quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

MEMÓRIAS LEONINAS Eusébio

Quando Eusébio chegou a Lisboa, em 1960, o Sporting tinha dez títulos nacionais, o Benfica tinha outros dez, o FC Porto cinco e o Belenenses 1. Quando saiu, em 1975, o Benfica tinha 21 campeonatos nacionais, o Sporting 14, o FC Porto 5 e o Belenenses 1. Isto significa que o futebolista Eusébio da Silva Ferreira foi o grande desequilibrador da balança dos títulos nacionais a favor do Benfica, concretizada nos anos sessenta, com a ajuda do presidente do Governo, Oliveira Salazar, que impediu a sua transferência para a Juventus, em 1964. Mas o que é verdadeiramente extraordinário é que Eusébio, quando era um simples adolescente moçambicano, tenha sido vetado por duas vezes no Desportivo de Lourenço Marques, que era a filial do Benfica, acabando por bater à porta do Sporting de Lourenço Marques, onde começou a revelar os seus dotes de futebolista de eleição. Depois, chegou o interesse do Sporting Clube de Portugal, que acabou por ser traído por uma prudência demasiada. O clube de Alvalade queria Eusébio à experiência, mas a Dona Elisa Anissabana, mãe de Eusébio, queria “dinêro grande”. E o Benfica lá pagou 110 mil escudos. Era “dinêro grande”. Mesmo depois de Eusébio chegar a Lisboa, ainda havia a possibilidade de ingressar no Sporting, mas o atleta foi afastado de eventuais “más companhias”, sendo colocado em casa de um benfiquista algarvio até que se resolvesse a trapalhada em que se transformaria a sua transferência para Portugal. É que, com o Sporting de Lisboa interessado no jogador, o Sporting de Lourenço Marques não emitia a carta que libertaria Eusébio para o Benfica. Face ao impasse então verificado, até o FC Porto chegou a tentar contratar o jogador moçambicano. Em vão. Porque a Dona Elisa já tinha dado a palavra ao Benfica e não aceitava que Eusébio fosse para outro clube que não o Benfica. Provavelmente, foi um dos maiores azares da história centenária do Sporting Clube de Portugal! FOTO: Viewimages

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Sporting na final da Taça da Liga

Paulo Bento imitou Ricardo Quaresma ao criticar os adeptos do Sporting. Irá Soares Franco renovar-lhe o contrato ainda esta semana?...

Lentamente, Paulo Bento vai juntando os “cacos” do futebol do Sporting, para utilizar uma expressão do vice-presidente leonino José Eduardo Bettencourt. Ao vencer o Penafiel por 3-1, na última jornada da fase de grupos da edição inaugural da Taça da Liga – com golos de Romagnoli e Izmailov (2) –, o Sporting foi apurado para a final, que disputará com o Vitória de Setúbal, no Estádio do Algarve, no próximo mês de Março. E, curiosamente, o Sporting passou mesmo as passas do Algarve para chegar a esta final. No primeiro jogo, esteve quase a ser eliminado pelo Vitória de Guimarães, acabando bafejado pela sorte numa sessão de grandes penalidades interminável e emocionante. Depois, esteve quase a ser eliminado pelo Desportivo de Fátima, da II Divisão de Honra, conseguindo resolver a eliminatória a poucos minutos do final do segundo jogo, graças a um golo “inventado” por Liedson. Depois veio a fase de grupos e, com ela, o sossego das hostes, dado o Sporting ter como adversários o Vitória de Setúbal, o Beira Mar e o Penafiel. O mais difícil seria mesmo o clube de Alvalade não conseguir um lugar na final do Estádio do Algarve.
Depois de vencer a Supertaça, Paulo Bento perdeu o objectivo de passar à segunda fase da Liga dos Campeões e já terá perdido o título de campeão nacional – que é a prova mais importante para o Sporting. Para salvar a temporada, terá de vencer a Taça da Liga e a Taça de Portugal.
Num jogo que deveria ser de festa para os sportinguistas, pois estava a ser garantido o acesso à final de uma prova do futebol português, Paulo Bento foi assobiado pelo pouco público que foi a Alvalade. Foi uma cena triste. Que revela um divórcio entre os sócios e o clube, que a vitória sobre o FC Porto não conseguiu resolver. Paulo Bento imitou Ricardo Quaresma e afirmou-se “cansado” dos assobios. Vamos ver se Filipe Soares Franco tem coragem para renovar o contrato com o treinador ainda esta semana. Porque, se não o fizer, será porque Paulo Bento já deixou de ser o Alex Fergunson do presidente leonino…

A patada de Bruno Alves

A arbitragem de Carlos Xistra no Sporting-FC Porto teve altos e baixos. Um dos momentos mais baixos é documentado por esta imagem, em que vemos o defesa-central portista Bruno Alves a pisar a coxa de João Moutinho, quando este já estava no chão e fora da jogada. Tendo por referência este lance de Bruno Alves, afinal, o benfiquista Bynia não é tão violento como dizem. A verdade é que, com base num critério estabelecido à margem das normas da FIFA, Xistra admoestou Bruno Alves apenas com o cartão amarelo. Se isto não é jogo violento, o que é jogo violento? Se isto não dá para mostrar cartão vermelho, o que é preciso para mostrar o cartão vermelho? Infelizmente, a Comissão Disciplinar da Liga não pode instaurar um processo sumarísssimo, porque o árbitro viu e decidiu, ainda que tenha visto e decidido mal. Então pergunta-se: um processo sumaríssimo não deveria servir também para corrigir um erro de avaliação do árbitro semelhante a este? Outra coisa: por que é que a Sport TV não cedeu imagens deste lance às televisões de sinal aberto? Terá sido para esconder alguma coisa como se o futebol português estivesse a viver sob um regime ditatorial? E o que dirá a Liga de Clubes sobre isto?... FOTO: www.sporting.pt

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Scolari chama Rui Patrício

Não constando que seja um homem influenciável, nomeadamente por empresários, o seleccionador nacional Luiz Filipe Scolari chamou o guarda-redes do Sporting Rui Patrício à selecção portuguesa, que vai defrontar a Itália, em jogo de preparação para o Europeu 2008. Por parte da Federação Portuguesa de Futebol, trata-se de dar continuidade à aposta num atleta que tem sido chamado a defender a baliza portuguesa nas selecções jovens.
Nos anos sessenta, o clube de Alvalade tinha o jovem Vítor Damas, que, aos 21 anos, fez a sua estreia na selecção nacional, em 6 de Abril de 1969. Quarenta anos depois, volta a ter um jovem guarda-redes no grupo de trabalho da selecção principal de Portugal. É um motivo de orgulho para o jogador, para o Sporting Clube de Portugal e, em particular, para os responsáveis pela academia do futebol leonino. Mas é uma grande bofetada de luva branca naqueles que, no último defeso, foram a um mercado distante comprar um guarda-redes, internacional, é certo, mas igualmente jovem, para substituir Ricardo na baliza do Sporting, ignorando o potencial de um produto da formação do clube possuidor da cultura sportinguista. E não há aqui nada contra Stojkovic, que não tem culpa nenhuma de ter sido contratado. A questão é que, na construção de uma equipa de futebol, podem ser integrados sem grandes sobressaltos dois ou três jogadores de qualidade vindos de países muito diferentes e distantes, mas já se torna uma tarefa muito difícil, e sujeita a falhanços, integrar nove ou dez jogadores, como aconteceu este ano a Paulo Bento, mais a mais quando, entre esses jogadores, há alguns cuja qualidade deixa a desejar.
Voltando à baliza do Sporting, a verdade é que o decorrer da temporada demonstrou que a sucessão de Ricardo deveria ter passado imediatamente por Rui Patrício, como, na altura, foi defendido aqui. Como em outros casos de jogadores do Sporting formados na academia do clube que se impuseram na equipa principal, também no que diz respeito ao lançamento de Rui Patrício como titular da equipa sénior, acabaram por ser os acontecimentos a ditar a estratégia e não a estratégia a ditar os acontecimentos. Parabéns, Rui Patrício! FOTO: "Record"

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

A boa disposição de Pinto da Costa

Tendo em conta a exibição negativa do FC Porto frente ao Sporting, aliás traduzida na derrota por 2-0, a grande surpresa da noite de Alvalade foi a boa disposição de Pinto da Costa que, como se sabe, costuma ficar irritado com os desaires da sua equipa. Mas desta vez, em Alvalade, foi diferente. Seja pelo facto de o FC Porto possuir uma confortável vantagem na tabela classificativa, seja por outro motivo qualquer. A verdade é que Pinto da Costa não tinha motivos para se sentir um intruso no reino do leão, pois foi recebido como um autêntico Papa pelo estado-maior sportinguista, liderado por Filipe Soares Franco. De tal forma que o presidente do FC Porto, rodeado por dirigentes leoninos, até cantou os parabéns a Maria de Lourdes Borges de Castro, a sócia mais antiga do Sporting, que na semana finda celebrou 85 anos. E provou uma fatia de um bolo providenciado por Soares Franco, que ostentava um emblema do clube de Alvalade. Longe vão os tempos em que Pinto da Costa cortava relações com o Sporting ou não recebia um presidente leonino... FOTO: Gustavo Bom

CORREIO LEONINO

FOTO: Marcos Borga (Reuters)

