sábado, 31 de maio de 2008

RECORTES LEONINOS Blogosfera

O ESSENCIAL DA BLOGOSFERA SPORTINGUISTA SOBRE A ASSEMBLEIA GERAL

“O verdadeiro objectivo da SAD não consiste em ser uma ferramenta, um meio de projectar os valores que tornaram grande o Sporting Clube de Portugal, conferindo transparência e objectividade ao Clube! É sim um fim em si mesma, cujo objectivo real, ontem finalmente revelado pelo seu presidente, é dar dividendos aos seus accionistas! O Sporting Clube de Portugal morreu, a morte não causou surpresa, por já se encontrar moribundo há algum tempo, sem aparentar sinais de convalescença. (…) O Clube morreu, mas a luta vai continuar até que todos os responsáveis pela sua morte sejam apurados e consequentemente punidos.”
1906 Luta & Resiste

“A Figura Principal: Rogério Alves. Como seria de esperar, esteve ao seu habitual nível, e não desiludiu sendo a personagem que falou durante largos períodos de tempo como a atingir um orgasmo psicológico cada vez que ouvia a sua própria voz. Cometeu infracções graves no decorrer na AG como a não colocar à votação requerimentos propostos, algo que é motivo para a impugnação da AG pelos requerentes. Permitiu que um sócio usurpasse o tempo dos outros através de um estratagema digno dos melhores políticos portugueses. Vai ficar para a história do Sporting como o presidente da AG que permitiu que se fizesse uma verdadeira golpada ao abrir as urnas enquanto ainda havia sócios inscritos para falar. Quis fazer de Salomão e perdeu o controlo da situação, donde só não chegou a haver agressões pela actuação da segurança, e donde ele nada conseguia fazer por total perda de autoridade por ele causada. (…) Notou-se desde o início uma tensão latente na AG, donde se realça o facto de ao que me apercebi, sempre que havia uma opinião favorável ou desfavorável cerca de metade dos presentes aplaudia. Dai posso concluir que o número de votantes, do sim ou do não, seriam quase equivalentes, mas não o número de votos. O que pude observar foi então que a grande divisão estaria entre os sócios mais novos e os mais antigos, e o maior número de votos destes últimos foi factos decisivo.”
A Última Roulote

“Clima: Vergonhoso. Aquele não é o Sporting que aprendi. Estou enjoado de sportinguistas que dizem amar o clube mas que são incapazes de se comportar à altura dele. Ameaças de pancada, insultos aos oradores, requerimentos semi-anónimos para se passar à votação... O que é isto? (…) Isabel Trigo Mira: Foi dela a frase da noite, com o ‘não é isto que queremos deixar aos nossos filhos’. Não podia concordar mais.”
PRB, Centúria Leonina

“O que é certo é que o clube vive numa situação insustentável, com um passivo ainda exorbitante e que quem colocou o Sporting nesta situação não foi a actual direcção. O que se assiste agora são tentativas de inverter a situação, o que nunca ninguém tinha feito, para no futuro o Sporting conseguir ser economicamente sustentável. Mas o que isto acarreta é o não investimento do aspecto desportivo actualmente. E é isto que desgosta os sportinguistas. Quando é o futebol que tem mais notoriedade e traz mais prestígio e dinheiro, todos querem que se invista. Além do mais, os adeptos querem ver também investimento nas modalidades, porque o Sporting não é só futebol. Mas não há dinheiro. A actual direcção está na fase de consolidação do Sporting para um futuro próximo, mas no presente não é possível fazer milagres. Quiçá no futuro agradeçam a Soares Franco. Ou não…”
Equipa Leonina

“Não creio que haja margem para grandes dúvidas que hoje os campos estão clarificados. Existe, de um lado da barricada, uma operação montada para desfazer o Sporting (não é de hoje e só por ingenuidade se poderá acreditar no contrário), para a execução da qual os seus autores lutam tenaz e afincadamente. Admitamo-lo sem rodeios porque essa é uma realidade desta guerra que precisa de ser claramente tida em conta: a parada é alta e estão muitos tachos em jogo. Mas, existe, do outro lado, um número significativo e crescente de partidários do ideário Sportinguista, que continuam a acreditar no Clube dos princípios, tal como foi idealizado pelos seus fundadores, um Sporting ainda hoje perfeitamente actual e válido.”
King Lizards

“Sei agora que há Sportinguistas para fazer o Sporting do futuro, que não passa, nem de perto, nem de longe, por nada disto que este bando de malfeitores de estrada que é a direcção actual e seus capangas, amigalhaços de ocasião e apaniguados quer implementar, usando todas as artimanhas e truques baixos que a sua mente perversa consegue idealizar. Sei agora que o Sporting, o Grande Sporting, como gostamos de lhe chamar, tem gente à altura da sua grandeza para assegurar o seu futuro. Sei agora que o Sporting é e vai continuar a ser dos Sportinguistas. Porque não são poucos os que gritam corajosamente SPORTING! (…) O Sporting é dos Sportinguistas porque há Sportinguistas verdadeiros para continuar o Clube.”
King Lizards

“Um dos primeiros oradores, sócio Dias Ferreira, apresentou-se com um discurso que o próprio anunciou demorar cerca de 24 minutos. Após esgrimir argumentos com o presidente da mesa, alegou o facto de em seu favor cinco sócios inscritos terem abdicado dos seus tempos de intervenção. A negociação de «minutos» prosseguiu durante alguns instantes, que acabou numa decisão do presidente da mesa em conceder ao sócio em causa metade do tempo por este exigido. Ia a intervenção já ultrapassando largamente o tempo estipulado, quando o presidente da mesa interrompeu afirmando que estenderia o tempo em mais quatro minutos na sequência de mais uma desistência em favor do orador.”
Frederico Abreu, Leão de Verdade

“Cerca das 23,30 horas, foi entregue à mesa um requerimento que prescindia da palavra dos sócios ainda inscritos que não a tinham usado, passando de imediato à votação. A confusão nos longos minutos que se seguiram, resultou na tentativa de votação de braço no ar do requerimento, frustrada pela impossibilidade dos serviços a conseguirem concretizar. Neste longo período ninguém usou da palavra. Entretanto, deram entrada na mesa outros dois requerimentos, que não foram sujeitos a votação. Facto para o qual não houve nenhuma explicação. Posteriormente o presidente da mesa tomou a decisão de conceder um minuto a cada um dos ainda inscritos, mas abrindo a votação de imediato. Acto contínuo, uma grande maioria dos sócios desloca-se para a zona das urnas a fim de exercer o direito de voto, por um lado, sendo que por outro, ainda alguns sócios tentavam usar da palavra. Acredito que o presidente da mesa, pessoa pela qual tenho consideração, fará uma reflexão destes acontecimentos para que os evite no futuro, a bem da dignidade e grandeza que o órgão máximo do nosso Clube merece.”
Frederico Abreu, Leão de Verdade

“Foi uma noite má para o Sporting. Não o digo pelo resultado da votação. O projecto de reestruturação financeira mereceu uma maioria ampla de apoio e, segundo julgo perceber, o facto de não se ter atingido a maioria qualificada de dois terços apenas inviabiliza a transferência da SCS, o que não compromete o resto do projecto, legitimado pelo voto, nem põe em causa a devida preparação da próxima época. A assembleia foi francamente mal dirigida.”
Nosso Querido Clube

“O ambiente da assembleia também deixou muito a desejar. Tornou-se evidente que o grupo do dr. Dias da Cunha está disposto a tudo. Como é possível que um homem que, com toda a razão, tanto se indignou contra os insultos que a claque lhe dirigia em cada jogo da equipa, possa vir para uma assembleia com um grupinho organizado, apostado em fazer da reunião magna do Clube um comício ou uma arruaça? Lamentável. A este respeito, cumpre destacar a diferença da conduta do dr. Sérgio Abrantes Mendes, que fez uma notável intervenção, proporcionando até, com a homenagem ao prof. Moniz Pereira, a mais sentida ovação da noite.”
Nosso Querido Clube

“Senti na plateia a falta de muitos ilustres sportinguistas, que sempre me habituei a ver em assembleias. Os núcleos reunidos no passado fim-de-semana exigiram que as assembleias passem a ser convocadas para os fins-de-semana. Têm toda a razão. É preciso criar condições para que todos os sportinguistas possam estar presentes.”
Nosso Querido Clube

“Posto isto só no futuro saberemos se foi positiva ou negativa a posição tomada ontem, pois o seu impacto só será visível a curto/médio prazo, mas quer-me parecer que o Sporting tal qual todos nós conhecemos está a caminhar para o seu fim. O Sporting seguirá um caminho mais empresarial, deixará de exercer uma posição maioritária na SAD, a opinião dos sócios será cada vez menos válida, existirá um investidor a comandar os nossos destinos e uma das nossas bandeiras e imagens de marca caminhará para a extinção: o ecletismo passará a ser uma recordação na sua quase ou toda a globalidade, sendo o futebol o único motor do clube. (...) Assim sendo, gostava que isto fosse uma visão pessimista, mas parece-me que é o futuro do Sporting. Vamos ver o que o tempo dirá.”
O Visconde de Alvalade

“Espero sinceramente que os que discordam da minha posição não estejam redondamente enganados, porque se estiverem o futuro do SCP será bem diferente... para pior.”
Rugido Leonino

