domingo, 30 de março de 2008

Um treino para Glasgow

Para o Sporting, a passagem pela Figueira da Foz, onde venceu por 4-1, foi uma espécie de jogo-treino com vista ao compromisso europeu da próxima quinta-feira, para os quartos-de-final da Taça UEFA, com o Glasgow Rangers, na Escócia. Não foi muito mais do que isso, tal a facilidade com que a equipa leonina construiu uma vitória robusta, sobre um adversário frágil.
Tudo se resolveu na primeira parte com o Naval a marcar na primeira vez que foi à baliza, na sequência de um pontapé de canto que revelou toda a desconcentração da defesa leonina, desde logo no modo como Tonel provocou o pontapé de canto, desviando para fora uma bola que parecia ir parar às mãos de Rui Patrício, lance em que foi evidente um desentendimento entre o defesa-central e o guarda-redes. Mas a equipa do Sporting, sem estar a fazer um bom jogo, reagiu com eficácia e virou o resultado a seu favor em poucos minutos. Miguel Veloso fez o empate, naquele que foi o seu primeiro golo na equipa principal, na marcação de um livre de excelente execução técnica. Depois foi Liedson a entrar em cena, colocando a equipa leonina a vencer por 3-1. Tudo simples, tudo fácil, que nem precisou de muito esforço, nem de ser bem jogado. Porque a Naval não oferecia grande resistência.
O jogo parecia talhado para uma goleada à moda antiga, mas, após o intervalo, o Sporting tirou o pé do acelerador, demonstrando que não tem fome de golos, nem de boas exibições. Até ao fim foi só controlar, como Paulo Bento gosta. Mas bastava uma pequena aceleração, por Yannick ou, nos minutos finais, por Vukcevic, para a Naval, uma equipa fraca, tremer por todos os lados. Foi, por isso, com naturalidade, que o Sporting chegou ao quarto golo, curiosamente na marcação de um pontapé de canto, com Yannick a desenhar uma bonito golpe de cabeça indefensável. De resto, foram dois os golos marcados em lances de bola parada, o que nem é muito habitual na equipa leonina. Destaque para a exibição de Miguel Veloso, em notória subida de rendimento, que foi carimbada com o seu primeiro golo oficial. Pela negativa, o jogo feio e sem nexo do defesa-central Gladstone. FOTO: José Manuel Ribeiro (Reuters)

As queixas de Stojkovic

Depois de mais um jogo ao serviço da selecção sérvia, Stojkovic chegou a Lisboa cheio de moral e demonstrou, mais uma vez, o seu desagrado pela condição de suplente no Sporting. Um desagrado que fundamenta no facto de se considerar o “melhor guarda-redes da Europa” e, mesmo assim, não jogar em Lisboa. Ora, Paulo Bento não tem de ficar chateado com mais esta desobediência pública do guarda-redes sérvio. Deve até ficar satisfeito por Stojkovic se considerar “o melhor da Europa”. Pelo menos, é sinal de que o guarda-redes suplente não precisa de psicólogo. Mas mereceria uma resposta à letra. Aceitando que Stojkovic seja "o melhor da Europa", Paulo Bento deveria lembrar-lhe que Rui Patrício “é o melhor do Mundo”. E que só por isso Stojkovic é suplente do internacional português... FOTO: "Record Online"

Paulo Bento, o eleito

Numa recente edição do programa "Prós & Contras", na RTP1, sobre a questão da avaliação dos professores, o vogal da SAD do Sporting Pedro Mil-Homens foi um dos convidados, para falar da experiência levada a cabo na Academia de Alcochete, considerada exemplar e susceptível de ser aplicada nas escolas do país pelo Ministério da Educação... Explicando o "segredo", Mil-Homens revelou que os treinadores dos vários escalões de futebol do Sporting eram alvo de processos de avaliação contínua, sendo os resultados determinantes nessa avaliação.
O problema é que a realidade desmente a teoria daquele responsável leonino. Olhando para o desempenho da equipa principal de futebol, que nem grandes penalidades sabe marcar, parece que Paulo Bento e a sua equipa técnica passam ao lado dessa avaliação de que falou Mil-Homens na RTP. E o pior é que o treinador do Sporting fica até 2009, ou seja, até ao fim do mandato de Filipe Soares Franco, como garante o vice-presidente Miguel Ribeiro Teles, em entrevista ao "Correio da Manhã", independentemente dos resultados.
Quando escolheram Filipe Soares Franco por larga maioria, os sócios do Sporting estavam, afinal, a escolher também um treinador. Paulo Bento é, assim, o primeiro treinador da história do Sporting "eleito", que não depende da bola que não entra, mas apenas de uma mudança directiva. Um privilégio que ex-treinadores como Josef Venglos, John Toschak, Manuel José, Marinho Peres, Bobby Robson, Carlos Queirós, Octávio Machado, Mirko Josic, Augusto Inácio, Fernando Santos ou José Peseiro não tiveram.
É por isso que Paulo Bento, com o ar mais natural do mundo, vai à televisão e diz que os jogadores ainda precisam de treinar "a parte técnica" dos penáltis. E nós a pensar que a equipa estava preparada para uma final... E por que é que os jogadores do Sporting não treinaram essa "parte técnica" dos penáltis até agora?... Terá sido por falta de tempo?... FOTO: Carlos Almeida (AP Photo)

sexta-feira, 28 de março de 2008

Luís Figo a presidente

Se estivesse disponível, Luís Figo poderia ser um excelente presidente do Sporting Clube de Portugal. Agora que está no final da sua bem gerida carreira como futebolista, Figo pondera um eventual regresso ao clube do seu coração, o que poderá acontecer em 2009. Nos jornais, a questão tem sido abordada sobretudo por ex-dirigentes alinhados com a gestão de Filipe Soares Franco, como Sousa Cintra e Dias Ferreira, que consideram que Figo “deveria desempenhar o lugar que quisesse”. Ora, para um cidadão com a personalidade, o perfil de liderança e a visibilidade internacional de Luís Figo, esse lugar só poderia ser o de presidente do Sporting Clube de Portugal.
Formado no Sporting nos anos oitenta, curiosamente num dos períodos mais conturbados da história do clube, Luís Figo foi um exímio gestor da sua carreira de futebolista. Foi talvez o primeiro futebolista português a realizar com sucesso uma grande carreira internacional.
Conhece como poucos o futebol moderno, passou por grandes clubes europeus, tem excelentes contactos internacionais, comunica bem, é uma figura prestigiada no futebol português e mundial, e credível junto dos agentes económicos, nomeadamente bancários. Além disso, está acima das guerras e das questiúnculas pessoais e estratégicas que dividem a família leonina e não precisa do Sporting para viver. E traria para o futebol leonino e para o futebol português, com toda a certeza, uma nova geração de dirigentes, capaz de responder com mais eficácia aos problemas que hoje se colocam no futebol.
Luís Figo conhece o futebol por dentro e por fora, tendo, por isso, o perfil ideal para a função presidencial, capaz de fazer do Sporting um clube tão grande como os grandes da Europa, ainda que num País pobre e periférico.
Esteja Luís Figo disponível para uma candidatura forte e mobilizadora e os sportinguistas estarão com ele. Não tenho dúvidas.

