sábado, 16 de maio de 2009

Ideias de Paulo Cristóvão

“Acompanho a ausência de militância com apreensão. Identifiquei situações como excesso de numerologia e défice de paixão e entendo que aos sócios deve ser deixada a palavra final nas grandes decisões.”

“Há anos, quando o Sporting era roubado, só por raiva, os sócios faziam fila na secretaria à segunda-feira acompanhados de amigos para os tornar sócios. A isto chama-se militância, mas isso cultiva-se, não sai por decreto.”

“Um associado não pode ter do outro lado alguém a dizer-lhe que privilegia clientes a sócios ou accionistas a sócios. Os associados não podem ser uma maçada, um núcleo que emperra o andamento do clube. Quando tudo isto é retirado, a vontade de ser sócio esmorece. Temos 25 200 heróis com a quota em dia, com 96 mil inscritos. Eles são o nosso principal alvo. Não são Academias nem VMOC nem SAD o nosso património. É a nossa gente! Eles é que são os verdadeiros notáveis.”

“Os sportinguistas que gostam de horseball têm de ter presente que há muitos outros que gostam de jogar às damas e à sueca. O Sporting é transversal à sociedade, no bem e no mal. Temos adeptos que estão muito bem na vida, mas não façam deles o espelho do que é o Sporting. Não são!”

“No outro dia um sócio relativamente jovem devia um número de quotas considerável e, como acreditou em mim, quando ainda nem tinha lista, na última AG, veio ter comigo à entrada e mostrou-me que tinha pago 190 euros para me dar quatro votos. Disse-me que ia passar mal em casa naquele mês. Isto é que é o Sporting!”

“O Benfica tem a falácia dos seis milhões, mas é a sua bandeira; o FC Porto tem uma cultura bairrista, que, gerida com competência, é vitoriosa. Precisamos da nossa bandeira, que são os nossos adeptos, a nossa gente, que tem de regressar. Não precisamos de nos agarrar a uma cidade, a uma região ou a um número. Temos os melhores e mais ordeiros adeptos do Mundo.”

“Já passámos a época de Jorge Gonçalves, das unhas, etc. Os sócios são pessoas atentas e informadas e sabem que esse tipo de discurso já não colhe. Nunca o seguiria. Aliás, não prometo que o Sporting seja campeão para o ano, pois entendo de futebol. Quem de futebol nada percebe é que o diria. Todos os candidatos que vi chegarem a dizer isso, falharam. Só José Roquette teve a sensatez de dizer que não seria campeão no imediato, mas o tempo trouxe-lhe títulos mais tarde. Teve razão. Mas não falo sobre eventuais reforços.”

“É preciso sermos sinceros e não utilizarmos o nome de Paulo Bento para ganhar votos. Seria desonesto ir por aí. Ele é um grandíssimo profissional, com contrato, e não deve ser usado nesta campanha. Admiro-o muito. Pese embora a ausência de títulos, tem colhido simpatia junto dos sócios por desempenhar o seu papel e o de outras pessoas que estão acima dele hierarquicamente. É um homem a quem se deve dizer obrigado, quer continue ou não, e o Sporting deve curvar-se perante o seu trabalho. Defendeu a honra de um clube e de três milhões de sportinguistas, quando se devia preocupar só com questões técnicas, com os treinos, com o bem-estar do plantel, com o comando da equipa a partir do banco. Teve de fazer muito mais porque outros se furtaram a dar o peito às balas...”

“O Sporting tem das melhores escolas de formação do Mundo, mas o que ela rende em termos de dinheiro é contraditório. Os dois melhores do Mundo que saíram das nossas escolas, Figo e Ronaldo, foram vendidos da forma que foram. Temos de rentabilizar os activos.”

“Falo de Manuel Fernandes, Mário Jorge e Carlos Xavier. Comigo vão voltar e trabalhar connosco. Têm de voltar à casa da qual nunca deviam ter saído. Por muito respeito que me mereçam, custa-me ver benfiquistas à frente de certas áreas no Sporting...”