“Podia o projecto de reestruturação ser adiado? Não creio. Até me parece quase esquizofrénico termos andando a exigir o fim do estrangulamento que os acordos com os bancos nos causavam na tesouraria e agora evitar olhar de frente para uma possível solução. Já não me parece que a marcação em cima do joelho de uma AG fosse um serviço bem prestado. Antes me parece que foi uma grande contribuição para o engrossar o lote dos que votaram não. Já a minha avó dizia que não se apanham moscas com vinagre. Mesmo aceitando a urgência da apreciação e votação do projecto, nunca se devia ter dado a impressão de que se queria “despachar isto rápido”. Os sócios sentem-se pressionados e este sentimento gera desconfiança, cria resistências e antipatias desnecessárias. Esta administração não poderia ou não deveria ter ignorado o meio em que se move. Uma alteração profunda como a preconizada merecia uma apresentação prévia e a marcação de variadas sessões de esclarecimento. Estas não tinham que ser apenas presenciais. Ignorar a blogosfera leonina e as suas potencialidades como meio de comunicação parece-me falta de visão.”
Verdão, Sangue Leonino

“Dos cerca de 34% que votaram não, estou convicto que a maioria o fez pura e simplesmente por optar pelo constante bota-abaixo, independentemente das medidas a tomar. A operação de contrair o empréstimo dos 60 milhões através da emissão dos tais títulos obrigatoriamente convertíveis em acções no prazo de 5 anos, que apenas obrigariam o clube a pagar uma taxa anual de juros de 3% era das melhores medidas que alguma vez se poderia conseguir. Melhor, seria impossível. Quem me dera poder renegociar com o meu banco o meu empréstimo da casa e colocá-lo numa taxa de juro próxima desta.”
Sociedade Leonina

“O Projecto apesar de não ter visto a passagem da SCS para a SAD, aparentemente vai em frente! Óptimo! Quer isso dizer que podemos reforçar a equipa... Se pudéssemos ir buscar o Wagner Love e o Daniel CArvalho, isso sim era de me levar às lágrimas!”
Sporting 2006

“Infelizmente, o problema do nosso Sporting vai muito para lá da "pertença" continuidade ou não do actual presidente, que embora goste muito de colocar o seu cargo numa espécie de "poltrona", que ameaça deixar sempre que possa encontrar alguma contrariedade, não passa de, pelo menos para já, de um "projectista incapaz", visto que já inventou mil e uma soluções para o buraco financeiro do clube mais ainda não resolveu nada, ou quase nada!!!”
Sporting Até à Morte

“Esperei por todas as explicações para decidir o sentido do meu voto. Há um facto que foi decisivo. FSF disse que a Academia não tinha sido valorizada com o novo aeroporto. Devido a tudo o que disse e desdisse no passado já não confiava no que dizia. Mesmo que apresentasse um projecto fabuloso, não tenho confiança para passar um cheque em branco. Acho mesmo que a nova localização do aeroporto é o que está a mover isto tudo. O meu voto é não.”
Sporting no Coração

“O resultado da Assembleia Geral de 28/05/2008 não poderá ser encarado como uma “vitória”, “derrota” ou, sequer, “meia-vitória” ou “meia-derrota” de nada ou de ninguém, desejando-se, isso sim, que seja uma vitória do Sporting Clube de Portugal, associação particular de interesse público e agremiação desportiva centenária, devendo, para isso, prevalecer a ponderação, a moderação e o bom senso de todos os Sportinguistas em prol do Sporting Clube de Portugal.”
Comunicado da Associação de Adeptos Sportinguistas, Visão Leonina

quinta-feira, 29 de maio de 2008

O PREC leonino

No futebol, por um golo se perde e por um golo se ganha. Numa assembleia geral, por um voto se perde e por um voto se ganha. No caso da última Assembleia Geral do Sporting, Filipe Soares Franco perdeu, porque precisava de uma votação de 66 por cento e não foi além dos 63,7 por cento. Tendo em conta as circunstâncias, foi uma derrota.
Como duas das três propostas colocadas a uma única votação (a passagem da propriedade da Academia para a Sociedade Anónima Desportiva e o empréstimo obrigacionista de 60 milhões de euros) não exigiam uma maioria de dois terços, ficou por aprovar a integração na SAD da Sporting - Comércio e Serviços, empresa que detém os direitos televisivos dos jogos de futebol da primeira equipa leonina. É por isso que Soares Franco, que antes ameaçara ir embora, vai agora adaptar o seu projecto de reestruturação financeira a um denominado "Plano B".
Apesar da forte máquina de propaganda a promover um voto favorável às propostas de Franco, sustentada em múltiplos meios, a começar por uma comunicação social desportiva que está sempre alinhada com quem está no poder, o que é decisivo na construção de uma opinião dominante, a verdade é que o presidente do Sporting não conseguiu o seu objectivo de ver aprovado na totalidade o projecto de reestruturação financeira.
Nem mesmo a situação perfeitamente surreal de a votação ter começado sem que tivessem acabado as intervenções - um caso revelador de défice democrático e de numa enorme falta de respeito pela palavra de todos os associados, pelo debate e pelo esclarecimento -, foi suficiente para que a actual administração do Sporting tivesse recolhido a maioria dos votos de que necessitava.
Os cerca de 1200 sócios renderam um total de 8.609 votos, assim distribuídos: 5140 votos a favor, 3081 votos contra e 118 abstenções. Filipe Soares Franco tem, por isso, de agradecer aos mais antigos, cujo "voto", de acordo com os estatutos, rende muito mais do que o dos sócios mais novos...
Entretanto, que dizer de Dias Ferreira – pelos vistos nos antípodas do rigor e da seriedade que se exige a alguém que representa o Sporting em fóruns mediáticos – que falou por si e por outros oradores que, entretanto, desistiram de falar, invocando que situações dessas também costumam ocorrer na Assembleia da República? Vasco Lourenço, um conhecido capitão de Abril, parece não ter gostado nada do episódio, por considerá-lo nada democrático e mais consentâneo com o que se passava nos tempos do PREC (Processo Revolucionário Em Curso), que há mais de 30 anos agitou o País...
E por falar em democracia interna, que dizer, ainda, do facto de o presidente da Assembleia Geral, Rogério Alves, ter colocado uma urna para cada sentido de voto, fazendo com que o voto de cada sócio deixasse de ser secreto?
E que dizer, finalmente, se, agora, alguém decidir impugnar esta Assembleia Geral?...

A renovação de Derlei

Derlei renovou o seu contrato com o Sporting por mais um ano. Quando chegou a Alvalade depois de se desvincular do Dínamo de Moscovo e de seis meses falhados no Benfica, fui dos que ficaram negativamente surpreendidos com a sua contratação. Porém, Derlei, mesmo afastado por lesão em praticamente toda a época, jogando apenas nas primeiras semanas e nas últimas, soube convencer os que não acreditavam nele, provando também que o futebol é uma modalidade aleatória. A verdade é que, no Sporting, tivemos um Derlei mais próximo daquele que teve sucesso no FC Porto do que daquele que andou por Moscovo e pelo Benfica. A sua continuidade em Alvalade é, por isso, um bom bom acto de gestão da SAD leonina.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

O "Vale e Azevedo" do Sporting...

Ao lermos aqui um curioso paralelismo entre o que tentaram fazer no Benfica e o que anunciam para o Sporting, podemos concluir que Filipe Soares Franco, num certo sentido, poderá ficar na história do dirigismo desportivo português como o "Vale e Azevedo do Sporting". A proposta que hoje é levada à Assembleia Geral do Sporting abre caminho à perda do controlo da SAD por parte dos associados do Sporting Clube de Portugal. Tal como Vale e Azevedo quis fazer, embora às escondidas e sem sucesso, em 2001.

Um dia para a história do Sporting

Para o bem e para o mal, o dia 28 de Maio de 2008 ficará na história do Sporting Clube de Portugal. Ao contrário do que se possa pensar, na Assembleia Geral de hoje não se joga o futuro do clube, mas o seu passado de mais de cem anos.
Se as propostas de Filipe Soares Franco forem aprovadas por um mínimo de dois terços dos associados, é o princípio do fim do Sporting como sempre o conhecemos. E como sempre gostamos dele. Será o fim de um clube feito de Esforço, Dedicação, Devoção e Glória. E será uma grande vitória de Soares Franco, dos negócios e dos bancos sobre o futebol e a generalidade das modalidades desportivas. Nesse caso, os pontas-de-lança que mais interessarão não são os que marcam golos, mas os que fazem os melhores negócios à boleia de uma marca centenária. E os bancos continuarão a facturar, assim como investidores sem coração de leão. E será colocada uma pedra definitiva sobre quem contesta este caminho.
Mas há uma alternativa. Se Soares Franco não conseguir os tais dois terços, só terá uma saída: demitir-se e abandonar o clube, se for capaz de honrar a sua palavra. E aí, um nome estará em condições de poder emergir como forte candidato a liderar a abertura de um novo ciclo no Sporting Clube de Portugal: António Dias da Cunha. De figura apagada do roquettismo, do qual ouvi falar a primeira vez quando contestou publicamente Augusto Inácio após um empate comprometedor do Sporting em Leiria, nas últimas jornadas do campeonato vitorioso de 1999-2000, chegando depois à presidência, sendo dele o último título nacional de futebol, Dias da Cunha reapareceu para se transformar na única voz que, nestes dias de agitação leonina, falou alto contra os propósitos de Soares Franco. Embora motivado por questões de natureza pessoal que se compreendem, dada a forma como foi enxotado de Alvalade em 2005, a verdade é que António Dias da Cunha, depois de ter identificado o “sistema”, credibilizando-se no País futebolístico, aparece agora como um dos rostos que mais se destacam a defender o Sporting Clube de Portugal de quem quer acabar com ele.