TENHAM VERGONHA!...
Caro Leão da Estrela,
Não vou embandeirar em arco com a vitória do nosso Sporting sobre "a equipa que melhor joga futebol em Portugal", na expressão ridícula e (pelo menos) leviana do comentador Rui Santos, "o Marcelo Rebelo de Sousa do pontapé na canela".
Só me vou rir desses canhestros comentadores, cheios de certezas e de enorme "boa fé" que passam a vida a querer (que gentis que eles são!) dar tacticas a Paulo Bento. O ridículo dos seus comentários só rivaliza com o ridículo da sua figura, mas isso o coitado não tem culpa, já nasceu assim!
Não posso deixar de me rir - aí sim a bandeiras desfraldadas - com a afirmação que o Sporting ganhou 2-0 ao FC Porto por pura sorte. Terá sido sorte e apenas sorte?
Será que Paulo Bento, com todas as insuficiências da actual equipa de futebol do nosso querido Sporting não soube armar tacticamente a equipa?
Será que os "andrades" nunca tiveram sorte, num único jogo desta temporada? Se calhar não tiveram só sorte.
Será que o jogo no "Dragão" o tal livre inventado não foi sorte? Se não foi sorte, então o que foi? E a malta da galinha de Carnide (vulgo Benfica) nunca teve sorte? Os golos marcados nos últimos minutos por esse amontoado de jogadores que enverga a camisola da galinha de Carnide não foram sorte? E o Sporting teve sorte contra o Roma?
Tenham vergonha! E não façam de nós estúpidos! Viva o Sporting! Saudações Leoninas!
Jorge de Lemos Peixoto, Lisboa (enviado por e-mail)

RECORTES LEONINOS Vukcevic

GANHOU O GOSTO AOS GOLOS
Marcou o seu oitavo golo da temporada, seis dos quais apontados nos últimos dez encontros do Sporting, e rendeu Liedson (com apenas dois golos neste período) como o "matador" de serviço na equipa. (...). Simon Vukcevic é o jogador do momento em Alvalade. Abriu as portas da vitória no clássico, possibilitou o segundo golo a Izmailov, desviando de cabeça (apesar de estar em fora-de-jogo) um cruzamento de Pereirinha, mal aliviado pela defesa adversária. Foi um dos maiores investimentos do Sporting na presente época, veio rotulado de grande esperança e, com 21 anos, parece ser uma aposta ganha dentro do perfil estratégico traçado pelos "leões" para as suas contratações. Estreou-se de camisola "leonina" com o Lille, na apresentação oficial da equipa aos adeptos, e marcou na primeira vez que tocou na bola. Ontem voltou a demonstrar que não foi obra do acaso. Liedson pode bem ter encontrado a sua cara-metade no ataque "leonino". Tornou-se titular indiscutível no "onze" de Paulo Bento e voltou a demonstrar que está para ficar. A vitória frente ao FC Porto acaba por ser a melhor prenda para o montenegrino, arrebatado aos russos do Saturn, que amanhã completa 22 anos.
TEXTO: Bruno Prata, "Público", 28-01-2008
FOTO: Nacho Doce (Reuters)

domingo, 27 de janeiro de 2008

Duas jogadas, dois golos e uma vitória importante

Duas jogadas apenas, com imaginação, largura e, sobretudo, velocidade, precisamente três atributos que o Sporting não tem evidenciado ao longo desta temporada, deram ao clube leonino uma vitória importante por 2-0 sobre o FC Porto, diminuindo para 11 pontos a diferença em relação ao líder da I Liga Portuguesa, precisamente o adversário de hoje. Tudo ficou decidido entre os 13 e os 15 minutos, período que correspondeu aos momentos mais fulgurantes do Sporting em todo o jogo, que há muito não eram vistos por Alvalade.
O resto da partida, mais disputada do que bem jogada, foi diferente. Muito diferente. Nos primeiros minutos, o FC Porto assustou e o Sporting mostrava clamorosas falhas defensivas. Sempre que era assinalado um livre a favor do FC Porto, instalava-se o pânico na defesa leonina. Mas após os dois golos de rajada, por Vukcevic e Izmailov, que responderam da melhor forma a cruzamentos de Izmailov e Pereirinha, respectivamente, a equipa de Jesualdo Ferreira pareceu ter ficado atordoada e, estranhamente, desapareceu do jogo. Muito desconcentrado, o FC Porto nada fazia bem feito, falhando passes e ocasiões de golo que não costuma falhar. Muitas vezes porque o Sporting, sempre pressionante e revelando um enorme espírito de sacrifício e uma grande força colectiva, também não deixava. E quando os portistas rematavam com acerto, estava lá Rui Patrício ou, como chegou a acontecer, a barra e Anderson Polga. Depois de estar em vantagem, a equipa de Paulo Bento abdicou de jogar no campo todo, passou a jogar mais recuado, só atacando através de um futebol directo, tentando aproveitar os espaços que o FC Porto, a correr atrás do prejuízo, cedia na sua retaguarda.
Foi um jogo de qualidade mediana, e, por vezes, muito quezilento. Valeu pela vitória do Sporting e pelas exibições de Rui Patrício, Pereirinha (precisa de mais espaço na equipa para se afirmar em definitivo), Anderson Polga, Izmailov e Vukcevic (parceiro de Liedson, na frente, e com uma entrega ao jogo e uma disponibilidade física notáveis). FOTOS: Steven Governo (Associated Press)

MEMÓRIAS LEONINAS O "Secretário" de Acosta...

No dia 18 de Março de 2000, o Sporting-FC Porto decidiu o campeonato a favor do clube de Alvalade. O Sporting, então treinado por Augusto Inácio, não ganhava o título há dezoito anos e o FC Porto era campeão há cinco anos consecutivos. E se o Sporting ganhasse passaria para a frente da classificação. Imaginem a pressão… Curiosamente, foram os jogadores mais experientes que fizeram a diferença, a favor do Sporting, que ganhou por 2-0. O brasileiro André Cruz, na marcação primorosa de um livre directo, abriu o activo. A confirmação da vitória aconteceu ainda antes do intervalo, naquele que ficou para a história como o momento mais negro da carreira do defesa portista Secretário. Numa reposição de bola, Secretário desconcentrou-se e “assistiu” o “velho” ponta-de-lança do Sporting Beto Acosta, que apanhou a bola e arrancou como uma flecha em direcção à baliza de Vítor Baía, rematando cruzado em arco, à entrada da área, marcando um golo de belo efeito que fez explodir Alvalade. Pela primeira vez em muitos anos o Sporting tinha o título à vista, a oito jornadas do fim.

RECORTES LEONINOS

DE QUARESMA A PAULO BENTO *
(...) Mas a contratação de futebolistas por valores do primeiro escalão europeu não corresponde, definitivamente, à política do Sporting, cuja prioridade, de novo a fazer fé nas palavras de Soares Franco antes do jogo com o Beira-Mar, passa pelo futebol da formação. Se conseguir preservar esta aposta, Soares Franco, como é evidente, pode estar agora a encher os cofres dos bancos que emprestaram dinheiro ao Sporting, mas a impedir que no futuro se repitam os casos Quaresma, hoje por hoje o jogador mais importante no FC Porto bicampeão nacional e que se prepara para visitar Alvalade com 14 pontos de avanço. Quando percebeu que tinha a possibilidade de fazer regressar Quaresma a Portugal por um valor aquém da qualidade do extremo formado pela escola leonina, Pinto da Costa antecipou-se à concorrência e comprou um futebolista determinante nos dois últimos títulos e que em Julho próximo poderá render vários milhões de euros assim que terminar o Campeonato da Europa. Para garantir isso, o presidente portista precisou apenas de renovar com o senhor das trivelas até 2011. Estivesse Soares Franco desobrigado de prestar tanta atenção às reuniões de Câmara e teria certamente aproveitado o contexto para fazer algo de semelhante em Alvalade, ou seja, renovar com Paulo Bento pelo menos até 2011. Seria a melhor forma de finalmente provar que quer mesmo fazer de Bento o Alex Ferguson do Sporting (sim, sem Carlos Queiroz) e de elevar os níveis de motivação no plantel antes de um Sporting-FC Porto.
João Rosado, "Diário de Notícias", 25-01-2008
(*) - Título do LEÃO DA ESTRELA

MEMÓRIAS LEONINAS O calcanhar de Jordão

No dia 30 de Janeiro de 1983, faz na próxima quarta-feira 25 anos, realizou-se o último Sporting-FC Porto em que um único jogador apontou três golos. Foi Rui Jordão, então figura destacada do perigoso ataque leonino. O jogo foi empolgante, como demonstra o empate final a três golos. Mas foi também nesse jogo que Rui Jordão - que actualmente é artista plástico - marcou um dos golos mais bonitos de sempre da história do futebol. Na sequência de um pontapé de canto, apontado do lado esquerdo do ataque leonino, no topo sul do antigo Estádio José Alvalade, Rui Jordão surpreendeu a defesa portista com um simples toque de calcanhar, enganando o guarda-redes Amaral e fazendo a bola entrar ao segundo poste. Indefensável, nem que na baliza estivesse o melhor guarda-redes do mundo. Foi um dos momentos mais belos num jogo de futebol no antigo Estádio José Alvalade. Só por este golo o Sporting merecia ter ganho o jogo.

