quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Sporting inovador em tudo, até nas luvas...

Jaguaré. O primeiro guarda-redes
a usar luvas em Portugal
foi do Sporting Clube de Portugal


Carvalho (1966), Meszaros (1982), Damas (1986), Ivkovic (1990), De Wilde (1998), Nélson (2002) e Ricardo (2006). O Sporting já teve guarda-redes para todos os gostos e feitios, e sete deles até foram a Mundiais, mas nenhum foi o primeiro a usar luvas em Portugal, o primeiro a cuspir na bola antes dos penáltis e o primeiro a provocar adversários nos balneários. Esse foi Jaguaré, o brasileiro que jogou no Sporting entre 10 de Novembro de 1935 e 5 de Abril de 1936.
Naquele período, Jaguaré fez sete jogos pelo Sporting, ganhou seis e perdeu um, com o Benfica (1-2), mas sagrou-se campeão de Lisboa, numa altura em que a época futebolística abria com os regionais e fechava com o Campeonato de Portugal (precursora da Taça de Portugal). A sua estada em Portugal serviu apenas de ponte de passagem para o Marselha, uma vez que o Sporting apostava mais no jovem Azevedo (20 anos), com Dyson (23) a suplente. Já com 30 anos, Jaguaré não se fixou em Portugal.
Longe iam, portanto, os tempos em que ele se impunha na baliza do Vasco da Gama para qualquer pretendente a guarda-redes. Quando alguém se apresentava no São Januário para uns testes, Jaguaré inventava o exercício dos livres directos. Assim que o rival se colocava no meio da baliza, Jaguaré rematava com tanta força que o punha K.O. No dia seguinte, o pretendente não aparecia e assim Jaguaré mantinha-se a titular absoluto.
Foi assim, aliás, que se sagrou campeão carioca em 1929, com uma equipa de luxo: Jaguaré; Brilhante e Itália; Tinoco, Fausto e Mola; Pascoal, Santana, Russinho, Mário Matos e Oitenta e Quatro (sim senhor, havia um jogador chamado Oitenta e Quatro, que já não foi a tempo de ir ao Europeu de França).
Esse Vasco, que deu 7-0 ao Flamengo, fez então uma excursão pela Europa e Jaguaré, com o seu estilo inconfundível, foi logo contratado pelo Barcelona. De lá, vítima de preconceito (foi o primeiro negro a jogar pelos catalães), foi para Lisboa.
Os seis meses no Sporting garantiram-lhe, como já vimos, um título e tantas histórias. Numa delas, com o Benfica, cuspiu na bola antes de um penálti. O gesto confundiu Aníbal José, que atirou por cima. O árbitro mandou repetir o lance, sabe-se lá porquê. Jaguaré voltou a cumprir o seu ritual e Aníbal José atirou para defesa do guarda-redes, que agarrou na bola, ou a bichinha como ele a chamava, e fê-la rodar com o indicador. No balneário, houve problema com os benfiquistas. O futebol, para ele, era um circo. E bastava vê-lo entrar em campo para perceber isso. Porque, corre a lenda, Jaguaré dormia sempre até dez minutos antes do início do jogo e só entrava em campo depois de colocar a cabeça debaixo do chuveiro de água fria.
Outro momento inesquecível: no seu último jogo pelos leões, com a Académica, no Campo Grande, o guarda-redes saiu da área para travar um contra-ataque dos estudantes e iniciou um ataque com toda a calma do mundo. Detalhe: ele já tinha sido avançado e defesa na adolescência, por uma equipa amadora.

PENÁLTI Em França, Jaguaré atingiu o estatuto de super-estrela mundial. Não somos nós quem dizemos, é a revista "Sport", de 22 de Julho de 1938. "Aos 22 minutos, Laurent, back do Metz, fez um penálti. Para surpresa de todos os espectadores, Jaguaré, do Marselha, abandonou o seu posto na baliza, encaminhou-se para o "goal" adversário e colocou-se diante da bola. Quando o árbitro apitou, bateu o penálti e ouviu-se uma exclamação da assistência. Bola ao canto e golo. Foi um lance sensacional. Um guarda-redes a marcar um golo a outro. Jamais houve um caso destes no nosso país. Mas isso não foi tudo. Aos 73 minutos, Jaguaré defendeu um penálti de Donzelle com um salto formidável. Pela sua actuação na decisão, Jaguaré recebeu as felicitações do presidente de França.
Em 1941, Jaguaré volta para o Brasil, com receio de ficar na Europa durante a Segunda Guerra Mundial, mas cai em decadência. Entrega-se ao vício da bebida e envolve-se em lutas de rua. Numa delas, com três polícias, em Santo Anastácio, interior paulista, acaba por morrer. É enterrado como indigente, sem luvas.

