quarta-feira, 30 de abril de 2008

RECORTES LEONINOS Romagnoli

O GOLEADOR IMPOSSÍVEL QUE ADORA
MARCAR GOLOS AO MARÍTIMO

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Na lista dos cem melhores jogadores de sempre, Maradona, na sua autobiografia "Eu sou El Diego", lançada em 2000, coloca Romagnoli na 98.ª posição. E dele escreve: "O rapazito fascina-me. Faltam-lhe pernas, físico, músculo, tudo, mas sobra-lhe coragem para fintar. O resto consegue-se num ginásio." Nem a posição ou sequer a descrição que o antigo campeão do mundo faz do argentino do Sporting são muito lisonjeadoras. Se observarmos o jogo com o Marítimo, a análise feita a Leandro Romagnoli é acertada: a primeira é a coragem. "Pipi" cerrou os punhos antes de bater a grande penalidade. Os penáltis em Alvalade são um terror para os seus marcadores - que o digam João Moutinho (falhou dois), Polga (falhou dois) e o próprio Romagnoli (falhou um). Em 9, falharam 5 esta época. O Sporting estava a perder com o Marítimo e a responsabilidade caiu nos ombros magros do argentino. Marcou e deu um berro de explosão emocional. Na segunda parte, Romagnoli conseguiu algo inimaginável: marcar dois golos no mesmo jogo (e neste caso muito importantes porque levaram o Sporting ao segundo lugar). A maneira como o fez ainda tornou o cenário mais surrealista. O último bis tinha acontecido ainda na Argentina, em 2001, pelo San Lorenzo. A forma como se protegeu da bola e do remate de Ricardo Esteves levou-a ao fundo das redes de Marcos. Dos cinco golos marcados por Romagnoli desde que chegou ao Sporting, em 2006, quatro aconteceram com o Marítimo. O outro foi ao P. Ferreira, próximo adversário dos "leões".
AUTOR: Filipe Escobar de Lima, "Público", 29-04-2008
FOTO: Hugo Correia (Reuters)

terça-feira, 29 de abril de 2008

A ausência de Liedson

Nos últimos três jogos que faltam disputar, em que o Sporting tem como objectivo garantir o segundo lugar na I Liga e ganhar a Taça de Portugal, o pior que poderia acontecer era que a ausência de Liedson em cada desafio fosse mais falada do que a presença dos restantes jogadores do plantel. Seria a maneira mais fácil de a equipa fracassar. Para que isso não aconteça, será determinante o discurso de Paulo Bento e dos dirigentes leoninos, tanto para o balneário como para o exterior.
Com Liedson, aparentemente, fora dos combates que ainda restam, inclusive a final da Taça de Portugal, é fundamental motivar os jogadores que estarão disponíveis e convencê-los de que são capazes de garantir com sucesso os objectivos do Sporting. Até porque a equipa não vai entrar em campo com dez jogadores. Entrará sempre com onze. Tal como o adversário.
Sabemos, evidentemente, que Liedson é um dos jogadores que não sabem jogar mal. Marca golos, faz pressão no último terço do campo, está sempre em movimento e participa nas missões ofensivas com uma grande qualidade. Também sabemos que não há na linha de avançados do plantel leonino alguém com a sua dimensão técnica e com um raio de acção tão alargado. Mas é nestas alturas que a linha de comando tem que saber motivar, de modo a que as fraquezas se transformem em forças suplementares. Motivar com palestras de balneário, mas, sobretudo, motivar também mostrando aos jogadores os vídeos dos momentos mais gloriosos da história do Sporting, com imagens de grandes vitórias e imagens de grandes alegrias de milhares e milhares de sportinguistas no País e em comunidades lusas espalhadas pelo Mundo.
É provável que muitos dos jogadores não saibam o que foi o “7-1” ou que jamais tenham visto a onda de alegria popular que invadiu as ruas do País, de norte a Sul, com a conquista do título do ano 2000. Ora, se o aspecto psicológico funcionar (e não tem funcionado, infelizmente…), o Sporting ainda pode salvar a temporada. Para começar, talvez não seja má ideia entrar no Estádio da Mata Real, em Paços de Ferreira, e procurar a vitória desde o primeiro minuto, com esforço, dedicação e devoção. Para que a Glória seja uma realidade! FOTO: Marcos Borga (Reuters)

Vukcevic e outros descontentes

É impressionante a sucessão de trapalhadas no Sporting tendo como protagonistas jogadores e empresários. E impressiona também a falta de protecção ao treinador, Paulo Bento, que, em todos os casos, aparece como o único responsável do clube. Uma situação com a qual Filipe Soares Franco deveria preocupar-se seriamente, de modo a blindar o balneário e estabilizar o grupo de trabalho.
Primeiro foi Stojkovic, depois Liedson, depois Purovic… A história mais recente, que marca a actualidade no Sporting nesta fase tão crucial da temporada, tem como protagonista Vukcevic, que está descontente com a sua condição de suplente. O engraçado é que, uma semana depois de o jogador ter afirmado que continuaria no Sporting e que se encontrava bem em Alvalade, aparece o empresário Zoran Stojadinovic a fazer ameaças e considerações inconcebíveis, afirmando, por exemplo, que não entende por que é que Vukcevic - a melhor contratação de Carlos Freitas, que já fala português, sendo um exemplo para outros estrangeiros que chegam a Alvalade - não é titular. “Se continuar assim, vamos ter de falar no final da época”, ameaça, ao jornal "A Bola", o agente FIFA, que também gere a carreira de outra “estrela” descontente, o também montenegrino Purovic. A juntar a estas casos há outro tipo de instabilidade, essa resultante das tentativas dos empresários de inflacionar o valor dos ordenados ou dos passes dos jogadores. O que acontece, invariavelmente, um dia depois de um bom jogo dos atletas que precisam de arranjar contrato. A ideia que fica é que não há ninguém no Sporting que ponha os empresários em sentido.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Um reforço chamado Pauleta

Mesmo com 35 anos, feitos precisamente hoje, o avançado Pedro Pauleta, que acaba de marcar o 200º golo ao serviço de clubes franceses, seria um bom reforço para o ataque do Sporting. É experiente, é internacional, pelo que seria um exemplo capaz de ensinar e motivar os mais jovens. Conhece o futebol português e o papel que o Sporting nele desempenha. Conhece vários jogadores leoninos da selecção nacional. E, mesmo em final de carreira, teria toda a motivação para fazer... a sua estreia na I Liga Portuguesa. Sim, o ponta-de-lança açoriano regista a particularidade de nunca ter jogado na I Liga Portuguesa, uma vez que, quando emigrou, estava no Estoril, então na II Divisão de Honra. Não tenho conhecimento de outro jogador da selecção portuguesa que jamais tenha actuado no principal campeonato português. Se o seu futuro imediato passasse pelo Sporting, estaríamos perante um bom acto de gestão de Filipe Soares Franco. Já é tempo de não olhar para o bilhete de identidade antes de avaliar um jogador. Manuel Fernandes (que tinha 35 anos quando marcou quatro golos ao Benfica) e Jordão (que sofreu três lesões gravíssimas), grandes pontas-de-lança leoninos dos anos setenta e oitenta, também jogaram em alto rendimento até aos 35-36 anos.

O drama de Luís Filipe Vieira

Luís Filipe Vieira e o Benfica têm um problema grave: no ano em que o clube da Luz gastou 30 milhões de euros só em contratações, e numa altura em que estamos a duas jornadas do fim da I Liga Portuguesa, a verdade é que a equipa vermelha já vai no terceiro treinador da temporada, falhou todos os objectivos e ainda não conseguiu sequer garantir o terceiro lugar na classificação. Ou seja, o Benfica está muito pior do que o Sporting. É este o drama de Luís Filipe Vieira, que, nos últimos tempos e numa fuga para a frente, se lançou numa cruzada contra a arbitragem, defendendo aquilo que ele considera ser “a verdade desportiva”, e anunciou uma participação na Liga de Clubes por causa daquilo que considera terem sido “erros graves” do árbitro Lucílio Baptista no último Sporting-Marítimo (onde, registe-se, antes de uma grande penalidade que só as imagens televisivas confirmariam que não existiu, o árbitro fez vista grossa a uma grande penalidade indiscutível sobre Tonel, agarrado por todos os braços de um defesa madeirense…).
Com esta cortina de fumo, Vieira procura esconder um grande fracasso de uma águia depenada, sem resultados desportivos, sem dinheiro para recauchutar o plantel e sem treinador que pegue na equipa antes de saber se haverá ou não Liga dos Campeões no próximo ano. No entanto, se Vieira confirmar a sua participação à Liga, talvez seja melhor apresentar um trabalho sério e rigoroso e não uma macacada. Assim, deve participar também das arbitragens de Pedro Henriques e Paulo Paraty nos dois jogos entre o Benfica e o Sporting desta I Liga. Dois jogos em que o Sporting não foi além de um empate à custa de erros grosseiros de arbitragem que prejudicaram gravemente o clube leonino.
É bom ter memória e, como o LEÃO DA ESTRELA escreveu oportunamente, na Luz, na primeira volta, em encontro apitado por Pedro Henriques, os “Leões” empataram a zero, tendo ficado por marcar duas grandes penalidades contra o Benfica e uma contra o Sporting (mas esta já no final do encontro para... compensar). Numa delas até o grego Katsouranis veio depois a público confessar que tinha feito grande penalidade...
Em Alvalade, em 2 de Março último, registou-se um empate a um golo, com o árbitro Paulo Paraty – o mesmo que dera o título de 2004-2005 ao Benfica… – a perdoar aos benfiquistas mais uma grande penalidade e uma ou duas expulsões. Tudo isto para dizer que o presidente do Benfica, deste modo, não contribui em nada para credibilizar o futebol. FOTO: Fotomontagem retirada da Internet

