domingo, 31 de agosto de 2008

Mais uma Supertaça para Alvalade

O Sporting venceu hoje a Supertaça 2007-2008 em futsal, ao derrotar o Benfica, no Entroncamento, por 5-3. Tal como no futebol, também no futsal o Sporting ganhou a Taça de Portugal e a Supertaça. De resto, a equipa leonina domina o futsal nacional em número de títulos conquistados. Detém oito campeonatos nacionais (contra apenas quatro do Benfica, o segundo clube com mais vitórias), duas taças de Portugal (o Benfica tem três vitórias) e três supertaças (tendo este ano igualado o clube da Luz em vitórias neste troféu). No total, o futsal do Sporting já conquistou 13 títulos nacionais, sendo seguido pelo Benfica com dez. FOTO: www.sporting.pt

Benfica: da interdição à porta fechada

Se a justiça da Liga de Clubes funcionar com rapidez e eficácia, o Benfica poderá ver o seu estádio interdito ou terá de jogar à porta fechada já na próxima partida em casa, no último fim-de-semana de Setembro, precisamente com o Sporting. Tudo por causa daquele adepto que invadiu o campo para apertar o pescoço a um árbitro assistente, que foi surpreendido pelas costas. Está aí o grande teste à Liga de Hermínio Loureiro e, claro, ao presidente da respectiva Comissão Disciplinar, Ricardo Costa (na foto), o impulsionador do processo “Apito Final”.
Se a justiça da Liga for rápida, o castigo poderá ser aplicado já no próximo Benfica-Sporting – para tristeza dos sportinguistas que gostariam de aplaudir ao vivo a sua equipa. Há um mês pela frente, pelo que não haverá desculpas.
De resto, será impossível que o caso de violência que marcou o Benfica-Porto da 2ª jornada da Liga 2008-2009 não venha mencionado no relatório da equipa de arbitragem liderada por Jorge Sousa. A não ser que o árbitro assistente seja masoquista. Vejamos o que dizem os artigos 138 e 139 do Regulamento Disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol Profissional:

DAS INFRACÇÕES DISCIPLINARES MUITO GRAVES
Artigo 138.º
Das agressões graves em geral
1. O Clube cujo sócio ou simpatizante agrida fisicamente elementos da equipa de arbitragem, agentes de autoridade em serviço, delegados e observadores da Liga, dirigentes, jogadores e treinadores e demais agentes desportivos ou pessoa autorizada por lei ou regulamento a permanecer no terreno de jogo, de forma a determinar justificadamente o árbitro a não dar início ou reinício ao jogo ou dá-lo por findo antes do termo regulamentar, é punido com derrota, interdição do recinto desportivo por 2 a 4 jogos ou realização de 1 a 2 jogos à porta fechada e multa de € 12.500 (doze mil e quinhentos euros) a € 25.000 (vinte e cinco mil euros).

2. Em igual pena incorre o Clube cujo sócio ou simpatizante agrida fisicamente qualquer das pessoas referidas no número anterior, antes, durante ou depois da realização do jogo, de forma a causar-lhe lesão de especial gravidade.
3. Os limites das penas de interdição do recinto desportivo e de multa são reduzidos a metade se a agressão, muito embora não determinando lesão de especial gravidade, tiver sido realizada por meio susceptível de a determinar.

Artigo 139.º
Das invasões e distúrbios colectivos com reflexo grave no jogo
1. O Clube cujos sócios ou simpatizantes invadam o terreno de jogo com o propósito de protestar, agredir ou ameaçar qualquer das pessoas referidas no artigo 138.º, n.º 1, ou provoquem distúrbios que determinem justificadamente o árbitro a não dar início ou reinício ao jogo ou a dá-lo por findo antes do tempo regulamentar, é punido com interdição do recinto desportivo por 1 a 3 jogos ou realização de 1 ou 2 jogos à porta fechada e multa de € 10.000 (dez mil euros) a € 20.000 (vinte mil euros).

A interpretação deste Artigo 139 é susceptível de gerar polémica, como se depreende desta notícia, no jornal "Record", e desta, no jornal online Mais Futebol. Leituras apressadas... É que o regulamento da Liga é claro ao dizer que "o clube cujos sócios ou simpatizantes invadam o terreno de jogo com o propósito de protestar, agredir ou ameaçar", que foi o que aconteceu no Benfica-Porto, "é punido com interdição do recinto" ou "a realização de 1 ou 2 jogos à porta fechada". A polémica na interpretação é gerada por aquele "ou", que, em português, designa alternativa.
Isto é, segundo o artigo 139, a interdição do estádio ou a realização de jogos à porta fechada serão penas tanto para quem invada o campo só com "o propósito de protestar, agredir ou ameaçar" como para quem, também invadindo o campo, cause distúrbios com reflexo grave no jogo. Se houver dúvidas, a Liga tem sempre a possibilidade de pedir um parecer a um professor catedrático de Língua Portuguesa...

sábado, 30 de agosto de 2008

Invasão de campo e pérolas verbais na Luz

Alta intensidade competitiva na Luz entre o Benfica e o FC Porto, num jogo que terminou empatado 1-1, que teve uma excelente arbitragem apesar das dificuldades colocadas pela partida. Uma equipa de Jesualdo Ferreira incapaz de ganhar mesmo contra dez, e outra equipa, a de Quique Flores, a acabar de rastos fisicamente, levando-nos a perguntar quem é o preparador físico das “águias”.
Mas também precisamos de saber como é que é possível que, com tantos polícias à volta do relvado, haja um indivíduo que abra uma portilhola e invada o relvado para apertar o pescoço a um árbitro assistente. Um caso que tem de merecer a atenção da Liga, com a urgência devida, não escapando o Benfica à interdição do Estádio da Luz, por um ou dois jogos.
Ainda deste jogo fica a certeza de que o Sporting pode ser o único dos chamados três “grandes” a concluir a 2ª jornada da Liga só com vitórias. E o Benfica das estrelas milionárias já perdeu quatro pontos!...
Para o Sporting de Paulo Bento, o jogo de Braga é dos mais difíceis desta Liga. Tem que ser encarado com uma final que é para vencer custe o que custar. E uma vitória leonina acabaria com o trauma nortenho da época passada e daria descanso na pausa que se segue para dar lugar aos compromissos das selecções.
Haja fé numa grande noite do Sporting na próxima segunda-feira. Que os jogadores digam em campo que querem mesmo ser campeões!...

Obs. - Não resisto a deixar aqui algumas pérolas verbais da Sport TV, no Benfica-Porto, no caso do relator Miguel Prates e do comentador Eduardo Luís, pelo FC Porto. William, que fez os comentários na perspectiva do Benfica, não contribuiu com nenhuma pérola, o que é bom sinal para ele.
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EDUARDO LUÍS: "Vamos ver se os jogadores jogam só futebol e evitam lances difíceis..."
MIGUEL PRATES: "Um clássico que vai estando cada vez mais apimentado. Seria de esperar... Mas tem havido de tudo..."
MIGUEL PRATES, após Cristiano Rodriguez ter visto um cartão amarelo, num lance com o guarda-redes Quim, em que não fez falta: "Teve consciência do que fez. E acabou por ver o cartão amarelo..."
EDUARDO LUÍS, sobre o mesmo lance, referindo-se a Cristiano Rodriguez, sem ter sido contraditado posteriormente: "Mas não lhe toca..."
EDUARDO LUÍS, após o golo do Benfica, que empatou o jogo: "E temos o jogo em aberto..."
MIGUEL PRATES: "Uns por umas razões e outros por outras razões fizeram baixar a qualidade de jogo nesta segunda parte."
MIGUEL PRATES: "As contingências do próprio jogo têm puxado para baixo a sua qualidade."
EDUARDO LUÍS: "O Porto, neste momento, tem de ser inteligente, não entrando em faltas desnecessárias."
MIGUEL PRATES, aos 85 minutos: "E se este já foi um jogo acidentado, não podemos esperar melhor daqui até ao fim."
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Em conclusão: imagine-se o que não seria se a Sport TV, que pagamos para ver, não fosse especializada em futebol...

