sábado, 31 de janeiro de 2009

Futebol de Inverno na Trofa

Derlei em lance acrobático na área do Trofense. FOTO: AFP - Getty Images

A deflação de Miguel Veloso

Se o petróleo baixou de preço depois da especulação, se a economia mundial está em forte recessão, se o desemprego aumenta a cada dia que passa, seja em Portugal ou na Inglaterra, fazendo diminuir os espectadores nos estádios de futebol, se o dinheiro é um bem cada vez mais escasso e mais caro, é natural que os 30 milhões de euros inscritos da cláusula de rescisão do contrato de Miguel Veloso se tenham transformado num valor inflacionado, ou mesmo especulativo. Donde, a proposta em dinheiro que o Bolton apresentou ao Sporting não vai além de 50 por cento das exigências do clube português. Um sinal da deflação, que atinge, inevitavelmente, o futebol profissional.
Neste quadro, a proposta de que se fala, a rondar os 15 milhões de euros, será um bom negócio, desde que Filipe Soares Franco consiga manter na posse do Sporting uma percentagem do passe do jogador que não seja inferior a 25 por cento, de modo a realizar mais dinheiro numa eventual venda futura. Se isso acontecer, estaremos perante uma boa solução financeira e da gestão dos recursos humanos para um jogador que, de tanto interessado em sair para o estrangeiro, motivado por um empresário inimigo dos interesses do futebol do Sporting, nunca mais conseguiu repetir a excelente temporada de 2006-2007 – o que também está a contribuir para a sua desvalorização, tendo já deixado de ser imprescindível na equipa leonina, a ponto de Paulo Bento ter dado fortes sinais de que já não conta com ele, admitindo a sua saída.
Na verdade, isso não será problema para a equipa de futebol do Sporting. Há que dar mais espaço a profissionais como Adrien Silva e Bruno Pereirinha, que precisam de jogar com mais frequência para crescerem como futebolistas. E, para o que falta da época, ainda há a hipótese muito interessante de resgatar Celestino ao Estrela da Amadora, com o Sporting a substituir um atleta formado no clube por outro igualmente "made in Alvalade", cumprindo, assim, os princípios de um clube eminentemente formador… FOTO: www.sporting.pt

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O desafio da Trofa

Abrir a segunda volta da I Liga Portuguesa com uma vitória na Trofa é um imperativo da equipa orientada por Paulo Bento. Depois de o Trofense ter vencido o Benfica e empatado com o FC Porto, uma vitória do Sporting assume agora um valor acrescentado. O título que o Sporting busca há 7 anos pode não ser decidido nas próximas cinco jornadas, ou seja, até ao jogo com o FC Porto, no Dragão, a 1 de Março, mas a equipa leonina precisa de ultrapassar este ciclo numa onda vitoriosa para ganhar balanço psicológico rumo à vitória final.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O empréstimo de Stojkovic

Mais do que um acto de gestão (na verdade era um imperativo resultante de uma incompatibilidade pessoal entre o jogador e o treinador), o empréstimo de Stojkovic ao Getafe é um problema resolvido no plantel leonino. O facto de o guardião sérvio ir para Espanha é também um bom indicador. O Sporting deveria explorar o filão das parceiras com clubes espanhóis. Espanha tem a vantagem de ser um bom mercado futebolístico e de ter grandes afinidades com Portugal, a começar pela proximidade geográfica.
Entretanto, outra boa notícia de Alvalade é a da renovação do contrato com Daniel Carriço, até 2013. Eis um jogador que definiu o seu futuro imediato sem fazer "barulho" na comunicação social. Um exemplo a seguir pela escola sportinguista.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A demissão de Mesquita Machado

Mesquita Machado, que, além de autarca de Braga há mais de 30 anos, é presidente da Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), tinha feito umas revelações estranhas sobre o que se tinha passado nos bastidores com a nomeação do árbitro Paulo Baptista para o último Benfica- Braga – onde a equipa de Jorge Jesus perdeu por acção directa do árbitro. A partir daí, Mesquita Machado colocou-se numa situação insustentável, dado que, como presidente da Assembleia Geral da FPF, tem o dever da equidade, não podendo, por isso, tomar partido contra ou a favor dos seus associados, nem pôr em causa os organismos que tutelam o futebol português.
Depois da arbitragem escandalosa verificada na Luz, o Sporting de Braga voltou a ser roubado no jogo com o FC Porto – que agora lidera a Liga. Pelo meio, Vítor Pereira disse uns disparates – “quem não acredita no futebol que não vá ao futebol” – e o Sporting, acertadamente, pediu a demissão do presidente da Comissão de Arbitragem da Liga, depois de ter exigido um inquérito às polémicas declarações de Mesquita Machado.
Quem acaba, em primeiro lugar, por se demitir, é precisamente Mesquita Machado, que, agora, livre do tal dever de equidade, promete “dizer umas verdades”. O que se espera é que o autarca de Braga diga tudo. E espera-se, também, que Vítor Pereira não continue a fazer disparates como presidente dos árbitros. O que, obviamente, só poderá acontecer se apresentar, também, a sua demissão… É que, ao cabo da primeira volta, não foram as equipas ou os jogadores as figuras centrais da Liga Portuguesa. Foram os árbitros. Desde a primeira jornada, em que o tal Paulo Baptista, em Alvalade, obrigou o Sporting a sofrer o primeiro golo da prova à custa de um penálti arrancado dois ou três metros fora da área. E depois, os árbitros ainda anularam três golos limpos ao clube de Alvalade, frente à União de Leiria, ao Rio Ave e ao Guimarães.
É certo que o Sporting também ganhou um jogo à custa de um fora-de-jogo do tamanho de um campo de futebol, em Vila do Conde, para uma Taça da Liga que nada decidia naquele jogo. Mas isso só confirma o futebol português como um circo interminável, em que uns escândalos são silenciados com outros escândalos e em que todos ralham e todos têm razões de queixa ou razões para não falar muito. Tudo isto até que a classificação reponha a verdade desportiva do “sistema”… É evidente que isto não pode continuar assim.
Que Mesquita Machado tenha a coragem para começar a deitar a casa abaixo, revelando as tais “verdades”. Conhecimentos sobre o pântano a que chegou o futebol em Portugal não lhe faltam. A não ser que a sua demissão seja um acto de propaganda destinado a esconder fragilidades políticas decorrentes do desgaste provocado por mais de 30 anos como autarca de Braga...

