lado esquerdo da defesa, mas sim na passagem para o banco de Yannick, melhor amigo de Veloso e também representado de Paulo Barbosa.
O que nos leva à segunda conclusão: se quer ser um clube formador, o Sporting tem de gerir estes casos de balneário antes de eles chegarem a extremos. Há que temperar a linha dura de ataque às estrelinhas com uma actuação cúmplice que as dobre a bem, seja de um dos adjuntos, do director desportivo ou de um qualquer vice-presidente. Porque a não ser assim, mesmo que resolvam o problema Veloso, muitos outros se seguirão.
AUTOR: António Tadeia, jornalista, “Diário de Notícias”, 27-12-2007

A entrevista de Tonel

O defesa leonino Tonel pode não ter dado “entrevista nenhuma” ao jornal escocês “Evening Times”, mas não deverá ter ficado assim tão irritado com a notícia que o indica como possível futuro reforço do Glasgow Rangers. Caso contrário, além do desmentido, Tonel teria, evidentemente, solicitado os serviços jurídicos da SAD do Sporting para que fosse accionado um processo judicial contra o jornal. É assim que costumam actuar as pessoas que se sentem prejudicadas quando são atingidas por uma imprensa sem escrúpulos. Neste caso, uma entrevista inventada até poderia gerar uma choruda indemnização...
Ao ficar-se pelo simples desmentido, quando, através do seu empresário, também são conhecidas notícias do descontentamento de Tonel face ao salário mensal que aufere em Alvalade (porque o "estatuto" subiu, entretanto), a ideia que fica é que, se não houvesse fogo, o jornal “Evening Times”, lá na Escócia, não teria fumo para lançar

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Os salários mais altos de ex-sportinguistas

1º Cristiano Ronaldo (Manchester United) 620.000 € p/mês (7.440.000 € p/ano)
2º Luís Figo (Inter Milão) 290.000 € p/mês (3.480.000 € p/ano)
3º Simão Sabrosa (Atlético Madrid) 250.000 € p/mês (3.000.000 € p/ano)
4º Ricardo Quaresma (Inter Milão) 250.000 € p/mês (3.000.000 € p/ano)
5º Nani (Manchester United) 150.000 € p/mês (1.800.000 € p/ano)
6º Nuno Valente (Everton) 128.000 € p/mês (1.536.000 € p/ano)
7º Luís Boa Morte (West Ham) 125.000 € p/mês (1.500.000 € p/ano)
8º Ricardo (Bétis Sevilha) 100.000 € p/mês (1.200.000 € p/ano)
9º Carlos Martins (Benfica) 80.000 € p/mês (960.000 € p/ano)
FONTE: Futebol Finance

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Os salários mais altos no Benfica

1º David Suazo 150.000 € p/mês (1.800.000 € p/ano)
2º Reyes 110.000 € p/mês (1.320.000 € p/ano)
3º Pablo Aimar 110.000 € p/mês (1.320.000 € p/ano)
4º Nuno Gomes 90.000 € p/mês (1.080.000 € p/ano)
5º Luisão 86.000 € p/mês (1.032.000 € p/ano)
6º Carlos Martins 80.000 € p/mês (960.000 € p/ano)
7º Katsouranis 76.000 € p/mês (912.000 € p/ano)
FONTE: Futebol Finance
FOTO: Armando França (AP Photo)

LEÃO DA ESTRELA na imprensa

"Jornal de Notícias", 24-12-2008

Os salários mais altos no FC Porto

1º Lucho Gonzalez 135.000 € p/mês (1.620.000 € p/ano)
2º Cristián Rodriguez 135.000 € p/mês (1.620.000 € p/ano)
3º Bruno Alves 100.000 € p/mês (1.200.000 € p/ano)
4º Lisandro Lopez 85.000 € p/mês (1.020.000 € p/ano)
FONTE: Futebol Finance
FOTO: Paulo Duarte (AP Photo)

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Os salários mais altos no Sporting

1º Liedson 110.000 € p/mês (1.320.000 € p/ano)
2º João Moutinho 100.000 € p/mês (1.200.000 € p/ano)
3º Fábio Rochemback 100.000 € p/mês (1.200.000 € p/ano)
4º Hélder Postiga 90.000 € p/mês (1.080.000 € p/ano)
5º Marco Caneira 75.000 € p/mês (900.000 € p/ano)
FONTE: Futebol Finance
FOTO: José Manuel Ribeiro (Reuters)

Livros de Natal em Alvalade

No Natal, trocam-se presentes. Pelo segundo ano consecutivo, o LEÃO DA ESTRELA andou pelas livrarias à procura de livros para oferecer aos jogadores do Sporting, assim como a alguns técnicos e dirigentes. Eis as escolhas:

FILPE SOARES FRANCO – “Português Suave”, de Margarida Rebelo Pinto.
SÉRGIO ABRANTES MENDES – “Eleições - Tudo que o Candidato Precisa Saber para Se Eleger”, de António de Pádua Tortorello.
DIAS DA CUNHA – “Se Eu Pudesse Viver Minha Vida Novamente”, de Rubem Alves.
ROGÉRIO ALVES – “A Audácia da Esperança”, de Barack Obama.
MIGUEL RIBEIRO TELES – “O Homem que Calculava”, de Malba Tahan.
RITA FIGUEIRA – “Piadas para Advogados”, de René Gado.
PEDRO BARBOSA – “A Casa do Silêncio”, de Orahn Pamuk.
AURÉLIO PEREIRA – “A Arte de Semear Estrelas”, de Frei Betto.
PAULO BENTO – “A Era da Turbulência”, de Alan Greenspan.
CARLOS PEREIRA – “A Gente Se Acostuma a Tudo”, de João Ubaldo Ribeiro.
RUI PATRÍCIO – “Aperfeiçoar as suas Apresentações”, de Steve Shipside.
TIAGO – “Racionalidade”, de Sofia Miguens.
RICARDO BAPTISTA – “Rendimento Mínimo Garantido”, de António Júlio Leitão Gomes.
STOJKOVIC – “Mudar de Vida”, de Luís Marques Mendes.
ABEL – “O Livro do Cortesão”, de Baldesar Castiglione.
PEDRO SILVA – “Doenças do Nosso Tempo”, de Philippe Presles e Catherine Solano.
TONEL – “Força para Recomeçar”, de Eliana Machado Coelho.
ANDERSON POLGA – “Seleção Brasileira – 1914-2006”, de Roberto Assaf e António Carlos Napoleão.
CANEIRA – “A Era da Falibilidade”, de George Soros.
DANIEL CARRIÇO – “Sinal Verde”, de Francisco Cândido Xavier.
GRIMI – “Controvérsias à Esquerda”, de Paulo Fidalgo.
RONNY – “Respostas Brilhantes para Entrevistas de Emprego”, de
Susan Hodgson.
MIGUEL VELOSO – “O Livro do Papai”, de Hélio de La Peña.
ADRIEN SILVA – “Fé e Futuro”, de Joseph Ratzinger.
JOÃO MOUTINHO – “Anjos Caídos”, de Harold Bloom.
ROCHEMBACK – “O Homem Lento”, de J. M. Coetzee.
PEREIRINHA – “Fé e Futuro”, de Joseph Ratzinger.
IZMAILOV – “Portugal Traduzido”, de John Wolf.
VUKCEVIC – “Reconciliação”, de Orlando Loureiro Neves.
ROMAGNOLI – “É Preciso Algo Mais”, de Elisa Masselli.
LIEDSON – “Estrela Solitária”, de Ruy Castro.
DERLEI – “Diga Trinta e Três”, de Nick Trout.
YANNICK DJALÓ – “Um Mundo Sem Queixas”, de Will Bowen
HÉLDER POSTIGA – “O Dragão Branco”, de Anne McCaffrey.
RODRIGO TIUÍ – “Onde Melhor Canta um Pássaro”, de Alejandro Jodorowsky.

sábado, 20 de dezembro de 2008

O chumbo de Paulo Bento

A roupa suja que Paulo Bento lavou em público na semana passada, a apontar o dedo à falta de profissionalismo de jogadores que não especificou, acabou por se virar contra ele próprio no jogo da 12ª jornada da Liga Portuguesa, em Alvalade, frente à Académica de Coimbra. A responsabilidade pelo empate do Sporting a zero golos tem de ser repartida pelo jogo colectivo da equipa de Coimbra, pela excelente exibição do seu guarda-redes, o esloveno Peškovič, pela ineficácia leonina na hora de definir os lances ofensivos, e, também, pelas escolhas erradas de Paulo Bento na formação da sua equipa.
Os jogadores não podem ser sempre os culpados pelas exibições más ou menos conseguidas. E contra a Académica, o treinador foi o “jogador” mais fraco do Sporting. Numa linguagem académica, podemos dizer que Paulo Bento não estudou bem a lição e chumbou neste exame táctico com o “estudante” Domingos Paciência, o que impediu o Sporting de entrar no ano novo dependendo apenas de si próprio para ser campeão nacional.
Paulo Bento, que há dias criticara a falta de atitude de alguns dos seus jogadores – sendo de presumir que três deles, Miguel Veloso, Vukcevic e Yannick Djaló, ficaram no banco talvez de castigo – falhou, desta vez, ao ter escolhido uma equipa com gente a mais sem velocidade e, portanto, sem capacidade para fazer desequilíbrios perante uma Académica muito povoada à retaguarda, com um jogo muito apoiado e em pressão constante sobre a bola pelo campo todo. A verdade é que o Sporting, que se apresentou com Caneira em vez de Veloso, Romagnoli em vez de Vukcevic e Hélder Postiga (muito, mas muito, perdulário) em vez de Yannick Djaló, começou lento e pastoso e foi melhorando já no decorrer da segunda parte, à medida que foram entrando Miguel Veloso, Vukcevic e Yannick Djaló, por esta ordem – curiosamente três jogadores conhecidos por terem tido arrufos com o treinador. Aliás, no dia em que Miguel Veloso, através do pai António, fez saber que o treinador do Sporting faz-lhe “a vida negra”, como se pode ler clicando aqui.
Mas foi com ele e outros “amuados” que entraram em campo que o Sporting acabou a partida numa pressão avassaladora sobre a baliza academista, embora sem o discernimento necessário, porque a equipa leonina estava a correr intranquilamente contra o muito tempo perdido. E a questão do tempo também tem de ser colocada: por que é que, no banco, foi preciso esperar pelo intervalo (foi pelo corredor de Caneira que a Académica criou perigo) e pelos últimos minutos do jogo para fazer as alterações que se impunham, uma vez que o jogo da Académica exigia mudanças de velocidade e imaginação?... Se a equipa insiste em continuar a dar primeiras partes de avanço aos adversários isso não será um problema que só poderá ser resolvido na esfera da equipa técnica? Quais são as verdadeiras razões desse desperdício, que tem impedido os sportinguistas de celebrar muitas vitórias e tem comprometido os objectivos desportivos anunciados?... FOTO: José Manuel Ribeiro (Reuters)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Encarar o Bayern de Munique

