domingo, 30 de novembro de 2008

O regresso às vitórias

Liga Portuguesa, 10ª Jornada - SPORTING-V. GUIMARÃES, 2-0. Golos de Hélder Postiga (8') e Liedson (21'). FOTO: Francisco Leong (AFP - Getty Images)

MEMÓRIAS LEONINAS Lazlo Bolöni

O romeno Lazlo Bolöni, o homem do bloco de notas que esteve no Sporting entre 2001 e 2003, foi o primeiro treinador estrangeiro a conquistar todos os troféus em Portugal numa temporada só. Em 2001-2002, Bolöni foi campeão nacional, vencedor a Taça de Portugal e vencedor da Supertaça Cândido de Oliveira. Nenhum outro treinador conseguiu tamanho feito em Portugal, à excepção do português José Mourinho, no FC Porto.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

A Liga dos Campeões não é a Liga Intercalar...

Diziam que era um jogo sem a pressão de ganhar, dado já estar assegurado o apuramento para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, e os jogadores do Sporting parece que interpretaram à letra essa expectativa, encarando o Barcelona como quem joga em Alvalade com o Estrela da Amadora para o campeonato português. Só que a Liga dos Campeões não é a Liga Portuguesa ou a Liga Intercalar. O Barcelona, que joga todas as semanas numa das ligas mais competitivas da Europa, tendo, por isso, outro ritmo de jogo e outra capacidade física, e que possui um grupo de jogadores de grande qualidade técnico-táctica, não poderia ter encontrado a liberdade que teve para jogar, para conduzir a bola, para pensar muito antes de decidir.
Demonstrando os mesmos erros que muitas vezes evidencia nos jogos das competições internas, o Sporting perdeu pela atitude reverente do seu jogo lento e inconsequente, no pouco tempo em que teve a bola em seu poder, mesmo perante um Barcelona que até foi poupado nas opções que colocou em campo. Por outro lado, a desconcentração defensiva leonina – que teve em Anderson Polga e Marco Caneira os seus principais intérpretes – acabou por oferecer ao adversário uma goleada histórica (2-5) em jogos internacionais. Na verdade, não me lembro de o Sporting perder em Alvalade por cinco golos para as provas da UEFA.
Para além da desconcentração defensiva, que resultou em três golos oferecidos que, em condições normais, o Barcelona não marcaria, o Sporting não soube fazer a bola circular, enfim, não soube jogar. Paulo Bento chamou-lhe “ingenuidade”. Talvez tenha sido isso e mais alguma coisa. A verdade é que, quando o Sporting reduziu para 2-3, ficou a ideia de que o jogo poderia ter sido diferente se a atitude e a competência leoninas tivessem sido outras desde o minuto inicial.
Uma nota para o trabalho do árbitro para dizer que cometeu dois erros (um para cada lado) que resultaram em golo. No livre que deu a Miguel Veloso o primeiro golo do Sporting, não me parece que o defesa espanhol tenha cortado a bola com a mão. Logo, não haveria lugar à marcação do livre directo. Depois, no lance que ditou a expulsão de Rui Patrício (na foto) também não havia motivos para grande penalidade. Na minha opinião, o guarda-redes do Sporting procurou apenas jogar a bola, dando-lhe uma palmada, acabando por derrubar o avançado catalão porque estava no ar e tinha de cair em algum lado em virtude da lei da gravidade.
Outra nota para Liedson. Mereceu aquela ovação, quando foi substituído. Demonstrou, de facto, que é um jogador da Liga dos Campeões, pelo que não merecia ter sofrido tamanha derrota. No conjunto dos dois jogos com o Barcelona, o Sporting marcou três golos e sofreu oito. Péssimo. O que nos vale é que há uns Basileias que ainda vão entrando na principal prova europeia de clubes...
E a fechar, uma nota sobre o público, para dizer que pareceu surrealista ouvir das bancadas leoninas gritos de "olé", já na parte final, sempre que os jogadores do Sporting trocavam a bola, como se o resultado estivesse ao contrário... Pareceu mesmo o cúmulo da falta de ambição leonina... FOTO: AFP - Getty Images

O Barcelona e a pressão leonina

Há uma ideia dominante na antevisão do Sporting-Barcelona desta noite, segundo a qual a equipa portuguesa vai receber os espanhóis num jogo em que não terá a pressão de ganhar. Ora, em futebol, a falta de pressão de ganhar é meio caminho andado para uma equipa perder. Não é por acaso, aliás, que Paulo Bento se manifestou preocupado com a falta de pressão, pelo facto de o Sporting já estar apurado para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões 2008-2009 - um feito que é histórico em Alvalade e que, confirmado o apuramento do FC Porto, contribui decisivamente para uma proeza histórica do futebol português que, pela primeira vez, coloca duas equipas na segunda fase da prova maior do futebol mundial a nível de clubes.
Embora não se compreendendo a necessidade de a SAD do Sporting reunir com os jogadores, atrasando o início de um treino, para negociar um aumento do prémio por um eventual primeiro lugar no Grupo C, num sinal de falta de planeamento da temporada numa matéria que é sagrada para quem trabalha, o que este desafio com o Barcelona nos vai dizer é se a equipa leonina está ou não preparada para grandes conquistas internacionais, ou, por outras palavras, se se contenta com o objectivo mínimo (o segundo lugar no Grupo C e apuramento já alcançados) ou se não se contenta com isso e entra em campo como se ainda não tivesse conquistado nada nesta edição da Liga dos Campeões. Oxalá estejamos perante a segunda hipótese, pois seria um sinal de que os jogadores leoninos estão muito empenhados em fazer sempre o melhor possível. E, já agora, em reforçar o vínculo afectivo com o público que os apoia e paga o bilhete para ver bom futebol.
Uma exibição de gala e uma vitória sobre o Barcelona teria também o condão de apagar a má imagem deixada pelo Sporting em Espanha no último Verão. Que os jogadores se lembrem do vexame de Madrid e respondam com a qualidade e a competência que possuem, sem se esquecerem que o Barcelona é o Barcelona, isto é, para além de ter um craque chamado Messi, é uma das melhores equipas do mundo e não quer, com toda a certeza, ficar atrás do Sporting em qualquer circunstância.
Finalmente uma palavra para a chamada ao grupo dos convocados do defesa-central júnior Pedro Mendes. É evidente que foi por necessidade, face à onda de lesões que tem varrido o plantel, mas Paulo Bento poderia ter optado por outra solução. Ao chamar um júnior para um jogo com um gigante europeu e mundial, o treinador deu um sinal da importância dos jogadores da formação. Que sinais destes continuem a ser dados! FOTO: www.uefa.com

terça-feira, 25 de novembro de 2008

A alegada agressão de Stojkovic

Já há muito tempo que circulam na Internet comentários anónimos dando conta de um episódio de indisciplina alegadamente protagonizado pelo guarda-redes Stojkovic no balneário leonino, na época passada – o qual estaria na base do afastamento do guardião sérvio das opções do treinador Paulo Bento. O próprio LEÃO DA ESTRELA recebeu essas informações, mas não lhes deu credibilidade, tanto mais que, por parte da comunicação social, nomeadamente a desportiva, que se saiba, o caso nunca foi investigado, nem foi objecto de notícia.
Agora, porém, o blog Bola na Área, num “post” assinado pelo jornalista do “Record” Eugénio Queirós, recorre a um registo irónico para revelar que “[Pedro] Barbosa nunca mais foi o mesmo desde que, em pleno balneário, levou uma pêra de Stojkovic”. Na caixa de comentários, o caso não é desmentido e há até quem revele mais pormenores. Por exemplo, que Stojkovic terá agarrado Paulo Bento pelos colarinhos na frente de outras pessoas. Tudo isto, refira-se, terá ocorrido na época passada.
Ora, a serem verdadeiras estas informações, o que surpreende é que, na altura, o guarda-redes Stojkovic não tenha sido punido de modo exemplar e que, quase um ano depois, continuem todos a conviver dentro do balneário com um caso grave por resolver, num clima de absoluta paz podre. Ao mesmo, tempo, sempre que Rui Patrício falha na baliza leonina, Paulo Bento desgasta-se, ao ser criticado pelo “clube de fãs” do sérvio, que acusam o treinador de desperdiçar um activo da SAD do Sporting.
Reconheço que é um caso complicado, mas que teria de ser objecto de uma decisão exemplar da administração do Sporting na altura própria. Até para não engrossar a lista de casos. Na tentativa de não perder tudo, o clube colocou o guarda-redes no mercado, mas não conseguiu vendê-lo.
A revelação pública do caso acabaria por desvalorizar o atleta. De qualquer modo, não sei se não teria sido melhor para a saúde futura do grupo de trabalho do Sporting abdicar de 1 milhão de euros, contando a história toda e punindo severamente a indisciplina. Talvez o grupo ganhasse em coesão e o milhão de euros fosse recuperado em pouco tempo com vitórias desportivas… Doutro modo, sobrou um caso que vai durando enquanto todos os protagonistas estiverem no Sporting. Prova disso é que Stojkovic passou de primeiro para o último dos guarda-redes, pois continua afastado dos convocados.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A indisciplina, os árbitros e a formação