sábado, 24 de janeiro de 2009

Frouxidão leonina na Madeira

Depois do empate do Benfica no Restelo, o Sporting também perdeu dois pontos, ao empatar 1-1 no terreno do Nacional, e acabou por falhar o acesso à liderança da I Liga ao cabo da primeira volta e cair para o terceiro lugar, com menos um ponto do que o FC Porto (que é o novo líder à custa da arbitragem de Paulo Costa, que foi indispensável para a vitória em Braga...).
Quando se exigia um Sporting que fizesse a diferença, para confirmar a sua candidatura ao título nacional e, sobretudo, para dar o necessário balanço psicológico para enfrentar as maiores dificuldades que se avizinham, o que se viu na Madeira foi uma equipa leonina a demorar muito a entrar em jogo, como se não estivesse em causa alcançar o primeiro lugar.
Paulo Bento justificou o desempenho menos conseguido com a “ansiedade”. Mas talvez seja mais acertado falar num défice de esforço, de dedicação, de devoção e de glória, para utilizar imagens bem leoninas, que impediu a produção do volume de jogo necessário para ganhar. Nada de novo, numa equipa que tem respirado sobretudo pela arte e pelo engenho de Liedson e que está formatada para defender antes de atacar, para não arriscar muito, para esperar pelo erro do adversário, para fazer os serviços mínimos...
Um golo – um excelente golo, aliás – sofrido muito cedo, exigia uma reacção enérgica de toda a equipa leonina. Não foi isso que aconteceu. As coisas continuaram em ritmo lento, os passes continuaram a ser falhados, as iniciativas atacantes esbarravam na inconsequência, como se nada estivesse em causa. A equipa leonina estava presa a marcações apertadas e o Nacional até poderia ter elevado para 2-0, não fosse Rui Patrício defender uma grande penalidade, que pareceu não ter existido.
A grande defesa de Patrício poderia ter sido o "clique" de que a equipa precisava. O perigo decorrente de dois remates de longa distância de Rochemback – em toda a primeira parte – foi manifestamente insuficiente para quem precisava de ganhar para começar a meter medo aos adversários que se seguem.
Quando não se esperava, Vukcevic empatou mesmo sobre o intervalo e a equipa regressou com mais atitude na segunda parte. O problema é que, numa partida em que o salvador Liedson não foi feliz (também tem direito a uma "folga"...), o Sporting acabou também por perder Vukcevic de forma prematura, por lesão. E o conjunto leonino, que, nessa fase, parecia estar à beira de virar o resultado, acabou por ressentir-se da retirada do montenegrino, substituído por Pereirinha. E nem Derlei, que já não tem o ritmo de outros tempos, trouxe novidades. O jogo terminou aberto, com o Nacional também a ter ocasiões para marcar. Logo, estamos perante um resultado justo, que demonstrou a frouxidão leonina nesta espécie de excursão à Madeira. FOTO: Duarte Sá (Reuters)

Carriço e a dupla de centrais do Sporting

Fala-se muito na dupla atacante, mas há muitas equipas que jogam só com um avançado solitário. Há, no entanto, um espaço onde uma dupla nunca se desfaz. É a dupla de centrais. (...) O local onde essa dupla sentiu um abalo foi em Alvalade. Motivo: Carriço. Entrou na lesão de Tonel e colocou-se ao lado de Polga. Os jogos passaram e eis a questão: qual é hoje a melhor dupla de centrais do Sporting? Tendo Polga como indiscutível, o estilo sereno mas decidido de Carriço ameaça fixar-se no "onze" e alterar a ordem estabelecida. Por vezes ainda calcula mal o "timing" de entrada ao corte, mas tem a personalidade, o traço essencial, dos bons centrais. Só que esta posição funciona em dupla. Por isso, será da evolução do seu entendimento com Polga, antes afinado com Tonel, que dependerá o seu lugar. (...)
Luís Freitas Lobo, "Expresso", 24-01-2009
FOTO: www.sporting.pt

Paulo Bento: a bíblia do losango

Sempre fiel ao seu losango, deu uma identidade clara ao jogo leonino. O seu carácter impõe-se no balneário e no relvado. Na luta pelo título, é a personificação da coerência táctica como um valor absoluto. É a bíblia do losango.
"Expresso", 24-01-2009
FOTO: www.sporting.pt

Vukcevic: a diferença na luta pelo título...

O talento e o temperamento. Um duelo que "aprisiona" o bom futebol. Tem força e técnica, coragem e remate. Um poder criativo decisivo no "onze" leonino que pode fazer a diferença na luta pelo título.
"Expresso", 24-01-2009
FOTO: www.sporting.pt

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

A 999ª tentativa de Miguel Veloso para sair...

Anteontem era a Fiorentina. Depois era o Manchester City. Agora é o Bolton. Tudo grandes colossos mundiais. Já não há pachorra para aturar os sonhos de Miguel Veloso e do seu empresário Paulo Barbosa.

O "alerta vermelho" em Alvalade

Aparentemente, a decisão de Filipe Soares Franco de não se candidatar à presidência do Sporting está a fazer bem à equipa de futebol. Desde esse anúncio surpreendente, a equipa ganha os jogos. E isso é bom. É sinal que uma coisa é o grupo de trabalho e outra coisa bem distinta são as guerras dos dirigentes pelo controlo do clube. Não, no caso do Sporting não é bem assim. Os potenciais candidatos aguardam por melhores dias. Dizia-se que o congresso é que iria ser bom para debater o presente e o futuro do clube. Mas até para o congresso não há congressistas em número suficiente. Muito menos em qualidade. O que isto nos diz é que o famigerado “Projecto Roquette” fechou o Sporting sobre si próprio. Eliminou o debate apontando as vozes diferentes como inimigos a abater, relativizou as metas desportivas e colocou o discurso frio das finanças à frente das emoções da bola. É um legado que não augura nada de bom. Ironicamente, “O Jogo” fala num “alerta vermelho” à militância leonina. Um alerta vermelho?!... No Sporting?!...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O arrependimento de Grimi

Na sua primeira intervenção pública após ter sido detido pela polícia com 1,24 gramas de álcool no sangue, o argentino Leandro Grimi fez o mínimo que se lhe pedia: mostrar-se arrependido da bebedeira e pedir perdão aos sócios e adeptos do Sporting. “Estou arrependido. Sou uma pessoa tranquila e é a primeira vez que me acontece algo assim. Não tenho antecedentes. Nunca tinha acontecido nem voltará a acontecer", declarou o jogador ao diário "Record". Agora só esperamos que estas palavras não sejam levadas pelo vento. E que o caso, que tem inevitáveis consequências negativas na carreira do jogador, sirva de exemplo para muitos colegas de profissão.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Chuva de golos no "hat-trick" de Liedson