O prenúncio da violência

Na antevisão dos grandes jogos, mais do que o futebol, sobressai a informação sobre as medidas de segurança e o número de polícias que estarão no "jogo de alto risco" para cuidar de nós. As televisões, então, aproveitam a ocasião para recuperar imagens de violência anterior. É o que tem sucedido antes do Benfica-Porto deste sábado, com a SIC Notícias, todo o dia, a passar as imagens do ataque a um autocarro do clube nortenho, na época passada, por ocasião de um jogo de hóquei-em-patins, alegadamente praticado por adeptos benfiquistas.
Mais do que informar e prevenir eventuais desacatos entre a multidão, este jornalismo semeia o ódio e a violência, pois estimula os ajustes de contas. E só faz a propaganda da polícia. Já se imaginou uma cobertura jornalística de uma visita do Primeiro-Ministro pelo País a falar do número de polícias e seguranças que acompanham a comitiva, em vez de nos falar dos objectivos e dos resultados dessa visita?...
Com um jogo de futebol deveria ser a mesma coisa: afinal, o número de polícias é proporcional à grandeza do espectáculo e a sua presença num grande jogo nem deveria merecer mais do que uma nota de rodapé, porque é sempe uma presença óbvia. Dar informação sobre um grande jogo é falar do jogo, é falar de como vão jogar as equipas, é falar sobre os artistas e as suas jogadas que motivam as paixões de milhões e milhões de pessoas.
Num País atolado em novos fenómenos de criminalidade e violência, seria importante que, com urgência, a informação sobre atentados à segurança pública, no desporto e na sociedade em geral, fosse entregue a jornalistas especializados. Porque uma câmara de filmar guiada pela voz de um leigo na matéria acossado pela concorrência é uma arma incontrolável...

O veterano Cartaxana

O veterano Rui Cartaxana, que fez história no jornalismo ao transformar o “Record” num dos principais títulos da imprensa desportiva portuguesa, não está a atravessar um momento particularmente feliz, a avaliar por aquilo que tem escrito, seja no jornal que dirigiu ou no “irmão” generalista “Correio da Manhã”.
No “Record”, desenvolveu uma tese obtusa em defesa da equipa de arbitragem do último Sporting-Trofense, defendendo a ideia de que houve motivo para a marcação da polémica grande penalidade. Foi a única alma do futebol português a defender tamanha grosseria, quando até o árbitro e o próprio assistente vieram depois dar conta do erro que cometeram.
Neste sábado, no “Correio da Manhã”, desenvolve uma teoria da conspiração, neste caso a propósito da RTP e do seu renovado programa sobre futebol, que regressou para as noites de domingo. Diz Cartaxana que a televisão pública “foi buscar o ‘Domingo Desportivo’ ao baú, mas mandou-o para o Norte, onde está quem manda (Carlos Daniel, adepto portista e homem forte da TV do Estado é o pivô)”
Só por esta referência à simpatia clubística do excelente jornalista Carlos Daniel – e um jornalista pode ter simpatia clubística, o que só depende do coração, e ser competente ao mesmo tempo –, o “velho” Rui Cartaxana mostra que não está nada bem informado. Por isso, somos levados a concluir que já não deve regular bem da cabeça.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

A Europa que ruge como um leão

Os russos do Zenit de S. Petersburgo venceram a Supertaça Europeia ao derrotarem, no Mónaco, os ingleses do Manchester United por 2-1. Falar em russos e ingleses não é totalmente correcto. É que o melhor jogador da partida foi o português de origem venezuelana Danny, que marcou um golo fantástico, aliás, decisivo para a vitória. Ele que acaba de ser protagonista da mais cara transferência do futebol russo, ao mudar-se do Dínamo de Moscovo para o Zenit por 30 milhões de euros.
Do lado do Manchester, também havia Nani a falar português. Dois jogadores, importantes em cada um dos finalistas, que têm um traço em comum: ambos jogaram no Sporting há muito pouco tempo. Como sportinguista, gostei de ver dois ex-sportinguistas na alta roda do futebol europeu e logo no jogo entre os vencedores das duas provas europeias do ano anterior. Mas isso não passa de uma pequena vitória moral...
Nani foi vendido em 2007 para o clube inglês, por 25 milhões de euros. Um bom negócio para o Sporting. Uma medida correcta tendo em conta as más condições financeiras do clube, em consequência, também, de um passado recente de vendas a abaixo do real valor da mercadoria conjugadas com compras inflaccionadas, como aconteceu em finais da década de noventa e na primeira metade desta década...
Danny, por exemplo, que agora é uma das principais estrelas do “petrolífero” futebol russo, foi vendido ao desbarato, em 2005, para o Dínamo de Moscovo. Teve algumas oportunidades em Alvalade, mas nunca ninguém acreditou verdadeiramente nas suas qualidades. Em Moscovo, resistiu à desilusão que atingiu a vaga de portugueses que para lá foram, nomeadamente o luso-brasileiro Derlei, e por lá ficou. Tinha valor e muita margem de progressão. E agora, aí temos Danny a fazer estragos no futebol internacional.
Com tantos jogadores de qualidade que são formados em Alvalade, ou que passam pelo clube e dão o salto noutras paragens, há questões que os sportinguistas têm para reflectir, que são estas: por que é que não é possível fazer no Sporting uma equipa de dimensão europeia que, pelo menos uma vez em cada dez anos, repita o feito extraordinário de 1964, que deu ao clube e a Portugal a única Taça das Taças? Estará o Sporting condenado a fazer e desfazer equipas (com a honrosa excepção deste ano, sublinhe-se), sempre na eterna esperança de uma bonança que nunca está à vista? Ou será que o grande Sporting europeu que os sportinguistas ambicionam só será possível com alguém que tenha uma carteira do tamanho da de Abramovich?...
Para além destas perguntas, deixo alguns nomes dos últimos anos: Luís Figo, Nani, Cristiano Ronaldo, Danny, Simão Sabrosa, Vidigal, Ricardo Quaresma, Carlos Martins, Hugo Viana, Deivid, Paíto, Joseph Enakarhire, Tinga, Aldo Dusher, Gabriel Heinze, Luís Boa-Morte... Uns de qualidade excepcional, outros nem tanto, porém, bons executantes. Para além dos que cá estão, obviamente. FOTO: Eric Gaillard (Reuters)

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

O objectivo histórico do Sporting

Já era tempo de o Sporting ter alguma sorte num sorteio da Liga dos Campeões. Tendo pela frente o Barcelona, o Basileia e o Shaktar Donetsk, o Sporting só pode ter um objectivo histórico: ultrapassar a fase de grupos de modo a tentar ir o mais longe possível na competição - coisa que nunca conseguiu. É assim que Paulo Bento tem de encarar a empreitada europeia: como um objectivo histórico do Sporting.
Se não o conseguir, será um grande fracasso, susceptível de ter consequências. Em caso de insucesso, não valerá a pena continuar, todos os anos, a procurar um lugar na principal Liga milionária, na ilusão de que o futebol do Sporting tem um projecto europeu. A não ser que a ambição desportiva se limite a um puro exercício mercantilista para ajudar a suportar o orçamento.
Este sorteio teve ainda outra virtualidade: ao jogar com o Barcelona, o Sporting tem uma oportunidade para reparar a má imagem deixada em Espanha. Neste contexto - o futebol é mesmo extraordinário - a goleada de ontem com o Real Madrid até pode ter efeitos inesperados daqui a algumas semanas. Aguardemos.
Ao invés do Sporting, calhou ao FC Porto a tarefa mais complicada. Num ano em que sobram casos no plantel - Quaresma, Adriano... - Jesualdo Ferreira já deve andar no mercado à procura do melhor dentrífico que lhe permita encontrar a fórmula de enfrentar com sucesso o Arsenal, o Fenehrbaçe e o Dínamo Kiev. Quanto ao Benfica, ainda não joga neste campeonato. FOTO: Francisco Leong (AFP - Getty Images)

