sexta-feira, 31 de julho de 2009

Bobby Robson, 1933-2009

Muito doente e dependente de uma cadeira de rodas para se movimentar, já no fim de uma luta sem tréguas contra cinco cancros, o treinador inglês Bobby Robson, que entrou em Portugal pela porta 10A do Sporting para ser campeão no FC Porto, morreu aos 76 anos. O seu desaparecimento aconteceu depois de, no passado domingo, ter sido homenageado por 33 mil pessoas no St. James Park, estádio do Newcastle United, num jogo que visava angariar fundos para caridade.
Após anos de sucesso, nomeadamente com a vitória da Taça UEFA pelo Ipswish Town – que lhe valeu uma estátua na cidade... –, com o trabalho na selecção de Inglaterra e os títulos no PSV da Holanda, Bobby Robson conseguiu a proeza de ser despedido pela primeira vez na sua brilhante carreira só depois de passar a trabalhar em Portugal, onde chegou em 1992, para treinar o Sporting.
Nunca tinha sido alvo da chamada "chicotada psicológica" e acabou despedido em 1993-94, ainda antes do Natal. O presidente Sousa Cintra – que tinha o coração ao pé da boca e estava apostado em devolver títulos ao clube – despediu Robson depois de uma eliminação prematura da Taça UEFA, no confronto com os austríacos do Casino de Salzburgo, numa altura em que o Sporting ocupava o primeiro lugar no campeonato português! Uma decisão que seria impensável nos dias de hoje. E que continua, para muitos, ainda hoje, como um erro histórico no Sporting. Curiosamente, nesse ano, o Casino de Salzburgo, que ninguém conhecia de lado nenhum, acabaria por chegar à final da Taça UEFA, que perdeu para o Inter de Milão. Foi o único despedimento na carreira de Bobby Robson como treinador de classe mundial!...
Nessa época, Júlio Cernadas Pereira, "Juca" para os sportinguistas e para os adeptos do futebol, era o secretário-técnico leonino. Bobby Robson tinha como adjunto Manuel Fernandes, sendo José Mourinho – sim, o ex-treinador do Chelsea! – um jovem tradutor de inglês muito interessado em aprender... O resto da história confirma o erro de Cintra: Robson e Mourinho seriam campeões no FC Porto (abrindo caminho para o único pentacampeonato conquistado por um clube em Portugal) e rumariam, mais tarde, a Barcelona...

REACÇÕES À MORTE DE BOBBY ROBSON

José Eduardo Bettencourt (presidente do Sporting): “Foi um grande homem do futebol, reconhecido internacionalmente. Guardo uma excelente memória de um bom treinador e de um erro que acho que o Sporting cometeu naquela altura. Como foi reconhecido, aliás, posteriormente pelo presidente da altura, Sousa Cintra. Foi uma daquelas precipitações à Sporting.”

Sousa Cintra (antigo presidente do Sporting): “Era um homem conhecido pela verticalidade, personalidade e credibilidade que tinha no futebol. A sua morte não deixa de doer a todos, particularmente a mim que o trouxe para Portugal. Sempre tive boas recordações dele, não obstante de o ter despedido, decisão que sempre me arrependi.”

Manuel Fernandes (treinador-adjunto de Bobby Robson no Sporting):
“É como se tivesse morrido um familiar. Foi uma pessoa que me ensinou muito e que tinha forma extraordinária de estar no futebol. É uma perda muito grande para o Desporto mundial.”

José Mourinho (tradutor de Bobby Robson no Sporting e seu treinador-adjunto no FC Porto e Barcelona): “Bobby Robson é daquelas pessoas que não morrem, não tanto pelo que fizeram na carreira, por uma vitória a mais ou a menos, mas por tudo o que souberam dar a quem, como eu, teve a sorte de os conhecer e caminhar ao seu lado.”

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Só mudou a presidência

(…) Mesmo através de processos enquistados, o Sporting pode ter resolvido um dos seus problemas – a presidência. Um presidente mais representativo dos sócios, mais próximo deles, com uma cultura leonina infinitamente superior à de Filipe Soares Franco, capaz de devolver ao clube de Alvalade a dimensão que ele tem e outros reduziram a uma espécie de “clube de canasta”.
Os sócios vão exigir de José Eduardo Bettencourt (JEB) na proporção daquilo que passou a auferir, e a vantagem disso é que JEB se vê obrigado a passar essa mensagem de exigência, na cadeia de comando que tem de visar o balneário. O jogo de ontem [com o Twente] mostrou que os sócios e adeptos do Sporting bem querem ir ao encontro do chamamento de JEB, mas já se sabe que a presença de público só se manterá se a equipa corresponder em futebol e resultados. No final, os assobios foram um sinal de velha insatisfação. Porque a equipa do Sporting pode esforçar-se (por momentos) mas não se esforça em jogar bom futebol. E isso é dramático para quem gosta de espectáculo. Se JEB convocar os sportinguistas para uma noite de “ópera” e os intérpretes lhes derem uma interpretação menor de “ferrinhos”, é óbvio que não conseguirá dissuadir a desconfiança instalada.
O mais intrigante é ver-se alguns sportinguistas surpreendidos com este arranque “simétrico” de temporada. O presidente mudou, é verdade. Mas o conceito técnico relativamente ao futebol é o mesmo. Conservador e cinzento. Sem ponta de ambição. Sem um rasgo. Sem ousadia. Mais do mesmo. Afinal, onde está a surpresa?!
Rui Santos, jornalista, “Record”, 30-07-2009
Obs. – Título da responsabilidade do LEÃO DA ESTRELA

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Para onde vai o futebol do Sporting?...