quinta-feira, 27 de março de 2008

O Sporting e a ressurreição de Carlos Martins

A ressurreição de Carlos Martins no futebol espanhol, ao serviço do modesto Huelva, que esteve na origem do seu regresso à selecção nacional portuguesa, levanta um problema novo à administração do Sporting. Completamente recuperado fisicamente, o jogador, proscrito em Alvalade, por se ter incompatibilizado com Paulo Bento e com o médico Gomes Pereira, pode muito bem ser o próximo seguir as pisadas de outros ex-craques leoninos, como Ricardo Quaresma e Simão Sabrosa, vestindo uma das camisolas dos eternos rivais FC Porto e Benfica. E mais um caso desses seria humilhante para a nação sportinguista, cuja academia de futebol ganharia em definitivo a imagem de ser formadora de jogadores cujo alto rendimento é exibido em proveito dos adversários leoninos mais directos...
É verdade que Carlos Martins, jogador que transporta a chamada "mística sportinguista", não conseguiu afirmar-se em definitivo no Sporting, contrariamente ao que tinha prometido no arranque da temporada de 2006-2007. Mas, dada a regularidade com que tem jogado em Espanha, confirmada pelos 90 minutos jogados no Portugal-Grécia, também é verdade que o departamento médico do Sporting parece ter tido responsabilidades na irregularidade de Carlos Martins, provocada por problemas físicos não detectados pelos clínicos de Alvalade e, ao que parece, resolvidos na Alemanha, à revelia de Paulo Bento e de Gomes Pereira. Depois, vieram os confrontos verbais nos jornais, agravando as incompatibilidades pessoais. Entretanto, o jogador, provando que tinha revelado alguma imaturidade no relacionamento com a comunicação social, que é própria da juventude, mas demonstrando que tem carácter, já veio a público retirar o que tinha dito em relação a Paulo Bento …
Em nome dos grandes interesses do Sporting Clube de Portugal, faria todo o sentido promover as pazes entre as partes, de modo a que o clube possa recuperar um activo, apesar de tudo querido da massa associativa que gosta do melhor futebol de Carlos Martins. A questão é que houve erros das duas partes. Seria, por isso, importante que o presidente Filipe Soares Franco e Miguel Ribeiro Teles provassem que são líderes e patrocinassem o encontro entre os desavindos, em favor do clube. Paulo Bento, Gomes Pereira e Carlos Martins incompatibilizaram-se no exercício da sua profissão. É normal em todas as profissões. Mas mais do que isso: o jogador, que é o elo mais fraco desta história, afinal, tinha razões para ir à Alemanha. Por isso, da mesma forma que se incompatibilizaram, as partes do conflito também deveriam revelar agora humildade e sentido de responsabilidade em nome do clube que lhes pagava o vencimento ao fim do mês.
Poderiam dar uma lição sem precedentes no clube e um sinal claro para o futuro, no sentido em que, independentemente das pessoas, o Sporting Clube de Portugal é o elo mais forte da nação leonina. Porque o Sporting não pode continuar a excluir pessoas, como tem acontecido ao nível dirigente, à medida que uma divergência acontece. FOTO: AP Photo

O LEÃO DA ESTRELA na imprensa

"Jornal de Notícias", 26-03-2008

quarta-feira, 26 de março de 2008

A absolvição

O que dizer desta manchete do conhecido jornal "A Bola"? A notícia mais importante do dia não é o facto de Pinto da Costa ir a julgamento acusado de corrupção activa. Isso resolve-se com letras miúdas. A notícia mais importante é a garantia do próprio Pinto da Costa de que será absolvido. Assim, sim...

Notícias do treino

Muito mal vai o futebol de um clube quando a presença do seu responsável no treino é a notícia do dia nos jornais. O vice-presidente e responsável máximo do futebol do Sporting, Miguel Ribeiro Teles, foi ao treino da equipa desta terça-feira. Uma presença que deu notícia em "A Bola" e no "Record". E no jornal da Cofina com direito a uma foto com muito nevoeiro à volta da cara do administrador da SAD leonina. A conclusão é simples: se a presença dos responsáveis a "espreitar" o treino é motivo de notícia nos jornais é porque esses responsáveis passam por lá poucas vezes. E ainda dizem que "a estratégia está correcta"... É por estas e por outras que a derrota na final da Taça da Liga não foi nenhuma surpresa.

terça-feira, 25 de março de 2008

De Paulo Bento a Rochemback...

Há dois temas que nos últimos meses são recorrentes na imprensa desportiva portuguesa, em função da crise do Sporting, para os quais já não há pachorra. Em primeiro lugar, os “trabalhos de investigação” sobre os objectivos que restam a Paulo Bento até ao fim da época ou sobre o “timing” da sua saída do Sporting. Isto depois de outros três objectivos já terem ficado por terra: I Liga, segunda fase da Liga dos Campeões e Taça da Liga.
“O Jogo” de hoje fala dos três objectivos que restam, sendo um deles atingir a final da Taça UEFA. Os outros são a Taça de Portugal e o segundo lugar na I Liga... “A Bola”, por seu turno, diz que, se Paulo Bento cair, não vai cair sozinho. Porque será?... Será para meter medo aos sportinguistas agitando com um eventual vazio que seja impossível de preencher?... É o enigma da temporada leonina.
Finalmente, outro tema estafado é o do regresso de Fábio Rochemback a Alvalade. Sabemos que a picanha é mais barata em Lisboa do que em Inglaterra. Mas por lá também se ganha muito mais.

Movimento exige Sporting renovado

Do Movimento por um Sporting Renovado, o LEÃO DA ESTRELA recebeu um comunicado cujo teor transcreve na íntegra:
Após prolongado silêncio ditado pela necessidade de não obstaculizar a acção da direcção eleita por 75% dos sócios votantes, o Movimento por um Sporting Renovado, que integra um conjunto de associados com relevantes serviços prestados ao Clube, entre os quais figuram um antigo Presidente da Assembleia Geral, antigos vice-presidentes, ex-dirigentes e atletas e actuais membros do Conselho Leonino, face à realidade da actual situação “leonina”, considera ter chegado o momento de se travar a verdadeira marcha para o abismo financeiro e desportivo encetada por uma gestão desastrosa.
Com efeito, as perspectivas cada vez mais sombrias que se deparam ao Sporting Clube de Portugal, podem até avaliar-se por posições tão estranhas como inadmissíveis, traduzidas, por exemplo, nas mais recentes declarações do principal responsável pela estrutura financeira empresarial “leonina” na última década que tenta “sacudir a água do capote”, depois de ter pactuado com a cobertura e possível tomada de decisões que colocaram o nosso clube num plano inclinado, dentro de pouco tempo irreversível.
É, pois, tempo de dizer basta àqueles que com uma gestão caracterizada por erros grosseiros constantes, tanto na área desportiva como na administrativa, contratando, inclusivamente, futebolistas sem um mínimo de categoria para envergarem a gloriosa camisola “verde-branca”. Aliás, esta é uma evidência, pois não acreditamos que a par deste tipo de disparates se tenha registado surpreendente assunção de responsabilidade na aquisição de caríssimos automóveis topo de gama para utilização de directores, quando se desfazem do património sem qualquer proveito visível.
Perante esta situação cada vez mais decadente, o Movimento por um Sporting Renovado decidiu convidar influentes figuras do clube para uma reunião a realizar em breve, a fim de se analisarem as possíveis soluções que ainda permitam ao Sporting CP recuperar o prestígio que dirigentes incompetentes têm desperdiçado. Só assim poderemos evitar que os responsáveis pelo caos existente, nomeadamente ao mais elevado nível do futebol “leonino”, se preparem, como já anunciaram, para repetir os erros cometidos naquilo que denominam a preparação da época de 2008/9. Erros que nos estão a custar a previsão de uma das piores épocas da história do Sporting.
Queremos um Sporting renovado, dirigido por verdadeiros sportinguistas e não por gente que já deu provas, também noutros clubes, da sua evidente incapacidade como líderes desportivos. Pretendemos, isso sim, ter à frente dos destinos da nossa colectividade quem reúna as condições indispensáveis à recondução do Sporting ao mais elevado nível do Desporto nacional e internacional, abandonando definitivamente a penúria que nos tem caracterizado através da lenta mas intolerável supressão do tradicional ecletismo e da mediocridade de uma equipa de futebol sem ambição e descaracterizada, em que os excelentes valores trabalhados na Academia se perdem numa mistela visivelmente desorientada.
Movimento por um Sporting Renovado
José Maria Subtil de Sousa (ex-vice Presidente)
Mário Nunes da Silva (ex-presidente da Assembleia Geral)
Vasco Resende (ex-atleta, ex-vice-presidente e antigo director do jornal “Sporting”)
Eduardo Amaro Júlio (membro do Conselho Leonino)
José Luis Castro (membro do Conselho Leonino)
Pedro Antunes (antigo dirigente e antigo basquetebolista)
Março de 2008