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A vergonha de Madrid

Estavam reunidas as condições para uma grande noite de futebol europeu ao mais alto nível, para orgulho da nação sportinguista. O Sporting Clube de Portugal, vice-campeão português e vencedor da Supertaça nacional, era o convidado de honra do Real Madrid para disputar o prestigiado Troféu Santiago Barnabéu, figura maior da história do clube madrileno.
O Real Madrid levou o jogo a sério, a começar por ter apresentado o Estádio de Santiago Barnabéu praticamente cheio, uma novidade para quem está habituado a jogar no futebolzinho de Portugal - sobre o qual Filipe Soares Franco até tinha feito umas declarações interessantes, embora demasiado cautelosas, antes da viagem para Espanha.
A partida também tinha tudo para ser uma excelente amostra da próxima Liga dos Campeões, onde Real Madrid e Sporting poderão cruzar-se. Os jogadores da equipa portuguesa também poderiam ter aproveitado para se mostrarem ao público espanhol. E o Sporting para ganhar experiência internacional e dar expressão à dimensão europeia da sua escola de formação.
Porém, não foi nada disto que sucedeu. Paulo Bento, que até jogou em Espanha e deveria saber do rigor e seriedade com que o Real Madrid encara qualquer jogo, mais a mais internacional e em memória de uma grande referência da sua história, escolheu uma equipa secundária e estragou o espectáculo. Ao intervalo, a equipa leonina perdia por 5-1 depois de um jogo irreconhecível, onde ficámos a saber que jogadores como Pedro Silva, Ronny e Tiuí são grandes candidatos a deixar Alvalade numa próxima remodelação do plantel, uma vez que, manifestamente, não têm categoria para vestir a camisola do Sporting.
Na segunda parte, tudo mudou com a remoção das nulidades (Rochemback incluído) e a entrada dos habituais titulares. Sem se livrar do vexame, o Sporting começou, então, a jogar, perante um Real Madrid relaxado, e até fez dois golos, reduzindo para o 5-3, que foi o resultado final. O problema é que estava em jogo o Troféu Santiago Barnabéu, prova que jamais deve ser encarada como se de um treino se tratasse.
De resto, a ideia de fazer a gestão do plantel não tem qualquer sentido. O próximo compromisso oficial do Sporting só acontece na próxima segunda-feira, em Braga. Mais a mais, a equipa tem de estar preparada para jogar dois dias por semana. Ou muito me engano ou tão cedo o Sporting não será convidado do Real Madrid para jogo nenhum. Esta vergonha de Madrid representa, por isso, um grande passo atrás na dimensão europeia do futebol do Sporting. FOTOS: Victor R. Caivano (AP Photo)

Obs. – Uma nota final sobre Vukcevic. Se não iria jogar por que é que foi convocado?!...

LEÃO DA ESTRELA na imprensa

"Jornal de Notícias", 27-08-2008

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Reconhecer o erro é muito pouco

Paulo Baptista, que chefiou a equipa de arbitragem no Sporting-Trofense, reconheceu que a grande penalidade assinalada contra a equipa leonina foi um erro de arbitragem. Não sabemos se o árbitro de Portalegre viria a público reconhecer que não havia razão para a marcação de uma grande penalidade se a origem da decisão não tivesse partido do seu árbitro assistente, Luís Ramos. Sintomaticamente, Luís Ramos ainda não veio a público dar explicações. E até terá o seu telemóvel desligado. O que não deixa de ser um sinal da coragem de certa arbitragem portuguesa…
Sintomaticamente, ainda, o presidente da Comissão de Arbitragem da Liga, Vítor Pereira, também ainda não pediu desculpas ao Sporting, nem anunciou a que tipo de castigo será sujeito o árbitro assistente Luís Ramos. E seria bom que Vítor Pereira dissesse qualquer coisa. Porque o Sporting, que é candidato ao título nacional, foi gravemente lesado, apesar da vitória.
De resto, por parte de Paulo Bento e do Sporting, não se trata de pressionar as arbitragens logo na primeira jornada. Assim como um jogo tem noventa minutos, podendo acontecer tudo nesse período do jogo, também o campeonato tem 30 jornadas. Por outro lado, como já escreveu o LEÃO DA ESTRELA, mesmo quando se ganha é importante destacar os erros grosseiros das equipas de arbitragem, sobretudo quando eles são decisivos para o resultado final, como foi o caso.
O reconhecimento do erro feito pelo árbitro Paulo Baptista não chega. Entretanto, sobram as declarações acertadas de Paulo Bento - “Estou muito preocupado com as arbitragens...” -, que deveriam, aliás, ser ampliadas e assumidas publicamente por Filipe Soares Franco.

domingo, 24 de agosto de 2008

RECORTES LEONINOS Fábio Rochemback

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“SALVO” PELA NUTRICIONISTA
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Filho de Juarez e Tânia, Fábio Rochemback nasceu em Soledade, pequena cidade do interior do Estado do Rio Grande do Sul, considerada no Brasil como a capital do comércio de pedras preciosas.
Ainda criança, rapidamente deu nas vistas e conquistou a atenção de um dos colossos de Porto Alegre: integrou os escalões de formação do Internacional, desde os infantis, e impôs-se na equipa principal com apenas 19 anos. Fã de Dunga, pela origem gaúcha, estilo e fama de duro, não raras vezes foi comparado ao actual seleccionador brasileiro.
As boas prestações despertaram o interesse do Barcelona e, em 2001, rumou à Catalunha. Apesar de ter apreciado a estadia na cidade condal, onde aprofundou os laços de cumplicidade com os amigos e compatriotas Thiago Motta e Geovanni (que jogou no Benfica), não se deu bem com Van Gaal, que raramente lhe deu oportunidades de jogar.
Insatisfeito, aceitou vir para o Sporting, envolvido na transferência de Quaresma para Barcelona, e conquistou desde logo os adeptos. Em Alvalade, não demorou muito para ser carinhosamente rebaptizado de “Roca”, ou não fosse muito comprido o seu apelido, de ascendência germânica. As três épocas em Alvalade confirmaram os seus atributos, mas também revelaram o gosto pelas saídas nocturnas e a falta de paciência com algumas decisões do treinador – ficou famosa uma discussão com José Peseiro, em pleno relvado.
É comum dizer-se que a passagem pelo futebol inglês tornou “Roca” mais maduro. Mas tal evolução é passível de uma explicação mais profunda: Giancarla. Depois de alguns meses de namoro, esta nutricionista de profissão casou-se com o jogador, numa cerimónia privada realizada na fazenda de Rochemback, em Soledade, e já anunciou estar à espera do primeiro rebento, que nascerá lá para Março. A profissão da sua mulher até parece ter sido escolhida de propósito… (...)
FONTE: “Diário de Notícias” – Guia Liga 2008-2009

sábado, 23 de agosto de 2008

Quando treinador e "capitão" divergem...

Quando os jogadores são chamados a prestar declarações aos órgãos de comunicação social no final de um jogo, eles são chamados a comunicar com o exterior, falando em nome do clube que representam. Vem isto a propósito da divergência de opiniões entre João Moutinho e Paulo Bento sobre a grande penalidade inexistente a favor do Trofense que resultou no primeiro golo sofrido pelo Sporting na Liga 2008-2009, num jogo em que ganhou por 3-1.
Quando o jornalista da Sport TV pediu a João Moutinho uma opinião sobre o caso do jogo, ou seja, perguntando-lhe se Anderson Polga derrubou o adversário fora ou dentro da área, o "capitão" do Sporting limitou-se a responder assim: “Não sei. Espero que o árbitro tenha acertado...”.
Bom, se João Moutinho tinha dúvidas, deveria tê-las dissipado antes de se apresentar aos microfones. De qualquer modo, alguém do Sporting teria obrigação de informar o jogador previamente sobre o clamoroso erro do árbitro. O que não pode acontecer é vermos o treinador a dizer que não foi grande penalidade e o “capitão” da equipa a dizer que não sabe. Mais a mais quando isto acontece precisamente um dia depois de Paulo Bento ter manifestado preocupação com as arbitragens. Se o Sporting comete erros de comunicação deste género, não falando a uma só voz, bem pode o treinador continuar preocupado... FOTO: Hugo Correia (Reuters)

Vitória manchada pela arbitragem

Mesmo quando se ganha é importante destacar os erros grosseiros das equipas de arbitragem, sobretudo quando eles são decisivos para o resultado final, como foi o caso, na estreia do Sporting na Liga Portuguesa 2008-2009. A equipa leonina começou bem, com uma vitória por 3-1 sobre o primodivisionário Trofense, mas passou ao lado de uma goleada e acabou por sofrer um golo graças a uma grande penalidade inexistente.
Os golos leoninos foram marcados dentro da primeira meia hora, por Tonel (4’), Izmailov (24’) e Yannick Djaló (um bonito golo de calcanhar, imitando Madjer, aos 28’). O jogo parecia destinado a uma goleada à moda antiga, uma vez que o Trofense, desorientado e nervoso e muito curto, mais parecia a selecção das Ilhas Feroé. Só que a equipa leonina tirou o pé do acelerador e o adversário foi ganhando confiança e subindo no terreno, tendo obrigado Rui Patrício a mostrar as suas qualidades. No seu melhor período, o Sporting mostrou que, com Rochemback, ganhou um autêntico abre-cápsulas, sobretudo em lances de bola parada. O médio brasileiro marcou o pontapé-de-canto que proporcionou a Tonel o primeiro golo leonino na Liga e o livre que daria o segundo golo, por Izmailov, na recarga a um primeiro remate de Yannick à barra.
A segunda parte ficou marcada pelo lance da grande penalidade inexistente (59'). Anderson Polga tinha sido ultrapassado e derrubou Edu Souza, quando este estava isolado. O árbitro auxiliar de Paulo Baptista considerou que era grande penalidade, só que a falta tinha sido cometida bem fora da área. Um erro de arbitragem grave. Polga foi expulso, o que não se discute, e Pinheiro enganou Patrício, marcando o golo solitário da equipa da Trofa que, diga-se, pelo que fez a longo da partida, até fez por merecer.
A jogar com dez, o Sporting manifestou algumas dificuldades e limitou-se a gerir a vantagem. Daí resultou uma segunda parte pachorrenta, a fazer lembrar os piores jogos da temporada passada. A diferença é que a vitória estava assegurada. Até ao fim, ainda houve uma ou duas oportunidades de golo para cada lado. FOTOS: Hugo Correia (Reuters)