SPORTINGUISTAS Sara Aleixo

Com a constante delapidação do património desportivo e não desportivo do Sporting Clube de Portugal, que hoje poderá conhecer um novo capítulo caso dois terços dos associados aprovem, em Assembleia Geral, a transferência da Academia de Alcochete para a Sporting SAD, resta ao clube o consolo de ter as adeptas mais bonitas do País. Como a actriz Sara Aleixo, uma sofredora incondicional do Sporting. FOTO: Maxmen

terça-feira, 27 de maio de 2008

RECORTES LEONINOS

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ADEUS, SPORTING!
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A pouca informação que sempre circulou em relação aos clubes de futebol, nomeadamente em Portugal, fê-los agarrarem-se à ideia de que neste território tudo era possível realizar. Por causa dessa pouca informação e daqueles que foram montando os seus negócios privados à custa do “negócio do futebol”, no qual o dinheiro se habituou a circular sem controlo, em grande medida com a conivência do Estado, o chamado desporto-rei refinou os seus toques oligárquicos e quem, através de mecanismos de uma pífia democracia, exerceu o poder dentro dos clubes como se fosse dono deles, utilizando a maior abertura da comunicação social desportiva (comparativamente aos movimentos oposicionistas) para plantar as suas propagandas e plasmá-las em assembleias gerais marcadas, cirurgicamente, para noites a meio da semana, foi-se perdendo “cultura desportiva” para nascer no lugar dela a empresarialização do tecido futebolístico, com as consequências que ora saltam à vista.
O Sporting, sem estar sozinho, apresenta-se nesta encruzilhada. Em Alvalade, o futebol pouco ou nada se discute. Nos últimos anos, o foco das conversas está nas nuances dos projectos financeiros, dos passivos, das negociações com os bancos, dos serviços das dívida, das taxas de juro, das operações de venda de património, sob a falácia de que tudo isso é necessário para não comprometer (ainda mais) a capacidade competitiva dos plantéis que, neste ambiente, são tratados como uma minudência. E uma grande chatice.
Há quem assuma, em círculos fechados, que os mais velhos têm de se conformar com as novas realidades. Adeus, Sporting. Foste uma grande instituição. Atlética e ecléctica. Virada para os seus técnicos e atletas. Agora, são os negócios e a engorda do monstro SAD que há-de rebentar de tanto comer. Uns vão ficar ainda mais ricos, potenciando a riqueza dos seus parceiros ou patrões e hão-de retirar-se na hora certa, convictos de que cumpriram o seu dever, cansados, afinal, de tantas incompreensões e críticas.
Por este andar, não é só a despedida de uma ideia de “devoção e glória”. É o prenúncio da extinção. Histórica.
AUTOR: Rui Santos, "Record", 27-05-2008

"Adeptos" chumbam plano de Soares Franco

O LEÃO DA ESTRELA recebeu um comunicado da Associação de Adeptos Sportinguistas (AAS), cujo teor transcreve na íntegra:
"No seguimento da recente proposta da Direcção do Sporting Clube de Portugal, a ser sufragada na próxima AG do próximo dia 28, a Associação de Adeptos Sportinguistas (AAS) informa que:
1. Aguardou serenamente pela sessão de esclarecimento proposta pela Direcção do Clube.
2. Não se considera totalmente esclarecida quanto aos reais propósitos da operação proposta, preferindo uma reformulação da mesma em diferentes moldes, aproveitando as ideias-chaves positivas que a mesma proposta tem.
3. Os principais pontos a necessitar superior esclarecimento são:
a) A passagem da Academia para a Sporting SAD não contempla nenhuma amortização à actual dívida de 72 M€ do clube perante aquela.
b) A passagem da Academia para a Sporting SAD nos moldes propostos representa uma clara mais valia para os accionistas da SAD em detrimento do clube, dada a prevísivel valorização dos terrenos em causa
c) As VMOC’s podem ser convertiveis para acções caso o Sporting não consiga, no prazo de 5 anos, angariar os 60 M€ necessários para distribuir pelos investidores das VMOC’s. Qual é, então, a estratégia do clube para, no espaço de 5 anos, angariar tal quantia?
d) A conversão das VMOC’s em acções da Sporting SAD resultarão num aumento de capital, em que o Sporting Clube de Portugal perderá a maioria do capital social na SAD. Ainda que detentor de acções de categoria A – que permitem o bloqueio de determinadas decisões da Admnistração daquela empresa, como seja a alienação de património, a gestão do futebol do clube ficará totalmente nas mãos de investidores. Com tudo o que uma visão puramente economicista pode transportar de negativo para um clube desportivo.
e) A passagem da Sporting Comércio e Serviços para a Sporting SAD representa um claro défice ao nível ético, visto que o vendedor dos direitos televisivos tornar-se-ia igualmente o comprador.
f) É referido pela Direcção do clube que pretende investir no Projecto Desportivo. Que Projecto Desportivo é este, quais as suas linhas de orientação mestras e qual o seu planeamento estratégico?
4. Nestas condições e perante as dúvidas referidas, não considera ser plausível, aceitável ou responsável passar carta branca a ninguém, com todo o respeito que os orgãos sociais do clube nos merecem.
5. Lamenta a forma como a Direcção do clube procura impor a sua decisão, revelando a sua decisão de se demitir, caso a proposta colocada a sufrágio não seja aceite. Totalmente inaceitável, no sistema democrático em que vivemos.
6. Por tudo isto, a AAS votará em bloco “Não” e apela à mobilização dos restantes associados do clube bem como ao seu voto responsável!
Porém, mantemos a confiança que os orgãos sociais do clube consigam alterar a referida proposta indo ao encontro das preocupações dos associados.
Comité Executivo da Associação de Adeptos Sportinguistas

LEÃO DA ESTRELA na imprensa

"O Jogo", 24-05-2008

segunda-feira, 26 de maio de 2008

MEMÓRIAS LEONINAS José Roquette

“(…) O papel pioneiro do Sporting revela-se igualmente pelo esforço desenvolvido para modernizar as infra-estruturas desportivas e adequá-las às exigências cada vez maiores do futebol. O novo Estádio, um dos mais belos e funcionais do Mundo, será inaugurado no Verão de 2002. O Centro de Estágio e Formação de Alcochete, estrutura imprescindível para o trabalho diário dos profissionais e para a valorização da famosa escola de talentos do Clube, estará operacional em Agosto de 2000.
A valorização do património imobiliário, em sintonia com a Câmara de Lisboa, vai gerar os recursos indispensáveis para o desenvolvimento desportivo. Serão três enormes saltos em frente de que o Sporting colherá frutos a curto prazo a nível da estabilidade financeira e de grandes resultados desportivos.
Estamos conscientes de que o caminho traçado não é fácil, mas é o único compatível com a realidade e as exigências actuais do desporto de alta competição. Um Sporting moderno e virado para o futuro será certamente um Sporting à altura das suas tradições e de um passado glorioso. (…)”
AUTOR: José Roquette, presidente do Sporting, no prefácio do “Livro de Ouro do Sporting Clube de Portugal”, editado pelo “Diário de Notícias, 2000

Soares Franco e o título

Finalmente, o presidente do Sporting mostra um discurso a empurrar o clube para o sucesso desportivo. "Quero ser campeão na próxima época", anuncia Soares Franco ao "Record", o que significa que, até agora, andou a jogar para o segundo lugar.
Tinha de ser. Ou melhor, Soares Franco tinha de querer ser campeão. Sobretudo agora. Porque caminha para o seu terceiro ano como presidente e ainda não ganhou um título de campeão nacional. Aliás, o Sporting, ao não ter sido campeão em 2008, entrou no segundo período mais longo da sua história sem conquistar o título de campeão nacional de futebol, depois do longo jejum entre 2002 e 2000. E, como há eleições no primeiro semestre do próximo ano, é fundamental um Sporting vencedor no futebol para apagar quaisquer alternativas ao franquismo. Daí a súbita viragem para o reforço da equipa de futebol, embrulhando lá no meio um projecto de reestruturação financeira que, a ser verdadeiro, e tendo em conta o preço altíssimo que o clube está a pagar pelo dinheiro que pediu à banca, será a maior prova da incompetência de todos os gestores do Sporting, que, só por isso, justificaria a sua demissão imediata.
A questão é simples: se a partir de agora o preço do dinheiro vai baixar, porque o Sporting se lembrou de renegociar a dívida à banca, por que é que esse preço não baixou há mais tempo? E como é que é possível baixar o preço do dinheiro numa época de juros cada vez mais altos? Quem anda a viver à custa do Sporting?...

A democracia leonina

O sítio oficial do Sporting na Internet não está ao serviço do clube. Está ao serviço de Soares Franco. Como se vê aqui, é lamentável que, perante uma situação que está a dividir o clube, só sejam colocadas opiniões favoráveis às pretensões de Filipe Soares Franco. Delicioso é que Salema Garção, o director de "comunicação", que deve mandar no sítio do clube na Internet, não tenha resistido a colocar a opinião de Carlos Horta e Costa, seu antigo patrão nos CTT. Numa situação destas, só haveria um caminho eticamente aceitável: colocar disponível a maior quantidade possível de informação sobre o plano de reestruturação financeira e a respectiva justificação de quem o propõe. Colocar as opiniões favoráveis e esquecer as opiniões desfavoráveis é desprezar os associados que pensam de modo diferente e promover a mera propaganda em detrimento do esclarecimento de todos. É entrar num terreno perigoso... Mas é assim que o "Sporting de Soares Franco" fica mais parecido com a "Rússia de Putin" ou a "Cuba de Fidel". A não ser que a página do Sporting na Internet e o jornal "Sporting" sejam feitos apenas para os eleitores de Filipe Soares Franco e não para todos os sportinguistas...