OS NOSSOS CAMPEÕES (10) Mário Jardel


Aos 34 anos, dificilmente voltará a ser um campeão do futebol, mas ainda pode ser um campeão da vida se não voltar a cair na tentação do uso de drogas. Mário Jardel foi um dos melhores pontas-de-lança de sempre que passaram pelo futebol português.
No FC Porto e no Sporting, “Super-Mário”, como ficou conhecido, valia mais do que um golo por jogo, tal como outro grande goleador leonino, o inesquecível Fernando Peyroteo do tempo dos "Cinco Violinos". Em Alvalade, Jardel marcou um total de 67 golos em todas as competições, tendo sido decisivo para a conquista do último título nacional, em 2002, ano em que o Sporting também conquistou a Taça de Portugal e a Supertaça Cândido Oliveira. Só para a Liga de 2001-2002 contribuiu com 42 golos, ficando a quatro de igualar o recorde de outro sul-americano, o argentino Yazalde, que continua como o melhor marcador de sempre em campeonatos europeus, com 46 golos numa só temporada.
Em duas temporadas, Jardel conheceu a glória e a inglória. Da sua cabeça fatal saíram os golos que glorificaram o treinador romeno Lazlo Bolöni, mas também as infantilidades que infernizaram a vida de ambos, e que impediram o Sporting de disputar o título com o FC Porto, em 2002-2003, da primeira época de Mourinho. Agora, confessa que estava preso à maldita cocaína. Só não disse como chegou lá... Ao que parece, toda a gente sabia, mas só “Super-Mário” teve coragem de o revelar em público. O seu exemplo não pode ser desperdiçado.
O Ministério da Educação deveria estar atento e convidar Mário Jardel para uma campanha de sensibilização dirigida aos jovens portugueses. Uma campanha feita a partir de um exemplo concreto tem muito mais força. O próprio Sporting, como colectividade desportiva de utilidade pública que movimenta milhares e milhares de jovens na ocupação dos tempos livres e na promoção desportiva, até poderia assumir a iniciativa, propondo ao próprio Ministério da Educação um protocolo que possa financiá-la. Mário Jardel também poderia ir pelas escolas do País dar conta do seu exemplo, ajudando, assim, a prevenir a perda de outras vidas e de muitos sonhos de juventude. Só assim ganharia mais sentido a corajosa entrevista do antigo campeão do Sporting à "TV Globo".

domingo, 27 de abril de 2008

No segundo lugar... sem querer

Um golo sem querer marcado pelo corpo do argentino Romagnoli decidiu mais um jogo que não estava fácil a favor do Sporting, desta vez no confronto com o Marítimo, em Alvalade, e ditou a subida da equipa de Paulo Bento ao segundo lugar na I Liga Portuguesa, posição que dá acesso à Liga dos Campeões. Romagnoli, de resto, acabou por ser um jogador decisivo no jogo ofensivo do Sporting – que voltou a contar com um excelente jogo colectivo de Liedson –, pois estivera também no primeiro golo, que foi do empate, ao ter sofrido a falta que originou uma grande penalidade que o próprio argentino converteu.
Na senda daquilo que têm sido os últimos jogos, o Sporting começou a partida literalmente a perder. Logo no minuto 2, com a colaboração da própria defesa leonina, com Grimi a chutar para trás sem nexo, Rui Patrício a hesitar e Anderson Polga a cabecear com força demasiada, provocando uma defesa incompleta de Patrício, surgindo Bruno Fogaça, num gesto técnico notável a inaugurar o marcador. É caso para dizer que as inúmeras mulheres sportinguistas que acorreram a Alvalade não mereciam assistir a um começo tão mau da equipa de Paulo Bento.
O Sporting demorou a reagir e, embora controlando a partida, foi mastigando o seu jogo até ao intervalo, conseguindo empatar através da marcação da já referida grande penalidade, ainda que, uns minutos antes, também Tonel pareceu ter sido alvo de uma falta também merecedora do castigo máximo. No entanto, a equipa leonina não tinha profundidade, nem mudava o ritmo, mostrando dificuldades perante uma defesa muito povoada, não dando muito trabalho ao guarda-redes adversário.
Após o intervalo, pouco mudou na equipa leonina, até que um alívio de um defesa madeirense contra o corpo de Romagnoli, a mais de 20 metros da baliza, devolveu a bola para as redes do surpreendido Marcos, num golo algo parecido com um do grego Katsouranis, também a favor do Sporting, num jogo da pré-temporada de 2006-2007 contra o Benfica. A partir desse golo, a equipa leonina melhorou consideravelmente, pois pareceu mais tranquila e passou a ter mais espaço disponível, por força de o Marítimo ter necessidade de correr atrás do prejuízo. Poderia até ter resolvido a partida com mais golos, mas não foi suficientemente eficaz. Num dos lances ofensivos, Vukcevic, num remate repentino, ainda atirou ao poste. Porém, nos minutos finais, a equipa madeirense forçou na tentativa de empatar e ainda provocou alguns calafrios na sempre intranquila defesa leonina. Felizmente, só isso.
Com o Vitória de Guimarães goleado em casa frente ao FC Porto (0-5), o Sporting subiu, finalmente, ao segundo lugar e só depende de si próprio para ganhar o bilhete de acesso à Liga dos Campeões. Mas ainda faltam dois jogos e esta equipa de Paulo Bento é muito imprevisível... FOTO: Francisco Leong (AFP Photo)

sábado, 26 de abril de 2008

O castigo de Derlei

O brasileiro Derlei, que se atirou ao árbitro como um touro enraivecido, pensando que ainda estava a jogar no FC Porto, foi bem expulso no vergonhoso jogo de Leiria e foi bem castigado pela Liga, com três jogos de castigo. A sua atitude foi o símbolo do desnorte leonino nesse jogo de má memória. Que deveria merecer um castigo exemplar também por parte do Sporting. Mas aconteceu o contrário. Aliás, na linha de uma cultura de falta de exigência profissional e de desresponsabilização, que tem afectado o Sporting. Ao recorrer da decisão da Comissão Disciplinar da Liga de Clubes, talvez sob a douta argumentação jurídica da administradora da SAD Rita Figueira, o Sporting está a legitimar comportamentos anti-desportivos por parte dos seus jogadores, que só prejudicam a equipa de futebol. Até parece que Derlei fez tudo bem e que a justiça da Liga de Clubes é que falhou. Incompreensível numa gestão desportiva que é tida como muito profissional. FOTO: "Record Online"

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Pedro Mendes, uma hipótese interessante

O médio português Pedro Mendes, de 29 anos, parece estar de saída dos ingleses do Portsmouth. Pelo menos, o treinador Harry Redknapp não conta com ele. Chegou a representar a selecção nacional e é um jogador experiente. É um tipo de jogador que me parece preencher as condições necessárias para reforçar o Sporting, constituindo uma mais-valia num plantel formado por muitos jovens. Uma hipótese muito mais interessante do que Rochemback. E talvez mais barata no final do mês. É representado pelo empresário Jorge Mendes, que também gere as carreiras de Daniel Carriço, que está de regresso a Alvalade, e de Derlei, entre outros jogadores leoninos.

A segunda vida de Sá Pinto

A reintegração de Ricardo Sá Pinto no Sporting, promovida por Filipe Soares Franco, é uma excelente notícia para o clube. Um regresso que parece resultar da iniciativa do presidente, o que se saúda. Generoso, Sá Pinto disse ao “Record” que, nesta "segunda vida" em Alvalade, pretende "unir o Sporting" - o que é revelador... -, estando "disponível para ajudar em tudo". O que falta saber é o que Ricardo Sá Pinto, que está a fazer a sua formação em marketing desportivo e como treinador, vai fazer exactamente no Sporting. Estamos a falar de uma figura do futebol e do balneário, que, ao que parece, vai trabalhar nas relações externas e internacionais, na dependência do director de comunicação, Miguel Salema Garção. Uma coisa é certa: Filipe Soares Franco ganhou um aliado de peso no universo sportinguista. Só foi pena que não tivesse demovido o ex-jogador de ter terminado a carreira na Bélgica...

terça-feira, 22 de abril de 2008

O regresso de Rochemback

Segundo “A Bola” de hoje, Paulo Bento já definiu os alvos com vista à formação do plantel do Sporting 2008-2009. E já terá dado carta branca à SAD leonina para contratar o médio brasileiro Rochemback, que há meses foi oferecer-se ao Benfica, infelizmente sem êxito. Sim, é o mesmo Rochemback que mandou o ex-treinador José Peseiro “tomar no cu”, em pleno relvado do Estádio do Dragão. É assim que o Sporting promove o valor da disciplina e o amor ao clube no balneário. Contratando jogadores com esta folha disciplinar.