MEMÓRIAS LEONINAS O jogo de Mário Jorge

No dia 17 de Janeiro de 1982, fez há dias 26 anos, o Estádio de Alvalade foi palco de uma das vitórias mais saborosas do Sporting sobre o FC Porto. Não só porque essa vitória, por 1-0, significou mais um passo rumo à conquista do campeonato, mas também porque resultou de uma opção táctica do treinador de então, o inglês Malcolm Allison, que surpreendeu os adeptos sportinguistas e foi, até, muito criticada. Mas o inglês ousou arriscar e… ganhou. Nessa temporada, o Sporting possuia um tridente ofensivo demolidor, constituído por Manuel Fernandes, António Oliveira e Rui Jordão, mas este último estava a passar um período de menor inspiração. Não obstante tratar-se de um símbolo da equipa, Malcolm Allison decidiu retirar Jordão da convocatória para o importante jogo com o FC Porto, fazendo alinhar no seu lugar o extremo-esquerdo Mário Jorge, um produto da formação leonina que, com apenas 20 anos, era suplente. Com esta opção, Allison pretenderia, por um lado, “mexer” com Rui Jordão no plano psicológico e, por outro lado, surpreender o então lateral-direito do FC Porto e da selecção nacional, Gabriel Mendes. E conseguiu. Aos 34 minutos, Mário Jorge apontava o golo que decidiria a partida, que se tornou inesquecível para o então jovem leonino. Desde então, Mário Jorge, que tinha um dos melhores pés esquerdos do futebol português naquela época, tendo passado ao lado de uma excelente carreira, ganhou espaço na equipa. De tal modo que terminaria a época como titular, adaptado ao lugar de defesa-esquerdo, ele que sempre fora um atacante. Quanto a Rui Jordão, que ficara de fora na partida com o FC Porto, regressou à titularidade oito dias depois, marcando um dos golos da robusta vitória leonina (3-1) sobre o Belenenses, no Estádio do Restelo. E na jornada seguinte assinou mais três golos ao Académico de Viseu... Fez-lhe bem não defrontar os portistas...

sábado, 26 de janeiro de 2008

O fracasso das SAD's em Portugal

As últimas notícias da Bolsa de Lisboa confirmam o fracasso das sociedades anónimas desportivas (SAD) dos três grandes clubes portugueses: Sporting Clube de Portugal, Benfica e FC Porto. Em dez anos de presença na Bolsa, as acções do Sporting e do FC Porto, que valiam cinco euros quando foram emitidas, valem agora menos de dois euros. As acções do Benfica, na Bolsa desde Maio último, também já desvalorizaram 60 por cento. No total, as acções dos três grandes perderam um total superior a 161 milhões de euros.
Segundo os especialistas, o problema está na excessiva concentração das acções numa só entidade (no caso, os próprios clubes). Mas parece ser um problema difícil de ultrapassar, tendo em conta as razões culturais e históricas subjacentes a uma existência centenária dos três maiores clubes portugueses.
Sporting, Benfica e FC Porto são instituições maiores do que o País, com adeptos em todo o território nacional e também no estrangeiro. São marcas muito fortes, que só funcionam movidas pela paixão. São clubes muito grandes num País que é pequeno. Se perdessem o controlo das suas equipas de futebol, ficariam à mercê de qualquer investidor que, por seu turno, poderia transformar cada clube naquilo que quisesse. Num mero entreposto de jogadores, por exemplo, sem qualquer cultura sportinguista, benfiquista ou portista. Porém, só assim uma SAD acompanharia a dinâmica do mercado e seria apetecível aos grandes investidores.
A questão é saber se os sócios, os adeptos e os dirigentes históricos dos grandes clubes portugueses estão dispostos a isso, trocando a vida centenária dos seus clubes, que se conhece, por algo incerto, uma vez que o controlo dos clubes passaria a ficar… incontrolável. É aqui que reside a grande encruzilhada do Sporting – há muito que a actual direcção vem defendendo o fortalecimento da SAD através da aquisição do Estádio José Alvalade e da Academia de Alcochete… –, mas também do Benfica e do FC Porto.
Se calhar, faria sentido que os clubes portugueses repensassem a sua estratégia de gestão e ponderassem o fim das sociedades anónimas desportivas. Portugal é Portugal. A Inglaterra é a Inglaterra. O Sporting, o Benfica e o FC Porto, que são clubes suficientemente grandes para poderem ter vida própria fora do mercado bolsista, têm uma história e uma cultura que não podem ser alienadas. Sob pena de deixarem de fazer sentido tal como os conhecemos.

FORAM LEÕES Carlos Queiroz

O HOMEM DA TEORIA
O País caminhava na modorra habitual, em Março de 1989, quando uma selecção nacional tropeça num título mundial de juniores. Os olhos da nação viram-se para um jovem, bigode alinhado e olhar profundo. Muitos viram nele o precursor de uma nova era no futebol português, um corte com um passado que havia condenado pelo menos duas gerações de futebolistas a ‘passar ao lado de grandes carreiras’. Formado pelo ISEF em 1975, após a chegada de Moçambique, onde nasceu, Carlos Queiroz foi jogador modesto (guarda-redes em escalões jovens) e sempre preferiu a parte teórica do futebol. ‘Estagiou’ como adjunto de Mário Wilson no Estoril-Praia. Em 1987 é contratado pela FPF para a formação. Meticuloso, organizado, metódico quase à exaustão, sagra-se bicampeão do Mundo de sub-20. Chamam-lhe “o pai da Geração de Ouro”. A promoção à Selecção A foi um passo natural, mas em 1993 abandona a FPF após deixar a Selecção fora de mais um Mundial e diz ser urgente “varrer a porcaria da Federação”. Ingressa no Sporting, mas não consegue ser o D. Sebastião leonino. Deixa o País e corre Mundo. Assenta em Manchester, como braço-direito de Alex Ferguson. Pelo meio acrescenta uma mal sucedida passagem pelo Real Madrid. Há lacunas no currículo que ainda estão por preencher.
Autor: Mário Pereira, "Correio da Manhã", 19-01-2008

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

FORAM LEÕES Luizinho

Luizinho foi um dos melhores defesas-centrais da história do futebol brasileiro que, fora do Brasil, jogou apenas no Sporting. Foi entre 1989 e 1992, período que correspondeu aos primeiros três anos da gestão de Sousa Cintra como presidente do clube de Alvalade. Uma contratação que trouxe valor acrescentado ao futebol leonino. Luiz Carlos Ferreira, conhecido por Luizinho, foi um central clássico, que não precisava de utilizar a violência para desarmar o adversário. Chegou a Lisboa com 31 anos, depois de ter estado no Campeonato do Mundo de 1982 e de ter representado a selecção brasileira durante sete anos. Ao contrário da maioria dos atletas da sua posição, não se destacava pela raça e pelo vigor físico. Foi o estilo clássico que o consagrou. Era considerado um central-craque. Perfeito na antecipação e no jogo posicional, desarmava os adversários sem recorrer ao choque. Saía da defesa para o ataque, como poucos, executando bons passes e lançamentos primorosos, como se fosse um jogador de meio-campo. Luizinho é o que se pode considerar um homem intimamente ligado às suas origens. Jogou no Villa Nova – clube de Nova Lima, a sua cidade natal, no Estado de Minas Gerais –, entre 1975 e 1977. Nos onze anos seguintes representou o Atlético Mineiro. Depois aconteceu a aventura europeia, no Sporting Clube de Portugal, onde não conquistaria nenhum título nacional ou internacional. Integrou, porém, a equipa orientada por Marinho Peres que chegou às meias-finais da Taça UEFA, em 1990-91, tendo sido eliminada pelo Inter de Milão. Entre 1992 e 1994, já no fim da carreira, representou o Cruzeiro. E terminou no clube onde começou, o Villa Nova, entre 1995 e 1996. O curioso é que Luizinho, agora com 49 anos, passou para o clube dos dirigentes. Há um ano, assumiu a vice-presidência do Villa Nova, precisamente onde nasceu para o futebol – cujo sítio oficial na Internet, num exercício de memória notável, menciona o facto de Luzinho ter jogado no “Sporting de Portugal”. O Villa Nova – que tem a particularidade de ser conhecido como o “Leão do Bonfim” –, subiu à Série B do futebol brasileiro (II Divisão Nacional), e vai disputar agora o campeonato mineiro. O título estadual foge desde 1951, mas Luizinho quer recuperá-lo rapidamente, tanto mais que o Villa Nova, em 2008, está a comemorar o centenário. O clube foi fundado em 28 de Junho de 1908, em Nova Lima, por mineiros ingleses da Mineração Morro Velho, considerada a mais profunda mina de ouro do mundo. Foi a primeira equipa de Minas Gerais a ceder jogadores à selecção brasileira. Um deles foi Luizinho.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Taça da Liga à vista

Ao vencer o Beira Mar, da II Liga, por 3-0, num Estádio de Alvalade quase deserto, pois registou a pior assistência da temporada (6436 espectadores), o Sporting regressou às vitórias na Taça da Liga e ficou em boas condições para conseguir o acesso à final da primeira edição da prova, que já não conta com FC Porto e Benfica. Apesar do resultado, não foi um jogo fácil para a equipa de Paulo Bento, que só aos 68 minutos, através de Liedson, e na sequência de uma das raras boas movimentações colectivas do Sporting, descobriu o caminho da vitória, sobre um Beira Mar que só soube defender até quando pôde. Nos minutos finais, Vukcevic provou que é o melhor parceiro para Liedson no ataque ao ter apontado mais dois golos, de boa execução. Paulo Bento tinha pedido paciência aos jogadores e o Sporting foi, de facto, uma equipa demasiado paciente, exibindo a tristeza e a lentidão do costume, transformando a primeira parte do jogo num espectáculo penoso. Após o intervalo, o Sporting melhorou, jogou o suficiente para vencer com tranquilidade. Quando os golos começaram a entrar, o Beira Mar mostrou toda a sua fragilidade, ficando a sensação de que tudo poderia ter sido resolvido mais depressa e melhor. A coisa boa que fica é que a Taça da Liga está agora ao alcance do Sporting. FOTO: Francisco Leong (AFP)

O "caso" Quaresma

Ricardo Quaresma, que era um “enfant terrible” quando fez os primeiros anos de sénior ao serviço do Sporting, sendo apontado a dedo, entre outros motivos, por ser de etnia cigana, foi, agora, protagonista de mais um caso, desta vez no FC Porto. Como um menino mimado, queixou-se dos assobios dos adeptos portistas e deu a entender que o seu tempo no clube estaria à beira do fim. Um caso destes, se tivesse ocorrido no Sporting, seria motivo de páginas e páginas de jornais, de horas e horas de programas de rádio e televisão e, eventualmente, de um processo disciplinar ou coisa parecida. E o que é que aconteceu? Demonstrando uma liderança forte em defesa dos superiores interesses do FC Porto, a SAD de Pinto da Costa desautorizou vozes presumivelmente representativas do clube, comprou a totalidade do passe do jogador e renovou-lhe o contrato até 2011. Isso não significa que o jogador não possa sair no final desta temporada. Mas a verdade é que a polémica, aparentemente, terminou e Quaresma voltou a declarar o seu amor pelo FC Porto.