QUESTÃO LEONINA Estádio José Alvalade

Será que o Estádio José Alvalade, propriedade do Sporting Clube de Portugal, que foi construído com a ajuda de dinheiro do Estado Português, ou seja, dos impostos de todos os portugueses, poderá ser vendido à Sporting SAD, empresa cotada na Bolsa?

SPORTINGUISTAS Joana Cruz

Joana Cruz, locutora da RFM, fotografada junto ao Estádio do Manchester United, aquando do jogo do Sporting com a equipa de Cristiano Ronaldo, para a última edição da Liga dos Campeões, tendo a equipa leonina perdido por 2-1. FOTO: www.rfm.pt

sábado, 24 de maio de 2008

Um clube em guerra civil

Três anos depois do rocambolesco afastamento de Dias da Cunha, abrindo caminho à presidência "programada" de Filipe Soares Franco e do seu pequeno "exército" de apaniguados, o Sporting continua em guerra civil. Basta ler esta entrevista e ler esta notícia. Em três anos, Soares Franco foi incapaz de pacificar as hostes e de acabar com a chamada "oposição" do Sporting. Deve ser o único clube desportivo português que tem uma oposição à direcção. Um dos falhanços de Soares Franco foi não ter conseguido acabar com isso. Pior: tem é estimulado a divisão. Por um motivo genético: a sua legitimidade política para gerir o Sporting foi conquistada à custa de muita intriga e facadas nas costas. Uma lógica pouco democrática. Como pouco democráticas e incompreensíveis são as suas reacções a quase tudo o que mexe num sentido contrário ao seu. Seja ao movimento Leão de Verdade, seja às entrevistas de Rui Meireles ou de Dias da Cunha.
A continuar assim, exterminando pela via administrativa quem não está de acordo com a "lei do poder", será impossível chegar à meta prometida dos 150 mil sócios. Em vez de termos Soares Franco e Miguel Ribeiro Teles em acções de marketing junto da "nação sportinguista", promovendo o novo cartão de sócio, agora que o clube acabou a temporada vitorioso na Taça de Portugal, ou dando explicações num amplo debate público sobre o plano de reestruturação financeira que querem ver aprovado à pressa, temos outra vez o Sporting entretido nas guerras intermináveis consigo próprio. FOTO: "Record Online"

LEÃO DA ESTRELA na imprensa

"O Jogo", 23-05-2008

quinta-feira, 22 de maio de 2008

A chantagem começou

Deitado na almofada da conquista da Taça de Portugal, Filipe Soares Franco vai submeter aos associados do Sporting o famigerado projecto de reestruturação financeira. Curioso é que Franco faça constar que admite ir embora, caso os associados estejam mais virados para as posições do Leão de Verdade ou de Dias da Cunha. A administração do Sporting tem medo de quê?... É evidente que Soares Franco não vai embora, nem quer ir. E a avaliar pelo que diz esta notícia, a chantagem já começou. Inaceitável.

RECORTES LEONINOS

A INCUBADORA LEONINA
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"(...) O Sporting é responsável pela formação de 35% dos jogadores da selecção. São oito os atletas com a chancela das escolas de Alvalade convocados para a fase final do Euro 2008. Cristiano Ronaldo, Ricardo Quaresma, Simão Sabrosa, Nani, Miguel Veloso, João Moutinho, Miguel e Rui Patrício passaram pela fábrica de craques leonina antes de se tornarem, alguns deles, referências do futebol mundial. Cristiano Ronaldo é, no presente, o expoente máximo dessa notável incubadora de estrelas, após a retirada de Luís Figo. (...)"
FONTE: "Jornal de Notícias", 22-05-2008

O Alex Ferguson do Sporting

Tenha sido por estratégia assumida com convicção, por força das circunstâncias ou por mero acaso, a verdade é que Filipe Soares Franco, quando disse que gostaria de transformar o treinador Paulo Bento no “Alex Ferguson do Sporting”, deveria estar longe de imaginar que essa seria a tarefa mais fácil de realizar no clube.
Os mais viperinos começaram logo a fazer comparações profissionais entre os dois treinadores para desvalorizarem a ideia do presidente do Sporting. Mas o que ele quis dizer é que gostaria que um treinador do Sporting deixasse de estar exposto à necessidade de ganhar sempre para que tenha a tranquilidade suficiente para desenvolver o seu trabalho. Em 22 anos de trabalho no Manchester United, Ferguson tanto ganhou tudo o que havia para ganhar como também perdeu. Já fez e desfez equipas. Teve tempo. Teve dinheiro. Teve condições.
Ora, Paulo Bento, ao conquistar o acesso à Liga dos Campeões e a Taça de Portugal, conseguiu renascer como treinador leonino e reconquistar crédito para continuar em Alvalade. E, no entanto, em grande parte da época, a equipa do Sporting pareceu perdida com o seu futebol triste, que desbaratou pontos e não divertiu ninguém. O próprio treinador reconhece, agora, que a equipa não teve identidade. E, por isso, atravessou humilhações inimagináveis e perdeu o comboio do título nacional de forma prematura.
Em condições normais, como sucedera a muitos treinadores leoninos nos últimos 30 anos, Paulo Bento não resistiria à derrota humilhante registada em Braga, em Novembro, que foi talvez o jogo que ditou o afastamento do Sporting da rota do título, por ter mostrado a toda a gente uma equipa sem qualidade, sem vontade de ganhar, à deriva. Mas Soares Franco não deixou cair o treinador, ainda que cada empate ou cada derrota que iam surgindo na I Liga parecessem um caminho perigoso de relativização dos resultados desportivos...
Isto não quer dizer, evidentemente, que Paulo Bento seja a solução ideal para o futebol do Sporting, assim como também não quer dizer que o próprio Paulo Bento não tenha algo de novo para dar. Ora, a sua permanência em Alvalade, onde também está em formação como treinador, não tendo sequer chegado aos 40 anos de idade, também irá depender da sua capacidade de evoluir e de nos surpreender. Sendo certo que ele já é o “Alex Ferguson do Sporting”, na medida em que já esteve em alta, já esteve em baixa e voltou a ficar em alta. E já regista oito anos de permanência no clube, como jogador, treinador dos juniores e da equipa principal. De resto, na próxima época, quando aparecer uma série de dois ou três jogos sem ganhar ou uma daquelas derrotas humilhantes com um clube do meio ou do fim da tabela, Soares Franco e seus pares irão lembrar que isso já aconteceu no passado e as dificuldades foram ultrapassadas. FOTO: www.sporting.pt

A vitória do Manchester United

Ver o Manchester United conquistar a Liga dos Campeões 2007-2008 com a felicidade própria dos vencedores... Ver Cristiano Ronaldo e Nani a segurarem a grande taça... E ter a certeza de que o Sporting também ajudou ao investir durante alguns anos na formação destes craques. Parabéns, Cristiano Ronaldo (apesar daquele penálti falhado)! Parabéns, Nani! FOTO: Paul Ellis (AFP/Getty Images)

quarta-feira, 21 de maio de 2008

LEÃO DA ESTRELA na imprensa

"Jornal de Notícias", 21-05-2008

RECORTES LEONINOS Rodrigo Tiuí

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UM HERÓI INESPERADO
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Não seria de todo aguardada a contribuição de Rodrigo Tiuí para a conquista da 15.ª Taça de Portugal da história do Sporting (está a nove do Benfica e tem mais duas que o FC Porto). De previsível dispensável a herói imprevisto, o brasileiro terá vivido ontem [domingo, 18 de Maio] o maior momento da sua ainda curta carreira.
Nascido há 22 anos, em Taboão da Serra, no estado de São Paulo, no Brasil, o avançado começou nas categorias jovens do Fluminense, não conseguindo grande destaque nas oportunidades que teve na equipa principal. Marcou 11 golos em 74 partidas, antes de ser emprestado ao Noroeste e depois ao Santos, regressando em 2007 ao Fluminense.
Chegou ao Sporting na reabertura do mercado, em Janeiro deste ano, tendo participado em 16 partidas (três como titular). A sua veia goleadora chegou no ocaso da temporada, tendo apontado o seu primeiro golo frente ao Boavista, há uma semana, na última jornada do campeonato. O melhor estava, porém, para vir e chegou mesmo em cima do apito final da época: dois golos, o segundo espectacular, num remate acrobático. Já entrou na galeria de heróis dos "leões", mas estes argumentos terão chegado para convencer Paulo Bento?
AUTOR: Paulo Curado, "Público", 19-05-2008
FOTO: Steven Governo (AP Photo)

terça-feira, 20 de maio de 2008

Os "talibãs" do "Record"

Há responsáveis de marketing e comunicação que defendem que “não interessa o que dizem sobre nós, o que interessa é que falem sobre nós”. É óbvio que não é bem assim. Em tudo é preciso bom senso. Vem isto a propósito de uma referência feita ao LEÃO DA ESTRELA, na edição do jornal “Record” desta segunda-feira, a propósito da vitória do Sporting na final da Taça de Portugal. Acontece que o jornalista de serviço, ou outro qualquer elemento da redacção, que nisto de jornais, conheço-os profissionalmente há mais de 20 anos, em vez de publicar o que escrevi nesse “post”, resolveu publicar um comentário anónimo ao mesmo “post”. Não sabemos se o fez por ignorância ou porque aquele comentário dava jeito publicar porque era alinhado com a actual direcção do Sporting. O mais grave é que esse comentário anónimo, que não vincula a minha opinião, constitui um ataque aos milhares de leitores sportinguistas do LEÃO DA ESTRELA que têm expressado livremente as suas opiniões e o seu espírito crítico em defesa dos superiores interesses do Sporting Clube de Portugal. Os leitores do “Record” que são simultaneamente leitores do LEÃO DA ESTRELA terão ficado confusos. A confusão, criada de forma intencional ou manifestamente incompetente, fica aqui desfeita. Os leitores do LEÃO DA ESTRELA não são “talibãs”. Esses acomodam-se atrás das secretárias e dos ecrãs de computador, enquanto esperam por uns telefonemas que lhes encham as páginas. Não é o nosso caso.