Luís Figo preferido para presidente do Sporting

O antigo futebolista leonino Luís Figo ainda joga futebol, ao serviço do Inter de Milão, mas já é o preferido dos leitores do LEÃO DA ESTRELA para próximo presidente do Sporting Clube de Portugal, segundo indica um inquérito lançado por este blog, que esteve disponível entre 30 de Março e 21 de Abril. De um total de 712 votos registados pelo site www.freepolls.com, Luís Figo recebeu 296 votos (42 por cento), seguido pelo novo proprietário do Estoril-Praia, o sportinguista João Lagos, que recolheu 170 votos, correspondentes a 24 por cento das preferências dos leitores do LEÃO DA ESTRELA.
Este inquérito não obedece aos critérios de validade científica das sondagens e não pretende representar com rigor as opções dos associados e simpatizantes do Sporting Clube de Portugal nem as dos utilizadores da Internet, pelo que estes resultados são um mero indicador das preferências dos leitores do LEÃO DA ESTRELA. Porém, as conclusões não deixam de ser interessantes motivos de reflexão para os responsáveis do clube. Porque o presidente do Sporting e da SAD, Filipe Soares Franco, com 58 votos (8% das preferências) e o vice-presidente Miguel Ribeiro Teles, com 38 votos (5% das escolhas) não conseguiram juntos, mais de 13 por cento das opções. Atrás deles só ficou Guilherme Lemos, com 9 votos, que representam apenas 1 por cento das preferências, cuja inclusão neste inquérito tem a ver com o facto de ter anunciado a sua recandidatura às eleições do próximo ano. O que demonstra que os maus resultados da equipa de futebol afectaram profundamente a imagem do actual presidente, de tal modo que o capital eleitoral registado por Soares Franco nas últimas eleições, a avaliar por este inquérito, acabou por ser transferido para duas figuras que não estão no clube: Luís Figo e João Lagos. O que indicia que os sportinguistas, nesta altura, pretendem um novo projecto com novos protagonistas. De resto, o candidato derrotado nas últimas eleições Sérgio Abrantes Mendes, com 76 votos (11 por cento), foi o terceiro colocado neste inquérito, seguido de perto por José Eduardo Bettencourt, outro eventual candidato à presidência, que recebeu 65 votos (9 por cento das escolhas).
A pergunta colocada aos leitores do LEÃO DA ESTRELA – “Qual é o melhor sucessor de Filipe Soares Franco na presidência do Sporting?” – indicava sete hipóteses de escolha: Filipe Soares Franco, Guilherme Lemos, João Lagos, José Eduardo Bettencourt, Luís Figo, Miguel Ribeiro Teles e Sérgio Abrantes Mendes. Nos 23 dias em que o inquérito esteve patente foram registadas 712 respostas.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Gilmar Veloz e o Sporting

Há uns dias, o brasileiro Gilmar Veloz, empresário de alguns jogadores do Sporting, teve o descaramento de dizer que "Liedson gostaria muito de ir para Sevilha". E que via com bons olhos essa transferência. Ora, se o jogador em causa trabalhasse num clube a sério, esse senhor empresário ou mudaria para uma atitude mais recatada ou jamais poderia lá entrar. Lamentavelmente, o episódio foi considerado normal no Sporting, pois não há conhecimento de qualquer opinião de desagrado, nomeadamente da parte de Miguel Ribeiro Teles, que é o chefe do futebol leonino. Um dos problemas graves que afectam o Sporting é que, quanto mais esses empresários usam e abusam do nome do clube, mais os negócios lhes correm bem.

RECORTES LEONINOS

O AMADORISMO DO SPORTING
Além de ter provado que, como todos sabiam, a goleada ao Benfica foi um golpe de sorte, a derrota de ontem resume o (pouco) que vale a estrutura actual do Sporting. Por sectores, a análise ao amadorismo:

1 - Jogadores: sem atitude, entraram em campo como se a época tivesse terminado na meia-final da Taça. Faltaram maturidade, pernas e brio profissional;
2 - Equipa técnica: de um treinador não se querem descrições de jogos, como insiste em fazer Paulo Bento após o apito final. Se nas palestras aos jogadores se ficar também apenas por aquilo que eles já sabem, é difícil conduzi-los ao sucesso. A fraca produção da equipa ontem mostra que se, como foi propagandeado, é verdade que as suas palavras no intervalo do jogo com o Benfica foram decisivas na reviravolta, então conclui-se que isso aconteceu por mera coincidência.
3 - Direcção: Leiria é a cidade com mais sportinguistas a seguir a Lisboa, mas mesmo assim os dirigentes leoninos deixaram que a equipa disputasse o jogo mais importante da época sem público. Qualquer estrutura minimamente profissional, ainda por cima liderada por quem definiu o segundo lugar como prioridade, teria mobilizado adeptos suficientes para lotar o Magalhães Pessoa. Pagando, se fosse até necessário, pois o negócio seria sempre compensador: em jogo estavam cinco milhões de euros, o valor do acesso directo à Liga dos Campeões.
AUTOR: Rui Hortelão, "Diário de Notícias", 21-04-2008
FOTO: Paulo Calado, "Record"

PAULO BENTO
Não há maneira de o Sporting manter a regularidade. Depois de uma vibrante vitória sobre o Benfica para a Taça, os "leões" mostraram poucos dias depois o seu outro lado, sofrendo uma goleada em Leiria. Foi frente ao último e envergonha qualquer adepto sportinguista. O segundo lugar ainda é possível, mas será que o Sporting o merece ou devia ficar para o Guimarães?
"Público", 21-04-2008

domingo, 20 de abril de 2008

Peçam desculpa aos sportinguistas!

A camisola que já foi de Francisco Stromp, Jesus Correia, Travassos, Vítor Damas, Yazalde, Manuel Fernandes, Jordão, Luís Figo, Balacov, Peter Schmeichel, Cristiano Ronaldo, Ricardo Sá Pinto, João Vieira Pinto e muitos outros foi ultrajada pelos jogadores que representaram o Sporting na derrota por 4-1, no terreno da União de Leiria, equipa praticamente condenada à descida de divisão. Uma derrota que baralha as contas para o acesso ao segundo lugar nesta Liga, e que mantém a equipa leonina dependente de terceiros. Mas, e sobretudo, uma derrota que confirma uma realidade preocupante: o futebol do Sporting continua assente em pés de barro.
Depois de uma semana em que aconteceram coisas extraordinárias no Sporting, como a goleada sobre o Benfica para a Taça de Portugal, a propaganda barata que procurou vender Paulo Bento como um grande líder que sabe motivar um balneário, as compras de jogadores, como Izmailov e Grimi, fabricadas por notícias de jornais bufadas por empresários e a exposição pública de Soares Franco e Paulo Bento no ténis do “Estoril Open”, a equipa leonina voltou à sua realidade, não tendo sequer arrancado motivação e força para ganhar, mesmo sabendo que, desse modo, ascenderia ao segundo lugar e jamais dependeria de terceiros para salvar minimamente uma temporada fracassada. Este jogo, aliás, desmentiu totalmente o apregoado “discurso” de Paulo Bento às tropas, no intervalo do jogo com o Benfica.
Curiosamente, o jogo de Leiria foi quase a repetição do jogo anterior com os benfiquistas. Também em Leiria o Sporting não existiu na primeira parte e chegou ao intervalo a perder por 2-0. Se calhar, isso aconteceu porque disseram aos jogadores que era preciso repetir a dose do jogo da Taça de Portugal. Esqueceram-se é de lhes dizer se era a dose da primeira parte ou a dose da segunda. E os jogadores do Sporting repetiram em Leiria apenas a dose da primeira parte. É esta a explicação que encontro...
De qualquer modo, convém agora recuperar as palavras de Liedson, quando explicou o segredo da vitória com o Benfica. “União e vontade”, esclareceu o craque brasileiro. Ora, em face disto, importa reflectir e tirar as conclusões. Os sportinguistas têm o direito de saber o que se passa naquele balneário, que tanto dá para ser goleado e humilhado em Braga e em Leiria como para ganhar ao FC Porto e golear o Benfica com uma vitória de 5-3.
A avaliar pelas declarações do “capitão” João Moutinho e pelo discurso monocórdico e previsível de Paulo Bento, após o jogo, ninguém sabe o que se tem passado no futebol do Sporting. Ou, se alguém sabe, não quer dizer. Ou não pode. Mas o que tem acontecido é muito mau. O que aconteceu em Leiria é vergonhoso para um clube que há mais de 100 anos foi fundado para ser tão grande como os grandes da Europa. Merecia um pedido de desculpas a todos sportinguistas. Mas nem para isso houve humildade. Porque já não há vergonha. FOTOS: Marcos Borga (Reuters)

sábado, 19 de abril de 2008

O treinador do segundo lugar

Após uma série de quatro vitórias consecutivas na I Liga, e de um conjunto de resultados negativos dos adversários directos, o Sporting amenizou o pesadelo que tem sido a sua prestação na prova maior do futebol português nesta temporada e depende, finalmente, de si próprio para chegar ao “desejado” segundo lugar, que dá acesso directo à Liga dos Campeões. Para isso, basta dar sequência à excelente exibição na última meia-hora do jogo com o Benfica e vencer em Leiria.
Caso confirme o segundo lugar no final da prova, o Sporting fará este ano o primeiro “tri” da sua história como segundo classificado do campeonato português. Um registo que tornará Paulo Bento conhecido como “o treinador do segundo lugar”, pois já orienta a equipa desde o Outono de 2005.
O curioso é que os três segundos lugares são conquistados também à custa do Benfica, que este ano, apesar de ter investido na aquisição de jogadores o triplo do dinheiro do Sporting, poderá rubricar a terceira série da sua história de três anos consecutivos em terceiro lugar ou mais abaixo e sempre atrás do Sporting. Já tinha sido assim em 1939, 1940 e 1941 (Sporting campeão) e em 2000 (Sporting campeão), 2001 e 2002 (Sporting campeão). FOTO: José Manuel Ribeiro (Reuters)