FONTE: Rui Tovar, jornal "i", 10-11-2010

31 comentários:

Anónimo disse...

MAS QUE SAGA A DO JAGUARÉ. Mas ele era mesmo negro? mais parece bronzeado de copacabana.

Anónimo disse...

nem com dois golos fantasmas ganhamos !!!! O jogo com o Guimarães teve o dedo do nosso amigo corrupto do norte....mas mesmo assim não conseguimos atingir o objectivo principal.....que não é ganhar o campeonato ....mas sim ficar á frente do Benfica !!! Em vez de querermos a vitória do Benfica para encurtar a distancia entre nós....o que preocupa é se o Benfica perca!! somos tristes e assim vamos felizes para o fim da nossa associação.

Jota disse...

História muito interessante, que desconhecia completamente, embora já tivesse ouvido falar no nome Jaguaré. Belos tempos, em que os jogadores de futebol tinham bastante piada. Hoje, tirando um ou outro caso excepcional, só têm a pose. Por dentro são completamente ocos.

Gabriel disse...

Atenção, o antigo Campeonato de Portugal foi o precursor do Campeonato Nacional e não da Taça de portugal.
Gabriel Almeida

Anónimo disse...

é luvas e relvados!

Anónimo disse...

Acho que não. Acho que o Leão tem razão: era nos moldes da Taça.

Campo Grande disse...

É luvas, é relvados, é o primeiro jogador português numa selecção da Europa, é o único clube a ganhar uma Taça das Taças, é o clube com o avançado que mais golos marcou na Europa (Yazalde), é a academia, é director desportivo ao estalo com jogador, é a SAD, é a demolição de um estádio lindo trocando-o por um estádio sem condiçõe spara a prática do futebol, enfim, é só inovações... Umas muito boas, outras muito más...

Nuno Caetano disse...

Caro Gabriel Almada,
Concordo a 300% com o que diz.
A maior parte dos analistas diz que o Campeonato de Portugal foi o antecessor da Taça por se disputar em sistema de eliminação directa. Porém, nessa altura, era a prova maior do calendário futebolístico nacional.
Interessa dizer isso para depois se defender que os "Campeonatos das Ligas" atribuíram título de campeão. Para que um certo clube fique com mais títulos do que deve...

Calhordas disse...

O Campeonato de Portugal passa a Taça de Portugal em 38-39 e o Campeonato da I Liga passa a Campeonato Nacional da 1ª Divisão também em 38-39.

Anónimo disse...

Campo Grande esqueceu-se de acrescentar que:

É o primeiro clube português a participar no primeiro jogo da taça dos campeões europeus, sem ser campeão, frente ao partizan de belgrado.

É o clube que detem o recorde de golos marcados numa competição europeia

Que teve o jogador que mais golos marcou em Portugal e que ainda hoje tem a maior média golos marcados por jogo no mundo, o mais que injustiçado e esquecido Fernando Peyroteo.Indubitavelmente o maior ponta de lança português de todos os tempos.

É o clube com um dos jornais mais antigos do mundo.

É o único clube dos chamados 3 grandes que não foi "apanhado" nas escutas relativas ao processo apito dourado.

É o clube que perde mais pontos quando os adversários directos também os perdem.

É o clube que mais adeptos perdeu.

Que perde finais europeias em casa quando só a Roma tinha cometido tamanha proeza.


É o clube que teve a 1ª claque em Portugal, corria o ano de 1976, e que segundo consta, se vendeu por completo a José Eduardo Bettencourt no ano de 2009.

De facto coisas boas e muito más.

JEBoi disse...

é as touradas...

LEÃO DA ESTRELA disse...

Por falar em inovações, as primeiras imagens de futebol filmadas no Brasil, são precisamente de um jogo Fluminense-Sporting, na década de 1920, no Estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, onde, pela primeira vez, o clube leonino utilizou o equipamento das camisolas listadas.

Anónimo disse...

Caro LDE,

Camisolas listadas, a indumentária utilizada na equipa principal de Rugby, que foram utilizadas nessa digressão por serem mais frescas, que ajudavam a suportar o calor que se fazia sentir no Rio de Janeiro.
O equipamento principal da equipa de futebol, foi, e é aquele que nós designamos por equipamento Stromp.
Na época os atletas sentiam e dignificavam a camisola que vestiam, conheciam também a história recente do clube, ao contrário dos atletas e dirigentes que hoje passados 104 anos da fundação do Sporting são responsáveis pela auto destruição do clube que amamos.