Ao empatar a zero com os holandeses do Twente, o Sporting confirmou a pior pré-temporada de que há memória em Alvalade e complicou o seu objectivo de participar na próxima edição da Liga dos Campeões. A equipa leonina ainda pode seguir em frente, uma vez que pode ganhar ou empatar com golos na Holanda, mas as indicações dadas pelo jogo desta noite em Alvalade não são as melhores, nem para a eliminatória nem para a temporada que agora começa.
É certo que a temporada ainda está a começar, que os jogadores trabalham só há um mês. Mas o Twente está nas mesmas circunstâncias e nem por isso deixou de abordar a partida de Alvalade com um forte sentido colectivo e com a ambição de ganhar, apresentando uma equipa larga, com três unidades na frente. Ao contrário do Sporting, que entrou em campo cheio de medo, tendo demorado 20 minutos a chegar à baliza contrária. Mas, o que impressionou na equipa de Paulo Bento (que, à excepção de Matías Fernández, trabalha junta há um ano), foi a incapacidade para fazer circular a bola, a incapacidade para buscar soluções tácticas alternativas quando as circunstâncias mudam em campo.
O Sporting jogou da mesma maneira contra onze e contra dez. Para além de continuar a não saber marcar grandes penalidades (desta vez foi João Moutinho a falhar), o Sporting voltou a demonstrar que também não sabe jogar contra dez, bastando que o adversário se feche mais um pouco. Na primeira parte, o Twente conseguiu a proeza de ter sido mais perigoso na marcação de um livre directo a 25 metros da baliza de Rui Patrício (que executou uma excelente defesa) do que o Sporting na marcação de uma grande penalidade.
O Twente, que a meio da primeira parte teve de reparar a expulsão do seu guarda-redes, encurtando o seu jogo, sentiu algum aperto na defesa, mas só até ao intervalo. Depois, tudo voltou à normalidade, com o Sporting a jogar um futebol sem sentido, sem alma, inconsequente. No fundo, este Sporting parece que não sabe jogar à bola com garra, com ambição, com a urgência de ganhar, deixando em campo todo o esforço necessário para esse efeito.
Um jogo de futebol não pode ser uma maçada. Tem de ser um espectáculo. A defesa do Sporting não pode tremer como treme quando a bola sobrevoa a zona da baliza. O meio-campo não pode ser tão previsível. O ataque precisa de mais trabalho colectivo para que as oportunidades de golo sejam mais frequentes. A equipa precisa de revelar alegria e ambição. O Sporting não pode ser aquela equipa que chega à baliza adversária 20 minutos depois do apito inicial do árbitro. Sobretudo quando esse adversário é o segundo classificado do futebol holandês e está em causa o acesso a uma liga milionária que é essencial para a sobrevivência económica do clube.
A continuar assim, nem sei se valerá a pena tentar o acesso à Liga dos Campeões. Não sei para onde caminha o futebol do Sporting. No bom caminho é que não está. Já que o treinador é intocável, importa que mude a mentalidade competitiva de alguns jogadores. Caso contrário, não virá nada de bom na temporada que agora começa.
Uma palavra final para três jogadores que merecem uma palavra de aplauso e incentivo: Miguel Veloso (está outra vez em grande nível), Matías Fernández (pensa e executa tão rápido e tão bem que até surpreende os próprios companheiros) e Liedson (o trabalhador incansável de sempre). FOTO: AFP - Getty Images

terça-feira, 28 de julho de 2009

Sporting regressa à formação de portugueses

O nigeriano Rabiu Ibrahim será uma excepção entre várias apostas falhadas em jovens brasileiros e africanos

Reconhecido como um clube formador, com grande sucesso há mais de 30 anos, mesmo quando não tinha condições de trabalho, o Sporting foi pioneiro, entre os clubes portugueses, ao lançar-se na procura de jovens talentos em África e no Brasil para as suas camadas jovens. A ideia, megalómana e perigosa, seria potenciar o trabalho interno à escala global, o que, teoricamente, aumentaria as hipóteses de formar um maior número de grandes craques. Mas só teoricamente.
A verdade é que, alguns anos depois de uma aposta iniciada já neste século pela Sporting SAD, o balanço é desolador. Hoje, ninguém sabem onde páram jogadores como Yannick Pupo, Alison Almeida ou Luiz Paez, entre outros futuros "ronaldinhos" e afins. Ronny, que veio do Brasil para os juniores de Alvalade juntamente com Pupo, também deixou de fazer parte dos planos dos responsáveis pelo futebol leonino.
Numa política muito discutível, porque compromete o jovem futebolista português, fazendo da Academia do Sporting um entreposto de jogadores vindos de todo o mundo, ao serviço dos empresários e das suas negociatas, matando assim a essência da formação e, a prazo, pondo em causa a sobrevivência da própria selecção portuguesa, o plano de internacionalização da academia leonina ainda mantém alguns estrangeiros em Alcochete. A última equipa de juniores integrava argentinos, brasileiros, africanos e, até, um norte-americano. Não consta que nenhum tenha sido aproveitado para a equipa principal. Resta o mais famoso dos jovens que o Sporting acolheu pensando em ganhar uns milhões um dia mais tarde: o nigeriano Rabiu Ibrahim, sobre quem são depositadas enormes esperanças.
A conclusão é que, do trabalho feito nos últimos anos e do investimento realizado, não tem havido resultados. E tem descido o índice de aroveitamento dos jogadores recrutados na equipa de juniores. Muitos dos estrangeiros que taparam os lugares de outros tantos portugueses acabaram por deixar o Sporting pela porta do cavalo. Convém ainda lembrar que, na temporada finda, pela primeira vez nos últimos sete anos (e pela primeira vez depois da entrada em funcionamento da academia), o Sporting não ganhou nenhum título nacional nos escalões de formação...
Segundo noticia o jornal "i", o Sporting prepara-se para mudar a sua política ao nível da formação, concentrando o seu investimento na prospecção em território nacional. É uma mudança estatégica que se saúda. Se o Sporting se tornou famoso a formar jogadores portugueses e só registou falhanços nas apostas em jovens estrangeiros, por que é que iria agora insistir num erro?...
Deixem o FC Porto pelo Brasil e em França. Deixem o Benfica entretido com os jovens craques do Brasil e de África. Se o Sporting apostar só nos jovens portugueses, estará no caminho certo. Um caminho, de resto, descoberto há muitos, muitos anos. Além disso, a aposta no jovem futebolista português é mais barata e a probabilidade de sucesso, como a história sportinguista tem provado, é muito maior.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A baliza de Vítor Damas

Eis Vítor Damas na baliza de uma das melhores equipas do Sporting dos anos oitenta, orientada pelo galês John Toschak, então um jovem treinador de 35 anos, contratado por João Rocha ao Swansea City, que tinha Pedro Gomes como adjunto. Uma equipa que, estranhamente, passou ao lado dos títulos, em 1984-1985: Zezinho, Jordão, Venâncio, Oceano, António Oliveira e Vítor Damas (em cima); Mário Jorge, Sousa, Manuel Fernandes, Jaime Pacheco e Carlos Xavier (em baixo). Curiosamente, nesta imagem, uma equipa formada apenas por jogadores portugueses, todos internacionais, à excepção, salvo erro, do defesa-central Zezinho.

Foi bonita a homenagem a Vítor Damas, o mítico guarda-redes do Sporting dos anos sessenta, setenta e oitenta, do século passado, que ainda hoje é o jogador que mais vezes envergou a camisola leonina. Como tem acontecido com qualquer "capitão" da equipa leonina dos últimos anos, também Vítor Damas - que não está entre nós para testemunhar a admiração que os sportinguistas continuam a revelar por ele - saiu do Sporting pela porta do cavalo, acabando por regressar anos mais tarde, depois de ter jogado nos espanhóis do Santander e nos portugueses do V. Guimarães e Portimonense (indevidamente, porque o lugar dele em Portugal deveria ter sido sempre o Sporting). Ao tornar-se patrono da baliza do topo sul do Estádio José Alvalade, Damas será, como disse José Eduardo Bettecnourt, o "anjo da guarda" dos guarda-redes do Sporting que actuem em Alvalade (e, acrescento eu, um demónio para os guarda-redes adversários...). Com esta homenagem, o presidente José Eduardo Bettencourt demonstrou que sabe muito bem qual é o valor dos símbolos e da memória num clube de futebol. Parabéns!