Os casos de Grimi e Izmailov

O empresário de Izmailov é um bom vendedor do produto. Bastou o russo do Lokomotiv de Moscovo ter participado activamente na excelente última meia-hora do Sporting contra o Benfica para que a notícia da compra do seu passe saltasse novamente para as primeiras páginas dos jornais. Não deixa de ser curioso. O exercício do direito de opção de compra do jogador custaria ao Sporting 4,5 milhões de euros. Seria muito dinheiro por um jogador que, não obstante a sua qualidade e ter sido decisivo em alguns jogos importantes (nomeadamente ao marcar o golo que decidiu a Supertaça a favor do Sporting), tem sensivelmente metade do tempo de jogo de João Moutinho, Liedson ou Miguel Veloso. Isto é, apresenta um notório défice de rendimento, por se lesionar com frequência, para além de ser um jogador irregular, com quem o treinador não pode contar sempre. Se aos 4,5 milhões de euros de Izmailov juntarmos os 3,5 milhões que são pedidos por Grimi (que parece ser um lateral-esquerdo algo limitado para se tornar indiscutível na equipa leonina) teremos o Sporting a gastar oito milhões de euros sem reforçar o plantel, pois estamos a falar da aquisição de jogadores que já estão lá. Ora, com esse dinheiro, talvez fosse possível encontrar um "número 10" de qualidade indiscutível, que fosse uma espécie de "patrão" da equipa... E as eventuais saídas de Grimi e Izmailov - caso seja mesmo impossível negociar um novo período de empréstimo - talvez pudessem abrir a porta a soluções de menor risco financeiro, sem prejudicar o equilíbrio do plantel. A não ser que o Sporting tenha muito dinheiro para investir na próxima época. FOTO: "Record Online"

sexta-feira, 18 de abril de 2008

LEÃO DA ESTRELA acima de mil visitas diárias

O apuramento do Sporting para a final da Taça de Portugal, com uma vitória extraordinária sobre o Benfica, deu ao blog LEÃO DA ESTRELA um novo recorde de audiências, tendo o contador do site www.sitemeter.com registado um total de 1.165 visitantes e de 1.493 páginas consultadas ao longo das 24 horas de quinta-feira, 17 de Abril.
No quadro em anexo podem consultar o registo de visitas e de páginas consultadas ao longo do último mês, que confirma o LEÃO DA ESTRELA como um dos espaços mais lidos da blogosfera sportinguista. Entre 18 de Março e 17 de Abril, o LEÃO DA ESTRELA foi visitado por um total de 18.744 pessoas, numa média diária de 604 visitas, embora de segunda a sexta-feira essa média seja superior. A fasquia das mil visitas por dia foi ultrapassada em oito situações, ao longo do último mês.
Antes do recorde das 1.165 visitas desta quinta-feira, o LEÃO DA ESTRELA já tinha sido visitado por 1.041 pessoas no dia 18 de Março. Entretanto, também em Março, no dia 18, foram consultadas 1.629 páginas, no dia 19, foram consultadas 1.097 páginas, no dia 23, foram vistas 1.211 e, no dia 24, um total de 1.018. Em Abril, no dia 2, os leitores do LEÃO DA ESTRELA consultaram 1.078 páginas e, no dia 17, mais 1.493. Obrigado a todos os leitores!

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Para memória futura

Primeira página do jornal "A Bola", 17-04-2008

Derlei decisivo em noite fantástica

O Estádio José Alvalade foi palco de um dos mais empolgantes jogos entre o Sporting e o Benfica de toda a história do futebol português. Ao vencer por 5-3, Paulo Bento viveu o seu grande jogo de glória como treinador do Sporting e pode mesmo ter conseguido o “passaporte” de que precisava para continuar em Alvalade. Porque a vitória, que coloca o Sporting na final da Taça de Portugal, a disputar com o FC Porto, será inesquecível.
O Benfica, por seu lado, está a viver uma autêntica semana negra, que o Sporting transformou num enorme pesadelo, que coloca em causa a continuidade de Luís Filipe Vieira como presidente do clube. Este jogo provou ainda que os confrontos entre o Sporting e o Benfica continuam a ser o maior jogo de futebol do País. E essa foi talvez a única coisa que o presidente do FC Porto, Pinto da Costa, em 25 anos de reinado, não conseguiu destruir...
O jogo teve de tudo, com as duas equipas entre o oito e o oitenta em períodos diferentes. A primeira parte mostrou o pior Sporting da temporada. Lento, arrepiantemente lento e inconsequente, sem capacidade para fazer uma jogada com princípio, meio e fim. Sem futebol para um Benfica que ia fazendo pela vida e que, quase sem saber como, chegou a ganhar por 2-0 na primeira meia hora, com golos de Rui Costa e Nuno Gomes, e continuou com o jogo na mão até ao intervalo. Porque Chalana soube armar uma equipa defensiva e com mobilidade na frente que confundiu a defesa leonina. De resto, o Sporting não existia. Paulo Bento parecia não saber o que fazer.
Na segunda parte tudo se alterou. Não foi bem no começo, foi quando entrou o brasileiro Derlei (61'). Confesso que fui daqueles que, como o presidente Soares Franco, ficaram com os cabelos em pé quando souberam que Derlei tinha sido contratado no último defeso, depois de seis meses "a enganar" o Benfica. Mas agora dou a mão à palmatória. Apesar de ter estado parado praticamente toda a temporada, Derlei mostrou uma coisa que ninguém na equipa leonina tinha mostrado até aos 60’. Nem sequer Paulo Bento. Derlei trouxe energia, trouxe liderança, trouxe força de vontade para mudar o rumo dos acontecimentos. Derlei trouxe uma alma nova ao futebol do Sporting. Derlei trouxe confiança e sede de conquista. Derlei empurrou a equipa na direcção da baliza de Quim. E como o Benfica já estava a dar sinais de esgotamento, o Sporting precisava de um golo para relançar o jogo. E assim foi. Yannick abriu a garrafa (aos 68') e depois foi o que se viu.
O jogo estava relançado, com o Sporting a cavalgar uma reviravolta emocionante, com a particularidade de Derlei ter assinado o terceiro golo que deu ao Sporting, pela primeira vez, a vantagem no marcador. Em apenas 25 minutos o Sporting fez cinco golos, à média avassaladora de um golo em cada cinco minutos, com Yannick, Liedson, Derlei, Yannick de novo e Vukcevic, por esta ordem, a deixarem o seu registo na evolução do marcador leonino. O Benfica ainda fez o 3-3, mas o Sporting já tinha o domínio da situação e reagiu com normalidade, sendo de uma eficácia tremenda. Em seis ou sete oportunidades, a equipa leonina marcou cinco golos. Uma noite fantástica, que fica nas melhores páginas da história do Sporting! FOTOS: Francisco Leong (AP Photo)

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Sensacional

Portentoso

Olímpico

Radiante

Triunfante

Indomável

Nobre

G
lorioso


[Dedicatória do LEÃO DA ESTRELA ao Sporting pela vitória fantástica sobre o Benfica, por 5-3, nas meias-finais da Taça de Portugal 2007-2008]
FOTO: Steven Governo (AP Photo)

RECORTES LEONINOS Taça de Portugal

Em 29 de Janeiro de 1984, o Sporting venceu o Benfica por 2-1, com golos de Manuel Fernandes e Jordão. Foi o último confronto com os benfiquistas em Alvalade nas eliminatórias da Taça de Portugal.

HISTÓRIA COM O "LEÃO"
O Sporting nunca foi eliminado nos 12 confrontos em Alvalade com o Benfica para a Taça (incluindo um jogo de desempate). Mais: em cinco meias-finais disputadas, passou sempre. No total, venceu 10 partidas e perdeu duas - mas esses dois desaires não resultaram na eliminação do "leão", que venceu depois a segunda mão em casa do rival. A história é tão favorável aos sportinguistas que só por uma vez terminaram um jogo em branco (em 1963). São mais de 60 anos de duelos entre os velhos rivais. Começou em 1942 e com uma goleada do Sporting (4-0) - o último derby em Alvalade para a Taça foi em 1984 e acabou em vitória leonina (2-1, golo decisivo de Manuel Fernandes). As únicas vitórias "encarnadas" foram em 1945 (1-2) e 1963 (0-1), ambas nas meias-finais, mas mesmo assim seriam os "leões" a seguir para a final. O Sporting venceu todos os outros sete jogos, com um total de 18-4 em golos.
"Público", 16-04-2008

terça-feira, 15 de abril de 2008

Realidades

Nesta temporada, o Sporting realizou quatro jogos com o Vitória de Setúbal. Empatou um, em Alvalade, para a I Liga, e perdeu três, um deles na final da Taça da Liga. Nos três jogos que perdeu não conseguiu marcar um único golo, a não ser na fatídica sessão de penáltis na final da Taça da Liga, onde, em cinco oportunidades, falhou três. Já o FC Porto, realizou três jogos com os setubalenses e facturou três vitórias, marcando um total de sete golos e sofrendo apenas um. Talvez estas diferenças ajudem a perceber o que é o futebol do Sporting nos tempos que correm. Ou como a miséria leonina fez do Vitória de Setúbal uma equipa que não é. O que vale ao Sporting, nesta meia-final da Taça de Portugal, é que vai receber um Benfica que também mantém a ilusão de que é uma equipa gloriosa. Mas há 20 anos que não é.