Anónimo disse...

Também relacionado com luvas:

Foi o primeiro clube no mundo a ver um golo fantasma validado por causa da cor das luvas do guarda-redes adversário!

A sério Sporting levantem a cabeça e deixem de ser uns paus mandados do Porto, daqui a pouco já nem vcs se levam a sério!
Onde está o Sporting que eu me lembro quando era miúdo, que era o grande rival do Benfica e um VERDADEIRO CLUBE GRANDE, não o que vemos hoje, quando por exemplo um dos vossos dirigentes fica contente por o Benfica perder mesmo significando que o Titulo ficou mais longe! A sério, será que não vêm para onde se dirige o Sporting, é tempo de sair da sombra do Porto! LUTEM CONTRA O BENFICA, como é natural, MAS LUTEM COMO HOMENS!

Quando o Sporting defrontar o Porto, eu quero que o Sporting ganhe, não porque sou Sportinguista, mas porque isso é o melhor para o Benfica, mas isso sou eu que sou um FANFARRÂO!

Anónimo disse...

"No balneário, houve problema com os benfiquistas. O futebol, para ele, era um circo."

E assim os benfiquistas tiveram de se tornar em amestradores de lagartinhos!

aNNóNNimo disse...

Gabriel Almeida

Não afirmes aquilo que não sabes.

Eu como benfiquista, creio saber a razão dessa falsa afirmação ... !

aNNóNNimo disse...

LdE

Desculpa a pilhéria, 'acordada ortográficamente' ...

... listadas...'listradas'... ou
simplesmente ... litradas

aNNóNNimo disse...

Nuno Caetano**

Fui ver o que se passou e como compreendo o teu 'desespero', a tua 'dor de coto'...!

Não me lembro qual das Direcções da F.P.F - curiosamente pós-25 de Abril(??!!) - 'atribuiu' esses mesmos campeonatos ao FCP o de 34/35, o primeiro (e que terá sido sonegado ao Benfica!)* e ao SLB os 3 (três) seguintes.

Entendo o modo como essa Direcção da FPF - curiosamente pós-25 de Abril(??!!) - legalizou uma prova em que todos jogaram contra todos. UM VERDADEIRO CAMPEONATO!

Não 'entendo' como é que os foram
'subtraír' - curiosamente pós-25 de Abril(??!!) - ao teu 5p0r71ng, que os disputou sem vencer um único...!

No esparramar estulto do teu ódio incontido pelo Glorioso, presumo que te daria muito mais jeito, a confirmação por parte dessa mesma Direcção da F,P,F - curiosamente pós-25 de Abril(??!!) - duma prova por eliminatórias - UMA VERDADEIRA TAÇA DE PORTUGAL - a que antes do lançamento da Liga, designavam por 'Campeonato de Portugal'.

Tanta dificuldade na 'entrega' - curiosamente SÓ pós-25 de Abril- aos clubes vencedores e a quem de direito, desses campeonatos...!

Para quem como vós afirmais a cada passo 'dominava' as estruturas do futebol, como é possível?!
Mas, então não era o o S. L. e Benfica, o clube do Regime?!

A LIGA foi organizada pela mesma entidade que deu o pomposo nome de 'campeonato' a uma prova por eliminatórias, com mais equipas, como ainda hoje acontece...na Taça de Portugal.

E dessas 4 (quatro) 'Taças de Portugal', o Benfica ganhou uma e o Porto outra e não como tentas induzir pelos teus super-campeões das dúzias...o 5p0r71nggggg!!!!

* Caso para admirar e que também te poderei relatar ...

** Curiosamente o teu apelido faz lembrar algo ou alguém, mas não deve ter nada a ver com o 'velho regime'...

Joaquim Varela disse...

@ Gabriel

O Campeonato de Portugal foi de facto o antecessor da Taça de Portugal, pois era uma competição disputada em sistema de eliminatórias sucessivas, até chegar à final disputada entre 2 equipas.

@Gabriel e Nuno Caetano (especialmente para este)

O campeonato da I Liga que teve 4 edições é que existiu anteriormente ao Campeonato Nacional da 1ª Divisão como prova a 2 voltas, por pontos no sisteme de todos contra todos. Já que o Nuno Caetano parece perceber tanto da história do nosso futebol, lanço-lhe daqui um repto:

1-Como é que as equipas participavam no Campeonato da I Liga entre 1934/35 e 1937/38 ecomo é que participavam nas edições do Campeonato da 1ª Divisão até meados da década de 40? Mais concretamente que critérios tinham as equipas que cumprir para nelas participarem?