Encarar o poderoso Bayern de Munique sem falsas expectativas ou temores infundados é acreditar num jogo de futebol como uma disputa de onze contra onze que têm como objectivo meter a bola na baliza do adversário. Onze contra onze que representam duas equipas que estão, por direito próprio, nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. E que terão dois jogos entre si, em dois dos melhores palcos da Europa.
Como diria José Mourinho (para quem a qualidade do Manchester United só contribuirá para motivar ainda mais os jogadores do Inter de Milão, que não deixa de ser uma atitude paradigmática…), ao defrontar o Bayern de Munique, os jogadores do Sporting têm todas as condições para mostrar o que valem ao serviço do seu clube e, assim, justificarem as notícias constantes que dão alguns deles como futuros reforços de grandes clubes europeus. É agora que queremos ver o que valem Miguel Veloso, João Moutinho, Yannick Djaló, Liedson e companhia.
Encarar o Bayern de Munique como deve ser é ter a consciência de que quem joga no Sporting representa uma grande equipa portuguesa, com história feita no futebol europeu e que é responsável pela formação de alguns dos melhores futebolistas do mundo. É ter a consciência de que há 50 por cento de hipóteses para cada lado porque, quem chega a esta fase da Liga dos Campeões, só pode pensar em ganhar qualquer jogo que apareça no sorteio, por muito difícil que seja o obstáculo. É, também, ter a consciência de que representar o Sporting Clube de Portugal e ter a possibilidade de defrontar o Bayern de Munique na mais importante prova de clubes do planeta – o “Mundial de Clubes” não tem nada a ver com a Liga dos Campeões – é um privilégio que não está ao alcance de muitos jogadores no mundo inteiro.
Por tudo isto, o Bayern de Munique tem de ser um convite ao melhor que os jogadores do Sporting têm para dar, para que o clube de Alvalade siga em frente numa eliminatória gloriosa ou caia de cabeça bem levantada sem se desculpar com o medo paralisante da putativa qualidade superior do adversário. Porque o Sporting tem de ser sempre o melhor clube do mundo!...

A renovação de Liedson

“Ninguém sabe como vai estar o Mundo em Fevereiro de 2009. Não podemos prometer a renovação de nenhum contrato, que será sempre de dois ou três anos, a esta distância.”
Filipe Soares Franco sobre o processo de renovação do contrato com Liedson, "Record", 19-12-2008

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Os atributos de Sofia Arruda

A actriz Sofia Arruda, actualmente com 20 anos, que conhecemos quando ainda era uma criança na série televisiva "Super Pai", tem pelo menos um atributo que é desconhecido de muita gente: ela é uma grande sportinguista. É mais sum exemplo concreto a desmentir a ideia da "crise de militância" no Sporting. Como a foto documenta, Sofia Arruda, que agora integra o elenco da novela "Feitiço de Amor", da TVI, tem outros atributos, que fazem dela um valor emergente da beleza nacional. "Este trabalho é para mostrar que cresci", diz a leoa. Cresceu, sim senhor. Confiram na edição de Janeiro da revista "Maxmen".

LEÃO DA ESTRELA na imprensa

"Jornal de Notícias", 17-12-2008

"Jornal de Notícias", 10-12-2008

"Jornal de Notícias", 26-11-2008

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Mário Lino: uma homenagem que se impõe

Mário Lino jogador, treinador e, agora, delegado nos jogos das equipas de juniores e juvenis do Sporting. Faz 72 anos no próximo dia 9 de Janeiro.
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O avançado brasileiro Liedson afirma que se emociona com a história do Sporting. Liedson que, por direito próprio, já está na história do futebol leonino, nomeadamente, por ser o melhor marcador da equipa nas provas europeias. Mas que tem muito mais a conquistar com a camisola verde e branca, agora que comemora 31 anos de vida. Ao registar 123 golos marcados, pode, por exemplo, ultrapassar figuras histórias do ataque do Sporting, em número de golos, como Yazalde, João Lourenço, Figueiredo ou João Cruz. Vem isto a propósito de outra grande figura do futebol sportinguista, que é talvez o colaborador do Sporting com melhor palmarés desportivo como jogador e treinador. Refiro-me a Mário Lino, que foi campeão como jogador e treinador, e que continua a ser campeão, agora como funcionário da Sporting SAD para o departamento de futebol jovem. Mário Lino que, ao completar 72 anos no próximo dia 9 de Janeiro, merece uma grande homenagem da nação sportinguista, por tudo o que deu ao Sporting Clube de Portugal e pelo exemplo que o seu trabalho como jogador, treinador e dirigente, ao longo de 50 anos, constitui para todos aqueles que trabalham no futebol do Sporting, em particular os mais jovens, que por vezes parecem desconhecer a história centenária do clube. Curiosamente, sendo um homem da casa, que sofria com as derrotas e se alegrava com as vitórias, Mário Lino também não foi bem tratado e teve que abandonar o "seu" Sporting para voltar mais tarde, após uma longa travessia no deserto, que foi ocupando com títulos como treinador ao serviço de vários clubes portugueses. A propósito, o LEÃO DA ESTRELA recorda uma entrevista de Mário Lino ao jornalista do “Sporting” Jorge Vicente, em 09-04-2008:

JORNAL SPORTING – Como surgiu a ligação com o futebol na sua vida?
MÁRIO LINO – Comecei a representar o Faial muito cedo. Estava a chutar umas bolas com os amigos num campo a que chamávamos o «maracanãzinho», e, no campo principal, ia jogar-se o encontro de juniores entre o Faial e o Atlético e, como faltou um jogador, vieram chamar-me para integrar a equipa nessa partida. Tinha 13 anos e foi necessária uma autorização para poder jogar com colegas três e quatro anos mais velhos. Representei o Faial durante quatro anos, inclusive na equipa principal, conseguindo muitas vitórias, pois era um «crónico vencedor» no Faial. Fui observado por um dirigente do Lusitânia, e, pouco depois, fomos fazer um jogo com o clube, na Ilha Terceira, e a minha prestação a médio ofensivo agradou tanto que nem voltei ao Faial. Tinha uma irmã a residir em Angra e a minha mãe, que veio comigo para visitar a família, ainda regressou, mas eu fiquei, o que despoletou um processo difícil de desvinculação, que durou alguns meses. Graças à exigência de compensação financeira pela minha saída, esta operação foi a primeira transferência nos Açores com dinheiro envolvido, com o Faial a receber 15 mil escudos, que, à época, era uma verba considerável, junta, em parte, por entre os associados do Lusitânia.

JORNAL SPORTING – E a passagem para o Sporting?
MÁRIO LINO – O luso-húngaro Janos Biri, antigo jogador e treinador do Benfica, foi para o comando técnico do Lusitânia, e com os seus conhecimentos e a qualidade dos meus colegas, o clube era dominador nos Açores. Foi também o mestre Biri que desempenhou um papel fundamental na minha vinda para o Sporting. Apesar de ter representado o Benfica, Biri aconselhou-me ao Sporting como forma de retribuir um favor que o major Lobo da Costa e Abrantes Mendes fizeram à sua família, durante a segunda guerra mundial, que se julga ter a ver com a vinda para Portugal durante esses anos. Em 1958, vim para a tropa para o Campo Grande, e Abrantes Mendes foi ter comigo à recruta, por indicação do mestre Biri, para vir ao Sporting fazer um treino à experiência. Vim e participei num jogo-treino frente a uma equipa da Força Aérea, vestindo, pela primeira vez, a camisola do Sporting, no dia 29 de Junho de 1958, numa partida particular com o Ericeirense, numa fase da temporada em que, terminado o campeonato, jogavam-se vários encontros amigáveis. Na altura, havia apenas duas formas de um jogador se desvincular de um clube sem a autorização deste, através do estatuto de militar ou de estudante. Como estava na tropa e a jogar no campeonato interno militar – representando a equipa da Força Aérea, ao lado de Fernando Mendes – consegui a desvinculação.