As revelações de Octávio Machado

"Ter saído do Sporting foi o maior erro da minha carreira. Sinceramente, não devia ter abandonado o clube naquela altura, devia ter denunciado as manobras do Norton de Matos. Em termos de gestão da minha carreira, eu devia ter enfrentado pessoas como o Norton.”
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Octávio Machado, o homem que celebrizou a frase “Vocês sabem do que é que eu estou a falar…”, vai lançar um livro, justamente com o título “Vocês Sabem Do Que Estou a Falar”, no qual relata múltiplas histórias que viveu ao longo da sua carreira. Uma carreira que, para além de ter ficado marcada por muitos anos de ligação ao FC Porto, como jogador, treinador-adjunto e principal, regista uma importante passagem pelo Sporting, em meados da década de noventa.
Octávio Machado foi contratado pelo então presidente Pedro Santana Lopes - o primeiro da era-Roquette -, a meio da época 95-96, para substituir Carlos Queirós e um interinato de Fernando Mendes. A ideia era contratar um treinador que pusesse ordem no balneário do Sporting. Mas Octávio ficaria a meio do seu trabalho. Ganhou uma Supertaça de Portugal ao FC Porto – numa altura em que os portistas eram praticamente invencíveis e caminhavam rumo ao pentacampeonato –, mas o treinador nunca teve vida fácil em Alvalade.
Para além da curiosidade de ter sido o treinador do Sporting três temporadas consecutivas incompletas, Octávio fica na história dos três grandes do futebol português como o único treinador que, depois de ter assumido o comando técnico principal da equipa, passou, na época seguinte, a treinador-adjunto. Aconteceu em 1996-97, em que começou como colaborador do belga Robert Waseige. Mas poucos meses depois, aquele que ficou conhecido como o “eterno adjunto” do FC Porto, acabou por ocupar o lugar de Waseige, terminou em 2º lugar no campeonato, garantindo ao Sporting, pela primeira vez, o acesso à Liga dos Campeões.
Octávio ainda iniciou a temporada 97-98, mas, acossado por um mau ambiente em Alvalade e pelos “maus resultados”, segundo as exigências daquele tempo, acabou por se demitir após um empate caseiro com o Varzim. À oitava jornada, o Sporting registava quatro vitórias, três empates (uma deles na Luz) e uma derrota, em Guimarães. Até ao fim de uma temporada que foi um descalabro, o Sporting ainda teve mais três treinadores: Francisco Vital, Vicente Cantatore – um chileno que não durou um mês… – e Carlos Manuel. No final, a equipa não conseguiu mais do que o quarto lugar no campeonato e os quartos-de-final na Taça de Portugal.

MANOBRAS E SOBREMESAS ÁCIDAS...

Pouco mais de dez anos depois, Octávio Machado, que deixou o futebol e é vereador do PSD na Câmara Municipal de Palmela, resolve contar em livro aquilo que ele dizia que nós sabíamos que ele estava a dizer. Segundo uma pré-publicação do livro, reproduzida pelo semanário “Expresso” deste sábado, Octávio, para além de dar conta dos meandros do futebol potuguês, revela pormenores do balneário do Sporting que ajudam a explicar o insucesso da equipa durante muitos anos. E confessa que não devia ter abandonado o clube e que deveria ter enfrentado “pessoas como Norton de Matos”, então director desportivo do Sporting, e as suas “monobras”. Eis o excerto do livro, sobre a passagem de Octávio pelo Sporting:
“Havia ainda certos jogadores que só pensavam nos prémios de jogo. O Sporting era, aliás, a equipa que recebia mais prémios sem ganhar absolutamente nada. (…) Quando comecei a trabalhar em Alvalade, o Sporting parecia um clube social, todos os dias o chão daquele balneário ficava ladrilhado de convites para inaugurações disto e inaugurações daquilo. E alertei-os para o facto de o Sporting não poder continuar a proceder daquela maneira: ‘Desculpem lá, não pode ser. Eu fico com a sensação de que vocês vêm treinar para depois irem à inauguração de qualquer coisa, parece que o treino é onde vocês vêm passar um bocado, só para preparar a noite e ver onde é que se vai à inauguração da discoteca tal, à festa do bar tal, à passagem de modelos tal… Não, não pode ser! Porque as sobremesas nesses sítios são ácidas. Vocês não podem passar por um clube desta dimensão e não ficarem na história do Sporting. Vocês têm de ganhar coisas.’
Havia dirigentes que não compreendiam que ter um balneário a receber dez convites por noite não pode ser o objectivo de uma equipa de futebol profissional, mais a mais num clube como o Sporting. É admissível, por exemplo, que nas reuniões entre a equipa técnica e os jogadores apareça um alto funcionário do clube a entregar convites para a inauguração disto e daquilo? (…)
Hoje, reflectindo sobre tudo isto, chego à conclusão que ter saído do Sporting foi o maior erro da minha carreira. Sinceramente, não devia ter abandonado o clube naquela altura, devia ter denunciado as manobras do Norton de Matos. Em termos de gestão da minha carreira, eu devia ter enfrentado pessoas como o Norton.”

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Cláusulas para inglês ver

No caso de o Chelsea acabar por decidir comprar o passe de Fábio Paim, até ao final desta época, o Sporting só irá receber uma verba entre os 7 e os 8 milhões de euros. O jogador tem contrato com o Sporting até 2010, alegadamente protegido por uma cláusula de 25 milhões de euros. Só que, para essa cláusula ter efeito, o jogador teria que ser valorizado desportivamente, ou seja, teria que ter jogado e mostrado seu valor de acordo com as expectativas criadas quando assinou o contrato profissional. Aparentemente, e salvo explicação cabal, que só o Sporting poderá dar, tudo isto não passa de uma artimanha jurídica prevista nos contratos para justificar uma avaliação muito subjectiva (a valorização desportiva de um jogador a quem o clube não deu oportunidades na equipa principal, optando pelo seu empréstimo). Ou seja, a cláusula de 25 milhões é só para inglês ver. Neste caso, para inglês ignorar...

"Duas finais" para começar...

O Sporting faz a sua estreia da I Liga Portuguesa 2008-2009 neste sábado, em Alvalade, frente ao recém-promovido Trofense. Na segunda jornada, desloca-se a Braga, naquele que será o primeiro dos jogos teoricamente mais difíceis. Depois, a Liga vai parar durante três semanas, por causa dos primeiros compromissos da selecção de Portugal relativos à campanha de apuramento para o Mundial 2010.
No ano em que o Sporting quer ser campeão – e em que dispõe de todas as condições para concretizar esse objectivo –, é importante começar bem, ou seja, com duas vitórias nos dois primeiros jogos. A soma de seis pontos colocará os adversários directos sob pressão, nomeadamente da comunicação social, mais a mais quando teremos um Benfica-FC Porto logo na segunda jornada. Ou seja, após a segunda jornada será impossível que todos os três tradicionais candidatos ao título nacional tenham seis pontos. E o Sporting até poderá ser o único tê-los.
Para isso, e apesar de serem os dois primeiros jogos da prova, é importante que Paulo Bento e os jogadores assumam os dois primeiros jogos como se estivéssemos perante “duas finais”. E, exceptuando o que aconteceu na Taça da Liga 2007-2008, o Sporting até tem sido muito bom em jogos de finais…
Rever o vídeo da goleada de 3-0 sofrida em Braga, na temporada passada, em resultado de uma exibição humilhante, também seria capaz de não fazer mal nenhum, até como forma de espicaçar os jogadores leoninos…
A história recente da Liga portuguesa tem provado que os campeonatos se conquistam nas primeiras jornadas. Tem sido aí que o FC Porto, campeão nas últimas três temporadas, tem ganho o balanço de que necessita para as suas conquistas.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

SPORTINGUISTAS Carla Matadinho

Carla Matadinho, sócia nº 93.251 do Sporting Clube de Portugal e um dos rostos da campanha promocional da angariação de novos associados, juntamente com os consócios Anderson Polga, Bárbara Elias e Pedro Granger. "Que o Sporting seja campeão", deseja a modelo.