2-Quantas equipas participavam nestas 2 provas (I Liga e Camp. Nacional da 1ª Divisão)?

Depois de responder a estas 2 questões, facilmente chegará à conclusão que mais vale estar calado que dizer disparates! A menos que seja mesmo uma questão de embirração...

Joaquim Varela disse...

Ah, e já agora caro Nuno Caetano, gostaria que me indicasse uma única diferença entre os 4 CAmpeonatos da I Liga disputados entre 1934/35 e 1937/38 e os CAmpeonatos Nacionais da I Divisão disputados entre 1938/39 e 1945/46.

Mas dizer o nome da prova não vale, ok? Tem de ser outra coisa qualquer!

Anónimo disse...

inovadores até na submição em relação aos porcos do porto !!!


sócio 23786

Nuno Caetano disse...

Joaquim Varela,

Eu sei bem como era disputado o Campeonato de Portugal e as 4 "Ligas" antes do Campeonato Nacional.

Passando às suas perguntas:

1) As equipas ganhavam o direito de participar nos Campeonatos das Ligas e, posteriormente, no Campeonato Nacional (até 1945/46) de acordo com as classificações que tinham nos respectivos campeonatos regionais. P.ex.: no Campeonato de 38/39 participaram as 4 melhores classificadas de Lisboa, as 2 melhores do Porto, o campeão de Setúbal e o de Coimbra. Só a partir de 1946/47 passou a ser instituído o regime de subidas e descidas.

2) Depende. Nas 4 Ligas participaram apenas 8 clubes. No Campeonato Nacional da 1ª Divisão participaram 8 na 1ª edição, mas na 2ª já participaram 10 (porque o Porto, campeão em título, de outra forma não seria apurado para o campeonato nacional em virtude da má classificação no Regional). Na 3ª edição (40/41) voltou-se a 8 e em 41/42 a 12, para na época seguinte voltar a 10, o que se manteve até 45/46 quando se voltou às 12. Quer que continue?

Disparates diz quem quer ver nisto apenas uma questão clubística para arrogar-se ao direito de dizer que tem 32 títulos.

Eu quero apenas que se traduza na "História do Futebol" a verdade dos factos que não é essa que você (com essa arrogância estúpida e mal educação) quer impingir aos outros

Nuno Caetano disse...

Joaquim Varela,

Digo-lhe uma diferença. A grande diferença. Mas faço-o nas palavras de Henrique Parreirão (1º centenário do futebol português, livro da FPF - pág. 118): «A questão nunca se levantou pondo em causa dos campeonatos da Liga, que foram importantes, tiveram a sua história, mas nunca foram considerados, oficialmente, nacionais. Nas quatro épocas em que se realizaram, a prova número um foi o Campeonato de Portugal. E, claro, que não podia de modo algum proclamar-se, na mesma época, um campeão de Portugal e um campeão nacional. Seria um absurdo.

Isso nunca esteve em causa a nível oficial. Em causa esteve, sim, o esclarecimento pedido por Ricardo Ornellas, no momento oportuno, e posteriormente, por outras entidades a que a Federação respondeu, acabando com todas as dúvidas e confusões: São campeões de Portugal todos os clubes que ganharam esta prova, propriamente dita, de 1921/22 até 1937/38 e serão campeões nacionais os clubes que vierem a ganhar a competição, organizada em novos moldes, a partir de 1938/39».

Nuno Caetano disse...

E continua ainda Henrique Parreirão: «Depois de tudo isto que se passou e se encontra documentado, como o mais válido testemunho nos arquivos da Federação e nos jornais da época, ninguém pode alterar ou desviar o curso da história, oficialmente regulamentada pelo organismo máximo, mandatado pelas Associações para gerir os destinos do futebol português.
Concordar ou não com as decisões tomadas está no pleníssimo direito de cada um. Alterar a história, não.»

Aliás, estava previsto para a 1ª edição do campeonato nacional que o apuramento se fizesse com base nas classificações obtidas nos campeonatos distritais e que na segunda edição ficassem automaticamente apuradas as equipas do 1º ao 7º lugar e que a equipa que ficassem em último teria de defrontar num jogo o campeão da II Divisão.

Nuno Caetano disse...