JORNAL SPORTING – Como foram os primeiros tempos ao serviço do Sporting?
MÁRIO LINO – O Sporting tinha ganho o campeonato de 57/58, onde não participei, iniciando a época, após o Verão, numa equipa que passou a contar com Hilário e Carvalho, jovens que, tal como eu, vinham renovar o sector mais recuado da equipa que deixara de contar com os «históricos» Caldeira, Pacheco e Galaz. Já jogara algumas vezes a defesa-direito e, perante este cenário, não hesitei em assumir a luta por um lugar no lado direito da defesa. Chegara aqui como médio-ofensivo, mas apenas devo ter feito um ou dois jogos nessa posição, ao serviço do Clube, pois havia a renovação na defesa campeã de 57/58 e era aí que devia entrar.

JORNAL SPORTING – Quais os momentos que destaca em 10 anos de jogador do Sporting?
MÁRIO LINO – Em quase 400 jogos pelo Clube, participei em vários momentos importantes, participando na equipa que brilhantemente alcançou a vitória na Taça das Taças. Tive o prazer e o orgulho de ter tido a oportunidade de fazer quase duas épocas com Travassos e Vasques, mas também com o Martins e o Hugo e muitos outros. Jogar ao seu lado, transpirar junto deles, foi um estímulo muito grande. Representei o Sporting, enquanto jogador, entre 1958 e 1968, mas, na última época, já acumulando a função de treinador de juniores. No último ano, jogava na equipa de reservas e depois orientava a equipa de juniores. Como jogador, fazia o papel de orientar a juventude que aparecia frequentemente para as experiências, sobretudo provenientes de África, até porque, na altura, não existia recrutamento no Sporting e vinham muitos atletas, já com idade de sénior, prestar provas do seu valor, a Alvalade.

JORNAL SPORTING – Após a grande época de 1973/74, deixa o clube. Como revive esse período?
MÁRIO LINO – Houve um desacordo em relação à preparação da equipa para a época seguinte e acabei por sair do Sporting, com o Clube a escolher Di Stefano como treinador. Saí contra vontade – e quando nada o justificava – mas fui para o Sporting Farense e orientei a equipa no último jogo de Di Stefano como meu sucessor, ainda antes da época começar. Tal como tinha previsto, a época não foi bem preparada, já que após terminar o campeonato, fizeram uma digressão longuíssima no Brasil, tiveram poucos dias de férias e fizeram outra digressão em Espanha. Após essas duas viagens – em que a equipa passou muitas dificuldades em termos de resultados – pararam em Faro, para o torneio e, pela primeira vez em que encontrei o Sporting no outro lado da barricada, o Farense venceu por 1-0 e, no regresso a Lisboa, Di Stefano acabou por deixar o comando técnico do futebol do Clube. A partir desse dia, iniciei o que chamo de «grande travessia», onde estive, durante 17 anos, como opositor do Sporting , representando, como técnico, o Sp. Farense, V. Setúbal, Sp. Braga, Portimonense, Boavista, Marítimo, Olhanense, Águeda, Beira-Mar, Peniche e Barreirense. Consegui bons resultados, com destaque para uma Supertaça «Cândido de Oliveira» pelo Boavista, ao FC Porto, em jogo disputado no Estádio das Antas, e várias subidas de Divisão. A «grande travessia» permitiu alcançar um currículo paralelo que me enriqueceu culturalmente, conhecendo, graças ao futebol, todo o País, estabelecendo contactos e apreendendo outras realidades completamente diferentes das que tinha no Sporting. Durante esse período, houve, por várias vezes, a possibilidade de regressar ao Sporting, mas tal só aconteceu em 1991, durante a presidência de José Sousa Cintra, com a possibilidade de optar entre os cargos de treinador de juniores – que, na altura, estava entregue a Fernando Mendes – ou de secretário técnico. Falei com o Fernando e optámos pela sua manutenção como treinador e fui para secretário técnico.

JORNAL SPORTING – Como se processou o regresso ao Sporting?
MÁRIO LINO – Uma das grandes alegrias da minha vida. Foram momentos de grande emoção. Existe, neste trajecto, uma coisa curiosa: todas as pessoas me apelidaram «o Mário Lino do Sporting». Estive em tantos clubes, mas sempre fui conotado com o Sporting, apesar de apenas ter mantido uma ligação de adepto e de informações esporádicas com o futebol. Em 1990, tínhamos perdido as quatro finais disputadas no futebol juvenil e, logo no ano seguinte, seguindo a máxima «10 meses de formação e um de competição», conseguimos três títulos nacionais. Durante três anos, recebera o convite da Direcção para passar para o futebol profissional, mas apenas não pude dizer que não em 93/94, durante o comando técnico de Robson e, depois, de Carlos Queiroz, regressando, novamente, ao futebol juvenil, com as entradas de Carlos Janela e Norton de Matos. Carlos Queiroz tentou persuadir-me ainda a ser treinador da equipa de juniores, mas já tinha decidido terminar com as funções técnicas no Sporting. Aquando da constituição da SAD, o futebol juvenil foi dividido, com as equipas de juniores e de juvenis a fazerem parte da SAD, ficando o responsável desses dois escalões na Sociedade Anónima Desportiva, em mais uma das muitas funções que desempenhei no Clube. De todas elas, do que sinto mais saudades é de ser jogador. A carreira de treinador foi, felizmente, também um sucesso, mas digo que pagava uma fortuna para poder voltar a jogar futebol. Foi o que me deu mais prazer e de onde guardo as mais fortes recordações.

BILHETE DE IDENTIDADE

Nome completo: Mário Goulart Lino
Data de nascimento: 09-01-1937
Naturalidade: Horta, Faial, Açores
Sócio do Sporting: n.º 2754
Estreia no Sporting: 29-06-58, numa vitória, por 5-0, no amigável com o Ericeirense.
Último jogo no Sporting: 02-07-1967

PERCURSO COMO JOGADOR:
1950-1954 – Faial Sport Clube
1954-1958 – Sport Clube Lusitânia
1958-1967 – Sporting Clube de Portugal

TÍTULOS COMO JOGADOR:
1 Taça dos Vencedores das Taças (1964)
2 Campeonatos Nacionais (61-62 e 65-66)
1 Taça de Portugal (1962)
3 Taça de Honra (61-62, 63-64, 65-66)
1 Taça de Angola (61-62)
4 títulos juniores da Ilha do Faial
2 campeonatos da Ilha Terceira
2 campeonatos açorianos

SELECÇÕES DE PORTUGAL:
6 internacionalizações A
1 internacionalização B
4 vezes internacional militar

PRINCIPAIS TÍTULOS COMO TREINADOR DO SPORTING:
69-70 – Taça de Portugal – treinador-adjunto.
70-71 – Campeão Nacional – treinador-adjunto.
71-72 – Finalista vencido da Taça de Portugal
72-73 – Taça de Portugal
73-74 – Campeão Nacional
73-74 – Taça de Portugal
73-74 – meias-finais da Taça das Taças

OUTROS TÍTULOS COMO TREINADOR:
76-77 – Finalista vencido da Taça de Portugal, ao serviço do Sp. Braga.
78-79 – Campeão nacional da II Divisão, ao serviço do Portimonense.
79-80 – Supertaça «Cândido Oliveira», ao serviço do Boavista.
83-84 – 1.º lugar na Zona Sul da II Divisão, pelo Marítimo.
88-89 – 1.º lugar na Zona Sul da II Divisão, pelo Peniche.

COMO CHEFE DO DEPARTAMENTO DE FUTEBOL DO SPORTING:
94-95 – Taça de Portugal

ALGUMAS DISTINÇÕES:
Diploma de Sócio de Mérito do Sporting Clube de Portugal.
Medalha de Ouro da Federação Portuguesa de Futebol.
Medalha de Prata da Câmara Municipal de Lisboa.
Prémio Stromp como “Treinador do Ano” 73-74.
Sócio honorário dos “Leões de New Jersey”.
Troféu “Rugido de Leão” 95-96.
Insígnia Autonómica de Reconhecimento pela Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O problema de Yannick Djaló

Quando um jogador assina um contrato de trabalho, a revisão das suas condições remuneratórias só deveria ser feita após a conclusão desse contrato, a não ser que essas condições fossem alteradas em função das cláusulas contratuais. Pelo menos, é assim em qualquer profissão. Não é, porém, isso que sucede no futebol do Sporting, onde têm sido notórios os casos de descontentamento manifestados com as temporadas em andamento.
Yannick Djaló não festeja os golos porque considera que ganha pouco (menos de 15 mil euros mensais líquidos, sendo dos jogadores mais mal pagos) e estaria à espera de ver o seu salário melhorado, até porque, esta época, tem marcado mais golos em menos tempo de jogo do que os seus parceiros do ataque leonino Derlei e Hélder Postiga. E alguns dos golos até foram históricos: dois ao FC Porto valeram uma Supertaça Portuguesa e um, em Basileira, para a Liga dos Campeões, rendeu 600 mil euros aos cofres do clube.
O que importa avaliar em mais uma situação estranha que é prejudicial à estabilidade do futebol do clube é saber onde começa e acaba a responsabilidade da SAD do Sporting nesta matéria. Porque não é admissível que, a meio da temporada, haja um jogador que se considere mal pago e utilize esse descontentamento para criar mais um caso. Mas se o jogador não tiver razão, então que seja responsabilizado.
Na verdade, não basta colocar um painel atrás dos dirigentes, dos treinadores e dos jogadores, a dizer que querem ser campeões, só para abrilhantar as fotografias. Há muito trabalho invisível que não pode ser descurado. É imprescindível, por exemplo, que o futebol do Sporting deixe de ser contaminado por casos destes, aparentemente, reveladores do desleixo e da fragilidade de quem manda...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