Na Figueira da Foz, o Sporting arrancou uma vitória em condições notáveis, pelo espírito de sacrifício e coesão que os nove jogadores que chegaram ao fim demonstraram, num jogo apitado por um árbitro visivelmente hostil. E por falar em árbitro hostil, é bom que o balneário do Sporting se convença de que as hostilidades – que foram abertas e têm sido dirigidas por Paulo Bento, face à nulidade, nesta matéria, que tem sido a administração da SAD, e, em particular, o seu representante na Liga de Clubes – vão continuar a penalizar o futebol da equipa verde e branca, por força do corporativismo dos árbitros. Adivinham-se, portanto, tempos difíceis, como já preveniu Paulo Bento, não só por esse factor externo de uma arbitragem portuguesa incompetente e ressabiada com quem coloca em causa a sua seriedade, mas também por factores internos que estão em agenda, nomeadamente o processo eleitoral, que terá, obviamente, reflexos na gestão do futebol do Sporting.
A forma como o árbitro Artur Soares Dias apitou na Figueira da Foz é já um sinal dos novos tempos. A Naval 1º de Maio deveria ter sido a primeira equipa a ficar reduzida a dez jogadores, o que mudaria a história da partida. Mas Soares Dias “não viu” o pé de Derlei a ser pisado. Azar. Acabaria por ser o Sporting a ficar com menos dois atletas em grande parte do segundo tempo. E aqui é que o Sporting precisa de reflectir: sabendo que o árbitro não estava a ser imparcial (o espectáculo da repreensão verbal a Paulo Bento foi só mais um sinal dessa imparcialidade...), os jogadores leoninos não tiverem isso em conta dentro do campo. E o pior é que, Derlei e Caneira, que são reincidentes em expulsões esta época, são dos jogadores mais experientes do plantel. Isto é, os erros de indisciplina que habitualmente eram atribuídos à falta de experiência dos jovens formados na academia estão a ser cometidos com uma frequência inusitada por aqueles jogadores que foram contratados para dar à equipa do Sporting a experiência e a serenidade de que precisa nos momentos mais adversos.
Não deixa de ser motivo de preocupação, em particular o modo como Derlei arranja maneira de sair mais cedo do campo, deixando a equipa exposta a problemas inesperados. Ele que é o jogador mais velho da equipa e com grandes títulos internacionais conquistados – a Taça UEFA e a Liga dos Campeões. Um jogador com o palmarés e a experiência de Derlei não pode continuar a gozar do estatuto de intocável quando tem momentos em campo em que mais parece um touro enraivecido… O que o Sporting precisa é do Derlei que fabrica golos, como, curiosamente, aconteceu na Figueira da Foz, ao entregar a bola a Liedson numa bandeja de prata… Quanto a Caneira, o lance que determinou a sua expulsão só tem uma explicação razoável: uma certa falta de jeito que levou o Valência a libertá-lo…
Finalmente, uma palavra para os jovens da formação – foram seis a terminar o jogo, e ainda ficou Yannick Djaló no banco, o que é caso único na Liga portuguesa e talvez na Liga dos Campeões –, com destaque para Daniel Carriço (na foto), que fez o segundo jogo como titular (com Paulo Bento forçado pelas circunstâncias, é certo), e para Rui Patrício, que defendeu uma grande penalidade e continua a conquistar espaço na baliza.
Daniel Carriço merece continuar a fazer dupla com Anderson Polga. E se a defesa continuar com bom desempenho, o jovem deve continuar lá, independentemente de Tonel, quando recuperar da lesão que o afastou. Se isso acontecer, os jogadores do Sporting sentirão que vale a pena trabalhar nos treinos. Porque, o pior que pode acontecer num grupo de trabalho é um jogador saber que há colegas que, estando bem fisicamente, têm sempre o seu lugar garantido.

sábado, 22 de novembro de 2008

A vitória do sacrifício

NAVAL-SPORTING, 0-1. Golo de Liedson (15'). FOTO: José Manuel Ribeiro (Reuters)

A cruzada de Dias da Cunha

Dias da Cunha continua na sua cruzada contra a gestão de Filipe Soares Franco na presidência do Sporting, alertando agora que, “se os associados não reagirem", o clube morre dentro de pouco tempo. Nada que nos surpreenda, infelizmente. Numa entrevista ao Rádio Clube Português, Dias da Cunha voltou a dizer que se arrependeu de ter deixado o Sporting nas mãos de Franco. "Sabendo o que sei hoje, não teria deixado cargo...", disse.
Aquilo que deveria ser entendido como uma visão alternativa para o futuro do Sporting já cheira, porém, a uma guerra pessoal sem limites. De entrevista em entrevista, o ex-líder leonino já anda a chover no molhado há muito tempo, tornando cada intervenção num ruído de fundo cada vez com menor expressão.
Pela autoridade que a sua voz simboliza na nação sportinguista e por ser o único dirigente com peso no clube que não se resigna publicamente, Dias da Cunha deveria anunciar a sua candidatura à presidência, sendo consequente com o que tem dito.
Com Filipe Soares Franco do outro lado da barricada, teríamos, talvez, o confronto mais indicado para mobilizar os sportinguistas em torno da discussão sobre o futuro do Sporting Clube de Portugal, num combate eleitoral certamente vibrante como há muito não acontece para mal do clube. Só que o ex-presidente não encara a possibilidade por se considerar velho para essa empreitada. Mas a ameaça de morte que paira sobre o Sporting, como alerta Dias da Cunha, não justificaria o sacrifício? Por outro lado, se não vai a jogo nem arranja uma solução que protagonize aquilo que pensa, por que é que continua a falar?...

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Yordanov, os sportinguistas estão contigo!

Os burocratas do Sporting continuam a dar pontapés nas memórias do clube e da SAD que gere o futebol profissional. E vão de tribunal em tribunal na tentativa de travar uma homenagem à antiga glória Yordanov. O problema deles é que vão de tribunal em tribunal - talvez para justificar prémios anuais de muitos milhares de euros... - até à derrota final. Porque, neste caso, o Sporting já há muito que sofreu uma pesada derrota moral. Mas eles não percebem isto. Paciência! Recordemos o que escreveu o LEÃO DA ESTRELA sobre este triste caso no último ano:

A GUERRA JUDICIAL
Para os sportinguistas, já não interessa saber o que está em causa no conflito judicial entre o búlgaro Yordanov e os burocratas do Sporting Clube de Portugal. Digo burocratas, porque não acredito que Filipe Soares Franco – que foi vice-presidente do Sporting nos tempos em que Yordanov era um dos símbolos do clube – esteja consciente do espectáculo deprimente e desprestigiante que esta história constitui para o clube fundado pelo Visconde de Alvalade. Uma história digna de um clube sem memória e, portanto, sem história. Ora, não é o caso do Sporting. Portanto, vai sendo tempo de recolocar Yordanov no lugar a que tem direito na família do Sporting Clube de Portugal. Yordanov foi um exemplo de trabalho e de dedicação ao clube durante uma década. Respeitado pelo balneário, foi “capitão” sem se colocar em bicos de pés. Chegou da Bulgária muito jovem, no início dos anos noventa, contratado por Sousa Cintra, e marcou uma geração. Foi talvez dos últimos estrangeiros cujo nome ficará para sempre na nossa memória à conta de tantos anos que vestiu a camisola do Sporting. Por isso, merece o respeito e admiração de todos os sportinguistas. Sobretudo agora que são contratados jogadores de outros países que não sabem honrar as camisolas que envergam e que passam pelos clubes como autênticos meteoritos…
LEÃO DA ESTRELA, 24-10-2007