Num jogo sem casos de arbitragem, ao contrário, por exemplo, do que sucedeu no Estádio da Luz, na vitória magra do Benfica sobre o Belenenses (1-0), onde a equipa do Restelo viu anulado um golo limpo, o Sporting derrotou o Paços de Ferreira por 5-1, construindo o resultado mais volumoso de toda a Taça da Liga 2008-2009 e garantindo um lugar nas meias-finais, ficando à espera, em Alvalade, de FC Porto ou Guimarães.
O Sporting merecia muito mais do que os 6461 espectadores que assistiram à partida ao vivo, naquela que foi uma das piores molduras humanas de sempre em jogos leoninos em Alvalade. A goleada, para a qual o brasileiro Liedson foi, mais uma vez, decisivo, ao ter marcado três dos cinco golos, traduziu a superioridade leonina através de uma exibição tranquila e segura.
Perante um Paços de Ferreira que só existiu e incomodou entre o segundo e o terceiro golos leoninos – marcando o tento solitário nesse intervalo, que decorreu na abertura da segunda parte –, a equipa do Sporting poderia, inclusive, ter construído um resultado mais volumoso. Bastaria que, nas suas iniciativas ofensivas até ao fim do jogo, a equipa verde e branca tivesse funcionado sempre como quem está à procura do primeiro golo. Assim não aconteceu, pois a vitória folgada ainda permitiu algumas tentativas de brilharete individual que resultaram em desperdício…
Por falar em brilharetes individuais, é justo destacar Liedson, pelos três golos e pelo trabalho colectivo constante, mas também o russo Izmailov, que marcou um golo portentoso, a fazer lembrar aquela “bomba” indefensável que disparou à baliza do FC Porto, no seu primeiro jogo oficial ao serviço do Sporting, que ditou a conquista da Supertaça 2007. Destaque ainda para Vukcevic, que também marcou e voltou a ser preponderante na equipa, e para Bruno Pereirinha, cuja velocidade foi importante para mexer com o colectivo no segundo tempo.
De resto, voltando a Liedson, não falta quem aponte o jogador brasileiro como o melhor goleador da história do Sporting, só porque marcou mais golos do que Yazalde. Algo que tem a ver com incompetência, falta de memória ou de cultura futebolística dos homens da rádio e da televisão.
Como existiram Peyroteo (529 golos), Manuel Fernandes (255), Vasques (221), Manuel Soeiro (204), Rui Jordão (187), Adolfo Mourão (170), João Martins (166), Jesus Correia (156), Albano (153), João Cruz (149), Figueiredo (147) e Lourenço (145), Liedson é, sim, o melhor goleador estrangeiro da história do Sporting. FOTO: Nacho Doce (Reuters - Arquivo)

sábado, 17 de janeiro de 2009

A bebedeira de Leandro Grimi

O defesa-esquerdo do Sporting Leandro Grimi, de 23 anos, foi apanhado pela polícia a conduzir na tentadora noite lisboeta com 1,24 gramas de álcool no sangue, isto é, com duas vezes e meia o álcool no sangue permitido por lei (0,50 gramas). Objectivamente, Grimi, que tinha trabalho na manhã seguinte, estava bêbado, talvez a vislumbrar três ou quatro Docas de Lisboa à sua volta, pelas 4h00 da madrugada.
Se não fosse a polícia, talvez ninguém, além dos mais próximos, viesse a saber. Eventualmente, o jogador poderia vir a constar no boletim clínico do Sporting como um dos jogadores lesionados... Segundo veio a público, aconteceu isso mesmo, recentemente, no FC Porto...
Grimi é um jovem. Mas não é um jovem qualquer. Veio do AC Milan, clube do primeiro mundo do futebol que se enganou na contratação e, obviamente, procurou despachá-la enquanto fosse tempo. O jogador argentino custou ao Sporting 2,5 milhões de euros por metade do seu passe. Muito mais do que qualquer jogador formado no clube de Alvalade. Muito mais, por exemplo, do que custou até hoje ao Sporting o promissor lateral-esquerdo Tiago Pinto - três anos mais novo. E, é bom que se diga, Grimi ainda não justificou o valor do passe.
Como Grimi há outros casos. No Sporting e noutros clubes. Há quem beba em público, como há quem beba em privado. É comum dizer-se que ninguém tem nada com isso, quando as bebedeiras acontecem fora do horário de trabalho. Num profissional de futebol não é bem assim.
Um futeblista é pago a peso de ouro por algum motivo. Os grandes ordenados implicam privações. Entre essas privações estão o álcool e a droga. Alguns casos vêm a público porque acontecem na via pública. Na memória de todos, o Sporting tem o caso de Cherbakov, que acabou para o futebol também numa noite de êxtase em Lisboa. Luisão, do Benfica, também foi apanhado com álcool a mais, tendo evitado julgamento com uma pena de trabalho comunitário.
Para estes meninos mimados e sem cabeça, as multas pecuniárias não são um castigo. O afastamento da convocatória também não é castigo. Porque, para eles, mais mês de ordenado menos mês, acaba no mesmo. Assim como mais jogo, menos jogo... O dinheiro, um bem cada vez mais caro, abunda e dá para tudo.
Por isso, não ficaria nada escandalizado que um clube de futebol - a começar pelo Sporting - passasse, também, a usar métodos policiais, pegando num balão e, arbitrariamente, fosse a casa dos atletas a determinadas horas para apurar se tinham consumido álcool a mais. Talvez, desse modo, o ritmo de jogo fosse mais regular ao longo dos noventa minutos...
Os futebolistas ganham mais do que os outros trabalhadores e são agentes de um espectáculo muito caro e que atrai multidões. Têm, portanto, outros deveres. Os sócios e os adeptos do futebol, que pagam a sua quota e o seu bilhete para ver um jogo ao vivo, têm obrigação de saber por que é que a equipa que adoram corre mais ou corre menos. Andar atrás daquilo que os jogadores fazem nas suas horas privadas é tratá-los como criancinhas. Mas, como a bebedeira de Grimi provou a todos nós, às vezes, as cabeças humanas são de galinha. FOTO: Reuters

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A arbitragem portuguesa é mesmo fraquinha