O ouro que veio de África

Nélson Évora, um atleta de classe mundial que nasceu na Costa do Marfim e é de origem caboverdiana, salvou a honra do convento português nos Jogos Olímpicos de Pequim, ao conquistar a medalha de ouro no triplo salto em comprimento, que se junta à medalha de prata de Vanessa Fernandes no triatlo. É bom para Portugal, e, sobretudo, para a comunidade de imigrantes africanos, uma vez que, muitos deles, como sabemos, são tratados abaixo de cão na sociedade portuguesa. E, já agora, é bom para a propaganda do presumível ecletismo do Benfica. É a primeira medalha de ouro de um atleta benfiquista nas olimpíadas. A primeira medalha de ouro de Portugal nos jogos mundiais fora conquistada em 1984 pelo viseense do Sporting Carlos Lopes, vencedor da maratona, em Los Angeles. FOTO: Kevin Frayer - AP Photo

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Fábio Paim, o novo filho de Scolari

A transferência do eterno jovem prodígio Fábio Paim do Sporting para o Chelsea é mais uma boa notícia deste “defeso” leonino, que, a curto prazo, pode ser transformada num excelente negócio para o clube de Alvalade. Desde que, evidentemente, o jogador prove em Inglaterra todo o seu potencial futebolístico.
Uma lesão grave sofrida ainda nos juniores do Sporting, atrapalhou a integração natural de Fábio Paim na equipa principal. Se a isto juntarmos o seu perfil considerado “difícil”, ele que desde adolescente é considerado uma vedeta, chegamos à conclusão que o Sporting não seria bem o clube ideal para o crescimento do jogador. Andou pelo Olivais e Moscavide, em 2006-2007, pelo Trofense, na primeira parte da época passada, e pelo Paços de Ferreira no resto da temporada. Aqui, estreou-se na I Liga, mas jogou apenas 124 minutos, repartidos por sete jogos, não se tendo ouvido falar dele por algo de extraordinário que tenha feito. Sem espaço para crescer no Sporting, parecia condenado a um desaparecimento gradual. Isto depois de ter sido campeão nacional nas camadas jovens do Sporting e de ter sido presença assídua nas selecções nacionais.
Daí que o Chelsea possa representar uma segunda vida para o jogador – ainda que esta transferência tenha tudo a ver com as boas relações entre o agente do jogador, Jorge Mendes, e o ex-seleccionador nacional Luiz Filipe Scolari. Aos 20 anos, Fábio Paim é uma “vedeta” que vai trabalhar com outras vedetas. Pode ser que o seu vedetismo se esbata entre muitos outros, dando lugar a um trabalho sério, rigoroso e, sobretudo, muito sereno. Há miúdos que precisam de serenidade e de um grande ambiente. Pode ser que Luiz Filipe Scolari trate dele como um filho. E aí, o futebol de Fábio Paim poderá explodir, fazendo o Sporting encaixar uns milhões e valorizar ainda mais os produtos da sua academia de futebol no exigente mercado inglês…

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Vanessa e a miséria nacional

A medalha de prata de Vanessa Fernandes nos Jogos Olímpicos de Pequim foi capaz de me comover. Por uma razão fundamental: a sua chegada ao pódio foi o corolário do seu trabalho, de muito trabalho, e do apoio incondicional de uma família muito unida. Vanessa é uma atleta na acepção mais completa da palavra. Vive do desporto e para o desporto. Enquanto nós, pelas cinco da manhã, estamos em sono profundo, ela já está a preparar-se para os treinos diários. Merece, por isso, a medalha de prata. Como merecia a de ouro.
Como Vanessa, já tivemos, entre outros, Joaquim Agostinho, no ciclismo, Carlos Lopes e Rosa Mota, no atletismo. Atletas completos. O que é triste para Portugal é que, apesar de milhões e milhões de euros vindos da União Europeia, nos últimos 20 anos, para a construção de equipamentos desportivos em todo o País, melhorando as condições de treino e criando condições para o fomento de modalidades mais técnicas, a verdade é que a dignificação da nossa presença numa edição dos Jogos Olímpicos continua, como há 30 anos, dependente de um ou outro atleta de eleição. Como agora, de Vanessa Fernandes. E isto deveria preocupar as federações desportivas e o Governo, que pagou 15 milhões de euros pela representação portuguesa em Pequim.
Donde, a excitação que estamos a assistir nas televisões, para quem o mundo se resume a uma medalha de prata da atleta portuguesa, é a face visível da miséria desportiva nacional. Que alguns atletas, diga-se, fazem questão de publicitar da forma mais desabrida, como aquela do judo que se queixou da arbitragem ou aquele de outra modalidade que agora não me ocorre que, depois de ter sido eliminado, não teve pejo em revelar que as suas manhãs são para dormir.
Em termos de medalhas conquistadas em Pequim, Portugal “disputa” um dos últimos lugares, ao lado de “potências” desportivas como o Chile, o Equador, Trinidad e Tobago, Singapura, Malásia e Vietnam - para mencionar aqueles que também registam uma medalha de prata. E países com a dimensão populacional de Portugal - e, já agora, da nossa Europa -, como, por exemplo, a Holanda, já ultrapassaram as dez medalhas conquistadas. E, se calhar, com menos estardalhaço mediático que a medalha solitária de Vanessa está a provocar… FOTO: Associated Press

Obs. - Contrariamente a algumas opiniões expressas nos últimos comentários, não me incomoda nada que o pai de Vanessa Fernandes - o antigo grande ciclista Venceslau Fernandes - tenha andado em Pequim com a camisola do Benfica. Se a atleta fosse do Sporting, certamente que o pai vestiria a camisola leonina. E nós, como sportinguistas, ficaríamos todos contentes.

domingo, 17 de agosto de 2008

FRASES LEONINAS Paulo Bento

"Tivemos sorte em alguns momentos, não nos custa reconhecer. Refiro-me especialmente à grande penalidade falhada pelo FC Porto em que a equipa poderia pressionar ainda mais e tentar chegar à igualdade. Foi uma vitória justa, mas penso que a vantagem mínima seria mais adequada."
Paulo Bento, sobre a vitória do Sporting sobre o FC Porto por 2-0, "Record Online", 16-08-2008
FOTO: AFP - Getty Images

