segunda-feira, 31 de agosto de 2009

As expectativas de Miguel Angulo

"As expectativas a nível individual são grandes. Gostaria de entrar todos os domingos em campo, ter orgulho de vestir esta camisola e sentir-me importante e valorizado. O objectivo é ganhar um título. Isso é algo que todos querem. No Valência, durante 14 anos, ganhei muitos, agora cheguei para ganhar outros. A minha ambição é a de poder sair à rua e celebrar o título com todos os sportinguistas. Falei Paulo Bento e Caneira. Explicaram-me a táctica da equipa e motivaram-me para assinar pelo Sporting."
Miguel Angulo, ex-Valência, novo reforço do Sporting
FOTO: "Record Online"

domingo, 30 de agosto de 2009

O regresso às vitórias em Coimbra

E ao décimo jogo da temporada, incluindo os encontros de preparação, o Sporting lá venceu, por 2-0, em Coimbra, sobre uma Académica que não deu grande luta. Liedson regressou aos golos e o Sporting às vitórias. Foi o luso-brasileiro que abriu ao activo, aos 64’, servido por um bom cruzamento, largo, de Vukcevic. Até então, vimos um jogo fraquinho: um Sporting que parecia repetir a má exibição da jornada anterior (passes errados, lentidão, má definição dos lances), e uma Académica a revelar-se como uma das equipas mais modestas desta Liga. No fundo, o mau futebol do costume do "sistema" de Paulo Bento, que poderia ter resultado em mais um resultado negativo, não fosse a fragilidade do adversário. A única coisa boa que tinha ficado da primeira parte foi uma jogada individual de Yannick Djaló, que culminou num rematou à barra, com estrondo. O golo de Liedson virou a partida a favor do Sporting, sobretudo porque, pouco depois, a equipa de Coimbra ficou reduzida a dez elementos, deixando de ter argumentos para discutir o jogo. E foi com naturalidade que Yannick Djaló, já perto do fim, definiu da melhor forma um excelente passe de Carlos Saleiro, fixando o resultado final. Que foi muito melhor do que a exibição dos actores leoninos. FOTOS: AFP - Getty Images

Não deixa de ter a sua piada

Parceria LEÃO DA ESTRELA-Sporting Apoio

O blog LEÃO DA ESTRELA anuncia que estabeleceu uma parceria de partilha de informação com o sítio SPORTING APOIO, um projecto inovador liderado pelo sportinguista Nuno Mourão. O SPORTING APOIO, no endereço http://www.sportingapoio.com, é um espaço de informação leonina independente, agregando notícias sobre o Sporting Clube de Portugal, vídeos e outros documentos, para além de um vasto painel de cronistas adeptos do clube. Hoje, para estarmos informados sobre o Sporting, é indispensável consultar o sítio SPORTING APOIO, onde a informação disponibilizada é abundante e diversificada, com uma dinâmica que já ultrapassou o próprio sítio oficial do clube na Internet.

sábado, 29 de agosto de 2009

Não servia para o Sporting, mas marca pelo Porto

O ex-sportinguista Silvestre Varela, dispensado pela dupla Miguel Ribeiro Telles-Pedro Barbosa, numa decisão devidamente ratificada pelo treinador Paulo Bento, foi decisivo na vitória do FC Porto, na Figueira da Foz, marcando um dos três golos dos "dragões". Na terceira ronda da Liga, a equipa de Jesualdo Ferreira venceu a Naval por 3-1, tendo já amealhado 7 pontos. Entretanto, a administração leonina compõe o plantel adquirindo um avançado espanhol pré-reformado. FOTO: Jose Manuel Ribeiro (Portugal Sport Soccer - Reuters)

Espanhol Miguel Angulo no Sporting

O avançado espanhol Miguel Angel Angulo, de 32 anos, dispensado do Valência, no final da temporada passada, deverá ser a última aquisição do Sporting. Angulo - na foto, com a bola nos pés - estava sem clube, o que significa que se trata de uma contratação a custo zero para o clube leonino. Com 11 jogos pela selecção de Espanha, Angulo, formado no Sporting de Gijon, foi para o Valência com 18 anos e esteve ao serviço do clube durante 13 épocas, tendo sido companheiro de equipa dos portugueses Miguel, Manuel Fernandes e Hugo Viana.
Na época passada, Angulo fez apenas 11 jogos pelo Valência no campeonato, dos quais cinco como titular, e não marcou qualquer golo. Na Taça de Espanha alinhou em três partidas e marcou dois golos, ficando em branco nos dois encontros em que alinhou na Taça UEFA. Angulo é o terceiro reforço do Sporting, depois do médio chileno Matias Fernandez (ex-Villarreal) e do avançado equatoriano Caicedo (ex-Manchester City), enquanto Saleiro e André Marques regressaram ao clube, após empréstimos à Académica e ao Vitória de Setúbal.
O avançado do Valência é esperado em Lisboa neste domingo, para realizar exames médicos, que serão seguidos da assinatura do vínculo com o Sporting, com a duração de uma temporada, mais uma de opção. Em fim de carreira, Angulo não entrava nas opções do técnico do Valência, Unai Emery, e nas últimas semanas treinava à parte do restante plantel.
Será o jogador de que o Sporting precisa? Vamos ver. Só ficamos a saber se um melão é bom depois de abri-lo e prová-lo. O que parece evidente é que o departamento de futebol do Sporting anda completamente desorientado. Porque, se este jogador tivesse sido uma opção técnica devidamente estudada e fundamentada pelo treinador, com a devida antecedência, já deveria ter assinado há muito pelo Sporting. Pelo menos, há um mês. Enfim, parece que estamos na fase do "Benfica-que-jogava-para-o-sexto-lugar", contratando espanhóis pré-reformados como Chano. Lembram-se? Não vai há muito tempo.

A ambição de Rui Patrício

"Queremos ganhar a Liga Europa."
Rui Patrício, "i", 29-08-2009

Rochemback: o primeiro a saltar do Titanic

Formado no Sporting, o internacional Celestino, de 22 anos, seria a melhor solução para substituir Rochemback. A dupla Miguel Ribeiro Telles-Pedro Barbosa deixou-o sair para o Belenenses...

Parece que o brasileiro Fábio Rochemback é o primeiro a saltar do "Titanic leonino", pois acaba de ser autorizado pelo Sporting a deslocar-se ao Brasil para "efectuar exames médicos" no Grémio de Porto Alegre, bem perto da sua terra natal e da sua fazenda, onde deverá jogar duas temporadas, por empréstimo. É uma boa notícia, porque é um foco de instabilidade no plantel que é eliminado pela raiz.
O mercado está a fechar e o tempo escasseia. Em minha opinião, a melhor solução para preencher a vaga de Rochemback está em Lisboa. Chama-se Celestino e joga no Belenenses. Há muito que os sportinguistas ouvem falar dele. Será que o Sporting está em condições de resgatá-lo?...
Ah! Não pode ser, pois ficaria muito caro. O seu contrato com o Sporting acabou em Julho último e o atleta ficou livre, tendo sido contratado pelo Belenenses por três temporadas... "O Sporting achou que ainda não estava preparado para integrar o plantel principal", declarou o jogador, quando assinou pelo Belenenses.
Assim se faz a gestão de activos do Sporting: abrem as portas aos "Rochembacks" (que, em vez experiência e valor-acrescentado, trazem vícios profissionais) e aos "Celsinhos" (que acrescentam juventude irresponsável à juventude já existente) e fecham-nas a certos jogadores formados no clube que mereciam uma oportunidade para dar ao futebol leonino, pelo menos, o mesmo que outros, pagos a peso de ouro, vão dando com ar de quem está contrariado.
Donde, a imagem de contenção financeira e de aposta nos jovens formados na Academia, que tem passado para o país futebolístico, é uma história mal contada. O Sporting investe no futebol. O problema é que investe mal.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A propósito dos insultos no aeroporto

À chegada a Lisboa, em pleno aeroporto, a comitiva do Sporting, que vinha de Florença, foi insultada por um grupo de adeptos, que assim manifestaram o seu descontentamento pelo fraco desempenho da equipa de futebol. Já não é a primeira vez que tal acontece nesta temporada. Anteriormente, aconteceu o mesmo quando a equipa chegou da Madeira, depois de ter empatado com o Nacional, na primeira jornada da Liga Portuguesa.
O LEÃO DA ESTRELA não escreveu uma linha sobre os dois casos. Está a escrever agora para condenar tais atitudes. No futebol, como na vida, temos de saber distinguir o trigo do joio. O presidente do Sporting, José Eduardo Bettencourt, tem sido criticado por ter mandado calar um adepto malcriado. Acho que Bettencourt reagiu legitimamente, porque ninguém pode ser incomodado fora do seu espaço de actuação. Porque aqueles que foram ao aeroporto insultar os dirigentes e a equipa serão, provavelmente, iguais aos que um dia agrediram Dias Ferreira no seu escritório de advogado. A psicologia que move essa gente é a mesma.
Os sócios, adeptos e accionistas do Sporting têm todo o direito à indignação e à manifestação, sempre que estejam desagradados com o rumo do clube. Mas têm quatro locais distintos, pelo menos, para fazer ouvir a sua voz: no estádio (onde é legítimo assobiar a equipa quando ela se revela incompetente), nas assembleias gerais do clube, nas assembleias gerais da sociedade anónima desportiva que gere o futebol ou nos meios de comunicação, designadamente na Internet (seja na blogosfera, ou no site oficial do clube, que deveria ter um espaço para que os adeptos pudessem intervir livremente).
O LEÃO DA ESTRELA assume que não concorda com o modelo de gestão que tem sido seguido no Sporting, em particular no futebol profissional. Mas não está contra as pessoas de José Eduardo Bettencourt, Paulo Bento, Miguel Ribeiro Teles, nem contra ninguém. Está, como sempre esteve, do lado do Sporting Clube de Portugal.
O LEÃO DA ESTRELA critica actos e decisões e avalia desempenhos. O LEÃO DA ESTRELA não critica pessoas, continuando convencido de que é possível discutir e debater o futebol do nosso clube com elevação e respeito pelas pessoas, sem recorrer ao insulto gratuito e degradante. É assim que o LEÃO DA ESTRELA está na blogosfera, desde 23 de Agosto de 2006. É assim que tem crescido como espaço de liberdade e de confiança, que não tem medo de dar a sua opinião e de fazer as suas escolhas (como aconteceu no último acto eleitoral), sendo hoje um dos blogues mais lidos do universo sportinguista. Saudações Leoninas! Luís Paulo Rodrigues, editor do LEÃO DA ESTRELA