segunda-feira, 24 de março de 2008

A lição de Fernando Chalana

Chalana, o segundo a contar da esquerda, em baixo, ao serviço da selecção de Portugal, no Europeu de 1984, em França. De pé, o segundo a contar da esquerda é Jordão, então ao serviço do Sporting. Além dele, desta equipa, mais quatro internacionais representaram o clube leonino: Eurico, Sousa, Fernando Gomes e Carlos Manuel.
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No último sábado, precisamente no dia em que o Sporting perdeu a Taça da Liga para o Vitória de Setúbal por nada ter feito para ganhar, o treinador do Benfica, Fernando Chalana, em entrevista ao “Correio da Manhã”, disse uma coisa muito simples, a partir da sua própria experiência, como antigo jogador do clube da Luz, sobre aquilo que, em “futebolês”, é conhecido por “mística” de um clube.
O que disse, então, Fernando Chalana? Isto: “A mística do Benfica é sentir vergonha quando a equipa não ganha. Tem de ser transmitida dos mais velhos para os mais novos. É trabalho de balneário. São as vitórias, é sentir o Benfica. (…) Quando se ganha, ri-se, mas quando se perde há que sentir essa derrota e nem sair de casa. No meu tempo não saíamos de casa com empates ou derrotas. Empatar, aliás, era como uma derrota. Fui habituado a isso desde que cheguei ao Benfica. Só saía para jantar com a namorada ou já com mulher e filhos quando ganhávamos. É essa postura que temos de transmitir a quem chega.”
Ora, um dos problemas do Sporting na actualidade, desde os dirigentes aos jogadores, é precisamente a falta de uma cultura de exigência que admita a vitória como único resultado aceitável. No jogo que o Sporting fez no Algarve, com o Setúbal, não encontrámos uma fase do encontro em que a equipa leonina tivesse procurado a vitória por todos os meios ao seu alcance, ou tivesse demonstrando alma e força de vontade suficientes para dar a volta ao jogo. Por outras palavras, não houve cinco, nem dez, nem quinze, nem vinte minutos "à Sporting"... A equipa jogou da mesma maneira e ao mesmo ritmo do princípio até ao fim. E isso aconteceu porque, em Alvalade, já não há vergonha por perder ou empatar. Porque nada acontece. Paulo Bento procurou estimular os jogadores, mas até na frase capital admitiu a derrota: “Se perdermos será como perder a Liga dos Campeões”, disse o treinador. Pois é, mesmo a motivar, Paulo Bento “tropeçou” na derrota…
Diga-se que este problema não é exclusivo do Sporting. O próprio Benfica de Fernando Chalana também padece dele, há vários anos. É por isso que o Sporting e o Benfica já precisam de levantar a cabeça para olhar para o lugar que o FC Porto vai ocupando na I Liga, pelo terceiro ano consecutivo. E o FC Porto ganha mais vezes porque, independentemente de tudo, construiu uma estrutura sólida que exige o máximo dos seus quadros, fazendo-os ter vergonha de perder ou empatar. É por isso que, sempre que os portistas perdem um jogo em Lisboa, a viagem de regresso dos jogadores ao Norte é mais parecida com a viagem para um funeral. É um cultura diferente. Que se reflecte nos resultados.

domingo, 23 de março de 2008

Casamentos em Alvalade

A informação desportiva televisiva deste domingo de Páscoa mostra-nos a festa do Vitória de Setúbal, que ganhou ao Sporting a Taça da Liga, e imagens do primeiro casamento realizado no relvado do Estádio José Alvalade. Não deixa de ser irónico. De resto, nada contra os casamentos no estádio. Aliás, para um estádio que foi inaugurado em 2003, o que podemos concluir é que os gestores do Sporting - de uma empresa chamada Sporting Eventos - demoraram cinco anos a descobrir um negócio que clubes como o FC Porto já descobriram há muito... FOTO: www.sporting.pt

sábado, 22 de março de 2008

Mais um objectivo falhado

Não houve surpresa nenhuma. O Sporting perdeu a primeira edição da Taça da Liga Portuguesa para o Vitória de Setúbal, e perdeu bem, pois a equipa de Paulo Bento esteve igual a si própria no Estádio do Algarve. Ficou a leste da história do futebol português e deixou pelo caminho o terceiro objectivo da temporada, depois de perdido o campeonato e o acesso à segunda fase da Liga dos Campeões – metas solenemente anunciadas por Filipe Soares Franco, Miguel Ribeiro Teles, Paulo Bento e companhia.
Não houve surpresa nenhuma porque o Sporting exibe hoje um futebol mediano no contexto português, ao nível do próprio Vitória de Setúbal, do Sporting de Braga, do Vitória de Guimarães, do Marítimo ou do Boavista. Estamos perante o que podemos designar por "efeito-Carlos Freitas" em todo o seu esplendor, decorrente das suas dispensas e contratações a granel e sem sentido, misturado com a incompetência ou a insensibilidade para a gestão desportiva que tem mandado no futebol leonino e que tem minado a coesão do grupo de trabalho e a sua motivação. De resto, basta olhar para a cara dos jogadores em campo para medir a vontade e o prazer que eles têm em jogar à bola...
O Sporting que hoje esteve na final da Taça da Liga foi o mesmo Sporting sofrido do campeonato ou aquele que chegou à final da prova aos trambolhões, graças a ter sido bafejado pela sorte na marcação de grandes penalidades em Guimarães, graças a uma vitória muito suada sobre o Fátima, a poucos minutos do fim do jogo da segunda mão, e graças a duas vitórias em Alvalade contra essas equipas difíceis do Beira Mar e do Penafiel. E que ficou atrás do Setúbal na fase de grupos, por conta de outra derrota com os mesmos setubalenses... Foi também um Sporting à imagem de Paulo Bento: muito rigor no controlo do jogo, pouca audácia ofensiva, nenhuma imaginação, nenhum desequilíbrio, muito pontapé para a frente... Tudo com medo das chamadas “transições ofensivas” dos velozes jogadores setubalenses! Ao que chegou o futebol do Sporting!...
O final de cada jogo tem sido um alívio para os jogadores do Sporting e para o seu treinador, Desta vez terá sido um pesadelo, pois ainda havia, pelo menos, cinco grandes penalidades para cobrar. Duas deram em golo, três não. Rui Patrício ainda defendeu uma, dando uma nova oportunidade aos companheiros. Mas nem isso foi aproveitado. A forma hesitante como Izmailov partiu para a bola ao bater a última grande penalidade espelha a confusão que vai na cabeça dos jogadores no momento da verdade. É muito falhanço, mas tem lógica. Tem tudo a ver com este Sporting, triste, abúlico, sem alma e sem querer, nada consentâneo com o Leão de outros tempos, que rugia e metia medo em qualquer campo. FOTO: Nacho Doce (Reuters)

Perguntas de sportinguista

Com quem joga o Benfica neste fim-de-semana? E com quem joga o FC Porto?...

quarta-feira, 19 de março de 2008

O congresso leonino

O anunciado congresso sobre o Sporting Clube de Portugal significa, antes de mais, uma vitória da blogosfera. Uma vitória não só sobre o presidente Filipe Soares Franco – que afirmou publicamente desprezar o que é escrito nos blogs – mas também sobre alguma comunicação social, como, por exemplo, o jornal “A Bola”, para quem, tudo o que vem dos blogs não merece credibilidade, como confirma, aliás, a notícia breve dada hoje sobre o fórum sportinguista, que ignora o facto de a ideia do congresso ter nascido no blog Centúria Leonina, onde a sua realização era defendida com insistência nos últimos meses, acabando agora por ser acolhida pelo Conselho Directivo do Sporting. O congresso, cuja comissão organizadora será liderada por Ernesto Ferreira da Silva, vai realizar-se no segundo semestre deste ano, não se sabendo se mais perto ou mais longe das eleições para os órgãos sociais do clube, que deverão realizar-se no primeiro semestre de 2009.
Mas este congresso, cuja realização o LEÃO DA ESTRELA saúda – as iniciativas de reflexão, debate e divulgação do Sporting Clube de Portugal nunca são demais – tem outro significado. Quando as pessoas sentem vontade de discutir e debater, neste caso, discutir e debater a orientação estratégica de um clube desportivo, é porque estão insatisfeitas e querem mudar o rumo das coisas.
Porém, interessa saber o que é que um congresso sobre o Sporting vai trazer de novo e de extraordinário para o futuro do clube que não pudesse ser proporcionado por uma assembleia geral – que é o órgão social mais importante da instituição –, justamente quando há o pedido de agendamento de uma sessão que tem mobilizado muitos sportinguistas, nomeadamente na Internet, e até com uma ordem de trabalhos muito concreta.
Por outro lado, é susceptível de causar alguma confusão ver o dirigente leonino Rogério Alves aparecer como um grande entusiasta do congresso, desvalorizando, deste modo, o papel da Assembleia Geral como órgão deliberativo por excelência, ele que é o presidente dessa Assembleia Geral...