sábado, 25 de julho de 2009

A maior potência desportiva portuguesa

Informa José Eduardo Bettencourt, na sua página no Twitter, que o Sporting Clube de Portugal atingiu os 14.000 títulos da sua história, afirmando-se como a "maior potência desportiva portuguesa". Já agora, é bom lembrar que, na caminhada para todos estes títulos leoninos, não consta a morte de adeptos adversários, motivada por "very ligths", nem consta que nenhum deles tenha sido conquistado à pedrada. É sempre bom lembrar. Porque outros não podem dizer o mesmo. Parabéns ao Sporting!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Ética vermelha na disciplina da FPF


Pois é. As decisões do futebol português estão entregues a gajos que não sabem o lugar que ocupam. Como bom benfiquista, Arnaldo Marques da Silva, presidente do Conselho de Disciplina da FPF, esteve na Casa do Benfica em Palmela, em 22 de Julho de 2007, a discursar e a distribuir prendas. Agora, num assomo de ética vermelha, julgou-se um caso raro de independência para decidir sobre o Sporting-Benfica, em juniores, que acabou à pedrada. E assim decidiu por dar o título de campeão ao Benfica. A avaliar pelo que se vê no vídeo sobre esta festa benfiquista, não custa adivinhar o que se passa nas reuniões da FPF. É o futebol português no seu melhor.

Caicedo traz força e altura para o ataque

Não deixa de ser curioso que os dois reforços estrangeiros que o Sporting contratou até ao momento, o chileno Matías Fernández (ex-Villarreal) e o equatoriano Felipe Caicedo (ex-Manchester City), tenham sido talvez dos jogadores que mais tempo foram falados como possíveis aquisições, antes de a sua mudança para Alvalade ter sido formalizada, sem que aparecessem outros clubes interessados para atrapalhar os dois negócios.
O interesse do Sporting em Caicedo (na imagem envergando a camisola do Manchster City num jogo realizado terça-feira) foi tornado público em 15 de Junho, mas a sua transferência para Alvalade só foi acertada nesta quinta-feira, 23 de Julho, ou seja, mais de um mês depois. Também Matias Fernández foi assumido como potencial reforço em meados de Junho, tendo sido encontrado o acordo para a sua mudança para Alvalade só duas semanas depois, no dia 27 de Junho. Das três hipóteses para estas situações, haverá uma que explique por que motivo o negócio com os referidos jogadores correu bem ao Sporting:
a) José Eduardo Bettencourt é um bom negociador;
b) Os jogadores em causa não têm grande mercado;
c) Com muitos clubes em crise financeira ou perto da falência a concorrência é muito menor.
Seja como for, ainda não foi com a contratação de Felipe Caicedo (cedido por empréstimo por uma temporada para dar força e altura ao ataque leonino), que o Sporting apresentou reforços sem que antes não se tivesse falado deles nos meios de comunicação. FOTO: Getty Images

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Humilhados e ofendidos

A decisão da FPF, de atribuir derrota ao Sporting e ao Benfica, no jogo da última jornada do campeonato nacional de juniores, que terminou à pedrada, ainda na primeira parte, no momento em que vários agressores tidos como adeptos benfiquistas entraram no recinto, constitui uma vitória da violência sobre o desportivismo. Oficialmente, o Sporting parece estar de acordo com isto, pois não levantou uma palha para contrariar uma decisão que há muito estava anunciada. E, já agora, também deve estar de acordo com uma mensagem que acaba de cair no meu telemóvel, vinda, obviamente, de um benfiquista doente, que diz o seguinte: "Sois mesmo uns desgraçadinhos. Vamos a vossa casa partir tudo, mandar-vos umas pedradas e ficar com o título de campeões. Coitadinhos dos largartinhos." E, assim, os sportinguistas continuam a ser humilhados e ofendidos, por quem pode mais, tal como no romance de Fiodor Dostoievski. Até quando?... FOTO: "Record Online"

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quarta-feira, 22 de julho de 2009

Más indicações na noite minhota

Com excepção do jogo-treino com o Atlético do Cacém, o Sporting continua sem ganhar na pré-temporada. Confirma-se o mau arranque leonino, que não é vulgar no Sporting. Pelo menos, não me lembro de uma pré-temporada tão frouxa em termos de exibições e, sobretudo, tão má em termos de resultados.
Em Guimarães, no quarto teste - o mais exigente desta pré-temporada -, a equipa de Paulo Bento somou um empate (2-2), num jogo que começou por controlar (sem nunca ter deslumbrado) e até por dominar claramente, tendo chegado à vitória por dois golos (marcados por Matias Fernández e Hélder Postiga). Porém, a equipa de Alvalade voltou a não demonstrar categoria para gerir a partida e uma vantagem. Exemplo disso foi a forma displicente como acabou por sofrer os dois golos já nos minutos finais. A este problema, Paulo Bento já lhe chamou “imaturidade”, mas foi notória a falta de concentração competitiva, e até de categoria, no sector defensivo, arrastando a equipa para o abismo.
O preocupante é estarmos perante situações que se repetem, que já vimos no passado, e que não têm a ver com falta de conhecimento entre os jogadores, uma vez que estamos a falar de atletas que estão no Sporting há tempo suficiente para se apresentarem devidamente entrosados, sem cometerem erros tão primários... De resto, o argumento da juventude também começa a deixar de ter sentido, nomeadamente em atletas da geração de Miguel Veloso, que já levam quatro anos de experiência nacional e internacional na equipa principal do Sporting.
O primeiro golo da recuperação vimaranense foi sofrido na sequência de uma reposição de bola em jogo, pelo guarda-redes Tiago, que se perdeu pela linha lateral. Já o segundo golo vimaranense aconteceu porque Tonel, primeiro, e Miguel Veloso, depois, foram insuficientes para afastar uma bola para fora da área leonina. A vitória que poderia dar outro ânimo ao clube leonino para a jornada europeia era, assim, deitada ao lixo.
O Sporting até tinha começado por abordar a partida de forma mais cautelosa e consistente, apresentado um colectivo mais coeso, como Paulo Bento gosta, e até chegou a fazer dois golos após o intervalo, mas acabou por entregar o jogo aos vimaranenses no último quarto de hora. “O que fizemos foi alimentar o adversário…”, queixou-se Paulo Bento, no final. Até quando é que este Sporting vai continuar a dar pão aos adversários?...
O tempo de corrigir os erros começa a faltar. Se os resultados valem alguma coisa, esta noite deu indicações muito más para o jogo de apuramento (?) para a Liga dos Campeões. Jogando em Braga, o Twente ganhou por 1-0. Já o Sporting não foi além de um empate em Guimarães.

terça-feira, 21 de julho de 2009

A Bancada do Leão

A campanha digital de promoção da venda de lugares no Estádio José Alvalade (ou "gamebox", para quem preferir...), com um sítio próprio na Internet (no domínio www.sporting.pt), onde o ex-futebolista Ricardo Sá Pinto e o actor Pedro Lima aparecem como cicerones nos diversos lugares do Santuário Leonino, merece ser olhada com atenção. É um bom trabalho, que pode ser visto aqui. É evidente que o marketing não é tudo no processo de criação do valor de um produto. Neste caso, também é preciso que o produto (ou seja, o futebol produzido pela equipa do Sporting) seja capaz de mobilizar a nação sportinguista. Informação enviada por Nuno Casquilho, da Direcção de Comunicação, Relações Públicas e Eventos do Sporting Clube de Portugal

O "novo" Miguel Veloso

"A minha relação com o treinador? Porquê essa pergunta? Sempre tivemos uma boa relação. E mantém-se."