Sporting com sorteio favorável na Liga Europa

Na fase de grupos da nova Liga Europa (ex-Taça UEFA), vão passar por Alvalade Heerenveen (Holanda), Hertha (Alemanha) e Ventspils (Letónia). Vent... quê? Um sorteio teoricamente favorável ao Sporting. Quem vem da Liga dos Campeões, depois de ter ido à final da Taça UEFA, em 2005, só pode lutar por um lugar na final da primeira edição da Liga Europa. Tem de ser esse o desígnio do futebol do Sporting no plano internacional. Contra o miserabilismo e a falta de ambição marchar, marchar!... FOTO: Associated Press

Os problemas de balneário

Não passa de uma curiosidade, mas não deixa de ser extraordinária. Nos seis jogos oficiais até agora realizados, o Sporting marcou seis golos (uma miséria), tendo dois sido marcados por jogadores adversários na própria baliza e os restantes por jogadores leoninos. Mas o que é curioso é que esses quatro golos foram marcados por jogadores que, na época passada, tiveram problemas em Alvalade, com o clube ou com o treinador Paulo Bento: Miguel Veloso (que passou toda a época passada com um pé fora e outro dentro), Vukcevic (que costuma amuar quando não é titular) e João Moutinho (que queria ir embora no início da época passada) marcaram à Fiorentina e Yannick Djaló (amigo pessoal de Miguel Veloso e que também chegou a protagonizar um desentendimento surdo com Paulo Bento) fez um grande golo ao Sporting de Braga.
É apenas uma curiosidade. Só falta que Liedson entre campo com os seus golos. Ele que, em tempos, também chegou a ter o seu arrufo com Paulo Bento, tendo o treinador conseguido colocar o agora luso-brasileiro na ordem. Uma das conclusões parece muito evidente: o balneário do Sporting é palco de problemas com muita frequência. E isso também contribui para que o clube ande, há um ano, longe dos títulos e dos troféus. A época passada foi muito pródiga em problemas de indisciplina (um jogador dizer que quer sair também é um acto de indisciplina). E daí, talvez, a pobreza dos resultados desportivos, ajudada pelas incidências do jogo (de que o roubo de arbitragem na final da Taça da Liga foi um exemplo).
Ao Sporting cabe, em primeiro lugar, adoptar uma cultura de exigência e responsabilidade, de modo a acabar com os seus problemas internos (e alguns são inadmissíveis num clube profissional), ou reduzi-los drasticamente. É uma das grandes tarefas que a liderança de José Eduardo Bettencourt tem pela frente. Para já, a reabilitação dos jogadores que tiveram problemas da temporada passada, de que Miguel Veloso é um excelente exemplo, é um dado muito positivo. Mas, este ano, já tivemos a irresponsabilidade de Rochemback a funcionar, ao dizer que quer sair se não jogar. E até o pacato Izmailov já meteu a língua onde não era chamado. Esperemos que estes maus exemplos não se repitam, pois também é por aí que se constrói um balneário ganhador.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O oxigénio de Bento e as decisões de Bettencourt

Estou cem por cento de acordo com o sportinguista João Pedro Varandas, que escreve, no sítio Centúria Leonina, que “Paulo Bento é um homem de carácter, de personalidade forte, leal, que tem dado tudo o que sabe e pode ao Sporting”. Porém, esse facto não me impede de continuar a considerar que Paulo Bento, como treinador do Sporting, está esgotado. E de considerar, também, que o problema do futebol leonino não reside exclusivamente na cristalização do trabalho do treinador.
Recuso-me a embarcar num dos principais argumentos que vai segurando Paulo Bento no Sporting, que foi exaustivamente repetido, por exemplo, num debate ocorrido quarta-feira na SIC Notícias, onde estiveram os ex-treinadores leoninos Augusto Inácio e Octávio Machado e o jornalista David Borges. Segundo eles, Paulo Bento é o ideal para o Sporting porque é o treinador capaz de interpretar as orientações da SAD do Sporting, trabalhando uma equipa com poucos recursos técnicos, não intervindo no mercado por falta de dinheiro. Como se nenhum outro treinador fosse capaz de respeitar a estratégia do clube que lhe paga no final do mês...
Eu diria que o Sporting não tem ido ao mercado por falta de competência (ou desleixo profissional) da sua estrutura dirigente, uma vez que abre os cordões à bolsa para contratar o que não deve – Rochemback é um exemplo paradigmático – e farta-se de perder dinheiro com jogadores que contrata, que falham e que, depois, não são recolocados no mercado ou, pura e simplesmente, são libertados. Rodrigo Tello, Silvestre Varela, Tiago Pinto, Stojkovic, Purovic, Luiz Paez, Yannick Pupo, Ronny, Romagnoli, Rodrigo Tiuí, Marian Had, Pontus Farnerud, enfim, estamos a falar de 12 jogadores (embora haja mais) que, nos últimos dois anos, foram quadros do Sporting (alguns ainda são, dando apenas despesa) e que foram descartados pela equipa técnica sem qualquer retorno financeiro.
Portanto, o problema do futebol do Sporting não é exclusivo do seu treinador. Mas também é do seu treinador. A primeira parte de Florença foi mais um balão de oxigénio que ajudará Paulo Bento a respirar mais uns tempos. Porque a sua margem de erro é muito reduzida. Basta esperar pelo próximo empate e pela próxima derrota. Porque o Sporting é um clube de futebol, com adeptos que se indignam com o vexame, e não uma empresa de fabricar salsichas.
Tanto mais que, se os defensores de Paulo Bento argumentam que o treinador tem feito ovos sem omeletas, também é preciso que se diga que Paulo Bento é o único responsável pelas omeletas que escolheu. Pelo menos, tem repetido publicamente que sempre teve os jogadores que escolheu para alcançar os objectivos do Sporting, que continuam a ser vencer todas as provas em que participa. E a própria propaganda do clube faz eco dessa estratégia, dando a ideia de que o Sporting ainda é tão grande como os grandes da Europa.
José Eduardo Bettencourt – que está recolhido a um silêncio estratégico, depois de uns tempos em que falava por tudo e por nada, até para comentar os reforços do Benfica – saberá, melhor do que ninguém, identificar os problemas que afectam o rendimento do futebol leonino e que geram perdas continuadas ao nível da rentabilização de activos. Até já fez constar que tomará decisões drásticas caso os resultados não apareçam.
Indo ao encontro das palavras de Paulo Bento – “que ninguém se exclua…” –, quando falou da metáfora do Titanic, um barco que como se sabe, foi ao fundo, talvez a primeira “decisão drástica” mais apropriada por parte do presidente do Sporting fosse assumir directamente a responsabilidade pelo futebol. Porque, assim à primeira vista, não sei por que é que Miguel Ribeiro Teles é assim tão imprescindível na SAD do Sporting. Será imprescindível para que as borradas continuem ao nível da intervenção do clube no mercado (em termos de compra, venda e gestão de activos)?... Só se for por isso. FOTO: Albert Gea (Reuters)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O regresso à Europa dos pequeninos

