sexta-feira, 31 de outubro de 2008

RECORTES Meninos mimados no Sporting

(...) Paulo Bento não tem culpa que da formação de Alvalade saiam jogadores de grande qualidade técnico-táctica, mas quase sempre sem grande suporte emocional. Uma boa parte deles mais parece adolescentes mimados e marionetas nas mãos de quem os aconselha e/ou representa. Sim, ao dizê-lo, estou a pensar, pelos motivos conhecidos, principalmente em Miguel Veloso e Yannick Djaló, a quem fica evidente a tentativa de o empresário Paulo Barbosa mostrar serviço, até para disfarçar a notícia de pretendentes nunca confirmados. E, ao contrário do que também li, entendo que o técnico tem todo o direito de dar uma lição a quem tenta condicionar as suas opções técnicas com reuniões conspirativas - onde, pelos vistos, os dois referidos jogadores também terão participado, o que torna o quadro ainda menos saudável.
A sucessão de conflitos deixou a nu a falta de um "pára-raios" capaz de gerir os humores do balneário. É nesse sentido que são justas as referências à ausência de uma figura que salvaguarde Bento destas questiúnculas. Mas já é errado pensar que o problema se resolve com mais exposição mediática de Soares Franco, Ribeiro Teles ou Pedro Barbosa, que deu entrevistas brancas esta semana. E não deixa de ser curioso que muitos dos que acusam (com razão) os dirigentes de falarem em demasia venham neste caso reclamar o contrário. O Sporting não precisa de dirigentes de megafone (mesmo que precise de alguém a tempo inteiro na administração, como acontece nos outros sectores). Precisa é de quem faça o trabalho silencioso e pedagógico que em tempos pertenceu a José Manuel Torcato e Manolo Vidal. De alguém que não fique constrangido quando tem de pôr as tropas na ordem.
AUTOR: Bruno Prata, "Público", 31-10-2008

RECORTES Manuel Fernandes e João Moutinho

"Um capitão de equipa não é só para atirar a moeda ao ar e usar a braçadeira. Tem de dar exemplos. Eu prejudiquei-me muitas vezes para beneficiar o colectivo. Cheguei a ter convites para jogar no Benfica, mas nunca o disse nem pensei em aceitá-los. (...) Para um bom sportinguista, qualquer atleta do clube que coloque a possibilidade de jogar no Benfica é mau porque há uma rivalidade histórica. (...) Porém, eu não acredito que o João [Moutinho] quisesse beliscar o Sporting ou os adeptos. (...)"
Manuel Fernandes, antigo "capitão" do Sporting, nos anos setenta e oitenta, comentando a polémica entrevista de João Moutinho à revista "GQ", "24 Horas", 31-10-2008

Ainda a invasão e agressão no Benfica-Porto...

Carlos Bernardo Santos, o adepto encarnado que invadiu o terreno de jogo no Benfica-Porto da segunda jornada da I Liga e agrediu o árbitro assistente, José Ramalho, está proibido de entrar nos estádios de futebol por um período mínimo de um ano. A decisão é do Tribunal da Pequena Instância Criminal de Lisboa. O adepto benfiquista foi ainda condenado a uma pena de multa por crime de invasão, que pode ser convertida em prisão se não pagar, e a uma pena de prisão pelo crime de ofensas à integridade física qualificada, que será substituída por dias de multa.
Tudo somado, a justiça comum viu crimes que a justiça desportiva ignorou, arrumando o caso com a aplicação de uma multazinha ridícula ao Benfica no montante, salvo erro, de 1500 euros. E o Estádio da Luz não foi interditado, como deveria ter sido. A verdade é que o último Benfica-Sporting deveria ter sido jogado longe de Lisboa ou à porta fechada, como o LEÃO DA ESTRELA defendeu aqui.
Eis um caso face ao qual os responsáveis do Sporting assobiaram para o lado. Nem sequer fizeram nada (que se saiba) para mudar os regulamentos da Liga, se é que é preciso mudá-los. Enfim, o Sporting foi prejudicado, ninguém levou a mal e está tudo bem. FOTO: "Record Online"

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Liedson, Moutinho e Marta Leite de Castro...

No dia em que as hostes sportinguistas se agitam com a notícia do interesse do Corinthians no regresso de Liedson ao clube brasileiro (cuja hipótese me parece remota), prefiro destacar as palavras do jogador, há dias, numa entrevista à TSF - a propósito de o seu nome ter passado a integrar o Museu do Sporting, na sequência do facto de se ter tornado no melhor goleador do clube nas competições europeias. Nessa entrevista, Liedson, notoriamente mais maduro do que quando chegou há cinco anos, confessou que se sente "um líder" do grupo, um "capitão sem braçadeira", falou no orgulho que sente em vestir a camisola de um clube com a grandeza centenária do Sporting e no quanto é acarinhado e respeitado pelo público de Alvalade e de outros clubes - factos que tornam desejável, para ele, um fim de carreira no clube. Palavras que a nação sportinguista gostou de ouvir, mas às quais já não está habituada, mesmo em jogadores formados no clube, como João Moutinho, que, na sua entrevista à revista masculina GQ, conseguiu esconder a beleza da nudez da portista Marta Leite de Castro, ao abrir as portas a uma possível transferência para o eterno rival da Luz. "Gostava de jogar no Benfica?", perguntou-lhe a GQ? "Isso é daquelas perguntas a que não sei bem o que responder, até porque nunca se sabe", respondeu o "capitão" do Sporting. Ora, um "capitão" não pode falar assim, nem demonstrar tamanha desorientação profissional...

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

As entrevistas de Pedro Barbosa

Pela leitura das oito páginas das duas entrevistas de Pedro Barbosa aos jornais “O Jogo” e “Record” ficamos a saber por que motivo o jovem director desportivo do Sporting tem estado calado desde que assumiu uma função que deveria ser de “protector” do balneário do Sporting, dando o “corpo às balas” sempre que é preciso, em vez desse papel ter de ser assumido pelo treinador Paulo Bento. É que, espremidas as entrevistas, não fica uma ideia que tenha sentido face às notícias que todos os dias saem de Alvalade…
No fundo, Pedro Barbosa quebrou o silêncio no meio de tantas más notícias para dizer que o Sporting que temos visto, assim como tudo o que tem acontecido na equipa de futebol, é obra da imaginação de todos nós. Só faltou dizer que Moutinho não disse o que disse, que Vukcevic não disse o que disse, que Miguel Veloso e Yannick estão satisfeitos, que a equipa leonina joga o melhor futebol do mundo (nós é que não percebemos nada do pontapé na bola…) e que o Sporting, ao contrário do que a gente viu, não perdeu com o Benfica, não perdeu com o FC Porto, nem empatou em Paços de Ferreira…
As duas entrevistas revelam também um problema de comunicação com o jornal “A Bola”. Ao que parece, o jornal da Travessa da Queimada, se calhar por ser benfiquista, não deu tempo de antena ao director desportivo do Sporting e preferiu ouvir Rochemback, a dizer que está muito disponível para jogar "onde o treinador entender", num recado óbvio para o seu concorrente do balneário Miguel Veloso (viva a liberdade de expressão!...). Miguel Veloso que voltou a ser objecto de notícia no mesmo jornal, por ter estado presente, com Yannick Djaló, na tal reunião de sexta-feira passada entre a SAD e o empresário Paulo Barbosa – sempre o homem da Rússia onde há confusão…
Tudo isto no dia em que também ficámos a saber que o búlgaro Yordanov, que vestiu a camisola do Sporting durante dez anos com todo o esforço e dedicação do mundo, duas vezes campeão nacional, e que nunca reuniu com a administração do clube para exigir aumento de ordenado, nem ameaçou ir embora se não fosse titular, vai ter um jogo de homenagem a organizar pela SAD do Sporting. Não porque a SAD esteja grata ao ex-jogador e antigo “capitão” de equipa, mas porque o Tribunal da Relação de Lisboa assim decidiu. Mas sobre o “caso” do antigo colega de equipa, Pedro Barbosa não teve uma palavrinha lá no meio das oito páginas das entrevistas aos dois jornais. Se calhar, o “caso” Yordanov também foi inventado… FOTO: "Record Online"

CORREIO LEONINO Sporting positivo

De um sócio identificado do Sporting Clube de Portugal, que assina como O Adepto do Costume, o LEÃO DA ESTRELA recebeu uma análise à situação do clube, que transcreve na íntegra:

Quando este desafio surgiu apeteceu-me escrever logo. Mas, achei mais útil deixar passar algum tempo, até porque obrigações profissionais se impuseram. O bom disso é que, durante duas semanas, fiquei de fora, não li blogs, não li jornais e dei “apenas” conta que o Sporting ganhou um jogo e empatou outro.
Antes de avançar mais, deixo aqui desde já expresso que apoio incondicionalmente esta direcção, esta equipa técnica e estes jogadores, da mesma forma que apoiarei incondicionalmente a que sair das próximas eleições. Isto não significa obviamente que concorde com todas as decisões, mas em todo o caso têm o meu apoio incondicional.
Esta pequena “cronicreta” mostra apenas a minha visão dos problemas do Sporting e o que nos impede de nos tornarmos no principal clube português.