sábado, 16 de agosto de 2008

Uma vitória da formação do Sporting

Até agora, todas as crónicas dos especialistas nos tinham dito que o FC Porto está tão forte como na temporada passada e que parte para o novo ano futebolístico à frente da concorrência, e que o Sporting, assim como o Benfica, melhoraram em relação ao ano anterior, mas só terão conseguido diminuir o fosso de qualidade em relação ao todo-poderoso tri-campeão nacional. Porém, por aquilo que se viu no excelente jogo do Estádio do Algarve, para a Supertaça Cândido de Oliveira 2007-2008, com uma vitória claríssima do Sporting sobre o FC Porto, por 2-0, com dois golos de Yannick Djaló, “assistido” por defesas contrários, é bom que os analistas revejam os seus comentários e coloquem a equipa leonina pelo menos em pé de igualdade face à concorrência portista, nomeadamente no que concerne a uma candidatura ao próximo título nacional.
Com uma exibição plena de concentração, de força, de garra e de sentido colectivo, o Sporting conquistou a sétima Supertaça Portuguesa da sua história – e, pela primeira vez, a segunda consecutiva –, num jogo em que toda a equipa jogou bem, embora o destaque exibicional tenha de ser entregue a Yannick Djaló, pelos dois golos e pela constância do seu futebol, demonstrando que cresceu muito como jogador, e a Rui Patrício, que defendeu um penálti num momento decisivo e assinou uma mão cheia de outras boas defesas, tendo realizado talvez a sua melhor exibição ao serviço da equipa de Alvalade.
Yannick Djaló e Rui Patrício foram as estrelas mais cintilantes da grande noite algarvia, pelo que a conquista desta Supertaça Cândido de Oliveira é também uma grande vitória da escola de formação do Sporting Clube de Portugal, cuja equipa é, este ano, a mais portuguesa dos históricos três grandes.
É certo que o FC Porto também procurou o golo. Só que o Sporting foi mais feliz, mas não ficou à espera da sorte. Lutou por ela. É verdade que no melhor período do Porto, Lucho Gonzalez rematou com estrondo ao poste de Rui Patrício. Mas o poste estava lá para alguma coisa. E, de resto, essa jogada até contou com a colaboração do árbitro Carlos Xistra, já que o seu corpo cortou um passe de Rochemback que iria rasgar a defesa contrária, permitindo uma contra-ataque portista... E também é verdade que o Sporting fez o primeiro golo a poucos segundos do intervalo. Mas se os avançados leoninos não pressionassem e não procurassem a bola com a intensidade competitiva que se exigia, provavelmente não recuperariam os ressaltos que vieram dos pés dos defesas portistas e resultaram nos dois golos que, aos 44’ e 58’, decidiram a conquista de mais um troféu para o museu leonino.
O Sporting ganhou também porque mexeu muito menos na estrutura da equipa em relação à época passada. E lançou no jogo nove jogadores portugueses (seis deles formados em Alvalade), contra apenas quatro do FC Porto. Talvez isso também ajude a explicar a estranha desorganização da equipa demasiado sul-americanizada de Jesualdo Ferreira quando ficou em desvantagem no resultado, ou seja, em praticamente toda a segunda parte.
A equipa leonina começa a temporada novamente com uma vitória sobre o FC Porto. Mas há diferenças evidentes em relação à época passada. Este ano, a Supertaça foi conquistada através de uma exibição muito superior e num jogo vivo e muito dinâmico, a demonstrar que os jogadores leoninos querem mesmo ser campeões. E ao contrário de Jesualdo Ferreira – que tem agora um problema chamado Ricardo Quaresma para resolver com urgência… –, Paulo Bento tem agora um banco de suplentes à altura. Por muito menos dinheiro…
Igual ou pior do que na época passada continua a arbitragem. Carlos Xistra, o tal "leão da serra", como foi apelidado na semana finda pela impensa desportiva nortenha, começou o jogo com uma gritante dualidade de critérios, deixando passar impunes cargas violentas de Bruno Alves sobre Derlei. Em vez do cartão amarelo, Xistra optou por mostrar conversa, muita conversa... E a grande penalidade assinalada contra o Sporting é, no mínimo, muito duvidosa. Pelo contrário, no primeiro lance alegadamente faltoso sobre Cristiano Rodriguez, a "conversa" com Anderson Polga limitou-se à amostragem de um cartão amarelo, condicionando o defesa leonino logo nos primeiros minutos. E Polga nem sequer atingiu intencionalmente o jogador portista, tocando-lhe de raspão depois de chutar a bola, porque, em virtude da lei da gravidade, o pé do jogador brasileiro tinha de voltar ao relvado... FOTOS: Jose Manuel Ribeiro (Reuters) e Paulo Duarte (AP Photo)

FRASES LEONINAS Francis Obikwelu

"Quero agradecer aos portugueses, porque toda a gente vê as minhas provas e quero pedir desculpa, porque estão a pagar para eu estar aqui e não consegui chegar à final. É um momento mau, porque esse é o meu trabalho. Queria dar pelo menos a final. Sinto-me na obrigação de pedir desculpas, porque esse é o meu trabalho e pagam-me para fazer isto. Deixei o meu País ficar mal."
Francis Obikwelu, atleta luso-nigeriano do Sporting, após ter falhado o apuramento para a final dos 100 metros, nos Jogos Olímpicos de Pequim, onde anunciou o fim da sua carreira, aos 29 anos, "Público", 16-08-2008

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

O jornal do Benfica

Para que nenhum sportinguista tenha dúvidas, aqui se prova que "A Bola" é mesmo o jornal do Benfica. Nas últimas sete edições, de 9 a 15 de Agosto, inclusive, as sete manchetes são dedicadas ao antigo "glorioso". Ele é a "chama imensa"; ele é o Benfica "igual ao Real Madrid"; ele é a "euforia na Luz"; ele é Luís Garcia que "só pensa no Benfica"; ele é o David Luiz que "está OK"; ele é a certeza de que "vamos ser campeões"; ele é o jogo-treino com o Inter de Milão, para homenagear Eusébio com 30 anos de atraso, que é mais importante que a Supertaça Portuguesa. Para o jornal da Travessa da Queimada, que não teve uma linha para recordar que há 53 anos Travassos foi o primeiro futebolista português a integrar a selecção da Europa, esta semana só houve Benfica no desporto português. A questão é que, editorialmente, para o jornal "A Bola", esta semana é igual às restantes 51 do ano. No fundo, no fundo, não é mau de todo. Porque, em parte, também é por terem um jornal oficioso que eles, os benfiquistas, só têm apanhado desilusões atrás de desilusões, curiosamente, pagas a peso de ouro... Tendo isto em conta, só não se entende que, por vezes, o departamento de comunicação do Sporting utilize "A Bola" para ceder certas entrevistas ou informações exclusivas...

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

MEMÓRIAS LEONINAS

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O BRILHANTE "ZÉ DA EUROPA" (*)
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Em 1951, um jornalista inglês escreveu: "Portugal não figura entre os seis primeiros países da Europa do futebol, mas possui um interior-direito, Travassos, que vale quatro mil contos. Travassos, com um penteado impecável, é tão brilhante com os pés como o seu inalterável penteado de brilhantina”.
José Travassos foi o primeiro jogador português a ser convocado para representar a selecção da Europa. Foi um feito extraordinário para a época, uma vez que não se realizavam competições europeias e os jogos da selecção nacional portuguesa eram escassos.
Foi a 13 de Agosto de 1955, faz hoje 53 anos, numa partida realizada em Belfast, no Windsor Park, contra a Grã-Bretanha. A partir desta altura, passou a ser conhecido por "Zé da Europa".
A Selecção da Europa venceu, por 4-1 e alinhou do seguinte modo: Buffon (Itália); Gustavsson (Suécia), Van Brandt (Bélgica) e Ocwirk (Áustria); Jonquet (França) e Boskov (Jugoslávia); Sorensen (Dinamarca), Travassos (Portugal), Kopa (França), Vukas (Jugoslávia) e Vincent (França).
José Travassos foi indiscutivelmente uma das maiores figuras de todos os tempos do futebol português, e, naturalmente, uma figura inesquecível para todos os sportinguistas. A camisola da selecção da Europa que envergou nesse dia encontra-se exposta no Mundo Sporting (museu).
TÍTULO: LEÃO DA ESTRELA

O leão da serra

Carlos Xistra, o árbitro do Sporting-FC Porto na Supertaça Cândido de Oliveira, é apresentado pelo diário “O Jogo” como “um leão da serra”. A “brincadeira” do jornal de Joaquim Oliveira na semana em que será decidido mais um título do futebol português resulta do facto de Xistra ter sido futebolista das camadas jovens do Sporting da Covilhã onde terá jogado com “ímpetos de leão”... Lendo todo o texto, assinado por uma jornalista experiente da redacção do Porto, somos levados a concluir que Carlos Xistra será mais um sportinguista que anda por aí a apitar jogos de futebol, “já que toda a família deste pacato funcionário público é ou foi adepta do Sporting”.
Como evidenciam estas revelações bombásticas do jornal do Porto, estamos perante mais um meio de pressão da imprensa do regime, que entra em campo nos momentos decisivos...
Apesar do “Apito Dourado”, onde ficou provado que o Sporting foi o único grande clube português a passar ao lado das manobras da corrupção desportiva, a verdade é que continuamos a ter árbitros sportinguistas por todo o lado, como demonstram as imagens em cima, ambas da época passada... Não há nenhum benfiquista. E portistas é que não há mesmo…

Obs. - Como complemento, e para que fiquem com uma ideia do que poderá acontecer em termos de arbitragem no jogo deste sábado para a Supertaça, aconselho os sportinguistas a lerem o blog benfiquista O Inferno da Luz, e a sua proposta de afastamento de Carlos Xistra do Sporting-FC Porto, e também o blog portista Mundo Azul e Branco, onde, numa estratégia de vitimização, quase dez anos depois, ainda se fala de uma arbitragem de Campo Maior, e se contesta a nomeação de Carlos Xistra, sobrando queixas sobre a sua arbitragem no Sporting-FC Porto da Liga 2007-2008, um jogo onde, por exemplo, Bruno Alves pisou ostensivamente uma coxa de Moutinho, que estava no chão, fora da jogada, e só viu um cartão amarelo...

terça-feira, 12 de agosto de 2008

RECORTES LEONINOS

DOIS MUNDOS NO MESMO PAÍS
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Moutinho anunciou que queria sair. Alvalade e o futebol português abanaram. A SAD lançou um comunicado, o presidente pronunciou-se duas vezes, o treinador três, os jogadores foram perseguidos por microfones, os jornais fizeram manchetes, as rádios programas, as televisões sondagens, os adeptos assobiaram. Tudo isto com o “28” a correr, a marcar, a levar uma vida normal. Se tivesse sido envolto numa redoma, impedido de jogar, de falar e de aparecer, desabaria em Alvalade um mundo de dúvidas, de teorias, de pressões. Pois no FC Porto, Quaresma está apto, mas não exerce a profissão. Nem diz nada. O presidente, desde que exigiu 40 milhões, também não, os técnicos deixam evasivas, a imprensa local não se inquieta. Dois mundos num País tão pequeno.
AUTOR: João Almeida Moreira, “Record”, 12-08-2008

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Quando a boca foge para a verdade...