A arbitragem portuguesa é mesmo muito fraquinha. Em Vila do Conde, no mesmo estádio onde o Sporting viu anulado pela arbitragem um dos três golos limpos que marcou e foi impedido de festejar em três jogos diferentes ao longo da temporada em curso, desta vez, para a Taça da Liga, a equipa leonina venceu o Rio Ave por 1-0 graças a um golo de Vukcevic obtido em clara posição de fora-de-jogo.
O que fica da pasmaceira que foi este Rio Ave-Sporting é mesmo a fraca arbitragem de Jorge Sousa, que, aos 29' deveria ter mostrado o segundo cartão amarelo ao vilacondense Tarantini e, aos 59', o cartão vermelho directo a Livramento, pela patada que deu num joelho de João Moutinho, depois de chegar atrasado na disputa de uma bola. E se Jorge Sousa tivesse actuado como deveria no aspecto disciplinar, talvez a equipa do Sporting, que actuou sem alguns dos jogadores titulares (sem Liedson, por exemplo, é tudo muito mais difícil...), tivesse conseguido vencer de outra forma.
Na semana em que o Sporting reagiu à arbitragem escandalosa que fabricou a última vitória do Benfica para a Liga, até parece que tudo isto é premeditado, para que as críticas aos escândalos sejam caladas com outros escândalos, de modo a que o circo continue sem parar. É por isso que olhamos para as bancadas e elas estão cada vez mais vazias. Resta saber até quando é que o futebol português vai aguentar estes jogos viciados.
Uma palavra para Paulo Bento: parabéns pela honestidade com que reconheceu a ilegalidade do golo que deu a vitória ao Sporting, lembrando, ao mesmo tempo, situações em que a equipa foi duramente prejudicada!... FOTO: Jon Super (AP Photo)

Tiago Pinto e a hesitação leonina

O País futebolístico começa agora a conhecer o lateral-esquerdo Tiago Pinto, sobretudo depois das suas excelentes exibições contra o Benfica (na vitória do Trofense por 2-0) e o FC Porto (empate a zero golos no Dragão). Nos dois jogos, a equipa da Trofa não sofreu golos, e para isso muito contribuiu o trabalho defensivo de Tiago Pinto. Frente ao FC Porto, aliás, houve um lance em que a bola voava para dentro da baliza do Trofense quando apareceu a cabeça de Tiago Pinto, com coragem e destreza, a evitar o golo certo.
Tiago Pinto, que é filho da antiga glória do Sporting e do futebol português João Vieira Pinto – um craque de eleição que foi decisivo na conquista do título de 2002 – é um activo da SAD leonina, mas só até final da presente temporada. O contrato está no fim e o processo de renovação parece emperrado, o que é incompreensível. Que o País só agora tenha descoberto este jovem lateral-esquerdo, que é internacional jovem e campeão nacional pelo Sporting em iniciados, juvenis e juniores, é perfeitamente compreensível, mas já não se entende muito bem que o Sporting pareça hesitar em renovar o vínculo com o jogador.
E Tiago Pinto, apesar da sua juventude, mostra saber o que quer. E jovens assim não há muitos. “É verdade que gostava de representar o Sporting, que foi o clube que me criou, mas não posso estar obcecado com essa ideia”, declarou há dias o atleta, com a cautela que as circunstâncias impõem. Tiago Pinto diz que não pode ficar obcecado com a ideia de jogar no Sporting porque não sabe o que é que o clube do seu coração pretende fazer dele. “Ainda não falaram comigo. Estou em final de contrato e neste momento estou concentrado no meu trabalho ao serviço do Trofense.”
O interessante é que o discurso de Tiago Pinto - que revela ser um adulto precoce, como foi o pai - é sustentado numa prática sólida, como vimos no último domingo, no Estádio do Dragão, onde actuou muito concentrado, dono e senhor da asa esquerda da equipa, a defender bem e a atacar quando podia.
A questão é que o Sporting pode ter na mão uma boa solução para o lado esquerdo do sector defensivo, resultante da sua formação. Seria, de facto, muito grave em termos de gestão dos recursos humanos, se a SAD leonina abdicasse do sonho de Tiago Pinto de regressar a Alvalade e “inventasse” para o seu lugar mais uma espécie de Marian Had, de Gladstone, de Celsinho ou de Purovic…

A FICHA DE TIAGO PINTO

Idade: 20 anos (01/02/1988)
Nacionalidade: Portuguesa
Posição: Defesa-esquerdo
Clubes: Sporting (formação), Olivais e Moscavide (2007-2008) e Trofense (2008-2009)
Contrato: até 2009
Curiosidades: O seu “grande sonho” é vestir a camisola da equipa principal do Sporting. Em 2007 chegou a ser hipótese para o Sporting de Braga, onde seria colega de equipa do seu pai, João Vieira Pinto. Mas o Sporting propôs a renovação e acertou um contrato de dois anos. Emprestado ao Olivais e Moscavide, foi titularíssimo. Agora é titular do Trofense, equipa que está a causar sensação na I Liga, depois de um mau início de prova. FOTO: "Record"

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Luís Figo, Cristiano Ronaldo e o Sporting

Depois de Luís Figo (2001), Cristiano Ronaldo é o segundo futebolista português a ser eleito pela FIFA como o melhor do mundo, deixando para trás os hispânicos Lionel Messi e Fernando Torres. O que confirma a ideia de que os portugueses são mesmo bons de bola...
Em comum, o facto de Figo e Ronaldo terem sido formados no Sporting Clube de Portugal, sem terem trabalhado na Academia de Alcochete (o avançado do Manchester United só andou lá uns meses). Portanto, fizeram o futebol juvenil e júnior em Alvalade quando o Sporting ainda não dispunha das condições que hoje pode proporcionar aos seus formandos. O que valoriza ainda mais o sucesso internacional dos dois atletas.
Destas distinções internacionais ressalta um facto indesmentível: o Sporting é o único clube português capaz de formar jogadores de categoria internacional. E ainda forma jogadores para os adversários directos venderem a clubes estrangeiros. Três exemplos: o FC Porto, que vendera Paulo Futre, na década de 1980, acabou de vender Ricardo Quaresma ao Inter de Milão e o Benfica, mais recentemente, vendeu Simão Sabrosa ao Atlético de Madrid. Três provas de que o Sporting também forma jogadores para dar a vender... FOTOS: Reuters

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O regresso de Paulo Abreu

Depois do “roubo de igreja” (para usar uma expressão cara ao grande treinador que foi José Maria Pedroto) a que o País assistiu no Estádio da Luz, não seria de esperar dos dirigentes do Sporting que viessem a público falar alto contra o “Apito Encarnado”. Pelo menos, esse não tem sido o estilo adoptado pela liderança de Filipe Soares Franco, que nem sequer tem mostrado muita indignação pelos golos limpos que os jogadores do Sporting têm sido impedidos de festejar. E, nesta temporada, o clube de Alvalade já viu anulados pelos árbitros três golos limpinhos (frente a Rio Ave, União de Leiria e Guimarães) e sofreu um golo resultante de uma grande penalidade que não existiu (Trofense). Erros dos árbitros que não resultaram em pontos ou jogos perdidos, é certo, mas que influenciam, decisivamente, as análises aos golos marcados e sofridos pela equipa de Paulo Bento. Donde, as duras críticas do presidente do Grupo Stromp, Paulo Abreu – ex-chefe do departamento de futebol leonino que nada ganhou, nos últimos anos da década de 1990 – ao que ele qualifica como um “roubo de catebral” têm de ser lidas à luz do momento pré-eleitoral que o Sporting está a viver, na sequência da anunciada retirada de Filipe Soares Franco. Por isso, podemos concluir que, num dia destes, Paulo Abreu – agora regressado à ribalta mediática – voltará a dar sinais de vida para anunciar a sua corrida à presidência do Sporting. Resta saber se tem algo de novo a propor aos associados leoninos. O que não será fácil. FOTO: "Record Online"