segunda-feira, 17 de março de 2008

O Sporting da eficácia

Longe de ter rubricado uma exibição perfeita, o Sporting venceu o Nacional por 4-1, diminuiu para quatro pontos a distância em relação ao segundo lugar e poderá ter ganho o necessário balanço psicológico para a final da Taça da Liga, a disputar no próximo sábado, no Algarve, com o Vitória de Setúbal, o carrasco da temporada leonina. Foi o regresso a Alvalade do Sporting tremendamente eficaz da ponta final da última temporada, embora só tenha aparecido na segunda parte.
Pelo desenrolar do jogo e até pelo próprio resultado, este Sporting-Nacional, a contar para a 23ª jornada da I Liga Portuguesa, foi quase a reedição do jogo da temporada passada (vitória por 5-1), quando a equipa leonina marcou cinco golos nos últimos quinze minutos, na noite de glória de Carlos Bueno, depois de estar a perder durante muito tempo. Desta vez, o Nacional da Madeira não marcou primeiro, mas até poderia ter marcado, não fossem algumas boas defesas de Rui Patrício. Mas registou-se a mesma eficácia do Sporting, com três golos entre os 55 e os 59 minutos, que fizeram lembrar os momentos mais entusiasmantes do último terço da temporada transacta, com os brilhantes Liedson (2) e João Moutinho (1) a assinarem os golos. Depois, houve clima para fazer regressar o ex-lesionado Yannick, agora sem tranças, após uma paragem de quatro meses, que voltou a marcar um golo, depois do longínquo remate certeiro na baliza do FC Porto, na primeira volta da época passada. E o Sporting só não marcou cinco golos porque Romagnoli falhou… uma grande penalidade. Nada de admirar – mas que deveria constituir motivo de preocupação e, se calhar, de um sério trabalho psicológico junto dos habituais marcadores do castigo máximo –, numa equipa que parece ter esgotado as grandes penalidades no dramático jogo de Guimarães, na primeira eliminatória da Taça da Liga.
Ao marcar três golos de rajada, que revelaram a classe que desequilibra de João Moutinho, Vukcevic e Liedson, o Sporting resolveu a questão, arrumando de vez com o Nacional da Madeira, que, na primeira metade, dividira o jogo e as oportunidades com a equipa leonina, nessa altura pouco agressiva e sem velocidade. Viu-se, após o intervalo, que marcar golos até não custa muito, mesmo a uma das melhores defesas da I Liga. E, até final, foi só controlar a partida e criar outras oportunidades. Até que, por último, marcou o Nacional da Madeira, ao fechar o jogo. Na sequência de um lance de bola parada, claro. Não deixa de ser curioso: o Sporting falha grandes penalidades e farta-se de consentir golos em lances de bola parada ou na sequência deles. FOTO: Hugo Correia (Reuters)

Contradições leoninas

Paulo Bento disse que não tem havido justiça na avaliação do desempenho do Sporting na temporada em curso e que o balanço só deve ser feito no fim. O treinador leonino considera ainda que a equipa ainda pode fazer “uma boa época” e "uma I Liga razoável". Pelo meio, foi traído pela sinceridade, ao revelar que o Sporting “não pode errar mais”. Isto é, entrou em contradição porque considerou injusto o que se diz da equipa e, ao mesmo tempo, confessou que a equipa já errou demais.
Numa coisa Paulo Bento tem razão e merece o reconhecimento: as aspirações leoninas continuam intactas em três frentes (Taça da Liga, Taça de Portugal e Taça UEFA), o que, em condições normais, seria motivo de alegria e mobilização da nação sportinguista. Mas não é isso que acontece.
O verdadeiro problema, e aí Paulo Bento não pode falar que há injustiça na avaliação que se faz ao Sporting deste ano, são as exibições miseráveis na grande maioria dos jogos, mesmo quando terminam com a vitória leonina. Outro problema: os erros de “casting” nas contratações avalizadas pelo próprio Paulo Bento, que agora recorre à “prata da casa” para salvar o que resta da época.
A prestação da equipa fora de casa, em jogos para o campeonato, é uma das piores da história do clube. E isso faz de cada jogo do Sporting um exercício de má propaganda do futebol, condenando ao fracasso uma boa campanha de angariação de sócios recentemente lançada. No Sporting, o apito final de cada jogo não pode significar um momento de alívio para técnicos e jogadores...
A época leonina é mesmo cheia de contradições. O futebol é feio e sofrido, mas a equipa já ganhou a Supertaça, está na final da Taça da Liga, nas meias-finais na Taça de Portugal e nos quartos-de-final da Taça UEFA. E beneficiando da crise benfiquista, ainda pode chegar ao segundo lugar na I Liga. Sem futebol para nos emocionar, valha-nos a frieza dos números.

quinta-feira, 13 de março de 2008

A alegria europeia

Uma primorosa exibição do jovem Bruno Pereirinha abriu as portas de uma vitória difícil sobre os ingleses do Bolton, resolvendo a eliminatória a favor do Sporting, que assim conseguiu o apuramento para os quartos-de-final da Taça UEFA, facto que coloca o clube português em boas condições para fazer história na segunda prova de clubes mais importante do futebol europeu.
Um desfecho que era esperado, tanto mais que o Sporting recebeu os ingleses em vantagem na eliminatória, mas que uma intranquila exibição leonina na primeira metade do jogo parecia comprometer, uma vez que a equipa inglesa entrou em Alvalade disposta a discutir a eliminatória. A equipa leonina iniciou o jogo num registo irreconhecível, perdendo muitas bolas, mais parecendo que estava a dar continuidade à faca exibição de Guimarães, onde dias antes, perdera com justiça.
No segundo tempo, o jogo leonino melhorou, atingindo o seu melhor nível nos últimos 15 minutos, altura em que um triunvirato “made in Alvalade”, formado por Bruno Pereirinha (autor do excelente golo da vitória, aos 85'), João Moutinho e Adrien Silva, secundado pela acção competente do brasileiro Liedson, foi decisivo ao empurrar a equipa para uma vitória justa, que o motivante público de Alvalade bem merecia.
Com o Bolton, uma equipa mediana do velho futebol inglês baseado no poder físico e no pontapé para a frente, o Sporting realizou, talvez, os dois jogos menos conseguidos da temporada nas competições europeias, mas a verdade é que está nos quartos-de-final da Taça UEFA. E daqui para a frente tudo pode acontecer. Basta que haja um pouco de sorte no sorteio para alimentar esta alegria europeia, que agora é única em Portugal. FOTO: Steven Governo (AP Photo)

Movimentações pré-eleitorais

O Sporting Clube de Portugal vai a eleições só daqui a um ano, mas o falhanço da equipa de futebol, que é um falhanço da gestão de Filipe Soares Franco, está a precipitar movimentações de bastidores com vista à criação de alternativas. Até já há um candidato assumido, Guilherme Lemos, antigo vice-presidente do Estrela da Amadora, que foi candidato nas últimas eleições leoninas, juntamente com Soares Franco e Sérgio Abrantes Mendes.
De resto, quando se fala em alternativas a Franco, olham todos para Abrantes Mendes. E este, entusiasmado, até já participa na blogosfera, emprestando o seu nome ao blog Centúria Leonina, cujos membros, de um momento para o outro, passaram a colocar muitas coisas em causa no Sporting de Soares Franco.
O que é preocupante para o Sporting é que comecem a aparecer personagens centrais do chamado “Projecto Roquette”, e da gestão que tem vigorado no clube, como sendo apoiantes de uma eventual candidatura de Abrantes Mendes. É o caso do antigo administrador da SAD Rui Meireles, cujos princípios de gestão, muito embora possam ser meritórios do ponto de vista económico-financeiro, acabam por estar na base do impasse que o clube hoje vive. Outra surpresa tem a ver com rumores, segundo os quais, até Amadeu Lima Carvalho, o homem da Universidade Independente que serviu de intermediário no negócio da venda do património imobiliário e que está interessado em controlar a SAD do Sporting, pode aparecer no apoio a Sérgio Abrantes Mendes.
Em resumo, até parece que os homens do actual modelo de gestão estão a fazer uma espécie de cerco a uma eventual candidatura de Abrantes Mendes, retirando-lhe a imagem de mudança efectiva de que qualquer alternativa ganhadora necessita. Só falta saber se o eventual candidato está consciente desse perigo.
Ora, se Abrantes Mendes não significar uma mudança efectiva, não conseguirá crescer eleitoralmente tanto como imagina, ficando aberto o caminho para uma candidatura que seja descomprometida com o presente e que tenha um projecto sólido para o futuro. Falta saber é se há alguém disponível a assumir esse papel de “ruptura positiva”, em nome do Sporting Clube de Portugal, transformando o clube na grande máquina de Lisboa para gerar títulos e campeões. Tendo em conta o declínio do Benfica, a oportunidade é de ouro.