"É uma nova época e todos juntos vamos puxar para o mesmo lado. Eles [os adeptos] a puxarem por nós e a equipa a puxar pelos adeptos com vista a atingirmos os nossos objctivos."

"Gosto de estar aqui [no Sporting] e apenas disse que tenho um sonho, nada de mais, mas não quer dizer que se concretize já. Tenho contrato até 2013. Sempre estive de alma e coração no Sporting."

"O importante não é o Miguel Veloso fazer uma época diferente, mas sim toda a equipa, para que possamos atingir os nossos objectivos. Eu gosto de estar aqui no Sporting, apenas referi ter um sonho, mas não quer dizer que se concretize já. Tenho contrato até 2013."

"Selecção? Vou trabalhar para jogar mais e assim chegar lá."

"[No lado esquerdo da defesa, em função das limitações de Grimi,] ainda temos o Caneira e o André Marques. O que eu quero é trabalhar, evoluir e fazer o meu melhor pelo Sporting."

Miguel Veloso, "Record", 21-07-2009

Talentos da formação que o Sporting dispensou

Era interessante que se falasse no inacreditável desperdício de talentos recentes do Sporting:
- Bruno Matias (
http://www.academia-de-talentos.com/a-dispensa-bruno-matias), dispensado, agora no U. Leiria.
- Januário Jesus (
http://academia-de-talentos.com/interview/entrevista-com-januario-jesus), dispensado, agora no Sp. Braga.
- Mário Rui (
http://academia-de-talentos.com/interview/entrevista-com-mario-rui_58), dispensado, agora no Valência.
Já para não falar noutros, como Diogo Viana, Silvestre Varela, etc..
Saudações Leoninas!
Nuno Trindade (enviado por e-mail)

domingo, 19 de julho de 2009

O cancro táctico que está a minar o Sporting

O famigerado “losango de Paulo Bento”, sendo um modelo de jogo como outro qualquer, está, porém, a ser mais prejudicial ao clube leonino do que parece. É uma espécie de cancro táctico que está a minar o Sporting, não só como equipa de futebol ganhadora, mas também como clube formador e como clube que precisa de rendibilizar a sua formação para ser economicamente sustentável.
Nos tempos de sucesso – que nos últimos 30 anos têm sido cada vez mais escassos e pontuais, infelizmente –, as equipas de futebol do Sporting foram sempre cimentadas num casamento perfeito entre um restrito grupo de grandes jogadores criativos (daqueles que chamam público aos estádios) e um conjunto de jogadores-operários. Afinal, o grande segredo das equipas equilibradas. Foi assim em 1982 com Freire e o trio maravilha formado por Manuel Fernandes, Oliveira e Jordão, bem secundado por jogadores-operários que eram o sustentáculo da equipa, como Bastos, Zezinho, Virgílio, Barão, Nogueira, que vestiam o fato-macaco mesmo em dias de gala, sendo simples e eficazes na destruição do jogo contrário…
Sem esta simbiose entre a arte e o trabalho, o futebol do Sporting jamais foi a algum lado, muito menos quando a criatividade dos seus jogadores foi reprimida por um sistema táctico demasiado conservador. E o Sporting de hoje é uma equipa reprimida, sendo talvez essa a explicação para o seu jogo monocórdico e irregular, ou revelador de "imaturidade", na expressão do treinador.
Quando assumiu o comando técnico da equipa, há quatro anos, Paulo Bento aplicou o “losango” como sistema táctico – utilizando “quatro estacas no meio-campo”, na expressão feliz de Luís Freitas Lobo, no "Expresso" –, com dois pontas-de-lança móveis em toda a largura da frente de ataque, com missões também defensivas.
As primeiras vítimas deste sistema foram jogadores que actuam nos extremos do relvado, como o camaronês Douala e os portugueses Silvestre Varela (hoje a dar resultados ao FC Porto) e David Caiado (já desligado do clube), que foram forçados a procurar outras paragens.
Haverá outros jogadores da formação do Sporting que não são aproveitados ou que têm ficado pelo caminho, por não encaixarem no sistema que o treinador Paulo Bento segue como um dogma. Diogo Viana, por exemplo, acabou vendido ao FC Porto. Pereirinha é um sobrevivente, resistindo porque tem sido adaptado em toda a faixa direita da equipa. Mas tarda em tornar-se indiscutível. O mesmo acontecendo com Yannick Djaló, outro ex-extremo na formação...
Por falar em formação é preciso recordar que o primeiro critério de Aurélio Pereira para aprovar um jovem na academia de Alcochete é justamente a capacidade técnica dos candidatos a futebolistas. Logo, têm prioridade aqueles atletas que são exímios a conduzir a bola ou nos lances de um para um. Os artistas que empolgam os estádios e que dão fama à formação leonina. É por isso que o Sporting é reconhecido como uma das melhores escolas de extremos do mundo, tendo formado jogadores como Paulo Futre, Luís Figo, Simão Sabrosa, Ricardo Quaresma, Cristiano Ronaldo, Nani.
Curiosamente, Nani foi o último extremo formado no Sporting a dar lucro ao clube. Foi o primeiro jovem lançado por Paulo Bento (logo que assumiu funções como treinador principal), mas também foi o último a sair de Alvalade valorizado. Depois dele, ninguém despontou. Em quatro anos, Paulo Bento não conseguiu valorizar mais nenhum jogador, além de Nani. Antes pelo contrário: os jogadores que saem, saem desvalorizados. Os que ficam, marcam passo.
De resto, o “losango da equipa principal” entra em rota de colisão com o 4X3X3 dos escalões de formação. Donde, o Sporting estará a formar extremos nas suas equipas jovens que, depois, não consegue rendibilizar na equipa principal, tudo em nome de um sistema táctico que colide com o jogo mais largo e ambicioso das camadas jovens, prejudicando uma cultura coerente que seja um modelo para todo o clube. Daí que o jovem talento Diogo Viana tenha ido directamente para o FC Porto sem passar pela equipa principal...
É um problema sério demais para ser ignorado pelos dirigentes sportinguistas. A verdade é que, à excepção de Liedson (o único grande achado internacional nos últimos cinco anos) ou João Moutinho, o Sporting não tem hoje nenhuma estrela indiscutível. E por isso é que, desde Nani, em 2007, não consegue vender jogadores. Porque não está interessado, em função da falta de alternativas vindas da formação, ou porque o mercado não está disponível para largar os milhões das cláusulas de rescisão, encontrando mais barato noutras paragens. Ora aqui está uma questão estratégica do futebol leonino, a que José Eduardo Bettencourt deve dar prioridade.