SPORTING NO PAÍS Porto

A CACHUPA E OUTRAS LENDAS

A Cachupa e Carlos Lopes "campeão mundial", Malcolm Allison e muamba de jinguba, Joaquim Agostinho "português de raça", "o senhor" Moniz Pereira, moelas e cerveja a cinquenta cêntimos. No Porto, o Sporting existe. Vivo, algo envergonhado.

Rua Alexandre Herculano, número 311. O "Sporting" não está identificado. Fica no segundo andar, por cima da Escola de Condução Portuense. Era um núcleo. Disfarça, mas já não é. Quando alugaram o espaço, Vítor e Filomena - atenção: benfiquistas assumidos - comprometeram-se em conservar a decoração. Vai fazer dois anos. E lá está: verde e branco até à exaustão, um leão imponente e uma centena de troféus da antiga colectividade. Os clientes só têm uma regra a cumprir. "Respeitar a casa", lança Filomena, que aos sábados oferece "cachupa para cativar" e que já instituiu aquilo a que chama "mesa de família". Tradução: em troca de cinco euros, o cliente senta-se à mesa, confia na "surpresa" cabo-verdiana e serve-se directamente da panela. "Uns piropos e mais nada, não admitimos absolutamente mais nada."
Os sportinguistas sentem-se "em casa". Os portistas estranham, mas são os clientes mais frequentes. Os benfiquistas entram e já não querem sair ("é preciso corrê-los à vassoura"). Até há pouco tempo, o casal recebia o jornal do Sporting, mas não vale a pena abusar. "Os sportinguistas morreram um pouco aqui no Porto. Ficou o amor", sublinha Filomena, um olho no jantar e outro no pequeno Xavier, que já foi apanhado a cantarolar um ou outro "FC Porto". Com ou sem lógica clubística, com ou sem métrica, hoje há cerveja a preço de chuva, tripinhas, patas, bifanas e moelas. "Prò S. João se prolongar/ Só há um sítio para se estar/ É ao Sporting vir parar/ E nunca se esquecer de cá voltar".
Para os interessados, há uma outra colecção de raridades nas redondezas. Rua do Bonfim, número 518. O SOLAR DO NORTE ainda é a delegação do Sporting na cidade do Porto - na última contagem fornecida pelo Sporting, o distrito estava apetrechado com perto de seis mil sportinguistas dos oficiais. O edifício, inaugurado em 1990 por Sousa Cintra, é do Sporting e alberga uma autêntica caderneta de cromos. Junto às duas cadeiras arrancadas do antigo Estádio de Alvalade estão Azevedo "lenda imorredoira do Sporting", Keita "do Mali para criar insónias aos guardiões portugueses", o guarda-redes Carlos Gomes, o "violino" Manuel Vasques... "As nossas preciosidades, os nosso altares são estes." Manuel Pimenta, vice-presidente do Solar, apresenta: ali, a camisola de júnior de Venâncio, aqui uma das camisolas amarelas de Joaquim Agostinho, um "verdadeiro altar", e eis o stick e a máscara com que Chambel defendeu a baliza do Sporting na final da Taça das Taças em 1991.
Desde Janeiro que uma equipa procura um novo poiso (talvez na Foz) para posteriormente apresentar a proposta ao Sporting, mas até lá o SOLAR DO NORTE resiste com as condições mínimas e lutando contra alguns inimigos que ajudam a repelir os adeptos: as estradas boas, a compra de bilhetes através da Internet, a SportTV, o conforto caseiro e alguns actos de vandalismo que deixaram marcas no edifício. "As pessoas preferem estar no sofá do que nestas cadeiras", lamenta Manuel Pimenta, que abre e fecha a porta do Solar. "Não mudou o amor ao clube, mudaram as tradições".
Autor: Luís Octávio Costa, "Público", 18-05-2008

domingo, 18 de maio de 2008

Sem sombra de pecado

O Sporting fechou com chave de ouro a temporada 2007-2008 ao derrotar na final da Taça de Portugal, por um claro e justo 2-0, o FC Porto – campeão nacional recentemente castigado pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional com a perda de seis pontos por motivos de corrupção desportiva ocorridos em 2003-2004. O Sporting contou com um herói improvável chamado Rodrigo Tiuí, que marcou os dois golos, um deles de excelente execução técnica (ver posição acrobática do jogador na imagem acima), nos últimos minutos do prolongamento, após um empate a zero que se registava ao cabo dos 90 minutos.
Ao juntar a conquista da Taça de Portugal ao segundo lugar na I Liga, que deu o apuramento directo para a Liga dos Campeões, o treinador Paulo Bento e a administração leonina respiraram de alívio, pois viram uma temporada irregular e marcada por problemas internos transformada numa temporada desportivamente bem melhor do que a anterior.
Em 2007-2008, o Sporting conquistou ao FC Porto a Supertaça Portuguesa e a Taça de Portugal, sobreviveu na Europa para além da primeira fase da Liga dos Campeões, o que aconteceu pela primeira vez, e manteve um lugar na próxima edição da principal liga europeia, apesar da irregularidade patenteada na liga nacional. O que, no entanto, não apaga o desencanto dos sportinguistas pela excessiva distância pontual em relação ao campeão nacional (14 pontos depois de subtraídos os seis do castigo sofrido pelo FC Porto), pelos maus resultados e pela vulgarização da equipa fora de Alvalade, pelo futebol de má qualidade ou nada espectacular em grande parte dos jogos e pela má figura da equipa na estreante Taça da Liga, onde chegou à final aos trambolhões e perdeu para o Vitória de Setúbal.
Nesta final da Taça de Portugal, Paulo Bento confirmou que deve ser o treinador português que melhor conhece o FC Porto e um dos poucos que sabem como emperrar a máquina portista. Três vitórias em quatro jogos dizem tudo. Por outro lado, tivemos no Estádio Nacional um Sporting competente, que poderia ter resolvido as coisas na primeira parte, e um FC Porto intranquilo, talvez marcado pela vergonha da corrupção, que já chegou aos ouvidos da UEFA, e já algo desligado do trabalho e da intensidade competitiva de outros momentos da época, depois de um título nacional conquistado muito antes do fim da I Liga. O afastamento de Bosingwa, contratado pelo Chelsea – embora possa ser visto como uma decisão técnica destinada a fortalecer o grupo, dando a ideia de que o FC Porto só precisa de quem está com a cabeça a cem por cento no clube… –, acabou por ser mais um dado da descompressão portista de final de época.
Mas estes factos em nada desvalorizam a vitória do Sporting, conquistada sem sombra de pecado, pois foi a equipa que, desde muito cedo, tudo fez por ganhar a Taça de Portugal, conseguindo na primeira parte quatro boas ocasiões de golo, contra apenas uma do FC Porto. E a equipa leonina só não chegou mais cedo à vitória porque a equipa de arbitragem, chefiada por Olegário Benquerença, decidiu mal. Lembro um golo mal anulado a Romagnoli, ainda na primeira parte, culminando uma jogada bem desenhada. Romagnoli estava em posição legal e, mesmo que houvesse dúvidas, a equipa atacante não deve deveria ser penalizada...
Ainda sobre o árbitro, e no plano disciplinar, lembro um cartão vermelho que ficou por mostrar a Ricardo Quaresma, que, no desenvolvimento de uma finta em que rodou o corpo sobre si próprio, agrediu João Moutinho de modo dissimulado, mas violento. Um lance feio que o árbitro deixou passar. À segunda falta violenta, desta vez de João Paulo sobre o mesmo Moutinho, Benquerença lá puxou do cartão vermelho... Mas deixara passar, na primeira parte, um derrube de Grimi sobre Quaresma, que deveria ter sido admoestado com um cartão amarelo.
Na segunda metade, as equipas foram mais cautelosas, ajudando a manter o resultado em branco até aos 90 minutos. Embora o FC Porto tivesse melhorado o seu rendimento, o Sporting soube aguentar em situações de maior aperto. No prolongamento, onde o Sporting se revelou mais fresco, apareceu o surpreendente Rodrigo Tiuí a assinar os dois golos e a justificar, finalmente, a sua contratação, em Janeiro último, por 650 mil euros. Imediatamente antes do primeiro golo leonino, Anderson Polga derrubou Lizandro na zona defensiva leonina. Foi evidente a falta do jogador leonino, que o árbitro não assinalou, mas aconteceu fora da área. FOTOS: Getty Images e Reuters