O sítio das brincadeiras

Depois de se meter na programação da SIC, ao perguntar aos internautas sobre quem é que deveria substituir Rui Santos no programa “Tempo Extra”, o sítio oficial do Sporting na Internet, produzido por uma empresa de Joaquim Oliveira e dirigido não se sabe por quem, uma vez que não há ficha técnica disponível, soma e segue no campeonato da asneira.
Esta semana, fomos surpreendidos por mais uma pergunta intrigante: “Depois de novo desaire, Paulo Bento tem condições para continuar à frente do Sporting?” E quem quisesse deixava a sua opinião. Será que Paulo Bento gostou de mais esta brincadeira?... Até quando vai continuar o regabofe?...
Depois deste passatempo de mau gosto, já tudo pode acontecer no “site” do Sporting. Qualquer dia, ainda vão colocar lá três marcas de vinho tinto e perguntar aos sportinguistas qual é a preferida do presidente Soares Franco. Já faltou mais.

quarta-feira, 12 de março de 2008

O orgulho da nação sportinguista

Naide Gomes é, por estes dias, a imagem do orgulho da nação sportinguista. Ao sagrar-se campeã do Mundo do salto em comprimento, nos "Mundiais" de pista coberta, em Valência, voltou a chamar a atenção para a importância do atletismo na projecção internacional do Sporting Clube de Portugal. A viver em Portugal desde muito jovem, Naide descobriu o atletismo na escola e fez-se campeã em Portugal. Está no Sporting e treina com um técnico português. Como dizem os padres da RFM, valia a pena pensar nisto. FOTO: Tomas Kienzle (Associated Press)

O sobrevivente português

O futebol é mesmo muito imprevisível. É por isso que é uma modalidade jogada e discutida à escala planetária. Com o afastamento do Benfica da Taça UEFA, ao sofrer duas derrotas com o estreante Getafe, o Sporting é o clube português sobrevivente nas competições europeias. A equipa de Paulo Bento pode não ter dimensão europeia, mas está lá. E por lá deverá continuar, se, nesta quinta-feira, com o Bolton, em Alvalade, ganhar, se empatar a zero ou se empatar a um golo e ganhar nas grandes penalidades. Importa, por isso, esquecer os problemas do clube e a frustração do campeonato e apoiar a equipa leonina. A história também se faz quando menos se espera. FOTO: Susana Vera (Reuters)

terça-feira, 11 de março de 2008

O pior da história leonina

Não há vitória para uma taça qualquer que esconda a miséria leonina na I Liga Portuguesa, que é a prova mais importante do ano - ainda que esta semana possa ficar marcada pelo apuramento para os quartos-de-final da Taça UEFA, que alimentará a ilusão de que o Sporting tem uma equipa de dimensão europeia. A realidade é que abrimos os jornais e vemos o futebol do Sporting a ser falado pelos piores motivos. Agora, fazem levantamentos aos piores anos de sempre no campeonato português e comparam esses momentos desportivamente miseráveis com o desempenho na Liga 2007-2008. Era inimaginável, mas estas aulas do pior da história leonina estão a ser dadas todos os dias. Quem não sabia, fica a saber que, a oito jornadas do fim, o Sporting já esteve pior do que agora. Em 1964-65 estava em sexto lugar. Em 1968-69 estava em sétimo lugar. Este ano, pelo menos, ainda estamos em quinto lugar... Ora aqui deve estar uma boa razão para manter o "sobrevivente" Paulo Bento como treinador, apesar de a equipa do Sporting estar pior classificada do que no tempo de Jorge Gonçalves!... Entretanto, não seria má ideia fazer um levantamento ao número de lesões musculares por temporada nos últimos 30 ou 40 anos e procurar perceber se as oscilações no número dessas lesões têm alguma coisa a ver com a qualidade das equipas médicas e de preparação física.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Paulo Bento e a ministra da Educação

Aparentemente, o treinador Paulo Bento está para o futebol do Sporting e para a gestão de Filipe Soares Franco como a ministra Maria de Lurdes Rodrigues está para o Ministério da Educação e para o Governo de José Sócrates. Mas só aparentemente.
Um traço comum parece claro: ambos são contestados na rua e ambos continuam intocáveis nos lugares que ocupam. Até quando? Não se sabe.
O futebol e a política funcionam com regras diferentes, mas há muitas situações em que os pontos de contacto são evidentes. A eleição de uma nova direcção de um clube desportivo, por exemplo, é igual à eleição de um novo Primeiro-Ministro. Num clube há os candidatos e as respectivas listas; na escolha do Primeiro-Ministro há os partidos e os respectivos candidatos à Assembleia da República. Nos dois casos, uma campanha eleitoral obedece às mesmas regras de comunicação.
No decurso da governação, um Primeiro-Ministro tem a possibilidade de proceder a “chicotadas psicológicas” quando considera que é necessário melhorar o desempenho do Governo. Foi o que tentou fazer José Sócrates, recentemente, ao substituir os ministros da Saúde e da Cultura. No futebol, se a equipa não ganha, muda-se o treinador. Foi o que aconteceu agora no Benfica. Mas o Sporting assume-se como “um clube diferente”... Os maus resultados sucedem-se, o modelo de jogo parece esgotado e o treinador continua lá como se ainda estivesse a iniciar a temporada. É aqui que acontece o paralelismo entre Paulo Bento e a ministra da Educação, que, apesar do protesto de cem mil professores nas ruas de Lisboa, conserva a confiança do líder do Governo.
Mas há uma “nuance”. Maria de Lurdes Rodrigues não é demitida porque uma eventual saída dela significaria o fracasso do Governo e do ímpeto reformista de qualquer Governo do País face a todo e qualquer sector corporativo da sociedade portuguesa. O que não acontece em relação ao treinador do Sporting. Se Paulo Bento apresentasse a sua demissão ou fosse demitido isso não significaria a falência do projecto de Filipe Soares Franco pela simples razão de que esse projecto faliu no dia em que o próprio Soares Franco arrasou aquilo que ficou conhecido como “Projecto Roquette”. Postas as coisas assim, por que é que o cargo de Paulo Bento parece vitalício?... FOTO: Jonh Super (AP Photo)

O LEÃO DA ESTRELA HÁ 4 MESES...