Há quanto tempo é que nós ouvimos isto?...

"O início da segunda parte foi o pior momento do jogo. Tivemos 45 minutos bons e a nossa vantagem ao intervalo era escassa, em função do domínio que tivemos. Depois, tivemos cinco minutos em que não soubemos gerir e, mesmo após o empate, a equipa deveria ter serenado, o que não aconteceu. Isso demonstra alguma falta de maturidade."

"O resultado é totalmente injusto, mas no futebol os erros pagam-se caro. Demorámos muito tempo a construir e tudo se desfez em pouco tempo. Pelo segundo jogo consecutivo, falhámos na finalização e sofremos por isso."

"Mais do que jogar, temos de saber competir também. E competir às vezes é não dar nada ao adversário."

Paulo Bento, após o jogo Sporting-Feyenoord, jogo de apresentação aos sócios leoninos, em Alvalade, que terminou com a vitória dos holandeses por 2-1, perante 31.490 espectadores (FOTO: "Record Online")

sábado, 18 de julho de 2009

Grandes dúvidas

O Sporting está a começar uma nova época, preparando uma equipa de futebol que não é bem uma "nova equipa", uma vez que os jogadores são quase todos os mesmos. Ainda assim, está algo a nascer em Alcochete que não sabemos o que vai ser. Uma equipa campeã? Uma equipa para lutar pelo segundo lugar? Ou para não ser uma coisa nem outra?...
Sem reforços que se vejam para ser comparados com os reforços dos adversários directos Benfica e do FC Porto, os sportinguistas andam cheios de dúvidas. Quando abrimos os jornais e nos fazem acreditar que o Benfica, agora protegido por essa "divindade" da bola chamada Jorge Jesus - que a maioria só descobriu há poucos meses... - está a fazer uma enorme pré-temporada, então as dúvidas dos sportinguistas ficam ainda maiores.
Como sportinguista que sofre com as derrotas e os empates da equipa, não estou nada preocupado, desde que o Sporting consiga mudar claramente a sua mentalidade competitiva, o seu profissionalismo ou lá o que isso é que impede a equipa de Paulo Bento de jogar bem com regularidade. Preocupado a sério fiquei hoje quando a minha filha, de apenas 4 anos, me perguntou como é que nasceu. Ela já sabia que tinha nascido da barriga da mãe. O que ela queria saber era como tinha ido parar dentro da barriga da mãe. Confesso que, por momentos, fiquei sem palavras. Mas depois lá consegui dar uma explicação minimamente plausível para a compreensão da petiz, mesmo correndo o risco de, um dia, ser desmentido...
Ora, à beira das dúvidas da minha filha, as dúvidas dos sportinguistas quanto ao desempenho da equipa de Paulo Bento na época que agora começa são uma ninharia sem sentido. Tanto mais que, há um ano, todos os jogadores que lá estão preparavam-se para uma entrada directa na fase de grupos da Liga dos Campeões e até conseguiram ser apurados para a fase seguinte. É certo que seriam humilhados, com as derrotas mais pesadas de sempre numa prova europeia, mas chegaram lá, aos oitavos-de-final. Logo, o Sporting tem tudo o que é preciso para vencer os rapazes do Twente - que não é nome de equipa de futebol, pelo menos daquelas tão grandes como as grandes da Europa...
No fundo, o que os jogadores às ordens de Paulo Bento precisam é de saber como foram parar à barriga das respectivas mães. E precisam de saber projectar em campo a energia positiva que lhes deu vida. Uma energia feita de amor e de muita vontade de criar algo que fique para sempre. O resto vem por acréscimo.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Holandeses do FC Twente na rota do Sporting

Vermelho como o rival histórico de Lisboa, o FC Twente, segundo classificado no último campeonato holandês com 69 pontos (menos 11 que o campeão Alkmaar, de boa memória para a equipa leonina), será o adversário do Sporting na terceira pré-eliminatória de apuramento para a fase de grupos da Liga dos Campeões 2009-2010. O jogo de apresentação da equipa sportinguista, neste sábado, em Alvalade, com o Feyenoord, sétimo classificado na mesma liga holandesa, com menos 24 pontos que o FC Twente, será, assim, um excelente teste para aferir das possibilidades de o Sporting ultrapassar o primeiro obstáculo europeu da temporada.

Bettencourt e os reforços

"O plantel será reforçado a seu tempo. Quem está preocupado com o melhor para o Sporting não pode ser escravo de datas só para, no curto prazo, dar mais alegrias. Não podemos pensar só a curtíssimo prazo. O Sporting faz as coisas à sua maneira e, quando estão tratadas, são anunciadas. Não vou fazer qualquer comentário à volta de especulações sobre jogadores."
José Eduardo Bettencourt, presidente do Sporting, 16-07-2009

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Dos novos sócios aos problemas do costume...

À falta de dinheiro para ir ao mercado comprar jogadores para reforçar a equipa de futebol, o Sporting vai fazendo outro tipo de aquisições: novos sócios, que também são necessários. Nesta quinta-feira, em Rio Maior, são apresentados mais 70 novos associados, dois dos quais muito conhecidos: o antigo futebolista leonino Nuno Valente e o apresentador de televisão Fernando Mendes.
Na adesão de novos sócios, José Eduardo Bettencourt tem sido brilhante na forma como tem potenciado o crescimento da família sportinguista, em profundo contraste com a atitude fria e distante da gestão de Filipe Soares Franco, que chegou a classificar os sócios como "clientes".
Os problemas do novo presidente leonino são outros e mais difíceis de resolver, como, por exemplo, a falta de rentabilização dos activos da equipa de futebol (as dispensas de Stojkovic e Purovic a custo zero são apenas mais dois casos de jogadores que deixam Alvalade a valer menos do que quando entraram) ou as trapalhadas do departamento médico liderado por Gomes Pereira, como se viu agora com Izmailov, que acontecem sem que ninguém assuma responsabilidades.
Nestas matérias é que tudo continua como dantes, não se tendo notado o dedo da nova liderança directiva. E para enfrentar estes problemas - que impedem o Sporting de ser mais forte e mais competitivo - é preciso muito mais do que capacidade de comunicar, que parece ser um dos trunfos de Bettencourt junto do povo sportinguista, ao ponto de dividir o protagonismo com os jogadores que se apresentam, como foi notório na sessão de apresentação do chileno Matías Fernández...