domingo, 11 de janeiro de 2009

"Apito Encarnado" na Luz

Paulo Baptista, o famigerado árbitro que transformou em grande penalidade do Trofense contra o Sporting uma falta cometida por Anderson Polga dois metros fora da área, na jornada inaugural da Liga Portuguesa, foi o 12º jogador de que o Benfica precisou para vencer o Sporting de Braga de Jorge Jesus,por 1-0, e continuar na liderança da prova, à 14ª jornada.
De facto, Paulo Baptista, ajudado pelos respectivos árbitros assistentes, não só validou o golo de David Luiz apontado em situação de fora-de-jogo (que seria fácil de assinalar, pois ocorreu na marcação de um livre), como não teve pejo em fazer vista grossa a um abalroamento de Luisão a Matheus dentro da área benfiquista (68') e a outras faltas a favor dos bracarenses, na parte final da partida, quando o Benfica, de modo desesperado, procurava defender a margem mínima que conquistara ilegalmente.
Ter investido no ataque cerrado a Pedro Henriques, por este árbitro ter anulado um golo num lance duvidoso (e não dois golos limpos, como aqueles que já foram anulados esta temporada ao Sporting, em Leiria, para a Taça de Portugal, e em Vila do Conde, para a Liga), já está a render juros altos ao Benfica... FOTO: Hugo Correia (Reuters)

Liedson e muita tranquilidade

A tranquilidade, palavra que Paulo Bento riscou do seu discurso depois de ter sido alvo de rábulas humorísticas, parece ter regressado à equipa de futebol do Sporting. Pelo menos, foi com a maior tranquilidade que a equipa leonina venceu o Marítimo, por 2-0, em Alvalade. Com tranquilidade e com Liedson, mais uma vez, presente nos dois golos: fabricou o primeiro (11’), assistindo Vukcevic de forma primorosa, e marcou o segundo, concluindo uma jogada iniciada na velocidade de Bruno Pereirinha.
No resto da partida, a maior parte dela jogada ao ritmo lento de Rochemback (que aos 29’ substituiu o lesionado Miguel Veloso), o Sporting, que parece ter melhorado após a quadra natalícia, sendo agora uma equipa visivelmente estabilizada, dominou tranquilamente e até poderia ter ampliado a vantagem, sobre um Marítimo defensivo e frouxo no ataque.
Na próxima jornada, o Sporting defronta o Nacional, na Madeira, e, se vencer, passará a somar mais seis pontos em relação à época passada, entrando na segunda metade da Liga com a motivação necessária para lutar pelo título nacional, que Alvalade já não celebra há sete anos. FOTO: Nacho Doce (Reuters)

sábado, 10 de janeiro de 2009

Plano Estratégico para um SCP com futuro

1. O Sporting Clube de Portugal (SCP) precisa de um Presidente da Direcção do clube e da SAD (sociedade anónima desportiva) que se dedique a tempo inteiro ao clube e à SAD, sem conflito de interesses entre a sua actividade profissional e os objectivos do clube, que se afirme como um líder defensor e promotor da Cultura Sportinguista e que seja o representante do Sporting em todos os organismos e eventos nacionais e internacionais, nomeadamente aqueles que dizem respeito ao futebol profissional.

2. O SCP precisa de uma Direcção que assuma o futebol de formação e o futebol profissional como grandes motores do funcionamento do clube, mas que aposte igualmente nas diversas modalidades desportivas, profissionais ou amadoras, assumindo o ecletismo como um factor distintivo dos clubes desportivos em Portugal e no Mundo, apostando na captação de patrocínios privados e procurando patrocínios públicos através de convénios com o Estado Português, tendo em conta o serviço de responsabilidade social decorrente do trabalho de promoção desportiva e de ocupação dos tempos livres, nomeadamente dos jovens.

3. O SCP precisa de uma Direcção que defenda o primado do clube e do futebol sobre o primado dos negócios e das operações financeiras. Uma Direcção que defenda o património imobiliário (Academia e Estádio de Alvalade) como activos do SCP e não da Sporting SAD. Uma Direcção que seja a primeira a defender a submissão periódica das contas do universo sportinguista a uma auditoria externa, contratualizada por concurso público. Uma Direcção que disponha de uma equipa de especialistas em economia e finanças, mas se preocupe em pôr os sportinguistas a falar de futebol e das outras modalidades desportivas e não a falar de modelos de gestão, de acções, de passivos ou activos, de VOMC's e outros jargões do sistema financeiro, que só afastam as pessoas dos estádios.

4. O SCP precisa de uma Direcção que promova uma cultura de grande responsabilidade e exigência em todos os sectores do universo sportinguista. Os atletas e as equipas do Sporting têm de querer ser sempre os primeiros e os melhores, honrando a memória extraordinária dos "Cinco Violinos" e de todos os grandes atletas que vestiram a camisola do clube em mais de 100 anos de história, com Esforço, Dedicação, Devoção e Glória.

5. O SCP precisa de renegociar a sua dívida bancária, de modo a libertar-se dos enormes compromissos que estão a impedir uma política expansionista do futebol profissional. Para a sobrevivência do Sporting como clube de dimensão nacional e internacional é fundamental que, num prazo máximo de cinco anos, seja um clube liderante no futebol português (tanto no investimento no futebol profissional como nos resultados desportivos), e com melhores resultados desportivos no futebol europeu, incrementando novas e maiores receitas, de modo a combater o défice com o sucesso desportivo.

6. O SCP e o seu futebol profissional precisam de ser dirigidos “de dentro para fora” e não “de fora para dentro”, eliminando todos os factores de interferência externa que contribuem para a sua desestabilização permanente, nomeadamente o protagonismo mediático dos empresários e de outros lóbis.

7. O treinador principal da equipa profissional de futebol do Sporting deve ser um técnico de reconhecido valor, no País e no estrangeiro, que deverá ser o responsável por todo o futebol do clube, incluindo o futebol de formação.

8. A política de aquisição e dispensa de jogadores deve ser da responsabilidade do treinador principal, em articulação com o dirigente responsável pelo pelouro do futebol (o designado director desportivo), devendo a contratação de jogadores obedecer a rigorosos critérios de ordem técnica, definidos pelo treinador, no âmbito das disponibilidades orçamentais definidas pela Sporting SAD.