PONTOS FORTES
O Clube tem uma situação invejável em termos de sócios e adeptos. São fiéis, interventivos e mostraram que sabem enfrentar o infortúnio (anos e anos consecutivos de derrotas e desaires desportivos/financeiros) com dedicação e até orgulho.
O Clube tem uma academia que é o paradigma do que trabalho bem planeado e bem concretizado pode trazer a uma instituição. Todos temos bem presente a “inveja” que tal facto suscita nos nossos maiores adversários; e a cobiça que levanta nos maiores clubes europeus;
O Clube “ainda” é eclético. Não tanto como no passado, é certo, mas ainda assim um clube ecléctico com um grande número de atletas amadores, envolvidos num, também, elevado número de actividades desportivas.

PONTOS FRACOS
1. A situação financeira é terrível. Não sou a pessoa certa para apontar o dedo a quem quer que seja, mas tenho para mim que os últimos anos colocaram a clube no caminho que nos pode libertar desta praga. Pelo menos passamos a não gastar o que não tínhamos à doida.
2. O Clube “já” não é tão ecléctico. Assiste-se a uma diminuição da capacidade de angariação de atletas a que não deve ser estranho o facto de não existir um pavilhão e de não se investir mais nas modalidades amadoras.
3. E o mais importante de todos: temos uma muito má influência na imprensa.

Como sócios, adeptos e até simpatizantes do clube, podemos intervir de muitas formas. Concordo com todas, pois esse é um direito que nos assiste. Mesmo que seja para criticar as decisões, assobiar, votar, escrever, participar em claques.
Esta “má imprensa” revela-se sobretudo no futebol. O que me incomoda mesmo, mas mesmo muito, é esta sensação de que sobre o Sporting tudo pode ser dito, falado e escrito. Não existe dia, semana, em não surja na imprensa um “caso”. Não preciso de falar dos casos, obviamente. E é só na nossa casa que existem problemas de gestão? Será que os outros não têm os mesmos problemas.? Porque será que não são notícia, porque será que não alimentam polémicas.?
No meu entender no dia em que os sportinguistas deixarem de alimentar esta fornalha de má imprensa, as coisas vão melhorar significativamente. Uma coisa é ter opinião e expô-la, outra coisa é deixar que essa opinião seja usada pela imprensa como arma de arremesso à gestão do clube. E é isso que sistematicamente vemos.
Vemos coisas absolutamente ridículas, como por exemplo ampliar a importância de uma sondagem on-line tirando conclusões que são pura invenção. A lista é grande e muitas situações são denunciadas em vários blogs afectos ao Sporting.
As pessoas confundem ter opinião com coragem, ser do contra com ser interventivo, enxovalham quem defende as posições actuais, minimizam as opiniões de quem prefere estabilidade ao sobressalto (que já fez parte da nossa história). Vão atrás da opinião corrente só porque parece estar na moda.
O clube é apresentado sempre como uma entidade em que todos ralham e ninguém tem razão, uma casa desorganizada, uma casa em que se aponta o dedo sistematicamente a tudo e a todos.
Vejam bem, e este blog já muitas vezes chamou a atenção para esse facto, que é possível ampliar a atenção mediática de um determinado caso orientando as opiniões num dado sentido. Vejam por exemplo o tratamento dado aos “casos” Vukcevic vs Cardoso ou até ao mais recente no Porto com os guarda-redes.
A imprensa não me afecta muito, mas custa-me, por exemplo, ver muitos sportinguistas usarem o discurso fácil criticando tudo e todos numa espiral incoerente que, muitas vezes, roça o ridículo. Veja-se o caso do Abrantes Mendes que é sistematicamente chamado a discursar quando ocorre um resultado negativo (será que não percebe que está a fazer um frete?). Veja-se os casos dos empresários que são sistematicamente chamados a opinar a decisão do técnico em relação ao seu jogador. Vocês vêem isto no Porto ou no Benfica?
Mas porque carga de água é que nós devemos permitir isto? Será que temos de dar tiros nos pés sempre que queremos atingir algo mais? Será que somos masoquistas? Porque raio temos de engolir tudo o que nos contam, sobretudo quando sabemos que quem o conta tem interesses divergentes dos nossos?
O meu SPORTING POSITIVO é aquele em que as pessoas, tendo opinião, não atacam sistematicamente a organização, não confundem o resultado de um jogo, a substituição de um jogador com o Clube. O Sporting é muito mais que uma equipa de futebol e das suas vicissitudes diárias neste cantinho do mundo.
O meu SPORTING POSITIVO é aquele em que os sócios participam com paixão na discussão da equipa de futebol, nos seus resultados, mas que não permitem que a sua opinião seja usada para enxovalhar essa mesma equipa e esses resultados (por exemplo, o que eu mais gostava de ver era a total ausência de comentários on-line nas notícias do Record por parte dos Sportinguistas – resistam a isso, deixem-nos a falar sozinhos. Usem os fóruns e blogs de Sportinguistas);
O meu SPORTING POSITIVO é aquele que num dia de uma derrota humilhante no nosso estádio, se levanta e incentiva com estímulos positivos a recuperação desse orgulho;
O meu SPORTING POSITVO é aquele que nós no fundo queremos. Um clube saudável, que cresça, que seja respeitado, que seja útil à sociedade em que nos inserimos, ecléctico, olímpico, desportista, e que, já agora, nos dê de vez em quando umas alegrias no Futebol.
O meu SPORTING POSITIVO é este “Esforço, Dedicação e Glória” e não fomos nós agora que o decidimos. Herdamos dos fundadores.
Para isso devemos cada um, de acordo com o que entende ser a melhor forma de intervir, pensar como se Esforça, como se Dedica e finalmente que Glória atinge.
Eu, pessoalmente, tenho consciência que não me esforço e dedico o suficiente. Mas digo-vos com toda a frontalidade que não me envergonho de nada do que este clube já me deu, não me envergonho do que me dá e espero com ansiedade o que o futuro nos reserva. E já agora (pode ser que o Paulo Bento leia isto) nos dê, de vez em quando, umas alegrias no Futebol.
Obrigado pelo tempo de antena.
O ADEPTO DO COSTUME (sócio identificado do Sporting Clube de Portugal; enviado por e-mail)

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O pior arranque de Paulo Bento

Ao empatar em Paços de Ferreira, o Sporting 2008-2009 aumentou para oito o número de pontos perdidos e passou a registar o pior arranque dos últimos quatro anos, nas primeiras seis jornadas da Liga Portuguesa. Pior do que na temporada passada (tinha 11 pontos em 18 possíveis, e uma derrota com o FC Porto no “Dragão”, num jogo de arbitragem polémica) e pior do que em 2005-2006, ano em que José Peseiro foi substituído por Paulo Bento ainda no decorrer do primeiro terço da prova (tinha 12 pontos nas mesmas seis jornadas, e uma vitória sobre o Benfica).
O melhor arranque de Paulo Bento foi em 2006-2007: nas primeiras seis jornadas, a equipa leonina tinha conquistado 15 pontos, tantos como o FC Porto (e só tinha perdido um jogo em Alvalade, com o Paços de Ferreira, com um golo metido com a mão...). Um ombro a ombro premonitório com os "dragões", pois, nessa época, duraria até ao último minuto da prova.
Neste ano de todas as promessas, a equipa do Sporting volta a tremer na Liga Portuguesa, depois de um começo auspicioso, com três vitórias nas primeiras três jornadas, não obstante o mau futebol praticado. As derrotas com o Benfica e o FC Porto desnudaram as insuficiências. Paços de Ferreira apenas confirmou a incapacidade leonina para responder às dificuldades como um verdadeiro candidato ao título.
A continuar neste ritmo, o Sporting não alcançará mais do que 15 vitórias... Isto no ano em que o investimento no reforço da equipa de futebol foi maior. A "amortecer" o mau desempenho leonino está o FC Porto, tambem a fazer um arranque muito mau. Pior ainda do que em 2004-2005, que começou com o treinador italiano Luigi del Neri a ser substituído pelo espanhol Victor Fernandez ainda antes da primeira jonada...
Apesar de ser possível ao Sporting uma qualificação inédita para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, a verdade é que o campeonato português é a prova maior da temporada – aquela que dá tristezas ou alegrias à nação sportinguista no período mais longo do ano. E aí as coisas não estão bem. A questão é que começam a faltar os pontos e continuam a sobrar os casos de insatisfação no plantel orientado por Paulo Bento.
Stojkovic e Vukcevic passariam como situações isoladas de eslavos “difíceis de aturar” se do balneário leonino não surgissem notícias de outros descontentamentos. A ausência de Miguel Veloso e de Yannick Djaló no último jogo é apontada como prenunciadora de mais dois casos de insatisfação no grupo de jogadores. No ano em que mais dinheiro tiveram para investir no futebol, pelo que prometeram a conquista do título nacional, os dirigentes do Sporting insistem em revelar falta de jeito para tratar dos assuntos comezinhos de um jogador de futebol.
No FC Porto, com mais um ponto que o Sporting e a permanência em risco na Liga dos Campeões, os sócios e adeptos já começaram a manifestar a sua revolta. E Jesualdo Ferreira corre perigo. No Sporting não acontece nada. É a diferença entre quem está habituado a vencer e não suporta perder nem que seja a feijões e quem se contenta com os mínimos desta vida... FOTO: "Record Online"