O treinador das taças

Paulo Bento é o “treinador do segundo lugar”, pois deve ser o único treinador da história do Sporting a levar a equipa ao segundo lugar do campeonato nacional em três anos consecutivos. Mas é justo reconhecer que Paulo Bento também é o “treinador das taças”. Com Paulo Bento como treinador, o Sporting nunca perdeu nos jogos da Taça de Portugal, ao fim dos 90 minutos ou do prolongamento. Em 17 jogos nas últimas três épocas, a única derrota aconteceu no Estádio do Dragão, nas meias-finais de 2005-2006, no desempate por grandes penalidades, num jogo em que o Sporting foi prejudicado pela arbitragem de forma decisiva. Agora, acaba de conquistar a Taça de Portugal, pela segunda vez consecutiva, igualando um feito do antigo treinador Mário Lino, em 1973 e 1974.
Por falar em taças, também foi com Paulo Bento que o Sporting ganhou a última Supertaça. E ainda por falar em taças, foi com Paulo Bento que o Sporting foi à final da estreante Taça da Liga (mal perdida para o Vitória de Setúbal…) e que, após uma primeira fase da Liga dos Campeões, não foi afastado das provas europeias, conseguindo, pela primeira vez por essa via, o passaporte para a Taça UEFA.
Regressando à Taça de Portugal, também é bom lembrar que a invencibilidade sportinguista ao fim dos 90 minutos de jogo ou do prolongamento não é exclusiva de Paulo Bento e já tem cinco anos. Em 2004-2005, o Sporting, então treinado por José Peseiro, foi afastado pelo Benfica no Estádio da Luz no desempate por grandes penalidades, num dos dérbis mais vibrantes de sempre.
A última derrota registada pelo Sporting na Taça de Portugal em 90 minutos de jogo remonta a 17 de Dezembro de 2003, em Alvalade, frente ao “inevitável” Vitória de Setúbal, por 0-1, na quinta eliminatória. O treinador era Fernando Santos. Dos atletas convocados para esse jogo, seis continuam em Alvalade com funções diversas. Anderson Polga, Liedson e Tiago continuam como jogadores, enquanto Paulo Bento é agora treinador, Pedro Barbosa é director desportivo e Sá Pinto colabora no “marketing”.

A "bi-Taça de Portugal" leonina

Ao vencer o FC Porto, é a segunda vez que o Sporting conquista a Taça de Portugal em dois anos consecutivos. A última "bi-Taça de Portugal" leonina aconteceu há 34 anos, nas temporadas de 1972-1973 e 1973-1974, quando o treinador era Mário Lino. Nessa conquista, o Sporting contou com a prestação dos jogadores que integraram a equipa da imagem em cima, da temporada 72-73, onde reconhecemos, em pé, Bastos, Carlos Pereira (actual adjunto de Paulo Bento), Carlos Alhinho, Fraguito, Vitor Damas, José Carlos e, agachados, Manaca, Chico Faria, Yazalde, Marinho e Nélson.
Quanto a outras vitórias da Taça de Portugal em dois ou mais anos consecutivos, só as encontramos entre 1945 e 1948, no tempo dos gloriosos “Cinco Violinos”, em que o Sporting conquistou a Taça de Portugal por três vezes consecutivas, embora se registe um hiato na temporada de 1946-1947, por não ter havido prova. O FC Porto só conquistou a Taça de Portugal em dois anos consecutivos em 2000 e 2001.

sábado, 17 de maio de 2008

A Supertaça Portuguesa

A final da Taça de Portugal, entre o Sporting e o FC Porto, será a última competição oficial da temporada envolvendo as principais equipas do futebol português. Mas não deveria ser assim. O mais correcto seria disputar-se, oito dias depois, a Supertaça Cândido de Oliveira, com as duas equipas novamente em confronto. Essa competição é que deveria encerrar a temporada 2007-2008.
A Supertaça Cândido Oliveira começou por ser disputada em duas mãos, no terreno de cada um dos finalistas, e a meio da temporada seguinte, eventualmente por motivos de competitividade. Mais recentemente, passou a ser disputada no início da época seguinte e num único jogo em campo neutro. Não é correcto e perde a competição.
A Supertaça Cândido de Oliveira, como troféu que pretende consagrar o vencedor da Liga e o vencedor da Taça de Portugal, deveria ser o último jogo da temporada a que se refere. Teria mais emoção e mais público. Desde logo porque, sendo disputada na temporada seguinte, essa Supertaça não diz nada aos atletas que acabam de chegar aos plantéis dos respectivos finalistas. Porque esses jogadores não suaram a camisola para disputar essa Supertaça e, naturalmente, não a sentem como uma competição maior que deveria ser. É humano.
Por outro lado, sendo a primeira competição da temporada seguinte, a Supertaça Cândido de Oliveira acaba por ser um troféu desportivamente desvalorizado, uma vez que as equipas se encontram em preparação para uma temporada inteira e não para aquele jogo em particular, que normalmente aparece no calendário futebolístico nacional cerca de um mês após as férias, com os jogadores ainda fora de forma.
Talvez o Sporting pudesse lançar esta questão em sede da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga de Clubes. Em nome da competitividade e do engrandecimento de um troféu que deveria ser valorizado como o troféu dos troféus do futebol português.

A lesão de Liedson

Entre o dia em que sofreu a lesão e o dia da operação ao joelho passaram 20 dias! Quase três semanas para concluir que Liedson, afinal, tinha sofrido uma rotura de ligamentos no joelho esquerdo. Por que é que foi preciso tanto tempo?...
O avançado brasileiro lesionou-se em 27 de Abril, no jogo com o Marítimo. E ainda chegou a ser hipótese a sua recuperação para a final da Taça de Portugal. Estranhamente, e apesar de estarmos na vanguarda da tecnologia médica, só três semanas depois é que os médicos descobriram, afinal, que a lesão do jogador era grave. Não terá sido tempo demais?...
Liedson foi operado nesta sexta-feira e vai parar cinco meses, o que significa que não estará a cem por cento antes de Outubro. Que recupere depressa e bem e que os colegas de equipa, nesta hora difícil, lhe dediquem a conquista da Taça de Portugal são os votos do LEÃO DA ESTRELA!

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Boas notícias

As tentativas de fazer regressar Marco Caneira e Hugo Viana a Alvalade são boas notícias para o futebol do Sporting. São portugueses, conhecem o clube e têm experiência internacional. Que as diligências sejam bem sucedidas. FOTOS: Associated Press e Reuters

O "Papa" e os deputados

Dias depois de ter sido condenado pela Comissão Disciplinar da Liga de Clubes e no mesmo dia em que, ao ser julgado pela prática de diversos crimes, voltou ao Tribunal de Gondomar, onde se confrontou com Carolina Salgado, Pinto da Costa apareceu com este sorriso na Assembleia da República, para um jantar com deputados que são adeptos do FC Porto. Com ar de verdadeiro “Papa” da bola, deveria estar a rir dos próprios deputados, ilustres representantes do povo português, que não têm um pingo de vergonha na cara. FOTO: João Trindade ("Record Online")

As férias de Izmailov

Parece que Izmailov abdica da sua valorização profissional. Não vai à selecção russa porque não se sente em “condições físicas para dar o melhor contributo” e pediu para não ser convocado para a fase final do Euro 2008, pois pretenderá descansar, uma vez que, coitado, não tem férias desde Janeiro de 2007. Um caso raro, este de pedir dispensa da selecção por motivos de cansaço. E nós a pensar que jogar futebol era um prazer, mais a mais em representação do nosso País... O que é estranhíssimo é que os jornais publiquem “notícias” destas sem pestanejar. E que embarquem na ideia de que se trata de um sinal de “dedicação ao Sporting”.
É curioso que, em Janeiro último, tenha sido publicada uma outra notícia, como se pode ler aqui, indicando que Izmailov também pedira dispensa da selecção russa, também para se “concentrar no projecto verde e branco”, mas que teria indicações seguras de que seria convocado. Como seria de esperar, não foi convocado. De resto, é interessante verificar que a "notícia" do pedido de dispensa da selecção tenha sido divulgada só depois de conhecida a convocatória de Gus Hiddink...
Se Izmailov está cansado por não ter férias há ano e meio, ele que só jogou 1612 minutos em 23 jogos da I Liga, o que dizer de Miguel Veloso (2.509 minutos em 29 jogos na I Liga), que esteve numa prova internacional de selecções enquanto outros colegas gozavam as últimas férias ou de João Moutinho (2.686 minutos em 30 jogos), que vai fechar a temporada com a presença em 56 jogos, numa demonstração notável de alto rendimento, tornando-se no futebolista com mais jogos, numa só temporada, por uma equipa portuguesa?
É por isso que a verba de 4,5 milhões de euros pela aquisição do passe do médio russo - cujo problema é não ser um jogador de alto rendimento - é dinheiro a mais para qualquer clube, e ainda mais para um clube endividado. FOTO: www.sporting.pt

quinta-feira, 15 de maio de 2008

MEMÓRIAS LEONINAS SCP-FC Porto na "Taça"

O Sporting-FC Porto do próximo domingo, no Estádio Nacional, é a quarta final entre as duas equipas em 68 edições da Taça de Portugal. A primeira final entre Sporting e FC Porto realizou-se precisamente há 30 anos, tendo a equipa leonina vencido por 2-1, numa “finalíssima”. O português Rodrigues Dias, que faleceu recentemente, era o treinador do Sporting, que no fim foi carregado em ombros pelos jogadores. Na imagem, Artur e Manuel Fernandes transportam o técnico numa volta à pista do Jamor. Vemos ainda Augusto Inácio (premonitoriamente com a camisola do FC Porto...), Ademar e Cerdeira. Nos outros dois confrontos em finais da Taça de Portugal, em 1993-1994 e 1999-2000, a vitória sorriu aos “dragões”. No próximo domingo ficaremos a conhecer mais dados para actualizar esta história. FOTO: ASF/"A Bola"