A exibição quase perfeita da primeira parte não apaga a frustração provocada pelo afastamento do Sporting da Liga dos Campeões 2009-2010, na sequência de dois empates: a um golo no terreno da Fiorentina e a dois em Alvalade. O Sporting foi incapaz de virar o rumo da história, não vencendo em Itália. A outra hipótese para continuar da liga milionária seria empatar por três golos ou mais. Mas para uma equipa que antes ainda não tinha ganho nenhum dos cinco jogos oficiais da temporada, e que não tem uma média superior a um golo por partida, marcar três golos em Itália seria um feito improvável. Por isso, a equipa leonina foi chutada para a Europa dos pequeninos.
O Sporting regressa a Lisboa com um lugar garantido na estreante Liga Europa (ex-Taça UEFA) e com o seu futebol numa encruzilhada. Neste jogo com a Fiorentina, estiveram em campo oito jogadores da formação leonina. O árbitro inglês usou de um critério largo e a coisa correu bem até que a Fiorentina precisou de correr atrás do prejuízo.
Mesmo num ambiente hostil, o Sporting foi uma equipa personalizada e construiu oportunidades de golo suficientes para passar a eliminatória, não tendo facturado por incompetência no momento de chutar à baliza. O que prova uma coisa: o plantel leonino tem qualidade para jogar muito mais do aquilo que tem jogado. Mas não pode exibir qualidade apenas nos jogos internacionais. Ou melhor, não pode ser tão intermitente no seu jogo. Nem pode insistir em erros infantis, como aquele que Vukcevic cometeu no jogo da primeira mão, prejudicando o colectivo. Olhando para o conjunto da eliminatória – e se em Alvalade não tivesse havido Viktor Kassai, nem o tal erro de Vukcevic –, fica a sensação de que o Sporting poderia ter alcançado um lugar nesta Liga dos Campeões, mesmo não merecendo, como até reconheceu Pedro Barbosa, em função da milagrosa eliminatória com o Twente.
A realidade é dura: o Sporting continua sem vencer em jogos oficiais e acaba de perder o dinheiro da Liga dos Campeões, que garantiria, desde já, mais de um terço do orçamento anual. Há um ano, desde que venceu a Supertaça Portuguesa ao FC Porto, a equipa de Paulo Bento não cumpre os seus objectivos: perdeu a Liga 2008-2009, perdeu a Taça de Portugal, perdeu a Taça da Liga e, agora, perdeu o acesso à Liga dos Campeões. No fundo, os resultados exigidos esta semana por José Eduardo Bettencourt continuam por aparecer.
A derrota nesta eliminatória de acesso à Liga dos Campeões é suficientemente importante para colocar tudo em causa e redefinir estratégias e objectivos. Machucado por este desaire, e por uma persistente ausência de vitórias, o futebol do Sporting precisa de uma alma nova com toda a urgência. Resta saber com que protagonistas. Tapar o problema com a contratação de jogadores – mais a mais para lugares discutíveis em função das necessidades do plantel e em contradição face a uma estratégia de contenção financeira – parece muito arriscado.
De qualquer modo, há que mobilizar o clube, apontando, desde já, a conquista da Liga Europa como um objectivo internacional para esta época. Quem chegou aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões na época passada tem essa obrigação... FOTO: AFP - Getty Images

Adeus, Liga dos Campeões!

O Sporting empatou a um golo com a Fiorentina (depois de um empate a dois golos em Alvalade) e foi afastado da Liga dos Campeões 2009-2010. É o regresso à Europa dos pequeninos. FOTO: AFP - Getty Images

Liedson na selecção: uma má notícia

Por uma questão de princípio, já explicada aqui, aqui e aqui, não concordo com a naturalização de Liedson com a única finalidade de jogar pela selecção portuguesa. Liedson não se naturalizou para viver em Portugal, mas com a finalidade específica de jogar na selecção nacional. Ainda o processo não estava concluído e já se dizia que Liedson seria convocado! Um escândalo que teve a cobertura do próprio seleccionador, Carlos Queirós - que agora até acha que um jogador em nítida má forma, que não marca golos há meses, e sem entrosamento com os colegas, serve para a selecção de Portugal...
Aliás, todo este processo andou de pernas para o ar. Liedson foi um privilegiado. Eu queria ver outros cidadãos brasileiros a terem tamanhas facilidades e mordomias no processo de naturalização. Chegámos ao cúmulo de o presidente da Federação Portuguesa de Futebol ter vindo a público dizer que a naturalização estava para breve. Como se Gilberto Madaíl mandasse nas autoridades portuguesas. Que outros cidadãos teriam este privilégio?...
Em Portugal tudo é possível. E na FPF tudo é ainda mais possível. Até haver equipas que ganham campeonatos à pedrada.
Para completar esta má notícia - mais uma, depois das chamadas à selecção de Deco e Pepe - só faltava que o primeiro golo de Liedson nesta temporada fosse marcado pela selecção de Portugal... FOTO: "Record Online"

Também tu, Izmailov?!...

"Se, por alguma razão, Paulo Bento não continuar, eu também gostaria de sair."
Izmailov, "A Bola", 26-08-2009

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Em Florença, lembrem-se deste jogo...


LEÕEZINHOS À SOLTA...

Confesso que não estava à espera de uma vitória sobre o poderoso Inter de Milão. Por várias razões. O Sporting é uma equipa jovem e sem grande experiência internacional ao mais alto nível e apresentava-se desfalcado de jogadores nucleares na zona central do campo. A repetição do 0-0 do jogo da pré-temporada já seria, por isso, "um bom resultado". Mas os 90 minutos de um jogo intenso e disputado a grande ritmo revelaram um Sporting quase perfeito, a jogar um futebol total, atacando e defendendo em bloco, um Sporting combativo, competitivo e harmonioso, capaz de justificar a vitória por 1-0, conquistada através de um golo estupendo de Marco Caneira.
A partir de hoje, há leõezinhos à solta na Europa do futebol. A partir de hoje, os holofotes do futebol internacional voltam-se para Lisboa e Alcochete. Importa não perder o pé e continuar a trabalhar com afinco e humildade. Importa interpretar correctamente o discurso sereno e realista do treinador Paulo Bento, interiorizando as ideias centrais. Afinal, o Sporting tem seis pontos da Superliga e três pontos na Liga dos Campeões, mas ainda não ganhou nada. Um discurso talvez pouco adequado a uma noite de glória como esta, tal a valia e o poder do adversário italiano que hoje caiu em Alvalade. Mas um discurso cem por cento certo para que a equipa leonina continue com os pés assentes no chão, semeando qualidade e profissionalismo por essa Europa fora e demonstrando que o futebol português que acontece dentro das quatro linhas não tem nada a ver com quem o dirige e o regula fora delas.

[Crónica do LEÃO DA ESTRELA sobre o jogo Sporting-Inter de Milão 1-0, disputado em 12-09-2006, em Alvalade, a contar para a 1ª jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões 2006-2007. O Sporting, treinado por Paulo Bento, alinhou: Ricardo; Abel, Tonel, Anderson Polga e Caneira; João Moutinho, Miguel Veloso, Nani e Romagnoli; Liedson e Yannick Djaló. Jogaram ainda: Alecsandro e Rodrigo Tello. Destes jogadores, ainda estão no Sporting (e convocados para Florença) todos os defesas (com excepção do guarda-redes), metade do meio-campo e todo o ataque que está disponível para a Fiorentina. Ou seja, da equipa que venceu o Inter de Milão em 2006 estarão em Florença, nesta quarta-feira, nada mais nada menos do que 8 jogadores! Quase a equipa completa! Não parece, mas é verdade!...]

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Bettencourt vai às compras

Sporting 2009-2010 regista o pior desempenho de sempre nos primeiros cinco jogos oficiais

Parece que o médio-ofensivo brasileiro Daniel Carvalho (CSKA de Moscovo) está em Lisboa para negociar a sua transferência para o Sporting. Acho que é o mesmo jogador de quem se dizia há alguns dias que vinha de uma lesão grave, não estando, por isso, nas melhores condições físicas para andamentos mais rápidos noutros palcos do futebol europeu. Não sei se é verdade, se é mentira. Espero que seja mentira e que o jogador brasileiro nunca tenha pensado que Alvalade é um centro de reabilitação física ou uma unidade de pré-reformados.
Isto acontece quando o plantel do Sporting, que está a ferro e fogo, prepara um jogo decisivo no âmbito da Liga dos Campeões. Isto acontece numa equipa que tem dado inúmeros problemas no sector defensivo, onde as alternativas são bem mais reduzidas do que no meio-campo (que é, aliás, o sector mais rico em termos de soluções). Isto acontece quando grande parte da nação sportinguista está a pedir a demissão do treinador Paulo Bento.
Significa isto que a conjuntura não aconselha nenhum tipo de investimento em novos jogadores, a não ser em bons defesas laterais. Enfim, perante a urgência em tomar decisões e no dia em que manda recados nos jornais, anunciando decisões drásticas caso não haja resultados positivos, José Eduardo Bettencourt prefere ir às compras. Acho que está na hora de fazer uma pergunta: afinal, qual é a diferença entre um presidente a tempo inteiro e um presidente em part-time?!...