O FIM DE UM CICLO
A derrota estrondosa do Sporting no Estádio do Braga, aliada aos altos e baixos da equipa de Alvalade nas últimas semanas, à gestão do plantel às ordens de Paulo Bento e aos problemas que se vivem nos bastidores do clube leonino, em que a "saída" e o "regresso" de Carlos Freitas foram os episódios visíveis, encerra todos os condimentos de um fim de ciclo. Nos últimos tempos de José Peseiro no Sporting, no Outono de 2005, o plantel também parecia curto de soluções para além dos onze jogadores escalados para cada jogo. O problema estava em Peseiro e nas circunstâncias, parte delas criadas por ele próprio no fim da época de 2004-2005, ao não ter apresentado a demissão após ter perdido o campeonato e a final da Taça UEFA. Era o fim de um ciclo.Quando Paulo Bento foi chamado a treinador principal, bastou-lhe retocar a equipa com o lançamento de novos valores do plantel que estavam esquecidos por Peseiro para conquistar os adeptos. Nessa altura, Paulo Bento surpreendia e arriscava. Lançou Nani e André Marques, por exemplo. E até foi aos juniores buscar Tomané e David Caiado para um jogo em Braga para o qual não tinha jogadores suficientes, porque tinha decidido “castigar” a indisciplina no balneário. Este ano, Paulo Bento, mais conservador, perdeu a aura de vencedor e está demasiado comprometido com um certo “sistema” que hoje é contestado no Sporting, por quem o treinador tem dado o peito às balas. E já não é mais aquele treinador que ousa arriscar no lançamento de novos valores. O que se viu em Braga foi Paulo Bento a tirar Ronny para meter Purovic, voltando atrás pouco tempo depois quando a equipa já tinha naufragado. Este ano, está a faltar-lhe a capacidade de arriscar e de inovar. Há jogadores que já devem sentir-se “encostados”. Que motivação terá Gladstone? E Adrien Silva? E Paulo Renato? E Celsinho? Porque integram o plantel se não são chamados a jogar? E Rui Patrício também não merece uma oportunidade na baliza? Ora, esta época, Paulo Bento, cuja contratação teve justamente a ver com o facto de estar identificado com o projecto de formação da Academia do Sporting, não conseguiu lançar nenhum novo valor formado no clube e ficou refém de uma dezena de novos jogadores que tardam em confirmar as credenciais que estiveram na origem da sua contratação. É por isso que a manta está cada vez mais curta e a cheirar ao fim de um ciclo. O que virá a seguir não se sabe, seja com Paulo Bento ou sem Paulo Bento. Por aquilo que o treinador e os jogadores disseram ontem após o descalabro, algo terá forçosamente que mudar. FOTO: José Manuel Ribeiro (Reuters)
LEÃO DA ESTRELA, 12-11-2007

domingo, 9 de março de 2008

Em queda livre

Do total de 48 jogos já realizados na temporada em curso – somando jogos particulares e oficiais em todas as competições –, o Sporting venceu 24 (apenas 50 por cento de vitórias em todos os jogos disputados), empatou 11 e perdeu 13. Não há memória de uma produtividade tão baixa no futebol leonino!
Em Guimarães, para além de ter apanhado mais um banho de futebol, o “Sporting de Paulo Bento” encaixou a sexta derrota na I Liga. Uma derrota humilhante como outras registadas a Norte, nomeadamente em Braga ou no Bessa.
Desta vez, nem a notícia do empate do Benfica serviu para motivar a equipa para a luta pelo segundo lugar. O Sporting até entrou bem no jogo – não sofrer golos e equilibrar a contenda já é muito bom nos tempos que correm –, mas o seu futebol voltou a durar apenas 25 minutos, donde, a equipa leonina ou não trabalha bem nos treinos ou sofre de problemas graves no balneário. Dois remates de Vukcevic, um na primeira parte e outra na segunda, foi tudo quanto às tentativas do Sporting para marcar golos em Guimarães.
O que sabemos é que as más exibições sucedem-se, que os maus resultados são uma constante – em dois meses o Sporting já sofreu cinco derrotas!... – e que o treinador, que é o elo mais fraco de uma cadeia de comando incompetente, continua a ser o mesmo e a falar como se não dependesse dos resultados. E assim o Sporting continua em queda livre, baixando na classificação à medida que as semanas vão passando. Agora, até o Belenenses já é uma ameaça. Não há memória de tamanha “perfomance”. Faltam oito jogos para terminar a I Liga. O pesadelo nunca mais acaba. Serão os mesmos a preparar o Sporting 2008-2009?... FOTO: Miguel Vidal (Reuters)

Obs. - É evidente que a equipa de arbitragem liderada por Lucílio Baptista - um artista do apito velho conhecido do Sporting - deu uma ajuda à vitória justa dos vimaranenses, deixando que o primeiro golo fosse marcado em situação irregular. E distribuiu cartões amarelos por todos os defesas leoninos, num dos casos, por Abel ter posto a mão nas costas de um adversário. E dirigiu-se a Anderson Polga de forma inadmissível (um árbitro, para ser respeitado, tem que respeitar...). E depois foi ao banco mandar o preparador físico tomar banho mais cedo. O problema é que tudo isto deixa de ter importância quando a equipa do Sporting não justifica sequer o empate...

sábado, 8 de março de 2008

FORAM LEÕES Paíto

O antigo defesa-esquerdo do Sporting Paíto, que, em 2004-2005, no Estádio da Luz, marcou ao Benfica um dos melhores golos da história da Taça de Portugal, aplicando o maior "nó cego" de que o internacional brasileiro Luisão foi alvo nos relvados portugueses, continua a dar cartas na Superliga Suíça, ao serviço do Sion. Neste fim-de-semana, o lateral-esquerdo moçambicano formado no Sporting, agora com 25 anos, marcou mais um golo, desta vez de grande penalidade. É bom saber boas notícias de ex-leões.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Sporting com luz verde na UEFA

Ao empatar a um golo no terreno do Bolton, o Sporting cumpriu o objectivo de sair de Inglaterra em vantagem na eliminatória, ficando com luz verde para os quartos-de-final da Taça UEFA, bastando para isso empatar sem golos ou ganhar no jogo de Alvalade.
Décimo-sétimo classificado na I Liga Inglesa, o Bolton revelou-se uma equipa perfeitamente ao alcance do Sporting (mesmo de um Sporting desfalcado de Liedson e com Vukcevic fora dos melhores dias), com o seu futebol atlético, feito à base do pontapé para a frente, procurando tirar partido da altura dos seus jogadores no jogo aéreo do velho futebol britânico. E deixa o adversário jogar.
Face a uma equipa marcada pelo facto de nesta época sofrer um grande número de golos na sequência de lances de bola parada, o conjunto inglês só ameaçava verdadeiramente a baliza de Rui Patrício quando dispunha da marcação de um livre, de um pontapé de canto ou de um lançamento lateral (neste último caso, através de longas reposições do veterano espanhol Ivan Campo). Foi, de resto, no aproveitamento de uma bola que não foi devidamente aliviada pela defesa leonina, na sequência de um livre aparentemente inofensivo, que os ingleses marcaram primeiro.
Estavam decorridos 25 minutos e a equipa do Sporting, sem agressividade, parecia perdida em campo, pois não dava mostras de conseguir agarrar o jogo, para impor o seu futebol, não obstante os visíveis cuidados defensivos dos ingleses quando a equipa leonina ganhava a posse da bola. Porém, o jogo sportinguista não tinha profundidade. Vukcevic e Tiuí pareciam não existir entre os altos centrais ingleses.
Após o intervalo, Rui Patrício ainda viu uma bola bater no poste, o que poderia ser fatal para a estratégia de Paulo Bento, mas, nessa altura, o jogo do Sporting já estava mais comprido, sobretudo por acção da entrada de Romagnoli, que deu outra mobilidade ao último terço da equipa. Foi, aliás, Romagnoli que, numa excelente jogada individual, em que retirou dois adversários do caminho, lançou um sério aviso ao rematar à barra. E no minuto seguinte, numa jogada simples, Tiuí, até então improdutivo, serviu Vukcevic com um toque de cabeça, à entrada da área, tendo o montenegrino – que parece ser dos poucos que quando chuta é para a baliza e com potência… –, disparado para o fundo da baliza de Al-Habsi. Estava feito o empate e o Sporting tinha o jogo e a eliminatória na mão.