Obs. - Escusado será dizer que um caso destes no Benfica seria motivo para 269 reuniões entre Luís Filipe Vieira e José António Camacho.

Informar os sportinguistas

Agora que, finalmente, a Câmara de Lisboa aprovou a urbanização para os terrenos do antigo Estádio José Alvalade, seria importante que o presidente Filipe Soares Franco utilizasse o sítio oficial do Sporting na Internet para explicar em que situação ficam as contas do clube. Entregando à MDC a viabilidade construtiva obtida na Câmara Municipal e recebendo dinheiro em troca, como ficarão as contas? Os 27,5 milhões de euros vão servir para abater a dívida ao BES ou ao BCP? Quanto ficará a dever o Sporting a cada banco e por quanto tempo?
O sítio oficial do Sporting na Internet poderia servir para prestar estas informações, em vez de ser palco de macacadas, como aquela da ideia de substituir Rui Santos no programa "Tempo Extra", da SIC Notícias, felizmente já retirada.

O LEÃO DA ESTRELA na imprensa

"O Jogo", 23-01-2008

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

O LEÃO DA ESTRELA na Sport TV

A Sport TV está a realizar uma reportagem sobre blogs do Sporting e do FC Porto no âmbito da cobertura do jogo entre Leões e Dragões, no próximo domingo, a contar para a 17ª jornada da I Liga Portuguesa. O LEÃO DA ESTRELA foi um dos blogs escolhidos para essa reportagem. Neste momento, estou aqui a ser filmado pela operadora de imagem Ana Veloso, enquanto o jornalista Paulo Castro tem uma série de perguntas difíceis para fazer ao LEÃO DA ESTRELA. Não é nada fácil falar do Sporting actual. Estamos na Biblioteca Municipal de Vila Nova de Famalicão. FOTOS: António Freitas

CORREIO LEONINO

MARIA DE LOURDES AGRADECE
Agradeço, muito sensibilizada, as amáveis e carinhosas referências ao meu 85º aniversário. O meu coração será sempre verde até ao meu último momento. O Sporting e os sportinguistas sabem que, desde sempre, o nosso querido clube pôde contar com a minha dedicação, com a minha devoção e com o meu esforço, enquanto atleta. Só não dei glória ao Sporting, mas tive a felicidade de assistir e viver muitas das suas inesquecíveis glórias. Também o meu agradecimento aos sócios, que tão generosos foram nos seus comentários. Afectuosas Saudações Leoninas. VIVA O SPORTING!!!
Maria de Lourdes Borges de Castro, sócia nº 6 do Sporting Clube de Portugal (enviado por e-mail)

Brincadeira pegada

Com graves problemas financeiros e desportivos para resolver; com a equipa de futebol atrás do Vitória de Guimarães e a 14 pontos do FC Porto na I Liga Portuguesa; com um administrador demissionário que continua a contratar jogadores estrangeiros sem currículo; com o Estádio de José Alvalade cada vez mais vazio à medida que avançam as jornadas da Liga ou as eliminatórias da Taça de Portugal; com tudo isso, e muito mais, o Sporting anda preocupado com a programação da SIC Notícias, perguntando aos sportinguistas, no site oficial do clube, quem deve substituir o jornalista Rui Santos no programa "Tempo Extra". O Sporting da actualidade é uma brincadeira pegada. Não admira o que acontece no relvado.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

O exemplo de Maria de Lourdes

É uma figura ímpar nos clubes portugueses. Maria de Lourdes Borges de Castro, a mulher que há mais tempo é sócia do Sporting Clube de Portugal, está hoje de parabéns, pois completa 85 anos de idade e outros tantos de associada activa do clube do seu coração. Sócia nº 6 do Sporting e figura incontornável do universo leonino, Maria de Lourdes é também conhecida como cronista do jornal do clube, onde, há poucos meses, surpreendeu muita gente ao ter revelado que passa muito do seu tempo livre navegando na Internet, actualizando conhecimentos e conversando com inúmeros amigos. Merece, sem dúvida, que os jogadores leoninos lhe dediquem a vitória sobre o FC Porto, no próximo domingo. Verdadeira mulher com garra, Maria de Lourdes é um exemplo raro de dedicação e devoção ao Sporting, cuja longevidade, constantemente adaptada às novas tecnologias, o LEÃO DA ESTRELA saúda. Parabéns!

sábado, 19 de janeiro de 2008

Paulo Bento e o "ruído exterior"

Independentemente de ter ou não condições para ser treinador do Sporting, Paulo Bento é um dos bons profissionais que servem o clube leonino. E já conseguiu resultados. Como jogador, foi campeão e vencedor da Taça de Portugal e da Supertaça; como treinador foi campeão nacional de juniores e, como treinador da equipa principal, também conquistou uma Taça de Portugal e uma Supertaça. Mas na temporada em curso está a provar o fel dos maus resultados e do mau futebol praticado pela equipa, para o que concorrem causas que só o grupo de trabalho pode resolver (por exemplo, jogar bem em vez de jogar mal, no que diz respeito a cada jogador e ao colectivo de jogadores, ou, no que diz respeito ao treinador, decidir por fazer alinhar um jogador em vez de outro). Mas também há causas de que decorrem das condições proporcionadas pela estrutura superior que gere o futebol do Sporting. E aqui entra a política de contratações, a protecção do “balneário”, o acompanhamento da vida pessoal dos jogadores (no que diz respeito, por exemplo, à resolução dos seus pequenos-grandes problemas diários), a mensagem para o exterior, etecetera.
Neste sábado, o Sporting venceu por 4-0 (a primeira vitória do ano ao fim de três jogos!) e foi apurado para a sexta eliminatória da Taça de Portugal. A vitória foi clara, mas a equipa de Paulo Bento voltou a exibir uma primeira parte intranquila e de fraca qualidade, em que valeu apenas o excelente golo apontado por João Moutinho. “Nem o facto de termos marcado cedo nos deu tranquilidade e segurança”, desabafou, no final, Paulo Bento. O problema é justamente esse. O Sporting não tinha pela frente o Manchester United. Era apenas o Lagoa, um conjunto de jogadores simpáticos do terceiro escalão do futebol português. Ainda assim, como declarou Paulo Bento, “fomos precipitados e denotámos algum nervosismo e ansiedade”. O que se pergunta é: por que é que este Sporting tem medo de jogar à bola? É por causa do “ruído exterior” que não permite “executar as ideias”? Mas que “ruído exterior” é esse que impede o Sporting de jogar bem até frente ao modesto Lagoa?!... Não estará na hora de rever o discurso?...

Os "Paços" de Fábio Paim

O internacional português e jovem promessa do Sporting Fábio Paim, que até agora estava “escondido” no Trofense, na Liga de Honra, vai passar a poder mostrar-se na I Liga, ao serviço do Paços de Ferreira, onde jogará por empréstimo até ao fim da temporada. É um bom acto de gestão da SAD do Sporting neste Inverno.
Fábio Paim tem 19 anos e é internacional português em todos os escalões jovens, estando agora a representar a selecção sub-20 Foi, aliás, decisivo na vitória a Portugal sobre a Eslováquia (2-1), esta semana, com uma assistência e um golo. O avançado estava emprestado ao Trofense, mas o acordo de empréstimo contemplava uma possível saída em Janeiro para um clube da I Liga.
Fábio Paim, que vai vestir a camisola número 88, revelou estar “muito satisfeito com a oportunidade de jogar pela primeira vez” na Liga Portuguesa e espera “ajudar o Paços de Ferreira a alcançar os objectivos propostos para esta temporada”. Se o fizer, será bom para ele e, por consequência, para o Sporting.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

O peso do Espírito Santo

A diferença entre o FC Porto, Sporting e Benfica, na I Liga Portuguesa, não se traduz apenas em termos de futebol praticado e pontos conquistados. Também ao nível da sponsorização das camisolas há uma grande diferença entre o clube de Pinto da Costa e os dois clubes de Lisboa. Basta reparar bem na parte das costas das camisolas dos três clubes para encontrar as diferenças… Enquanto os nomes dos jogadores do Sporting e do Benfica são impressos por baixo do Banco Espírito Santo, os nomes dos jogadores do FC Porto são impressos por cima. Não sabemos se essa diferença se traduz em euros nos respectivos contratos de sponsorização, assim como não sabemos se foi Pinto da Costa que não admitiu que os seus jogadores ficassem sob a pata do banco, ou se Filipe Soares Franco e Luís Filipe Vieira não se importaram com isso. A verdade é que o Banco Espírito Santo parece ter mais peso nas costas dos jogadores do Sporting e do Benfica, do que nas costas dos jogadores do FC Porto. A diferença não é assim tão pequena. Não tenham dúvidas: também é por isso que o FC Porto vai à frente.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

O que dizem de Tiuí no Brasil

Alguns comentários dos leitores do jornal desportivo brasileiro Lancenet à notícia sobre a contratação de Rodrigo Tiuí pelo Sporting e às comparações do atleta com o seu compatriota Liedson são, no mínimo, vergonhosos para o clube português e para o futebol europeu. O próprio jornal até brinca com as declarações de Tiuí, chamando para título uma frase reveladora: "Sou parecido com Liedson". A ilustrar a notícia, o Lancenet coloca as imagens dos dois jogadores lado a lado e escreve uma legenda irónica: "Futebol parecido... Será?" Vejamos os comentários dos leitores:

1 - LUIS ROGERIO ERWIG - 17/1/2008 17:22: "Olha eu também acho ele parecido com o Liedson, ambos têm dois olhos, um nariz, uma boca, dois braços, duas pernas... A grande diferença está nas pernas, acredito, pois as duas do Liedson jogam muito, agora as do Tiuí, pelo amor de Deus... Só os portugueses pra acreditarem nessa comparação... VAI PALESTRA!!!!!!!!!!!!!"