O MERCANTILISMO
É uma vergonha para o Sporting Clube de Portugal saber que o antigo "capitão" Yordanov, um dos jogadores que melhor interpretaram a mística sportinguista, nos anos noventa e também neste século, esteja agora a mendigar um jogo de homenagem, levando como resposta um processo em tribunal. Depois de ouvidas as testemunhas do atleta, nomeadamente os antigos atletas Oceano e Ricardo, no Tribunal de Trabalho de Lisboa, falaram as testemunhas indicadas pelo clube. Esperemos que Eurico Gomes, uma das testemunhas leoninas, não tenha confundido o búlgaro Yordanov com o sueco Eskilsson…
Estive a ler o comunicado da SAD do Sporting. Parece-me que, formalmente, o Sporting tem a sua razão. Mas a formalidade é a almofada que está sempre pronta a servir a incompetência. Neste caso há outros factores que chocam com o mercantilismo patente no comunicado da SAD leonina, mercantilismo esse que deveria envergonhar Filipe Soares Franco. Neste caso há emoção, há memória, há solidariedade, há alegria, há tristeza, há dor, há magia, há sentimentos... Ora, tudo isso não combina com a frieza dos números dos engravatados da gestão. Aquele ponto do comunicado que refere expressamente que o Sporting pretende obter receitas televisivas para ser ressarcido de uma verba a pagar a Yordanov – e que só não há jogo de homenagem agora porque não daria o lucro necessário ao "negócio" – é qualquer coisa de pôr os cabelos em pé, sobretudo quando a mesma SAD, em outras situações, se revela tão generosa...
É bom lembrar que foram os golos de Yordanov que deram ao Sporting os únicos títulos conquistados em toda a década de noventa. A Taça de Portugal (1995), que permitiu o apuramento para a Supertaça relativa a esse ano, que se jogou em Paris, em 1996, tendo o Sporting sido vencedor ao cabo de três jogos com o FC Porto.
É bom lembrar que, entretanto, Yordanov foi vítima de uma doença crónica incapacitante, tendo, apesar disso, lutado como um leão e conseguido resistir ao mal físico enquanto pôde.
É bom lembrar que Yordanov, contratado no consulado de Sousa Cintra, juntamente com outros búlgaros, então estrelas da respectiva selecção - Balakov e Guentchev-, chegou a “capitão” do Sporting, tornando-se um dos líderes do balneário.
É bom lembrar que Yordanov, actualmente com 39 anos, actuou durante 10 temporadas no Sporting – entre 1991/92 e 2000/01 – e esteve ligado ao penúltimo título leonino, em 1999/00, que pôs fim a um jejum de 18 anos sem títulos nacionais.
O problema do Sporting – que não é exclusivo da SAD que actualmente gere o futebol do clube – é que estas memórias não contam para nada. Basta olhar para os últimos 25 anos e pegar num par de binóculos para ver quais são as antigas glórias deste período de tempo que continuam a ter luz verde para trabalhar pelo engrandecimento do clube.
Obs. – Querem um jogo lucrativo? Marquem um Sporting-Benfica em Paris, com bilhetes a um preço mais alto que tenha em conta a sua missão solidária, e dividam a receita entre o sportinguista Yordanov e o benfiquista José Torres (outro proscrito, este por parte do Benfica). Mas acabem com o "caso" Yordanov que só envergonha o Sporting.
LEÃO DA ESTRELA, 11-12-2007

A DERROTA DE SOARES FRANCO
Mais do que uma vitória do antigo “capitão” leonino Yordanov, a decisão do Tribunal de Trabalho de Lisboa de obrigar o Sporting a organizar um jogo de homenagem ao ex-atleta búlgaro é uma pesada derrota de Filipe Soares Franco e da Sporting SAD.
A notícia não mereceu chamadas à primeira página da imprensa desportiva, mas é muito mais importante do que o que parece. A condenação do Sporting neste diferendo não é uma mera questão laboral. Pela força das circunstâncias, que resultam da enorme crise em que o futebol do Sporting está mergulhado, estamos perante uma vitória da “cultura sportinguista” – corporizada por Yordanov, que é um símbolo da garra leonina dos anos noventa e também deste século, e pelas suas testemunhas, nomeadamente Ricardo Sá Pinto e Oceano Cruz, outros ex-capitães da equipa afastados do clube –, sobre uma cultura tecnocrata que hoje vigora na gestão do clube e da SAD, que, ao contrário do que seria de esperar há dez anos, tem sido responsável pelo empobrecimento patrimonial, financeiro e competitivo do Sporting. O estilo tecnocrata, contabilístico e desprovido de humanismo e de memória desportiva que conduziu a esta trapalhada com um ex-jogador do Sporting é também um sinal claro desse empobrecimento.
É neste contexto que a decisão do Tribunal de Trabalho de Lisboa assume contornos algo preocupantes para a gestão de Filipe Soares Franco e para o seu projecto. Estamos perante uma decisão judicial de foro laboral que terá consequências políticas no Sporting. Basta que um eventual candidato à presidência do clube, nas eleições do próximo ano, saiba interpretar o que está em causa. Por isso, o jogo de homenagem a Yordanov tem tudo para ser um evento muito interessante...
LEÃO DA ESTRELA, 06-02-2008

UMA SOLUÇÃO PARA O CASO
Em vez de ocupar o tempo a preparar o recurso da decisão do Tribunal de Trabalho de Lisboa sobre o "caso" Yordanov, o Sporting deveria trabalhar na resolução deste imbróglio no mais curto espaço de tempo. É evidente que, nesta altura, um jogo de homenagem como evento principal seria um fiasco, mais a mais quando o jogador Yordanov já não joga há mais de cinco anos, não dizendo nada ou dizendo muito pouco a grande parte do público mais jovem. A falta do factor proximidade retira também muita da emoção que a homenagem teria se tivesse sido promovida na altura própria.
Tendo em conta as circunstâncias críticas que afectam o futebol do Sporting, a homenagem nas condições definidas pelo tribunal até poderia tornar-se numa peixeirada pública contra a actual direcção leonina, expondo o clube a mais um episódio ridículo.
Como resolver, então, este caso? O LEÃO DA ESTRELA dá uma ideia a Filipe Soares Franco: organize um Sporting-Benfica entre jogadores que representaram os dois clubes nos anos oitenta e noventa, ou seja, atletas da geração de Yordanov, a ser disputado duas horas antes do próximo Sporting-Benfica para a I Liga. Para treinador leonino, convide José Mourinho (que trabalhou no Sporting no tempo de Yordanov e cuja presença em Alvalade seria factor de interesse acrescido) e, pelo Benfica, proponha ao seu amigo Luís Filipe Vieira a escolha do velho "capitão" Mário Wilson (também ele um antigo jogador do Sporting!...). Se houver mesmo "fair play" entre os dois clubes não será difícil organizar o encontro. Finalmente, no intervalo de 15 minutos entre o jogo das "velhas guardas" e o jogo da I Liga, chame o Yordanov ao centro do relvado para que todos lhe prestem a homenagem merecida. E esqueça a receita. Quem paga 500 mil euros de indemnização a um ex-funcionário do clube que agora o critica na praça pública não se deve preocupar com essas ninharias.
LEÃO DA ESTRELA, 07-02-2008

A madrugada brasileira

A goleada histórica sofrida por Portugal no Brasil (6-2) é mais uma prova de que os futebolistas, por muito profissionais que sejam, não são de ferro e têm de ir cedo para a cama. Jogar depois da meia-noite, a dez mil quilómetros (ou muito mais no caso de Danny e outros...), no dia seguinte a uma viagem intercontinental, ou seja, sem a mínima adaptação a um novo fuso horário, não lembrava ao maior inimigo da selecção portuguesa. Mas foi disso que se lembraram Carlos Queirós e a Federação Portuguesa de Futebol. É certo que a maioria dos brasileiros também viajaram para Brasília a partir da Europa. Mas eles são brasileiros, estavam em casa, puxados pelo seu público, no fuso horário em que nasceram... Para Portugal, foi a desagregação de uma selecção pela madrugada. Em directo. Para todo o mundo!... FOTO: Silvia Izquierdo (AP Photo)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

LEÃO DA ESTRELA sempre a subir em 2008

Evolução da audiência diária do blog LEÃO DA ESTRELA nos últimos 12 meses. Foram 268.331 páginas consultadas, numa média diária superior a 700 entradas no LEÃO DA ESTRELA. Obrigado aos melhores leitores do mundo! Conferir dados clicando na imagem para ampliá-la ou aqui.

LEÃO DA ESTRELA na imprensa

"Jornal de Notícias", 19-11-2008

Sporting no primeiro jogo filmado no Brasil



É extraordinário. No dia em que as selecções de futebol do Brasil e Portugal se defrontam, lembramos que o Sporting Clube de Portugal está nas primeiras imagens de um jogo de futebol filmado no Brasil, País onde o futebol é o desporto-rei por excelência. Aconteceu em 29 de Setembro de 1928. Passaram 80 anos. Foi um Fluminense-Sporting. Com o Estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, cheio como um ovo, os brasileiros venceram por 3-2. Foi também o primeiro jogo em que o Sporting apresentou a camisola com listas horizontais verdes e brancas, que ainda hoje fazem parte do seu equipamento tradicional. Clique na imagem para ver um documento histórico que já foi divulgado em programas desportivos da TV Globo e que diz muito da história centenária do Sporting Clube de Portugal.

