sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Memórias do "leão" Mário Wilson


"Quando cheguei a Portugal
foi para jogar no Sporting."


Em 1951, o Lille afastou o Sporting da final da Taça Latina. O outrora leão Mário Wilson relembra o amadorismo da época, quando só se treinava três vezes por semana. Já lá vão quase 60 anos. Na altura a grande prova da Europa do futebol denominava-se Taça Latina.
Em 1950, o vencedor tinha sido o Benfica, mas em 1951 o Sporting queria imitar a graça do seu rival. Para isso teria de ultrapassar o Lille nas meias-finais a realizar em Turim, Itália.
Sem Peyroteo, que se tinha transferido para o Belenenses, o Sporting deu oportunidade a dois jovens reforços provenientes de Moçambique que viriam a ser figuras ilustres do futebol português: Juca e Mário Wilson. Na frente de ataque pontificavam quatro dos célebres cinco violinos - Vasques, Jesus Correia, Travassos e Albano.
"É uma sensação brutal recordar esse tempo", diz, com emoção, Mário Wilson ao DN. "Vim substituir o Peyroteo, cheguei a Portugal com o Juca, um estilista da bola", afiança o homem que nessa temporada fez 14 golos, os mesmos que Jesus Correia e menos 20 que… Vasques. "Poucos se lembram que quando cheguei a Portugal foi para jogar no Sporting. Sobre o Lille, na época era uma equipa relativamente famosa… e profissional. Do jogo, o primeiro, tenho ideia de que houve um atraso, chegámos na véspera à meia-noite, o que era normal por causa dos transportes…", lembra.
O Sporting empatou a primeira partida a um golo e o encontro teve mesmo de terminar porque as equipas não desempatavam e a luz artificial era algo que não existia. No jogo de desempate, os franceses, mais frescos, pois tinham chegado a tempo e horas a Itália, golearam 6-4 (após prolongamento), com três golos de Vasques (e outro de Caldeira) para os leões. E termina aqui a relação entre Sporting e Lille, que acabaria goleado na final pelo AC Milan (0-5).
A verdade é que desse duplo encontro saiu uma história. Vários clubes italianos e, inclusivamente, o Benfica tentaram contratar o "violino" Vasques, mas Ribeiro Ferreira, presidente do Sporting à altura, convenceu o avançado a permanecer aumentando o seu vencimento para 1200 escudos. Mas não ficou por aí. "Segundo sei, ajudou o Vasques a montar um negócio de frigoríficos do qual o Travassos foi também sócio. Era uma situação habitual. O Sporting ajudava os seus jogadores, que não eram profissionais, a terem bons empregos", refere ao DN o actual presidente da Assembleia Geral do Sporting, Dias Ferreira.
Mário Wilson confirma o amadorismo. "Só treinávamos três vezes por semana. Tínhamos um inglês como treinador, o Randolph Galloway. Não falava português, mas achávamos piada às suas expressões. Sabia dinamizar um grupo que já era fantástico", remata. (...)

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