sábado, 2 de outubro de 2010

Búlgaros em Portugal. De Kostov a Yordanov




15 anos após ter saído, Balacov
ainda é considerado o último
grande número 10 do Sporting.

Sabe quantos búlgaros há actualmente no principal escalão português? Não vale a pena pensar muito porque dificilmente conseguiria dizer um nome. O mercado búlgaro deixou de ser alvo dos clubes portugueses e esta época não há um único jogador a perpetuar uma tradição que teve em Kostov (Sporting) o principal fundador em 1982.
Nem sempre foi assim. Recuando 20 anos, encontramos 12 futebolistas búlgaros em oito das 20 equipas do então Campeonato Nacional. E ainda não havia Iordanov, por exemplo. O futebol búlgaro era apetecível e FC Porto e Sporting lançaram-se à descoberta. Pinto da Costa e Sousa Cintra não sabiam mas estavam a contratar dois dos melhores estrangeiros que passaram pelo país.
Às Antas chegou Emil Kostadinov, um avançado de 23 anos que actuava no CSKA Sófia ao lado de Stoichkov e Penev. Pelo adversário de hoje do FC Porto, chegou a uma meia-final da Taça das Taças. Pelos dragões, tornou-se numa das maiores ameaças do futebol português. Até 1994/95, marcou 44 golos em 117 jogos e conquistou três campeonatos nacionais, apesar de na última temporada só ter estado em dois encontros.
Rui Jorge, colega da equipa de Kostadinov no FC Porto, recordou ao "i" a importância que o búlgaro tinha no plantel: "Era um jogador que se destacava pela velocidade. Era muito rápido no contra--ataque e isso fazia diferença. Além do mais, era um exemplo, tanto no jogo como no treino." E Balakov? "Nunca joguei com o Balakov mas deu para perceber o impacto que teve no clube quando lá cheguei (1998/99), pela empatia que tinha criado com os adeptos".
É caso para isso. Balakov não era um avançado, mas também tinha veia goleadora, culpa dos livres directos e penáltis. Cadete foi durante muito tempo o principal beneficiário das assistências do criativo búlgaro: "Era o alimento do avançado. Tinha uma capacidade técnica notável e depois destacava-se nos lances de bola parada. Foi um dos melhores estrangeiros que passaram pelo futebol português, sem dúvida."
Ao contrário de Kostadinov, não teve sucesso colectivo, conquistando apenas uma Taça de Portugal em 1994/95, no ano de despedida, antes de sair para o Estugarda. Ainda assim, aquele jogador de 24 anos que Cintra contratou ao Etar Tarnovo em 1990 continua a ser considerado o último grande número 10 do Sporting.

FONTE: Rui Pedro Silva, jornal "i", 30-09-2010
Obs. - Título da responsabilidade do LEÃO DA ESTRELA

11 comentários:

Jota disse...

Resumir a veia goleadora de Balakov aos livres e aos penalties é um disparate. Até porque, se bem me lembro, ele falhava alguns penalties. Balakov, o melhor estrangeiro que vi jogar no Sporting, marcou golos de toda a maneira e feitio: de cabeça, de pé esquerdo, de pé direito, quase de meio campo, depois de passar por 5 ou 6 adversários, de canto directo, debaixo de nevoeiro intenso... Dificilmente voltaremos a ter um jogador daquele calibre num futuro próximo. É uma pena ter deixado Alvalade apenas com uma Taça de Portugal.

J. disse...

Há sempre alguma tendência para mi(s)tificar o passado: os jogadores de outrora é que eram grandes, enormes.

Não, a ideia não é atacar as qualidades indiscutíveis do Balakov, passar-lhe a reputação por um ácido qualquer que inicie a sua erosão.

A ideia é simplesmente relembrar que o Balakov, como infelizmente tantos outros no historial que recobre os últimos cinquenta e tal anos da vida do "nosso" clube, tendia a soçobrar nos momentos capitais. Falhou (não foi só ele; mas ele também) no aziago (e muitíssimo amargo) jogo do título em Alvalade em Abril de 94; falhava sistematicamente, i.e. apresentava um rendimento invariavelmente abaixo dos mínimos aceitáveis contra o FCP (nem sequer me lembro de alguma vez ter "molhado o bico" nos jogos contra o rival do Norte).

Moral da história? O que é bom para a vista - vê-lo jogar era de facto (habitualmente) um regalo para a vista - nem sempre é bom para a honra colectiva e para a auto-estima individual.

LEÃO DA ESTRELA disse...

AMIGO J. - Perante o FC Porto dos anos de 1990 todos soçobravam, mesmo que o adversário não fosse o FC Porto... Raul Águas, uma vez, após uma derrota nas Antas por 3-2, disse: "Fomos um bocado passarinhos...". Pois, "passarinhos" é termo. E a coisa dura até hoje, estando mais actual do que nunca...

LEÃO DA ESTRELA disse...

Raul Águas era, evidentemente, o treinador do Sporting Clube de Portugal...

Anónimo disse...

O Balakov foi no seu tempo um dos melhores jogadores do mundo.
Em 1994, ano em que o SCP ganhou a Taça de Portugal e podia/devia ter ganho o campeonato, o Balakov foi eleito para o 11 ideal do mundial dos EUA.
Em 1994, o SCP tinha no plantel outro grande craque que viria a ser o melhor do mundo, alguns anos depois, Figo. E tinha aquele que tinha sido considerado como o melhor jogador do mundo júnior, Peixe.
Zico

Mandrake disse...

Pareceu-me ver Iordanov na assistência no passado jogo Sporing - Levski.

Terei visto bem?

Este jogador, para além da sua classe em campo é um exemplo de vida. Dava um filme a forma como ele, por duas vezes, recupera de um acidente e de uma doença que podia deixá-lo numa cadeira de rodas, e prosseguiu a sua carreira.

Era um dos que sentia a camisola.

Um exemplo.

Anónimo disse...

Quando me recordo do Balakov e olho para o cenário actual no que toca aos "critérios" de contratações, a única certeza que tenho é que desta maneira não se voltaram a descobrir Balakovs.

Pai da Leoa disse...

Em 1994, no ano do Mundial americano, o n/ Clube não ganhou a Taça; isso aconteceu um ano mais tarde.

E de facto, o K. G. Balakov, escondia-se nos jogos ditos grandes... então com o FCP... meu Deus! Já o Kosta, fogo, era nesses prélios que ele partia tudo... então, em Alvalade (entre 90/91 e 93/94, marcou sempre!!)... o Bala, nunca marcou ao FCP... e aos lamps, o golo do nevoeiro aos 12 segundos, a chapelada ao belga na lixeira velha e a redução de penalty para 3-6...

...podia ter sido ainda melhor!!!

Anónimo disse...

Para mim, foi o melhor jogador estrangeiro que eu vi jogar, e tenho 32 anos.

filhote disse...

O Balakov era extraordinário jogador.

Porém, o melhor estrangeiro que vi jogar no Sporting foi o Keita. Inesquecível!

Saudações benfiquistas!

Anónimo disse...

Sim, de facto, em 1994 o SCP não ganhou a taça tendo sido finalista vencido pelo FCP numa funalíssima.
Zico

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...