segunda-feira, 28 de abril de 2008

OS NOSSOS CAMPEÕES (10) Mário Jardel


Aos 34 anos, dificilmente voltará a ser um campeão do futebol, mas ainda pode ser um campeão da vida se não voltar a cair na tentação do uso de drogas. Mário Jardel foi um dos melhores pontas-de-lança de sempre que passaram pelo futebol português.
No FC Porto e no Sporting, “Super-Mário”, como ficou conhecido, valia mais do que um golo por jogo, tal como outro grande goleador leonino, o inesquecível Fernando Peyroteo do tempo dos "Cinco Violinos". Em Alvalade, Jardel marcou um total de 67 golos em todas as competições, tendo sido decisivo para a conquista do último título nacional, em 2002, ano em que o Sporting também conquistou a Taça de Portugal e a Supertaça Cândido Oliveira. Só para a Liga de 2001-2002 contribuiu com 42 golos, ficando a quatro de igualar o recorde de outro sul-americano, o argentino Yazalde, que continua como o melhor marcador de sempre em campeonatos europeus, com 46 golos numa só temporada.
Em duas temporadas, Jardel conheceu a glória e a inglória. Da sua cabeça fatal saíram os golos que glorificaram o treinador romeno Lazlo Bolöni, mas também as infantilidades que infernizaram a vida de ambos, e que impediram o Sporting de disputar o título com o FC Porto, em 2002-2003, da primeira época de Mourinho. Agora, confessa que estava preso à maldita cocaína. Só não disse como chegou lá... Ao que parece, toda a gente sabia, mas só “Super-Mário” teve coragem de o revelar em público. O seu exemplo não pode ser desperdiçado.
O Ministério da Educação deveria estar atento e convidar Mário Jardel para uma campanha de sensibilização dirigida aos jovens portugueses. Uma campanha feita a partir de um exemplo concreto tem muito mais força. O próprio Sporting, como colectividade desportiva de utilidade pública que movimenta milhares e milhares de jovens na ocupação dos tempos livres e na promoção desportiva, até poderia assumir a iniciativa, propondo ao próprio Ministério da Educação um protocolo que possa financiá-la. Mário Jardel também poderia ir pelas escolas do País dar conta do seu exemplo, ajudando, assim, a prevenir a perda de outras vidas e de muitos sonhos de juventude. Só assim ganharia mais sentido a corajosa entrevista do antigo campeão do Sporting à "TV Globo".

7 comentários:

Anónimo disse...

Um grande abraço para o Super Mário.
A entrevista dele à TVGlobo confirma-nos o que sempre suspeitámos.
Ninguém é livre de se meter onde o Jardel se meteu. Um divórcio doloroso, falsos amigos e o resultado é que uma pessoa um pouco ingénua pode ter a sua vida muito complicada.
O Mário foi o jogador mais fantástico dentro da área que vi até hoje. E conto com Van Bastens, Batistutas, Romários, Klinsmans e quem quiserem. A sua técnica era "vulgar", dizia-se, a sua velocidade "inexistente". Mas o seu índice de aproveitamento era absolutamente fabuloso.
E para quem diz que nunca jogou no topo para se provar como o melhor do mundo eu digo que quando jogou contra os melhores do Mundo, Real e Milan, castigou-os bem com o seu poder finalizador.
Ele diz agora que ainda quer jogar num "clube grande"... com a idade que tem, acho difícil, mas a sua principal preocupação devia ser endireitar-se como ser humano primeiro, largando a cocaína, depois disso, tudo o que é bom virá.
Um grande abraço Jardel, a tua época dos 56 golos (em todas as competições) e da dobradinha jamais será esquecida. E deste aos mais jovens uma imagem do que o grande Fernando Peyroteo deve ter sido.
Força.

André disse...

Apesar de não ser sportinguista, gostei muito do blog. Informativo q.b., com textos bem escritos... Acho que vou voltar frequentemente. :) Abraço

Anónimo disse...

LdE:

Boa ideia!

Não há link para a entrevista que o Jardel deu?

Agradecia!

LEÃO DA ESTRELA disse...

O link para a entrevista à TV Globo já está disponível.

Anónimo disse...

O caso do jardel não é único aqui em Portugal. Basta lembrar os tempos do Caniggia no benfica e as festas que a mulher dele dava na suíte do hotel, e os "quadros" que ela pintava nos lençois de seda(sim ela era/é artista)tudo isto à conta dos lampiões da época do vilavinho.

hoje em dia é o mesmo com outros protagonistas, todos eles sabem que a cocaína sai do corpo ao fim de 4 dias por isso dá perfeitamente para consumir depois dos jogos e limpar até ao próximo.

Não há meio de legalizarem todas as drogas para acabarem com estas histórias

PPA disse...

Como se destrói um jogador e uma equipa!

Os mesmos que o trouxeram para o Sporting, onde fez parte de uma super equipa que limpou tudo, quiseram depois levá-lo para outra paragens como bandeira eleitoral, capaz de transferir para esses lados o domínio do futebol Português, aproveitando uma curta fase de 3 anos em que o POLVO esteve mais adormecido.
Nessa altura, com um Jardel em forma era meio caminho andado para se ser campeão.
Na impossibilidade de concretizar a porca “transferência” recorreu-se à política da terra queimada, metendo o ingénuo Cearense no mundo do jogo, droga e prostituição.
Destruí-se um homem e desfez-se uma grande equipa, que tinha todas as condições para se assumir no comando hegemónico do futebol Nacional pelo menos por uns anos.
Jardel deu uma triste entrevista, onde só pode meter pena:
Quero acreditar que se recupere para a vida como um cidadão comum, mas temo que acabe como o Vítor Baptista, a viver numa barraca e a mendigar esmolas e um prato de sopa.
Gostava que Jardel pusesse os nomes aos bois, nesta história das más companhias que o arrastaram e enterram no sub-mundo, apesar muitos de nós sabermos perfeitamente quem são!

http://bola-na-trave.blogspot.com/

César disse...

"Basta lembrar os tempos do Caniggia no benfica e as festas que a mulher dele dava na suíte do hotel, e os "quadros" que ela pintava nos lençois de seda(sim ela era/é artista)tudo isto à conta dos lampiões da época do vilavinho."
Pelo amor de Deus Cannigia/Vilarinho? Estão separados por uma meia dúzia de anos para aí... Em termos de futebolês é o equivalente a dizer que o João Jardim tem um caso com a Padeira de Aljubarrota!

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