"Eu não sou muito de fazer fintas... Sou mais de defender a baliza. Sou mais de acertar nas pernas do que na bola. Às vezes dou algumas porradas..."

Propaganda & engenharia...

A propaganda já está a colocar o Benfica nos píncaros. Ainda sem ganhar nada de oficial, Quique Flores é o novo herói nacional, o rosto da "chama imensa", como diz "A Bola", esse farol de letras e imagens da nação benfiquista... É Portugal a fazer ídolos com pés de barro. Talvez uns jogos da I Liga desfaçam o entusiasmo e façam com que eles desçam à terra...
Por falar em propaganda, também o FC Porto é colocado no mais alto pedestal da bola lusitana. É certo que o histórico de vitórias da I Liga nos últimos anos legitimam as melhores expectativas. Assim como é certo que essas certezas do sucesso portista vendidas pela nossa imprensa são uma preciosa ajuda para o grupo de trabalho nortenho. Até o facto de um irritado Jesualdo Ferreira, em pleno jogo, ter prometido dar uma sova em Fucile, quando o jogador sul-americano marcou um penálti mais em arte do que em força, num torneio de Braga, passa como momento humorístico. Em outros clubes seria um sinal de grande indisciplina no balneário…
E as notícias sobre o Sporting?... Mesmo com João Moutinho a receber palmas da larga maioria dos escassos 18 mil adeptos que foram a Alvalade ver a vitória sobre a Sampdoria, com alguma imprensa, também a exagerar, dizendo que o jogador “só ouviu aplausos”, ainda há quem garanta, como revela “A Bola”, que o Everton insiste em estudar uma engenharia financeira que leve o médio leonino para Inglaterra. Confirmando, assim, que não há dia sem engenharias… jornalísticas.
Por isso, João Moutinho, mesmo tendo tido a felicidade de marcar um golo de penálti que dedicou às bancadas, num trabalho corajoso de Paulo Bento, deveria aparecer em público para dizer que fica mesmo em Alvalade, eliminando, assim, quaisquer dúvidas sobre a sua permanência. Sobretudo agora que a nação sportinguista até parece disponível para ouvi-lo, aceitando o seu anunciado desejo de sair como um devaneio de Verão. Talvez, desse modo, a presença do "capitão" leonino em campo contra o FC Porto fosse mais forte, desde logo porque mais apoiada. Caso contrário, os sportinguistas ficam sem saber o que poderá acontecer até 31 de Agosto, quando fechar o mercado. FOTO: www.sporting.pt

domingo, 10 de agosto de 2008

FRASES LEONINAS Miguel Veloso

“O Sporting deu-me tudo. (...) Foi a casa que me deu tudo quando precisei.”
Miguel Veloso, RTP, 11-08-2008, confirmando que continua em Alvalade

sábado, 9 de agosto de 2008

Uma equipa cada vez mais sólida

Um golo de grande penalidade foi a cereja no bolo no processo de reconciliação de João Moutinho
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Ao cabo de um mês de trabalho e no último jogo de preparação antes do compromisso com o FC Porto para a Supertaça Cândido de Oliveira, pelo segundo ano consecutivo, o Sporting recebeu e bateu por 2-0 a Sampdoria, equipa sexta classificada na última Liga Italiana. Antes do primeiro embate oficial com os portistas, a Sampdoria acabou por ser o adversário ideal para Paulo Bento testar graus de dificuldade superior, podendo dizer-se que o Sporting passou com uma nota bem positiva, estando preparado para iniciar a temporada e lutar pela vitória em todas as frentes nacionais.
Com um “onze” inicial que, em relação à época passada, só tinha Rochemback como novidade, o Sporting começou por mostrar o melhor que já sabe fazer: defender com personalidade e segurança. De tal modo que a Sampdoria, nos primeiros 20 minutos, que foram o seu melhor período, não conseguiu rematar à baliza então ocupada por Rui Patrício. Quando Derlei, aos 25 minutos, fez o primeiro golo, num dos escassos lances rápidos de contra-ataque, em entendimento com Yannick Djaló, o conjunto leonino assinava o primeiro remate da partida. Um sinal das dificuldades no último terço do campo, compensadas, no entanto, pela eficácia. Neste caso, curiosamente, à italiana...
Na segunda parte, a Sampdoria passou a jogar com dez e o seu jogo perdeu comprimento. A saída de Rochemback por troca com Miguel Veloso acabou por ser benéfica para o Sporting, com o médio português a fazer girar a bola com mais amplitude, alargando o jogo leonino e o seu caudal ofensivo. O segundo golo acabaria por acontecer através da marcação de uma grande penalidade, convertida por João Moutinho - pouco depois de o árbitro não ter assinalado outro penálti, porque Rodrigo Tiuí, ansioso ou inexperiente, não desistiu da jogada...
É verdade, o “capitão” João Moutinho actuou desde o início e foi mais aplaudido do que assobiado. A grande penalidade, a uma dezena de minutos do fim, foi uma espécie de cereja em cima do bolo, uma vez que lhe deu a oportunidade de marcar um golo e experimentar os aplausos do público. Que continuaram logo a seguir com a sua substituição por Adrien Silva. Este jogo foi, por isso, a primeira etapa de um processo de reconciliação do jogador com o público que requer tenacidade. Resta saber como evolui esse processo no interior do balneário. O abraço de Moutinho a Caneira foi um bom prenúncio. Veremos o que acontecerá…
Uma nota final para a indisciplina que alguns jogadores do Sporting têm demonstrado nesta pré-temporada. Já com o PSV, Pedro Silva fora expulso de uma forma estúpida. Desta vez, foi Derlei que parecia andar a pedir o cartão vermelho. E também Rochemback arriscou a expulsão numa entrada muito dura às pernas de um adversário. É evidente que todos os jogos de preparação devem ser encarados como jogos oficiais. Porém, quando a SAD do Sporting optou por contratar jogadores experientes estava justamente a tentar prevenir assomos de imaturidade dentro do campo. Se Paulo Bento não tem mais baixas por indisciplina para o confronto com o FC Porto fica a dever essa a Pedro Proença... FOTO: "Record Online"

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Um caso "fechado" mas pouco...

É de elogiar a firmeza e a tenacidade com que o presidente do Sporting, Filipe Soares Franco, tem enfrentado o “caso” João Moutinho. Para o presidente, o “caso” é “puramente interno” e “está fechado”. Ora, não é bem assim.
Ponto um: não é puramente interno, porque Moutinho colocou-o na praça pública de forma estrondosa e requintada. Até só quis falar para os órgãos de comunicação escrita, não havendo imagens televisivas do jogador a dizer que quer sair. Se as houvesse, nos últimos dias, teriam sido transmitidas até à exaustão...
Ponto dois: Moutinho ainda não pediu desculpa aos associados, dirigentes, jogadores e outros funcionários do Sporting. Pelo contrário, afirmou que não estava arrependido do que tinha dito: “O que disse, disse, e fico por aqui. São coisas que disse e que sentia, a minha vontade, mas não me arrependo.”
Ponto três: o “caso” não está fechado, porque, tendo em conta a sua natureza e a conjuntura em que foi criado, dificilmente acaba por decreto. Basta ouvir os associados e reflectir nas palavras azedas de Moutinho depois de umas declarações de Caneira…
Ignorar estes pontos é promover a paz podre no balneário.

