sábado, 23 de agosto de 2008

As revelações de Octávio Machado

"Ter saído do Sporting foi o maior erro da minha carreira. Sinceramente, não devia ter abandonado o clube naquela altura, devia ter denunciado as manobras do Norton de Matos. Em termos de gestão da minha carreira, eu devia ter enfrentado pessoas como o Norton.”
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Octávio Machado, o homem que celebrizou a frase “Vocês sabem do que é que eu estou a falar…”, vai lançar um livro, justamente com o título “Vocês Sabem Do Que Estou a Falar”, no qual relata múltiplas histórias que viveu ao longo da sua carreira. Uma carreira que, para além de ter ficado marcada por muitos anos de ligação ao FC Porto, como jogador, treinador-adjunto e principal, regista uma importante passagem pelo Sporting, em meados da década de noventa.
Octávio Machado foi contratado pelo então presidente Pedro Santana Lopes - o primeiro da era-Roquette -, a meio da época 95-96, para substituir Carlos Queirós e um interinato de Fernando Mendes. A ideia era contratar um treinador que pusesse ordem no balneário do Sporting. Mas Octávio ficaria a meio do seu trabalho. Ganhou uma Supertaça de Portugal ao FC Porto – numa altura em que os portistas eram praticamente invencíveis e caminhavam rumo ao pentacampeonato –, mas o treinador nunca teve vida fácil em Alvalade.
Para além da curiosidade de ter sido o treinador do Sporting três temporadas consecutivas incompletas, Octávio fica na história dos três grandes do futebol português como o único treinador que, depois de ter assumido o comando técnico principal da equipa, passou, na época seguinte, a treinador-adjunto. Aconteceu em 1996-97, em que começou como colaborador do belga Robert Waseige. Mas poucos meses depois, aquele que ficou conhecido como o “eterno adjunto” do FC Porto, acabou por ocupar o lugar de Waseige, terminou em 2º lugar no campeonato, garantindo ao Sporting, pela primeira vez, o acesso à Liga dos Campeões.
Octávio ainda iniciou a temporada 97-98, mas, acossado por um mau ambiente em Alvalade e pelos “maus resultados”, segundo as exigências daquele tempo, acabou por se demitir após um empate caseiro com o Varzim. À oitava jornada, o Sporting registava quatro vitórias, três empates (uma deles na Luz) e uma derrota, em Guimarães. Até ao fim de uma temporada que foi um descalabro, o Sporting ainda teve mais três treinadores: Francisco Vital, Vicente Cantatore – um chileno que não durou um mês… – e Carlos Manuel. No final, a equipa não conseguiu mais do que o quarto lugar no campeonato e os quartos-de-final na Taça de Portugal.

MANOBRAS E SOBREMESAS ÁCIDAS...

Pouco mais de dez anos depois, Octávio Machado, que deixou o futebol e é vereador do PSD na Câmara Municipal de Palmela, resolve contar em livro aquilo que ele dizia que nós sabíamos que ele estava a dizer. Segundo uma pré-publicação do livro, reproduzida pelo semanário “Expresso” deste sábado, Octávio, para além de dar conta dos meandros do futebol potuguês, revela pormenores do balneário do Sporting que ajudam a explicar o insucesso da equipa durante muitos anos. E confessa que não devia ter abandonado o clube e que deveria ter enfrentado “pessoas como Norton de Matos”, então director desportivo do Sporting, e as suas “monobras”. Eis o excerto do livro, sobre a passagem de Octávio pelo Sporting:
“Havia ainda certos jogadores que só pensavam nos prémios de jogo. O Sporting era, aliás, a equipa que recebia mais prémios sem ganhar absolutamente nada. (…) Quando comecei a trabalhar em Alvalade, o Sporting parecia um clube social, todos os dias o chão daquele balneário ficava ladrilhado de convites para inaugurações disto e inaugurações daquilo. E alertei-os para o facto de o Sporting não poder continuar a proceder daquela maneira: ‘Desculpem lá, não pode ser. Eu fico com a sensação de que vocês vêm treinar para depois irem à inauguração de qualquer coisa, parece que o treino é onde vocês vêm passar um bocado, só para preparar a noite e ver onde é que se vai à inauguração da discoteca tal, à festa do bar tal, à passagem de modelos tal… Não, não pode ser! Porque as sobremesas nesses sítios são ácidas. Vocês não podem passar por um clube desta dimensão e não ficarem na história do Sporting. Vocês têm de ganhar coisas.’
Havia dirigentes que não compreendiam que ter um balneário a receber dez convites por noite não pode ser o objectivo de uma equipa de futebol profissional, mais a mais num clube como o Sporting. É admissível, por exemplo, que nas reuniões entre a equipa técnica e os jogadores apareça um alto funcionário do clube a entregar convites para a inauguração disto e daquilo? (…)
Hoje, reflectindo sobre tudo isto, chego à conclusão que ter saído do Sporting foi o maior erro da minha carreira. Sinceramente, não devia ter abandonado o clube naquela altura, devia ter denunciado as manobras do Norton de Matos. Em termos de gestão da minha carreira, eu devia ter enfrentado pessoas como o Norton.”

3 comentários:

Pai da Leoa disse...

Ele não mente quando fala em "pior erro" ao ter saído de Alvalade... quando saiu do FCP, em Janeiro de 2002, dá uma entrevista a um programa da Rádio Renascença, que dava durante a noite (de Sábado para Domingo, salvo erro) e ele diz isso de viva voz; que fazia tudo igual em termos de carreira, excepto ter saído do Sporting... havia sido o seu pior erro!!!

Tite disse...

Pelo menos o homem é coerente.
E ele sabe do que está a falar. Já que passou por tantos sítios tem mesmo que saber muita coisa.
E também é homem de ódios eternos.
Tem tantos que não cabem nos dedos que temos nas mãos.
Não contesto... mas é muito peso negativo em cima daqueles ombros!
Do Sporting só diz mal do ambiente do balneário e do Norton de Matos que acho mesmo que é um homem mais do social do que do desportivo. Fez mal não tê-lo enfrentado!
Esperemos que a publicação deste livro sirva para aliviar tanto ódio.

quartoarbitro disse...

Esta época está de regresso o Levado ao Colo com a análise às arbitragens dos jogos dos 3 grandes em http://levadoaocolo.blogspot.com/

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