Jogos de polícia

Quando há um jogo entre os chamados "grandes", a imprensa portuguesa, em vez de falar do jogo em si, dos jogadores e das tácticas, enfim, em vez de falar sobre futebol, desvia as atenções para aspectos laterais. Talvez seja mais fácil. Há uma senhora subcomissária da polícia de Lisboa, por exemplo, chamada Paula Monteiro, que já é conhecida no País inteiro à custa das entrevistas que dá antes, durante e depois dos jogos entre o Sporting e o Benfica ou entre o Benfica e o FC Porto... Agora sabemos que há 600 polícias mobilizados para o Sporting-Benfica desta quarta-feira. E depois? Isso tem algum interesse noticioso ou é apenas uma medida de segurança pública absolutamente normal para um espectáculo de futebol que será presenciado por 40 ou 50 mil pessoas? O problema é quando a coisa dá para o torto, como aconteceu num recente Benfica-Porto. Aí já ninguém estará disponível para assumir responsabilidades aos microfones... FOTO: www.rtp.pt

Jogar "à FC Porto" e jogar "à Sporting"...

No lançamento do jogo das meias-finais da Taça de Portugal com o Vitória de Setúbal, o treinador do FC Porto, Jesualdo Ferreira, pediu aos seus jogadores que joguem "à FC Porto". A revelação foi feita em conferência de imprensa e nenhum jornalista perguntou ao treinador portista o que é isso de jogar "à FC Porto", depreendendo-se que toda a gente sabe o que isso é. E se Paulo Bento revelasse que pediu aos jogadores leoninos para que joguem "à Sporting", nesta quarta-feira, com o Benfica? Tendo em conta a irregularidade na temporada em curso, como é que seria "jogar à Sporting"?...

MEMÓRIAS LEONINAS O “hat-trick” de Manoel

O brasileiro Manoel marcou três golos a Bento em 1977

De entre os 11 confrontos entre Sporting e Benfica disputados em Alvalade a contar para a Taça de Portugal, há um que ficará para sempre na história do brasileiro Manoel, disputado em 13 de Março de 1977, que resultou na vitória leonina por 3-0, com todos os golos apontados pelo avançado brasileiro, aos 10’ 52’ e 57’. De resto, Manoel continua a ser o único jogador da história do Sporting a ter marcado três golos ao Benfica em jogos da Taça de Portugal. O Sporting era treinado pelo inglês Jimmy Hagan que, nesse jogo, não pôde contar com Manuel Fernandes, nem com Keita. Com os colegas ausentes, Manoel assumiu o papel de estrela da equipa e marcou por três vezes. Nesse ano, porém, o Sporting perdeu o campeonato para o Benfica, de forma inglória, pois chegou a usufruir de uma vantagem de sete pontos no final da primeira volta. E caiu aos pés do FC Porto depois de ter afastado o Benfica da Taça de Portugal. Contra o Benfica, o Sporting alinhou com os seguintes jogadores: Luís Matos; Vítor Gomes, João Laranjeira (Capitão), Amândio Barreiras e Augusto Inácio; Samuel Fraguito, Zezinho (aos 83’, Rui Palhares) e Baltasar; Marinho, Manoel e Freire (aos 83’, Da Costa). FOTO: "Record / Arquivo"

segunda-feira, 14 de abril de 2008

O LEÃO DA ESTRELA na imprensa

"Público", 13-04-2008

MEMÓRIAS LEONINAS 1977-1978

Em cima: Laranjeira, Inácio, Vítor Gomes, Manaca, Keita e Botelho. Em baixo: Manuel Fernandes, Jordão, Barão, Artur e Fraguito.

Eis a equipa do Sporting que defrontou o Benfica no Estádio da Luz, em 12-02-1978, em jogo da 16ª jornada do Campeonato Nacional da I Divisão, que terminou com uma derrota leonina por 1-0. Foi um dos jogos azarentos de Jordão, que se lesionou gravemente, aos 26’, fracturando uma perna num lance com o defesa-esquerdo benfiquista Alberto. O avançado leonino, que já tinha 15 golos marcados em 15 jogos desse campeonato, só voltaria aos relvados na época seguinte.
Nessa temporada de 1977-1978, exactamente há 30 anos, o Sporting também encontrou o Benfica na Taça de Portugal e seguiu em frente. Em jogo a contar para os quartos-de-final, disputado em 5 de Março de 1978, o Sporting recebeu e venceu o rival da Luz por 3-1, com golos de Manuel Fernandes (2) e Keita. Antes, a equipa leonina, orientada pelo brasileiro Paulo Emílio (nos primeiros meses da temporada) e depois pelo português Rodrigues Dias, derrotara o Sporting de Espinho, o Salgueiros, o União da Coimbra e o FC Famalicão. Nas meias-finais, o Sporting foi à Póvoa de Varzim vencer por 2-1. Na final, a equipa leonina defrontou o FC Porto, que então se sagrara campeão nacional, ao fim de um jejum de 19 anos. Depois de uma final que terminou empatada 1-1, o Sporting derrotaria os portistas – que então ainda não eram conhecidos por “dragões” – na finalíssima, por 2-1, com golos de Vítor Gomes e Manuel Fernandes.

domingo, 13 de abril de 2008

E o segundo lugar está à vista...

Quando diz que o Sporting “não joga sozinho”, Paulo Bento agarra-se a um lugar-comum verdadeiro para procurar esconder debilidades próprias que não conseguirá ou não quererá explicar de outro modo. Em cada jogo, além da equipa do Sporting, há, de facto, uma bola – o elemento mais puro de um jogo de futebol – e onze jogadores da equipa contrária. Teoricamente, são as duas equipas que se defrontam que têm influência directa no resultado final. Digo teoricamente, porque, às vezes, não é assim.
Frente ao Leixões - na ressaca de um fracasso europeu, com o Estádio José Alvalade a registar 30 mil espectadores motivados pela derrota humilhante do Benfica na noite de sexta-feira... -, e mesmo a jogar com demasiada “tranquilidade”, sem pressionar atrás, no meio ou à frente, o Sporting poderia ter chegado ao intervalo a ganhar por 1-0, se o árbitro Duarte Gomes não tivesse anulado um golo limpo e bonito a Liedson (37’). Se dúvidas houvesse, o árbitro provou que o Sporting não estava mesmo a jogar sozinho…
Mas, independentemente do jogo adversário ou da influência de um árbitro, o Sporting não pode ser tão passivo e tem obrigação de fazer tudo o que está ao seu alcance. A equipa leixonense teve muita liberdade para jogar e rematar à baliza de Rui Patrício com bastante frequência. Porque o Sporting deixou, não impondo um ritmo de jogo. E bastaria que os onze jogadores mostrassem em campo a atitude competitiva de Liedson ou João Moutinho para que tudo fosse mais fácil.
Daí que a vitória leonina (2-0) tenha sido mais sofrida do que teoricamente seria de esperar. Os golos vieram quase de rajada, desta vez na marcação de dois pontapés-de-canto, com Ronny a assistir as cabeças de Tonel (52’) e Liedson (59’), confirmando assim uma rápida aproximação leonina ao segundo lugar, que agora é do Vitória de Guimarães, que acumula mais dois pontos. Estranha esta situação de o Sporting depender de um clube vindo da II Divisão para ter acesso ao segundo lugar no campeonato… Ainda assim, em melhor posição do que o Benfica, que gastou mais do triplo na contratação de jogadores oriundos de vários pontos do mundo, sem esquecer os dois treinadores que já despachou...
Registo para a expulsão de Ronny (68'), por acumulação de cartões amarelos. E sobre ela ocorre-me perguntar uma coisa: se Ronny jogasse no Estádio do Dragão e equipasse de azul e branco e fizesse o que fez neste jogo com o Leixões também seria expulso?...
Infelizmente, as diferenças pontuais continuam a ser feitas também pelos árbitros. O Sporting ganhou ao Leixões e não precisou do golo mal anulado. Ao decidirem sobre uma eventual posição irregular de Liedson, o árbitro e o auxiliar devem ter tido dúvidas. Mas optaram por castigar o futebol ofensivo do Sporting e o excelente golo de Liedson. O problema é que o FC Porto, mesmo já campeão, continua a marcar golos duvidosos que não oferecem dúvidas aos árbitros. Golos que dão vitórias, pontos e campeonatos... FOTO: Hugo Correia (Reuters)

RECORTES LEONINOS

SOARES FRANCO ALIVIADO *
(..) O presidente [do Sporting] deve estar aliviado. Podemos concentrar-nos no objectivo principal, que é ser a equipa que perde por menos em relação ao FC Porto. Provavelmente, o segundo lugar até é o que a Direcção prefere: permite a ida à Liga dos Campeões sem ter de pagar os prémios por vitória no campeonato. Ufa!
AUTOR: Zé Diogo Quintela, "A Bola", 12-04-2008
* - Título do LEÃO DA ESTRELA