quarta-feira, 15 de julho de 2009

A prudência do Sporting no mercado

Anda para aí muita gente preocupada com o facto de o Sporting estar pouco activo no mercado. Uma preocupação agravada pela exibição negativa, com derrota, frente aos ingleses do Nottingham Forest. Acho, no entanto, que José Eduardo Bettencourt faz bem em manter as coisas como estão. Se olharmos bem para o plantel do Sporting, o que é que mudou? Muito pouco. Saiu um único jogador que contava: o brasileiro Derlei, em fim de carreira. E entraram Matías Fernández, que substitui Romagnoli com vantagem para a equipa, André Marques e Carlos Saleiro, jovens formados no clube que regressam a casa para mostrar serviço e crescer. De resto, saiu Stoykovic (que já não estava), saiu Ronny (que só era chamado à equipa principal em momentos de desespero, em que Paulo Bento pedia a Deus um golo saído dos cruzamentos ou do forte pontapé do lateral-esquerdo brasileiro) e saiu Rodrigo Tiuí (que, na verdade, foi contratado para marcar dois golos ao FC Porto numa final da Taça de Portugal).
Por isso, e se não sair nenhum dos jogadores importantes na estratégia de Paulo Bento, só podemos concluir que o Sporting já está mais forte, mesmo sem ter feito grandes compras neste defeso. E será muito mais forte se Paulo Bento, agora ajudado por um presidente a tempo inteiro, conseguir melhorar a mentalidade competitiva da equipa.
Num clube com a manta financeira insuficiente para cobrir o corpo todo, a prudência com que tem actuado no mercado tem de ser elogiada. É preciso não esquecer que o Sporting tem um compromisso europeu já neste mês de Julho que vai ditar toda a temporada. Reforçar a equipa para jogar na Liga dos Campeões é capaz de não ter grande sentido quando não há a certeza de uma qualificação. Além disso, não seria em menos de um mês de treinos que os eventuais reforços necessários para “atacar” a Europa estariam em condições de dar uma resposta cabal já nos jogos da terceira pré-eliminatória de acesso à Liga dos Campeões – devidamente entrosados no esquema táctico de Paulo Bento e integrados no grupo de trabalho.
Donde, talvez o melhor seja esperar para ver. Sendo certo que a melhor equipa do Sporting a utilizar por Paulo Bento neste mês de Julho será aquela que já está mecanizada, em consequência do trabalho realizado nas épocas anteriores, o mês de Agosto será o melhor momento para atacar definitivamente o mercado. Aí, José Eduardo Bettencourt saberá se o Sporting precisa apenas de um pequeno retoque para competir na Taça UEFA e nas provas nacionais (investindo menos) ou se precisa de algo mais, em consequência de um eventual apuramento para a Liga dos Campeões, que garantiria retorno financeiro, podendo, por isso, investir mais no reforço da equipa, tendo também jogadores de outra qualidade interessados na mudança para um clube que está presente na maior prova da UEFA. E o mercado só fecha no fim de Agosto...
De resto, seria financeiramente catastrófico reforçar a equipa com o pensamento na Liga dos Campeões se, depois, não houvesse Liga dos Campeões para disputar e obter o necessário retorno desportivo e financeiro.

A patologia de Izmailov

Não sou médico, nem ouso colocar em causa a competência do departamento médico do Sporting, chefiado por Gomes Pereira. Mas, neste espaço de informação e debate sobre o futebol do Sporting, tenho o direito a questionar o “caso” da “patologia” de que padece o tendão rotuliano do joelho direito do russo Izmailov, partilhando esta preocupação com os leitores do LEÃO DA ESTRELA. E questiono a situação neste sentido: como é possível que, num clube de futebol de alta competição, um jogador sofra uma lesão em Março, regresse aos relvados um mês depois, não conseguindo fazer mais do que dois jogos incompletos, voltando a parar para iniciar um tratamento dito “conservador”, ou seja, sem recorrer a uma intervenção cirúrgica, para se concluir, quatro meses depois, que, afinal, o atleta tem de ir à faca para debelar o problema? Não foi tempo a mais à espera de uma recuperação que não aconteceu? Não seria de pensar que o Sporting e o seu departamento médico tivessem acesso aos melhores especialistas, dentro ou fora do clube, procurando uma solução mais rápida para a lesão de um jogador importantíssimo na equipa de Paulo Bento?...
É evidente que dificilmente seremos esclarecidos sobre estas questões, sobretudo quando as notícias dos jornais são fornecidas através de comunicados emitidos “no site oficial”, não havendo, portanto, lugar ao esclarecimento cabal das situações, muito menos coragem ou vontade de fazer todas as perguntas. Ora, a bem da transparência, e da própria medicina desportiva, em casos como este, os médicos – os do Sporting e os de todos os clubes – deveriam assumir um papel pedagógico, sendo os primeiros interessados em esclarecer a opinião pública, se possível, utilizando o menor número possível de jargões da medicina para que todos entendam. Não sendo assim, os sportinguistas não entendem como é que Izmailov, ao fim de quatro meses a tentar recuperar, vai, afinal, parar mais três ou quatro meses, porque tem de ser operado.

terça-feira, 14 de julho de 2009

A oportunidade perdida de Bettencourt

Mais de duas semanas depois, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) continua sem tomar decisões quanto à batalha campal que acabou com o jogo decisivo do Campeonato Nacional de Juniores A, entre o Sporting e o Benfica, na Academia de Alcochete. Um escândalo, perante o qual toda a gente encolhe os ombros. Inclusive o Sporting, o grande prejudicado deste caso à portuguesa - que começou quando a claque benfiquista "No Name Boys" entrou no recinto como quem vai para uma guerra, já com o jogo a decorrer...
José Eduardo Bettencourt perdeu aqui uma grande oportunidade de afirmar uma nova liderança no Sporting, mais afirmativa na defesa dos interesses do clube e do próprio futebol. Entre um eventual peso na consciência por permitir um jogo desta natureza num campo impreparado para acolher energúmenos e talvez o medo de afrontar alguns sportinguistas que também entraram no jogo da violência, José Eduardo Bettencourt ainda foi cair nos braços da Juventude Leonina, em leno relvado, mas, depois, procurou afastar-se do caso, como se não fosse presidente do Sporting. E, assim, o caso morreu no dia em que aconteceu, com o Benfica a ser o grande beneficiado, seja em caso de derrota dos dois clubes ou em caso de não atribuição do título nacional.
Quanto à FPF, estamos perante a incompetência de sempre. Ora, impunha-se que o Sporting tivesse aproveitado este caso para se ter colocado na linha da frente do combate à violência – mesmo que isso pusesse em causa alguns meninos mal comportados que também se sentam nas bancadas de Alvalade – e do combate à incompetência que grassa nos organismos caducos da Federação Portuguesa de Futebol. Só assim se compreende que, mais de 15 dias depois, não haja previsão de uma data para uma decisão sobre este caso.
Tudo parece estar bem porque todos assobiam para o lado: FPF, clubes, comunicação social. Para eles, tudo não passará de um episódio banal num jogo dos rapazes das camadas jovens. Esquecem-se de um pormenor importante: é que Portugal é um País exportador da matéria-prima de que vive a nossa indústria do futebol. Os jogadores, claro. E, com casos destes, o futebol português afunda-se. FOTO: "Record Online"

Cecília Carmo no Sporting

A jornalista da RTP Cecília Carmo é uma das mais novas sócias do Sporting Clube de Portugal. A família leonina continua a crescer. Um dos pontos positivos das primeiras semanas da gestão de José Eduardo Bettencourt.