Rochemback: um erro de "casting"

Contra a corrente dominante, em 15 de Maio de 2008, o LEÃO DA ESTRELA mostrava reservas em relação à contratação do brasileiro Fábio Rochemback. Por razões financeiras, desportivas e também disciplinares, pois tratava-se do jogador que, antes de ter sido vendido para Inglaterra, tinha insultado um treinador do Sporting (no caso, José Peseiro), em pleno Estádio do Dragão, aos olhos de toda a gente, mandando-o "tomar no cu" com todas as letras.
Infelizmente, confirmaram-se as piores expectativas. Na verdade, Rochemback revelou-se aplicado nos jogos da pré-temporada 2008-2009, para que se notasse que estaria ali o futuro patrão da equipa, mas acabaria rapidamente por se transformar num jogador dispensável, sobretudo depois daquele lance em que, visivelmente lento e portador de uma gordura incompatível com a função, foi incapaz de travar o portista Hulk, que não teve dificuldade em marcar um golo que daria a vitória do FC Porto, em Alvalade, e que lhe valeria, até hoje, a titularidade na equipa de Jesualdo Ferreira.
De resto, não ficou nada na memória que Rochemback tivesse feito de bom nesta segunda passagem pelo Sporting - onde aufere um dos salários mais altos do plantel. Agora, através do seu assessor, diz que quer ir embora se não jogar a titular... Enfim, um erro de "casting", dos vários que têm afundado o futebol do Sporting, para o qual já não há pachorra. FOTO: "Record Online"

As doenças do Sporting

“É como naqueles casos em que a família e os amigos se apercebem do estado de depressão de uma pessoa mas em que a própria se recusa a iniciar tratamentos.”
João Almeida Moreira, jornalista, “i”, 24-08-2009

"A responsabilidade é de todos, o que temos vindo a fazer não é bom, entrámos muito mal no campeonato e estamos no playoff da Liga dos Campeões com alguma dose de felicidade [alusão ao golo aos repelões no último minuto do Twente-Sporting]. A equipa tem qualidade para dar a volta a esta situação complicada, mas se for preciso recorreremos ao mercado."
Pedro Barbosa, director desportivo, “i”, 24-08-2009

"Perante as paupérrimas exibições da equipa de futebol, que se arrastam já desde a temporada passada, [que] a SAD tome a decisão de demitir Paulo Bento do cargo de treinador principal da equipa de futebol profissional."
Associação de Adeptos Sportinguistas, comunicado, “i”, 24-08-2009

"Vejo o Sporting ansioso, triste e a sentir-se sem soluções. Soluções técnicas, entenda-se. Por isso, o melhor seria substituir o técnico."
Daniel Sampaio, psiquiatra e sócio do Sporting, “i”, 24-08-2009

“Paulo Bento está seguro, mas pode haver mexidas na SAD se os resultados não melhorarem.”
“A Bola”, 24-08-2009

“Rochemback quer sair”
Título do “Record”, 24-08-2009

"O Fábio está cansado desta situação. Ele quer jogar. Dizem que ele está gordo, mas ele não está gordo... Teve um filho e está mais maduro."
Vifran Pompeu, assessor de Fábio Rochemback, “Record”, 24-08-2009

“Um arranque de temporada sem vitórias não encontra paralelo no trajeto de Paulo Bento como treinador leonino. Desde que assumiu o comando técnico, em Outubro de 2005, nunca a equipa realizou os primeiros cinco jogos sem conquistar qualquer triunfo.”
“Record”, 24-08-2009

“José Eduardo Bettencourt viaja amanhã para Florença, inserido na comitiva leonina. (…) O líder do clube de Alvalade, que optou por não se deslocar ao balneário no final do embate com o Sporting de Braga e por não assistir a qualquer dos treinos realizados na Academia depois do desaire de sábado, fará sentir aos elementos do plantel que este é o momento de arrepiar caminho, sob pena de ser obrigado a assumir medidas mais drásticas.”
“Record”, 24-08-2009
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FOTO: "Record Online"

Problemas no balneário

"Público", 24-08-2009

domingo, 23 de agosto de 2009

Razões para contratar Manuel Fernandes

1. É uma glória do Sporting Clube de Portugal. Foi campeão como jogador. Depois de Fernando Peyroteo, Manuel Fernandes é o segundo melhor avançado da história do Sporting, com 255 golos marcados em jogos oficiais. Foi um exemplo como profissional. Conhece o Sporting e o futebol português. Depois de ter sido adjunto com Bobby Robson, na década de 1990, foi treinador principal leonino, conquistando a Supertaça Portuguesa (vitória sobre o FC Porto, em 2000-2001), tendo saído de Alvalade ao fim de quatro meses de trabalho, desgastado por um litígio com o “gestor de activos” Carlos Freitas (então todo-poderoso em Alvalade) e a sua política de contratações.

2. Como treinador, Manuel Fernandes, actualmente com 57 anos, está num bom momento. Na época passada, levou a União de Leiria à I Liga depois de uma recuperação sensacional, que começou quando a equipa estava abaixo da “linha de água”, no primeiro terço da prova, altura em que assumiu o comando técnico da equipa, tendo conseguido a promoção de forma emocionante, na última jornada. Com um plantel limitado, soma dois empates na I Liga e pretende ser um dos primeiros daquela que considera ser a "Liga dos Pobres", ou seja, o campeonato daqueles que jogam para não descer de divisão.

3. Financeiramente, Manuel Fernandes é um treinador acessível aos limitados cofres da Sporting SAD, implicando, porém, um acordo com a União de Leiria, aparentemente fácil de fazer, sobretudo quando o clube leonino tem uma carteira de jogadores que poderá colocar no clube leiriense, no imediato, ou no futuro. Aliás, até poderia ser um bom motivo para encetar uma parceria estratégica com a União de Leiria. Não esquecer que Leiria, que é terra de muitos sportinguistas, acolhe um museu do Sporting (caso único em Portugal o facto de um clube ter unidades museológicas em dois locais distintos).

4. Sendo uma grande figura do Sporting, Manuel Fernandes faz todo o sentido como treinador principal, sobretudo num tempo de aproximação do clube às suas glórias, que tem sido posta em prática pela liderança de José Eduardo Bettencourt, sendo, por isso, importante no processo de relançamento da militância leonina e da mística sportinguista.

5. Os problemas do futebol do Sporting são essencialmente problemas de balneário e problemas psicológicos, por notória incapacidade da actual equipa técnica para motivar a equipa e os jogadores individualmente. Vindo de fora, mas sendo “de dentro”, tendo cabelos brancos e uma autoridade reforçada por um apoio claro e inequívoco da direcção de José Eduardo Bettencourt, o treinador Manuel Fernandes, devidamente apoiado por uma equipa técnica da sua inteira confiança, seria uma boa solução para “juntar os cacos” – expressão que Bettencourt usou para se referir ao balneário leonino durante a época 2007-2008 – e reconstruir uma equipa de futebol à sua imagem: profissionalmente séria e ganhadora em qualquer campo.

sábado, 22 de agosto de 2009

Paulo Bento no fim da linha

Estive em Alvalade e, não obstante o facto de o estádio ter registado uma assistência inferior à meia casa, pude testemunhar que não foi por falta de apoio do público que o “Sporting de Paulo Bento” perdeu com o Braga, nem tão pouco por falta de qualidade dos jogadores que formam o plantel leonino, apesar de muitas asneiras individuais pelo meio de um grande desastre colectivo. A bancada da Claque Directivo XXI até dava conta da sua legítima ambição, ao indicar o caminho numa tarja enorme: “Segundo lugar não é opção. Queremos o Sporting campeão”…
O jogo começou com o Sporting a dar excelentes indicações, porém, o Braga, no primeiro grande remate à baliza de Rui Patrício, inaugurou o marcador. Estavam decorridos 12 minutos e, a partir daí, as pilhas dos jogadores do Sporting foram perdendo a carga. Aos poucos, aquela equipa alegre, organizada e desinibida que chegou a brilhar contra a Fiorentina e que parecia ter entrado em campo contra o Braga, foi desaparecendo para dar lugar a um conjunto de jogadores desintegrados, com chumbo nas pernas, a cometerem erros primários, enfim, uma autêntica manta de retalhos.
Na segunda parte, a mesma coisa, até que, Yannick Djaló, que entrou para o lugar de Matias Fernández – alteração que gerou um coro de assobios no estádio –, arrancou um grande golo. Se o problema fosse anímico, o Sporting tinha tudo para virar o jogo: o público estava com a equipa e o golo do empate funcionaria como tónico. Mas não. Sem Matías Fernández, o Sporting deixou de ter um elo importante que desse um mínimo de sentido ao seu jogo.
O Braga, sempre muito seguro a defender e perigoso quando atacava (qualquer equipa que procure marcar ao Sporting torna-se num sério perigo em qualquer lance…) tomou conta das operações e acabou por fazer o 2-1, na sequência de um pontapé-de-canto (como sempre tem acontecido). Até final ainda havia mais de 10 minutos para jogar, mas o Sporting não deu o mínimo sinal de que queria, pelo menos, empatar o jogo. E o Braga até poderia ter feito o terceiro.
Esta partida confirmou, afinal, que este Sporting tem duas caras (uma nacional e outra europeia), facto que é verdadeiramente insustentável. Está aí um jogo muito importante com a Fiorentina. Antes disso, Paulo Bento deveria ponderar seriamente a apresentação do respectivo pedido de demissão (até para não obrigar José Eduardo Bettencourt a dar o dito pelo não dito). A sua permanência à frente do comando técnico do Sporting já começa a ser um problema.
Se havia jogo importante para vencer era este com os bracarenses, que indicaria o retomar do caminho das vitórias. Paulo Bento até escolheu a mesma equipa que alinhou com a Fiorentina. Não lhe valeu nada: voltamos a ver erros individuais clamorosos, mas vimos também um conjunto de jogadores à deriva, sem saber o que fazer à bola e sem vontade de ganhar.
No fundo, os jogadores demonstraram que não estão com o treinador e que há sérios problemas no balneário. O Sporting já não ganha há oito jogos, cinco deles oficiais. Na I Liga já perdeu cinco pontos. Para Paulo Bento é o fim da linha. FOTO: Armando França (Associated Press) e José Manuel Ribeiro (Reuters - Portugal Sport Soccer)