RECORTES LEONINOS

QUASE, QUASE...
Filipe Soares Franco, à falta de outros imprevistos, fez bem em agradecer a adesão do público sportinguista, mobilizado para uma grande noite europeia que acabou em frustração. Por esse lado – apesar de não ter havido Farnerud... –, não há desculpas.
O medo sempre presente em campo. Risco? Só quando está tudo quase perdido. Paulo Bento apostou na contenção em Glasgow e apostou na contenção, durante o primeiro tempo, em Alvalade. A sedução do controlo. A fúria tranquila e obsessiva do controlo.
Paulo Bento perde o título, perde a Taça da Liga, perde a oportunidade de marcar presença nas meias-finais da Taça UEFA, perde o verniz, mas, de perda em perda, continua a achar que tem muito a ganhar, perante a (sua) verificação óbvia de que o Sporting foi vítima de tudo lhe terem feito para perder. É muita arrogância junta, em Alvalade, para quem faz tão pouco para construir um Sporting ganhador. A culpa não é apenas de Paulo Bento. É dos promotores da falta de ambição. É daqueles que, na engrenagem, não sentem o Sporting. É daqueles que levam o Sporting no sopro do vento. É também da “boa imprensa” que o jovem técnico dos leões possui, a avaliar pelas perguntas de ontem, tão ronceiras, como o futebol praticado pelo conjunto verde-e-branco.
Se Paulo Bento tem tudo o que pretende e a equipa joga à sua imagem e semelhança, não há ninguém em Alvalade para perceber a evidência de que o mesmo plantel e a mesma equipa, não obstante as suas debilidades, poderiam ser rentabilizados de outra forma? Bastaria incutir mais velocidade, mais agressividade competitiva, mais exigência, mais ideias, isto é, outra concepção de futebol.
As “chicotadas” servem, por definição, para promover a mudança. Agora, não é oportuna. O Sporting precisa de mudar a sua concepção futebolística. A dúvida é saber se Soares Franco está interessado nisso (como e quando) e isso passa por uma orientação técnico-táctica menos... tranquila.O bis do “quase Sporting” está a tornar-se mitológico.
AUTOR: Rui Santos, "Record", 11-04-2008
FOTO: Marcos Borga (Reuters)

RECORTES LEONINOS

A APRENDIZAGEM DO SPORTING
O Sporting foi eliminado da Taça UEFA e tornou cada vez mais difícil a transformação desta época num sucesso desportivo. Por muitas voltas que se dê à questão, em Alvalade vão ficando sem argumentos os que agitam o fantasma de Peseiro a cada vez que surge uma ligeira contestação. O antecessor de Paulo Bento falhou sucessivamente o título, a final da Taça UEFA e o segundo lugar, mas o actual técnico já perdeu a final da Taça da Liga, fez pior do que o Sporting de Peseiro na Taça UEFA e até do que o Panathinaikos de Peseiro contra o Glasgow Rangers. E, embora esteja bem colocado, nada garante que chegue à segunda ou mesmo à terceira posição da Liga. Quer isto dizer que Bento deve sair? Claramente, não.
Paulo Bento é, neste momento, o treinador de que o Sporting precisa, assim tanto ele como quem o rodeia tenham aprendido alguma coisa com o que correu mal. Em que áreas se deve então mudar? Nas regras de condução geral e na definição de estratégias. Conforme se percebe do caso Stojkovic, para o treinador do Sporting conta sempre mais a influência de um jogador no balneário, a confiança que nele tem como indivíduo, que o seu rendimento. E só por isso se compreende que Abel, um dos líderes da cabina, um dos homens em quem o treinador confia mais abertamente, continue a jogar em vez de Pereirinha, que desde a vitória sobre o FC Porto está a render muito mais; ou que Yannick marque golos em três jogos seguidos e depois vá para o banco, mesmo que, como se percebeu das palavras de Liedson no final da partida - a alusão a individualismo assentava que nem uma luva em Vukcevic - conte com o apoio do "Levezinho".
O problema do Sporting contra o Rangers não foi o azar. Sucede que não jogaram os que estão melhor e a estratégia e o discurso cautelosos não assentaram bem numa equipa que, como dizem sempre os seus responsáveis, é um projecto de formação - logo, cheia de jovens. Ora só quem não liga nenhuma à natureza humana pode esperar de tantos jovens calculismo e a anulação de emoções em vez de fulgor e espírito de conquista.
AUTOR: António Tadeia, "Diário de Notícias", 12-04-2008
FOTO: Marcos Borga (Reuters)

sexta-feira, 11 de abril de 2008

A profecia de Soares Franco

A Académica de Coimbra, que actualmente é uma espécie de delegação do FC Porto, foi à Luz derrotar o Benfica por 3-0. Há mais de 50 anos que a equipa de Coimbra não vencia no estádio benfiquista. O mais curioso é que esta vitória histórica até poderia ter sido mais expressiva, dadas as diferenças entre o desastre do futebol do Benfica e a eficácia da Académica de Domingos Paciência. Desta vez não houve nenhum árbitro a puxar o Benfica para baixo... Ou seja, o discurso de Luís Filipe Vieira contra a arbitragem, procurando dar-nos a ideia de que o Benfica perdera o campeonato por ter sido escandalosamente espoliado, foi destruído por mais um desaire caseiro, desta vez humilhante.
Quem fica a lucrar é o Sporting, que agora vê, afinal, o segundo lugar, cumprindo a profecia de Filipe Soares Franco, expressa na má noite europeia desta semana, quando manifestou a certeza de que a equipa leonina terminaria a Liga Portuguesa em segundo lugar. A verdade é que, caso vença o Leixões, em Alvalade - mas é preciso vencer o Leixões... -, o Sporting ultrapassa o clube de Luís Filipe Vieira na classificação. Vamos ver como é que a equipa de Paulo Bento reage ao desaire europeu... E como é que o Benfica vai sair desta humilhação, que, recorde-se, será no jogo das meias-finais da Taça de Portugal, precisamente em Alvalade, na próxima quarta-feira. É preciso ter cuidado... FOTO: Paulo Duarte (AP Photo)

Núcleos e filiais: a mudança necessária

Embora não pareça, o Sporting Clube de Portugal tem 246 núcleos, 23 delegações e 186 filiais. É um total de 455 extensões do clube espalhadas pelo País e pelo Mundo. Umas mais activas do que outras e outras eventualmente inactivas ou com uma actividade intermitente. Apesar das mudanças verificadas na gestão do clube na última década, na sequência da criação da sociedade anónima desportiva para a gestão do futebol profissional, a verdade é que, ao nível das suas extensões no País e no Mundo, o Sporting não mudou nada. E, contudo, o mundo mudou e muito. Daí que seja necessário e urgente que o clube faça um balanço à actividade dos seus núcleos, das suas delegações e das suas filiais, em particular quanto ao papel que desempenham na projecção do Sporting Clube de Portugal. E, claro, impõe-se também um balanço sobre aquilo que o Sporting tem feito pelas suas extensões em Portugal e no estrangeiro.
Independentemente disso, é imperioso fazer uma reestruturação nesta área. E uma reestruturação implica mudar. Mudar radicalmente, adequando o clube aos novos tempos. A verdade é que o papel de uma delegação, de um núcleo e de uma filial na promoção do clube e do sportinguismo poderia ser muito maior, designadamente nas cidades mais afastadas de Lisboa ou em grupos de sportinguistas inseridos em comunidades de portugueses nos vários pontos da Europa e do Mundo. E uma extensão do Sporting também deveria ser vista pelo clube como uma oportunidade geradora de receitas, através do "merchandising", do aumento do número de associados, da venda de bilhetes para os jogos, etc..
Uma das hipóteses poderia passar pela conversão das delegações, dos núcleos e das filiais em "Casas do Sporting". Nos casos em que isso fosse possível, evidentemente. A Casa do Sporting seria a única forma de representação do clube numa determinada cidade. O Sporting Clube de Portugal registaria a marca CASA DO SPORTING e criaria uma rede de “franchising” – mediante um conceito comercial uniforme e inovador – para os associados sportinguistas que estivessem interessados em assumir o negócio. Que negócio? Seria um espaço de convívio, um bar, um restaurante, um café-bar, um espaço Internet, onde seria possível assistir aos jogos do Sporting, onde seria possível a inscrição como sócio ou o pagamento da quota anual, onde seria possível comprar a camisola do Liedson ou do João Moutinho, onde seria possível comprar o bilhete para o próximo jogo, onde seria possível receber a visita do presidente do clube ou dos jogadores, enfim, um espaço de sportinguistas e para sportinguistas, que, evidentemente, estaria aberto a todo o público. Muitos destes espaços poderiam, inclusive, ter uma dimensão ainda maior, se estivessem, por exemplo, associados ao negócio das escolinhas de futebol, que poderiam funcionar em todos os distritos do País, incluindo as ilhas dos Açores e da Madeira. O LEÃO DA ESTRELA lança o debate.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Um duche escocês