domingo, 26 de outubro de 2008

Sporting marca passo

PAÇOS DE FERREIRA-SPORTING, 0-0. FOTO: AFP - Getty Images

Vukcevic e as contradições

O montenegrino Simon Vukcevic, que deveria ser falado pelo futebol que seria suposto jogar ou pelos golos que seria suposto marcar, é, pelo contrário, uma fonte inesgotável de perturbação no Sporting. E se o jogador - acolitado pelo seu agente FIFA - tem revelado um comportamento inaceitável, desde que veio a público dizer que só continuaria em Alvalade se tivesse a garantia de que seria titular, por parte do Sporting tem sido notória a incapacidade para sanar o problema, com dirigentes e treinador embrulhados em estranhas contradições - um sinal, também, da falta de uma liderança forte no clube.
Basta ter em conta o que se passou nos últimos dias. Primeiro, foi Paulo Bento que, face ao atraso de Vukcevic no regresso ao trabalho, depois de ter representado a selecção do seu País, começou por dizer que não era médico nem trabalhava no aeroporto. Um desabafo estranho, dando a ideia de que, afinal, havia “caso”, contrariando declarações anteriores em sentido contrário, quando a desculpa da “opção técnica” servia para manter o jogador fora da lista dos convocados.
Já esta semana, antes de viajar para a vitoriosa jornada europeia na Ucrânia, o vice-presidente Miguel Ribeiro Teles meteu a cabeça na areia, afirmando que não havia “caso Vukcevic”. Agora Paulo Bento voltou à carga para desmentir o vice-presidente e confirmar que há mesmo um “caso Vukcevic”, ao revelar uma novidade surpreendente: afinal, o jogador montenegrino, que, quando joga, é daqueles que costumam dar tudo em campo, “trabalha pouco”. A conferência de imprensa de lançamento do importante jogo de Paços de Ferreira – e agora mais importante pelo facto de uma vitória do Sporting permitir ultrapassar o FC Porto na classificação – transformou-se, assim, em mais uma notícia do agrado dos adversários leoninos… FOTO: Steven Governo (Associated Press)

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Liedson na selecção? Não, obviamente!...

O tema do momento tem Liedson como protagonista. Não só pelos dois bons golos que deram as últimas duas vitórias ao Sporting, garantindo ao avançado brasileiro um regresso estrondoso à competição, mas também pela sua anunciada naturalização como cidadão português, que lhe abre as portas da selecção de Portugal.
Que Liedson é o melhor ponta-de-lança a actuar em Portugal e um dos melhores da história do Sporting parece não haver dúvidas. Agora que o jogador deva ser chamado a defender a selecção nacional de Portugal – num sinal de desespero da Federação Portuguesa de Futebol, só porque a selecção não marca golos e o futebol português não consegue formar pontas-de-lança de qualidade em quantidade suficiente – já não é tão pacífico.
Uma selecção nacional não é um clube a operar na indústria do futebol, sujeito a leis sociais e económicas, designadamente de ordem laboral, que é obrigado a cumprir. Uma selecção nacional é o “clube” dos melhores jogadores nascidos ou criados num País, os quais representam a identidade nacional do País (que é desportiva, mas também cultural, social, económica, etc.), e não uma selecção dos jogadores de todo o mundo que jogam num País.
Donde, como português, jamais consegui olhar para os brasileiros Deco e Pepe como jogadores legítimos da selecção de Portugal. Vi Deco dar a Portugal uma vitória sobre o Brasil – salvo erro num jogo particular em que fez a sua estreia pela selecção portuguesa –, mas não deixei de sentir que foi uma vitória estranha, pois não deixei de olhar para Deco como um estrangeiro que representa a selecção de Portugal. Depois, foi a vez de Pepe se naturalizar como cidadão português com direito a ser convocado para a selecção de Portugal. Agora chegou a vez de Liedson, que aos 30 anos tem o seu processo de naturalização em curso e até já recebeu a bênção de Eusébio para entrar na selecção portuguesa.
Ou seja, a selecção de Portugal já tem um defesa-central e um médio que nasceram no Brasil e chegaram a Portugal como profissionais de futebol já em idade adulta. Poderá, em breve, ter um avançado, cuja carreira caminha para o fim, também nascido no Brasil.
O problema não está no jogador Liedson, cuja disponibilidade para defender a camisola lusitana deve merecer o respeito e a gratidão do futebol português. A questão é que, a seguir, será a vez de um guarda-redes. E qualquer dia a selecção portuguesa seria uma espécie de “Brasil B”… Não pode ser. Se Portugal não tem avançados, a Federação Portuguesa de Futebol que deixe de brincar ao futebol e que invista a sério na formação. Não é nada contra Deco, Pepe ou Liedson. É tudo pelo futebol português e pela dignidade da selecção nacional.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O fato-macaco leonino em noite histórica

A melhor peça do guarda-roupa do futebol desenhado por Paulo Bento para o Sporting não é o fato de gala – raramente foi –, mas o fato-macaco típico da mão-de-obra braçal que é obrigada a sofrer para ganhar a vida. Na Ucrânia, frente a um Shakhtar Donetsk banal no contexto do futebol europeu, o Sporting cumpriu o seu objectivo mais ambicioso, ao vencer por 1-0, e deu um passo muito importante rumo à qualificação para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões 2008-2009 – que, a concretizar-se, será um feito histórico inédito na carreira internacional do clube.
Foi uma vitória conquistada à custa de muito esforço e dedicação de uma equipa que se revelou um colectivo personalizado e dinâmico, no qual brilharam mais as estrelas de Rui Patrício (seguro e destemido na baliza), João Moutinho (cerebral e cada vez mais influente no meio-campo) e de Liedson (“matador” no ataque, ele que foi o autor do golo solitário, totalmente “made in Brazil”, com Rochemback a cobrar um livre para o interior da área e Derlei a assistir Liedson com um excelente toque de calcanhar). Um golo que também fica para a história pessoal de Liedson, que agora é o melhor marcador do Sporting nas competições europeias, com 19 golos, tendo ultrapassado Manuel Fernandes e Lourenço (ambos com 18).
À excepção desse momento decisivo, o Sporting sofreu, mas procurou sempre sofrer da forma mais adequada, isto é, o mais longe possível da baliza de Rui Patrício. Daí que o jogo não tenha sido farto em ocasiões de golo, em especial no primeiro tempo. De resto, os jogadores leoninos – face a um ritmo de jogo mais veloz do adversário – pareciam mentalizados para segurar o empate a zero golos, considerado também “um bom resultado”. Tanto mais que no começo do período complementar, os ucranianos revelaram-se mais perigosos e estiveram mesmo à beira de marcar.
Como sempre acontece, em especial na alta competição, quem não aproveita uma ocasião soberana arrisca em demasia. Foi o que aconteceu, para bem do Sporting. Aos 76 minutos, na segunda oportunidade da equipa em todo o encontro, Liedson - o grande reforço da temporada, que, com dois golos, já decidiu as duas partidas em que participou depois da lesão - executou o remate fatal, lançando um balde de água gelada nas ruidosas bancadas do público de Donetsk e, claro, no jogo do Shakhtar.
O futebol do Sporting pode não entusiasmar nem seduzir, mas tem tudo para fazer história nesta Liga dos Campeões!... A vitória em Donetsk deixa a equipa leonina com seis pontos, mais três do que o Shakhtar, e em condições de garantir já na quarta jornada (que se disputa em 4 de Novembro, em Alvalade), uma qualificação inédita para os oitavos-de-final da mais importante competição de clubes do planeta. Ao Sporting basta vencer o Shakhtar e esperar que o Basileia não ganhe em casa do Barcelona. FOTO: AFP - Getty Images

A grandeza do Sporting e a areia dos dirigentes

Folheando a última edição da revista “Sábado”, podemos concluir que o Sporting Clube de Portugal é muito maior do que alguma vez os seus actuais dirigentes imaginaram, a começar, obviamente, por Filipe Soares Franco. O presidente do Conselho Directivo do Sporting ainda não conseguiu partir uma garrafa de água ao atirá-la contra a janela do seu carro em andamento, como Sousa Cintra (pensando que a janela estava aberta, enquanto dava uma entrevista em directo para a TSF, sobre as contratações de Carlos Xavier e Oceano), mas já fez muito pior, ao ter dito que o Benfica tem mais "militância” e mais “clientes” do que o Sporting, coisa que o “populista” Cintra jamais conseguiria dizer. Era, sim, capaz de ir ao histórico rival de Lisboa buscar os melhores jogadores para fazer do Sporting a melhor equipa portuguesa, facto que só não foi traduzido em títulos por causa do famigerado “sistema”, em pleno desenvolvimento na década de 1990…
Mas o que é que a revista “Sábado” da última semana tem a ver com o Sporting, ou melhor, com a grandeza do Sporting, se não traz nenhuma notícia, entrevista ou reportagem sobre o clube? Tem tudo a ver.
Na página 60, destaca-se uma fotografia que nos mostra uma caneca com o símbolo do leão rampante e uma placa verde alusiva ao Dia do Pai, com a dedicatória: “Para o maior sportinguista de todos os tempos, o meu pai”. São dois objectos de culto de Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras, ilustrando a sua entrevista de seis páginas.
Na página 66, de novo o símbolo do Sporting e o título “Leão e viajante”. É a história de mais um sportinguista, desta vez Fernando Serrasqueiro, secretário de Estado do Governo de José Sócrates, transformado em “ponta-de-lança dos interesses portugueses” junto do Governo da Venezuela.
Na mesma edição da “Sábado”, na capa do suplemento “Primeira Escolha”, aparece a apresentadora de televisão Rita Ferro também a confessar a sua “grande paixão pelo Sporting”: “Desde pequena que sou ferrenha e a única sportinguista da minha família. Cheguei muitas vezes a não receber semanada, uma estratégia inútil para me converterem a outra cor”, revela Rita Ferro, apresentando o seu cachecol do Sporting como um dos seus objectos de estimação.
Afinal, não há crise de militância, ao contrário do que diz Filipe Soares Franco. É capaz de não haver seis milhões de sportinguistas, mas haverá, com toda a certeza, alguns desses milhões, espalhados pelo País e pelo mundo, a grande maioria deles anónimos, mas muitos deles ocupando cargos ou exercendo actividades de grande visibilidade pública. São todas essas pessoas que têm de ser chamadas a Alvalade. São todas essas pessoas que têm de ser acarinhadas. São todas essas pessoas que ajudarão a fazer do Sporting o grande clube que todos os sportinguistas, militantemente, desejam e merecem.
A grande questão é que isso não será possível com dirigentes que preferem atirar areia para os olhos da nação sportinguista em vez de enfrentarem os problemas de modo a resolvê-los. Como o vice-presidente Miguel Ribeiro Teles, que negou a existência de um “caso” Vukcevic, quando o “caso” está à vista de todos. Até do próprio treinador, que, ao que parece, não é médico, nem trabalha no aeroporto. Pela nossa saúde e pela nossa segurança, ainda bem. FOTO: "Record Online"