O marketing leonino

Longe de mim querer pôr em causa estratégias de marketing definidas por indivíduos certamente carregados de licenciaturas, mestrados, pós-graduações e doutoramentos na arte de promover um produto. De qualquer modo, as campanhas promovidas pelo Sporting para a venda de produtos da sua loja online parecem-me coisas muito más, de muito mau gosto e de efeito muito duvidoso. Começa logo pelo modo como o Sporting procura chamar a nossa atenção. A questão é que nós, potenciais consumidores dos produtos leoninos, não andámos na escola destes meninos para nos tratarem por “tu”. Ou será que o marketing é feito para a rapaziada que vive de mesadas que não chegam para pagar uma camisola do Liedson?... Se assim for, tudo bem. É por isso que as verbas do “merchandising” são o que são.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Sporting precisa de mudar de vida com urgência

Mais do que os três pontos que o Sporting perdeu com o Leixões, o mais preocupante para o clube foi a ideia de normalidade que esteve subjacente a mais uma derrota, desta vez com uma equipa que lidera a Liga Portuguesa, é certo, mas que acaba de chegar da segunda divisão. Se acontecesse no Dragão ou na Luz, seria um escândalo nacional. Como foi em Alvalade, já ninguém pára para pensar e reflectir.
O Sporting precisa de mudar de vida com urgência. É cada vez mais evidente aos olhos de toda a gente que o futebol do Sporting do “ciclo de Paulo Bento” está em decadência. Dizem que o culpado de todos os males é o montenegrino Vukcevic. Há um bode expiatório sempre à mão… Que nunca será da direcção, da administração da SAD ou da equipa técnica…
A questão é que os problemas do futebol leonino não são de agora. Já duram, pelo menos, desde aquela célebre derrota do Sporting no Estádio do Dragão, na 2ª jornada da Liga 2007-2008, quando Paulo Bento contrariou em público o guarda-redes Stoykovic, considerando que Anderson Polga lhe tinha atrasado a bola, pelo que não poderia agarrá-la com as mãos dentro da área, sob pena de o árbitro assinalar livre. Isto quando Polga apenas cortou a bola na direcção da sua baliza (o que é diferente de atrasar a bola ao guarda-redes). Como se sabe, o árbitro penalizou o Sporting com livre indirecto em frente à baliza do gigante sérvio e decidiu o jogo a favor do FC Porto. Desde então, Stojkovic nunca mais teve vida fácil em Alvalade. Nem fez por isso. E acabou por sair do grupo dos escolhidos pelo treinador.
Na altura, ninguém ousava colocar em causa o treinador Paulo Bento. E não havia motivos. Afinal, com um plantel mais barato, o Sporting lutara com o FC Porto pela conquista do título 2006-2007 até aos últimos minutos da prova, tinha ganho a Taça de Portugal e a Supertaça. Tendo no currículo apenas o título nacional de juniores – que manifestamente não chega para um treinador de um clube como o Sporting –, Paulo Bento tinha, no entanto, uma aura de vencedor. E era incontestado. Se não ganhava a Liga e não ia mais longe na Liga dos Campeões era porque não tinha meios. Fazia sentido.
O problema foi depois, a derrota em Braga, por 3-0, à 11ª jornada, numa má exibição, que deixava o Sporting a oito pontos do líder FC Porto. Foi há um ano, precisamente. O LEÃO DA ESTRELA escrevia que a situação leonina encerrava “todos os condimentos de um fim de ciclo”. Em mais de dois anos como treinador do Sporting, Paulo Bento sofria, pela primeira vez, uma derrota por mais de um golo de diferença. Pela primeira vez, a equipa andava à deriva dentro do campo, sem que do banco viesse alguma ideia capaz de mudar as coisas. Paulo Bento era vítima de uma política de contratações errática e perdia a sua aura de vencedor.
O resto da história é conhecida, mas vale a pena lembrar. O “gestor de activos” Carlos Freitas foi o único a sair do projecto leonino. O Sporting ficou em segundo lugar na Liga muito distanciado do FC Porto e perdeu incrivelmente a Taça da Liga para o V. de Setúbal, em mais uma daquelas exibições nulas e tristes… É certo que Paulo Bento ainda venceu a Taça de Portugal e a Supertaça. Mas num clube como o Sporting um treinador arrisca-se a conquistar esses troféus...
A temporada 2008-2009 prometia deitar uma pedra sobre as trapalhadas do ano anterior, a começar pela gestão do plantel, com Filipe Soares Franco a libertar mais meios financeiros para construir o grupo de trabalho, ainda assim investindo menos do que os adversários directos. Vieram menos jogadores (não escrevi reforços), não saiu ninguém importante e também não se viu um reforço da aposta na formação. Entrou Daniel Carriço – se não apostarem nele a sério ainda vai acontecer como Paulo Futre, Luís Boa-Morte ou Cristiano Ronaldo, que saíram sem que a equipa principal tivesse aproveitado o seu rendimento desportivo –, mas foi por troca com o internacional Paulo Renato, que saiu para rodar sem ter jogado um único minuto em 2007-2008, pois estava tapado por uma “estrela” chamada Gladstone.
Os jogadores do Sporting apresentavam-se e anunciavam o desejo de ser campeões. Mas à medida que os dias passavam, rebentavam os casos. Stojkovic era riscado das opções de Paulo Bento, mas era inscrito, por falta de mercado; Vukcevic dizia que para ficar teria de ter a garantia de ser titular ou iria embora; João Moutinho dizia que queria sair; Miguel Veloso mostrava-se mais interessado na sua carreira pessoal do que na carreira colectiva ao mostrar desagrado por jogar a lateral-esquerdo; e por aí fora…
São problemas a mais, que evidenciam, mais uma vez, as fragilidades de um grupo de trabalho, onde a única figura com ascendente sobre os jogadores parece ser o treinador. Só que Paulo Bento não pode ser treinador, psicólogo, director desportivo e presidente ao mesmo tempo. É por isso que Paulo Bento está a arder em lume brando, acossado por problemas internos e externos, até ao dia em que terá de recorrer a uma saída de emergência para fugir de Alvalade. Nessa altura, estará tudo perdido. FOTO: Nacho Doce (Reuters)

sábado, 15 de novembro de 2008

O naufrágio leonino

Uma semana depois de cair na Taça de Portugal, o Sporting voltou a perder, desta vez para a Liga, por 1-0, em Alvalade, frente ao líder da prova, o Leixões de José Mota, equipa que, ao que parece, tem suscitado mais interesse da imprensa desportiva internacional do que propriamente da imprensa portuguesa. A verdade é que, à oitava jornada, o Leixões chegou a Alvalade em primeiro lugar, depois de ter vencido no terreno do FC Porto e de ter empatado no Estádio do Mar com o Benfica. O próprio treinador leonino, Paulo Bento, tinha dito que o desempenho leixonense se devia a mérito próprio. No final, a vitória foi, de facto, obra do mérito próprio da equipa nortenha, mas também foi construída à custa do demérito leonino.
Depois de uma exibição (para muitos a melhor da temporada) com momentos brilhantes na partida com o FC Porto, o Sporting parece ter encarado o jogo com os leixonenses com paninhos quentes, como quem defronta um dos últimos classificados, confiando que o destino do jogo lhe daria a vitória mais cedo ou mais tarde. E, assim, o líder da Liga conseguiu controlar o jogo do princípio ao fim, embora oferecendo o domínio ao Sporting, e produzir o futebol suficiente para justificar a vitória.
Com um excelente guarda-redes na baliza – Beto, formado em Alvalade, onde não teve espaço para singrar, acabando dispensado … –, e jogando com os seus jogadores, alguns bons executantes, muito próximos uns dos outros, o Leixões justificava um Sporting muito mais rápido e muito mais dinâmico. Assim não sucedeu. O que é incompreensível, mais a mais agora que é obrigatório vencer para conquistar a Liga e no dia em que os núcleos do clube vieram a Alvalade compôr as bancadas com 36.500 espectadores.
A primeira vez que o Sporting rematou com perigo à baliza contrária, na primeira brecha criada na defesa contrária, aconteceu perto dos 20 minutos. Depois, Hélder Postiga teve uma ou outra ocasião. Lento e pouco criativo no meio-campo, o Sporting pecava ainda por falta de eficácia nas escassas ocasiões de golo que criou.
E depois, as lesões musculares quase seguidas de Fábio Rochemback e do seu substituto, Pedro Silva, queimaram tempo e duas substituições. E o intervalo chegou com o Leixões a revelar competência e crescimento em campo e, até, a poder queixar-se de uma grande penalidade, cometida por Abel sobre Wesley, que o árbitro Pedro Proença não viu.
Na segunda parte, o Sporting continuou na mesma e o Leixões começou a sentir que poderia ganhar o jogo e subiu no terreno. O golo decisivo nasceu da pressão alta de Roberto Sousa, que ganhou a bola a Izmailov, na zona da meia-lua, e rematou fraco mas a surpreender o mal batido Rui Patrício – que pouco tempo antes correspondera com uma excelente defesa a um remate traiçoeiro de Hugo Morais que era o prenúncio do naufrágio leonino.
Com Liedson a passar ao lado do jogo (e ainda a pensar no discurso de Paulo Bento após o jogo com o FC Porto, tantas foram as vezes que se queixou junto de Pedro Proença...) e com Hélder Postiga lento e perdulário, Paulo Bento chamou o eclipsado Yannick Djaló, para o lugar do promissor defesa-central Daniel Carriço, que registou uma estreia muito positiva. Nada se alterou. O Sporting não mostrava atitude, nem força, nem qualidade para virar o resultado. E o Leixões até deixou Alvalade a rematar ao poste de Rui Patrício…
A equipa de Paulo Bento já perdeu 11 pontos em 24 possíveis (mais dois que há um ano por esta altura). É muito desperdício para quem quer ser campeão. A maré negra instalou-se em Alvalade. FOTOS: AFP - Getty Images

LEÕES NO ESTÁDIO Mande a sua fotografia

O LEÃO DA ESTRELA decidiu lançar uma campanha que tem por objectivo combater a alegada “crise de militância” dos sócios e adeptos do Sporting Clube de Portugal. Que passa pela publicitação das fotografias de todos aqueles que acompanham a equipa leonina, seja em Alvalade ou em qualquer outro estádio. A ideia é promover bons exemplos de militância leonina, de modo a que sejam seguidos por todos os sportinguistas.
Deste modo, ao assistir aos jogos do Sporting no Estádio José de Alvalade ou em qualquer outro recinto, no País ou no estrangeiro, e caso esteja munido de uma máquina fotográfica, registe a sua presença no futebol ao vivo com uma fotografia e envie-a por e-mail para o blog LEÃO DA ESTRELA (leaodaestrela@gmail.com). Indique o seu nome, município de residência e o jogo a que assistiu.
Os nossos adversários têm de saber que os LEÕES estão em todo o lado, de Norte a Sul de Portugal, nas ilhas e nos mais diversos pontos do Mundo. As fotografias de todos os LEÕES NO ESTÁDIO serão publicadas neste blog.