Já é tempo de o Sporting ganhar

No regresso às competições internas, é muito importante o jogo do Sporting com o Sporting de Braga, relativo à segunda jornada da Liga Portuguesa (hoje, às 21h15, no Estádio de Alvalade). A maior curiosidade está em sabermos se a equipa de Paulo Bento confirma, ou não, as melhoras registadas no último jogo do “play-off” de acesso à Liga dos Campeões, com a Fiorentina, onde a equipa leonina se mostrou em bom nível perante os holofotes internacionais.
Nos últimos anos, têm sido recorrentes os casos de más exibições do Sporting após boas prestações europeias, justificadas com um alegado cansaço da equipa. Não poderá ser o caso de hoje, frente ao Braga.
A alegria de jogar, o sentido colectivo e o desempenho da equipa na última terça-feira, frente aos italianos, que em alguns momentos foram brilhantes (tendo sido manchados, porém, por um árbitro faccioso e por erros infantis que o Sporting pagou muito caro), têm de ser repetidos num registo ainda superior na partida com os bracarenses. Para vermos, antes de mais, se a equipa ainda está com o treinador ou se já está farta dele. E mais: já é tempo de o Sporting ganhar. É isso que exigem os sportinguistas. Porque o contentamento com o mal dos outros, como ficou patente na jornada inaugural da Liga, não é mais do que um sinal preocupante do miserabilismo e da falta de ambição de que padece uma boa parte da nação sportinguista. FOTO: www.sporting.pt

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A verdadeira nacionalidade de Kassai

"Aquele tal Viktor Kassai é português, pelo estilo de arbitragem só pode."
José de Pina, humorista, adepto do Sporting, em crónica no site www.sportingapoio.com, referindo-se ao árbitro do Sporting-Fiorentina

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Noite de traições em Alvalade

O melhor Sporting da temporada foi incapaz de vencer a Fiorentina, que arrancou um empate a dois golos em Alvalade, ficando em vantagem para o jogo da segunda mão deste “play-off” de apuramento para a fase de grupos da Liga dos Campeões, deixando a equipa leonina à beira de falhar um objectivo determinante para o resto da época.
Por aquilo que vimos ao longo do jogo, o empate fica a dever-se mais à falta de categoria internacional do sector defensivo do Sporting do que à capacidade futebolística evidenciada pelos italianos. É certo que, pelo desempenho até agora mostrado pelo Sporting, seria muito difícil vencer a Fiorentina. Só que a equipa de Paulo Bento, mostrando que está a crescer, revelou uma qualidade de jogo que nunca se tinha visto nesta temporada, tendo, porém, sido traída pela falta de categoria de jogadores como Pedro Silva (responsabilidades no primeiro golo italiano), Anderson Polga (no segundo golo italiano) ou Vukcevic, que deveria ser exemplarmente castigado pela Sporting SAD pela sua irresponsabilidade, uma vez que, sabendo que tinha um cartão amarelo, tirou a camisola para festejar o golo do empate a um (quando deveria ter ido buscar a bola ao fundo da baliza para que o jogo recomeçasse rapidamente), tendo sido expulso por acumulação de amarelos, o que complicou a tarefa de revirar o marcador - pois a equipa leonina estava a perder desde os minutos iniciais - e segurar a vantagem.
O Sporting, que deve a Rui Patrício o facto de não ter sido derrotado, falhou o objectivo de vencer a partida também por causa da traição de um árbitro muito habilidoso (falta de categoria ou cedência intencional ao poderio italiano), que poupou duas expulsões à Fiorentina, pelo que interferiu no desenrolar da partida e no respectivo resultado final.
Mesmo com todas estas contrariedades, o Sporting, solidário e galvanizado, ainda conseguiu chegar à vantagem por 2-1, através de um golo monumental de Miguel Veloso – provocando, ironicamente, uma enorme explosão de alegria em Paulo Bento e no público, incansável no apoio à equipa – mas foi incapaz de segurar o resultado por mais facilidades concedidas pelo sector defensivo, onde tem sido notória a falta de elementos física e mentalmente fortes, nomeadamente nas linhas laterais, mas também na zona central, onde Anderson Polga parece estar a perder o comboio do futebol europeu. Pelo que as lacunas do plantel leonino não estão no meio-campo, mas sim no sector mais recuado.
Foi precisamente depois desse segundo golo, que fez explodir as bancadas de Alvalade, que o Sporting - que teve em Rui Patrício, João Moutinho, Miguel Veloso, Matías Fernández e, a espaços, Liedson, algumas das melhores exibições - passou a jogar melhor, com os seus jogadores mais libertos e audazes, porém, com a dificuldade acrescida de estar com um elemento a menos. Donde, a expulsão de Vukcevic pesou muito no desenrolar do jogo e no desempenho colectivo.
Como ficou a ganhar desde muito cedo (6'), a Fiorentina foi uma equipa passiva, oferecendo a bola ao Sporting sem deixar de controlar o jogo, só acelerando verdadeiramente quando ficou em desvantagem no marcador e estava em vantagem numérica, pela expulsão de Vukcevic. Por parte do Sporting, já são sete jogos sem ganhar. E a Liga dos Campeões está seriamente ameaçada, embora tudo ainda seja possível. FOTOS: Armando França (Associated Press) e AFP-Getty Images

Paulo Bento e a Fiorentina

“Sabemos que não fizemos nos primeiros três jogos oficiais exibições que levem a que os sócios e simpatizantes possam estar satisfeitos. Sabemos que não ganhámos nenhum desses jogos, mas também é verdade que não perdemos nenhum. Também é verdade que numa eliminatória alcançámos o objectivo, senão não estávamos agora aqui a discutir esta. Sabemos também que jogámos o primeiro jogo do campeonato não fazendo a melhor exibição possível em casa do quarto classificado [da temporada passada]. Ao fim da primeira jornada temos os mesmos pontos dos outros candidatos ao título. Quando olhamos à volta nada disto parece verdade.”

“Os objectivos que tínhamos para alcançar até aqui foram atingidos. Com muita dificuldade, mas com justiça. Porque quando se fala de sorte por termos marcado um golo na Holanda [na segunda “mão” da pré-eliminatória de acesso] ao minuto 93 ou 94, deveria falar-se também do azar por sofrer um golo no primeiro minuto quando o adversário ainda nada tinha feito para o merecer, ou então por termos falhado um penálti, na primeira mão, que nos dava vantagem em superioridade numérica.”

"Temos consciência que não estamos a jogar bem em termos ofensivos, mas continuamos a ser uma boa equipa defensivamente."

"A equipa jogou de uma forma diferente no jogo com o Nacional do que tinha feito nos dois jogos com o Twente. Fomos uma equipa mais organizada, que continuou a demonstrar boa disponibilidade e capacidade mental para reagir a dois momentos adversos: o golo do Twente logo no primeiro minuto, e a situação de desvantagem na Madeira. Temos capacidade e motivação para fazer um bom jogo e jogar melhor [com a Fiorentina], e a convicção que podemos fazer um resultado que nos permita continuar a discutir a eliminatória em Florença."

"A vitória é sempre o melhor resultado."

"O empate sem golos também será positivo, mas, o Sporting nunca joga em casa para empatar."

“O Sporting não precisa de um milagre [frente à Fiorentina]. Precisa, sim, de organização, talento, coragem, convicção e, naturalmente sorte, que faz parte do jogo. Posso garantir que não fui a Fátima pedir o que quer que seja.”

"A única coisa em que acredito é no talento dos meus jogadores e não em muito mais coisas."

“[A Fiorentina] é uma equipa com qualidade, com uma organização colectiva muito boa, com princípios de jogo muito fortes, muito coesa defensivamente e com jogadores com talento. Temos de ter cuidado, porque, muitas vezes, quando se joga contra equipas italianas pode-se ser dono da bola, mas não se é dono do jogo. Temos de saber o que temos de fazer com a bola e estar prevenidos para o momento da perda da bola que é normalmente uma arma das equipas italianas: terem de fazer pouco para alcançarem um golo e obrigarem os adversários a trabalhar muito para marcarem.”

Paulo Bento, na conferência de imprensa de lançamento do jogo Sporting-Fiorentina, da primeira mão do “play-off” de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões, que se disputa nesta terça-feira, às 19h45, no Estádio de Alvalade
FOTO: "Record Online"

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Erro grave em Paços de Ferreira

Colaboração enviada por e-mail pelo leitor Carlos Lima:
Venho denunciar um facto que penso deve ser divulgado e que se prende com o silenciamento e omissão, por parte da comunicação social televisiva, do que sucedeu no final do encontro entre o Paços de Ferreira e o Porto (90’+2), em que depois de ter visto que o avançado pacense ia fazer golo, o auxiliar apressou-se a levantar a bandeira, assinalando um fora-de-jogo inexistente ao avançado do Paços. Seria golo certo, pois o jogador já tinha passado pelo Helton e encaminhava-se com a bola dominada para a baliza deserta do Porto. E como o encontro estava nos momentos finais já não daria tempo a que o Porto pudesse voltar a empatar a partida.
Este erro grosseiro de arbitragem, que, mais uma vez, favorece o Porto e castiga o Paços de Ferreira, não foi mostrado nem abordado pela RTP 1, RTP N e SIC Notícias. Não vi a TVI 24, pelo que desconheço se aquela estação terá falado e mostrado imagens deste caso.
Os dirigentes da arbitragem andam sempre a dizer que se fala demasiado nos árbitros e menos no futebol, nos artistas da bola (onde é que eles estão? Onde?). Será que eles querem que se passe uma esponja sobre a actuação dos homens do apito que sabemos não serem flor que se cheire?
Penso que o blogue LEÃO DA ESTRELA poderá ter um papel importante na denúncia desta omissão, que me parece tratar-se de uma acção concertada com vista a deixar passar em claro os “empurrões” dos árbitros ao FCP. Saudações Leoninas.
Carlos Lima (enviado por e-mail)
FOTO: Miguel Vidal (Reuters - Portugal Sport Soccer)