DOIS CASOS DE ARBITRAGEM

No período de maior desorientação do Sporting, o árbitro israelita Alon Yefet ajudou a equipa portuguesa ao não expulsar o guarda-redes Rui Patrício. Com o jogo ainda empatado a zero, aos 14', Helguson isolou-se e chocou com Tonel à entrada da área, enquanto Rui Patrício, em simultâneo, saiu para afastar a bola com a mão, já fora da área. É verdade que Patrício não chegou a esticar os braços e abordou a bola com a parte lateral do corpo, pelo que poderá ter iludido a equipa de arbitragem. Com o árbitro assistente eventualmente tapado pela dupla Helguson-Tonel, será que o árbitro Alon Yefet não viu ou deixou passar no âmbito do seu critério largo? De resto, se o árbitro fosse mais rigoroso, se calhar, teria que expulsar Joey O'Brien, aos 21’, que de forma duríssima às pernas de Grimi. Mas só lhe mostrou o cartão amarelo. FOTOS: Jon Super (AP Photo)

LEÃO DA ESTRELA na imprensa

"Jornal de Notícias", 05-03-2008

quarta-feira, 5 de março de 2008

Pela arbitragem e pela verdade desportiva

Numa época trágica, em termos do desempenho do Sporting na I Liga, a má arbitragem de Paulo Paraty, em Alvalade, que deixou a equipa de Paulo Bento longe da Liga dos Campeões, ressuscitou as queixas de alguns sectores do clube leonino face à arbitragem nacional. Digo de alguns sectores porque ainda não ouvimos ninguém da SAD do futebol do Sporting dizer que o árbitro Paulo Paraty prejudicou gravemente o clube – ele que, em 2005, na Luz, também prejudicara os “leões”, ao fazer vista grossa a uma falta de Luisão sobre Ricardo, oferecendo ao Benfica o seu único título nacional dos últimos 14 anos, isto numa temporada em que os homens do apito se revelaram especialmente generosos em relação ao clube de Eusébio, Mantorras e Luís Filipe Vieira.
As críticas de Paulo Bento – sempre ele a dar a cara pelo colectivo leonino, indo para além das suas responsabilidades… – e de Miguel Salema Garção – um funcionário que não tem culpa de não ter peso institucional, nem de não estar legitimado pelo voto dos associados ou dos accionistas do Sporting – acabaram por ser ainda menos ouvidas que os silêncios de Filipe Soares Franco ou Miguel Ribeiro Teles. Mas será que os dois mais altos dirigentes do futebol leonino teriam algo de muito importante para dizer à nação sportinguista e ao País do futebol?...
O Sporting está numa fase da temporada muito sensível. Apesar do seu futebol depressivo, resultante de uma época mal planeada, ainda foi possível aguentar “os cacos” – a expressão é do vice-presidente José Eduardo Betencourt – em várias frentes: o Sporting tem uma página a escrever na Taça UEFA 2007-2008, está na final da novel Taça da Liga e pode chegar à final e vencer a Taça de Portugal. Perdido está o campeonato nacional. E nem o segundo lugar – perdido em dois jogos que o Sporting não conseguiu ganhar ao Benfica por acção dos árbitros – iria apagar a frustração dos sportinguistas.
O que deve então fazer o Sporting em mais esta cruzada contra a arbitragem? A questão é muito simples: se não tomar uma posição bem estruturada e consequente, o melhor será deixar tudo como está. Ou seja, deixar que aqueles que agora andam a correr para o tribunal, por causa do processo “Apito Dourado”, continuem a decidir os campeonatos jornada a jornada, dando, pelo meio, uns “rebuçados” ao Sporting, para que em Alvalade não levantem muitas ondas. Tem sido assim anos a fio. Os sportinguistas queixam-se da última arbitragem com o Benfica, mas logo os adversários lembram que, dias antes, o Sporting foi apurado para a meia-final da Taça de Portugal à custa de um golo marcado a partir de uma posição ilegal
O Sporting precisa, urgentemente, de fintar o “sistema” e de conquistar a opinião pública portuguesa, encetando uma grande cruzada em nome da qualificação da arbitragem e da verdade desportiva no nosso futebol. Independentemente de medidas a defender no âmbito da arbitragem, eis algumas coisas elementares a ponderar pelos responsáveis leoninos:
1. Fazer um levantamento exaustivo e devidamente enquadrado no tempo dos prejuízos e benefícios do Sporting, do FC Porto e do Benfica nas últimas cinco temporadas, divulgando-o publicamente, através da comunicação social e de todos os meios de comunicação ao alcance do clube, nomeadamente o sítio oficial na Internet.
2. Defender a obrigatoriedade de as equipas de arbitragem se apresentarem nas conferências de imprensa após os jogos, à semelhança do que acontece com os treinadores, de modo a justificarem publicamente as suas decisões.
3. Defender a livre circulação de imagens dos jogos de futebol entre estações de televisão, mediante regras a estabelecer, para que os vários canais tenham acesso a todos os lances de um jogo que pretendem transmitir ou comentar, para acabar com o que acontece actualmente, em que as equipas de jornalismo da RTP, da SIC ou da TVI, por exemplo, só têm acesso às imagens contidas nos resumos realizados por opção editorial da Sport TV, a empresa proprietária das imagens.
4. O conselho de administração do futebol Sporting deveria assumir a tarefa de denunciar publicamente todos os casos de má arbitragem, designadamente quando é grosseiramente prejudicado, admitindo, sem hesitação, as situações em que é beneficiado, excluindo os treinadores e os jogadores da “necessidade” de comentar o trabalho dos árbitros.
5. Finalmente, é tempo de o Sporting deixar de considerar que o livro de Carolina Salgado é obra sem interesse e de tomar uma posição firme e decidida sobre o “Apito Dourado” – e suas consequências para o Sporting, não nos últimos cinco anos, mas nas últimas duas décadas – e sobre a inoperância da justiça portuguesa (afinal, o problema da corrupção no futebol era coisa do Gondomar e pouco mais...) e a brincadeira que é a justiça desportiva, tanto na Liga de Clubes como na Federação Portuguesa de Futebol.
Se houver coragem para defender o Sporting Clube de Portugal, tornando-o tão grande como os maiores da Europa, haverá coragem para seguir este caminho. É evidente que é um caminho difícil. Mas é difícil ter sucesso estando bem com Deus e com o Diabo. A verdade é que o Sporting tem de fazer alguma coisa para eliminar aquilo que pode ser classificado como um comportamento de enguia no que concerne à arbitragem.
Nesta matéria, o histórico dos dirigentes leoninos não é, de facto, recomendável: ora assobiam para o lado quando está em causa o “Apito Dourado”, ora saem à rua numa gritaria inconsequente, ora ficam escondidos num estranho silêncio depois de terem sido roubados à vista de toda a gente, ora pedem para repetir um jogo com base na argumentação jurídica mais obtusa, ora decretam um patético luto pela arbitragem, ora calam e consentem situações de claro benefício, para gáudio do "sistema". Em resumo, o Sporting precisa de escolher um caminho e de ser consequente, de modo a ganhar a batalha da credibilidade. Só assim a sua voz será ouvida e respeitada no futebol português.

terça-feira, 4 de março de 2008

RECORTES LEONINOS João Moutinho


UM EXEMPLO DE PROFISSIONALISMO

João Moutinho continua a ser a expressão máxima da regularidade num Sporting de contrastes. O capitão dos "leões" cumpre, na próxima jornada, 100 jogos na Liga portuguesa e continua a ser, aos 21 anos, um exemplo de profissionalismo.

Sporting-Pampilhosa, Taça de Portugal, 4 de Janeiro de 2005, minuto 71": José Peseiro chama um jovem franzino, de 18 anos, para refrescar a equipa, numa altura em que os "leões" tinham o encontro resolvido (4-1). João Moutinho corria os primeiros 20 minutos em Alvalade em partidas oficiais.
Sporting-Benfica, Liga, 38 meses mais tarde. Com a braçadeira de capitão, Moutinho disputa a sua 150.ª partida, em apenas quatro temporadas com a camisola sportinguista. Assinala a efeméride com uma grande exibição, plena de precoce maturidade e brilhantismo.
A comandar o meio-campo leonino, o "jovem veterano" provou mais uma vez que é no centro do terreno que se revelam todas as suas qualidades. Está encontrada a melhor solução para a ausência de Romagnoli. Os argumentos convenceram: passes rasgados para os sprintes de Vukcevic e Tiuí; recuperações cirúrgicas e rápidas transições atacantes. Acima de tudo, incansável.
Na próxima jornada, o polivalente jogador (que domina todas as posições do meio-campo) cumprirá o seu 100.º encontro numa Liga portuguesa que poderá perder em breve o talento de mais esta jóia da mina inesgotável da Academia de Alcochete – basta que um clube estrangeiro repare nas qualidades deste internacional. Com contrato até 2013 em Alvalade, Moutinho mantém níveis estatísticos insuperáveis: é o único jogador do plantel que participou em todos os encontros disputados esta época, tendo perdido apenas os primeiros 45" da eliminatória da Taça da Liga, com o Fátima, no Restelo (1-2). Apontou seis golos esta temporada (tantos como o avançado Purovic), mais dois do que em cada uma das épocas anteriores, sendo ainda responsável por três assistências para golos dos seus companheiros. João Moutinho é a expressão máxima da regularidade neste Sporting de tão vincados contrastes.
AUTOR: Paulo Curado, “Público”, 04-03-2008

