terça-feira, 23 de novembro de 2010

Mário Wilson: única expulsão foi no Sporting

Esta foto da ASF é uma relíquia leonina. Da esquerda para a direita, o técnico inglês Randolph Galloway (único treinador a ganhar três campeonatos seguidos no Sporting), o guarda-redes Azevedo, o avançado Wilson e o defesa Vieirinha.

Dono de frases que ficaram na história, como "quem treina o Benfica, arrisca-se a ser campeão" ou "se não confiasse no Benfica, ia vender preservativos para o Rossio", Mário Wilson é um treinador de inegáveis méritos, com carreira longa e de sucesso.
Além de levar a Académica a um inédito e nunca mais visto segundo lugar no campeonato de 1966-67, foi para o Benfica em 1975. Uma época rendeu-lhe o título nacional numa acérrima e inesperada disputa com o Boavista de Pedroto, que ficou a dois pontos. Em 1978, alcançou o ponto mais alto da sua carreira, à frente da selecção nacional.
Em Setembro de 1979, convocou nove portistas para o particular com a Espanha, em Vigo, a oito dias do Milan-FC Porto, da segunda eliminatória da Taça dos Campeões. Ganhou dois inimigos de peso (José Maria Pedroto e Pinto da Costa) mas seguiu o seu caminho. Depois de muitas experiências em variadíssimos clubes, incluindo no estrangeiro (Marrocos), seria chamado para o Benfica por Artur Jorge, que, coincidência, Wilson fora buscar para a Académica dos juniores do FC Porto, em 1967. Com a saída de Artur Jorge, o adjunto tomou conta da equipa e levantou a Taça de Portugal em 1996 (3-1 ao Sporting, na final do verylight), repetindo o feito de 1980 (1-0 ao FC Porto... de Pedroto), aquando da segunda passagem pelos encarnados. Isto é Mário Wilson como treinador.
Mas o que vamos agora (des)escrever é Wilson como jogador. E ele que foi um jogador de grande envergadura física, com nome feito no Sporting (1949-51) e na Académica (1951-63). De Moçambique, chegou ele no Verão de 1949, para fazer esquecer o grande Peyroteo, ainda hoje o melhor marcador na história do campeonato nacional com 330 golos, mais dez que Eusébio. Quando chegou à metrópole, com apenas 20 anos, Wilson impressionou de imediato pela compleição física, fortalecida pela prática de basquetebol, atletismo e voleibol em Lourenço Marques (agora Maputo), além do futebol no Desportivo. Na época de estreia, Wilson somou mais golos (23) que jogos (21), correspondendo assim à figura de herdeiro de Peyroteo.
Na segunda época, a pontaria já não foi a mesma (ainda assim, 14 golos em 19 jogos), salpicada pelo mau génio de que resultou uma expulsão, a primeira de um jogador do Sporting frente ao FC Porto, no campo do Lumiar, a 15 de Outubro de 1950. Os leões ganharam 3-0 mas a jogar com dez toda a segunda parte. Logo aos 12 minutos, Mário Wilson entrou duro sobre Pinto Vieira, que foi assistido fora do relvado por três minutos. Nesse período, trocou empurrões com o central Carvalho. A troca de galhardetes resultou numa entrada em campo enfurecida de Pinto Vieira, que empurrou Wilson e este respondeu-lhe com um murro. O árbitro Augusto Pacheco, de Aveiro, expulsou o avançado leonino, que serviu uma suspensão de três jogos, castigo nada habitual para aqueles tempos. "Voltarei mais forte", profetizou. E ei-lo ainda aí, a gozar de um prestígio inabalável e intocável. É o grande capitão, que mantém esse posto apesar dessa expulsão, a sua única na carreira em 280 jogos.

2 comentários:

Jota disse...

Mário Wilson substituiu Peyroteo no Sporting em 1949. Peyroteo tinha apenas 30 anos, mas o Sporting não lhe quis renovar o contrato e aumentar o salário, pelo que foi mais produtivo para Peyroteo terminar a carreira e receber o lucro do jogo de homenagem que lhe iriam realizar. E em 1949/50, o Sporting, que vinha de 3 títulos consecutivos, perdeu o campeonato para o Benfica. Depois venceu mais 4 de seguida. Ou seja, se Peyroteo tivesse ficado pelo menos mais um ano no Sporting podíamos ter conquistado 8 títulos consecutivos, um recorde quase impossível de bater. É fácil de ver que a política desportiva prejudicial ao clube já vem de longe, no Sporting.

Anónimo disse...

Daaaaasssss.
Aproveitam tudo para uma bicada de malvadez.
Já agora está uma lampada fundida algures no estádio.
Malandros da direção.

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