Termino a dizer ao Joaquim Varela e ao aNNóNNimo, que sou, com muito orgulho, neto de um benfiquista, trabalhador do campo, homem rude e severo, infelizmente já falecido. Das poucas recordações que tenho da casa dele contam-se um mealheiro com o emblema do Benfica e um poster do Benfica dos anos 60 (onde a Lena D'Água estava junto a seu pai), guardados carinhosamente pelo meu irmão.

Graças ao meu pai e ao meu irmão, sou sportinguista, com muito orgulho também, mas NUNCA o meu pai me ensinou a ter ódio por ninguém ou nenhum clube. Nem mesmo incontido...

Como sportinguista que sou, a coisa que mais quero, a seguir às vitórias do meu clube, é que o Benfica e o Porto percam. A rivalidade com o Benfica é obviamente maior, pelas questões históricas e de proximidade. Nada mais que isso...

Ódio, raiva e nojo provocam-me, isso sim, comentários como os vossos, que apenas com base numa frase minha (que teve tanto de provocatória como de verdadeira) extrapolam (inclusive para a política), insultam e agridem (um de vós, ainda por cima, sob a capa do anonimato) quem não conhecem de lado nenhum.

Anónimo disse...

sócio 23786


Meu caro, 'submissão' escreve-se com 2 'esses'.

Pode ser um de Sporting e o outro de Sport Lisboa ...eheheh!

Joaquim Varela disse...

Caro Nuno Caetano, retenho que está bem informado sobre a história do futebol português. Ainda bem.

Claro de não podia haver um Campeão de Portugal e um outro Nacional. Por isso havia um Campeão de Portugal e um campeão da I Liga.

Resta-me assim constatar o que eu já sabia - que a única diferença entre os 4 CAmpeonatos da I Liga e os Campeonatos Nacionais da I Divisão até ao ano de 1946 é o NOME! Repito: A ÚNICA DIFERENÇA É O NOME! Ambas as provas se disputavam a 2 mãos todos contra todos apurando-se na altura as equipas pelos campeonatos regionais.

Quando tentou explicar a "grande diferença" saiu um balão de ar vazio com justificações "morais" (era importante mas deixou de ser basicamente...) para mim sem sentido.

Se isto lhe provoca ódio, raiva e nojo lamento...

Nuno Caetano disse...

Joaquim Varela,

Quando Henrique Parreirão diz, em relação aos campeonatos da Liga que «nunca foram considerados, oficialmente, nacionais» e que a FPF, na altura, respondeu «são campeões de Portugal todos os clubes que ganharam esta prova, propriamente dita, de 1921/22 até 1937/38 e serão campeões nacionais os clubes que vierem a ganhar a competição, organizada em novos moldes, a partir de 1938/39» parece-me que fica bastante clara a diferença: A DIFERENÇA É QUE OS CAMPEONATOS DA LIGA, POR NÃO SEREM OFICIAIS, NÃO PODERIAM CONFERIR O TÍTULO DE CAMPEÃO.

Portanto, não poderão contar como títulos nacionais tal como os campeonatos nacionais de 38/39 em diante.

A diferença (fundamental, digo eu, reforçando aquilo que o caro Joaquim Varela não quer ver) é que a entidade responsável pelo futebol em Portugal não conferia carácter oficial às Ligas. Por isso, não me parece que nenhum dos clubes que as ganhou as poderá contabilizar como título nacional...

Também não se pode dizer, como o faz o Joaquim, que a diferença "até 1946 é o nome" porque em 1946 não houve nenhuma "mudança de nome".

Em 1938/39 é que houve uma reformulação do quadro competitivo nacional da altura e passou a haver duas provas nacionais: Campeonato e Taça de Portugal.

Se isto é um «balão de ar vazio com justificações "morais"», quem lamenta sou eu. Eu e, pelos vistos, o Henrique Parreirão, o único (ou dos poucos) que vi a defender que se não se pode alterar o rumo da história.

O que me provoca "ódio, raiva e nojo" é que se tente tornar isto numa questão clubística e arranjar todos os argumentos para "aumentar" os títulos nacionais de determinados clubes.

E teria esta opinião na mesma na eventualidade de o Sporting ter ganho as 4 Ligas.

Porém, receio que, nesse quadro, esta questão não se levantaria...

Joaquim Varela disse...