2 - FÁBIO FRANCO - 17/1/2008 11:23: "E o meu futebol com o do Van Basten, Johann Cruyff... Esse ex-lambari é uma piada!!!"

3 - RAFAEL BALDO - 17/1/2008 10:08: "Até os pernas de pau a Europa tá levando..."

4 - JOSINEY PEREIRA DE OLIVEIRA - 17/1/2008 9:00: "Pode ter certeza, ele jogou no Fluminense, Santos e nada fez. Ele passou a temporada passada amargando a reserva!"

5 - ANANIAS NUNES DE SOUZA - 17/1/2008 8:40: "Como é que pode um time grande como o Sporting contratar uma pereba dessa?"

FONTE: Lancenet
Obs. - O LEÃO DA ESTRELA agradece ao leitor António Quaresma a indicação do link para esta informação.

De Tiuí a Makukula...

O Sporting, que tem aspirações na Taça UEFA e nas provas internas, mas não tem dinheiro, foi ao Brasil buscar o avançado Rodrigo Tiuí, um jovem de 22 anos, que estava sem clube há várias semanas. Tinha rescindido o seu contrato com o Fluminense, depois de um campeonato brasileiro onde o jogador não convenceu, marcando apenas três golos. Antes, estivera emprestado ao Santos, mas um desentendimento com o treinador Vanderlei Luxemburgo (que exigia a Tiuí que fosse agenciado pelo seu empresário…) fê-lo regressar ao Fluminense. Entretanto, acabou por não assinar pelo modesto Sport do Recife, o único clube brasileiro que nos últimos tempos terá mostrado interesse no jogador.
Todos os sportinguistas gostariam de poder vibrar com os golos de Tiuí – um nome de pássaro. O melhor será não esperar nada de especial e talvez o rapaz até possa chegar lá... As comparações, nomeadamente com Liedson, podem ser perigosas. A verdade é que esta contratação de Inverno parece ser mais uma das que têm sido feitas: tiros no escuro para ver no que dão. Mais: é contratado um jovem quando dizem que um dos problemas leoninos está justamente na excessiva juventude e falta de experiência do plantel...
Uma das poucas referências a Rodrigo Tiuí, encontrei no Blog do Torcedor do Fluminense, editado pelo jornalista João Marcelo Garcez: “Sabe cair pelas pontas e tem lá suas virtudes. Também é uma boa opção para o elenco do Flu.” Isto escreveu Garcez em 13 de Julho último, no arranque do “Brasileiro 2007”, onde o “pássaro” marcaria os tais três golos.
Independentemente disso, a verdade é que, sem dinheiro, o Sporting não pode ter grandes vícios. Há, porém, um enigma: tal como o Sporting, também o Benfica criou uma SAD, construiu um novo estádio e uma academia. O Benfica ainda construiu um pavilhão para as modalidades e o Sporting não. O Sporting contrata Tiuí porque não tem dinheiro para mais. Já o Benfica deverá contratar o internacional de Portugal Makukula…

Segredos leoninos nas mãos do Braga...

O ainda administrador e gestor de activos da SAD do Sporting, Carlos Freitas, já tem um compromisso com o Sporting de Braga, onde deverá começar a trabalhar como director desportivo no dia 1 de Fevereiro, segundo revela o Blog da Bola. Caso se confirme a sua transferência para Braga, a meio da temporada e saindo directamente da administração da Sporting SAD, levanta um problema novo no futebol português, que seria impensável antes da entrada em funcionamento das sociedades anónimas desportivas e que levanta questões de ordem ética muito sensíveis. Freitas não foi um mero jogador do Sporting, muito menos roupeiro, ou técnico de equipamentos, como se diz agora. É (ainda é...) um administrador que conhece todos os segredos da gestão do futebol do clube que vai deixar, que concorre directamente com o Sporting de Braga nas várias provas. Vai para o Braga, como poderia ir para o Benfica ou para o FC Porto. A SAD do Sporting não deveria ter impedido uma situação destas, exigindo ao seu ex-administrador uma espécie de período sabático, após o qual ele poderia ir para onde quisesse? É um problema que pode acontecer a qualquer clube. Por isso, deixo-o à consideração dos leitores do LEÃO DA ESTRELA, para análise e debate. A outra questão tem a ver com compras ruinosas para o Sporting feitas nos últimos anos, precisamente em Braga: João Alves pago a peso de ouro, Wender pago pelo Sporting mesmo depois de devolvido ao mesmo Braga... O resultado disso pode estar à vista...

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Os números não enganam

Os números, âncoras fundamentais dessa ciência exacta chamada matemática, são infalíveis e estão sempre nos antípodas das considerações despropositadas e absolutamente gratuitas de qualquer rapaz do jornalismo cujo modo de vida seja mandar recados de outros. Os números são o que são e não enganam. No caso da audiência do blog LEÃO DA ESTRELA – um espaço sobre o Sporting Clube de Portugal escrito com um coração verde, o que parece ser uma heresia para um certo “sistema” que comanda um clube que é de alguns milhões de sportinguistas –, posso garantir que os números são muito bons. Segundo dados do contador da ShinyStat, de uma média diária de 194 leitores únicos no último mês de Junho de 2007 (o primeiro mês do blog neste endereço), o LEÃO DA ESTRELA regista uma média diária de 573 leitores únicos nos primeiros quinze dias de 2008. Nestes sete meses e meio, o LEÃO DA ESTRELA registou os seus máximos nos dias 5 de Novembro de 2006 (906 visitas únicas e 949 páginas consultadas) e 10 de Janeiro de 2008 (771 leitores únicos e 906 páginas consultadas). Na primeira quinzena de Janeiro, só nos dias 1 (294 visitas) e 5 (373 visitas) é que registou uma audiência inferior a 400 leitores. Os números são o que são e não enganam. O gráfico relativo às visitas únicas nos últimos meses pode ser consultado em cima. Para um rapaz do jornalismo habituado a mandar recados de outros será uma chatice. Obrigado aos sportinguistas que frequentam este espaço, que vibram com as vitórias e choram com as derrotas, e obrigado a todos os leitores do LEÃO DA ESTRELA!

RECORTES LEONINOS

PAULO BENTO TEM CONDIÇÕES?...
Mudar por mudar é quase tão ridículo como deixar tudo na mesma porque sim. No Sporting vive-se um momento em que é preciso agir. As imagens mostram jogadores a rezar, de cabeça perdida, nervosos e sem rumo. A culpa até pode morrer solteira, mas... Paulo Bento tem ou não condições para continuar à frente da equipa de futebol? Fica a pergunta.
Luís Octávio Costa, "Público", 15-01-2008

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

O "caso" João Moutinho

Uma boa notícia: a primeira sessão do julgamento que opõe o agente da FIFA Carlos Gonçalves ao futebolista João Moutinho, no Tribunal Cível de Lisboa, foi suspensa, devido a um possível acordo entre os envolvidos. Nesta acção, Carlos Gonçalves – que agora é representado pelo pai, Nelson Moutinho – reclama do futebolista uma verba de 200.000 euros. A disputa entre o “capitão” do Sporting e o seu antigo agente poderá ter uma conclusão esta semana. Está prevista para quinta-feira uma reunião conclusiva entre os advogados de ambos, devendo prevalecer o bom senso, com a cedência das duas partes. Carlos Gonçalves representou João Moutinho entre 2004 e 2006 e reclama do futebolista o pagamento de 10 por cento do montante do contrato de trabalho do jogador do Sporting naquele período. Já na época passada, Nani andou pelos tribunais a ser disputado por dois empresários. Não deixam de ser problemas que, em maior ou menor grau, acabam por afectar a disponibilidade para o trabalho e o rendimento dos jogadores. A pergunta é: por que é que estas histórias abundam no Sporting?... FOTO: www.sporting.pt

O divórcio de Liedson

Desde que chegou a Portugal e ao Sporting, em 2003, o brasileiro Liedson está a fazer a pior época de sempre no principal campeonato português. Até à décima-sexta jornada, facturou apenas quatro golos, contra seis em 2003-2004, catorze em 2004-2005, oito em 2005-2006 e seis em 2006-2007. Ou seja, Liedson está a precisar de quatro jogos para marcar um golo!... Que motivos para tão grande alergia ao golo daquele que é considerado o melhor ponta-de-lança a actuar em Portugal?
O jornal “A Bola”, na sua edição de hoje, procura encontrar as razões para a crise de golos do avançado brasileiro. Lembra o problema dos impostos (o jogador passou a descontar mais para a Segurança Social, ganhando menos no final do mês); refere-se a um desentendimento em campo com Vukcevic, na Madeira; aponta a polémica entrevista ao “Jornal de Notícias” onde contestou o castigo de Paulo Bento por o jogador brasileiro se ter recusado a treinar grandes penalidades; e menciona o facto de Liedson não se entender com o montenegrino Purovic na frente de ataque.
Será que estas são razões que justifiquem a má época de Liedson do Sporting? Obviamente que não. Nalguns casos são até consequências do mau desempenho. Em primeiro lugar, a crise de Liedson resulta da crise de exibições e, sobretudo, de resultados da própria equipa do Sporting. Em segundo lugar há um motivo pessoal, esse sim, com peso evidente no fraco rendimento do atleta, por muito que Liedson procure separar a vida pessoal da vida profissional.
Em meados de 2007, Liedson divorciou-se. A mulher foi viver para o Brasil e levou consigo o filho de ambos. Desde então, o jogador vive sozinho em Lisboa. Foi justamente para poder ficar mais tempo na companhia do filho que o jogador pretendia licença do Sporting para mais dois ou três dias no Brasil, nas últimas férias natalícias. Sem qualquer sensibilidade para resolver um caso destes, os burocratas do futebol do Sporting – em vez de proporcionarem apoio psicológico ao atleta num momento difícil da sua vida –, chumbaram a pretensão de Liedson. Ora, um homem, mesmo que seja um grande jogador, não é de ferro. Terá sido neste contexto que Liedson concedeu aquela entrevista explosiva ao “Jornal de Notícias”, publicada já com o atleta do outro lado do Atlântico. É por casos como este que o futebol do Sporting está como está. FOTO: www.sporting.pt