MEMÓRIAS LEONINAS A outra vida de Cherbakov

À pergunta se ainda pensa como é viver sem depender das pernas, a resposta do ex-futebolista ucraniano Serguei Cherbakov sai seca: "Já não." E num português perfeito, o antigo jogador do Sporting explica porquê: "Elas já não são o meu sustento, deixaram de ser há muito tempo, mas o futebol sim, continua a ser a minha vida", contou, num tom cordial, quase resignado, mas ainda com a esperança de que, algum dia, os tratamentos o farão voltar a andar.
Há 15 anos "Cherba", nome por que era conhecido no mundo do futebol, terminou a sua carreira de futebolista de forma abrupta: desrespeitou um sinal vermelho na Av. Liberdade, em Lisboa, e sofreu um acidente brutal que lhe ceifou as pernas e um futuro promissor. Na madrugada de 15 de Dezembro de 1993 ficou paraplégico. Tinha 22 anos. Para quem acredita na causa das coisas, tudo começou na eliminação europeia do Sporting, em Salzburgo, frente ao Casino, para a Taça UEFA. A decisão de Sousa Cintra foi imediata: despediu Bobby Robson e, para o seu lugar, o presidente leonino tinha já escolhido Carlos Queiroz. A noite seguinte ficou reservada para um jantar de despedida do treinador inglês. E terminaria em tragédia.
Com álcool em excesso no sangue, Cherbakov saiu do restaurante, meteu-se no carro e só parou quando embateu violentamente noutras duas viaturas no cruzamento da Av. Liberdade com a Rua Alexandre Herculano. Deu entrada, pouco depois, no Hospital de São José. Teve fracturas nas oitava e nona vértebras lombares. E lesões irreversíveis. "As pernas acabaram e as pernas são a minha vida", disse o futebolista quando recuperou a consciência. Disse-o, então, ao presidente do Sporting, Sousa Cintra.
Cherbakov nasceu em Donetsk, na Ucrânia, a 15 de Agosto de 1971. A 15 de Dezembro de 1993, o seu maior sonho acabaria. "Cherbakov é um campeão e tem um grande campeonato para fazer", dizia na altura Carlos Queiroz, à saída do hospital. Era o novo treinador do Sporting. O "campeonato" a que se referia Queiroz era a luta que o futebolista tinha pela frente. Hoje tenta que o Spartak Moscovo ganhe campeonatos, já que é olheiro, uma espécie de caça-talentos do clube, na Rússia. Para trás ficou a vida de futebolista, não o futebol.
"Vivo em Moscovo, vim para a Rússia e é aqui que estou agora", contou ao PÚBLICO em entrevista telefónica. "Trabalho com os miúdos do Spartak, tenho prazer no que faço", conta. Não afasta do pensamento a possibilidade de voltar a Portugal. País onde diz gostar de viver, lembrando que os conflitos que tem com o Sporting vêm todos do tempo de Cintra enquanto presidente. "Esta direcção [de Soares Franco] está a tentar resolver os problemas e está tudo bem encaminhado", diz sobre a dívida que alega que o clube ainda tem para com ele, referente às duas épocas que ainda tinha no contrato com os "leões" depois da lesão.
"Se não fosse o acidente, que futuro poderia ter tido no futebol?" A pergunta é difícil e Cherbakov demora algum tempo a responder. Mas, depois, não tem dúvidas em apontar algo semelhante ao de Luís Figo. "Talvez teria ido para Barcelona, como o Figo", conta. À medida que os anos passam e que a tecnologia avança, há cada vez mais lembranças dos golos e dos lances que marcaram a (curta) carreira de Cherbakov.
"Cherba" sabe disso. Sites com fãs proliferem pela Internet. "Sei que isso tudo existe, sim. É muito bom lembrar e ler as mensagens de apoio. Não me esqueceram e eu também não. Foi o Sporting que me mostrou ao mundo e isso nunca esquecerei", desabafa.
Médio/avançado, destacou-se no Mundial de sub-20 de 1991, onde foi o melhor marcador ao serviço da então URSS. Jogou em Alvalade entre 1992 e 1994, fez 37 jogos e marcou 6 golos. Em Novembro, num jogo que o Sporting disputou na Ucrânia, contra o Shakthar, para a Liga dos Campeões, Cherbakov reencontrou o seu antigo clube. Tinha dito que Moutinho era o jogador dos "leões" de que mais gostava e o "capitão" retribuiu o elogio oferecendo-lhe a camisola.Fez poucos jogos em Alvalade, mas na memória ficou, principalmente, o golo ao Beira-Mar. "Lembro-me muito bem...", diz. Sem preparação, após a marcação de um canto de Balakov, fuzilou a baliza com um remate fora da área. "Foi um sábado, dia 8 de Maio de 1993, minuto 62. Fez-se história em Alvalade", está escrito no YouTube.
FONTE: Filipe Escobar de Lima, "Público", 15-12-2008

domingo, 14 de dezembro de 2008

Bom arranque na Taça da Liga

“O futebol é um jogo de erros”, de acordo com o conceito de Paulo Bento, e a vitória “gorda” da equipa leonina por 3-0 sobre o Marítimo, para a Taça da Liga – já lá vai o tempo em que uma vitória do Sporting por 3-0, em Alvalade, era um resultado normal – foi precisamente assente no aproveitamento de erros do adversário e, inclusive, da equipa de arbitragem. Desde logo o primeiro golo, que foi originado num livre a favor do Sporting, quando, afinal, fora Vukcevic a cometer falta, pisando o pé de um defesa contrário. Foi assim que o Sporting abriu o marcador e chegou ao intervalo a ganhar pela margem mínima, que, perante um Marítimo lento e macio, até tinha justificado, apesar da proverbial economia de esforços de uma equipa que prefere esperar pelas fraquezas do adversário em vez de tomar a iniciativa e impôr o seu ritmo.
Na segunda parte, o Sporting perdeu o pouco gás que revelara antes, ficou-se pelo controlo da situação e entregou o jogo aos madeirenses. Tiago – que tem todas as condições para continuar na baliza, depois de dois jogos sem sofrer golos, sem que isso possa pôr em causa o jovem Rui Patrício como nome incontornável na baliza leonina – ainda foi chamado a evitar o empate e, em contra-ataque, aproveitando os tais erros adversários, Liedson e Romagnoli fizeram o segundo o terceiro golos. A execução técnica de Liedson foi particularmente brilhante.
Deste jogo, sobram as declarações de Paulo Bento pondo em causa o profissionalismo de alguns jogadores que, especificou, trabalham com ele há muitos anos. “Alguns jogadores têm de melhorar e olhar mais para a equipa do que para eles próprios. Alguns, se quiserem continuar a jogar, têm de fazer mais do que fizeram hoje”, declarou o treinador. Seu pupilo desde os juniores, e nada exuberante no festejo dos golos que marcou (um ao Marítimo e outro no jogo europeu de Basileia), Yannick Djaló, que foi um dos melhores jogadores leoninos, não participou na "entrevista rápida" da "Sport TV".
Com esta vitória, o Sporting entrou da melhor forma na segunda edição da Taça da Liga, troféu que, recorde-se, perdeu na época passada, numa final realizada com o Vitória de Setúbal. FOTO: Patrick Straub (AP Photo - Keystone) - Arquivo

Os reforços de Inverno

É evidente que, ao contrário do que diz Filipe Soares Franco, o Sporting precisa mesmo de ir ao mercado no mês de Janeiro. Este ano mais do que nunca. Só que não é bem ao mercado de jogadores. O futebol do Sporting precisa de ir ao mercado da alegria, ao mercado da cultura sportinguista e ao mercado do amor à camisola.
Hoje, ver um jogo de futebol da equipa de Sporting não é assistir a um espectáculo. É um exercício de masoquismo garantido. Em mais de 30 anos de amor ao clube, nunca senti o que sinto agora: olhar para o relógio, confirmar que ainda só estão jogados 20 minutos de jogo e sentir que o jogo nunca mais acaba. O problema não é só meu, porque não há sportinguista que se cruze comigo e que me diga que o futebol do Sporting está bem e recomenda-se, sendo motivo de alegria e felicidade para todos.
A própria sondagem feita por Rui Oliveira e Costa para saber os motivos da alegada "falta de militância" da nação sportinguista – cuja divulgação pública dos resultados é também outro exercício masoquista – confirma este divórcio, não entre os sportinguistas e o Sporting, mas entre os sportinguistas e a sua equipa de futebol. E, no entanto, chegámos ao Natal, fomos longe na Liga dos Campeões e temos tudo em aberto na Liga Portuguesa e respectiva Taça da Liga. Até nos dizem que as contas da SAD estão saudáveis, levando Soares Franco a insinuar-se como o grande salvador do clube para justificar a sua recandidatura. O que promete muito mais do mesmo.
Por tudo isto, neste Inverno, os grandes reforços do Sporting e da sua equipa de futebol não estão no mercado do costume. Paulo Bento parece ter identificado um dos problemas e já deu o mote: “É importante que os jogadores não se iludam. Devem saber que contamos com eles para a temporada inteira e não apenas para seis meses.” Resta saber se consegue fazer o resto.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Ouçam o treinador do Basileia