9. O futebol do SCP deve apostar na sua escola de formação de jogadores como principal fonte de constituição do seu plantel do futebol profissional, recorrendo ao mercado para corrigir eventuais lacunas, contratando jogadores de valor inquestionável, cuja carreira e comportamento profissional constitua um exemplo a seguir pelos jovens.

10. O SCP precisa de estabelecer verdadeiros protocolos com clubes que disputem a I Liga Portuguesa (com excepção dos adversários directos Benfica e do FC Porto) e a I Liga Espanhola, com vista à venda e empréstimo dos jogadores oriundos da Academia de Futebol de Alcochete que não tenham lugar no plantel profissional.

11. O SCP precisa de criar um gabinete técnico e um gabinete de psicologia que sejam responsáveis pelo acompanhamento próximo e permanente de todos os futebolistas que trabalhem no clube, na equipa principal ou nas equipas de formação, e os que estejam na situação de emprestados.

12. O SCP precisa de defender, junto da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, que os direitos de transmissão televisiva dos jogos de futebol sejam negociados entre a Liga e os agentes do audiovisual e não entre estes e os clubes individualmente.

13. O SCP precisa de rentabilizar em todas as vertentes a marca SPORTING, liderando todo o “merchandising” do clube e criando uma rede de lojas, envolvendo primordialmente os núcleos e as filiais no País e no Mundo. Ao mesmo tempo, o SCP deve procurar meios alternativos de sustentabilidade económica diversificando serviços a prestar em áreas não desportivas, nomeadamente nos sectores imobiliário e hoteleiro.

Documento elaborado pelo LEÃO DA ESTRELA, como contributo para um Sporting Clube de Portugal cada vez mais forte, publicado em 08-01-2008, e agora actualizado

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

RECORTES Oportunidade

É verdade que o Sporting teve, como presidentes, a sua quota-parte de cromos, de que Jorge Gonçalves e Sousa Cintra foram excelentes exemplares, deixando claro que o suposto elitismo leonino não passa de um mito. Mas as presidências do Sporting foram quase sempre mais sisudas e menos carismáticas do que as do Benfica e do Porto. E as transições menos dramáticas.
Esquecendo Santana Lopes, que deve sempre ser visto como um intervalo lúdico, foi o regresso da família Roquette que marcou o princípio da empresarialização do clube. Para participar em qualquer debate leonino passou a ser necessário dominar o jargão da gestão e da banca.
Depois veio um dos melhores e mais injustiçados presidentes. Para além de uma honestidade à prova de bala, Dias da Cunha foi o único dirigente desportivo que teve a coragem de pôr o dedo na ferida. Apesar de ter feito do Sporting campeão e de ter construído o novo estádio, os adeptos nunca morreram de amores por ele. Faltava-lhe em carisma o que lhe sobrava em trabalho e entrega desinteressada.
A chegada de Soares Franco levou à progressiva descaracterização do clube. Agora, a sua saída abre muitas oportunidades. O Sporting precisa de um presidente que, mais do que nos negócios e no imobiliário, pense no futebol e nos adeptos. Que queira que o Sporting seja, antes de mais, dos sócios. Que mantenha a Academia nas mãos do clube. Que não se veja a si próprio como um CEO, o Sporting como uma marca e os sportinguistas como clientes.
Talvez o Sporting em trespasse e sem alma seja muito moderno. Mas não sei se a paixão por um clube resiste a tanta modernidade. Quem procura “militância” não quer consumidores passivos.
AUTOR:
Daniel Oliveira, colunista do "Record", 09-01-2008

A crítica de Abrantes Mendes

Sérgio Abrantes Mendes, ex-adversário eleitoral de Filipe Soares Franco na corrida à presidência do Sporting e antigo presidente da Assembleia Geral do clube e, naquele tempo, em finais da década de 1980, uma espécie de reserva moral do agitado consulado de Jorge Gonçalves, veio a público contestar o "timing" da renúncia do actual presidente leonino a uma recandidatura.
A crítica de Sérgio Abrantes Mendes não tem razão de ser, porque o processo eleitoral teria de acontecer em qualquer altura do ano. Ironicamente, o período menos indicado para a realização de eleições é justamente aquele que coincide com o fim de uma temporada desportiva e a preparação da temporada seguinte.
Soares Franco, ao anunciar que não é candidato com seis meses de antecedência em relação à data das eleições, prestou um grande serviço ao Sporting, porque permite criar condições para um debate profundo sobre o futuro de clube dividido, mais a mais com um congresso agendado para dentro de poucas semanas. O que não seria possível caso esse anúncio tivesse ocorrido a um ou dois meses das eleições, numa altura igualmente decisiva para a equipa de futebol na luta pelo título nacional. Ao mesmo tempo, é preciso ter em conta que o sucesso da equipa de futebol na Taça da Liga, na Liga Portuguesa e na Liga dos Campeões será sempre o sucesso do projecto de Soares Franco, que terá, certamente, um candidato a defendê-lo.
O que teria sentido Abrantes Mendes fazer seria recomendar a Filipe Soares Franco que recorra a todos os meios no sentido de defender a máxima tranquilidade no grupo de trabalho do Sporting, de modo a que os objectivos desportivos da temporada não sejam postos em causa. De resto, todos os profissionais do Sporting continuam a receber no final do mês pelas funções para as quais foram contratados. Uns para dirigir, outros para treinar, outros para jogar e outros, ainda, para ajudar a máquina a funcionar. E o âmbito dessas funções específicas de cada profissional leonino não passa, ou não pode passar, por alinhamentos pré-eleitorais que prejudiquem o futebol do Sporting.