Obs. - Filipe Soares Franco está de parabéns pelos esforços do Sporting no sentido de aumentar o público presente no jogo deste sábado com o Leixões, de resto já revelados numa política de preços mais razoável, aplicada no último jogo com o FC Porto, para a Taça de Portugal, embora sem grandes efeitos. Que os esforços continuem!...

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

E um inquérito disciplinar para Vítor Pereira?...

"Não posso ir ao mercado de Inverno substituir este quadro de árbitros." Com este desabafo preocupante, a boca do presidente da Comissão de Arbitragem da Liga, Vítor Pereira, fugiu para a verdade, confirmando a má qualidade dos árbitros portugueses, assim como as palavras do treinador do Sporting, Paulo Bento, segundo o qual a arbitragem portuguesa "mete nojo".
A verdade dos factos é que, depois do treinador do Sporting, é o próprio chefe dos árbitros que vem pôr em causa a arbitragem nacional. Sem querer, Vítor Pereira acaba por se revelar no maior defensor de Paulo Bento no inquérito disciplinar que a Liga de Clubes lhe instaurou.
Se houver justiça desportiva, e sabemos que não há, Paulo Bento - não obstante ter reagido ao nível da arbitragem que criticou -, não pode ser castigado. A não ser que o Conselho de Disciplina da Liga resolva também abrir um inquérito disciplinar a Vítor Pereira pelo seu ataque sofisticado aos árbitros que dirige. E a célebre APAF, que foi tão rápida a atacar Paulo Bento, não diz nada sobre o chefe Pereira?... FOTO: "Record Online"

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

RECORTES Dias da Cunha e a arbitragem

“Foi um erro deste presidente [Filipe Soares Franco], mal assumiu a presidência [do Sporting], pôr-se debaixo do presidente Pinto da Costa, passo a expressão, que o tinha insultado e chamado de bêbado e irresponsável. E depois não só foi prestar vassalagem como pensou que, com isso, conseguiria que os favores que faziam ao FC Porto se estenderiam ao Sporting.”

“O Sporting (…) nunca fez parte do sistema. A única tentativa para fazer parte do sistema foi deste presidente.”

“Continua tudo na mesma. E só muda se forem ler o manifesto [assinado pelo Sporting, Benfica e outros clubes, em 2005] e quiserem discuti-lo a sério. Isto não é só com os clubes, mas principalmente com o poder político e com este secretário de Estado [Laurentino Dias, titular do Desporto no Governo], que parecia prestar muita atenção às ideias do manifesto, mas depois chegou lá acima e esqueceu-se.”

“No manifesto está a resposta para os problemas da arbitragem e dos clubes que não estão a pagar salários.”

“A arbitragem tem de ser independente e sujeita a uma fiscalização também completamente independente dos árbitros. Um pouco como acontece com os juízes do Ministério Público, que têm conselhos superiores constituídos por não juízes e não membros do Ministério Público. Na arbitragem devia ser a mesma coisa. Ela tem de sair da Liga e da Federação.”

António Dias da Cunha, ex-presidente do Sporting, campeão nacional, vencedor da Taça de Portugal e da Supertaça Portuguesa, em 2001-2002, e finalista vencido da Taça UEFA, em 2004-2005, “24 Horas”, 13-11-2008
FOTO: Manuel de Almeida

LEÃO DA ESTRELA na imprensa

"Jornal de Notícias", 12-11-2008

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

A negligência do SCP e o voluntarismo de P. Bento

Um dos problemas estratégicos do Sporting, que já tem barbas, se é que podemos falar em “estratégia”, tem a ver com a indefinição do clube na complexa teia de poderes no futebol português. O facto de o Sporting não ter sido apanhado nas escutas do processo “Apito Dourado” é mais resultado de uma incapacidade histórica para lidar nos bastidores do complexo futebol português – o director de comunicação, de resto, até veio a público dizer que o clube não faz telefonemas… – do que de uma atitude previamente definida para que a instituição leonina possa andar sempre de consciência limpa e cabeça levantada. É por causa dessa indefinição próxima da negligência que a equipa de futebol, nos momentos-chave, não é respeitada. Basta que o “sistema” meta na frente um Bruno Paixão qualquer…
Não sendo Filipe Soares Franco um presidente a tempo inteiro, a representação do Sporting na Liga de Clubes, que está entregue ao antigo autarca de Alcácer do Sal Rogério de Brito, é, de resto, a tradução prática de um clube frouxo e negligente nos centros de decisão. É curioso que o Sporting começou a perder esta eliminatória com o FC Porto para a Taça de Portugal logo no dia do sorteio, ao mandar em sua representação o desconhecido Rogério de Brito, enquanto o FC Porto recorria o seu embaixador Vítor Baía, uma figura conhecida e respeitada por todos os portugueses que gostam de futebol. Os sinais também contam e contam muito…
Por estratégia ou falta dela, a verdade é que Rogério de Brito – que é o principal responsável leonino na Liga de Clubes – ainda não veio a terreiro dizer uma palavrinha sobre o nojo que lhe mete a arbitragem portuguesa, nem para falar em defesa do Sporting e, em particular, de Paulo Bento, que mais uma vez deu o corpo às balas, sendo hoje a figura mais importante do Sporting aos olhos do país futebolístico. E se Paulo Bento deu o corpo às balas foi também por saber que o clube não tem gente que seja capaz de dar murros na mesa e de falar uma linguagem que todos entendam.
Ao dizer que a arbitragem “mete nojo”, Paulo Bento disse tudo. O seu problema é que entrou num território que não é o dele, estando agora sujeito às consequências de um regime fascista que continua a vigorar no futebol português, contra o qual também ninguém do Sporting parece interessado em lutar. Nem mesmo o antigo autarca comunista de Alcácer do Sal, que já não tem idade, nem motivação, nem vida para andar por aí a lutar pela liberdade e a gritar contra o “sistema”… FOTO: Marcos Borga (Reuters)

A Paixão das boas notas

Já não restam dúvidas quando ao tempo que estamos a viver no futebol português. Esta é, porventura, uma das semanas mais gloriosas do famigerado "sistema", como revela o facto de o árbitro Bruno Paixão ter sido aprovado com um "bom" pelo seu trabalhinho no último Sporting-FC Porto, em Alvalade. Isto pode não ser nojento, mas é, seguramente, muito pior do que isso.
A propósito, quando é que a comunicação social nos conta a vida dos senhores "observadores" do trabalho dos árbitros? As suas ligações, de onde vieram, onde estão, o que fazem, etc.? Por que é que o nome do observador não faz parte da ficha dos jogos que é distribuída aos jornalistas para que toda a gente saiba quem avalia quem?... Afinal estamos a falar de gente que decide que árbitros são promovidos ou despromovidos. O que, em Portugal, é coisa de muita responsabilidade. Ou melhor, de irresponsabilidade.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Chega de maus árbitros! Viva Débora Montenegro!

Enquanto houver sócias e adeptas do Sporting Clube de Portugal como Débora Montenegro é impossível que haja crise de militância. FOTO: Pedro Melim, "J"

RECORTES O Sporting e os árbitros

“O Sporting não pressiona, não comenta as nomeações, não faz telefonemas, não pede reuniões à Comissão de Arbitragem e isso, ao que parece, tem tido um preço alto a pagar pela equipa do Sporting.”
Miguel Salema Garção, director de Comunicação do Sporting, "Record", 11-11-2008

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Árbitros incendiários

A Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF), através do seu presidente, um tal António Sérgio, veio a público considerar que Paulo Bento, treinador do Sporting, produziu declarações "inaceitáveis e incendiárias", ao referir-se à arbitragem portuguesa como “um tema que já mete nojo”.
O presidente da APAF, que se dá ao luxo de dizer que o FC Porto ganhou porque "não foi uma noite feliz de alguns jogadores e do treinador do Sporting", deveria ter vergonha de vir a público defender um mau árbitro e responder ao treinador leonino. Porque a arbitragem de Bruno Paixão no Sporting-FC Porto foi, de facto, um nojo, pois alterou a verdade desportiva. E foi, por isso, uma arbitragem incendiária.
Se a arbitragem portuguesa não fosse um nojo e se a APAF fosse uma associação recomendável, por esta altura, António Sérgio estaria a lamentar a péssima arbitragem de Bruno Paixão, a pedir-lhe explicações públicas sobre as decisões que tomou e a defender a sua romoção do futebol. O problema é que em Portugal o crime e a incompetência dão prémio e compensam muita gente.

