sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Jordão tinha pendurado as botas. Mas voltou...

Aos 35 anos, Jordão voltou ao futebol para jogar no Setúbal de Malcolm Allison, ao lado de Meszaros e Manuel Fernandes. Uma equipa de proscritos leoninos que chegou ao quinto lugar. Faz hoje 23 anos...

Ágil e felino, Rui Jordão foi mais uma pérola achada em África. Quando jogava no Sporting de Benguela, os leões de Portugal quiseram contratá-lo, mas não se chegaram à frente, razão pela qual o Benfica, astuto, aproveitou para o ter na sua equipa, a troco de 30 contos.

Jordão entrou directamente para os juniores. Uma época depois (71/72), subiu aos seniores pela mão de Jimmy Hagan. Estreou-se nas competições europeias (4-0 ao Wacker) e só depois na I Divisão (2-1 ao Beira-Mar). Com Eusébio na recta final da sua carreira, os adeptos apostavam em Jordão para ser o sucessor do rei. Obviamente, nunca chegou lá, mas foi apresentando argumentos, como o título de melhor marcador do campeonato, em 1976, com 30 golos em 28 jogos! Daí à cobiça dos estrangeiros foi um passo. Estrasburgo, Racing White, Betis e Bayern Munique quiseram-no, mas o Benfica fechou sempre as portas... até surgir o convite do Saragoça, no Verão de 1976. Mas os problemas físicos denunciados pelo médico (embora ignorados pelo presidente) e, sobretudo, as invejas do paraguaio Arrua, a ex-estrela da equipa, criaram, desde logo, um grande mal-estar, razão pela qual permaneceu apenas uma época em Espanha. Quando pediu ao Benfica para regressar, viu negada a sua pretensão. O Sporting ficou então com ele e não se deu nada mal. Tal como a selecção portuguesa, que se qualificou para o Euro-84 à conta de um penálti da sua autoria frente à URSS. E os dois golos frente à França no tal jogo do nosso descontentamento, nas meias-finais, em Marselha.

Com Manuel Fernandes, garantiu mais dois títulos de campeão nacional, a acrescentar aos quatro conquistados pelo Benfica, sem esquecer o seu segundo título de melhor marcador, em 1980, com 31 golos em 29 jogos. Em Alvalade, era um ídolo e por lá ficou até Maio de 1986. Nessa época 1985-86, incompatibilizou-se com o treinador Manuel José e não jogou os últimos dois jogos do campeonato (Benfica e Salgueiros), substituído por Ralph Meade. O seleccionador José Torres queria convocar Jordão para o Mundial-86 mas este, de candeias às avessas com Manuel José, não foi chamado para o México. Nem ele, nem Manuel Fernandes, que se sagrou melhor marcador do campeonato nacional dessa época. Mas se Manuel Fernandes continuou no Sporting, como capitão, já Jordão pendurou as chuteiras, aos 34 anos. Parecia uma decisão definitiva. Parecia...

Um ano depois, no Verão de 1987, foi a vez de Manuel Fernandes sair de Alvalade, rumo ao V. Setúbal, treinado pelo inglês Malcolm Allison, o tal que levara o Sporting à dobradinha (campeonato nacional e Taça de Portugal) em 1982. Estes dois mais o guarda-redes húngaro Meszaros eram três ex-sportinguistas a conviver no mesmo balneário e chamaram um quarto elemento: Jordão. O avançado demorou mas lá aceitou o convite. "Durante cinco meses treinou connosco, para recuperar a forma física. Acabou por assinar", conta um orgulhoso Roger Spry, numa alusão ao dia 12 de Novembro de 1987, quando Jordão fechou contrato com os sadinos. "Ele estava tão bem preparado que ainda fez duas épocas. Aliás, duas grandes épocas", garante o preparador físico inglês que estava a começar a dar nas vistas no Bonfim, pelos seus treinos excêntricos, com música. Desta vez, ele não nos está a dar música. Com 35 anos, Jordão estreou-se no Bonfim, com um golo (1-3 com o Chaves). Com 36 anos, em 1988-89, despediu-se à grande, com o V. Setúbal a acabar o campeonato em quinto lugar, a três pontos da Taça UEFA (ou do Sporting, como preferir). Só à sua conta, Jordão marcou 11 golos, em 36 jogos - igual a Aparício e melhor que um tal Cadete (oito). E então sim, pendurou as chuteiras. Definitivamente.

FONTE: Rui Tovar, jornal "'i", 12-11-2010

7 comentários:

Anónimo disse...

Foi só, e é ainda o meu maior ídolo do Sporting, graças a ele sou Sportinguista.

aNNóNNimo disse...

Mas o Rui Tovar é jornalista (bom equilibrado, e ISENTO, por sinal!) ou arqueólogo do "seu" (dele!) e, por enquanto, ainda "vosso" Sporting ?!

Para os 'empalados' que continuam a historieta que o Eusébio foi "roubado" ao Sporting, LEIAM e ENTENDAM o 1º parágrafo deste texto e substituam 30 por 100!

Pudget disse...

Sou adepto portista fervoroso, mas faco uma venia a este artigo. Cresci a amar futebol de verdade, o digno, aquele que se joga em campo e nas nas secretarias e aos telefones. Cresci a coleccionar os cromos da Panini e lembro-me deste Jordao de que ja so ouvira falar sempre coisas muito boas.

Aqui aprendi muito sobre o jogador e ate sobre o futebol da epoca, num artigo tao bom e com tal impacto que por momentos cheguei a sentir-me Sportinguista (passe o exagero e sem querer faltar ao respeito a ninguem).

Cumprimentos


www.contingentetuga.blogspot.com

Anónimo disse...

E a alegria que eu tinha quando o Jordão me saía nos cromos da bola!

Agora tenho algumas garrafas de vinho!

Vem aí o Natal, preferia um Jordão a um pinheiro escolhido pelo ps.

Anónimo disse...

Joao Rocha Jr Sporting Movimento de apoio a Joao Rocha jr a Presidente do Sporting.

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SPORTING PRECISA DE TODOS OS VERDADEIROS SPORTINGUISTAS

Anónimo disse...

Grande Jordas. Espectacular e fino jogador, autêntico felino. Que saudades da dupla com o teu amigo e também grande Manel. Ulisses.

Schmeichel disse...

O meu grande ídolo de infância! Enorme!

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