Um duche escocês com dois jactos de água gelada arrumou com as pretensões do Sporting em ganhar a Taça UEFA, se é que alguma vez elas existiram. Numa análise ao conjunto dos dois jogos com o Glasgow Rangers – 0-0 na Escócia e 0-2 em Lisboa –, torna-se agora evidente que o Sporting caiu nestes quartos-de-final por não ter revelado a necessária ambição de ganhar logo no primeiro jogo, em terreno escocês. Foi aí que a equipa britânica falhou, ao ter sido travada pelo melhor futebol do Sporting, e teria de ser aí que Paulo Bento deveria ter aproveitado para resolver a eliminatória, mostrando a audácia que acabaria por revelar no jogo de Lisboa, mas fora de horas e em desespero.
O jogo de Lisboa começou com a Sporting a realizar uma espécie de prolongamento do jogo de Glasgow. Mas um prolongamento de menor qualidade, dado que agora havia ansiedade, a estranha ansiedade que bloqueia o Sporting nos momentos decisivos, e que já merecia a contratação de um bom psicólogo para a equipa técnica. A necessidade de ganhar pedia um Sporting avassalador desde o primeiro minuto. Pedia os “raids” de Bruno Pereirinha e de Yannick Djaló, mas eles ficaram no banco. A ausência de Anderson Polga talvez reclamasse Miguel Veloso na sua posição, puxando João Moutinho para o centro mais recuado do losango do meio-campo. O terreno pesado e o porte atlético dos escoceses talvez dispensasse Romagnoli e pedisse, em seu lugar, o remate fácil, a força e a disponibilidade de Vukcevic, mesmo longe da melhor forma. Mas Paulo Bento não entendeu assim.
O Sporting foi previsível e não acertou na baliza adversária. A única vez em que acertou, Liedson rematou ao poste. Falar em "falta de sorte" seria um eufemismo. E a equipa só se tornou imprevisível, mas no pior sentido, quando ficou a perder, numa altura em que corria contra o tempo e só faltava meia hora para jogar, com Paulo Bento a tirar defesas e a meter os avançados que tinha (ou não tinha...). Mas estava à vista de todos que não havia nada a fazer, porque o “autocarro” escocês era demasiado grande para um futebol ofensivo tão desgarrado... O Sporting dizia adeus à Europa. E Soares Franco foi ao balneário dar um abraço forte ao treinador. Afinal, o mais importante é o segundo lugar na Liga Portuguesa. Enquanto for possível lá chegar.
FOTOS: Nacho Doce (Reuters)

quarta-feira, 9 de abril de 2008

O futebol português de A a Z...

Para quem estiver interessado em saber muito do que tem sido o futebol português desde finais dos anos setenta, está aqui um belo tratado, de A a Z. E a letra "S" é especialmente dedicada ao Sporting. É um documento elaborado por um benfiquista e não conta as estórias todas. Mesmo assim, merece ser lido.

A substituição de Tello e o passivo do SCP

Em 2006-2007, o lateral-esquerdo Rodrigo Tello, que custava ao Sporting 25 mil euros mensais, era um dos jogadores mais mal pagos do plantel, apesar da sua importância na estratégia da equipa. Era menos de metade do que ganhavam Carlos Bueno ou Carlos Paredes e era praticamente metade do que ganhava Farnerud. Na hora de renovar o contrato, aos 28 anos, o internacional chileno, que era o jogador mais antigo da equipa e fora o jogador mais caro comprado pelo Sporting, em meados da época 2000-2001, pretendia ganhar 50 mil euros por mês. Era legítimo, tendo em conta uma comparação com outros vencimentos e o rendimento dos respectivos beneficiários. Mas o Sporting não aceitou, pois não estava disposto a dar muito mais do que 50 por cento daquilo que o atleta já ganhava. E Rodrigo Tello acabou por parar no Beziktas, da Turquia, onde foi ganhar o triplo.
É bom lembrar este caso numa altura em que muitos sportinguistas se interrogam por que motivo o passivo do clube se mantém em números elevados, que teimam em não descer. Mais a mais porque um passivo resulta de investimentos, mas também de erros de gestão, pequenos e grandes. É igualmente bom recordar este caso quando muitos sportinguistas defendem a realização de uma auditoria às contas do clube. Uma auditoria é importante. Mas talvez o processo da mera substituição de um defesa-esquerdo ajude, de forma mais simples, a explicar por que é que o Sporting gasta muito dinheiro mal gasto.
Rodrigo Tello pretenderia duplicar o ordenado e passar a ganhar 50 mil euros por mês (curiosamente a verba agora pedida por Abel para renovar), o que daria um acréscimo de cerca de 250 mil euros no final da época. Como não foi aceite, o lateral-esquerdo chileno saiu e foi contratado o desconhecido Marian Had, vindo do Lokomotiv de Moscovo, a título de empréstimo, com o resultado que se viu. Não sabemos quanto é que Marian Had custou no tempo em que esteve em Alvalade. Depois veio Grimi, também por empréstimo do AC Milan. E pergunta-se: será Grimi mais barato que Tello no final do mês? Será Grimi assim tão superior a Rodrigo Tello que justifique os 3,5 milhões de euros que o Sporting terá de pagar pela aquisição do seu passe? Como diria o antigo primeiro-ministro António Guterres, “é fazer as contas”...
Mesmo sem fazer as contas, porque não temos todos os dados, e caso seja confirmada a compra da totalidade do passe de Grimi, a verdade é que, para substituir um lateral-esquerdo, o Sporting, em vez de ter investido 250 mil euros anuais com a renovação de um contrato, terá de gastar cerca de cinco milhões de euros, entre ordenados e o passe de um novo jogador. Ou seja, um milhão de contos em moeda antiga. Muito dinheiro, claro. Isto sem falar na instabilidade desportiva que a substituição de Tello, e depois a substituição de Marian Had, e mais tarde a adaptação de Leandro Grimi, causaram na equipa de futebol… E, assim, talvez se perceba por que é que o passivo do Sporting não é abatido... FOTO: www.sporting.pt

MAIS INFORMAÇÃO SOBRE A SAÍDA DE TELLO NO LEÃO DA ESTRELA:

terça-feira, 8 de abril de 2008

Robinhos & Ronaldinhos...

O “Record” de hoje anuncia que o Sporting está a seguir o brasileiro Renatinho (na foto), que é apresentado como um “novo Robinho” – facto que dá para desconfiar, ou não tivesse já o Sporting, no seu plantel, um “novo Ronaldinho Gaúcho”... E para desconfiar basta ler alguma imprensa brasileira, ao referir-se ao jovem jogador, afastado das opções do treinador do Santos, Emerson Leão: “Renatinho foi revelado pelo Santos com o status de “novo Robinho”, porém nunca fez valer as aparências.”
Depois de Rodrigo Tui, Renatinho é mais uma oferta do catálogo do velho empresário Juan Figger, o mesmo que trouxe vários jogadores para o Sporting e algumas trapalhadas no tempo de Jorge Gonçalves, nos idos anos oitenta de má memória.
Independentemente do potencial de Renatinho, a questão é que estamos perante mais um jovem de 20 anos. Ora, jovens de 20 anos ou mais novos e com valor, portugueses ou estrangeiros, não faltam na equipa principal do Sporting e na Academia. Por isso, uma eventual contratação de Renatinho, repito, independentemente do seu valor como futebolista e do seu preço, seria incoerente.
De resto, antes de contratar mais um brasileiro, o Sporting precisa de saber quais são os brasileiros que vão sair no final da temporada. Pedro Silva, Gladstone, Anderson Polga, Ronny, Celsinho, Derlei, Rodrigo Tiuí e Liedson, que representam 30 por cento de um plantel de 26 jogadores, já formam um contingente “canarinho” significativo e com índices de rendimento muito diversos.
O que o Sporting precisa é de encarar cada contratação como um investimento capaz de gerar resultados desportivos que, por sua vez, façam aumentar as receitas. Precisa de contratar menos, ainda que tenha de contratar mais caro. Porque precisa de acrescentar qualidade e experiência à enorme qualidade que sai de Alcochete todos os anos. E porque o futebol de um clube vive de vitórias e não de operações bancárias ou contas de mercearia, como, muito bem, escreve hoje o jornalista Joel Neto, no “Jornal de Notícias”.

RECORTES LEONINOS Yannick Djaló

O ano de 2008 pode ser essencial no que diz respeito ao processo de maturação de Djaló, jogador veloz e ousado, mas com algumas indefinições no capítulo da concretização (como se viu em Glasgow). Nas últimas semanas, e com 'new look', o sportinguista marcou ao Nacional, marcou à Naval e fez o resultado com o Braga. Há quem já fale de um novo "levezinho".
Luís Octávio Costa, "Público", 08-04-2008

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Os berros de Pinto e Vieira

Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira, por motivos diferentes, andam nervosos. O presidente do FC Porto pontuou a conquista de mais um título nacional, por sinal indiscutível, puxando de um velho discurso com 30 anos, nomeando o Sul, e em particular, o centralismo de Lisboa, como inimigos a abater. Dos adversários até disse que são "vermes"... Mesmo tendo em conta que o presidente portista anda acossado pelas consequências do "Apito Dourado" - um processo que até é pequeno tendo em conta que só foi investigada a época 2003-2004 -, a verdade é que desenterrou um discurso fora de época, nada consentâneo com a modernidade. Seria até muito interessante saber se os empresários que são accionistas da SAD do FC Porto e patrocinadores do clube, que precisam dos clientes de todo o País, gostaram de ouvir os berros inflamados do "velho" Pinto da Costa...
Já Luís Filipe Vieira, agora transformado em arauto da verdade desportiva, desatou aos berros contra uma alegada viciação de resultados, a necessitar de uma aturada investigação da Polícia Judiciária. Pelo tom grave das acusações, parecia que o presidente do Benfica estava a referir-se à temporada 2004-2005 (que, lamentavelmente, não foi incluída na operação "Apito Dourado"). Mas não. As palavras de Vieira foram proferidas após mais um empate, não no chamado "inferno da Luz", mas no Bessa. Foi o 12º empate na Liga 2007-2008, fazendo com que o Benfica tenha menos vitórias do que empates... O que para um clube glorioso será, certamente, dramático. Como será dramático ficar em terceiro lugar pelo terceiro ano consecutivo. Por isso, talvez seja bom, em nome da verdade desportiva, que a PJ abra já uma nova investigação. E que comece por chamar Fernando Santos e António Camacho. Talvez os seus depoimentos desfaçam as dúvidas do presidente do Benfica.