O treinador do Basileia, Christian Gross, já disse o que os responsáveis do Sporting têm a fazer para reforçar a equipa de Paulo Bento. Segundo o técnico da equipa suíça, "o Sporting tem problemas nas laterais, como ficou evidente nos jogos com o Barcelona". Há anos que a equipa leonina não tem um bom defesa lateral-direito. E não tem um defesa lateral-esquerdo fiável desde que Rui Jorge arrumou as chuteiras. Abel, Pedro Silva, Grimi e Ronny não têm qualidade suficiente para uma equipa que quer ser campeã em Portugal e fazer carreira na Liga dos Campeões. Caneira não serve porque não tem velocidade e chega atrasado aos lances, pelo que só tem visto cartões. Bruno Pereirinha e Miguel Veloso são soluções de recurso. Por isso, as palavras de Christian Gross merecem ter eco em Alvalade. Já agora, que tal uma sondagem a Paulo Ferreira, sem espaço no Chelsea de Luiz Felipe Scolari?... FOTO: Arnd Wiegmann (Reuters)

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Yannick e Tiago decisivos em Basileia

Os regressados Yannick Djaló (que teve lugar face à lesão de Liedson), pelo golo que marcou, e Tiago (que rendeu o castigado Rui Patrício), pelos golos que evitou na baliza leonina, foram decisivos na noite de Basileia, onde o Sporting, ao vencer por 1-0, confirmou a sua melhor prestação de sempre na Liga dos Campeões (tal como hoje é disputada), com quatro vitórias em seis possíveis na primeira fase daquela que é a prova de clubes mais importante do mundo, que resultaram em doze pontos, para a história desportiva, e 10,8 milhões de euros, para os cofres do clube - um registo histórico.
O Basileia revelou-se uma presa fácil para os "leões", que até marcaram cedo (15'). Frágil a defender, a equipa suíça revelou muita disponibilidade e força física, mas tinha contra si a conhecida falta de jeito na hora da decisão. Daí que as falhas defensivas do Sporting, que foram notórias, tivessem passado despercebidas no resultado final, o que, certamente, não aconteceria se o adversário fosse de outro quilate...
Em vez de correr em busca do segundo golo, de modo a garantir a vitória esperada, a equipa portuguesa preferiu manter um ritmo baixo, deixando o adversário jogar e procurando aproveitar eventuais erros contrários. Mais uma vez, Paulo Bento correu riscos desnecessários, devendo agradecer ao guarda-redes Tiago pelo naipe de boas defesas que executou nos momentos finais da partida, quando a equipa de Basileia, muito apoiada pelo seu público, apesar de só ter ganho alguma experiência internacional nesta Liga dos Campeões, procurava com vigor o golo do empate, sobre um Sporting cada vez mais recuado, a perder o controlo do jogo e só à espera do apito final. Os emigrantes portugueses que estiveram em Basileia porque amam o Sporting e tudo o que seja de Portugal mereciam melhor...
Não falta quem argumente que o Sporting de Paulo Bento regista a melhor participação desportiva e financeira de sempre da Liga dos Campeões. É verdade. E todo o futebol leonino merece o aplauso da nação sportinguista por ter alcançado esse objectivo histórico de passar à segunda fase da prova. Porém, dos seis jogos realizados, quatro dos quais foram ganhos pelo Sporting (cinco golos, apenas, renderam doze pontos!), o que é que, de extraordinário, fica na memória dos sportinguistas? Provavelmente, só a vergonhosa derrota com o Barcelona, por 5-2, em Alvalade...
Finalmente, causou alguma estranheza a forma triste como Yannick Djaló (não) festejou o golo que marcou e decidiu o jogo. Na esteira, aliás, de um futebol da equipa que é tudo menos atractivo e empolgante. Nada de anormal ou um "recado" para o treinador, de um jogador que começou bem a época, motivado e a marcar golos, e foi desaparecendo à medida que Liedson foi regressando, voltando agora que o brasileiro estava impedido de jogar?... FOTO: AFP - Getty Images

Já chegou o Natal...

Depois da surpreendente convocação de Vukcevic para o último jogo da Liga Portuguesa, onde o montenegrino até marcou um golo na primeira intervenção na partida, foi a vez de Paulo Bento ter convocado o proscrito Stojkovic para o confronto desta terça-feira, com o Basileia, para a Liga dos Campeões. Um regresso inesperado oito meses depois... Bem sabemos que tudo tem a ver com o castigo de Rui Patrício embora o plantel leonino disponha ainda de Tiago e Ricardo Baptista. De qualquer modo, é caso para dizer que o Natal já chegou ao Sporting... Ainda bem.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

A retoma do Sporting

Ao vencer ao Estrela da Amadora por 3-1, o Sporting registou a segunda série de três vitórias consecutivas, entrando no segundo terço da Liga Portuguesa com todas as condições para disputar a liderança da prova. É a retoma leonina, depois de algumas semanas em que tudo foi posto em dúvida.
As imagens do jogo da Reboleira foram muito centradas na figura do regressado Vukcevic, o qual, aos olhos da imprensa, aparece como um herói. São os sinais dos tempos que correm. Tempos em que, para aparecer nas primeiras páginas, é mais fácil fazer asneiras do que ser um exemplo de regularidade.
Depois de um processo conturbado em que todos ficam mal da fotografia, Vukcevic regressou à equipa leonina da melhor maneira e isso é bom para ele e para o clube que representa. Mas elevá-lo aos céus por ter marcado um golo no primeiro remate que fez contra um defesa contrário – ludibriando, assim, o guarda-redes Nélson –, parece-me muito exagerado. Até porque, muito antes de o montenegrino entrar em jogo, o Sporting poderia ter aumentado a contagem para números quiçá semelhantes aos que foram rubricados pelo Benfica no seu passeio ao Funchal.
Como até poderia ter acontecido o contrário, pela fraca primeira parte leonina, onde o Estrela até poderia ter marcado, pelo menos mais um golo, o que mudaria a história do jogo. Foi nesse período que reflecti numa coisa: como é possível que o Sporting tenha abdicado de um jogador formado em Alvalade como Silvestre Varela para depois ter sido obrigado a ir ao mercado pagar uns bons milhares de euros por Rodrigo Tiuí, que, depois do seu único momento de glória na final da Taça de Portugal, só serve para jogar na Liga Intercalar…
À 11ª jornada, o Sporting tem mais três pontos do que no ano passado e, pasme-se!, o Benfica, afinal, está exactamente igual, com os seus 25 pontos... FOTO: José Manuel Ribeiro (Reuters)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008


Liga Portuguesa – 11ª Jornada:
ESTRELA AMADORA-SPORTING, 1-3
Deixe aqui o seu comentário


FOTO: José Manuel Ribeiro (Reuters)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O futebol português no seu melhor


Clique na imagem, veja e ouça um trecho de um programa "Prós e Contras", na RTP, sobre o processo "Apito Final". É o famigerado "sistema" do futebol português no seu melhor...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

As aventuras de Fábio Paim

No dia em que um jogador formado no Sporting (Cristiano Ronaldo) foi considerado o melhor do mundo, um outro craque produzido na formação leonina, também a jogar em Inglaterra (Fábio Paim), anunciava ao mundo que renunciava ao Chelsea por considerar pouco competitiva a equipa de “reservas” de Luiz Felipe Scolari, por onde passam jogadores como Drogba e outros, quando estão a recuperar de lesões. Paim, que no ano passado andou meio perdido entre o Trofense e o Paços de Ferreira, foi para Londres emprestado pelo Sporting, com quem tem contrato até 2010, mercê da boa relação do seu agente, Jorge Mendes, com Luiz Felipe Scolari. No final desta época, os ingleses teriam opção de compra do atleta. Mas a aventura londrina, por causa da tal reduzida competitividade nas “reservas” do Chelsea, não durou mais do que três meses. Do extremo Paim diz-se que tinha tudo para ser um fora-de-série de categoria mundial. Mas também se diz que só tem cabeça para segurar a farta cabeleira. O jogador aí está, de novo por Alvalade, pois espera “jogar mais”. Para princípio da conversa que definirá o seu futuro imediato, a SAD do Sporting deveria indicar-lhe o caminho do cabeleireiro mais próximo da academia de Alcochete. Se não resultar, então não haverá mesmo nada a fazer.

MAIS INFORMAÇÃO SOBRE FÁBIO PAIM NO "LEÃO DA ESTRELA"




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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Cristiano Ronaldo, o melhor do mundo 2008

Deixem entrar o Vukcevic...