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O génio de Liedson

Com um Sporting de intensidade intermitente, com muito poucos sportinguistas nas bancadas quase desertas do Estádio de Leiria e com mais uma arbitragem vergonhosa em prejuízo leonino (como é possível que uma equipa de arbitragem tão bem paga anule um golo tão limpo como aquele que Hélder Postiga marcou?...), só o génio de Liedson poderia transformar um lance aparentemente perdido num golo fantástico. Um golo solitário que decidiu a continuidade do Sporting na Taça de Portugal 2008-2009 – prova em que os sportinguistas têm responsabilidades acrescidas, pois são bicampeões nacionais.
Em Leiria, o Sporting ganhou o jogo e um reforço decisivo para a temporada, que para já foi marcada pela vitória da Supertaça Cândido Oliveira, frente ao FC Porto, e pela “desorientação” das últimas semanas (pelas derrotas com o Benfica e FC Porto para a Liga).
O avançado brasileiro, é bom que se diga, já não jogava desde finais da última época. Não foi lembrado na final da Taça de Portugal, frente ao FC Porto, porque o seu compatriota Rodrigo Tiuí fez um daqueles jogos, ou um daqueles prolongamentos, para ser mais exacto, que acontecem uma vez na vida de um jogador. De resto, a ausência de Liedson, não tendo sido muito falada, foi pública e notória no desempenho da equipa nos primeiros jogos desta época. Nomeadamente pelo facto de o jogo ofensivo do Sporting ter perdido a arte e a espontaneidade que só o avançado brasileiro consegue emprestar ao jogo colectivo. Ele que, por direito próprio, já está no grupo dos melhores avançados da história centenária do Sporting Clube de Portugal. Liedson é, talvez, o avançado do Sporting mais completo e mais consistente depois de Rui Jordão, na década de 1980. O argentino Acosta e o brasileiro Mário Jardel, embora igualmente "matadores", actuavam num registo distinto e estiveram menos tempo em Alvalade.
Com Liedson visivelmente recuperado de uma lesão grave, Paulo Bento ganhou um nome indiscutível para a frente atacante. E tem também uma oportunidade para ensaiar um esquema táctico mais atrevido, servido por três avançados. Gostaria de ver um Sporting a jogar em 4X3X3, com Yannick Djaló na ala direita, Vukcevic na esquerda e Liedson na posição de avançado de centro sempre em movimento. Imagino os estragos provocados nas defesas contrárias pelo futebol de combate de Vukcevic, de um lado, pela velocidade estonteante de Yannick Djaló, do outro lado, servindo de alimento a fome de golos e a “ratice” de Liedson. Como alternativas, ainda sobram Derlei e Hélder Postiga (sempre muito úteis e com capacidade para surpreender). Quanto a Tiuí, talvez seja melhor preparar-se para os jogos da Liga Intercalar… [ACTUALIZAÇÃO: Segunda-feira, 20 de Outubro de 2008]

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O mistério das grandes selecções

O futebol das selecções está cada vez mais equilibrado em todo o mundo ou há factores inerentes ao desenvolvimento da indústria futebolística nos últimos anos que estão a prejudicar o desempenho competitivo dos vários países, em particular daqueles que exportam jogadores para as principais ligas mundiais? O que é que está a prejudicar as grandes selecções de futebol cujos países são, sobretudo, exportadores dos melhores futebolistas do mundo?
Luiz Felipe Scolari tinha razão quando fez da selecção portuguesa “um clube”, convocando sempre os mesmos jogadores e criando um “ambiente de família”, respondendo, assim, à “dispersão” (pelos mais variados motivos) dos atletas-emigrantes?
Vem isto a propósito do empate a zero golos entre Portugal e a Albânia, outro resultado negativo da selecção comandada por Carlos Queirós nesta campanha rumo (ou não) ao Mundial da África do Sul, que estará a impulsionar o negócio das calculadoras (dada a necessidade de Portugal fazer muitas contas para sonhar com um apuramento), para gáudio do ministro da Economia...
Mas o problema dos resultados negativos não é só português – o que justifica plenamente esta reflexão global sobre o futebol das selecções e não exclusivamente sobre Portugal e o seu fatalismo histórico. O Brasil, essa grande potência do futebol mundial, que exporta jogadores para todo o mundo, empatou no mítico Maracanã com a frágil selecção da Colômbia, também a zero. E a selecção de Dunga, que no Brasil há quem assemelhe a uma “casa de prostituição”, já regista seis pontos de atraso em relação ao Paraguai... E que dizer do modesto Chile (com menos um ponto que os brasileiros), que ganhou à poderosa Argentina, com quem discute palmo a palmo um lugar na África do Sul?...

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Dias da Cunha e a morte do Sporting

"Se for por diante o projecto de Filipe Soares Franco e a Academia de Alcochete passar para a SAD isso é a morte do Sporting."

"Quando o empréstimo obrigacionista se converter em acções, o Sporting perde a maioria da SAD. A partir daí, a jóia da coroa do clube é a Academia. São os terrenos de Alcochete que vão ter o novo aeroporto ali ao lado."

“[Se a Sporting SAD for] completamente independente, o clube morre. É preciso travar a actual direcção para que o Sporting como todos o conhecemos continue a existir."

"Em 2005, o passivo não era nada que me preocupasse. Estava negociado com a banca e o Sporting era perfeitamente viável. Filipe Soares Franco destruiu essa viabilidade, inventando um buraco para se poder candidatar sozinho e fazer crer aos sportinguistas que era necessário vender património."

“[Os sportinguistas foram] enganados ao apoiarem o crime [da venda de património]. Filipe Soares Franco empobreceu o Sporting. Ele já disse que se não tivesse tomado as medidas que tomou o clube corria o risco de ficar como o Boavista. Isso é falso. O Sporting tinha acabado de negociar a 12/15 anos de vista com os bancos a sua dívida. E estava a cumpri-la. Comigo, nunca fizemos nada que os bancos não aprovassem. A história do buraco é, pois, uma mentira."

"O meu tempo já passou. Apoiarei quem quer que seja, com uma única condição: que seja honesto. E o actual presidente, não o é."

Declarações de António Dias da Cunha, ex-presidente do Sporting, que Filipe Soares Franco recusou comentar, “Correio da Manhã”, 15-10-2008