domingo, 6 de abril de 2008

Yannick show em Alvalade

Dois golos de Yannick Djaló, bem trabalhados com o “assistente de serviço” Liedson, em apenas dois minutos (36’ e 38’), deram ao Sporting uma preciosa vitória sobre o Sporting de Braga, que não vingou a goleada (3-0) sofrida pela equipa de Paulo Bento no jogo da primeira volta, mas deu três pontos essenciais para que Filipe Soares Franco e todos os sportinguistas continuem a alimentar a esperança de a equipa leonina terminar a Liga no segundo lugar.
Para a equipa do Sporting, o que fica de bom desta partida é mesmo o “show” concretizador de Yannick Djaló - que já marcou quatro golos em três jogos incompletos depois de uma paragem de quatro meses -, que desfez um jogo que estava equilibrado, sem oportunidades flagrantes de golo, com o jogo leonino pouco veloz e a parecer manietado face a uma equipa bracarense a jogar de cabeça levantada e sempre disponível para encontrar a baliza de Rui Patrício.
No segundo tempo, o Sporting reapareceu vergado pelos fantasmas de que tem sido afectado na temporada em curso, perdendo a batalha do meio-campo e revelando uma grande insegurança defensiva. Voltando a melhorar só nos minutos finais. Sujeitou-se, por isso, a momentos de grande aflição, que só a sorte (um remate na barra), a atenção de Rui Patrício (algumas defesas apertadas) e uma má decisão do árbitro (anulou um auto-golo de Abel aparentemente limpo) impediram os bracarenses de marcar, eventualmente, mais do que um golo em Alvalade, onde a presença de 28 mil espectadores traduz um efeito positivo da campanha europeia e também da realização do jogo a uma hora mais convidativa (18h30). Ainda sobre o árbitro, Bruno Paixão, também é bom que se diga que deixou o Braga terminar o jogo com onze jogadores, apesar de dois casos de prática de jogo violento sobre jogadores leoninos (Liedson e Farnerud)...
Em resumo, foi melhor o resultado do que a exibição. Isto numa jornada que, para além de ter confirmado o FC Porto como campeão nacional, foi particularmente feliz para o Sporting, em função dos empates do Benfica, do Vitória de Guimarães e do Vitória de Setúbal. Na luta pelo segundo lugar, só nesta ronda, a equipa leonina ganhou um total de nove pontos em quatro campos, mantendo-se no quarto posto, com mais dois pontos que os setubalenses e a apenas dois de Benfica e Guimarães. Faltam cinco finais. FOTOS: www.sporting.pt

O LEÃO DA ESTRELA na imprensa

Que benfiquista gosta de recordar a pesada derrota que o Sporting infligiu ao clube encarnado em 1986, por sete bolas a uma? Nenhum, possivelmente. Mas foi isso que fez o novo director do Benfica TV, Ricardo Palacin, em 2006, quando vestiu uma t-shirt alusiva ao "trágico" momento, durante uma emissão de Biqueiradas, na já extinta SIC Comédia.
Filipe Feio, "Diário de Notícias", 06-04-2008

sábado, 5 de abril de 2008

Soares Franco, Cristiano Ronaldo e a formação

Há frases cujo efeito se revela imprevisível, ou mesmo assassino, e que, por isso, deveriam ser evitadas. Mas é um risco que todas figuras públicas correm quando têm um microfone à sua frente. Em Glasgow, Filipe Soares Franco colocou-se à disposição dos jornalistas portugueses e foi respondendo às perguntas que lhe faziam. A certa altura, um deles questionou o presidente leonino sobre a venda prematura de Cristiano Ronaldo ao Manchester United, procurando saber se Filipe Soares Franco achava se tinha sido um bom ou um mau negócio para os cofres do Sporting a sua venda em 2003, quando ainda tinha 18 anos, tendo em conta a evolução e o rendimento desportivo entretanto mostrado pelo atleta. Ora, a resposta do líder sportinguista foi, no mínimo, surpreendente: “O Cristiano Ronaldo que hoje está no Manchester não é o Cristiano Ronaldo que saiu do Sporting.”
Não será preciso muito esforço para entender o raciocínio de Soares Franco. Basicamente, o presidente do Sporting quis dizer que, em quase cinco anos de trabalho em Inglaterra, Ronaldo evoluiu como jogador aquilo que ninguém pensaria em Alvalade, quando o atleta foi vendido, já com a temporada 2003-2004 em preparação, prejudicando a planificação técnica elaborada pelo treinador Fernando Santos.
Porém, o que está implícito naquela frase de Soares Franco – que atribuiu a explosão mundial de Cristiano Ronaldo à escola de formação do clube de Carlos Queirós… –, é algo muito mais sério. Sobretudo quando se pretende afirmar o Sporting Clube de Portugal pela qualidade da sua escola de formação. No fundo, Soares Franco pôs em causa a Academia de Futebol do Sporting como centro de formação de talentos de qualidade mundial, dizendo aos jovens futuros craques leoninos que, para evoluírem a sério no futebol de alta competição, terão que deixar Alcochete logo que possam. E pôs em causa a equipa principal do Sporting como espaço de crescimento de futebolistas de alto rendimento. A declaração do presidente, que deveria constituir um motivo de reflexão em Alvalade, nomeadamente no congresso que está em preparação, não ajudará nada na valorização da camisola do Sporting junto dos jovens atletas, nem foi nada agradável para os treinadores e todos aqueles que trabalham no futebol leonino, seja no futebol de formação, seja no futebol profissional.
Tudo isto numa pequena frase sobre a venda de Cristiano Ronaldo, que foi, de facto, prematura. Mas terá sido o negócio possível entre um clube português que se está a perder em juros a pagar à banca e uma máquina riquíssima e organizada do futebol mundial, que, segundo o presidente do Sporting, até é melhor na formação de jogadores.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

O regresso do Sporting europeu

Ao empatar a zero no terreno do Glasgow Rangers, o Sporting manteve-se invencível na presente edição da Taça UEFA (onde, em cinco jogos, marcou sete e sofreu apenas um) e trouxe para Lisboa a resolução de uma eliminatória que parece estar ao seu alcance. O Ibrox Park estava cheio, mas a exibição personalizada da equipa portuguesa silenciou os adeptos do Rangers, que provavelmente estariam à espera de outro Sporting.
Paulo Bento tinha pedido paciência, equilíbrio e algum risco, quando fosse possível. E o Sporting foi paciente, equilibrado, demonstrou personalidade, jogou à bola como os britânicos não gostam e arriscou aqui e ali. Para que a noite fosse perfeita, faltou apenas um golo. Que poderia ter saído dos pés de Liedson, Miguel Veloso ou Vukcevic ou da cabeça de Tonel. Acabou por não sair. Mas o empate a zero golos também é aceitável. De resto, não foi um jogo de muitas oportunidades de golo.
Os temíveis minutos iniciais dos escoceses, afinal, não existiram. Mas o Sporting também fez por isso. De forma atípica, Liedson e João Moutinho precisaram de assistência médica nos primeiros minutos. Foram duas pausas preciosas, pois fizeram passar os minutos, afectando o ritmo inicial do Rangers, que assim demorou muito tempo a chutar à baliza de Rui Patrício. E quando o fez, já o Sporting estava “encaixado” no sistema adversário e a controlar as operações…
No segundo tempo, houve um período em que o Rangers arriscou e pressionou mais, mas nunca conseguiu massacrar. A noite parecia talhada para o Sporting brilhar, pois a equipa leonina chegou à parte final do jogo à procura do golo da vitória, empurrada pela qualidade irreverente de meia equipa “made in Alvalade”: Rui Patrício, Bruno Pereirinha, João Moutinho, Miguel Veloso e Yannick Djaló.
Revelando uma atitude competitiva nos jogos nacionais e outra, completamente diferente, para melhor, nos jogos europeus, o Sporting, que agora é a única equipa portuguesa nas competições da UEFA (quem diria!...), está de novo à beira de fazer história. Não fosse o Bayern de Munique e não faltaria quem falasse em vingar a final da Taça UEFA perdida de 2005. Mas tudo pode acontecer. FOTO: Scott Heppell (AP Photo)

O LEÃO DA ESTRELA na imprensa

Bernardo Ribeiro, "Record", 03-04-2008

Uma Taça Ibérica

A ideia de uma Taça Ibérica, lançada por Filipe Soares Franco, na Escócia, e já comunicada ao presidente da Liga, Hermínio Loureiro, é capaz de ser boa e exequível, merecendo ser discutida e avaliada no futebol português. Mas o facto de ter sido anunciada fora do País e na véspera de um compromisso europeu demasiado importante para o Sporting, leva-nos a concluir que o "timing" para o seu anúncio não foi o melhor. E a prova é que a ideia de Soares Franco é ignorada nas primeiras páginas da imprensa desportiva de hoje. Porque hoje é dia de um grande jogo para o Sporting (o único representante nacional na Europa...) e não dia de apresentar ideias para aumentar a competitividade do futebol português. De qualquer modo, aguardemos pelo que pensam os clubes e a Liga Portuguesa. E, claro, pelo que pensam os espanhóis...
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