A irregularidade leonina

Colaboração enviada por e-mail pelo leitor Carlos Lima:
Sou leitor atento do LEÃO DA ESTRELA e venho saudar o seu responsável, aproveitando para lhe dar os parabéns pela forma inteligente e criteriosa com que expõe as suas opiniões e críticas sobre o fenómeno desportivo português, e também sobre o nosso Sporting, de que sou adepto há cerca de 52 anos, ou seja, desde os meus 10 anos de idade.
Pude testemunhar excelentes exibições do nosso Sporting, nomeadamente aquele célebre jogo para a Taça das Taças, em que o Manchester United foi humilhado com um “5-0” que o colocou fora da competição. Grande jogador que tínhamos nessa altura: Osvaldo Silva.
Lembro-me com alguma saudade da equipa em que a frente de ataque contava com Marinho (à direita), Dinis (à esquerda) e o matador Yazalde a ponta-de-lança. Grandes alegrias me deram estes craques naquela altura.
Lembro-me igualmente da última grande equipa que venceu o campeonato 2001-2002, com o João Pinto a servir o Jardel, para muitos e belos golos que levaram o nosso clube a conquistar o título.
Quanto ao Sporting da “era Paulo Bento”, constato que as exibições são muito irregulares, sendo que a maior parte das vezes a equipa parece temer o adversário que tem pela frente, independentemente da categoria deste.
Já assistimos a fantásticas exibições em casa – contra o Benfica, para a Taça de Portugal, e no campeonato passado. Mas tivemos exibições confrangedoras ao longo da época. A meu ver uma equipa de futebol sénior deve ter um número preponderante de jogadores experientes dando lugar a 2 ou 3 jovens, no máximo.
Acho positivo que o Sporting aposte nos jovens da Academia, mas não pode abusar na utilização de 7 ou mais, simultaneamente. Não podemos esperar que jovens de 20-22 anos possam render, quer física, quer tacticamente, mais do que jogadores na casa dos 26-28 anos.
Sinto que o Paulo Bento não deve ter mão no balneário, senão vejamos a quantidade de casos que vieram a público nos 2 últimos anos. Custa-me a admitir que se ande a prescindir de um guarda-redes como o Stojkovic – que segundo consta fez uma boa exibição ao serviço da selecção sérvia no jogo com a África do Sul – mantendo-se na baliza um jovem, que pode um dia vir a ser um guarda-redes de referência, mas que ainda é muito cru, como o Rui Patrício. Por vezes chego a pensar que os jogadores já devem estar fartos do treinador e, por isso, não cumprem em campo as ordens que recebem do treinador, como forma de o “empurrarem” para fora da liderança técnica do nosso clube. Posso estar enganado e gostaria que assim fosse. Por agora é tudo. Saudações Leoninas.
Carlos Lima (enviado por e-mail)

O problema da estatística

Frente ao Marítimo, o Benfica caiu na realidade...

Aparentemente, começou a I Liga Portuguesa 2009-2010, ainda que só uma equipa pareça ter entrado em competição. Refiro-me ao Benfica que, depois de ter ganho quatro taças de Verão na pré-temporada, fazendo furor por essa Europa fora, caiu na realidade e empatou com o modesto Marítimo, da ilha de Alberto João Jardim, em pleno Estádio da Luz. Com um orçamento um pouco mais baixo do que o AC Milan, a verdade é que a equipa madeirense esteve a ganhar grande parte do tempo, silenciando 60 mil benfiquistas que há muito esfregam as mãos de tanta ansiedade, tendo cedido o empate já na parte final. E o mais curioso é que o golo do empate benfiquista não foi obra dos milhões de Saviola, mas dos tostões de Weldon. Enfim, a vida como ela é.
Em Paços de Ferreira, o FC Porto também empatou e, segundo rezam as crónicas, a equipa de Jesualdo Ferreira jogou melhor depois de o árbitro ter removido Hulk, por acumulação de cartões amarelos.
Olhando para a classificação, ao fim da primeira jornada, verificamos que Sporting, FC Porto e Benfica estão exactamente iguais, com o mesmo número de golos marcados e sofridos e o mesmo número de pontos perdidos. É esse o problema da estatística no futebol. Basta olhar para o desempenho do Sporting nos jogos particulares e oficiais já realizados (exibições e resultados), que é o mais fraco de que há memória... FOTO: Armando França (Associated Press)

sábado, 15 de agosto de 2009

Sofrimento forever

Ao empatar a um golo no terreno do Nacional da Madeira, na jornada inaugural da I Liga portuguesa 2009-2010, o Sporting somou o sexto jogo consecutivo sem ganhar e desperdiçou os primeiros dois pontos, perante uma equipa que gasta apenas um quarto do investimento leonino. Há muito que a equipa do Sporting está mal e não dá sinais de melhorar, uma vez que falha por motivos recorrentes. O que aconteceu na Choupana foi mais do mesmo que temos visto noutras exibições estranhamente miseráveis no arranque desta temporada, que será a quinta de Paulo Bento com treinador da equipa, caso a expressão "Paulo Bento forever", proferida por José Eduardo Bettencourt, seja para traduzir à letra.
Nos primeiros minutos, um Nacional intranquilo e com receio do Sporting. Um receio infundado, porque o Sporting demonstrava estar com muito mais medo de si próprio e dos seus equívocos tácticos. Por isso, não foi preciso muito tempo para que o Nacional chegasse à frente e marcasse. Na sequência de um pontapé-de-canto, evidentemente, com oito jogadores do Sporting nas imediações da bola a serem insuficientes para tirá-la da pequena área. Miserável.
Paulo Bento, castigado por umas palavras sobre arbitragem, salvo erro em 2008 (um escândalo igual ao do mau futebol da equipa), fazia dupla triste com Miguel Ribeiro Teles num canto da bancada. O adjunto Carlos Pereira orientava a equipa e, no final, chegou a dizer que o Sporting "reagiu extraordinariamente bem". Não sei se o treinador-adjunto estava a ensaiar uma piada (à imagem de Luiz Felipe Scolari, que considera Paulo Bento "o grande reforço do Sporting"). Fiquei com a ideia de que Carlos Pereira estava a falar a sério, o que é muito mais grave. Ou estaria a falar só de Daniel Carriço, que ainda evitou o segundo golo do Nacional e uma derrota que seria certa?...
A verdade é que o Sporting não entrou bem no jogo e não soube reagir como devia. E o "capitão" João Moutinho reconheceu isso. O golo do empate, já na segunda parte, até foi marcado pelo mesmo jogador do Nacional que tinha inaugurado o marcador (João Aurélio). Uma reedição do Twente-Sporting, com uma pequena diferença: no pontapé-de-canto, apontado por Vukcevic, Rui Patrício não foi preciso, já que o jogador madeirense revelou uma eficácia tremenda.
Com este Sporting, o sofrimento dos sportinguistas é garantido. Um jogo de futebol nunca é um espectáculo, são 90 minutos de sofrimento. Forever! FOTO: Duarte Sá (Reuters - Portugal Sport Soccer)

A equipa mais portuguesa de Portugal

Sporting, Académica de Coimbra, Belenenses, Olhanense, Rio Ave, Vitória de Guimarães e Vitória de Setúbal são as sete equipas da I Liga Portuguesa cujos plantéis integram 15 ou mais futebolistas portugueses. Em tempos de globalização, estes clubes são as honrosas excepções na defesa e valorização do jogador português – que é, afinal, a essência do nosso futebol.
Dos três candidatos ao título, o Sporting (que ao longo da sua história centenária sempre apostou nos melhores futebolistas portugueses) apresenta-se nesta temporada como a equipa mais portuguesa de Portugal, com 15 lusitanos num planel de 24, sem contar com Liedson – facto que deve constituir um motivo de orgulho para todos os sportinguistas e para todos os portugueses que gostam de futebol, e que deveria ser devidamente sublinhado pelos dirigentes leoninos quando entram em comparações com os adversários...
Aliás, o FC Porto e o Benfica têm nas suas fileiras menos de 10 jogadores portugueses, facto que se reflecte numa presença cada vez menor destes clubes na selecção nacional. Nesta pré-temporada, o Benfica (que noutros tempos, antes da década de 1980, só alinhava com portugueses) até chegou a apresentar-se em campo com 11 jogadores estrangeiros!...
No momento em que começa a Liga Portuguesa 2009-2010, valia a pena pensar nisto. E valia a pena dizer, desde já, que um eventual sucesso do Sporting, vencendo a Liga, a Taça da Liga ou a Taça de Portugal, ou todos os troféus – não obstante todas as dificuldades decorrentes de uma pré-temporada atípica –, será, sem dúvida, um sucesso do futebol português e do futebolista português, que a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) deveria ser a primeira instituição a valorizar.
De resto, o Sporting consegue ainda outra proeza: mesmo sendo dos chamados três grandes a equipa com mais jogadores portugueses, também irá ceder à selecção portuguesa um dos seus melhores estrangeiros de sempre – Liedson, com cuja naturalização para vestir a camisola de Portugal não concordo de modo nenhum. Mas se a FPF não sabe formar pontas-de-lança de qualidade (permitindo a internacionalização sem critério das equipas jovens), e se Liedson está disponível, quem somos nós para não apoiar o nosso melhor goleador com a camisola das “quinas”?...