Nesta terça-feira, o montenegrino Simon Vukcevic deixou de treinar sozinho para passar a treinar com os colegas do plantel do Sporting. Aparentemente, está sanado o diferendo entre o jogador e o treinador Paulo Bento. E o jogador, agora que viu levantado o seu "castigo", volta a ser opção, não se sabendo se vai purgar na Liga Intercalar ou se vai jogar desde já na Liga dos Campeões. Para que o acordo entre as partes fosse uma realidade, terá bastado a Vukcevic mostrar-se arrependido das trapalhadas que protagonizou e dos prejuízos desportivos e financeiros que causou à SAD do Sporting. Reconheço a minha incapacidade para interpretar o que se passou. Muito resumidamente, só podemos concluir que, nos últimos meses, tivemos em Alvalade uma cabeça de galinha a espolinhar-se sem motivo nenhum, com os galos a manifestarem uma grande falta de jeito para pôr ordem na capoeira no mais curto espaço de tempo. É o que fica desta história triste. Sobra outro caso enigmático. Stojkovic, de seu nome. Aproveitem o clima natalício e façam as pazes. Vá lá...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

O jornalismo do "sistema"

Se as equipas portuguesas levam “quatro” (FC Porto em Londres, com o Arsenal), “cinco” (Sporting e Benfica na última semana) ou “seis” (a selecção nacional no Brasil) nos confrontos internacionais, isso também se deve à comunicação social que endeusa craques de barro. O Benfica, por exemplo, acabou de empatar no Estádio da Luz (2-2) com o Vitória de Setúbal, que até foi a primeira equipa a marcar. Quando os setubalenses empataram a partida num excelente golo marcado já em período de descontos, ouvimos os relatores da “Sport TV” escandalizados a falar de “um balde de água gelada”, de “Quim mal batido”, de um Benfica que “não consegue segurar vantagens” e da falta de tempo para o Benfica concretizar “a reviravolta” de um jogo que, afinal, estava empatado. A nenhum deles ocorreu a ideia de elogiar o excelente golo setubalense, que foi o corolário de uma boa ponta final da equipa de Daúto Faquirá, nem tão-pouco ocorreu falar numa semana negra do Benfica.
Mas a imprensa escrita é a mesma coisa. O diário “O Jogo” desta segunda-feira chama o sportinguista Hélder Postiga (cuja metade do passe é do FC Porto...) para quase toda a primeira página, com o título “Com ele é sempre a somar”. Ora, trata-se de um jogador que ainda só marcou três golos em dez jogos da I Liga, menos de metade dos golos do ponta-de-lança William, que marcou nesta ronda o seu sétimo golo na Liga, mais a mais ao serviço do modesto Paços de Ferreira, o que torna extraordinário o seu rendimento, mas não teve nenhuma referência na primeira página do jornal de Joaquim Oliveira. Para William, do “pequeno” Paços de Ferreira, que é o melhor marcador da Liga portuguesa e apontou o golo decisivo da centésima vitória da sua equipa no principal campoeonato português, só houve lugar para uma pequena foto na página três do jornal. Dirão que os golos do Paços de Ferreira não vendem jornais. É verdade. Então assumam que o jornalismo desportivo é uma mentira, pois não se regula por critérios jornalísticos, mas por pretensas estratégias comerciais. Para que as equipas portuguesas, que se julgam “grandes” e são tratadas com todos os paninhos quentes da nossa imprensa, apanhem “cinco” ou “seis” na Europa e ninguém fique surpreendido. FOTO: Nacho Doce (Reuters)

O que Paulo Bento não disse (mas poderia ter dito)

Em Leiria, para a Taça de Portugal, a equipa de arbitragem anulou um golo limpo ao Sporting, marcado por Hélder Postiga, por pretenso fora-de-jogo, que seria o segundo e poderia ter catapultado a equipa de Paulo Bento para uma vitória bem mais robusta. No final, a equipa leonina ganhou apenas por 1-0.
Em Vila do Conde, a equipa de arbitragem anulou a Liedson, também por pretenso fora-de-jogo que não existiu, aquele que seria o segundo golo do Sporting, que “mataria” o jogo, podendo abrir as portas a uma vitória mais ampliada e a uma gestão da partida mais tranquila. No final, o Sporting venceu apenas por 1-0.
Na noite deste sábado, em Alvalade, depois de não ter visto uma grande penalidade contra o Vitória de Guimarães, por falta cometida sobre Izmailov logo no início do encontro, a equipa de arbitragem anulou a Hélder Postiga aquele que seria o terceiro golo, porque, escandalosamente, o árbitro assistente não viu uma bola a ultrapassar totalmente a linha de golo, mesmo entrando na baliza em “câmara lenta”. Até ao fim, manteve-se o resultado de 2-0 a favor do Sporting.
Com estes três casos para exibir na lista dos erros grosseiros da arbitragem, em que o Sporting, mesmo tendo sido gravemente prejudicado, acabou por ganhar, o treinador Paulo Bento perdeu uma excelente oportunidade para falar das más arbitragens e dos seus efeitos nefastos na equipa leonina. O que explicaria, também, os motivos por que o Sporting 2008-2009 marca poucos golos. E como os poucos golos marcados permitem análises ao comportamento da equipa a partir da frieza dos números que ficam para a história...
Com serenidade, mas com a força de quem tem a razão e apresenta exemplos concretos, Paulo Bento poderia ter lembrado, por exemplo, que, se o Sporting regista um dos piores ataques da Liga Portuguesa, a responsabilidade também tem de ser atribuída às arbitragens que, de forma escandalosa, têm anulado golos atrás de golos à equipa de Alvalade. A época ainda não chegou a meio e os jogadores do Sporting já foram impedidos pelos árbitros de festejar três golos limpos, facto de que nenhuma outra equipa da Liga Portuguesa se poderá queixar… FOTO: José Manuel Ribeiro (Reuters)

domingo, 30 de novembro de 2008

O regresso às vitórias

Liga Portuguesa, 10ª Jornada - SPORTING-V. GUIMARÃES, 2-0. Golos de Hélder Postiga (8') e Liedson (21'). FOTO: Francisco Leong (AFP - Getty Images)

MEMÓRIAS LEONINAS Lazlo Bolöni

O romeno Lazlo Bolöni, o homem do bloco de notas que esteve no Sporting entre 2001 e 2003, foi o primeiro treinador estrangeiro a conquistar todos os troféus em Portugal numa temporada só. Em 2001-2002, Bolöni foi campeão nacional, vencedor a Taça de Portugal e vencedor da Supertaça Cândido de Oliveira. Nenhum outro treinador conseguiu tamanho feito em Portugal, à excepção do português José Mourinho, no FC Porto.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

A Liga dos Campeões não é a Liga Intercalar...

Diziam que era um jogo sem a pressão de ganhar, dado já estar assegurado o apuramento para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, e os jogadores do Sporting parece que interpretaram à letra essa expectativa, encarando o Barcelona como quem joga em Alvalade com o Estrela da Amadora para o campeonato português. Só que a Liga dos Campeões não é a Liga Portuguesa ou a Liga Intercalar. O Barcelona, que joga todas as semanas numa das ligas mais competitivas da Europa, tendo, por isso, outro ritmo de jogo e outra capacidade física, e que possui um grupo de jogadores de grande qualidade técnico-táctica, não poderia ter encontrado a liberdade que teve para jogar, para conduzir a bola, para pensar muito antes de decidir.
Demonstrando os mesmos erros que muitas vezes evidencia nos jogos das competições internas, o Sporting perdeu pela atitude reverente do seu jogo lento e inconsequente, no pouco tempo em que teve a bola em seu poder, mesmo perante um Barcelona que até foi poupado nas opções que colocou em campo. Por outro lado, a desconcentração defensiva leonina – que teve em Anderson Polga e Marco Caneira os seus principais intérpretes – acabou por oferecer ao adversário uma goleada histórica (2-5) em jogos internacionais. Na verdade, não me lembro de o Sporting perder em Alvalade por cinco golos para as provas da UEFA.
Para além da desconcentração defensiva, que resultou em três golos oferecidos que, em condições normais, o Barcelona não marcaria, o Sporting não soube fazer a bola circular, enfim, não soube jogar. Paulo Bento chamou-lhe “ingenuidade”. Talvez tenha sido isso e mais alguma coisa. A verdade é que, quando o Sporting reduziu para 2-3, ficou a ideia de que o jogo poderia ter sido diferente se a atitude e a competência leoninas tivessem sido outras desde o minuto inicial.
Uma nota para o trabalho do árbitro para dizer que cometeu dois erros (um para cada lado) que resultaram em golo. No livre que deu a Miguel Veloso o primeiro golo do Sporting, não me parece que o defesa espanhol tenha cortado a bola com a mão. Logo, não haveria lugar à marcação do livre directo. Depois, no lance que ditou a expulsão de Rui Patrício (na foto) também não havia motivos para grande penalidade. Na minha opinião, o guarda-redes do Sporting procurou apenas jogar a bola, dando-lhe uma palmada, acabando por derrubar o avançado catalão porque estava no ar e tinha de cair em algum lado em virtude da lei da gravidade.
Outra nota para Liedson. Mereceu aquela ovação, quando foi substituído. Demonstrou, de facto, que é um jogador da Liga dos Campeões, pelo que não merecia ter sofrido tamanha derrota. No conjunto dos dois jogos com o Barcelona, o Sporting marcou três golos e sofreu oito. Péssimo. O que nos vale é que há uns Basileias que ainda vão entrando na principal prova europeia de clubes...
E a fechar, uma nota sobre o público, para dizer que pareceu surrealista ouvir das bancadas leoninas gritos de "olé", já na parte final, sempre que os jogadores do Sporting trocavam a bola, como se o resultado estivesse ao contrário... Pareceu mesmo o cúmulo da falta de ambição leonina... FOTO: AFP - Getty Images