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Bettencourt: mais do mesmo

“Talvez não morra sem ser presidente.” Com esta simples frase, José Eduardo Bettencourt anunciou que está disponível para se candidatar à presidência do Sporting. Em quatro páginas de entrevista ao “Record”, e falando apenas para um jornalista (António Magalhães), Bettencourt, que até agora andou “escondido” na vice-presidência do Sporting Clube de Portugal, depois de já ter estado na SAD, adoptou um discurso apaziguador e muito pedagógico, sem deixar de mandar os seus recados. Foi brilhante na forma como conseguiu arrasar a política de contratações, nomeadamente nesta época – “de repente, o grupo passou a ter um peso de jogadores eslavos que não falam a língua…” –, e, ao mesmo tempo, elogiar o trabalho de Carlos Freitas – “demonstrou competência, conhecimento, relações internacionais”. No resto, deixou lugares-comuns e não apontou soluções. Lembrou que, dos três grandes clubes portugueses, o Sporting é o que menos investe no futebol, residindo aí a base do problema da falta de resultados desportivos. Nada que não soubéssemos. Finalmente, na sua abordagem ao passivo leonino - um dos problemas mais complexos que se colocam ao Sporting -, José Eduardo Betttencourt dá mostras de estar resignado face aos compromissos bancários, atribuindo o atrofiamento financeiro dos últimos anos e a impossibilidade de construir uma grande equipa de futebol à subida das taxas de juro e ao adiamento do licenciamento da urbanização dos terrenos do antigo estádio, ainda na gaveta da Câmara de Lisboa. Ou seja, o Sporting é um clube sem vida para além do défice. “Este problema, neste momento, ainda não tem solução”, sentenciou Bettencourt. Dificilmente um herdeiro do “Projecto Roquette” apontaria um caminho novo, capaz de mobilizar os sportinguistas. Depois desta entrevista, não deverá morrer sem ser candidato à presidência. Mesmo que, aparentemente, só tenha mais do mesmo para dar...

Entre Dimas e José Mourinho...

O Sporting anda desorientado, sem que os seus dirigentes ou adeptos mais ferrenhos saibam o que fazer para salvar a equipa de futebol do pior campeonato de sempre. Carlos Freitas foi embora e isso é capaz de alegrar muita gente. Mas não resolve os problemas leoninos. Como não resolveria a mera mudança de treinador.
Para substituir Carlos Freitas, já prepararam o caminho para o regresso de Dimas, desta vez como dirigente – ele que é uma espécie de empresário ligado aos amigos de Freitas no estrangeiro. Se o poder também subir à cabeça de Dimas, como subiu às cabeças de outros, nomeadamente a de Pedro Barbosa, será mais outro passo em direcção ao abismo. Mas a entrada de Dimas para o lugar de Freitas carregaria outro problema: seria mais do mesmo. Se até agora Freitas mandava na compra e venda de jogadores estando oficialmente dentro da SAD, doravante passaria a fazer o mesmo a partir de fora. Por outras palavras, a entrada de Dimas no futebol do Sporting significaria o prolongamento do pesadelo.
Os mais pragmáticos sonham também com o regresso de José Mourinho, desta vez não para tradutor, mas para treinador-salvador que devolva títulos ao Sporting. O blog Centúria Leonina, que lançou a ideia, pergunta se será rasgo ou loucura. É evidente que seria uma loucura. Independentemente de haver ou não haver dinheiro, só se José Mourinho estivesse louco é que tomaria conta do futebol do Sporting e dos seus incompetentes, onde não se incluem muito poucos, nomeadamente Paulo Bento e Carlos Pereira.
Saber como foi possível destruir um projecto que parecia ter pernas para andar é o grande enigma do futebol português da actualidade. Um enigma, de resto, fácil de esclarecer. Quem conhecer o ambiente de Alcochete perceberá facilmente como tudo aconteceu.

FORAM LEÕES Beto

Foi formado no Sporting Clube de Portugal aquele que é considerado um dos melhores guarda-redes da I Liga Portuguesa 2007-2008. Beto defende a baliza do Leixões com qualidade. Já tinha evitado a derrota leixonense no jogo com o Sporting, no Estádio do Mar. Neste fim-de-semana evitou a vitória do Benfica no Estádio da Luz. Com 180 centímetros de altura, António Alberto Bastos Pimparel, conhecido no futebol por Beto, nasceu em Loures, em 1 de Maio de 1982, poucos dias antes de o Sporting conquistar o título de campeão nacional, sob o comando técnico do inglês Malcolm Allison. Representou o Sporting “B” entre 1998 e 2002. Entre 2002 e 2004 esteve emprestado ao Casa Pia. Depois, desligou-se do Spoting e rumou a Norte para representar o Chaves, o Marco e, finalmente, o Leixões, entrando na Liga principal pelo clube de Matosinhos. A avaliar pelas suas exibições, o guardião Beto, aos 25 anos, está I Liga para ficar. Em 16 jogos, o Leixões, que luta para não descer de escalão, sofreu apenas 18 golos – mais três do que o Sporting! –, sendo a oitava defesa menos batida da prova.

domingo, 13 de janeiro de 2008

O pesadelo continua

A equipa do Sporting parecia ter correspondido à mobilização geral dos órgãos sociais leoninos, até estava a realizar uma boa exibição, em Coimbra, e justificava a vantagem por 1-0, obtida já nos minutos finais, graças a uma cabeçada de Tonel, na marcação de um livre. Era o primeiro golo do Sporting do ano de 2008, ao fim de mais de 250 minutos de jogo, que poderia dar a primeira vitória. Paulo Bento respirava de alívio e todo o banco de suplentes do Sporting se levantava para festejar um golo mais do que justificado. O jogo tinha mostrado também o regresso de Liedson aos bons jogos, não se sabendo se isso teve a ver com a ausência, a seu lado, de Purovic… O ponta-de-lança brasileiro foi muito rematador, tendo protagonizado um duelo com o guardião da Académica, Pedro Roma. Naquela que foi a pior semana de Paulo Bento no Sporting – segundo palavras do próprio – a equipa leonina reaparecia em Coimbra rejuvenescida por um futebol muito mais dinâmico, fazendo pressão alta e trocando melhor a bola. E a vantagem leonina lá chegou. Só que os jogos têm 90 minutos, mais os descontos. Depois de marcar o golo que fazia a diferença, o Sporting voltou tremer como de costume e não soube gerir o resultado. À Académica bastou fazer a pressão que não tinha feito até então. E nos últimos segundos fez o golo do empate. Acontece tudo a Paulo Bento e a este Sporting!... O pesadelo continua, agora com menos 14 pontos que o FC Porto, o próximo adversário, em Alvalade... Para o Sporting ser campeão teria de ganhar uma média de um ponto por jogo ao FC Porto. Fica para o ano... FOTO: Nacho Doce (Reuters)

FORAM LEÕES Salif Keita

Conhecido no Mali como a pantera negra do futebol, Salif Keita, nascido em 12 de Dezembro de 1946, foi um dos melhores futebolistas africanos de sempre, um dos primeiros africanos a vingar no futebol europeu, e foi, seguramente, um dos melhores estrangeiros que passaram pelo Sporting e pelo futebol português. Agora, aos 61 anos, é presidente da Federação de Futebol do Mali e possui um centro de formação de jovens futebolistas com o seu nome. Chegou ao Sporting com 29 anos depois de uma carreira de enorme sucesso em França, onde representou Saint-Étienne (1967-1972) e Olympique de Marselha (72-73), e em Espanha, no Valência, entre 1973 e 1976. Depois do Sporting, acabou a carreira nos Estados Unidos, ao serviço do New England Tea Men (Boston). Foi internacional do Mali, ganhou três títulos no seu país, pelo Real Bamako, foi campeão de França em 1968, 1969 e 1970, pelo Saint-Étienne, clube que também ajudou a vencer a Taça de França, em 1968 e 1970. Alinhando preferencialmente no lado esquerdo do ataque, Keita representou o Sporting entre 1976 e 1979, tendo feito 77 jogos e marcado 35 golos. No primeiro ano, integrou um tridente ofensivo ao lado do brasileiro Manoel e de Manuel Fernandes. No ano seguinte, passou a ter a companhia de Rui Jordão. Em 5 de Fevereiro de 1978, era eu adolescente, entrei no Estádio Municipal de Vila Nova de Famalicão para assistir a mais uma eliminatória da Taça de Portugal. Mas como o estádio estava completamente cheio, tive que subir a uma das árvores que circundavam o interior do muro de vedação para poder ver o Sporting com um temível trio ofensivo de raça negra, formado por Manoel, Jordão e Keita (Manuel Fernandes estava lesionado), que, na segunda parte, e após muito sofrimento, deitou por terra todo o esforço e competência de uma grande equipa do Famalicão, treinada por José Carlos (lateral-direito e "capitão" do Sporting nos anos sessenta e setenta), que, entre outros, tinha Zézinho (emprestado pelo Sporting), Reinaldo (que jogaria no Benfica), Jacques (que seria “Bola de Prata” no FC Porto) e Vítor Oliveira (actual treinador da União da Leiria). Nesse jogo, o Sporting alinhou com: Botelho; Manaca, Joaquim Murça, Laranjeira e Inácio; Vítor Gomes, Fraguito e Barão; Manoel, Jordão e Keita. Foi um jogo muito difícil para o Sporting, mas Jordão e Manoel, a meio da segunda parte, recorreram ao seu famoso poder de fogo e fizeram os golos que resolveram a questão, conseguindo o apuramento para os quartos-de-final, onde derrotariam o Benfica por 3-1, em Alvalade, com golos de Manuel Fernandes (2) e Keita (1). O curioso é que, no final da temporada, o Famalicão foi campeão nacional da II Divisão e o Sporting venceu a Taça de Portugal, após dois jogos com o FC Porto. Foi o único troféu de Keita em Portugal, onde a sua passagem deixou muitas saudades.