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

A confraria da bola

Já passou, mas a verdade é que José Eduardo Bettencourt meteu os pés pelas mãos ao ter feito aquelas declarações elogiosas sobre o rival Benfica. Prova disso é que, no dia seguinte, para gerir os danos, adoptou uma posição humilde, justificativa e muito tolerante, ao ponto de ter considerado que cada sportinguista é livre de interpretar o que ele diz como melhor entender: "Os sócios têm sempre razão. A mim compete-me dar os sinais adequados nas direcções correctas. A interpretação é livre e eu tenho as minhas interpretações e sei os sinais que devo emitir a cada momento. É isso que espero continuar a fazer, sendo bem ou mal-interpretado."
O mais extraordinário, porém, é que nos jornais desportivos não tenham faltado comentadores encartados a tecer os mais rasgados elogios a José Eduardo Bettencourt, pelo “arrojo de uma modernidade estranha ao mundo do futebol”, nas palavras do director de “A Bola”, Vítor Serpa, que, em editorial, confessa não saber se Bettencourt “terá suficiente força para fazer prevalecer a sua personalidade”, no meio de tantos “fariseus” (sportinguistas, presume-se), que espera que “a modernidade triunfe sobre a pobreza franciscana” e que considera que o futebol do Sporting tem conseguido nos últimos anos “o superior milagre da multiplicação dos pontos”. Ou seja, nas doutas palavras do director de “A Bola”, o Sporting está muito bem como está, o seu futebol está a fazer milagres e os seus jogadores não podem dar mais do que têm dado. Eis a “bíblia do benfiquismo” a promover a teoria do miserabilismo leonino...
Santos Neves, na sua coluna de opinião, igualmente em “A Bola”, começa por elogiar Bettencourt por este ter dito que “Paulo Bento é vítima de uma campanha”. Num texto onde Neves termina dizendo que “esta será a época do tudo ou nada para Luís Filipe Vieira e para o Benfica, não para José Eduardo Bettencourt e para o Sporting…” O terreno para mais um título (provavelmente a perder pelo Sporting) começa a ser preparado desde cedo…
No “Record”, foi o director-adjunto António Magalhães a interpretar Bettencourt talvez como Bettencourt gostaria de ser interpretado (ainda dizem que o Sporting não tem boa imprensa...). Assim, na opinião de Magalhães, os elogios ao Benfica teriam sido uma forma de o presidente do Sporting aumentar a pressão sobre a equipa benfiquista libertando a mente dos jogadores leoninos. Como diz Bettencourt, "a interpretação é livre".
Também em “O Jogo”, o mesmo ângulo de observação das polémicas declarações de Bettencourt, com o jornalista João Sanches, apontando o caminho da “formiguinha” como uma fatalidade leonina, pois só Benfica e FC Porto poderão ser as “cigarras” que investem mais e melhor nas suas equipas de futebol. No fundo, mais um elogio a Bettencourt, mais um elogio à estratégia do coitadinho e da falta de ambição que retira o Sporting do caminho do título nacional, vai para oito anos. Em Alvalade ficam todos contentes porque esta ladaínha inspira uma certa credibilidade junto da massa adepta (que só se pode manifestar no estádio perante o futebol mal jogado) e fortalece o seu poder como portadores da única via possível para gerir o clube.
Há um traço comum em todas estas análises: para os seus autores, o Sporting, como clube, é uma coisa secundária e até dispensável, devendo, por isso, continuar o caminho traçado. Até porque, também dizem eles, não há outro caminho a seguir. Com mentiras assim, esta confraria da bola vai mandando nos clubes portugueses, criando uma corrente de opinião dominante e fabricando maiorias eleitorais que jamais existiriam se houvesse liberdade.
No caso do Sporting, a confraria tem promovido uma mediocridade (dentro e fora do campo...) que, de forma lenta, mas gradual e segura, está a dar cabo do clube português que mais poderia atrapalhar o Benfica e o FC Porto (sobre quem, note-se, ninguém fala em dívidas ou constrangimentos financeiros). De resto, é curioso que o Sporting seja altamente elogiado por gastar pouco e por não ter grande ambição, e que Benfica e FC Porto não sejam criticados por gastarem muito e terem ambição... Além disso, ninguém questiona por que motivos o Sporting anda a apertar o cinto há uma série de anos, sem que se vejam consequências dessa poupança nas contas do clube. Pior: parece que as dívidas continuam a aumentar...
Eis um assunto para José Eduardo Bettencourt reflectir e tentar resolver. Porque vir para a praça pública queixar-se de alegadas campanhas contra Paulo Bento (não serão os sportinguistas que estão a ser vítimas de uma má campanha da equipa de futebol?...) ou tecer elogios à estratégia do Benfica não será, certamente, o melhor caminho...

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A picareta falante do Sporting

Depois de fortes sinais de enorme sportinguismo, nomeadamente num esforço público e notório de recuperação da militância sportinguista (de resto, já aqui saudado), jamais estava à espera de ver o presidente José Eduardo Bettencourt a assumir o papel de comentador desportivo, com observações tão simpáticas sobre o principal rival do Sporting, que ainda há algumas semanas foi a Alcochete ganhar um campeonato nacional de juniores à pedrada.
É preciso lembrar que José Eduardo Bettencourt é presidente do Sporting a tempo inteiro, sendo muito bem pago por isso. Mas deveria reflectir numa coisa: não foi eleito presidente para estar a falar todos os dias para todos os microfones, como se fosse uma picareta falante (e sabemos que ele até se expressa de forma brilhante) com resposta para tudo. Se não tem nada a dizer sobre o Sporting, se não tem respostas para adeptos em depressão, pelo menos que não elogie os adversários. Porque, se os sportinguistas já andam suficientemente deprimidos, então mais deprimidos ficam, quando o líder, em vez de apontar o caminho da glória, perde tempo a dizer que os rivais é que são bons e a manifestar-se culpado por não ter comprado jogadores por falta de tempo (o que anda a fazer a estrutura do futebol do Sporting que se manteve toda?...), responsabilizando o plantel supostamente escolhido por Paulo Bento pela fraqueza do futebol leonino. Percebemos, assim, que o ex-bracarense César Peixoto tenha agradecido o convite do Sporting, mas que tenha preferido ir jogar para o Benfica.
No fundo, no fundo, José Eduardo Bettencourt continua a exprimir tiradas ao nível daquelas com que nos brindou durante a sua campanha eleitoral. Com as quais ninguém se incomodou. Quem não se lembra, por exemplo, do "Sporting à FC Porto", do "Paulo Bento forever" ou do "enganei-os a todos"?... Como se vê, Bettencourt tem, de facto, uma enorme facilidade de expressão... Ora, é bom lembrar que os peixes costumam morrer pela boca...

A pré-temporada de Sporting, FC Porto e Benfica

A PRÉ-TEMPORADA DO SPORTING

04-07-2009: Sporting-Atlético Cacém, 3-0
11-07-2009: Sporting-Nottingham Forest, 0-1
18-07-2009: Sporting-Feyenoord, 1-2
21-07-2009: Guimarães-Sporting, 2-2
29-07-2009: Sporting-Twente, 0-0 (oficial)
04-08-2009: Twente-Sporting, 1-1(oficial)

CURIOSIDADES
O Sporting foi a primeira equipa a iniciar os trabalhos de preparação. Entre os chamados “três grandes” é a equipa que regista menos jogos nas pernas. Num mês, entre 4 de Julho e 4 de Agosto, fez apenas seis jogos, dois deles oficiais. Contabiliza apenas uma vitória, registou três empates e já conta com duas derrotas. Marcou 7 golos e sofreu 6. A equipa leonina marca 1,17 golos por jogo. E sofre em média um golo por jogo. Regista três empates consecutivos. Não perde fora de casa. A única vitória (3-0) aconteceu no primeiro jogo-treino, na Academia de Alcochete, frente ao modesto Atlético do Cacém. Liedson ainda não marcou. Apesar do balanço negativo e do mau futebol, o Sporting foi apurado para o “play-off” de acesso à Liga dos Campeões. Vai defrontar os italianos da Fiorentina.

A PRÉ-TEMPORADA DO FC PORTO

11-07-2009 FC Porto-Tourizense, 3-1
15-07-2009 FC Porto-Leixões, 3-1
18-07-2009 FC Porto-Mónaco, 3-0
23-07-2009 FC Porto-Dínamo Bucareşte, 1-0
27-07-2009 Lyon-FC Porto, 0-2
29-07-2009 Besiktas-FC Porto, 0-0
31-07-2009 Aston Villa-FC Porto, 2-1
09-08-2009 FC Porto-Paços de Ferreira, 2-0

CURIOSIDADES Em menos de um mês (entre 11 de Julho e 9 de Agosto), o FC Porto realizou um total de 8 jogos, um dos quais oficial. Conquistou o primeiro troféu oficial da temporada: a Supertaça Portuguesa. Registou 6 vitórias, um empate e uma derrota. Marcou 15 golos (uma média de 1,88 por jogo) e sofreu apenas 4 golos (média de 0,5 por jogo). Sofreu a única derrota com um adversário da primeira liga inglesa. Marcou sempre mais de um golo em partidas com equipas portuguesas.