O Barcelona e a pressão leonina

Há uma ideia dominante na antevisão do Sporting-Barcelona desta noite, segundo a qual a equipa portuguesa vai receber os espanhóis num jogo em que não terá a pressão de ganhar. Ora, em futebol, a falta de pressão de ganhar é meio caminho andado para uma equipa perder. Não é por acaso, aliás, que Paulo Bento se manifestou preocupado com a falta de pressão, pelo facto de o Sporting já estar apurado para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões 2008-2009 - um feito que é histórico em Alvalade e que, confirmado o apuramento do FC Porto, contribui decisivamente para uma proeza histórica do futebol português que, pela primeira vez, coloca duas equipas na segunda fase da prova maior do futebol mundial a nível de clubes.
Embora não se compreendendo a necessidade de a SAD do Sporting reunir com os jogadores, atrasando o início de um treino, para negociar um aumento do prémio por um eventual primeiro lugar no Grupo C, num sinal de falta de planeamento da temporada numa matéria que é sagrada para quem trabalha, o que este desafio com o Barcelona nos vai dizer é se a equipa leonina está ou não preparada para grandes conquistas internacionais, ou, por outras palavras, se se contenta com o objectivo mínimo (o segundo lugar no Grupo C e apuramento já alcançados) ou se não se contenta com isso e entra em campo como se ainda não tivesse conquistado nada nesta edição da Liga dos Campeões. Oxalá estejamos perante a segunda hipótese, pois seria um sinal de que os jogadores leoninos estão muito empenhados em fazer sempre o melhor possível. E, já agora, em reforçar o vínculo afectivo com o público que os apoia e paga o bilhete para ver bom futebol.
Uma exibição de gala e uma vitória sobre o Barcelona teria também o condão de apagar a má imagem deixada pelo Sporting em Espanha no último Verão. Que os jogadores se lembrem do vexame de Madrid e respondam com a qualidade e a competência que possuem, sem se esquecerem que o Barcelona é o Barcelona, isto é, para além de ter um craque chamado Messi, é uma das melhores equipas do mundo e não quer, com toda a certeza, ficar atrás do Sporting em qualquer circunstância.
Finalmente uma palavra para a chamada ao grupo dos convocados do defesa-central júnior Pedro Mendes. É evidente que foi por necessidade, face à onda de lesões que tem varrido o plantel, mas Paulo Bento poderia ter optado por outra solução. Ao chamar um júnior para um jogo com um gigante europeu e mundial, o treinador deu um sinal da importância dos jogadores da formação. Que sinais destes continuem a ser dados! FOTO: www.uefa.com

terça-feira, 25 de novembro de 2008

A alegada agressão de Stojkovic

Já há muito tempo que circulam na Internet comentários anónimos dando conta de um episódio de indisciplina alegadamente protagonizado pelo guarda-redes Stojkovic no balneário leonino, na época passada – o qual estaria na base do afastamento do guardião sérvio das opções do treinador Paulo Bento. O próprio LEÃO DA ESTRELA recebeu essas informações, mas não lhes deu credibilidade, tanto mais que, por parte da comunicação social, nomeadamente a desportiva, que se saiba, o caso nunca foi investigado, nem foi objecto de notícia.
Agora, porém, o blog Bola na Área, num “post” assinado pelo jornalista do “Record” Eugénio Queirós, recorre a um registo irónico para revelar que “[Pedro] Barbosa nunca mais foi o mesmo desde que, em pleno balneário, levou uma pêra de Stojkovic”. Na caixa de comentários, o caso não é desmentido e há até quem revele mais pormenores. Por exemplo, que Stojkovic terá agarrado Paulo Bento pelos colarinhos na frente de outras pessoas. Tudo isto, refira-se, terá ocorrido na época passada.
Ora, a serem verdadeiras estas informações, o que surpreende é que, na altura, o guarda-redes Stojkovic não tenha sido punido de modo exemplar e que, quase um ano depois, continuem todos a conviver dentro do balneário com um caso grave por resolver, num clima de absoluta paz podre. Ao mesmo, tempo, sempre que Rui Patrício falha na baliza leonina, Paulo Bento desgasta-se, ao ser criticado pelo “clube de fãs” do sérvio, que acusam o treinador de desperdiçar um activo da SAD do Sporting.
Reconheço que é um caso complicado, mas que teria de ser objecto de uma decisão exemplar da administração do Sporting na altura própria. Até para não engrossar a lista de casos. Na tentativa de não perder tudo, o clube colocou o guarda-redes no mercado, mas não conseguiu vendê-lo.
A revelação pública do caso acabaria por desvalorizar o atleta. De qualquer modo, não sei se não teria sido melhor para a saúde futura do grupo de trabalho do Sporting abdicar de 1 milhão de euros, contando a história toda e punindo severamente a indisciplina. Talvez o grupo ganhasse em coesão e o milhão de euros fosse recuperado em pouco tempo com vitórias desportivas… Doutro modo, sobrou um caso que vai durando enquanto todos os protagonistas estiverem no Sporting. Prova disso é que Stojkovic passou de primeiro para o último dos guarda-redes, pois continua afastado dos convocados.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A indisciplina, os árbitros e a formação

Na Figueira da Foz, o Sporting arrancou uma vitória em condições notáveis, pelo espírito de sacrifício e coesão que os nove jogadores que chegaram ao fim demonstraram, num jogo apitado por um árbitro visivelmente hostil. E por falar em árbitro hostil, é bom que o balneário do Sporting se convença de que as hostilidades – que foram abertas e têm sido dirigidas por Paulo Bento, face à nulidade, nesta matéria, que tem sido a administração da SAD, e, em particular, o seu representante na Liga de Clubes – vão continuar a penalizar o futebol da equipa verde e branca, por força do corporativismo dos árbitros. Adivinham-se, portanto, tempos difíceis, como já preveniu Paulo Bento, não só por esse factor externo de uma arbitragem portuguesa incompetente e ressabiada com quem coloca em causa a sua seriedade, mas também por factores internos que estão em agenda, nomeadamente o processo eleitoral, que terá, obviamente, reflexos na gestão do futebol do Sporting.
A forma como o árbitro Artur Soares Dias apitou na Figueira da Foz é já um sinal dos novos tempos. A Naval 1º de Maio deveria ter sido a primeira equipa a ficar reduzida a dez jogadores, o que mudaria a história da partida. Mas Soares Dias “não viu” o pé de Derlei a ser pisado. Azar. Acabaria por ser o Sporting a ficar com menos dois atletas em grande parte do segundo tempo. E aqui é que o Sporting precisa de reflectir: sabendo que o árbitro não estava a ser imparcial (o espectáculo da repreensão verbal a Paulo Bento foi só mais um sinal dessa imparcialidade...), os jogadores leoninos não tiverem isso em conta dentro do campo. E o pior é que, Derlei e Caneira, que são reincidentes em expulsões esta época, são dos jogadores mais experientes do plantel. Isto é, os erros de indisciplina que habitualmente eram atribuídos à falta de experiência dos jovens formados na academia estão a ser cometidos com uma frequência inusitada por aqueles jogadores que foram contratados para dar à equipa do Sporting a experiência e a serenidade de que precisa nos momentos mais adversos.
Não deixa de ser motivo de preocupação, em particular o modo como Derlei arranja maneira de sair mais cedo do campo, deixando a equipa exposta a problemas inesperados. Ele que é o jogador mais velho da equipa e com grandes títulos internacionais conquistados – a Taça UEFA e a Liga dos Campeões. Um jogador com o palmarés e a experiência de Derlei não pode continuar a gozar do estatuto de intocável quando tem momentos em campo em que mais parece um touro enraivecido… O que o Sporting precisa é do Derlei que fabrica golos, como, curiosamente, aconteceu na Figueira da Foz, ao entregar a bola a Liedson numa bandeja de prata… Quanto a Caneira, o lance que determinou a sua expulsão só tem uma explicação razoável: uma certa falta de jeito que levou o Valência a libertá-lo…
Finalmente, uma palavra para os jovens da formação – foram seis a terminar o jogo, e ainda ficou Yannick Djaló no banco, o que é caso único na Liga portuguesa e talvez na Liga dos Campeões –, com destaque para Daniel Carriço (na foto), que fez o segundo jogo como titular (com Paulo Bento forçado pelas circunstâncias, é certo), e para Rui Patrício, que defendeu uma grande penalidade e continua a conquistar espaço na baliza.
Daniel Carriço merece continuar a fazer dupla com Anderson Polga. E se a defesa continuar com bom desempenho, o jovem deve continuar lá, independentemente de Tonel, quando recuperar da lesão que o afastou. Se isso acontecer, os jogadores do Sporting sentirão que vale a pena trabalhar nos treinos. Porque, o pior que pode acontecer num grupo de trabalho é um jogador saber que há colegas que, estando bem fisicamente, têm sempre o seu lugar garantido.

sábado, 22 de novembro de 2008

A vitória do sacrifício

NAVAL-SPORTING, 0-1. Golo de Liedson (15'). FOTO: José Manuel Ribeiro (Reuters)

A cruzada de Dias da Cunha

Dias da Cunha continua na sua cruzada contra a gestão de Filipe Soares Franco na presidência do Sporting, alertando agora que, “se os associados não reagirem", o clube morre dentro de pouco tempo. Nada que nos surpreenda, infelizmente. Numa entrevista ao Rádio Clube Português, Dias da Cunha voltou a dizer que se arrependeu de ter deixado o Sporting nas mãos de Franco. "Sabendo o que sei hoje, não teria deixado cargo...", disse.
Aquilo que deveria ser entendido como uma visão alternativa para o futuro do Sporting já cheira, porém, a uma guerra pessoal sem limites. De entrevista em entrevista, o ex-líder leonino já anda a chover no molhado há muito tempo, tornando cada intervenção num ruído de fundo cada vez com menor expressão.
Pela autoridade que a sua voz simboliza na nação sportinguista e por ser o único dirigente com peso no clube que não se resigna publicamente, Dias da Cunha deveria anunciar a sua candidatura à presidência, sendo consequente com o que tem dito.
Com Filipe Soares Franco do outro lado da barricada, teríamos, talvez, o confronto mais indicado para mobilizar os sportinguistas em torno da discussão sobre o futuro do Sporting Clube de Portugal, num combate eleitoral certamente vibrante como há muito não acontece para mal do clube. Só que o ex-presidente não encara a possibilidade por se considerar velho para essa empreitada. Mas a ameaça de morte que paira sobre o Sporting, como alerta Dias da Cunha, não justificaria o sacrifício? Por outro lado, se não vai a jogo nem arranja uma solução que protagonize aquilo que pensa, por que é que continua a falar?...

