sábado, 21 de agosto de 2010

Os fatos de Costinha

1997 não foi ano de Mundial nem de Europeu. Mas houve um acontecimento extraordinário no futebol português, com a transferência de um desconhecido do Nacional da Madeira, então na 2.a divisão B, para o estrangeiro. O nome? É muito comprido. Abreviemos para Costinha.
"Assinei por cinco anos com o Valência", contou ele ao "i" há uns dias. "Mas o mundo desabou quando me encontrei no hotel com o Jorge Valdano [na altura, treinador do Valência e agora dirigente do Real Madrid]. Disse-me que era uma contratação do presidente [Francisco Roig] e não dele. Ele queria um trinco como o Guardiola do Barcelona ou o Redondo do Real Madrid. Não estava preparado para suportar essa carga de exigência do treinador [despedido na terceira jornada, com zero pontos em nove possíveis]. Então, pedi ao meu empresário para me colocar noutra equipa. Acertei a saída com o presidente e tive a possibilidade de ir treinar ao Mónaco. Eles queriam um médio e a primeira opção não aceitou sair do clube, o Paulinho Santos, do FC Porto. Fui eu e, no final do segundo treino, o Tigana [treinador do Mónaco] perguntou-me se queria ficar. Respondi-lhe: ''Claro que sim.''"
É aqui, no Verão de 1997, que a vida de Costinha muda significativamente. Cresce como atleta, ao ponto de começar a ir à selecção nacional com a frequência de outros nomes mais mediáticos como Figo e Rui Costa, e vira modelo para os restantes companheiros. E modelo no sentido de elegância e admiração no balneário mais chique da Europa. Aparece então a alcunha de Ministro, que ainda lhe assenta que nem uma luva.
"O Henry [Thierry, avançado do Mónaco e da França] era danado para a brincadeira. Como eu ia de fato para o treino todos os dias, ele começou a chamar--me de ministro. A alcunha espalhou-se por todos os companheiros e pegou. Alcunhas há muitas mas essa ficou. Até hoje."
É verdade. Ainda hoje, Costinha, grande fã de James Bond, carrega esse nome, agora por força do contacto diário com a imprensa portuguesa como director de futebol do Sporting.
O "i" apanhou-o em seis dias diferentes e fotografou-o com seis fatos. Seis dias e seis fatos, soa-lhe a pleonasmo? Mas não é. Há um mês, Costinha falou com o jornal "Expresso" e vestiu três fatos durante a entrevista (tem mais de 50 completos em casa, além de carros e relógios "cheios de pinta"). O gosto pela elegância, ao estilo de um agente secreto, dá-lhe para isto. E para governar o Sporting. Que teima em continuar sem vestir nada para cobrir os maus resultados.

FONTE: Jornal "i", 21-08-2010
Obs - Título da responsabilidade do LEÃO DA ESTRELA

6 comentários:

Anónimo disse...

misturar fato com ténis é prova infalível de labreguice.

Luis Magalhães Pereira disse...

É caso para dizer:

"O Ministro vai nu..."

Joaquim Varela disse...

E pessoalmente fatos de muito mau gosto. Então a combinação fato/camisa costuma ser de bradar aos céus, muitas vezes com riscas/quadrados à mistura.

Mas gostos não se discutem... Lamentam-se!

Joana Santos disse...

É um bom parolo para ir às sopeiras ao Colombo aos Domingos.

Nuno Trindade disse...

Mandem este gajo embora e vão mas é buscar o Luís Freitas Lobo, que conhece muito melhor o mercado mundial de jogadores e não é tão azeiteiro!

Anónimo disse...

eh pá, isto é mesmo ' fait divers '... vamos mas é fazer qualquer coisa pelo nosso clube e deixar os fatos do homem... que, como em tudo, uns gostam outros não!

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