segunda-feira, 3 de março de 2008

A "paciência" de Anderson Polga

“As três equipas eram difíceis, não podíamos escolher o adversário, saiu o Benfica, paciência!” Não sei se foi um “lapsus linguae” ou se foi o subconsciente dos jogadores do Sporting a falar mais alto, mas foi assim que o defesa-central brasileiro Anderson Polga comentou o facto de o sorteio ter ditado que o Sporting vai defrontar o Benfica, em Alvalade, nas meias-finais da Taça de Portugal. Aquela “paciência!” será consequência de algum problema psicológico resultante do facto de o Sporting já não ganhar ao Benfica, em jogos oficiais, desde 28 de Janeiro de 2006, ou seja, há mais de dois anos? À partida, excluindo o Benfica, quem é que Anderson Polga queria como adversário da equipa leonina? O FC Porto ou o Vitória de Setúbal, com quem o Sporting já perdeu duas vezes este ano?
Provavelmente, o que Anderson Polga pretenderia mesmo era que o Sporting ficasse isento, o que não é possível nesta fase da Taça de Portugal. O que é sinal de que os jogadores leoninos enfrentam dificuldades no plano psicológico, talvez porque não são devidamente preparados. Filipe Soares Franco ainda tentou resolver o problema com a eventual contratação de Tomaz Morais, seleccionador nacional de ragby, considerado o “Mourinho” da modalidade, para substituir Carlos Freitas na SAD. Não sei se seria uma boa decisão escolher alguém de outra modalidade para liderar o futebol do Sporting. Mas Tomaz Morais tem uma vida muito ocupada e prefere continuar a ser rei e senhor no ragby português, o que se compreende. Não haverá no futebol gente capaz de motivar os futebolistas do Sporting, para que eles não tenham medo dos adversários?... Se não houver, paciência!...

SPORTINGUISTAS Sara Kostov

A modelo portuguesa Sara Kostov, filha da relações públicas Tekas Lopes e de Vanio Kostov, o primeiro jogador búlgaro a actuar no Sporting, nos anos oitenta, foi capa da revista “J” deste domingo, que acompanha o diário desportivo “O Jogo”. Com 22 anos, Sara, que tem um dos pares de olhos mais expressivos do País, é manequim da Blu Models, trabalha como designer criativa e faz assessoria de marketing e relações públicas. E é sportinguista, por influência do pai, actualmente ligado ao futebol como empresário de jogadores. Ela explica: “Sinto-me sportinguista desde que nasci, mas é óbvio que há sempre influência. Cresce-se a ouvir falar do Sporting e, para qualquer filho de um futebolista, é um orgulho que o pai tenha sido jogador do nosso clube." Um orgulho que não é para qualquer uma... FOTOS: Pedro Melim (“J”)

Árbitros põem Benfica na Liga dos Campeões

Quem acha que os campeonatos não se decidem nos jogos entre os chamados "grandes" está muito enganado. Pedro Henriques e Paulo Paraty são dois artistas da arbitragem portuguesa a quem Benfica fica a dever o provável apuramento para a Liga dos Campeões 2007-2008. Um apuramento feito muito à custa de erros grosseiros de arbitragem que prejudicaram gravemente o clube leonino. Afinal, três anos seguidos em terceiro lugar na I Liga seria muito tempo para Luís Filipe Vieira poder aguentar-se ao leme do clube da Luz. De facto, nos dois jogos realizados esta época com o Benfica, o Sporting só não venceu por causa do mau trabalho daqueles dois árbitros.
Na Luz, na primeira volta da Liga 2007-2008, em encontro apitado por Pedro Henriques, os “Leões” empataram a zero, tendo ficado por marcar duas grandes penalidades contra o Benfica e uma contra o Sporting (mas esta já no final do encontro para... compensar). Em Alvalade, neste domingo, registou-se um empate a um golo, com o árbitro Paulo Paraty – o mesmo que dera o título de 2004-2005 ao Benfica… – a perdoar aos benfiquistas mais uma grande penalidade e uma ou duas expulsões.
Na classificação da I Liga, o Benfica segue em segundo lugar, com 39 pontos e o Sporting em quinto, com 34. Mas se tivesse havido verdade desportiva nos dois jogos, o Sporting conquistaria seis pontos e o Benfica zero. Se tivesse havido verdade desportiva nos confrontos entre os dois “grandes” de Lisboa, o Sporting seria segundo classificado, com 38 pontos, e o Benfica terceiro, com 37 pontos. A classificação só não é esta porque há certos voos no "sistema" que só algumas aves de rapina sabem fazer. E para isso elas não precisam de nenhum MBA em gestão desportiva… O futebol português é uma brincadeira. E o Sporting é cúmplice.

domingo, 2 de março de 2008

Objectivo mínimo em causa

OS NÚMEROS LEONINOS
Ao empatar em Alvalade com o Benfica, o Sporting viu fugir, talvez em definitivo, o objectivo mínimo de atingir o segundo lugar na I Liga 2007-2008, de modo a apurar-se para a Liga dos Campeões. Para quem tinha a obrigação de ganhar, o empate com o Benfica foi um mau resultado, mais um numa temporada desastrosa, que fez aumentar para 29 o número de pontos perdidos pelo Sporting nesta I Liga. Significa isto que a equipa de Paulo Bento, que tem mais empates e derrotas (12) do que vitórias (9), contabiliza, em 21 jogos, apenas 34 pontos ganhos e um total de 29 pontos perdidos. O empate com o Benfica teve outra consequência: o clube de Alvalade caiu para o quinto lugar, tendo sido ultrapassado pelo Vitória de Setúbal, dando assim razão de ser às duas derrotas que Paulo Bento já sofreu este ano em Setúbal (uma para a Taça da Liga e outra para a I Liga). Deste modo, não é de acreditar que uma equipa que caminha a passos largos para uma média de 1,5 pontos perdidos por jogo consiga, nos últimos nove jogos, recuperar cinco pontos de atraso em relação ao Benfica. E mais: é preciso ter muito cuidado para que o Sporting não fique atrás de Guimarães e Vitória de Setúbal, comprometendo também um lugar na Taça UEFA na próxima temporada.

O DISCURSO BALOFO DE PAULO BENTO
Por tudo isto, soam a falso as palavras de Paulo Bento no final do jogo com o Benfica. O treinador leonino disse que “daqui para a frente o que é preciso é continuar a jogar como hoje, com personalidade e carácter” e manifestou-se “muito orgulhoso dos jogadores”. Ou seja, Paulo Bento revela-nos um discurso balofo, muito pouco exigente e sem qualquer credibilidade, pois manifesta-se orgulhoso dos jogadores e da qualidade de jogo na noite em que o Sporting não consegue vencer ao segundo classificado e cai do quarto para o quinto lugar na I Liga. A cultura de exigência e responsabilidade própria dos clubes campeões continua pelas ruas da amargura entre Alvalade e Alcochete...

O RETRATO DE UMA ÉPOCA
O jogo foi o retrato da temporada das duas equipas: um Sporting e um Benfica de rendimento intermitente e sem qualidade de jogo e uma má arbitragem, que prejudicou a equipa leonina. Considero que Paulo Paraty deveria ter expulso Cardozo (cotovelada em Tonel) e Katsouranis (derrubou João Moutinho com uma patada no abdómen, quando o jogador leonino caminhava em direcção à baliza). Depois, o árbitro fez vista grossa a uma grande penalidade de Leo sobre Vukcevic. Depois destes erros, a expulsão de Nelson, embora se aceite, soou a compensação.
O Sporting começou bem, mas só durou 20 minutos. Marcou um golo, poderia ter marcado mais um, dada a desorientação benfiquista inicial, mas não conseguiu, foi abdicando de produzir futebol ofensivo e foi desaparecendo do jogo. Quando chegou ao intervalo, o jogo já estava empatado, com o Sporting já dominado por um Benfica em crescendo.
No segundo tempo, houve mais equilíbrio, tendo faltado ao Sporting soluções no banco para virar o jogo a seu favor. Tanto mais que foi no período complementar que o árbitro Paulo Paraty mais protegeu o Benfica. FOTO: Marcos Borga (Reuters)
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