A contratação de Rochemback

O regresso do brasileiro Rochemback significa que o Sporting contrata quem pode e não está em condições de contratar quem quer. Pelo contrário, os clubes ingleses, por exemplo, contratam quem querem e não hesitam em reforçar as suas equipas com os melhores valores formados no Sporting. Primeiro foi Hugo Viana, depois foi Cristiano Ronaldo, depois foi Nani... E outros poderão seguir-lhes as pisadas. Porque o Sporting, além de não poder contratar quem quer, também não consegue segurar os jogadores pelo tempo que gostaria até obter deles o desejado rendimento desportivo. É um problema leonino crónico, agravado por um problema de dimensão económica dos países, dos respectivos mercados e de dimensão desportiva das várias ligas de futebol.
Para justificar a sua contratação e constituir uma mais-valia para ao futebol do Sporting, Rochemback, que completa 27 anos em Dezembro próximo, vai ter de trabalhar bem mais do que aquilo que tem trabalhado, pois necessita de estar em condições físicas para responder às exigências de um clube que participa em quatro provas, uma das quais, a Liga dos Campeões, muito exigente. O próprio jogador parece reconhecer isso: “Venho para o Sporting com mais experiência, cabeça e tranquilidade.”
Se conseguir exibir-se em alto rendimento de forma continuada, Rochemback será uma excelente contratação, porque tem qualidade, ainda que não saibamos quanto vai ganhar no final do mês, ele que, num clube mediano da Liga Inglesa, mesmo no banco de suplentes, ganhava mais do dobro dos jogadores mais bem pagos do Sporting.
De resto, não deixa de ser um jogador maduro com dois falhanços profissionais no cartório. Depois de ter falhado em Barcelona, quando era um jovem internacional brasileiro à procura do “El Dourado” europeu, reabilitou-se em Alvalade. E foi para Inglaterra porque queria sair para jogar noutros palcos e ganhar muito mais dinheiro. Legítimo. Mas, em Inglaterra, o futebol é muito mais exigente e o atleta brasileiro não conseguiu impôr-se.
Regressa agora a Portugal, porque, entre outros desejos, quer ter “qualidade de vida”... Por que será que o futebol português é sinónimo de qualidade de vida?... Vem para jogar no Sporting. Mas até poderia regressar para jogar no Benfica ou no FC Porto. Até parecia que estava a ser leiloado. E assim acabou por voltar ao Sporting. Com que motivação?... Cá estaremos para ver os resultados, fazendo votos para que tenha sucesso, contribuindo para o sucesso do Sporting.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

O "monstro" que está a matar o Sporting

Sobre o investimento da SAD do Sporting numa equipa de futebol mais competitiva, o presidente Filipe Soares Franco já disse tanta coisa e tão diversa que não dá para acreditar piamente em mais nada. Já disse que queria uma equipa de futebol de dimensão europeia baseada na formação e depois “reforçou” a equipa com uma série de jogadores de qualidade duvidosa, como ficou demonstrado ao longo da temporada que agora finda. Assim como já disse que, nos próximos 25 anos, não será possível ao Sporting viver num desafogo económico que lhe permita investir a sério no futebol.
Mais recentemente, o discurso é outro, mais do agrado dos descontentes com os maus resultados desportivos no futebol. Acossado pelo facto de concluir o seu mandato de três anos sem nenhum título de campeão nacional e apostado em ter o Sporting a liderar a Liga por altura das eleições, que se realizam durante o primeiro semestre do próximo ano, Soares Franco prepara-se para investir mais no futebol, falando-se numa verba 50% superior, relativamente à época que está a terminar. O problema será encontrar o dinheiro necessário, sabendo-se que, hoje, a disponibilidade financeira do clube é uma manta muito curta, que sempre que é puxada para cobrir a cabeça destapa os pés e vice-versa.
Ora, Soares Franco e seus pares têm andado em roda livre nas explicações de circunstância. É por isso que já ouvimos dizer, por exemplo, que o empréstimo obrigacionista lançado pela SAD servirá para dar a folga de euros necessária para investir no futebol. Trata-se, obviamente, de uma falácia, dado que esse empréstimo será para pagar outro, sendo certo que ficará muito caro, uma vez que o preço do dinheiro está mais caro do que nunca. Ou seja, trata-se de uma operação para o Sporting pagar juros, ficando depois a pagar juros sobre juros.
Sobre a mesa tem estado também a ideia de renegociar a dívida aos bancos, o que, na prática, significará dilatar o prazo de amortização, à custa de mais juros a suportar pelo Sporting – cenário, aliás, que não deixará de agradar à banca, pois é rendimento garantido… –, havendo como única vantagem uma diminuição mensal dos encargos. E recorde-se que, hoje, o Sporting já paga em juros cerca de 17 milhões de euros por ano, quase o mesmo que gasta com a equipa de futebol profissional. Ou seja, paga em juros o equivalente a uma segunda equipa de futebol!...
Agora, vem aí um projecto de reestruturação financeira que visa passar a Academia de Alcochete para o património da SAD, estando já marcada uma assembleia geral do Sporting Clube de Portugal para 28 de Maio, estando esse assunto na ordem de trabalhos. Segundo, Rogério Alves, em notícia publicada no sítio do Sporting na Internet, o projecto de reestruturação financeira proposto pela direcção do clube ao Conselho Leonino, nesta terça-feira – de onde se destaca a venda da Academia, à SAD, por 22 milhões de euros (custou 15 milhões) – permitirá ao Sporting amortizar a dívida até aos 139,5 milhões de euros, num prazo de cinco anos. Da alienação do estádio nada é referido. E Soares Franco diz que a operação "servirá para libertar meios e aliviar a tesouraria, de maneira a que se possa fazer mais investimentos desportivos", uma vez que, afiança, o Sporting está "a trabalhar no sentido de aumentar o orçamento para a equipa de futebol profissional".
Bom, com tantas possibilidades de “aliviar a tesouraria” para dar ao futebol, e para que, dentro de cinco anos, não tenhamos o Sporting com um passivo igual ou mais elevado do que o actual, seria bom que as continhas fossem devidamente explicadas. E que fosse traçado um plano rigoroso de amortização da dívida - que é um “monstro” que está a matar o Sporting -, mas também um plano rigoroso de investimentos e de objectivos desportivos para a equipa de futebol. Para que, no devido tempo, possam ser pedidas responsabilidades aos dirigentes do clube e aos administradores da SAD, caso as metas não sejam cumpridas. Se isso não acontecer, está seriamente em causa o futuro do Sporting como grande clube de futebol.

terça-feira, 13 de maio de 2008

A camioneta da GALP

Dizem que este é o autocarro da selecção portuguesa de futebol que vai transportar os jogadores pelos estádios do Euro 2008. À primeira vista, não passa de mais uma camioneta da GALP. É que precisamos de uma lupa para ver "Portugal", assim como o verde e o vermelho da bandeira nacional e da selecção de futebol. A gasolina e o gasóleo estão mesmo em alta, até na Praça da Alegria...

domingo, 11 de maio de 2008

O Sporting do segundo lugar

O Sporting venceu o Boavista à justa (2-1) e confirmou o segundo lugar e o acesso à Liga dos Campeões 2008-2009. O Vitória de Guimarães celebrou um histórico terceiro lugar, que dá direito a participar numa pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Já o Benfica, sem nada para celebrar no quarto lugar – uma das piores classificações da história do clube no campeonato português – emocionou-se com a retirada de Rui Costa, que é talvez a última referência lusa nos clubes considerados “grandes”, desde a entrada do futebol na era da globalização. Com o título de campeão nacional há muito entregue ao FC Porto, era isto que faltava decidir nos lugares da frente da I Liga Portuguesa. Sem grande emoção, como, de resto, toda a prova.
O Sporting venceu e conseguiu alcançar o chamado “segundo objectivo”, que, na próxima época, não vai existir, uma vez que essa posição classificativa deixará de dar acesso directo aos milhões de euros da Liga dos Campeões. O segundo lugar é positivo, tendo em conta as atribulações da temporada e o mau futebol patenteado na maioria dos jogos, mas não dá aos sportinguistas grandes motivos para festejar. Mais a mais quando a equipa perdeu o comboio da conquista do título a meio da prova e ficou a 20 pontos do FC Porto, diferença agora diminuída em seis pontos na secretaria, em função do castigo da Liga dos Clubes ao clube de Pinto da Costa na sequência do processo “Apito Dourado”. Não foi o FC Porto que esteve muito mais forte do que qualquer campeão português. Foi o Sporting que esteve bem abaixo do que seria de esperar. Até Paulo Bento tem consciência disso, ao não ter ficado "nem eufórico, nem insatisfeito" com a classificação alcançada. Resta, porém, a consolação contabilística de esta temporada ter custado aos cofres do Sporting bem menos do que o que custou aos cofres do rival Benfica. E ainda muito menos do que custou ao FC Porto.
No último jogo desta Liga, o Sporting fez o retrato de uma época. Começou por ter de correr atrás do prejuízo por ter consentido mais um golo incrível nos minutos iniciais. Mostrou empenho para dar a volta ao resultado, o que conseguiu aos 22’, através de Rodrigo Tiuí, que se estreou a marcar, e, depois disso, banalizou o Boavista, mas não conseguiu “matar” o jogo. Depois de muito controlo das operações, mas também de algum sofrimento desnecessário, porque o Boavista foi melhor no segundo tempo, lá veio o apito final do árbitro Soares Dias. Grande parte do público cantava "Sporting até morrer". Mas há um ano, com o Sporting a lutar pelo título até aos últimos minutos da prova, era um estádio inteiro. O Sporting continua na Liga dos Campeões e deixa o Benfica para trás pelo terceiro ano consecutivo. Pelo menos, é isso que fica para a história. FOTOS: Steven Governo (Associated Press)