domingo, 9 de novembro de 2008

Bruno Paixão e incompetência nos penáltis

Três temporadas depois, o Sporting voltou a cair na Taça de Portugal frente ao FC Porto da mesma forma: após 120 minutos de futebol e no desempate por grandes penalidades. Se a isto juntarmos a derrota frente ao Vitória de Setúbal na final da Taça da Liga 2007-2008, também no desempate por penáltis, e a eliminação da Taça de Portugal, em 2004-2005, frente ao Benfica, ainda na marcação de castigos máximos, podemos concluir que o Sporting continua com falta de sorte (ou de competência) na chamada lotaria dos penáltis. Na Taça de Portugal, aliás, nas últimas cinco edições, foi apeado em três delas na marcação de grandes penalidades. Quando os penáltis não apareceram no caminho, chegou à final e ganhou a taça.
Desta vez, no Sporting-Porto com a menor assistência de sempre (27.800 espectadores), apesar do preço mais baixo dos bilhetes, a equipa leonina perdeu num jogo muito intenso, muito disputado, em que houve futebol a mais e equipa de arbitragem a menos. A verdade é que o Sporting chegou ao fim dos 90 minutos da partida a poder lamentar dois erros capitais da equipa de arbitragem que decidiram tudo. O resto é conversa.
Primeiro a escandalosa expulsão de Marco Caneira (68'). Alertado pelo assistente, o árbitro "resolveu" um "diálogo de testas", banal nos campos de futebol e num jogo fortemente competitivo, com um cartão amarelo para Caneira e Hulk, sem que o defesa leonino tivesse feito alguma coisa de modo a ser penalizado... Caneira que já tinha um amarelo por uma obstrução em tudo idêntica a uma outra, já na segunda parte, de Bruno Alves a Abel, esta dentro da área portista, que Bruno Paixão deixou passar em claro...
O Sporting procurava reagir a um golo sofrido pouco antes, mas o seu esquema táctico sofria um duro revés. Depois, já perto dos 90 minutos, Bruno Paixão fez vista grossa a uma grande penalidade cometida por Rolando, que, com o braço no chão, desviou a trajectória de um cruzamento rasteiro de Pedro Silva, evitando que a bola fosse para os pés de Yannick Djaló, que estava à boca da baliza de Helton.
"Acabámos por perder com muita Paixão", declarou, muito certeiro, o presidente Filipe Soares Franco, só não se entendendo por que motivo o presidente do Sporting se sentou outra vez ao lado de Pinto da Costa, na tribuna de Alvalade, sendo o presidente do FC Porto um dirigente a cumprir castigos de suspensão, aplicados pela Liga e pela FPF, na sequência do famigerado processo "Apito Dourado"...
A "Paixão" do árbitro foi tanta que até o FC Porto pode falar num penálti por assinalar, aos 115', quando Rochemback derrubou Rolando dentro da área leonina, durante a marcação de um pontapé de canto - lance que foi transformado num livre a favor dos "leões". "Compensação", dirá o dicionário do "sistema" que vai imperando no futebol português, talvez para que não se diga que os erros são sempre para o mesmo lado, e muita falta de coragem de uma consciência pesada para decidir um jogo através de um penálti, que existiu de facto, contra uma equipa que antes fora gravemente prejudicada...
A primeira parte do Sporting foi de grande qualidade, de modo a justificar bem mais do que a vantagem mínima. Apetece, aliás, perguntar onde é que tem andado aquele Sporting combativo, rápido e decidido sobre a bola, empolgante, a jogar no campo todo, com boa ligação entre os sectores e em permanente ligação à baliza contrária. O Sporting dominou por completo o FC Porto, criou ocasiões de golo, mas não teve a eficácia que costuma ter quando vai uma ou duas vezes à baliza contrária e faz golo. Curiosamente, o único golo nem foi obra de criação pura. Foi antes mais uma demonstração do sentido de oportunidade de Liedson, que aproveitou um erro clamoroso da defesa contrária, no corolário de uma meia hora de luxo da equipa de Paulo Bento.
Depois, ficou a impressão de que o ritmo baixou. E à forma mais serena, como o Sporting assumiu a segunda parte, respondeu o FC Porto com outra dinâmica. O jogo estendia-se pelas duas metades do campo. Depois o golo portista (59'), que se adivinhava, embora nunca daquela forma: com Hulk a correr metade do campo com a bola nos pés e Rochemback atrás dele, no maior dos sacrifícios, mas inglório. Custou ver a diferença física. Como custou ver o grave erro defensivo do Sporting, que viu um pontapé de canto a favor transformado num golo do adversário. O Porto renascia para o jogo.
Depois, surgiu a tal expulsão-fantasma de Caneira e adivinhava-se o descalabro leonino. Não foi assim. A equipa, que tinha em Anderson Polga, João Moutinho e, em especial, Izmailov as estrelas mais cintilantes da noite, soube reorganizar-se e conseguiu justificar a vitória ainda antes dos 90 minutos. Aos 88', o tal penálti de Rolando, não assinalado... O FC Porto acabaria por ficar reduzido a nove jogadores (expulsões por segundo cartão amarelo de Pedro Emanuel, 83', e Hulk, 117'), mas nunca deixaria de ser uma equipa até ao fim, depois de, na primeira parte, não ter passado de um conjunto de jogadores desavindos...
A maratona terminou no desempate por grandes penalidades, um pesadelo que o Sporting conhece bem, desta vez interpretado por Abel, num remate sem força, que fez cair o primeiro objectivo do Sporting 2008-2009. FOTO: Armando França (AP Photo)

sábado, 8 de novembro de 2008

SPORTING-FC PORTO A história de um clássico

O Sporting e o FC Porto encontram-se neste domingo pela 20ª vez em eliminatórias da Taça de Portugal, após 19 "duelos" e 34 jogos marcados por grande equilíbrio, embora com ligeira vantagem dos "azuis e brancos". Em termos globais, os "dragões" contam mais três apuramentos (11 contra oito) e comandam ainda com menor expressão em termos de vitórias (12 contra 11) – num conjunto de confrontos que apresenta 11 empates - e de golos marcados (46 contra 44).
O equilíbrio espelha-se também, e de forma intensa, nas quatro finais entre as duas equipas: as três primeiras necessitaram de segundo jogo (finalíssima) e a última, na época passada, apenas foi resolvida na segunda parte do prolongamento. Nas finais que disputaram entre si, Sporting e FC Porto conquistaram duas Taças de Portugal - um dado que também sinaliza o intenso equilíbrio que marca este clássico do futebol português.
A primeira final aconteceu em 1977-78 e, após um empate a um golo no primeiro jogo, após prolongamento, o Sporting venceu o segundo, a finalíssima, por 2-1, com tentos de Vítor Gomes e Manuel Fernandes. Seninho ainda reduziu, aos 80 minutos.
O segundo confronto (1993-94) também só foi decidido no segundo jogo, que, a exemplo do primeiro, não foi conclusivo em 90 minutos: o FC Porto venceu por 2-1, no tempo suplementar, graças a uma grande penalidade apontada por Aloísio, aos 91 minutos.
Em 1999-2000, e para não variar, o primeiro confronto nada decidiu, nem com a ajuda do prolongamento (1-1), pelo que se voltou a disputar uma finalíssima, de novo ganha pelos portistas, desta vez por 2-0, com tentos brasileiros de Clayton e Deco.
A última "batalha", na época passada - já com os regulamentos a preverem a "lotaria" das grandes penalidades para decidir, em caso de igualdade nos 120 minutos -, também foi para tempo extra e quem decidiu foi o "leão" Rodrigo Tiui, com golos aos 112 e 117 minutos.
Os "duelos" entre portistas e "leões" na segunda prova mais importante do calendário futebolístico luso não se resumem, porém, às finais e têm uma longa história, pois começaram na primeira eliminatória da longínqua sexta edição da prova, em 1943-44.
A 16 de Abril de 1944, no Estádio do Lima, no Porto, os anfitriões venceram por 2-0, com tentos de Correia Dias e Artur de Sousa "Pinga", e, a 23 de Abril, no Lumiar, em Lisboa, os portistas estiveram a perder por 3-1, mas chegaram à igualdade (3-3).
O FC Porto levou a melhor no primeiro confronto, o Sporting "vingou-se" nos três seguintes (1944-45, 51-52, só no jogo de desempate, em Coimbra, e 53-54) e os "azuis e brancos" igualaram a três, com sucessos em 57-58 e 60-61.
Se os primeiros seis "duelos" acabaram empatados, a três, os seis seguintes nada mudaram, já que o FC Porto levou a melhor em 1966-67, 76-77 e 83-84 e o Sporting conseguiu o apuramento em 65-66, de novo em Coimbra) e 86-87 (com o golo decisivo a ser apontado pelo brasileiro Mário, nos últimos minutos do prolongamento, no Estádio das Antas) e, pelo meio, venceu a final de 77-78. O desempate, a favor dos "dragões", só aconteceu, assim, a partir da década de 90, com cinco sucessos portistas (1991-92, 93-94, 1999-2000, 2000-2001 e 2005-2006), para apenas dois dos "leões" (1995-96 e 2007-2008).

