sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Sporting sintético

O Sporting lucrou 10,5 milhões de euros no primeiro trimestre desta época, contra prejuízos no ano passado; mas está a ficar para trás em receitas. É um paradoxo: o clube, por ser gerido responsavelmente, está a apequenar-se.
O lucro vem da venda de jogadores, incluindo a de Moutinho. Foi um bom preço, mas quem ficou com um “patrão” foi o Porto. E o Sporting vai baixando assistências.
Como outros, o Sporting está refém da banca. A diferença é que o Benfica e o Porto continuam a pedir crédito e a tê-lo contra a expectativa de receitas de risco: Champions (de onde o Benfica está eliminado, para mal dos seus credores) e venda de jogadores. Ao contrário, o Sporting tem sido zeloso e responsável.
Mas esta “boa gestão financeira” está a ser madrasta. Como demonstrava o “Público” no sábado, Porto e Benfica estão a descolar do Sporting, que perde bilheteira e patrocínios. “Mais duas épocas assim e o Sporting pode começar a aproximar-se mais do Braga e Guimarães que do Benfica e Porto”, afirmava Hélder Varandas, especialista em finanças do futebol.
O Sporting está a trocar o risco financeiro por outro risco: o de encarquilhar-se, ser um clube com menos custos e receitas. Enquanto isso, o Braga faturou mais na Champions que o Sporting com Moutinho.
É como a hipótese de trocar a relva de Alvalade por plástico: um raciocínio de boa gestão (face aos inultrapassáveis problemas atuais) mas sem “alma” desportiva. Mais do que um relvado sintético, o Sporting precisa de um superlativo sintético: ser Sportinguíssimo. De outra forma, pode tornar-se um pequeno clube grande.

AUTOR: Pedro S. Guerreiro, "Record". 25-11-2010

5 comentários:

Anónimo disse...

Já tinha lido e acho esta peça magnifica. Muito boa, inteligente toca no essencial do economicismo e pobreza de vistas da gestão do nosso SCP.

Luis Magalhães Pereira disse...

Excelente texto: oportuno, sucinto e objectivo.

No entanto peca por um lapso. Como Economista Pedro Santos Guerreiro não tem conhecimentos de gestão desportiva que o impeçam de cair no erro de apelidar a gestão do Sporting SAD de " boa, zelosa e responsável" mesmo reconhecendo o baixo risco a que esta se expõe - o que por si só denota uma fraca ideia de know-how desportivo.

Eu pergunto:

- A contratação da equipa técnica de Paulo Sérgio (600.000 / 2 épocas) é um bom acto de gestão?

- A contratação de Sinama Pongolle (6,5 M € / até 2013)é um bom acto de gestão?

- A contratação de Maniche (custo 0 / 1 época + 2 opção; provavelmente um dos salários mais caros do plantel) é um bom acto de gestão?

- A contratação de Pedro Mendes (1,3 M € /até 2012)um bom jogador mas com um histórico infindável de lesões, é um bom acto de gestão? É no mínimo discutível...

Para ter sucesso financeiro é preciso associar o risco à competência. Ambas as características fogem a 7 pés de JEB e Co.

Anónimo disse...

Anseio pelo dia em que JEB vá à vida dele... Só espero que ainda reste alguma coisa depois da sua passagem pelo clube.

João Rocha Jr a presidente já!!!

SL

Tite disse...

Convém dizer que isto tudo se passa com um ex-director bancário a gerir os destinos/finanças do nosso clube.

Por Amor de Deus!!!!!!!

Belerofonte76 disse...

Para cima deles, é ganhar e mais nada, temos que pensar à SPORTING!

Quanto ao apequenar-se, falta ter alguém com visão para investimentos, podemos gastar 10 milhões num jogador, mas se o vender mos por 30, ficamos a lucrar, mas só se valoriza com vitorias.

Amigos se puderem passem num blog onde me tornei um dos elementos administradores e escrevo lá algumas coisas, quis o destino que o meu baptismo fossem e dia de clássico.

Sporting Sempre

http://tiamosporting.blogspot.com/

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...