A PRÉ-TEMPORADA DO BENFICA

12-07-2009 Sion-Benfica, 2-2
13-07-2009 Benfica-Shakhtar Donetsk, 2-0
16-07-2009 Benfica-Atlético Bilbao, 2-1
18-07-2009 Benfica-Olhanense, 2-1
21-07-2009 Benfica-Atlético Madrid, 1-2
24-07-2009 Benfica-Sunderland, 2-0
26-07-2009 Ajax-Benfica, 2-3
01-08-2009 Benfica-Portsmouth, 4-0
02-08-2009 V. Guimarães-Benfica, 0-2
08-08-2009 Benfica-AC Milan, 1-1 (5-4, g.p)

CURIOSIDADES O Benfica é o campeão da pré-temporada. Ganhou três torneios (Guadiana, Amesterdão e Guimarães) e a Eusébio Cup. Fez 10 jogos, tendo registado 7 vitórias, 2 empates e apenas uma derrota. Marcou 21 golos (uma média de 2,1 por jogo) e sofreu 9 (uma média de 0,9 por jogo). Não perde há cinco jogos. Marcou golos em todos os jogos. Ganhou a equipas de seis ligas estrangeiras diferentes, incluindo a italiana, a espanhola e a inglesa. Foi a equipa que mais vezes jogou na pré-temporada, tendo realizado 10 partidas em menos de um mês (entre 10 de Julho e 8 de Agosto).

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O aristocrata falido

Quatro anos de pancada nos responsáveis do Sporting, incluindo Soares Franco e Paulo Bento, deixaram-me com medo de morder a própria língua. De maneira que foi de coração aberto que rumei na semana passada a Alvalade, para assistir ao Sporting-Twente.
Sim: eu sabia que o miserabilismo das épocas anteriores se mantivera durante a elaboração do plantel para a nova temporada. Sim: eu já percebera que isso de José Eduardo Bettencourt ter começado a apelar à emoção representava apenas uma mudança de discurso, não de políticas. Sim: eu não tinha qualquer ilusão quanto à possibilidade de um grupo de jogadores que há dois ou três anos se vinha mostrando desprovido de génio e de força ter, entretanto, engolido a poção mágica de Astérix. Mas esperava, pelo menos, alguma ambição. Alguma vontade, algum empenho – algum, vá lá, do sonho cultivado pelos sócios que se deixaram encantar com a nova linguagem oficial. E não o encontrei.
Não o encontrei nem vou encontrá-lo. Escrevo antes de concluída a pré-eliminatória da Liga dos Campeões, mas sei que nem uma vitória esmagadora na Holanda mudaria o que quer que fosse. Eu li os jornais do defeso e vi os jogos da pré-época. Mais do que isso: eu tenho muitos defesos e muitas pré-épocas acumulados na memória. E sei duas coisas. A primeira é que o Sporting não tem jogadores: não tem um lateral que seja, precisa de pelo menos um central de categoria, não pode dispensar uma solução suplementar para cada uma das alas – e, de resto, quanto ao ataque, ainda vamos a ver o que vale Caicedo. A segunda, e muito mais importante, é que o Sporting não tem desejo. Tanto colectiva como individualmente, virou uma coisa penosa: um monte de gente a quem disseram que era preciso meter um golo, mas que não chega sequer a perceber porque é que isso de meter um golo é tão importante.
Quem olha a partir daqui, início de Agosto, são mais nove meses iguaizinhos aos últimos anos: frustração atrás de frustração, um ou outro brilharete para disfarçar, mais frustração atrás de frustração. E, tanto quanto posso prever, ainda bem que Jorge Jesus já não está no Sp. Braga, que assim sempre temos a corrida ao terceiro lugar menos dificultada.
Obama pode anunciar o fim da crise quantas vezes quiser: a crise do Sporting, aquela que é sua e de mais ninguém, continuará. Porque não é económica, é estética. O Sporting que esta dinastia inventou apaixonou-se pela imagem do aristocrata falido. Acha-a charmosa, até elegante, seguramente superior. E cultiva-a. Não contrata jogadores nem se mistura com quem os contrate. Se pudesse, inventava mesmo um campeonato só para si: um campeonato em que seria sempre campeão e último classificado ao mesmo tempo – um campeonato, aliás, em que não haveria campeão nem último classificado, apenas um grupo de garbosos rapazes que dão sempre o seu melhor, mas que, de qualquer maneira, um dia destes vão ter de acabar com a brincadeira, pois há muitos negócios para gerir.
Sim: José Roquette e Dias da Cunha e Filipe Soares Franco e José Eduardo Bettencourt e a maioria dos senadores que os acompanharam ao longo destes quinze anos não fizeram outra coisa senão transformar o Sporting naquilo que ele havia conseguido evitar ser durante décadas: um clube de queques. Um country club orgulhoso do seu ténis e do seu golfe e do seu bridge, mas persistentemente derrotado ao ténis, ao bridge e ao golfe por esses clubes arrivistas que nunca perceberam o que significam o ténis, o bridge e o golfe e se põem, tontos, a cultivar o mérito, essa estúpida mundanidade.
No meio, está Paulo Bento. Contente, talvez até orgulhoso, o que é o mais triste de tudo. No country club onde trabalha, não passa do professor de ténis – e ao professor de ténis de um country club, já se sabe, não resta outro destino senão ser desejado pelas senhoras e, no fim, exemplarmente castigado pelos homens. Cá em baixo, entretanto, espera-o a massa informe. Os sócios. A princípio, haviam-no visto como uma esperança: um de entre eles que, a certa altura, é chamado ao convívio do Olimpo. Mas foi ele o rosto da derrota e do desespero – e o seu corpo há-de ser arrastado pela vila, a reboque de uma carroça. E, então, os senadores voltarão a receber a aclamação do povo, que no fundo nunca perdeu a disponibilidade para dar a vida por ele. Na verdade, isto não é um sistema novo: funciona há milhares de anos em muitos lugares do mundo. E, embora ele quase nunca tenha trazido mais do que a fome e o ranger de dentes, sabe deus como à metade de cima desse sistema nunca faltou pão na mesa.

Joel Neto, "Notícias Sábado", 8 de Agosto de 2009
Obs. - Título adaptado pelo LEÃO DA ESTRELA

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Troféus e programas de emagrecimento

Oficialmente, a nova temporada futebolística começou como acabou a anterior: com o FC Porto a ganhar e a somar títulos, agora com a ajuda do ex-sportinguista Silvestre Varela no ataque. Venceu o Paços de Ferreira, por 2-0, com o guarda-redes pacense também a ajudar com uma determinação impressionante, e levou mais uma Supertaça de Portugal. Nada de novo, portanto.
Neste fim-de-semana, registo também para o Benfica, que ganhou mais uma taça (a quarta da temporada, salvo erro). Desta vez ganhou a taça do Eusébio, ao vencer o AC Milan no desempate por grandes penalidades. Até já me garantiram que, na primeira jornada da Liga, mesmo antes do jogo frente ao Marítimo, o Benfica vai receber a taça de campeão nacional 2009-2010!...
Quanto ao Sporting, à falta de vitórias, sobressaem outros temas. Para combater a gordura da picanha e dos líquidos que combinam com essa deliciosa porção de carne extraída das vacas, os brasileiros Pedro Silva e Rochemback vão ser sujeitos a um programa especial de emagrecimento (um problema crónico, no caso do médio, para o qual, ao que parece, nem a esposa nutricionista tem solução). E Stojkovic poderá jogar num clube chamado Kavala. Fica na Grécia.

domingo, 9 de agosto de 2009

As boas entradas de Caicedo

A contratação de Felipe Caicedo, por empréstimo, parece ter sido acertada. Bastaram 30 minutos na Holanda numa situação de desvantagem para percebermos que Caicedo tem qualidade suficiente para desmentir o apelido. E mais: sabe falar. Já o vimos, em momentos diferentes (quando chegou e agora a propósito do jogo com o Twente), a referir-se aos adeptos do Sporting de forma muito afectuosa. Coisa que não é habitual, mais a mais em jogadores que acabam de chegar de outras paagens... Cheira-me que é dos tais jogadores cujo valor do passe (menos de 10 milhões de euros, segundo veio a público) seria capaz de ser um bom investimento para o Sporting. É evidente que é cedo para falar com segurança, mas Caicedo está no bom caminho.

A mercearia leonina

Como aqui se escreve, e ao contrário do que tem dito Paulo Bento - que tem manifestado satisfação com o grupo de jogadores que formam o plantel do Sporting -, parece que há mais um reforço para contratar, mas que só virá depois da eliminatória com a Fiorentina (faltando saber se será um reforço para a Liga dos Campeões ou para a... Liga Europa). Dizem que se trata de um médio. Mas, nesta altura, não faria mais falta ao Sporting um novo treinador?...
Entretanto, Romagnoli lá rescindiu o contrato, com a Sporting SAD a dar-se por contente só por deixar de pagar o dinheiro dos ordenados até ao fim do contrato com o jogador. Por solucionar continuam os casos de Stojkovic e de Purovic. Os dois juntos ganham mensalmente mais ou menos aquilo que ganha o treinador. É aquilo que podemos classificar como rendimento zero com lucro máximo garantido. FOTO: "Record"

Raul Solnado, 1929-2009

O humor de Raul Solnado não era do Sporting, nem do Benfica ou do FC Porto. Era de todos os portugueses! Como os foras-de-série do futebol, Solnado em palco era a expressão máxima da alegria e da criatividade que suportam existências que, como a sua, são eternas. Por isso, na verdade, Raul Solnado não morreu.
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