O Sporting na mão dos sócios

Num País onde o presidente de um Governo regional está no poder há 30 anos, onde o presidente de um grande clube desportivo vai também a caminho de 30 anos no cargo, onde há presidentes de câmara também há mais de 30 anos no poder e onde há líderes de muitas instituições que também se eternizam no poder, não obstante todos terem sido escolhas teoricamente democráticas, a decisão de Filipe Soares Franco de não se recandidatar à presidência do Sporting merece, em primeiro lugar, o profundo respeito de todos os sportinguistas.
Embora contrariado, por notar que não recolhe no clube a margem de 75 por cento de apoio que é necessária em Assembleia Geral para mudar os estatutos e concretizar o seu projecto empresarial no Sporting, Filipe Soares Franco devolve o futuro do clube aos associados. Sai derrotado, mas sai com honra e de cabeça erguida. É evidente que o projecto de Soares Franco continuará sobre a mesa e terá, certamente, um futuro candidato a defendê-lo. Mas também é evidente que, doravante, estão criadas as condições para que, nos próximos meses, surjam projectos alternativos que proporcionem um amplo e necessário debate sobre o Sporting Clube de Portugal. Um debate que se espera sereno e profundamente democrático. Para que dirigentes e ex-dirigentes deixem de lavar roupa suja ou ajustar contas na praça pública e que tudo fique esclarecido. De uma vez por todas.
Que os melhores projectos e os melhores candidatos apareçam a jogo, para que o Sporting acabe, de uma vez por todas, com guerras intestinas que minam o clube, de modo a que o rumo que venha a ser escolhido nas próximas eleições seja, no dia seguinte, defendido por todos ou, pelo menos, que não seja hostilizado por ninguém. Os tempos não estão fáceis e o Sporting precisa de todos os sportinguistas para recuperar o entusiasmo em torno do clube e assumir a liderança no desporto em Portugal, tendo o futebol profissional e de formação como as suas grandes bandeiras no País e no mundo.
Finalmente, uma nota decorrente da entrevista de Filipe Soares Franco à RTP: tendo em conta a necessidade de uma preparação atempada da próxima temporada desportiva, em particular a questão sensível da escolha do treinador da equipa principal de futebol, as eleições deveriam ser antecipadas. Paulo Bento é o treinador do Sporting, é um profissional, mas, pela forma como sempre conduziu as suas funções, tendo sido, muitas vezes, a única voz do Sporting no país futebolístico, é talvez o treinador mais “político” da história do Sporting, na medida em que sempre falou a mesma linguagem da administração, sendo visto, portanto, como uma extensão do presidente que agora vai retirar-se. Só por isso, dificilmente Paulo Bento terá condições para continuar como treinador do Sporting para além desta época. FOTO: "Record Online"

RECORTES A retirada de Soares Franco

"Para voltar a candidatar-me [à presidência do Sporting] teria que ter a certeza de que teria um programa inovador e mobilizador para o clube. E nisso tenho as maiores dúvidas dadas as resistências internas que tenho encontrado."

"De maneira nenhuma [voltarei a ser candidato]. Tive todo o tempo do mundo para pensar."


"Tomei a decisão uma semana antes do Natal, pois focalizar-me no Sporting e nas suas exigências era completamente incompatível com a minha actividade empresarial."

"Se renovarmos [com Paulo Bento] vão haver críticos a dizer que deveríamos ter dado liberdade à próxima direcção. Se não renovarmos, vão surgir críticas
a dizer que deveríamos ter segurado o treinador."
Filipe Soares Franco, em entrevista à RTP, em que anunciou que não se recandidata à presidência do Sporting, 08-01-2009

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Sousa Sintra e o salvador

Há dias, Filipe Soares Franco, num assomo de falta de memória, garantiu à nação leonina que foi ele o grande salvador do Sporting. De imediato, o antigo presidente Sousa Cintra (o último antes do "Projecto Roquette"), sentindo-se melindrado, levantou a voz para dizer que ele, Cintra, é que foi o verdadeiro salvador, ao ter assumido a liderança de um clube sem crédito no final dos penosos anos oitenta.
O que seria lógico é que este desencontro de opiniões manifestado na praça pública, entre duas figuras importantes na vida do Sporting dos últimos 20 anos, se traduzisse em duas visões distintas sobre o presente e o futuro do clube. Aliás, Franco é um produto da sociedade anónima desportiva leonina cujos mentores tanto criticaram a gestão "apaixonada" ou "irracional" de Cintra...
Puro engano. Mesmo antes de saber quem serão os candidatos à presidência do Sporting, Sousa Cintra, no “Record”, adianta desde já que voltará a apoiar Soares Franco nas próximas eleições. “É um homem sério”, explica o antigo cervejeiro. Pois é. E salvou o Sporting, não é, Sousa Cintra?...

Obrigado, Derlei!

Dez temporadas depois de ter chegado a Portugal para jogar na União de Leiria, Derlei - um brasileiro nascido em S. Bernardo do Campo, terra onde o Presidente Lula da Silva fez a sua vida como sindicalista, antes de rumar a Brasília - anunciou o fim da sua carreira no final desta época. Aos 33 anos, é uma decisão sensata de um avançado que o Sporting contratou já na fase descendente como profissional; e que não foi feliz em Alvalade, traído por duas lesões graves no joelho - depois de lesões idênticas sofridas em anos anteriores, então ao serviço do FC Porto.
Quando foi contratado pelo Sporting, em 2007, depois de uma passagem inglória pelo Benfica, Soares Franco até confessou ter ficado com os cabelos em pé. O LEÃO DA ESTRELA também não contava com a surpreendente contratação de Carlos Freitas, como aqui foi referido e explicado. A verdade é que o Sporting não conseguiu ter o excelente Derlei que jogara no FC Porto, onde tudo conquistara: títulos nacionais, Taça UEFA e Liga dos Campeões. Mas ainda contou com alguma da sua raça incontida dentro do campo e da sua permanente capacidade de luta pela bola, até onde as pernas ainda lhe permitiam - como características singulares de um profissional sério e responsável, apesar de um ou outro momento como este.
No Sporting, para além desta proeza individual, houve, porém, um jogo memorável de Derlei: foi quando, regressado de uma lesão grave que o apoquentou durante largos meses na época passada, saltou do banco para transfigurar a equipa leonina que, ao intervalo, perdia por 2-0 com o Benfica, em Alvalade, no jogo das meias-finais da Taça de Portugal. No final, o Sporting ganhou por 5-3. Foi esse o grande jogo de Derlei ao serviço do Sporting. Pelo menos aquele que fica na história e na nossa memória. Os sportinguistas estão, por isso, agradecidos ao avançado brasileiro, apesar de só ter participado em 21 jogos durante ano e meio. Portanto, obrigado, Derlei! E que o desejo de terminar a carreira como campeão nacional pelo Sporting seja uma realidade!...