RECORTES Militância leonina

Filipe Soares Franco tem-se desdobrado, nos últimos dias, em entrevistas e declarações públicas que, resumidamente, mostram a sua tristeza em relação ao que considera ser a falta de militância dos sócios e adeptos leoninos. Entendo a sua angústia. Só me faz confusão que o líder do Sporting só agora tenha acordado para esta realidade e, pior que isso, pense combater a situação com medidas que, objectivamente, só irão contribuir para um maior afastamento dos sportinguistas.
Soares Franco aproveitou o momento para, numa táctica inovadora entre os leões, "espicaçar" as bases. E como o fez? Elogiando os rivais! Ou melhor: reconhecendo a maior capacidade de mobilização de águias e dragões. A constatação, embora algo inadequada e susceptível de provocar azia a muita gente, é correcta. Só faltou admitir que, para além do Benfica ter uma base de adeptos bem superior e do FC Porto beneficiar de ser o emblema hegemónico das últimas décadas, ambos tiram partido do facto de possuirem presidentes que, entre os seus defeitos (e são vários, acrescente-se...), têm a virtude de aparecer junto dos adeptos, de estimular o contacto com o povo, de mostrar que os clubes são bem mais que umas modernas SAD's de futebol que, já se percebeu, não salvam nenhum emblema dos seus cíclicos problemas financeiros. Quanto muito... apenas os adiam.
Quantos núcleos inaugurou ou visitou Soares Franco desde que é presidente? Quantas deslocações de promoção da marca do clube efectuou pelo Mundo? Quantos produtos inovadores no mercado lançou procurando captar novos sócios? Quantas vezes apareceu num pavilhão a apoiar as modalidades? Quantas vezes se empolgou, publicamente, com discursos às massas? Quantas vezes falou em português de alcance geral?
Soares Franco (e outros dirigentes leoninos) tem de saber - ou alguém devia explicar-lhe - que o Sporting não é uma empresa. A conversa do modelo de gestão empresarial está mais do que esfarrapada. As pessoas, mais ou menos cultas, mais ou menos atentas, já viram os resultados das ideias preconizadas por José Roquette, outra pessoa de boas falas, mas sem o tacto necessário para perceber o que é a realidade de um clube como o Sporting.
O que leva, hoje em dia, alguém a ser sócio do Sporting? Basicamente... nada! Ao contrário do que sucedia no passado, quem paga a quota não tem acesso gratuito aos jogos de futebol; não pode assistir aos treinos da equipa que se realizam longe e à porta fechada e não tem entrada de borla nas modalidades porque, para além de alguém se ter "esquecido" de fazer um pavilhão, as poucas que restam jogam em Loures ou no Casal Vistoso. Acresce ainda que o povo cada vez tem menos dinheiro (coitados dos que alinharam nas conversas da SAD's para, como sempre, perder parte significativa do investimento); já percebeu que a sua opinião pouco ou nada vale face aos accionistas de referência, aos notáveis, aos conselhos disto e daquilo e, claro, à banca.
Para combater este "sistema", Soares Franco preconiza que o clube continue sem pavilhão, sem piscina, sem pista de tartan e, preferencialmente, sem modalidades. Mais: defende que os sócios apenas devem participar em referendos (presumo que de importância gigantesca) e que mais dirigentes deviam ser profissionais. O sua visão de futuro chega ao ponto de afirmar que "as modalidades não podem roubar dinheiro à actividade fundamental que é o futebol, o motor de todo este clube".
Soares Franco está errado. Muito errado e perdido num mar de incoerências. Quem fala assim das modalidades, como é que pode mandar hastear a bandeira do clube ao lado da olímpica aquando do começo dos Jogos de Pequim? Como é que pode querer homeneager o legado dos muitos atletas leoninos? Como é que pode dizer que se orgulha do eclectismo? Como tem coragem de falar dos muitos títulos ganhos nos mais diversos desportos?
O actual presidente do Sporting está apostado em transformar o clube numa equipa de futebol. E não percebe que são os péssimos investimentos efectuados aí, com prejuízos continuados de milhões, e o maus resultados (2 títulos em 25 anos) que ditaram o início das dificuldades financeiras. Quanto custaram, recentemente, as "experiências" com Purovic, Mota, Pinilla, Koke, Bueno, Farnerud e tantos outros. Será que essas opções não "roubaram" nada ao clube?
Soares Franco sabe que do outro lado da Segunda Circular também há quem veja o futuro como ele. Mas, se está mesmo interessado no futuro do clube, devia era falar com João Rocha e Sousa Cintra para, cada um no seu estilo, na sua área, o ajudarem a manter o Sporting como um clube grande e não apenas como uma equipa mediana de futebol.
AUTOR: Luís Avelãs, "Record Online", 14-10-2008

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Sporting: um sócio, um voto!

Se a actual direcção do Sporting Clube de Portugal, liderada por Filipe Soares Franco, estivesse verdadeiramente interessada em modernizar o clube, começaria por tomar medidas no sentido da real democratização do seu funcionamento interno, pugnando pela alteração dos estatutos.
Uma das medidas inovadoras em Alvalade seria acabar com os votos que valem mais das pessoas com mais anos como associadas. Um tema que deveria mobilizar as figuras mais mediáticas do Sporting (em particular aquelas que aparecem a responder a inquéritos dos jornais ou que falam contra a direcção sempre que a equipa perde), sobretudo agora que o clube não está a viver um processo eleitoral.
A questão é que não faz sentido nenhum, em pleno século XXI, que, nas eleições para os órgãos dirigentes do Sporting ou na votação das propostas apresentadas em assembleia geral, o voto de um sócio antigo ou idoso, que, por natureza, até é um voto conservador, valha vinte vezes mais do que o voto de um sócio jovem ou acabado de se inscrever no clube. É disto que uma oposição capaz deveria falar, agora que o Sporting não está a viver um período eleitoral.
Não é democrático nem é moderno que uma pessoa, só por ter muitos anos de vida como associada, tenha um voto de qualidade muito superior (ou seja, que vale muito mais votos) do que o voto do associado que entrou para o clube há menos tempo.
Não é democrático nem é moderno que um sportinguista que só tenha dinheiro para ser sócio na vida adulta, ao ganhar o primeiro ordenado fruto do seu trabalho, esteja sempre em desvantagem em relação aos sportinguistas que nascem em berços de ouro e que têm pais, tios ou primos que os inscrevem como sócios logo à nascença.
De resto, ao continuar a viver com estatutos do século passado, o Sporting, neste caso concreto do valor eleitoral diferente dos seus associados, fomenta o imobilismo da antiguidade em detrimento do mérito, da inovação e da renovação de pessoas e ideias - curiosamente, em sentido completamente contrário às ideias da gestão moderna trazidas pelo intérpretes do chamado "Projecto Roquette".
Portanto, o Sporting nunca será moderno nem nunca será democrático enquanto viver com associados de primeira e associados de segunda. E será ainda menos moderno e menos democrático se for aprovada a ideia de Filipe Soares Franco de aumentar o número de membros do Conselho Leonino – a qual significa fechar ainda mais o Sporting sobre si próprio.
Filipe Soares Franco seria um presidente moderno e democrático se pugnasse por esta ideia muito simples: SPORTING CLUBE DE PORTUGAL – UM SÓCIO, UM VOTO!

domingo, 12 de outubro de 2008

Soares Franco e a destruição do Sporting

Filipe Soares Franco (FSF) deu apenas três entrevistas no mesmo dia para dizer a mesma coisa, ao desportivo “Record” (para o povo ler os títulos), ao "Diário Económico" (para os credores bancários ficarem a saber como vão as coisas em Alvalade) e ao “Diário de Notícias” (um generalista, que já foi de referência, do universo do "amigo" Joaquim Oliveira).
Nesta estrondosa ofensiva mediática, após duas derrotas com os concorrentes directos na Liga Portuguesa, FSF lançou implicitamente a sua recandidatura à presidência do Sporting e voltou a dizer disparates em abundância, como, aliás, é seu timbre. No geral, revelou-se frio e contraditório, à imagem, de resto, da equipa de futebol na actualidade, produto exemplar desta gestão leonina.
Em certos casos, foi longe demais no seu esforço perseverante no sentido da destruição do Sporting Clube de Portugal. Para além de ter criticado duramente os sócios e adeptos leoninos, que em sua opinião não são tão bons “clientes” como os adeptos do Benfica (e, por isso, o canal “Sporting TV”, por exemplo, não avança), FSF, que confessou não saber o que fazer para levar mais sportinguistas ao estádio, teve o descaramento de elogiar Joaquim Oliveira (o chefe da Olivedesportos, que marca os jogos para horas tardias, que, alegadamente, retiram o público de Alvalade) e a capacidade de Pinto da Costa para ter transformado o FC Porto num clube de dimensão internacional, sempre com muitos “clientes” no estádio. Pinto da Costa que, recorde-se, foi castigado por corrupção pela Liga Portuguesa, assim como o seu clube, na sequência do processo "Apito Dourado", sobre o qual FSF continua sem saber o que dizer...
Naturalmente, FSF "esqueceu-se" de dizer que muito do sucesso do FC Porto há mais de duas décadas também aconteceu à custa de muitos roubos de arbitragem dentro dos campos de futebol, de que o Sporting foi um dos grandes prejudicados, nomeadamente durante os 18 anos em que os seus sócios e adeptos não puderam festejar um título nacional.
Mesmo assim, ao longo desse tempo, milhões (sim, milhões...) de sportinguistas não deixaram de manifestar uma enorme militância, enchendo o Estádio de Alvalade e muitos estádios do País, não sentados em cadeiras abrigadas da chuva, como no cinema, tal como acontece hoje, mas colocados uns em cima dos outros, muitas vezes debaixo de chuva. Não faltava "militância", como os sportinguistas provaram em todas as cidades do País e em vários pontos do Mundo, quando o Sporting foi campeão nacional no ano 2000. Há apenas oito anos...
Por isso, quando FSF afirma que o problema da falta de gente em Alvalade resulta da falta de militância da nação sportinguista, o que me apetece dizer é que FSF Franco perdeu o sentido de responsabilidade como presidente do Sporting ou já não percebe nada do que é o Sporting Clube de Portugal. Está, por isso, esgotado como presidente do Sporting, sendo necessário removê-lo quanto antes, em nome da vida do clube.
Portanto, já nem vale a pena analisar as suas propostas mirabolantes, que têm como objectivo acabar de vez com o Sporting, começando por eliminar o “empecilho” das modalidades. Embora aquela dos ordenados para os membros do conselho directivo de um clube sem modalidades tenha a sua piada... Já a promessa de construção do pavilhão, sempre adiada, é, neste contexto, uma mentira que tem enganado o esforço de milhares de pessoas, entre atletas, adeptos e sócios do Sporting...
Assim, Alvalade poderá resumir-se, dentro de poucos anos, a um centro de negócios de compra e venda de jogadores, como actividade instrumental que sirva até que os bancos recuperem o dinheiro emprestado, se possível com juros bem altos (é o que se presume da história da tal equipa de futebol competitiva que FSF tem contado sempre que fala do futuro). Para isso, os “clientes” que vão faltando no Estádio José de Alvalade, no fundo, no fundo, não fazem falta nenhuma...
O caminho está traçado. Até que haja um grande coração verde e branco que se revolte e saiba explicar à nação sportinguista o que está em causa, acabando com esta brincadeira que humilha mais de cem anos de história gloriosa ao serviço do desporto português. Se houver (e duvido que ainda haja), o Sporting ainda pode salvar-se.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Mau futebol deixa Alvalade cada vez mais vazio