Paredes não perdeu tudo...

A SAD do Sporting informou que o contrato com o paraguaio Carlos Paredes terminou "de forma amigável". A ligação da "estrela" sul-americana ao clube de Alvalade - que auferia mais de 50 mil euros mensais - vigoraria até final de Junho de 2009. Mas agora acabou, "não tendo havido lugar ao pagamento de quaisquer remunerações vincendas", isto segundo um comunicado da SAD leonina. Mas garantem-nos que Carlos Paredes não saiu de mãos a abanar. Não levou o dinheiro de todo o contrato, mas parece que foi embora sem grandes razões de queixa. Amigavelmente, portanto.

sábado, 12 de janeiro de 2008

RECORTES LEONINOS

METER O FUTEBOL
NO PROJECTO DO SPORTING
Há uma frase de Paulo Bento no final do jogo do Bonfim que é particularmente reveladora. Disse o treinador do Sporting: "Os nossos problemas, não será o mercado de Janeiro a resolvê-los." Dela nascem duas interpretações possíveis e compatíveis. A saber: que os problemas são tantos que não é com a chegada de alguns jogadores este mês que vão desaparecer e que os problemas não nasceram do melhor ou pior rendimento dos novos recrutas mas sim da impossibilidade de substituir sem perda significativa a meia equipa que saiu no Verão. Porque a crise actualmente vivida pelo Sporting vai muito além da exibição deprimida do Bonfim ou das duas derrotas consecutivas sem fazer golos desde as férias de Natal. A crise do Sporting é de projecto e deve ser este a ser objecto da mais profunda reflexão.
Embora muitos concentrem os tiros nos reforços falhados que Carlos Freitas contratou ou no sistema de jogo que Paulo Bento montou, não é aí que está o verdadeiro problema do Sporting. Bento fez as delícias dos adeptos leoninos há menos de um ano a jogar com este mesmo esquema táctico e, do ponto de vista técnico, esta época, só terá cometido um erro, que foi a aposta em Rui Patrício: o jovem de Marrazes terá o seu tempo mas, para já, como se viu no Bonfim, o melhor guarda-redes do Sporting é Stojkovic, cujo afastamento só pode ser visto à luz de falhas de comportamento no seio do grupo. Por sua vez, Freitas foi contestado por largas faixas de adeptos por ter trazido uma série de jogadores que não pegaram, mas isso é normal e não deveria provocar-lhe a demissão nem levar aos habituais panegíricos que nestas alturas lembram sempre os sucessos e até chegam ao ponto de lhe atribuir títulos ou de fazer contas entre o que se gastou e o que se recebeu com jogadores vindos da formação.
O problema do Sporting, contudo, está mais fundo e chama-se projecto. Debelados os equívocos do projecto-Roquette, que pretendia fazer do Sporting uma joint-venture entre futebol e imobiliário, continua a haver excesso de mentalidade empresarial em Alvalade. Do mundo empresarial, os clubes devem herdar o rigor, o profissionalismo e a capacidade para inovar nos planos comercial ou de marketing, mas nunca a mentalidade que faz do princípio de causalidade a raiz do pensamento. Porque se numa empresa a contratação de mão-de-obra especializada gera sempre trabalho, num clube a chegada de um jogador não tem que produzir resultados desportivos. O problema desta segunda fase do projecto Sporting está no desconhecimento - ou na vontade de fazer tábua-rasa - de verdades absolutas do futebol. Exemplos? Um clube de futebol pode perfeitamente assentar a sua política na formação e exportação de talentos, mas deve saber que há num balneário equilíbrios cuja manutenção não pode ser substituída nem pelo mais sagaz dos operadores de mercado.
O grande erro estratégico do Sporting esta época não foi ter contratado Had, Izmailov, Purovic, Stojkovic, Gladstone ou Vukcevic. O grande erro estratégico do Sporting este ano - e já o digo desde o início da época - foi não ter percebido que, depois de ter vendido Nani (excelente negócio) e perdido Caneira (saída inevitável), não podia deixar fugir mais três titulares por questões de apenas alguns milhares de euros, confiando cegamente na sua capacidade de os substituir com ganho financeiro e futebolístico no mercado. Sem Ricardo, o Sporting perdeu o terceiro internacional português no mesmo Verão e entregou a baliza a jovens de futuro brilhante mas presente inconstante. Sem Tello, deixou fugir a segunda opção para um lugar ainda por preencher (o de lateral-esquerdo). E sem Alecsandro disse adeus ao jogador que, a seguir a Deivid - também vendido em saldo -, melhor se adaptou ao futebol de Liedson. Acentuada a crise, demitido Carlos Freitas, o que pode fazer o Sporting? Demitir Paulo Bento? Não. Resta-lhe reflectir acerca do projecto e da necessidade de incorporar uns pozinhos de mentalidade futebolística em tanta visão empresarial. É que, com o tempo, o futebol encarrega-se de regular todas as crises e, a continuarem as coisas como estão, o Sporting não venderá ninguém esta época por 25 milhões de euros e poderá deixar crescer esta equipa.
Autor: António Tadeia, "Diário de Notícias", 12-01-2008

O raspanete de Soares Franco

Na última quarta-feira, o Sporting realizou mais um mau jogo e perdeu em Setúbal (1-0) em jogo a contar para a fase de grupos da Taça da Liga Portuguesa, arriscando-se a ter de sofrer para conquistar o troféu, onde, para além dos setubalenses, restam o Beira Mar e o Penafiel.
No final da derrota do Bonfim, soubemos pelo defesa-central Anderson Polga que o presidente do Sporting, Filipe Soares Franco, para dar a ideia de que está próximo da equipa, foi ao balneário dar um raspanete aos jogadores e manifestar confiança neles para o futuro. Em primeiro lugar, é estranho que tenha sido um jogador a informar a comunicação social sobre o que aconteceu. Se o presidente foi ao balneário, ninguém deveria saber, porque se tratou de um acto interno, que jamais deveria ter saído do grupo de trabalho. Ou será que algum trabalhador gosta que toda a gente saiba que levou um raspanete do patrão?...
Mas há outra questão: Soares Franco não foi ao balneário fazer nada. Antes pelo contrário. Porque a derrota estava consumada e os jogadores queriam tudo menos que lhes chateassem mais a cabeça. Se a ideia de Soares Franco era mostrar que estava com a equipa num momento menos bom, então, nesta fase delicada, deveria deslocar-se aos estádios no autocarro com os jogadores. Isso sim, seria um forte sinal de apoio, de solidariedade e de união do grupo, e poderia funcionar como factor suplementar de motivação para cada jogo. Ir apenas ao balneário no fim de cada naufrágio não interessa nada. Se não vai lá depois das vitórias, muito menos deve ir depois das derrotas.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

O "LEÃO DA ESTRELA" HÁ SEIS MESES...

A DESTRUIÇÃO DE UMA EQUIPA
Desde que o treinador do Valência anunciou que estava interessado em Marco Caneira que a saída do defesa emprestado ao Sporting era evidente. Agora, a solução lógica seria promover ex-juniores formados no clube, sob pena de a aposta na formação não passar de uma treta fiada para ser usada quando dá jeito. Depois de Caneira, agora fala-se na saída do guarda-redes Ricardo. A confirmar-se, será destruída a equipa da época passada, que tanto trabalho deu a Paulo Bento para formar. Dentro de alguns meses, se as coisas começarem a correr mal, não faltarão vozes a explicar que é preciso dar tempo ao tempo, porque a equipa está em formação. Afinal, e ao contrário do que diz Soares Franco, a estratégia do Sporting para o futebol caminha sobre manteiga... Os números são fatais: se Ricardo também sair, serão dez os jogadores que deixam Alvalade. E, desses dez, sete são portugueses, quatro dos quais formados no clube. Quanto a entradas, estão confirmados sete novos jogadores, onde apenas dois nasceram em Portugal. Mas a internacionalização do plantel não ficará por aqui...
LEÃO DA ESTRELA, 10-07-2007

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Provavelmente, o pior futebol do mundo...

Stojkovic evitou uma derrota mais pesada em Setúbal

Não há pachorra para escrever sobre mais uma derrota e um mau jogo do Sporting. Desta vez perdeu em Setúbal (1-0) para a Taça da Liga, não sendo eliminado da prova porque estamos numa fase de grupos. E como a prova se chama Carlsberg Cup, ocorre-me dizer uma coisa: o Sporting pratica, provavelmente, o pior futebol do mundo. Assim, sugiro a Paulo Bento - o elo mais fraco da cadeia de comando deste pesadelo - que pegue nas trouxas e vá atrás de Carlos Freitas...