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Soares Franco e a academia africana

O dito projecto de internacionalização da formação do Sporting Clube de Portugal, agora iniciado com o lançamento de uma academia de futebol na África do Sul, poderá significar uma machadada no verdadeiro projecto de formação que tem sido essencial para a sobrevivência do clube nos últimos 30 anos e que, por outro lado, tem representado uma marca distintiva do Sporting em relação aos restantes grandes clubes portugueses.
Segundo as notícias que nos chegam, a futura Academia do Sporting na África do Sul (pela escolha, até poderia ser na China ou noutro lugar qualquer onde o negócio fervilha…) mais parece um negócio entre Filipe Soares Franco e os seus parceiros africanos – empresas que, a avaliar pelos seus nomes pomposos (DMN Investiments CC e Extra Dimensions), terão tudo a ver com a selvajaria dos negócios financeiros, cuja credibilidade, como sabemos, anda pelas ruas da amargura.
O Sporting tem a Academia de Alcochete e várias escolas espalhadas pelo País. Excelente. Mas já tem as equipas de juniores e juvenis carregadas de jogadores estrangeiros (por sinal, os dois escalões que são geridos pela SAD). Em muitos casos estamos a falar de jovens que só estão em Lisboa para tapar o lugar aos jovens portugueses, prejudicando os jogadores portugueses e o futebol português.
São esses jovens estrangeiros – em regra apresentados como “diamantes” africanos ou sul-americanos por lapidar… – que despertam não os homens do futebol mas os homens dos negócios do futebol que, por sua vez, mandam nos clubes… É por isso que, hoje, um dérbi entre o Sporting e o Benfica, em juniores, é um jogo entre jogadores estrangeiros, onde uma minoria de jovens portugueses quase se sujeitam a pedir licença para jogar. E o Estado até financia esta farsa, que é hoje um retrato fiel do “futebol português”, através dos subsídios que concede com vista ao alegado fomento desportivo. Tudo isto com o olhar impávido da Federação Portuguesa de Futebol, que tarda em tomar medidas.
No Sporting, os resultados desta aposta suicida têm sido claros: até hoje, nenhum dos estrangeiros que têm sido comprados para as camadas jovens vingou na equipa principal. Desde Alison Almeida a Yannick Pupo, para além de Ronny (um jogador limitado, mesmo em comparação com qualquer dos jovens laterais-esquerdos formados no Sporting na última década), passando por muitos outros que chegaram e partiram anónimos.
Ou seja, o Sporting tem muito com que se ocupar na formação de jogadores, mesmo sem sair de Alcochete. Antes de outras aventuras, os responsáveis leoninos deveriam analisar os recentes falhanços de todos os “craques” estrangeiros na sua transição para o futebol sénior. E deveriam ponderar se o Sporting deve seguir o caminho errático de uma formação sem alma, sem identidade, sem uma ideia, a não ser a ideia fixa do dinheiro fácil dos empresários (que querem vender rapidamente os seus diamantes) e dos jogadores (que se julgam os diamantes mais valiosos do mundo e querem sair do Sporting mesmo sem passar pela equipa principal).
Neste contexto, a criação de uma academia leonina na África do Sul não passa de uma megalomania de Filipe Soares Franco, que transformará o Sporting, a prazo, num mero centro comercial de jogadores da bola à escala internacional, dando, certamente, lucros fabulosos a meia dúzia de empresários, à custa da marca "Sporting". Ora, isso jamais será formar jogadores “à Sporting” que sirvam a equipa principal de futebol.

Obs. - Filipe Soares Franco anuncia dentro dias a sua recandidatura à presidência do Sporting. No excelente programa de debate "A Bola é Redonda", no Porto Canal, Manuel Serrão, que defende as cores do FC Porto naquele programa, já fez a sua análise. Diz Serrão que uma eventual reeleição de Soares Franco seria boa para bancos e para o FC Porto. Ao que isto chegou!...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Militância sportinguista cresce na Internet

Novos "blogs" e "sites" linkados no LEÃO DA ESTRELA:

Armazém Leonino
Causa Leonina
Grande Sporting
Leonino
Portal Sporting Memória
Ser Sporting
Sporting 2010
Tribuna do Leão

Ano novo, jornais velhos...


A avaliar pelas três capas, a imprensa desportiva portuguesa começa o ano de 2009 sem imaginação nenhuma, provando, mais uma vez, que há jornais a mais em Portugal. Ou que a concorrência, pelo menos no nosso País, é sinónimo de mais do mesmo, em vez de significar uma melhor oferta geradora de maior capacidade de escolha por parte dos consumidores. Infelizmente, há três jornais desportivos e são todos iguais. Um mais azul aqui, outro mais vermelho acolá, umas páginas mais verdes ou mais amarelas num dia ou outro, enfim, um jogo de cores conhecido há muitos anos.
Na primeira segunda-feira do ano, os três jornais desportivos passam um pano por cima da humilhação do falso "campeão de Inverno" e oferecem-nos, em uníssono, a mesma manchete, a mesma frase, a mesma ideia, o mesmo líder. E as coisas não são bem assim. A verdade é que FC Porto (27 pontos), Benfica (26 p.) e Sporting (26 p.) seguem juntinhos na frente de um campeonato cujo vencedor, lá para o mês de Maio, não deverá ser o mais forte e o que jogar melhor futebol, mas aquele que, até à última jornada, falhar menos e que tiver menos momentos de desconcentração e displicência. Quanto aos jornais, a questão é simples: um deles seria suficiente para nos dar a informação dos três.

domingo, 4 de janeiro de 2009

O regresso de João Moutinho

No Sporting, o número 31 não é sinónimo de problemas, mas de soluções. Foi assim, agora em Setúbal. Em 31 minutos, o Sporting marcou dois golos. Em ambos, a participação decisiva de Liedson, o número 31 da equipa leonina: no primeiro a descobrir o buraco em direcção às redes da baliza de Bruno Vale e, no segundo, a trabalhar para oferecer a João Moutinho um golo merecido pela excelente exibição do jovem “capitão” – neste jogo devolvido à posição mais avançada do losango leonino e assumindo o papel de “playmaker” com intervenção alargada a toda a frente de ataque. Um regresso às boas exibições, depois da tempestade do último Verão...
Sem jogar bem, o Sporting fez, porém, o essencial para vencer e gerir a vantagem de 2-0, perante um Vitória de Setúbal pouco consistente, que esta época já perdera pela mesma marca ante o Marítimo e o Trofense...
Paulo Bento conseguiu quebrar um enguiço pessoal – nos três anos anteriores nunca iniciara um ano civil com vitórias como treinador do Sporting – e vai, paulatinamente, levando a equipa ao seu moinho. Resta saber como é que o conjunto se vai comportar nos jogos decisivos (do ponto de vista psicológico) que se aproximam (com o FC Porto e o Benfica) e, sobretudo, se consegue chegar lá só com vitórias…
Em relação à época passada, o Sporting regista mais 3 pontos (o Benfica mais 1 e o FC Porto menos 8). A equipa leonina já sofreu três derrotas (mais 1), mas só consentiu dois empates (menos 3). E o desempenho reflecte-se no baixo número de golos sofridos (apenas 7, sendo a segunda melhor defesa), embora o número de golos marcados (14) seja dos mais baixos de sempre.
Uma palavra para a expulsão de Daniel Carriço: uma decisão execrável de Olegário Benquerença. Nos dois lances que motivam dois cartões amarelos é notório que Daniel Carriço procura jogar de forma correcta, como sempre o faz. Mas Olegário mandou-o para a rua em dois tempos. É assim que os árbitros de Vítor Pereira defendem o futebol português e os jovens talentos portugueses. FOTO: AFP Getty Images
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