Caro Nuno Caetano

O que o HP diz que a FPF respondeu na altura, mostra bem o amadorismo que sempre andou nas nossas provas. Então a FPF diz que serão Campeões Nacionais os clubes que vencerem a nova prova, organizada em novos moldes? Lá está, que nova prova? Que novos moldes? Palavra de honra que como novo só encontro o nome... E esta é a única clara diferença que eu encontro. E e toda a gente que se der ao trabalho de pesquisar.

Em 1946 passou a haver descidas e subidas de Divisão e terminaram os apuramentos via Regionais. Esta sim é uma grande diferença. Se isto fosse assim em 1938/39 eu até era capaz de ter outra opinião,mas não foi assim. E não se mudou de nome, de facto - Manteve-se Campeonato Nacional da I Divisão.

O que diz o H.Parreirão a esta distância temporal para mim é um balão vazio. Não sei quem o senhor é, nem me interessa, para ser sincero. É a opinião dele, vale o que vale. Tal como a minha, que vale o que vale. Se achas a opinião dele importante, força!

Para mim entre 1934/35 e 1938/39 disputaram-se 4 Campeonatos da I Liga, nos mesmos exactos moldes dos que foram disputados entre 1938/39 e 1945/46, por pontos, a 2 voltas, todos contra todos. Eram organizados/reconhecidos pela FPF?! Não, mas e estes de agora são organizados por quem?

A esta distância temporal, muito honestamente estou-me a borrifar o que dizia a FPF na altura. Um era Campeão de Portugal e não podia haver 1 Campeão Nacional?! E então não se consideram aquelas 4 épocas somente por uma questão de pormenor/onomástica? Para mim isto não passa disso mesmo, dum pormenor e quase se assemelha aos substerfúgios/pormenores de justiça que se utiiza sistematicamente no nosso país para justificar o injustificável (seja no desporto, seja noutras áreas da nossa sociedade).

Para mim os 4 Campeonatos da I Liga devem ser acrescentados aos Títulos de Campeão Nacional, pelos clubes que os venceram, tal como nunca percebi porque é que não se adicionam os títulos de "Campeão de Portugal" aos da "Taça de Portugal", que para mim são uma e a mesma prova, que mudou de nome em 1938/39 que sempre se disputou por sorteio, a eliminar, passando o vencedor para a ronda seguinte. Tanto uma prova como a outra sempre se disputaram desta forma, com esta ou aquela modificação.

A mim não me provoca ódio, nojo e raiva tornar isto uma questão clubistica, apesar de muito gente o fazer. Eu não a levo nesse sentido, mas antes porém daquilo que me parece lógico, sem explicações frágeis (de pormenor), como a que deste desse tal H.Parreirão. Provoca-se um certo desconforto, isso sim, pois isto para mim nem tem discussão. O CP/Taça deviam ser considerados uma única prova e a I Liga/CN I Div/SL/etc, etc uma outra, pois são bastante diferentes e consistentes na sua forma de dispita ao longo do tempo e qualquer um vê isso. Se a FPF (ou quem quiser) acha uma coisa diferente, isso para mim são "peanuts".

Joaquim Varela disse...

"quem vier a ganhar a nova prova, organizada em novos moldes.."

Que nova competição? Que novos moldes?

Em 1946 é que a coisa mudou passando a haver subidas e descidas de divisão. Porque a passagem de Campeonato da I Liga para CN I Div, foi só mesmo mudar o nome. O facto de ser organizado pela FPF, para mim é irrelevante. Se para ti é importante, força, apesar de achar que estás errado.

Muito honestamente não sei quem é (nem me interessa saber) quem é este H.Parreirão, mais as suas justicações de pormenor e/ou onomásticas.

A esta distância temporal, parece-me bem claro que I Liga/CN I Div/SL/etc e o CP/Taça P. deveriam ser consideradas uma e a mesma prova. Para mim são-no.

Estas justificações do HP mais parecem os truques/subterfúgios juridicos que muitas vezes são utilizados n a nossa justiça para justificar o injustificável (não só no desporto, mas na nossa sociedade no geral).

Nuno Caetano disse...

Joaquim Varela,

Quanto à forma de disputa dos campeonatos (que para ti são necessariamente em «poule» e nunca por eliminação directa) digo-te que o 1º campeonato italiano (1898) foi disputado neste sistema (com 4 equipas - meias-finais e final). O 1º e os seguintes...

Como diz o Henrique Parreirão (se não sabes quem é procura saber antes de, mais uma vez, teceres considerações...) cada um tem direito à sua opinião.

Mas como achas que o facto de as Ligas não serem reconhecidas pela FPF como oficiais é irrelevante, "I rest my case"...

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