Há dias, o Conselho Directivo do Sporting emitiu um comunicado. Não foi para dizer o que é que verdadeiramente se passa com os atletas Stojkovic e Vukcevic (para percebermos de uma vez por todas as macacadas verbais desses atletas atiçadas pelos seus digníssimos agentes FIFA, como agora se diz...). Foi para anunciar à nação sportinguista o adiamento do Congresso sobre o clube.
O Congresso - uma ideia destinada a debater o futuro do clube que nasceu no meio do caos desportivo que atravessou o Sporting durante a época passada - estava agendado desde Março último e até já tinha um presidente responsável pela sua organização: Ernesto Ferreira da Silva – um senhor que liderou as comemorações do centenário, porque teria a ambição de ser presidente do Sporting e precisava de aparecer, ou porque era para ser presidente e acabou por não ser e teria sido preciso um motivo que mostrasse a sua importância... Já não sei muito bem, nem isso interessa.
BRINCAR AOS CONGRESSOS
O que interessa é que, meses depois de Ernesto Ferreira da Silva ter sido escolhido por Filipe Soares Franco como presidente do Congresso do Sporting, quem veio anunciar o adiamento da iniciativa foi o... conselho directivo de Franco. Depois deste papel decorativo, não sei se Ernesto Ferreira da Silva – cujo sportinguismo não está em causa, obviamente – ainda está disposto a continuar a brincar aos congressos do Sporting por mais uns meses...
Digo brincar aos congressos porque foi isso mesmo que deduzi ao ler o comunicado do Conselho Directivo, que justifica o adiamento da reunião magna: “Dada a inexistência de datas disponíveis para a efectivação, em 2008, de um Congresso com a dimensão exigida pela grandeza do Sporting Clube de Portugal e a necessidade de concentrar todos os recursos humanos na luta pelos vários títulos em disputa, o Conselho Directivo deliberou solicitar à Comissão Organizadora a prossecução da sua actividade com vista ao estudo da relevância da realização do Congresso em 2009.”
FALTA DE TEMPO? IMPORTAM-SE DE REPETIR?!...
Há um pormenor que escapou a Soares Franco: o comunicado foi emitido em 8 de Setembro último, justamente durante uma longa pausa de três semanas das competições oficiais em que está envolvido o futebol do Sporting. Só por aqui ficamos a perceber que não há vontade nenhuma em promover um congresso aberto a uns tipos interessados em debater o futuro do clube. Mas, independentemente disso, o que é grave nesta decisão do Conselho Directivo é a mistura dos compromissos desportivos do Sporting e dos “vários títulos em disputa” com a simples organização de um congresso, como reunião magna expressiva da vida de todo o clube, desde o futebol às modalidades menos conhecidas. Como se um jogo de futebol, mesmo oficial, não pudesse fazer parte do programa do congresso...
Mas há outro sinal grave neste adiamento: ao remeter o congresso para 2009, sem especificar se será para antes ou para depois das eleições, Filipe Soares Franco deve estar a contar organizar o congresso durante a campanha eleitoral para os órgãos directivos do clube. O que, a confirmar-se, seria mais uma trapalhada própria de umas eleições angolanas...
O QUE DEVERIA SER UM CONGRESSO DO SPORTING
Pelos vistos, a organização de um simples congresso está a atrapalhar em demasia a vida do Sporting. E a solução para esta trapalhada até seria muito simples. Em primeiro lugar, um congresso sobre o Sporting deveria ser um evento anual no calendário do clube. Para além de uma grande festa do desporto leonino, deveria ter a participação de sócios, de outros sportinguistas, dos atletas, dos funcionários do Sporting, de toda a gente, de especialistas nacionais e internacionais nas mais diversas áreas da gestão de um clube, etc.
Um congresso do Sporting só tem uma data possível no calendário: tem de apanhar o dia 1 de Julho, servindo, por isso, para celebrar o aniversário do clube. E quem não estiver, paciência!, não está. O congresso pode ser realizado em dois fins-de-semana, por exemplo. O segundo fim-de-semana até poderia servir para a apresentação das equipas de futebol e de outras modalidades para a nova época em clima de grande festa no Estádio de Alvalade...
Para mim, isto seria um congresso do Sporting. Uma iniciativa que evocasse as grandes memórias leoninas, que nos fizesse reflectir sobre o presente (conhecendo, inclusive, as experiências pessoais de atletas e outros funcionários do clube) e o futuro e que nos ajudasse a fazer melhor com o saber e a experiência de gente capaz que fosse convidada a participar.
Um congresso assim teria todo o sentido. Agora uma reunião para colocar uns contra os outros, como acontece nas assembleias gerais, não interessa para nada e só serve para tornar o Sporting cada vez mais pequeno.
O que é alarmante é que os dirigentes do Sporting dão sinais de que não sabem o que fazer. Dão a impressão que estão a pegar no congresso como quem pega num saco de batatas bem quentes. Tamanha falta de jeito é inacreditável num clube com a história e a dimensão, sim, a dimensão!, do Sporting Clube de Portugal!