Os associados e adeptos assobiam o futebol da equipa do Sporting e vão cada vez menos ao Estádio de Alvalade. Já os dirigentes leoninos, eventualmente contagiados, também assobiam, mas para o lado ou para o ar, justificando as vergonhosas assistências registadas em Alvalade com "a crise económica portuguesa e mundial". Sim, uma assistência de 35 mil espectadores num Sporting-FC Porto, ou seja, entre o vencedor da Taça de Portugal e da Supertaça e o vencedor do campeonato nacional, é um registo vergonhoso para o clube leonino... E não podemos esquecer o registo de assistências inferiores a dez mil pessoas em alguns jogos dos últimos anos... De resto, olhando para o lado, vemos as assistências do Benfica e do FC Porto a subir nesta temporada...
De acordo com um inquérito online promovido pelo diário “O Jogo”, em que participaram 1394 leitores do jornal, a crise económica é apontada como “a principal responsável pela quebra de assistências no estádio do Sporting” por 34 por cento dos inquiridos. O curioso é que a mensagem oficial de Alvalade sobre este problema aproveita a boleia desta justificação...
No entanto, convém não desviar as atenções. A verdade é que 32 por cento dos participantes no referido inquérito apontam Paulo Bento como responsável pelo pouco público em Alvalade e 23 por cento indicam os jogadores como culpados por assistências desoladoras. Tudo somado, 55 por cento das responsabilidades pela quebra dos espectadores em Alvalade são atribuídas à equipa de futebol, isto é, ao mau futebol praticado pelo Sporting. É isto que merece uma reflexão urgente.
Não adianta andar à procura dos motivos fora das quatro linhas de jogo, muito menos pondo em causa os homens do marketing leonino – que na temporada 2008-2009, é bom lembrar, tinham sido responsáveis por uma campanha promocional de venda dos lugares de época (as tais “gamebox”...) ao nível do melhor que se podia fazer no mundo (o famoso telefonema de Paulo Bento...), porém, também sem sucesso, uma vez que as vendas não dispararam.
Os homens do marketing trabalham em função do que têm para vender... Ou seja, só poderão ser bons se tiverem substância para vender... A grande verdade é que, num clube de futebol, o que há de mais importante para vender ao público é justamente o futebol. Se o futebol jogado não tiver qualidade capaz de seduzir as pessoas; se a equipa for ganhando umas taças à custa de doses cavalares de sofrimento dentro do campo e nas bancadas; se a equipa der constantemente 45 minutos de avanço aos adversários (e, às vezes, mesmo os 90 minutos...); se a equipa procurar ser em campo tão fria e calculista como se um jogo de futebol fosse um exercício de contabilidade; enfim, se Paulo Bento não conseguir colocar o Sporting a ganhar jogos e a obrigar os jogadores a dar uns minutos que sejam de espectáculo em cada jogo, é evidente que o povo vai deixando o Estádio José Alvalade cada vez mais vazio.
O futebol é emoção e o acto de comprar o bilhete para ir ao estádio é emotivo. Mas ninguém se emociona com um jogo frio, calculista, sempre à espera do erro do adversário ou do apito final. A não ser que seja masoquista.

Obs. – A maior alegria que Paulo Bento deu aos sportinguistas como treinador não foi, curiosamente, a conquista de um título. Porque será?... Foi a vitória sobre o Benfica por 5-3, que permitiu ao Sporting seguir para a última final da Taça de Portugal, que seria conquistada ao FC Porto. Mas até nesse jogo com o Benfica o Sporting fez a pior primeira parte da última temporada. Ao intervalo, o Sporting perdia por 2-0. Depois, uma segunda parte do outro mundo mudou a história. Recordo este facto para lembrar que até na sua vitória emocionalmente mais importante o Sporting de Paulo Bento jogou mal, muito mal. No final da última temporada, o balanço desportivo até foi melhor do que em 2006-2007. Mas será que alguém se lembra disso, depois de tantas derrotas humilhantes e exibições paupérrimas ao longo de uma época de sofrimento?... As pessoas lembram-se é que 2007-2008 foi o ano dos Gladstones, dos Celsinhos, dos Marian Hads e dos Purovics, e mais um ano de um atraso pontual irrecuperável em relação ao FC Porto, ou seja, um ano para esquecer.

LEÃO DA ESTRELA feito pelos leitores

[Concordo com tudo! Mas muitos supostos Sportinguistas virão aqui defender o PB como de costume. A mediocridade impera, muitas vezes com a desculpa de que não há dinheiro para melhor. Como se o futebol positivo e de ataque, a qualidade táctica, a coerência e a alegria de jogar futebol não fossem atributos que não são precisos comprar mas sim tê-los incutidos num treinador para pôr uma equipa a jogar e precisamente depois a entusiasmar os adeptos!] Pedro Silva

[Concordo. A derrota por 4-1 com o último classificado da Liga e que desceu (Leiria) foi difícil de digerir… Muito mesmo. Mas outro factor não deixa de ser importante: o preço dos bilhetes está muito caro para o mau futebol praticado. A direcção fez um campanha de promoção da equipa, a dizer que era melhor que o ano passado e que ia ganhar o campeonato para justificar esta tabela de preços. Acontece que vendeu gato por lebre. O pior é que alguns adeptos podem acabar por “se acomodar” ao sofá. Sempre me disseram: é mais fácil destruir que construir. O que se vai passar é isso mesmo. Vai demorar até conseguir voltar a ver Alvalade cheio.] Samuel Mota

[Esta direcção e, em especial, seu presidente, é fraca demais para um clube que, pelo menos, lutava por algo e tinha nos seus adeptos o seu ponto de alicerce, o que neste momento nem isso já tem, pois no "Futebol Finance", soube-se agora, que o FC Porto já passou o número de apoiantes do Sporting, o que não é de estranhar, pois quando estes dirigentes, em entrevistas, os apoiam, o número aumenta. Quando apresentam um lucro de 600 mil euros, e têm um passivo de 240 milhões a dizer que este até aumentou devido aos juros, depois de vender quase tudo (Academia está breve, pelo menos já está nas mãos dos accionistas), e se vangloriam, está tudo dito. Mas os sócios, ainda continuam a dormir e a gostar de acreditar no Pai Natal Soares e que ele existe... Este clube está a descer aos limites do insuportável, e não me admira que não venha a ser mais um clube que já o foi...] P. Sousa (blog Bancada Directa)

[O problema não é recente nem vem de agora, muito menos se deve única e exclusivamente a esta crise. Já não se recordam que, na época em que fomos à final da Taça UEFA, as assitências que tivemos em casa nos quartos e na meia-final? Não passou os 35.000. Recordem-se ou vão verificar isso. E no ano passado no derby da taça, nos históricos 5-3? 37.500, isso mesmo, num Sporting-Benfica... Este estádio só encheu na inauguração e mesmo assim, ficou a escassos lugares dos 50000 e na final da UEFA. De resto, volta Alvalade velho, tu sim, tinhas grandes casas. Em 2002, como alguém disse, as filas para comprar bilhetes para o derby davam a volta ao estádio e duravam mais de 10 horas... Curiosamente um ano depois, inaugura-se o novo estádio e começa a meu ver a crise de bilheteira... É preciso reflectir nestas coincidências. O preço do bilhete não ajuda muito, apesar da gamebox ser acessível e preço justo ou razoável para os tempos que correm. Há muito sportinguista no Norte e em Trás os Montes, no Minho e nas Beiras. Quem está em Lisboa, muitas vezes desconhece este universo. Há núcleos com centenas de associados, que são ignorados constantemente. A alma do Sporting é em todo o País e no Mundo. É preciso identidade, recuperar a mística leonina... Eu sou transmontano, sócio do Sporting há 16 anos, efectivo, com quotas sempre pagas. Vou a Alvalade 1 ou 2 vezes por ano, mas já tive a gamebox no 1.º e 2.º ano, pois o meu irmão mais novo estudava em Lisboa e ia ver os jogos. Continuo sócio, mesmo a 500 km de distância, sou dos tais 27000 que o nosso Presidente menciona na sua entrevista. É preciso dar a volta ao País, ir aos núcleos, estabelecer parcerias, promover uma cultura de marketing com base na mística leonina que tem de ser recuperada. A meu ver as gamebox são um flop e impedem que Alvalade encha, pois há muito sócio que não comparece a todos os jogos e apesar do encaixe financeiro a cadeira fica vazia e é menos uma voz a gritar Sporting. Outro dia falei aqui na identidade do Sporting, no post da crise de identidade e continuo a pensar que o problema está precisamente nisto. Mas os outros também vão passar por isso, é uma questão de tempo...] Eugénio Borges

RECORTES Pedro Barbosa existe

Na óptica dos sportinguistas, as derrotas do Sporting nos clássicos com o Benfica e o FC Porto tiveram um mérito: provaram que existe no clube um director para o futebol e que ele não aparece apenas quando há sorteios da Taça.
Que Pedro Barbosa tem uma personalidade reservada é do domínio público. Só que a discrição quase absoluta que tem cultivado acaba por expor demasiado o treinador. É igualmente verdade que Paulo Bento não é de se resguardar sempre que se torna necessário “dar o peito às balas”. Mas isso recomenda ainda mais que surja uma figura “por cima” que faça de pára-raios. E não convém que seja, como tem acontecido, (só) o presidente.
O facto de Pedro Barbosa raramente falar às bases ampliou o alcance do discurso de apoio à equipa (incluindo o treinador, obviamente) após o desaire com o FC Porto. O que, parecendo positivo, acabou por criar uma imagem também ampliada para crise: se Pedro Barbosa decidiu dar um voto de confiança é porque alguma coisa vai mal no balneário. Uma conclusão óbvia e que não é necessariamente verdadeira.
Para que as suas palavras assumam a dimensão adequada, Pedro Barbosa vai ter de encontrar o registo certo – na extensão e na frequência – para as suas intervenções públicas. Apesar do atraso enorme, pode dizer-se que começou bem.
AUTOR: Luís Óscar, "Record Online", 08-10-2008