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Yordanov, os sportinguistas estão contigo!

Os burocratas do Sporting continuam a dar pontapés nas memórias do clube e da SAD que gere o futebol profissional. E vão de tribunal em tribunal na tentativa de travar uma homenagem à antiga glória Yordanov. O problema deles é que vão de tribunal em tribunal - talvez para justificar prémios anuais de muitos milhares de euros... - até à derrota final. Porque, neste caso, o Sporting já há muito que sofreu uma pesada derrota moral. Mas eles não percebem isto. Paciência! Recordemos o que escreveu o LEÃO DA ESTRELA sobre este triste caso no último ano:

A GUERRA JUDICIAL
Para os sportinguistas, já não interessa saber o que está em causa no conflito judicial entre o búlgaro Yordanov e os burocratas do Sporting Clube de Portugal. Digo burocratas, porque não acredito que Filipe Soares Franco – que foi vice-presidente do Sporting nos tempos em que Yordanov era um dos símbolos do clube – esteja consciente do espectáculo deprimente e desprestigiante que esta história constitui para o clube fundado pelo Visconde de Alvalade. Uma história digna de um clube sem memória e, portanto, sem história. Ora, não é o caso do Sporting. Portanto, vai sendo tempo de recolocar Yordanov no lugar a que tem direito na família do Sporting Clube de Portugal. Yordanov foi um exemplo de trabalho e de dedicação ao clube durante uma década. Respeitado pelo balneário, foi “capitão” sem se colocar em bicos de pés. Chegou da Bulgária muito jovem, no início dos anos noventa, contratado por Sousa Cintra, e marcou uma geração. Foi talvez dos últimos estrangeiros cujo nome ficará para sempre na nossa memória à conta de tantos anos que vestiu a camisola do Sporting. Por isso, merece o respeito e admiração de todos os sportinguistas. Sobretudo agora que são contratados jogadores de outros países que não sabem honrar as camisolas que envergam e que passam pelos clubes como autênticos meteoritos…
LEÃO DA ESTRELA, 24-10-2007

O MERCANTILISMO
É uma vergonha para o Sporting Clube de Portugal saber que o antigo "capitão" Yordanov, um dos jogadores que melhor interpretaram a mística sportinguista, nos anos noventa e também neste século, esteja agora a mendigar um jogo de homenagem, levando como resposta um processo em tribunal. Depois de ouvidas as testemunhas do atleta, nomeadamente os antigos atletas Oceano e Ricardo, no Tribunal de Trabalho de Lisboa, falaram as testemunhas indicadas pelo clube. Esperemos que Eurico Gomes, uma das testemunhas leoninas, não tenha confundido o búlgaro Yordanov com o sueco Eskilsson…
Estive a ler o comunicado da SAD do Sporting. Parece-me que, formalmente, o Sporting tem a sua razão. Mas a formalidade é a almofada que está sempre pronta a servir a incompetência. Neste caso há outros factores que chocam com o mercantilismo patente no comunicado da SAD leonina, mercantilismo esse que deveria envergonhar Filipe Soares Franco. Neste caso há emoção, há memória, há solidariedade, há alegria, há tristeza, há dor, há magia, há sentimentos... Ora, tudo isso não combina com a frieza dos números dos engravatados da gestão. Aquele ponto do comunicado que refere expressamente que o Sporting pretende obter receitas televisivas para ser ressarcido de uma verba a pagar a Yordanov – e que só não há jogo de homenagem agora porque não daria o lucro necessário ao "negócio" – é qualquer coisa de pôr os cabelos em pé, sobretudo quando a mesma SAD, em outras situações, se revela tão generosa...
É bom lembrar que foram os golos de Yordanov que deram ao Sporting os únicos títulos conquistados em toda a década de noventa. A Taça de Portugal (1995), que permitiu o apuramento para a Supertaça relativa a esse ano, que se jogou em Paris, em 1996, tendo o Sporting sido vencedor ao cabo de três jogos com o FC Porto.
É bom lembrar que, entretanto, Yordanov foi vítima de uma doença crónica incapacitante, tendo, apesar disso, lutado como um leão e conseguido resistir ao mal físico enquanto pôde.
É bom lembrar que Yordanov, contratado no consulado de Sousa Cintra, juntamente com outros búlgaros, então estrelas da respectiva selecção - Balakov e Guentchev-, chegou a “capitão” do Sporting, tornando-se um dos líderes do balneário.
É bom lembrar que Yordanov, actualmente com 39 anos, actuou durante 10 temporadas no Sporting – entre 1991/92 e 2000/01 – e esteve ligado ao penúltimo título leonino, em 1999/00, que pôs fim a um jejum de 18 anos sem títulos nacionais.
O problema do Sporting – que não é exclusivo da SAD que actualmente gere o futebol do clube – é que estas memórias não contam para nada. Basta olhar para os últimos 25 anos e pegar num par de binóculos para ver quais são as antigas glórias deste período de tempo que continuam a ter luz verde para trabalhar pelo engrandecimento do clube.
Obs. – Querem um jogo lucrativo? Marquem um Sporting-Benfica em Paris, com bilhetes a um preço mais alto que tenha em conta a sua missão solidária, e dividam a receita entre o sportinguista Yordanov e o benfiquista José Torres (outro proscrito, este por parte do Benfica). Mas acabem com o "caso" Yordanov que só envergonha o Sporting.
LEÃO DA ESTRELA, 11-12-2007

A DERROTA DE SOARES FRANCO
Mais do que uma vitória do antigo “capitão” leonino Yordanov, a decisão do Tribunal de Trabalho de Lisboa de obrigar o Sporting a organizar um jogo de homenagem ao ex-atleta búlgaro é uma pesada derrota de Filipe Soares Franco e da Sporting SAD.
A notícia não mereceu chamadas à primeira página da imprensa desportiva, mas é muito mais importante do que o que parece. A condenação do Sporting neste diferendo não é uma mera questão laboral. Pela força das circunstâncias, que resultam da enorme crise em que o futebol do Sporting está mergulhado, estamos perante uma vitória da “cultura sportinguista” – corporizada por Yordanov, que é um símbolo da garra leonina dos anos noventa e também deste século, e pelas suas testemunhas, nomeadamente Ricardo Sá Pinto e Oceano Cruz, outros ex-capitães da equipa afastados do clube –, sobre uma cultura tecnocrata que hoje vigora na gestão do clube e da SAD, que, ao contrário do que seria de esperar há dez anos, tem sido responsável pelo empobrecimento patrimonial, financeiro e competitivo do Sporting. O estilo tecnocrata, contabilístico e desprovido de humanismo e de memória desportiva que conduziu a esta trapalhada com um ex-jogador do Sporting é também um sinal claro desse empobrecimento.
É neste contexto que a decisão do Tribunal de Trabalho de Lisboa assume contornos algo preocupantes para a gestão de Filipe Soares Franco e para o seu projecto. Estamos perante uma decisão judicial de foro laboral que terá consequências políticas no Sporting. Basta que um eventual candidato à presidência do clube, nas eleições do próximo ano, saiba interpretar o que está em causa. Por isso, o jogo de homenagem a Yordanov tem tudo para ser um evento muito interessante...
LEÃO DA ESTRELA, 06-02-2008

UMA SOLUÇÃO PARA O CASO
Em vez de ocupar o tempo a preparar o recurso da decisão do Tribunal de Trabalho de Lisboa sobre o "caso" Yordanov, o Sporting deveria trabalhar na resolução deste imbróglio no mais curto espaço de tempo. É evidente que, nesta altura, um jogo de homenagem como evento principal seria um fiasco, mais a mais quando o jogador Yordanov já não joga há mais de cinco anos, não dizendo nada ou dizendo muito pouco a grande parte do público mais jovem. A falta do factor proximidade retira também muita da emoção que a homenagem teria se tivesse sido promovida na altura própria.
Tendo em conta as circunstâncias críticas que afectam o futebol do Sporting, a homenagem nas condições definidas pelo tribunal até poderia tornar-se numa peixeirada pública contra a actual direcção leonina, expondo o clube a mais um episódio ridículo.
Como resolver, então, este caso? O LEÃO DA ESTRELA dá uma ideia a Filipe Soares Franco: organize um Sporting-Benfica entre jogadores que representaram os dois clubes nos anos oitenta e noventa, ou seja, atletas da geração de Yordanov, a ser disputado duas horas antes do próximo Sporting-Benfica para a I Liga. Para treinador leonino, convide José Mourinho (que trabalhou no Sporting no tempo de Yordanov e cuja presença em Alvalade seria factor de interesse acrescido) e, pelo Benfica, proponha ao seu amigo Luís Filipe Vieira a escolha do velho "capitão" Mário Wilson (também ele um antigo jogador do Sporting!...). Se houver mesmo "fair play" entre os dois clubes não será difícil organizar o encontro. Finalmente, no intervalo de 15 minutos entre o jogo das "velhas guardas" e o jogo da I Liga, chame o Yordanov ao centro do relvado para que todos lhe prestem a homenagem merecida. E esqueça a receita. Quem paga 500 mil euros de indemnização a um ex-funcionário do clube que agora o critica na praça pública não se deve preocupar com essas ninharias.
LEÃO DA ESTRELA, 07-02-2008
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