RECORTES LEONINOS

FALSAS EXIGÊNCIAS
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O director-geral do Sporting, Pedro Afra, anunciou ontem o objectivo de vender 33 mil “gameboxes” [nota do LEÃO DA ESTRELA: lugares de época no Estádio José Alvalade]. Para combater a crise, dizem. A meta anunciada é, de facto, pobrezinha. A época passada os “leões” venderam 32 mil. Este ano, apontam ao mesmo. Curioso assistir à falta de ambição da máquina de um clube que diz querer ser campeão, que o exige a técnicos e jogadores e depois o resto da estrutura contenta-se em fazer o mesmo da temporada passada. Lembro-me de um grande sportinguista que me dizia que, em Alvalade, apenas à equipa eram apresentadas exigências. Sou obrigado a concordar. Para dar a volta à crise, [Filipe Soares] Franco tem de instalar outra cultura de exigência, transversal a todo o clube. Urgente. (…)
Bernardo Ribeiro, "Record", 08-08-2008

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Milhões de explicações

Se quiser voltar a ter os dois pés e a cabeça dentro do Sporting, mas não souber como se explicar aos sportinguistas e aos colegas do grupo de trabalho, João Moutinho pode comprar e ler o "Público" desta quinta-feira. Pode ser que a entrevista de Cristiano Ronaldo, em que o antigo craque do Sporting explica por que é que ficou em Manchester e não cedeu aos milhões do Real Madrid, dê a Moutinho umas luzes para uma explicação cabal sobre a embrulhada em que se meteu.

SPORTINGUISTAS Pedro Pires

O Sporting pode orgulhar-se de ter como adepto fervoroso pelo menos um Presidente de um Estado estrangeiro. É o caso do Presidente da República de Cabo Verde, Pedro Pires, que esteve há dias em visita a Portugal e fez questão de conhecer a Academia do Sporting, em Alcochete, "uma grande escola de formação de desportistas, mas também humana", e o Estádio José Alvalade, onde, aliás, almoçou. "É a primeira vez que cá venho e vejo que representa muito bem uma história com mais de 100 anos. Só espero é que venham mais 100 com tantos ou mais sucessos", referiu Pedro Pires, após conhecer pessoalmente o universo sportinguista. Quanto à sua paixão pelo clube, o presidente lembrou que "não foi uma escolha". Expressando-se de modo a fazer inveja a muitos futebolistas da actualidade, o Presidente de Cabo Verde explicou o seu amor ao Sporting: “É uma questão de gostar... É algo que se sente.” Pois é. É o Sporting Clube de Portugal!...

RECORTES LEONINOS

SPORTING OLÍMPICO
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É muito mais que simbólico o facto do Sporting hastear, esta quinta-feira, a bandeira olímpica em Alvalade. É um gesto de orgulho, de afirmação do ecletismo do clube, de recordação da história de um século dedicado ao desporto – que não apenas ao futebol. O Sporting é o clube português que maior número de atletas, das mais distintas modalidades, forneceu às delegações do Comité Olímpico de Portugal desde a sua fundação. O nome de Carlos Lopes surge, naturalmente, como símbolo dessa história de campeões. Antes de e depois dele, muitos outros levantaram bem alto o nome de Portugal – e do Sporting.
Na véspera de começar mais uma edição dos Jogos Olímpicos, em Pequim, as esperanças dos portugueses em mais feitos, mais medalhas, mais vitórias, reacendem-se como um fogo de Verão. Depois de quase duas semanas de turbilhão de emoções para a tribo sportinguista por causa de João Moutinho, é caso para se recordar – há mais desporto para lá do futebol.
AUTOR: José Carlos Freitas, "Record Online", 06-08-2008

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

SPORTINGUISTAS Sofia Costa

Sofia Costa, 20 anos, aqui captada com frescura pelo fotógrafo Pedro Melim, é capa da última edição da revista “J”, que acompanha o diário “O Jogo” aos domingos. Sofia é “barmaid” da badalada discoteca lisboeta “The Loft”. Estuda Comunicação Aplicada. E é do Sporting, o que é sempre uma grande qualidade. A sua opinião sobre Cristiano Ronaldo não dá muitas hipóteses ao pupilo de Alex Ferguson: “É um óptimo jogador, mas como homem não me diz grande coisa.” Aparentemente, é caso para dizer que a colecção do antigo craque leonino vai ficar com uma falha enorme… FOTO: Pedro Melim, “J”

FORAM LEÕES Jardel marca na estreia

A nova camisola de Mário Jardel FOTO: GloboEsporte.com
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O antigo campeão sportinguista Mário Jardel fez a sua estreia nesta madrugada pelo Criciúma, da II Liga brasileira, e marcou um golo logo após ter entrado em campo, tendo sido determinante para a vitória sobre o Marília por 3-2. Foi o delírio entre os adeptos da sua nova equipa, pois muitos deles só queriam ver Jardel, cujo regresso foi profusamente anunciado numa campanha de marketing do clube, com "outdoors" espalhados pela cidade. Aparentemente recuperado do consumo de drogas, Jardel respondeu ao entusiasmo dos adeptos do Criciúma com um golo e muita entrega ao jogo. Apesar de estar ainda um pouco acima do peso, segundo observa a imprensa brasileira, o antigo ponta-de-lança do Sporting deu sinais de que pode mostrar pelo menos algumas das características que o fizeram brilhar em várias equipas do Brasil e da Europa.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

A maldição da braçadeira

O “caso” João Moutinho, por estar em causa o “capitão” do Sporting, é irónico e preocupante para o clube. Por uma razão: é mais um “capitão” da equipa de futebol que se encontra numa situação desconfortável dentro do Sporting. Neste caso, porém, por um motivo inédito, sem que possam ser atribuídas responsabilidades pelo imbróglio aos dirigentes leoninos. Foi Moutinho quem disse o que não deveria ter dito, apagando por completo os efeitos positivos da vitória de um torneio de pré-temporada e criando um problema no grupo de trabalho...
Independentemente de a questão poder ser resolvida a contento das duas partes, a verdade é que Moutinho – caso não continue no plantel – poderá ser o próximo “capitão” do Sporting a deixar Alvalade pela porta pequena. O que não deixa de ser motivo de grande reflexão para os dirigentes sportinguistas, pois tem a ver com a relação directa entre o clube a as suas referências desportivas mais queridas.
Ao longo dos últimos anos da história do Sporting, houve erros e omissões de todas as partes. O objectivo desta nota não é encontrar responsáveis. Trata-se de apontar factos que são indesmentíveis, para que os sportinguistas e os dirigentes do clube reflictam e encontrem as raízes dos problemas criados. A verdade é que, nos últimos anos, são abundantes os exemplos de capitães que deixaram Alvalade pela porta dos fundos. Vejamos os casos de que me lembro:
Manuel Fernandes, o nosso grande ídolo dos anos setenta e oitenta, não teve lugar em Alvalade até ao fim da carreira e teve que se refugiar em Setúbal, onde continuou a marcar golos ao lado de Rui Jordão.
Oceano Cruz, grande referência do meio-campo leonino e da selecção nacional nos anos oitenta e noventa, teve de ir para França provar que poderia jogar mais tempo.
Yordanov, exemplo de raça e profissionalismo, acabou doente e a dirimir um processo em tribunal contra o clube por causa de um jogo em sua homenagem que não se realizou.
Pedro Barbosa, que entre meados da década de noventa e a primeira metade desta década foi um dos futebolistas leoninos mais talentosos, também rompeu com os dirigentes responsáveis pelo futebol, em 2005, abandonando o clube em litígio com Paulo Andrade e Rui Meireles, então administradores da SAD. Acabou por regressar posteriormente, como director desportivo, quando os dirigentes que o afastaram já não estavam em funções.
Beto, um dos símbolos da formação leonina dos anos noventa, sucedeu a Barbosa como “capitão”, mas o seu reinado durou pouco tempo. Em Janeiro de 2006 saiu em ruptura com Paulo Bento, depois de se incompatibilizar com Custódio. Foi para França.
Ricardo Sá Pinto, outro exemplo de raça, conhecido pelo seu "coração de leão", que sucedeu a Beto como “capitão”, em 2005-2006, não geriu muito bem a sua carreira, anunciando a retirada para o final desse ano, mas acabando por voltar atrás. A SAD não achou piada à mudança de opinião e Sá Pinto, em ruptura com o Sporting, foi pendurar as botas ao serviço do Standard de Liège.
– Recuando uns bons anos, percebemos que a maldição da braçadeira de capitão do Sporting tem raízes históricas. João Laranjeira, histórico “capitão” e campeão leonino nos anos setenta, acabou a sua carreira no rival Benfica...
Por estes casos, a função de “capitão” do Sporting parece talhada à medida para gerar os casos mais complicados. O protagonista do momento é João Moutinho.

LEÃO DA ESTRELA na imprensa

"Público", 04-08-2008
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