O ano de Yannick Djaló

Separado há meses de Ana Sofia Miguel (que, entretanto, se transformou numa celebridade oferecendo o corpo às máquinas fotográficas), o avançado do Sporting Yannick Djaló anunciou o namoro com Luciana Abreu. Como a foto documenta, o ano futebolístico que agora começa tem tudo para ser o ano de Yannick Djaló... Parabéns aos pombinhos!

sábado, 11 de julho de 2009

Água fria no Algarve

O Sporting perdeu por 1-0 com o Nottingham Forest, equipa do segundo escalão do futebol inglês, o que caiu como uma espécie de banho de água fria nas hostes leoninas. “Não conheço nenhuma derrota que traga confiança e segurança, mesmo num jogo particular”, como declarou o treinador Paulo Bento, após quinze dias de trabalho da pré-temporada, que este ano foi antecipada por força dos compromissos europeus do final deste mês, no âmbito da pré-eliminatória de acesso à Liga dos Campeões.
O jogo-treino, realizado em Albufeira, foi o segundo da equipa leonina, depois de ter vencido o Atlético do Cacém, por 3-0, numa partida disputada há oito dias em Alcochete. Desta vez, o adversário era mais exigente. O Sporting foi dominador, é certo, mas falhou na concretização.
No caso leonino nem se pode falar em adaptação a novos métodos, uma vez que o grupo de jogadores é o mesmo e o treinador também (pelo que os sportinguistas também não pode contar com muitas coisas novas em relação à época passada). Só Matías Fernández, o reforço chileno que, desta vez, não teve muito espaço para brilhar, não é conhecedor dos princípios tácticos de Paulo Bento - presumindo-se que André Marques e Carlos Saleiro sejam.
Para já, podemos dizer que há quatro jogadores certos na equipa principal: Rui Patrício, na baliza; Daniel Carriço, no centro da defesa; João Moutinho (um remate à trave), no meio-campo; e Liedson, no ataque. O mais provável é que os “onzes” de Paulo Bento girem em torno deste núcleo-duro.
No lado esquerdo da defesa, André Marques tem uma vantagem em relação a Grimi: para além de ser mais forte fisicamente, anda e corre como um jogador de futebol e não como alguém que sofre algum problema da coluna.
No meio-campo, Rochemback, um dos jogadores mais caros do grupo, continua a ser um peso-pesado no sentido literal da palavra. Se não tiver cuidado, talvez consiga um lugar no banco de suplentes. Pereirinha, que jogou meio tempo, ia marcando um golaço.
No ataque, Liedson já faz algumas combinações com Matías (pesa muito mais no jogo do que Romagnoli) e também com Yannick, estando pronto para desafios mais exigentes. Só precisa de um parceiro mais eficaz. Como se sabe, no que à eficácia diz respeito, Yannick e Postiga têm dias…

Obs. – Carlos Manuel – antigo treinador do Sporting, depois de ter sido um futebolista de grande qualidade, tendo representado, entre outros, Barreirense, Benfica, Sporting e Boavista, para além da selecção nacional –, é uma nulidade absoluta como comentador televisivo de jogos de futebol, nos canais da “Sport TV” – que são pagos. Qualquer criança do 1º Ciclo do Ensino Básico seria capaz de fazer melhor do que Carlos Manuel, um recordista em lugares-comuns, banalidades e outras evidências que toda a gente vê pela TV antes dele falar delas.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O crescimento de Pereirinha

Aos 21 anos, Bruno Pereirinha prepara-se para iniciar a sua terceira temporada consecutiva na equipa principal do Sporting. E começa por dizer que espera "jogar com mais regularidade".
Pereirinha foi o "reforço de Inverno" da temporada 2006-2007, vindo do Olivais e Moscavide, onde estava a rodar. Faz todo o corredor direito e tem na velocidade uma arma letal. Sempre que entra em campo, deixa a sua marca no jogo. Concordamos, por isso, que, na nova época, jogue "com mais regularidade".
Além disso, Pereirinha é um dos jogadores formados no Sporting que já deu mostras de grande profissionalismo e de muita humildade. Na linha, de resto, de Adrien Silva, que também parece ser muito atinado, mesmo na relação com a comunicação social. E num clube formador isso deve ser valorizado.
O facto de, durante muito tempo, Pereirinha ter conduzido um simples Opel Corsa (o carro mais modesto do plantel, na altura) e de, mais tarde, ter trocado esse carro por um BMW que comprou ao colega Grimi, não é dispiciendo numa idade em que os jovens futebolistas dão tudo por máquinas potentes e novinhas em folha para deslumbrar as namoradas. Podem pensar que não tem nada a ver, mas isso também nos diz que Pereirinha é um jogador maduro e sereno fora do campo. E dentro do campo vai crescendo. Só falta saber até onde pode crescer. Para isso precisa de jogar. Oxalá Paulo Bento consiga apressar esse crescimento.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Bons e maus vendedores

A transferência do médio Ibson do FC Porto para o Spartak de Moscovo, por cinco milhões de euros, significa que o FC Porto é o clube português que melhor sabe vender os seus produtos, mesmo aqueles que não brilham tanto no plano desportivo. Comprado ao Flamengo por 2,2 milhões, não convenceu no plano desportivo, mas deu um lucro de 2,8 milhões. Depois de Lucho, Lisandro, Paulo Machado, agora é a vez de Ibson, que não fazia parte dos planos de Jesualdo Ferreira para a próxima época.
Por falar em jogadores que não fazem parte dos planos para a próxima época do clube que representam, lembro-me, de repente, de nomes como Stojkovic, Ronny, Celsinho, Purovic, Rodrigo Tiuí... Ah! São todos do Sporting e ninguém lhes pega. São (des)activos que foram descobertos por comissionistas de serviço em mercados insuspeitos da América do Sul e da Europa de Leste, mas nenhum desses jogadores deverá dar lucro ao clube leonino.
O Sporting precisa de dinheiro com urgência, mas para isso terá de abdicar de algum dos seus talentos. Talentos portugueses, nos quais o clube investiu para formá-los. O empresário Pini Zahavi já anda por Inglaterra a tentar vender João Moutinho, embora sem sucesso, até agora. Seria um rombo na estratégia desportiva do Sporting. Mas um clube que não sabe vender nem dar solução aos "monos" que crescem no balneário tem de se sujeitar a estas coisas.

Os recados de Hélder Postiga

"Temos de corrigir os nossos problemas internos. Tudo num grupo são problemas, quer a nível desportivo, quer a nível externo. Temos de trabalhar todos para o mesmo lado e fazer com que o Sporting seja campeão."

"O campeonato é uma prova de regularidade e no ano passado falhámos em algumas situações. Temos de pensar nos pontos que perdemos fora e em casa."