RECORTES O direito ao assobio e outras coisas

Quando Miguel Veloso, desagradado com os assobios dos sócios e adeptos do Sporting, disse que “os que vêm ao Estádio para assobiar, é melhor que fiquem em casa”, estava a portar-se, não como um profissional que é, mas como um menino mimado, que não sei se é. De qualquer forma, a sua é uma reacção inaceitável. Se os adeptos e sócios do clube seguissem o “conselho”, quem lhe pagava os salários, com quem encheria ele as bancadas do estádio, quem garantiria a existência do Sporting, não apenas em termos económicos e financeiros, mas como entidade social e grande instituição desportiva que é? E quem é que os aplaude nas horas boas, sofre e chora nas más?
O mais estranho é que ninguém pegou no braço do menino e lhe disse umas coisas sensatas e inevitáveis. Pelo contrário. Paulo Bento, pelo menos, apoiou a insurreição do jovem futebolista e, ainda que veladamente, criticou os adeptos, achando “estranho”, que uma equipa que (e enumerou os sucessos dos últimos anos) fosse assobiada no seu próprio estádio.
Eu diria que os protagonistas do futebol indígena estão mal habituados. (...). Estas situações levantam uma questão curiosa em que alguns teóricos julgaram ver o fim próximo do espectáculo futebolístico, tal como é hoje, com a transformação dos clubes em sociedades anónimas e a subsequente tomada de posse dos grandes clubes por empresários e investidores. O clube tradicional morria, os adeptos e sócios ou eram accionistas da sociedade ou iam à vida.
Mas não é bem isso que está a acontecer, por exemplo em Inglaterra ou Itália, onde uma maioria de clubes, os maiores, são hoje sociedades cotadas, propriedade de investidores. Pertença o clube a quem pertencer, os seus fiéis adeptos continuam a assobiar e a protestar, sem que ninguém os mande para casa. De tal modo, que ainda recentemente os do Newcastle, por exemplo, fizeram tanto e tamanho incómodo que o dono do clube, o sr. Mike Ashley (que pagou 400 milhões de libras por ele) teve que o pôr à venda.
Moral da história: ninguém cala, muito menos manda para casa, um verdadeiro adepto ou sócio de um clube. Protestar ou assobiar por ele é um direito, que se não vem, devia vir na Constituição. (...)
AUTOR: Rui Cartaxana, "Record Online", 04-10-2008

terça-feira, 7 de outubro de 2008

A "crise de identidade" leonina

Após um início de época fulgurante, com a conquista da Supertaça Cândido Oliveira e três vitórias consecutivas para o campeonato, o jogo com o Barcelona marcou um início de um ciclo nada positivo para o Sporting. A derrota na Catalunha revelou um leão demasiado frágil e até medroso para quem é apelidado de rei da selva. Depois, as derrotas frente aos históricos adversários, Benfica e Porto, ainda com uma vitória sobre o Basileia pelo meio, fizeram e fazem chover um coro de críticas em Alvalade. Lá veio novamente Abrantes Mendes disparar contra tudo e contra todos, tal como sempre acontece - quando o Sporting perde.
No mínimo, é incompreensível que o mesmo Sporting que ganhou a Supertaça e que se assumiu como candidato ao título de campeão nacional ande agora com uma espécie de “crise de identidade”. Paulo Bento continua teimoso e mais que fiel às suas ideias (chamar-lhe teimosias talvez seja melhor). O famigerado losango já foi mexido e remexido. Não será hora de encontrar outra solução? Tirar Derlei, manter Roca em campo e colocar Djaló a 10 (na partida com o Porto) são opções minimamente discutíveis! A falta de seriedade, ambição e personalidade com que a equipa leonina tem ultimamente encarado os jogos é surpreendente. As partidas contra o eterno rival Benfica e com o Porto seriam, supostamente, motivo de maior ambição e concentração. Mas o que se viu em campo foi uma equipa, ou melhor, não se viu uma equipa: viram-se jogadores perdidos, desconectados, lentos…
Não será a hipótese de ganhar o campeonato, após anos de jejum, motivo mais que suficiente para dar força? Ou a hipótese de ultrapassar a primeira a fase de grupos da Champions? Será que nada disto é realmente importante e uma fonte de ambição para os jogadores e para o treinador?... Porque, embora me custe acreditar, é essa a imagem que tem transparecido. Dar quarenta e cinco minutos de avanço ao adversário é impensável para uma equipa que se assuma como candidata ao título.
Para quem pensava que a equipa estava consolidada, enganou-se redondamente - há ainda muitas arrestas por limar e muito para trabalhar. Paulo Bento conta este ano com mais opções para trabalhar o "onze", comparativamente à época passada e este Sporting pode fazer muito mais. Então, por que é que não o faz?
Muitas dúvidas e só vamos na quinta jornada. Muitos dirão que é demasiado cedo para tantas dúvidas; outros que ainda há muito tempo para as desfazer. Mas nos últimos jogos ficaram patentes as fragilidades dos leões: a equipa está demasiado presa a um sistema de jogo e não consegue libertar-se das suas amarras. É necessário dar lugar à criatividade. FOTO: Reuters

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

A imprensa desportiva na primeira página...

É um exercício interessante, cujas conclusões escapam ao comum dos leitores. Mas, reparando bem nas primeiras páginas dos jornais desportivos desta segunda-feira, temos o retrato da nossa imprensa em todo o seu esplendor. O FC Porto ganhou em Alvalade e, só por isso, a equipa de Jesualdo Ferreira é o ângulo das manchetes. Sobre o adversário ou sobre a contestação ao treinador Paulo Bento, nem uma palavra. Será receio em assumir rupturas com os dirigentes do Sporting?...
“Uma boa táctica e um grande Bruno”, escreve “O Jogo”, que não diz uma palavra sobre a exibição do Sporting, deixando essa “espinhosa” missão para terceiros, neste caso, o antigo jogador leonino João Pinto, que agora dá os primeiros passos como comentador desportivo.
“Leão paga a factura” é a manchete “fiscal” do “Record”, aludindo a uma famosa frase de efeito psicológico de José Mourinho, antigo treinador portista, que, após um desaire, prometera que os “leões” pagariam a “factura” no jogo seguinte, o que veio a confirmar-se com uma goleada. No "Record", o FC Porto é o ângulo da manchete e nada é dito na primeira página sobre a exibição do Sporting.
Finalmente, “A Bola”, que dizem ser a “bíblia” do futebol português, mas que continua a ser, cada vez mais, a “bíblia do Benfica”, tal é o destaque gráfico dado a Quique Flores e tal é a desvalorização do “clássico” Sporting-FC Porto, que, diz o jornal da Travessa da Queimada, “nem chegou a aquecer”. A manchete “Mais Dragão que Leão” é uma conclusão demasiado óbvia que se vê logo olhando para o resultado. A cereja em cima do bolo é mesmo o destaque dado por “A Bola” ao Benfica, sustentado num título claramente benfiquista: “FC Porto chega ao 1º lugar mas Benfica quer alcançá-lo já hoje”. Outra curiosidade: no referido título, o “Benfica” aparece impresso a vermelho e o FC Porto a preto... Preto que também dá fundo à manchete relativa ao jogo de Alvalade...
Em conclusão: os jornais desportivos portugueses estão sempre alinhados com quem ganha ou com quem pode ganhar, estando sempre prontos e disponíveis para fazer a festa, e recusam-se a falar dos derrotados, muito menos para criticar o seu desempenho, evitando, deste modo, rupturas de consequências desagradáveis. Apesar da concorrência entre os três jornais, o público consumidor não dispõe de uma imprensa melhor. Até um dia, o “sistema” vai funcionando para todos, menos para os leitores, que têm de procurar informação e, sobretudo, opinião em meios alternativos, como a blogosfera...

domingo, 5 de outubro de 2008

Sporting em queda livre

Duas derrotas consecutivas com o Benfica e o FC Porto, adversários directos na luta pelo título nacional, afastaram o Sporting da liderança da I Liga Portuguesa. Depois de três vitórias nas primeiras três jornadas - nenhuma delas com brilho -, a equipa de Paulo Bento falhou totalmente contra contra "águias" e dragões", evidenciando demasiadas fragilidades para quem diz que quer ficar em primeiro lugar no final da prova. A juntar a isso há o factor psicológico, obviamente negativo, de quem já esteve lá em cima e que foi atirado cá para baixo por aqueles que têm os mesmos objectivos...
De um momento para o outro, o Sporting acorda para uma realidade inesperada há algumas semanas, voltando a olhar para os adversários de baixo para cima na classificação e descobrindo que as badaladas "contratações cirúrgicas", afinal, são incapazes de "cicatrizar" as lacunas do plantel. Isto a juntar à instabilidade provocada por casos a mais - de Stojkovic a João Moutinho, passando por Vukcevic -, e a um treinador que parece incapaz de dar a volta à situação - tantas são as vezes em que "não entrámos bem no jogo..." ou que sofremos golos decisivos em lances de bola parada.
Na época em que a direcção de Filipe Soares Franco mais dinheiro investiu, o futebol do Sporting volta a ser posto em causa, com os associados e adeptos divorciados da equipa e vice-versa, como se vê pelas assistências mais baixas da história do clube ultimamente registadas no Estádio José Alvalade ou por comentários de jogadores e treinador sobre os legítimos assobios dos sportinguistas que pagam para ver espectáculos que têm sido maus.
É evidente que nada está perdido. Mas a verdade é que, à quinta jornada da Liga 2008-2009, o Sporting já perdeu seis pontos. Mais três do que no ano em que José Peseiro foi corrido do clube logo à sétima jornada. É muito para quem quer ser campeão. FOTO: "Record Online"

sábado, 4 de outubro de 2008

Quando Pinto da Costa elogiava o Benfica...