Notas do "Apito Dourado"

1. Uma investigação séria ao que se passou nos últimos 20 anos pelos estádios do País – e não apenas a meia dúzia de jogos da temporada 2003-2004 – não deixaria pedra sobre pedra no futebol português. A prova disso é que o FC Porto nem sequer recorreu do brando castigo de seis pontos perdidos imposto pela Liga de Clubes.
2. Portugal vê a sua imagem fortemente afectada no futebol internacional, assim como os seus profissionais, sejam jogadores ou treinadores. E os árbitros, claro.
3. Gilberto Madaíl, como chefe do velho futebol português, também ficou com a sua credibilidade muito abalada na UEFA.
4. Valentim Loureiro não tem vergonha, continuando, por isso, a presidir à Assembleia Geral da Liga de Clubes.
5. O Sporting não tem nada a ver com a corrupção no futebol português, mas os seus dirigentes reagiram às notícias como se estivessem implicados.
6. Para além de Dias da Cunha, também é justo lembrar o papel determinante da senhora Carolina Salgado, através do seu livro "Eu, Carolina", que até deu um filme. É curioso sublinhar como os malfeitores da opinião publicada do "sistema" são eficazes. Transformaram Dias da Cunha num indivíduo senil e Carolina Salgado, num ápice, passou de respeitável primeira dama do Porto à prostituta mais falsa do planeta.

sábado, 10 de maio de 2008

O papel de Dias da Cunha

Ao ficarmos a conhecer os castigos da Comissão Disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol Profissional a clubes, dirigentes e árbitros, na sequência do processo “Apito Dourado”, é justo destacar a importância do papel desempenhado por António Dias da Cunha. O ex-presidente do Sporting foi o único dirigente do futebol português que soube chamar os bois pelos nomes, identificando os “rostos do sistema” e protagonizando uma cruzada em nome da verdade desportiva e da credibilização do futebol português. Tudo isso com a legitimidade de ter sido dos poucos dirigentes que não foram apanhados em chamadas telefónicas suspeitas ou denunciadoras do pântano em que o futebol português está mergulhado há muitos anos.
Por isso mesmo, Dias da Cunha - ao contrário de Luís Filipe Vieira, por exemplo - foi também o único dirigente que, nesta sexta-feira, pôde falar de cabeça bem levantada. De modo certeiro, zurziu no poder político, nomeadamente no actual secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias, por ter deixado na gaveta um "Manifesto" pela credibilização do futebol, subscrito pelo próprio Dias da Cunha e outros dirigentes. E lembrou que os castigos agora conhecidos se resumem a casos de corrupção verificados em meia dúzia de jogos, sendo, portanto, a “ponta do iceberg” que nos últimos 20 anos tem transformado o futebol português numa enorme mentira.
Mesmo afastado do futebol, Dias da Cunha continua a ser ouvido com atenção e respeito. E agora mais do que nunca. Ao contrário do Sporting, que, infelizmente, deixou de ser uma voz activa no combate ao famigerado “sistema” – termo, aliás, introduzido pelo próprio Dias da Cunha. Ao mandar o assessor de comunicação anunciar uma posição oficial sobre as decisões da Liga de Clubes para quando reunirem os órgãos directivos do Sporting, o actual presidente, Filipe Soares Franco, dá a ideia de que não está interessado em mudar nada, deixando o clube arredado de um papel activo na mudança que o futebol português necessita com urgência.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Racismo na Liga

Yannick Djaló tem de dar umas explicações à Comissão Disciplinar da Liga de Clubes sobre a modo como festejou o golo milionário no Estádio da Mata Real, em Paços de Ferreira. A própria Liga vai investigar... Tudo porque o atleta leonino, na explosão de alegria que se seguiu ao excelente golo que marcou, ordenou aos adeptos pacenses que se calassem colocando um dedo indicador junto aos lábios. Ao que parece, Yannick respondia a manifestações racistas vindas da bancada. Imagina-se o que o miúdo terá ouvido: "Preto, vai para a Guiné!"... E daí para baixo...
Os atletas, sempre sujeitos à própria pressão de um jogo, podem ouvir de tudo, mas não podem manifestar-se, nem sequer ordenando aos energúmenos racistas das bancadas que se calem. A ser assim, é uma luta desigual que mata o futebol enquanto espectáculo.
Só faltava agora inventarem um castigo raro para afastar Yannick Djaló da final da Taça de Portugal. A não ser que a Comissão Disciplinar da Liga de Clubes também seja racista e subscreva os insultos gratuitos nos estádios portugueses.
O Sporting não pode ficar calado. Mais: no próximo jogo, com o Boavista, o clube deveria lançar uma campanha contra o racismo no futebol. Que tal cada jogador entrar em campo com uma criança de raça diferente?... FOTO: Miguel Vidal (Reuters)

RECORTES LEONINOS

DA COCA-COLA AO GOLO MILIONÁRIO
No final da época 2001/02, Laszlo Bölöni, depois de o ter convocado para alguns treinos com os seniores, chamou Yannick Djaló, então nos juvenis, para um jogo particular em Alvalade frente ao Alverca. O treinador apostou uma grade de coca-cola com o jovem avançado de 16 anos, viciado naquele refrigerante, e... perdeu. O romeno foi ao supermercado mais próximo pagar a aposta e o Sporting ganhou ali um avançado.
Há seis anos, Yannick marcou o golo que evitou a derrota do Sporting. Neste domingo, foi a vez de retribuir a grade de coca-cola com um golo milionário: Soares Franco agradeceu. O golo em Paços de Ferreira pode valer ao Sporting, no mínimo, cinco milhões de euros. É o prémio de presença na Liga dos Campeões e a participação nos seis jogos do grupo mais receitas de bilheteira e direitos de televisão.
Soares Franco não se cansou de dizer que o segundo lugar é o objectivo principal dos "leões", mesmo à frente da Taça UEFA ou Taça de Portugal. Yannick levou à letra as palavras do líder sportinguista e, na Mata Real, marcou o golo da vitória que deixa a equipa a um ponto do segundo lugar.
Yannick deixou a Guiné com seis anos e foi para a Covilhã. Aí, jogou na Associação Desportiva da Estação antes de despertar a cobiça do Sporting, que deu por ele 2500 euros. Em Alvalade, foi campeão de juniores com Paulo Bento como treinador - em 2006, recebeu uma chamada de Bento para a equipa principal.
Junto dos adeptos ganhou crédito com os dois golos apontados ao Benfica na pré-época, no Torneio do Guadiana (3-0). Mas as suas exibições intermitentes foram granjeando alguma desconfiança. As lesões, esta época, atiraram-no para fora da equipa por quatro meses (falhou 12 jornadas). A equipa ressentiu-se da sua falta e o seu regresso foi aplaudido: com novo "look" (cortou as longas tranças) e mais poderoso fisicamente, foi acumulando golos. Marcou logo no regresso frente ao Nacional e outro golo à Naval; apontou dois na vitória sobre o Sporting de Braga e outros dois ao Benfica para a Taça. Domingo, saiu coroado de Paços de Ferreira.
AUTOR: Filipe Escobar de Lima, "Público", 06-05-2008
Obs. - Título do LEÃO DA ESTRELA

terça-feira, 6 de maio de 2008

A televisão e o futebol jovem

Numa altura em que Joaquim Oliveira se prepara para lançar o canal Sport TV 3 seria interessante reflectir um pouco sobre o papel dos seus canais desportivos no desenvolvimento e na promoção do futebol jovem em Portugal. O Sport TV 3, que está anunciado para Junho, é descrito como um canal "dedicado ao público jovem e feminino". Entre as modalidades a emitir pelo canal pago estão a patinagem, a ginástica, a natação, a dança, os desportos radicais e de aventura. Será ainda dado destaque ao desporto escolar e a campeonatos internacionais. Por outras palavras, será mais do mesmo, mais coisa, menos coisa.
Ora, o que se constata é que o futebol jovem continua arredado das televisões portuguesas, não obstante os títulos internacionais conquistados e a importância estratégica da formação para a sobrevivência dos clubes. A transmissão semanal dos jogos de juniores, juvenis e iniciados que envolvessem a participação dos maiores clubes, no caso o Sporting, o FC Porto e o Benfica, seria um excelente meio de divulgação do futebol jovem e dos próprios talentos que brilham nas várias equipas. Talvez dessa forma o grande público soubesse o valor da maioria dos atletas, quando estivesse em causa escolher aqueles que devem ser tidos em conta para as respectivas equipas principais.
Nesta altura, por exemplo, teria todo o interesse mostrar ao País, em directo, os clássicos Sporting-Benfica, FC Porto-Sporting ou Benfica-FC Porto da fase final do campeonato nacional de juniores. Seria um excelente veículo de promoção do futebol jovem e do trabalho dos próprios clubes. Seria um serviço público que, aliás, a Federação Portuguesa de Futebol deveria ser a primeira instituição a defender. Tanto mais que o futebol de formação também é suportado pelo dinheiro dos impostos de todos nós. Por isso, se a FPF não liga nenhuma, que sejam os clubes a fazer alguma coisa, a começar pelo Sporting...
Infelizmente, em vez de mostrarem os nossos jovens futebolistas a despontar, os canais desportivos mostram-nos doses cavalares de hipismo, bilhar, snooker, ténis, vela, surf, golfe e outras modalidades, imagens talvez compradas em pacotes a televisões estrangeiras, verificando-se uma grande falta de identificação entre a maior parte do público português e os produtos emitidos pelos canais em causa.
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