“Queremos gente competente que chora quando o Sporting perde. Esses nunca me vão trair a mim ou ao clube.”

“Não me esqueço de quem financiou o pavilhão do FC Porto e o centro de estágio do Benfica. Que o Estado se lembre que existe um clube chamado Sporting Clube de Portugal. Não concebo é um pavilhão em Carnide. Não pode ficar a mais de mil metros da casa-mãe. É importantíssimo e urgente.”

“Aliás, somos os únicos a defender o reforço das nossas garantias patrimoniais para os nossos credores. Adicionamos ao património existente um pavilhão e valorizamos a Academia. (…) O Sporting deve esperar por essa valorização e resolver o défice de tesouraria, que é o seu grande problema, não o passivo.”
Paulo Cristóvão, candidato à presidência do Sporting, "O Jogo", 14-05-2009

7 comentários:

Hugo Pereira disse...

Já vi o Paulo Portas a defender com menos vigor as peixeiras de Matosinhos e as feirantes do Bolhão, lá isso é verdade.

Hugo Pereira disse...

Já agora, isso de ter sportinguistas à frente de certas áreas não pode ser encarado duma forma assim tão linear. No Estado português também há cargos que só podem ser desempenhados por nacionais (PR, PM), mas há outros que têm de ser desempenhados por pessoas competentes, nem que sejam espanholas (desde que nunca tenham ofendido Portugal, claro). Por isso pergunto: Carlos Xavier, Manuel Fernandes, Mário Jorge para quê e em que funções? Se forem colocados em cargos para os quais não tenham conhecimentos nem aptidão, não, obrigado. Por isso, isto cheira-me mais a demagogia.

Anónimo disse...

Os conservadores até podem vir a votar todos no "fumo branco" mais do mesmo mas de uma coisa já não se livram: do facto de nestas eleições, ao contrário das bocas que se ouviu durante meses, ter sido a "alternativa" a dar uma imagem de organização, cabecinha, antecipação e propostas. Se os sócios do SCP desta vez optarem noutro sentido não será por falta de alternativa válida do outro.

anónimo leão disse...

Será uma oportunidade perdida se os Sportinguistas não elegerem este homem. Talvez a última para devolver o Sporting as sócios. Basta de empregados da banca à frente dos destinos do Clube, que só lhes interessa canalizar dinheiro e património para quem lhes paga -- os bancos!

António Bentes disse...

Paulo Pereira Cristóvão representa e personifica a necessária, urgente e indispensavel lufada de ar fresco, renovação e nova era de que o Sporting carece.

É um Líder nato, é frontal, conhece bem todos os podres e todos os meandros e não tem medo de ir à luta e de defender o Sporting e os Sportinguistas até às últimas consequências!

É dever de todos os Sportinguistas ajudar a fechar o ciclo roquetista que se iniciou em 1995 e que tem consumido o Clube em património (material e humano), em ecletismo e em pujança e mística.

Betencourt (pago a peso de Ouro - Porque será?), representa mais do mesmo, com manutenção dos mesmos de sempre, com os vícios e a incompetência habitual.

Vamos injectar sangue novo e virar a página!

Viva o Sporting Clube de Portugal!

varatojo disse...

António Bentes;

Quatro parágrafos, curtos, que dizem tudo.

Acrescento: os sócios não voltarão a ter uma oportunidade destas para virar a página. Depois, é o fim de uma linda história de mais de cem anos.

Anónimo disse...

António Bentes: se conhecesse a "peça"...

Como benfiquista que gosta de defrontar clubes pujantes, económica e financeiramente saudáveis - e o Sporting, o eterno rival, merece-me todo o respeito - não desejava ver o Sporting tão mal entregue. Creiam-me, caros soprtinguistas.

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