RECORTES O frangueiro e o egoísta

Vivemos numa era em que o disparate, como a mentira ou a calúnia, se pode tornar em verdade absoluta, desde que suficientemente repetido. Na época transacta, muitas foram as vozes que se levantaram contra a aposta de Paulo Bento em Rui Patrício e muitos os epítetos que rapidamente ficaram associados ao jovem guarda-redes. De "frangueiro" a "mãos de manteiga", de tudo se ouviu e escreveu sobre número 1 do Sporting. Bom, mesmo, era Stojkovic... Alertei então, neste espaço, para a precipitação do juízo e pergunto agora aos profetas da desgraça: há algum guardião, em Portugal - Beto, do Leixões, pode ser a excepção -, que exiba melhor forma? Mas, claro, há-de voltar a falhar durante um processo de crescimento até aqui notável.
Outra das vítimas dos rótulos de personalidade é Hélder Postiga. Confesso que, com o anúncio da sua contratação, até eu fiquei com dúvidas da eficácia da medida. Para já, tem sido um exemplo de esforço e dedicação.
AUTOR: Jean-Paul Lares, "O Jogo", 08-11-2008

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

CORREIO Os críticos do Sporting e a bofetada

Por estes dias discute-se muito a “bofetada”. Uns sentiram-na como sendo para dentro de casa, outros como sendo dirigida aos de fora.
Existem muitos tipos de críticos. Uns, como eu, são “simples” sócios e adeptos (os mais importantes, portanto), outros são um bocadinho mais, escrevem e debitam opiniões, sendo jornalistas ou, o que é mais grave, têm colunas de opinião em jornais desportivos, influenciam todos os dias a forma como todos os que os lêem formulam as suas ideias.
Se alguém merece a bofetada de luva branca de Soares Franco, se alguém deve enfiar a carapuça, são estes últimos. Deixo aqui alguns belos exemplos de quem se deve sentir esbofeteado:

Exemplo 1:
Na última página de uma das últimas edições do jornal "Record", um senhor chamado Daniel Oliveira (não sei quem é, mas aparece na ficha técnica no grupo dos colunistas) elabora a mais malcriada crónica que já li nestes dias de ataque cerrado ao nosso clube.
Pois este senhor, ficamos a saber, dá lições de liderança com base na sua experiência no liceu, pelos vistos traumática. E continua chamando coxos aos jogadores da nossa equipa, aos que jogam, pois claro. Pois os outros, que são metade e que não jogam, como tem de ser, são os que justificarão a ida maciça de adeptos a Alvalade.
Acaba recomendando a Paulo Bento se dedique à horticultura, “com vantagens para as cebolas e para o futebol” e, acrescento eu, com vantagens para os adversários ali do outro lado.

Exemplo 2:
Esta semana, mais uma vez no "Record online", Luís Avelãs, numa crónica dedicada a Jesualdo Ferreira, faz as suas premonições típicas. Quem ganhar safa-se, quem perder está tramado (excelente jornalismo de investigação) é a sua brilhante conclusão. É claro que todos sabemos que, no caso de o Sporting perder, o Abrantes Mendes prontifica-se logo a ser entrevistado.
Mas acaba a sua crónica com um “post scriptum” fantástico. Uma resposta a João Moutinho e às suas declarações sobre as más interpretações dos jornalistas.
Parece-me óbvio que estes senhores perderam a vergonha e os pruridos e fazem, a coberto da insatisfação dos sócios com os resultados e as exibições (que existe de facto), uma “cobertura” cada vez mais comprometida do dia a dia do nosso clube, dando-se ao trabalho de responderem em colunas de opinião, às entrevistas dos nossos jogadores e de emitirem opiniões malcriadas como estas.

Exemplo 3:
Os que pintaram as paredes de Alvalade são críticos e merecem a bofetada, sobretudo porque permitiram ao jornal “A Bola”, ao lado de uma entrevista com um magnífico presidente, de um magnífico clube, com uma magnífica gestão e não menos fabuloso treinador e equipa de futebol, colocar uma foto de uns escritos na parede que dizem “PB Rua”.
A partir daqui o jornalista (?) desenvolveu uma notícia, que é puxada para a 1ª página, dizendo que os adeptos (plural??) contestam a equipa, a SAD, tudo. Fantástico. Maravilha de jornalismo e de imparcialidade. Até podem ter sido os putos, um benfiquista mais maroto, um sportinguista de facto zangado com o PB, mas não… 1ª página… “Os adeptos...”
Ali na Pontinha estão uns grafitis na parede que dizem as maiores javardices sobre tudo e todos. Já estou a ver os jornalistas da “A Bola” a andarem pela cidade de Lisboa à procura dessas fontes muito bem informadas que à falta de outra forma de expressão, pintam paredes.
Se acham que estes belos exemplos de jornalismo imparcial e desinteressado não merecem a “bofetada”…

Paulo Lopes - Lisboa (enviado por e-mail)

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

UEFA: o cinismo italiano e o banho turco

Na segunda jornada da Taça UEFA, o Sporting de Braga esteve quase a conseguir um empate histórico em S. Siro, mas o AC Milan, através de Ronaldinho Gaúcho, marcou o único golo da partida nos últimos segundos, já em tempo de descontos, e acabou com a invencibilidade europeia bracarense. Num jogo em que a equipa de Jorge Jesus (o homem que, segundo me garantiram fontes muito bem informadas, Pinto da Costa quer ter no Dragão na melhor oportunidade) até justificava o empate, esta foi mais uma demonstração do famoso cinismo italiano, desta vez com assinatura brasileira.
Já o Benfica, que também anda pela UEFA, continua sem ganhar nesta fase de grupos, desmentindo as ideias centrais da propaganda oficial, segundo as quais a chama é imensa e a vida é bela. A equipa de Quique Flores sofreu agora um autêntico banho turco de bola, ao perder na Luz, frente ao Galatasaray, por 2-0.
Nesta ronda europeia, as estrelas de Portugal só brilharam na Liga dos Campeões. Graças ao Sporting e ao FC Porto… FOTO: AFP/Getty Images

Vem aí um grande Sporting-FC Porto...

Tonificados pelas vitórias na Liga dos Campeões nesta jornada europeia, Sporting e FC Porto têm tudo para proporcionar um grande jogo no próximo domingo, na quarta eliminatória da Taça de Portugal. Em campo vão estar as duas melhores equipas portuguesas dos últimos anos, conforme indicam os números, pelo que o Estádio José Alvalade tem todas as condições para encher. Para o Sporting, ainda bem que o FC Porto ganhou em Kiev. Já chegava de facturas para pagar... Aliás, quem tem uma factura para pagar é o FC Porto, por ter ganho em Alvalade para o campeonato. Que esse crédito galvanize os jogadores leoninos!...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A "chapada" de Soares Franco

Após a vitória sobre o Shakhtar e o apuramento para a segunda fase da Liga dos Campeões, o presidente do Sporting, Filipe Soares Franco, em vez de enaltecer o sucesso leonino e de elogiar a militância dos 24 mil adeptos que foram ao jogo, de modo a combater a "falta de militância" e a congregar os sportinguistas em torno da equipa de futebol e do clube, mostrou à saciedade a azia que lhe vai na alma – para usar uma terminologia bem actual em Alvalade –, falando do êxito como “uma chapada de luva branca aos críticos”, como relata o diário "O Jogo".
Como reacção presidencial ao jogo, Soares Franco não fez mais do que dar mais uma “chapada” na pacificação da nação sportinguista. Ao contrário, por exemplo, de Paulo Bento, que falou para o exterior, criticando, de forma certeira, a falta de critério da imprensa desportiva portuguesa.
Que o defesa-direito Abel mencione que “os cães ladram e a caravana passa”, aceita-se perfeitamente. Afinal, o jogador é um assalariado que é pago para sofrer em campo, para ajudar a fazer o espectáculo. Tem o direito a exprimir o que lhe vai na alma... Mas já não é aceitável que um presidente assuma um discurso divisionista. Por muitas paredes que os vândalos, num acto condenável, andem por aí a pintar. Um presidente deve ser um apaziguador, contribuindo para a soma das partes para que o todo seja mais forte. Tem de unir. Não pode dividir ainda mais.
Numa noite europeia decisiva, na competição de clubes mais importante do planeta, o Sporting não atraiu a Alvalade mais de 24.282 pessoas, para sermos exactos. Num estádio com capacidade para 52 mil pessoas, é menos de meia casa. Será que a “chapada de luva branca” foi apontada às 27 mil pessoas que faltaram no estádio?...