A oposição do Sporting

O Sporting Clube de Portugal é o mais democrático dos clubes portugueses, no sentido em que tem várias sensibilidades que discutem o clube, seja na comunicação social ou nos novos meios de comunicação, nomeadamente na blogosfera. E há sportinguistas, em Portugal e em vários pontos do mundo, ávidos de informação sobre o clube, seja quando a equipa de futebol ganha ou quando perde.
Apesar disso, o Sporting, anestesiado pelo “Projecto Roquette” e pela credibilidade que os seus mentores inspiravam, esteve quase duas décadas sem que nas eleições para a sua direcção concorresse mais do que uma lista. Mais ainda: os dois últimos presidentes (Dias da Cunha e Soares Franco) até chegaram ao cargo por cooptação, ou seja, sem terem sido eleitos nas urnas. Foi neste clima que medrou uma "cultura de empresa" em detrimento de uma "cultura de clube".
Dos clubes portugueses que criaram sociedade anónimas desportivas, o Sporting é talvez aquele que mais se entregou a gestores de fato escuro que não sofrem com as derrotas nem se alegram com as vitórias. O último acto eleitoral em que houve uma disputa forte ocorreu em 1989, quando Sousa Cintra foi eleito presidente. Em 2006, regressaram as disputas eleitorais pondo em jogo modelos distintos de gestão do clube, mas Filipe Soares Franco esmagou Sérgio Abrantes Mendes, obtendo cerca de 70 por cento dos votos. Quase dois anos depois, o que verificamos é que Sérgio Abrantes Mendes não cresceu como alternativa sólida à actual gestão. E isso não é bom para o Sporting, que continua a ter muita gente a ralhar ou a gritar.
Ao desdobrar-se em entrevistas e na resposta a inquéritos dos jornais, Sérgio Abrantes Mendes está apenas a servir os propósitos de aparente equidistância da comunicação social face às querelas leoninas. E não está a mostrar-se como alternativa credível à sucessão de Filipe Soares Franco. Desde logo por contribuir para agitar as águas em tempos de crise, provocando ainda mais ruído. De resto, já todos sabemos que as coisas estão mal. Basta ler as notícias que chegam de Alvalade ou ver a equipa de futebol a arrastar-se no campo.
Um putativo candidato a presidente do Sporting não pode andar por aí a comentar o que pensa de Carlos Freitas, de Pedro Barbosa ou de Purovic, nem a dizer-nos que não sabe disto, nem daquilo, porque não tem informação do clube. Um putativo candidato a presidente do Sporting não pode andar a lavar roupa suja nas esquinas. Um candidato a presidente do Sporting tem que definir um caminho sólido para o clube e lutar por ele, acima dos conflitos entre as partes.

RECORTES LEONINOS Carlos Freitas

"Estou orgulhoso por ter participado numa das décadas mais vitoriosas do Sporting nos últimos tempos."

"As razões são as que levaram à reflexão: cansaço e injustiças."

"A culpa era sempre do Freitas. Assim vou deixar de ser o bode expiatório."

"Nem todas as decisões tiveram cem por cento de êxito."

"O momento que mais gozo me deu foi o dia da chegada e de ter abraçado um projecto que me motivou muito."

"O dia mais triste é o de hoje, porque deixo um projecto pelo qual me empenhei a fundo e ao qual dei bastante de mim."

"A realidade fala por si. Independentemente de estar consciente de que quem desempenha este tipo de funções tem de estar sujeito à crítica, ninguém lhe é imune. Quem toma posições vai necessariamente errar algumas vezes."

"A saída é completamente amigável, não há rigorosamente nenhuma indemnização. Vou receber a minha remuneração até ao exacto dia em que cessar funções."

"Cansaço de sentir que é injusto o enfoque excessivamente centrado na minha pessoa relativamente a alguns momentos menos bons e algumas decisões menos boas. E sem acompanhamento nos momentos melhores."

"Não se consegue encontrar no mercado aquilo que mais necessitamos ao preço a que podemos pagar."

"É impossível fazer uma equipa com jogadores entre os 17, 18 e 19 anos, até porque seria uma tremenda injustiça para eles."

"Acredito que todos os jogadores que vieram para o Sporting têm capacidade para impor-se."

"Não saio desiludido com pessoas, porque não é qualquer pessoa que me desilude e aqueles a quem dei muito do meu empenho felizmente sempre o devolveram."

Carlos Freitas, em declarações produzidas após o anúncio da sua demissão do cargo de administrador da Sporting SAD, "Público", 09-01-2008

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Ranking´s há muitos...

O ranking mundial da Federação de História e Estatística do Futebol (IFFHS) não é mesmo para levar a sério. O Benfica, na 27.ª posição, é o clube português melhor colocado nesse ranking mundial, que é liderado pelo Sevilha. O Sporting concluiu 2007 no 66.º posto, à frente do FC Porto (71.º), que foi campeão nacional e passou à segunda fase da Liga dos Campeões. O Manchester United e o AC Milan ocupam os segundo e terceiro lugares, respectivamente. A lista, divulgada esta terça-feira, contempla mais três clubes portugueses: Sp. Braga (83.º), Belenenses (235.º) e U. Leiria (248.º). O Sevilha termina o ano de 2007 como o melhor clube do mundo, seguido por Manchester United e AC Milan. Chelsea, Santos, Boca Juniors, Inter, Liverpool, Roma e América (do México) completam os dez primeiros da classificação.

DOCUMENTO EXCLUSIVO "LEÃO DA ESTRELA"

11 MEDIDAS ESTRATÉGICAS
PARA UM SPORTING COM FUTURO


1. O Sporting Clube de Portugal (SCP) precisa de um Presidente da Direcção do clube e da SAD (sociedade anónima desportiva) que se dedique a tempo inteiro ao clube e à SAD, sem conflito de interesses entre a sua actividade profissional e os objectivos do clube, que se afirme como um líder defensor e promotor da Cultura Sportinguista e que seja o representante do Sporting em todos os organismos e eventos nacionais e internacionais, nomeadamente aqueles que dizem respeito ao futebol profissional.

2. O SCP precisa de uma Direcção que assuma o futebol de formação e o futebol profissional como grandes motores do funcionamento do clube, mas que aposte igualmente nas diversas modalidades desportivas, profissionais ou amadoras, assumindo o ecletismo como um factor distintivo dos clubes desportivos em Portugal, apostando na captação de patrocínios privados e procurando patrocínios públicos através de convénios com o Estado Português, tendo em conta o serviço de responsabilidade social decorrente do trabalho de promoção desportiva e de ocupação dos tempos livres, nomeadamente dos jovens.

3. O SCP precisa de uma Direcção que promova uma cultura de grande responsabilidade e exigência em todos os sectores do universo leonino. Os atletas e as equipas do Sporting têm de ser sempre os primeiros e os melhores. Quando não o conseguem esse objectivo, devem sentir uma grande frustração e não se devem contentar com segundos objectivos.

4. O SCP precisa de renegociar a sua dívida bancária, de modo a libertar-se dos enormes compromissos que estão a impedir uma política expansionista do futebol profissional. Para a sobrevivência do Sporting como clube de dimensão nacional e internacional é fundamental que, num prazo máximo de cinco anos, seja um clube liderante no futebol português (tanto no investimento no futebol profissional como nos resultados desportivos), e com melhores resultados desportivos no futebol europeu, incrementando novas e maiores receitas, de modo a combater o défice com o sucesso desportivo.

5. O SCP e o seu futebol profissional precisam de ser dirigidos “de dentro para fora” e não “de fora para dentro”, eliminando todos os factores de interferência externa que contribuem para a sua desestabilização permanente, nomeadamente o protagonismo mediático dos empresários e de outros lóbis.

6. O treinador principal da equipa profissional de futebol do Sporting deve ser um técnico de reconhecido valor, no País e no estrangeiro, que deverá ser o responsável por todo o futebol do clube, incluindo o futebol de formação.

7. A política de aquisição e dispensa de jogadores deve ser da responsabilidade do treinador principal, em articulação com o dirigente responsável pelo pelouro do futebol, devendo a contratação de jogadores obedecer a rigorosos critérios de ordem técnica, definidos pelo treinador, no âmbito das disponibilidades orçamentais definidas pelo SCP.

8. O SCP deve apostar na sua escola de formação de jogadores como principal fonte de constituição do seu plantel do futebol profissional, recorrendo ao mercado para corrigir eventuais lacunas, contratando jogadores de valor inquestionável, cuja carreira e comportamento profissional constitua um exemplo a seguir pelos jovens.

9. O SCP precisa de estabelecer verdadeiros protocolos com clubes que disputem a I Liga Portuguesa (com excepção do Benfica e do FC Porto) e a I Liga Espanhola, com vista à venda e empréstimo dos jogadores oriundos da Academia de Futebol de Alcochete que não tenham lugar no plantel profissional. Em todos dos casos, o SCP precisa de criar uma equipa de treinadores e psicólogos responsáveis pelo acompanhamento próximo e permanente de todos os futebolistas que estejam na situação de emprestados.

10. O SCP precisa de defender, junto da Liga de Clubes de Futebol Profissional, que os direitos de transmissão televisiva dos jogos de futebol sejam negociados entre a Liga e os agentes do audiovisual e não entre estes e os clubes individualmente.

11. O SCP precisa de rentabilizar em todas as vertentes a marca SPORTING, liderando todo o “merchandising” do clube e criando uma rede de lojas, envolvendo primordialmente os núcleos e as filiais no País e no Mundo. Ao mesmo tempo, o SCP deve procurar meios alternativos de sustentabilidade económica diversificando serviços a prestar em áreas não desportivas.
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