Segundo as minhas memórias leoninas mais marcantes, a única vez em que o Sporting recebeu o FC Porto na condição de líder da principal Liga Portuguesa foi na já distante temporada de 1981-1982. Um jogo que encerrou a primeira volta do então Campeonato Nacional da I Divisão, e que a equipa leonina venceu por 1-0, com um golo apontado pelo improvável Mário Jorge. Improvável porque, nesse jogo, o esquerdino Mário Jorge, um jovem talento da formação leonina, então com 20 anos, fez a sua estreia como titular do Sporting naquela que foi uma das decisões mais surpreendentes e arrojadas do treinador inglês Malcolm Allison, pois deixou o melhor marcador da equipa, Rui Jordão, de fora, por verdadeira opção técnica e também psicológica, e apostou num rapaz que nunca tinha jogado no Estádio José Alvalade cheio com mais de 70 mil pessoas.
Hoje, num tempo de treinadores estudiosos e previsíveis, a decisão de Allison seria completamente impossível. A verdade é que o técnico inglês ganhou a aposta, que teve no golo solitário de Mário Jorge a cereja em cima do bolo. Depois, para manter Mário Jorge na equipa leonina, o treinador inglês fez dele um lateral-esquerdo, "moderno", como se dizia na altura, pois tinha uma grande apetência ofensiva, ele que até então jogara sempre como extremo esquerdo - porque, na altura, a equipa apresentava-se com quatro defesas, três médios e três avançados, não tendo medo de atacar em qualquer campo. Malcolm Allison tinha, aliás, uma máxima: "O importante é marcar sempre mais um golo do que o nosso adversário". O que, nessa gloriosa temporada de 1981-1982, aconteceu o número de vezes suficientes para que o Sporting fosse campeão nacional, vencesse a Taça de Portugal e a Supertaça Cândido Oliveira, disputada na época seguinte.
Tempos gloriosos, em que Pinto da Costa, então a emergir na liderança do FC Porto, apontava o Sporting como principal adversário da estratégia expansionista do clube nortenho e tecia rasgados elogios ao Benfica... E recordo este pedaço da história leonina da década de 1980 para para que os actuais jogadores do Sporting, que neste domingo recebem o FC Porto na condição de líderes da Liga, não se esqueçam disso e honrem a camisola das listas verdes e brancas que envergam.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O fim do "caso" Vukcevic

Da mesma forma que os problemas aparecem, também desaparecem. O “caso” Vukcevic existiu, abalou o futebol do Sporting, mas parece estar resolvido. E talvez em definitivo. A poucos dias do importante jogo com o FC Porto, é uma boa notícia em Alvalade.
Antes da época começar, Vukcevic foi um tonto ao ter afirmado que queria ter a garantia de que seria titular para continuar em Alvalade e, mais tarde, que iria sair no próximo mês de Dezembro, como se o seu contrato de trabalho fosse um documento unilateral.
A SAD do Sporting recusou as alegadas ofertas que chegavam para aquisição do atleta e Paulo Bento lá aguentou as bocas foleiras de um jogador ainda jovem, que está longe do seu País e que tem num empresário de escrúpulos muito duvidosos a sua almofada principal.
O tempo foi passando e Vukcevic lá apareceu na equipa leonina, tendo sido determinante na construção da primeira vitória do Sporting na Liga dos Campeões. No final, o jogador montenegrino disse aquilo que, aparentemente, deveria ter dito em todas as vezes que abrira a boca com um microfone à sua frente: “Vou trabalhar, como sempre, para conseguir um lugar. Só quando estou lesionado é que não posso fazê-lo.”
Estas são declarações de um jogador “à Sporting”. Estas são declarações que dão o caso como resolvido. Ao Sporting importa perceber como tudo começou. Porque o importante será evitar trapalhadas idênticas no futuro. FOTO: "Record Online"

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Vitória europeia com sinais de perturbação

O jogo com o Basileia era para ganhar e o Sporting ganhou mesmo, após a derrota na jornada inaugural da Liga dos Campeões 2008-2009, em Barcelona, e da derrota com o Benfica, para a Liga Portuguesa. Ganhou com justiça, por 2-0, numa exibição que, no entanto, não foi linear. Mas o importante é que a equipa leonina conquistou os primeiros três pontos, que permitiram alcançar os ucranianos do Shakhtar Donetsk, que perderam em casa com o Barcelona (1-2), desfecho que confirmou a equipa espanhola como principal candidata à vitória no Grupo C. Resta saber se será acompanhada no apuramento pelo Sporting ou pelo Shakhtar Donetsk.
Se nos regularmos por aquilo que o Sporting fez no primeiro tempo da partida contra o Basileia, só por muita sorte é que a equipa orientada por Paulo Bento será apurada. Se, pelo contrário, houver um Sporting mais próximo daquele que actuou na segunda parte, em que construiu uma vitória por 2-0 sobre os suíços, será possível esperar que o conjunto leonino faça história, apurando-se, pela primeira vez, para a segunda fase da Liga dos Campeões.
Quanto ao jogo com o Basileia... Para quem acha que o que interessa é ganhar, não importando como, está tudo bem. Para quem não gosta de ganhar de qualquer maneira, este Sporting demonstra claros sinais de perturbação. Sinais de perturbação surpreendentes, ou talvez não.
João Moutinho escondeu-se depois de um Verão agitado. Vukcevic também foi notícia pelos piores motivos, regressando agora frente ao Basileia, surpreendentemente e, claro, longe da melhor forma, mas ainda assim foi suficiente para ficar ligado aos melhores momentos da equipa. Rochemback está uma sombra daquilo que mostrou nos primeiros jogos da temporada, que são aqueles que deixam maiores impressões. E como ele foi então "nomeado" para o "cargo" de "motor" da equipa, é natural que a equipa tenha deixado de funcionar... Felizmente, Liedson está para chegar, criando os desejáveis problemas de abundância no ataque.
Ao intervalo do jogo desta segunda jornada da Liga dos Campeões, a equipa leonina foi assobiada, mas o tempo não dá margem para grandes assobiadelas, sob pena de os prejuízos, nesta fase, serem maiores. Não sei se os visados do público que não consegue encher Alvalade eram os jogadores ou o treinador. Mas isso é pouco importante. O visado foi o Sporting. Só que o FC Porto, que foi humilhado pelo Arsenal, está aí, já na próxima jornada da Liga portuguesa. E o Sporting tem o primeiro lugar para defender.
Ora, defender a liderança significa ganhar, mais uma vez, à equipa de Jesualdo Ferreira. Ao ter perdido em Barcelona com uma exibição tão desinteressada, na abertura da Liga dos Campeões, e, dias depois, na Luz, caindo aos pés de um Benfica altamente pressionado, Paulo Bento fez do jogo com o FC Porto mais um teste à sua sobrevivência em Alvalade. É a vida de um treinador. Sempre a depender dos resultados. Pode parecer que não, mas até com Alex Ferguson é assim.
FOTO: Francisco Leong (AP Photo)

A imprensa cor-de-rosa

O FC Porto foi esmagado em Inglaterra, para a Liga dos Campeões, perdendo 4-0 no terreno do Arsenal. Nada de extraordinário tendo em conta o rendimento da equipa de Jesualdo Ferreira no plano interno. Hoje, a crónica do diário desportivo "O Jogo" começa assim: "Se Rodríguez não tivesse acertado na barra; se Clichy não cortasse em cima da linha de golo aquele remate de Lisandro. Enfim, "ses" legítimos como este, que segue em forma de pergunta: e se Lucho tivesse testado a condição física jogando logo de início? É fácil dizê-lo no fim, já se sabe, mas não foi preciso esperar tanto para se perceber que a alternativa cozinhada não funcionava. Resultado: o FC Porto continua sem ganhar em Inglaterra e continua também a mudar a identidade nos jogos que faz em território inglês. Para pior. (...)"
Por que é que trago aqui esta prosa cheia de "ses" a falar do FC Porto? É muito simples: se o futebol português soma derrotas internacionais isso também se deve à falta de exigência da imprensa portuguesa, em particular a desportiva, que há muito tempo vive engajada com os clubes. Com uma imprensa dócil, que descreve um treino como se fosse um grande jogo dos craques da nossa equipa ou que coloca o jogador A ou B nos píncaros antes de ele provar o que quer que seja, vivemos todos num mar de rosas, julgando que somos os melhores do mundo. O problema é quando os testes são a doer. Como foi o caso do FC Porto em Londres, do Benfica em Itália ou do Sporting em Espanha.
Enquanto os clubes portugueses tiverem medo de debater abertamente os seus problemas ou tiverem medo das más notícias e não perceberem que, a prazo, são gravemente prejudicados por uma imprensa que trata as questões do futebol como se fossem problemas do "coração" - no sentido romântico da palavra... -, as coisas não vão mudar. Até lá, os blogs ganham terreno como veículos cresdíveis de informação e debate. Por alguma coisa é.
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