Hélder Postiga, "Correio da Manhã", 07-07-2009

terça-feira, 7 de julho de 2009

Três ex-leões na loucura madrilena

A apresentação de Cristiano Ronaldo no Real Madrid foi um dos maiores espectáculos do mundo futebolístico, tendo sido mais visto do que muitos jogos de alta competição. Mas a curiosidade desta imagem é que, no Santiago Barnabéu, juntaram-se três estrelas do futebol mundial que já passaram pelo universo sportinguista. O que prova a grandeza da nação sportinguista. Cristiano Ronaldo foi formado em Alvalade. Di Stéfano foi treinador do Sporting por algumas semanas, na década de 1970. E Eusébio nasceu para o futebol na filial leonina do Sporting de Lourenço Marques, de onde esteve para ser transferido para o Sporting Clube de Portugal, acabando por ser desviado para o Benfica quando chegou a Lisboa. Para os sportinguista, é o que fica de mais importante do grande espectáculo que foi a apresentação de Cristiano Ronaldo. FOTO: Reuters

domingo, 5 de julho de 2009

Os avisos de Paulo Bento

Paulo Bento, após o jogo-treino Sporting-Atlético do Cacém, que a equipa leonina venceu por 3-0, com um golo do chileno Matías Fernández

Os dentes de Cissokho

A frustrada transferência do lateral-esquerdo senegalês Cissokho do FC Porto para o AC Milan, por alegado problema dentário do jogador, é um dos enigmas deste defeso. A mudança do jogador para Itália, por 15 mlhões de euros, poucos meses depois de ter sido comprado ao V. Setúbal, por uns milhares de euros, transformaria o senegalês numa espécie galinha dos ovos de ouro do FC Porto - ou, mais precisamente, uma galinha de fazer milhões de euros. Afinal, os italianos descobriram um problema dentário. Uma grande chatice. Sobretudo quando a história parece estar muito mal contada. Até a avaliar pela mais recente revelação do jogador à "Gazzetta dello Sport": “Não tenho nenhum problema nos dentes, estão perfeitos como sempre estiveram”. De resto, já dizia Jesualdo Ferreira que os atletas do FC Porto lavam os dentes todos os dias... E como José Mourinho sabe disso perfeitamente, talvez resolva mais um problema a Pinto da Costa. FOTO: Reuters

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Casos de polícia

Já passou uma semana sobre a onda de violência, provocada por adeptos benfiquistas da claque “No Name Boys”, que acabou com o Sporting-Benfica em juniores. Um caso de polícia que a polícia e o Ministério Público, pelo que se viu até agora, ignoraram. Poderia ater havido mortes na Academia do Sporting, mas as autoridades portuguesas assobiaram para o ar. A televisão passou imagens de energúmenos a agredirem pessoas indefesas que assistiam a um jogo de futebol, mas ninguém terá identificado ninguém. As autoridades judiciais portuguesas não existem.
Como também não existe a imprensa desportiva – que rapidamente esqueceu um episódio grave de violência no futebol.
O Sporting também teve uma reacção pífia (apenas se justificou perante um comunicado acusador do Benfica…), em contraste com as promessas de exigência e firmeza na defesa dos interesses leoninos que levaram José Eduardo Bettencourt à presidência do clube a tempo inteiro. A ideia que passou é que Bettencourt ficou com peso na consciência pelo facto de o jogo ter sido realizado em Alcochete.
Resta a Federação Portuguesa de Futebol e a sua justiça muito especial. Gilberto Madaíl prometeu uma decisão rápida. Passou uma semana e… nada. Que grande rapidez!...
Entretanto, a temporada terminou e tudo se conjuga para que não seja atribuído o título nacional. Uma solução que agrada à incompetência da FPF. Outra hipótese que também é apontada será penalizar o Sporting (cujos adeptos também responderam às agressões) e o Benfica com uma derrota e oferecer o título ao Benfica. Benfica que está metido noutro caso de polícia: as suas eleições, que hoje se realizam.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

A compra de Matías Fernández

No imediato, o chileno Matias Fernández custa ao Sporting 3,6 milhões de euros. Poderá custar mais meio milhão de euros pelas duas primeiras épocas “se o jogador perfizer um determinado número de jogos oficiais na qualidade de titular”. E custará mais o correspondente a 20% da mais-valia de uma eventual futura transferência. Assinou contrato por quatro temporadas, com uma cláusula de rescisão fixada em 25 milhões de euros. Estes foram os dados comunicados pelo Sporting à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.
Se os valores variáveis desta transferência do Villarreal para o Sporting forem accionados, “Matigol” poderá tornar-se no quinto jogador mais caro da história do clube leonino – depois de Rodrigo Tello, por 7,5 milhões; Mário Jardel, por 6 milhões e os passes de Horvath, Mpenza e Spehar; João Pinto, por 6 milhões; e Nicolae, por 5 milhões). Mas isso também seria sinal de que Matías Fernández foi um bom investimento.
À primeira vista, o Sporting fez um excelente negócio, ao comprar, com a prudência indicada, um jogador de 23 anos, que não se afirmou em Espanha e que procura relançar o “sonho europeu” no futebol português – ele que sempre brilhou na América Latina e continua a brilhar ao serviço da selecção chilena.
Não sou daqueles que se entusiasmam com os malabarismos técnicos de Matías Fernández que circulam pela Internet. De resto, o Sporting - que arriscou deixando que se tivesse falado muito desta aquisição antes de o negócio se concretizar - tem motivos para ficar expectante em relação aos jogadores sul-americanos cuja estrela não cintilou em Lisboa. Importa, pois, dar a Matías Fernández o devido enquadramento, não sendo de desprezar o necessário apoio psicológico. Importa também não exigir muito do jogador e deixá-lo jogar. Porque, aparentemente, qualidade não lhe falta. Que o Sporting saiba e consiga explorar todos os seus atributos. FOTO: "Público Online"

LEÃO DA ESTRELA triplica audiência

Entre 1 de Julho de 2008 e 30 de Junho de 2009, o blog LEÃO DA ESTRELA triplicou a sua audiência, de forma consolidada, como se pode verificar no quadro em anexo, do contador Sitemeter, sendo hoje um dos blogues mais lidos da blogosfera portuguesa, com uma média diária superior a 1.500 visitas e a 2.000 "page views". No mês de Junho, mesmo sem futebol no campo, e mesmo sem grandes movimentações do Sporting no mercado de jogadores, o LEÃO DA ESTRELA bateu um novo recorde de audiência, tendo registado um total de 47.371 visitas e de 60.297 "page views".
No Blógometro do site www.weblog.com.pt, que faz a monitorização diária da blogosfera portuguesa inscrita no Sitemeter, o LEÃO DA ESTRELA ocupava ontem a 54ª posição, com uma média de 1558 visitas diárias e uma média diária de 1985 "page views". A todos os sportinguistas e aos adeptos de futebol em geral, obrigado pela preferência!
O LEÃO DA ESTRELA continuará o seu trabalho de informação e debate sobre o Sporting Clube de Portugal e de promoção da Nação Sportinguista! Com coragem, sem medo de afirmar a sua opinião livre e sentida, em nome do grande Sporting Clube de Portugal! IMAGEM: Clicar para ampliar
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