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Noite histórica ém Alvalade

Com uma vitória “à italiana” sobre o Shakhtar Donetsk, por 1-0, o Sporting carimbou a sua primeira passagem à segunda fase da Liga dos Clubes Campeões e, pela primeira vez em muitos, muitos anos, não falhou num jogo decisivo das provas europeias. Era preciso ganhar para garantir, desde já, o êxito desportivo e, sobretudo, os milhões de euros de que a SAD leonina bem precisa para pagar o investimento realizado. E o Sporting ganhou. E o treinador Paulo Bento – apesar de criticado nas paredes de Alvalade e não só… – prossegue a temporada num registo irrepreensível sob o ponto de vista do cumprimento dos objectivos, juntando esta façanha europeia à Supertaça Cândido Oliveira.
Foi uma vitória sofrida, é certo, como todas as vitórias de quem não arrisca muito, mas foi uma vitória justa. E muito saborosa, como foi visível nos metros que Paulo Bento percorreu junto ao banco, de braços levantados e punhos cerrados, olhos pregados no chão e língua dobrada entre os dentes, festejando o golo decisivo de Derlei (73’). Um golo, aliás, a finalizar uma das poucas jogadas bem trabalhadas pelo ataque leonino. Para ganhar ao Shakhtar Donetsk – que foi uma equipa que procurou responder sempre de igual para igual, embora sem grandes argumentos – o Sporting não se limitou a aproveitar erros alheios e procurou accionar a capacidade para desequilibrar, recorrendo, no momento decisivo, a Izmailov, que, num lance de classe, proporcionou a Derlei o remate para o golo. Um lance, aliás, parecido com um outro, pouco tempo antes, concluído por Liedson, que fez a bola passar mesmo junto ao poste da baliza ucraniano. Era o corolário de um Sporting mais sereno, mais confiante e, por isso, mais afoito, até porque o empate também dava para manter intacto o objectivo europeu. Um Sporting que não foi perfeito, até porque cedeu espaços na defesa e errou passes que poderiam ter comprometido a vitória.
O Sporting está agora nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, quando ainda tem mais dois jogos da primeira fase, nos quais o objectivo será pontuar no campo para facturar na tesouraria. Depois, tudo pode acontecer... Inclusive, ultrapassar a grande campanha europeia de 1982-1983, em que o Sporting, com um treinador-jogador – um caso raro na Europa do futebol – chamado António Oliveira (o irmão de Joaquim Oliveira) atingiu os quartos-de-final da exigente Taça dos Clubes Campeões Europeus. E por falar no treinador-jogador, nessa época, ele também marcava golos. Como naquela noite gloriosa em que marcou os três da vitória sobre o Dínamo de Zagreb, com o velho Estádio de Alvalade cheio de gente. Tempos que não voltam mais. FOTO: AFP - Getty Images

RECORTES Os princípios de Paulo Bento

"O futebol é um jogo de erros. Primeiro temos de não os cometer, depois temos de os provocar, e por fim de os aproveitar. (…) Se nos próximos dois jogos fizermos dois golos, um em cada jogo, e se não sofrermos nenhum, terminaremos um ciclo de uma forma extraordinária. Sempre defendi que uma grande equipa constrói-se primeiro defendendo bem. (…) Se vencermos [o Shaktar], o Sporting fica muito perto de alcançar um grande objectivo. Estamos no bom caminho, com uma equipa mais equilibrada agora. Esperamos entrar na história do clube. Sabemos que, ganhando o nosso jogo, estamos praticamente nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões."
Paulo Bento, “Público”, 04-11-2008

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

LEÃO DA ESTRELA pela verdade desportiva

Para acabar com os “Josés Ramalhos” da arbitragem portuguesa, que se enganam porque não são omnipresentes, mas também porque continuam a roubar o Sporting Clube de Portugal (e outros clubes) de forma incompreensível e à vista de toda a gente, o LEÃO DA ESTRELA anuncia que decidiu subscrever a petição PELA VERDADE DESPORTIVA, lançada na Internet pelo jornalista Rui Santos, autor do programa “Tempo Extra”, da “SIC Notícias”, que tem por objectivo defender a introdução das novas tecnologias no futebol para reduzir a margem de erro das equipas de arbitragem.
Porque continuamos, todas as semanas, a ver erros grosseiros das equipas de arbitragem nos mais diversos campos do País, é urgente fazer alguma coisa pela transparência no futebol português. A introdução de meios tecnológicos, eventualmente atribuindo maiores responsabilidades ao “quarto árbitro”, que até agora só tem sido chamado a intervir nas substituições e pouco mais, poderá ser uma boa solução para aproximar os resultados dos jogos daquilo que verdadeiramente se passa dentro do campo. Faça-se o teste, por exemplo, nos jogos da Taça da Liga.
Este ano, o Sporting já foi impedido de festejar dois golos limpinhos por culpa exclusiva de dois árbitros assistentes que já deveriam ter sido proibidos de levantar a bandeira. Foi em Leiria, para a Taça de Portugal, e foi neste fim-de-semana, em Vila do Conde, para a I Liga. Isto sem contar com outros foras-de-jogo mal assinalados, prejudicando o futebol do Sporting no seu todo.
Porém, os ladrões continuam por aí, prontos a errar de cabeça bem levantada. É preciso pôr cobro a isto. Os interessados em subscrever a petição PELA VERDADE DESPORTIVA podem clicar neste link: http://www.ipetitions.com/petition/pelaverdadedesportiva. FOTO: "Record Online"

sábado, 1 de novembro de 2008

Contra o Rio Ave e contra o velho "sistema"...

Na noite em que o FC Porto somou a segunda derrota consecutiva na I Liga (perdeu por 1-0 com a Naval, na Figueira da Foz), o Sporting sacudiu uma semana agitada com uma vitória preciosa sobre o Rio Ave, no difícil Estádio dos Arcos, em Vila do Conde. Uma vitória por 1-0, com Liedson, nesta fase pouco produtiva em termos de golos, a confirmar-se como o único jogador da equipa que sabe marcá-los. Liedson que foi, mais uma vez, a figura do jogo leonino.
Acabou por ser mais uma vitória sofrida de um Sporting fiel aos princípios de Paulo Bento, que prefere jogar nos limites mínimos e sem preocupações estéticas, procurando apenas aproveitar os erros adversários (foi assim que marcou, aos 41'). Porém, neste caso, o sofrimento, que durou até ao último minuto, deveu-se exclusivamente à acção directa da equipa de arbitragem, liderada por Jorge Sousa (Porto), que teve no seu assistente José Ramalho - aquele que levou uma porrada pelas costas no Estádio da Luz no último Benfica-Porto - a anular um golo correcto também a Liedson, que resolveria a partida a meio da segunda parte. Mas José Ramalho via fora-de-jogo onde ele não existia (o que aconteceu outras vezes ao ataque leonino, e em situações de perigo iminente para a baliza contrária) e a vitória mínima do Sporting foi prevalecendo.
Depois, à entrada para o último quarto de hora da partida, foi a vez de Derlei protagonizar o seu "momento-Carlos Martins", vendo dois cartões amarelos em dois minutos, por faltas descabidas. Por isso, por parte dos sportinguistas, foi sofrer até ao fim, com Filipe Soares Franco, nas frias bancadas de Vila do Conde a iludir o frio e os nervos com a fumarada da cigarrilha.
O Sporting conquistava uma vitória importante, num encontro em que, pode dizer-se, os jogadores leoninos enfrentaram o Rio Ave e também o velho "sistema" da péssima arbitragem nacional que tem feito do futebol português uma mentira. Só que, desta vez, a equipa leonina foi mais forte, porque também teve a sorte necessária, nomeadamente quando Rui Patrício sacou da defesa da noite, precisamente quando Derlei se preparava para tomar o duche antecipado.
Agora, que esta vitória poderá desanuviar o ambiente em Alvalade, é tempo de seguir com atenção o que vai acontecer no Dragão nas próximas horas e nos próximos dias... FOTO: Francisco Leong (AFP)

RECORTES Paulo Bento, a insatisfação e a azia

"Não vejo qualquer tipo de problema de um jogador estar insatisfeito. Agora, têm uma maneira de o demonstrar: treinando. É a única maneira de demonstrar a sua insatisfação. Faço uma distinção entre insatisfação e azia. A insatisfação permite treinar bem e a azia, normalmente, não deixa."
Paulo Bento em conferência de imprensa, referindo-se aos casos que têm envolvido jogadores do Sporting, 31-10-2008

O vandalismo em Alvalade

A contestação é legítima em qualquer lado, mas para tudo há limites que não podem ser ultrapassados. O vandalismo de que foram alvo as paredes exteriores do Estádio José Alvalade é inaceitável, por muito que se discorde do que se passa na gestão do futebol leonino e do clube. Não foi uma prova de amor ao Sporting, mas um ataque a um clube centenário pela calada da noite. Não foi um ataque a Filipe Soares Franco, Paulo Bento e João Moutinho, ao que se sabe, os nomes visados pela fúria dos arruaceiros, mas um sinal insustentável de caos e degradação total. Não faltará quem lembre que, “quem com ferros mata, com ferros morre”. Mas o Sporting Clube de Portugal não pode ser um palco de guerras tribais. José Alvalade, Francisco Stromp, João Azevedo, José Travassos, Peyroteo, Jesus Correia, Juca, Yazalde, Joaquim Agostinho, Livramento, Vítor Damas e outras glórias maiores do Sporting devem estar a dar voltas no túmulo. Onde está o Sporting que fez de nós sportinguistas?... Como foi possível chegar até aqui?... FOTO: Blog Pontapé na Lógica
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