quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Couceiro traz fato discreto para Costinha

O Sporting iniciou uma nova era. Que, como uma hera, tem a ambição de trepar na classificação e reduzir um fosso crescente cavado nos últimos tempos para FC Porto e Benfica, os grandes rivais. Para isso, José Eduardo Bettencourt, presidente do clube, terminou a reestruturação do grupo e construiu um fato que será vestido por José Couceiro, o novo director-geral dos leões. Que, em paralelo, vai transformar o fato de Costinha numa peça bem mais discreta. É um facto. E, entre os mais de 50 fatos que tem em casa, o director do futebol surgiu ontem com o mais discreto na apresentação oficial do ex-técnico no FC Porto (que volta a ser seu superior cinco épocas depois): escuro, de fino corte, sem vestígios de cores que chamem a atenção ou padrões em xadrez. Tal como Paulo Sérgio, que não dispensou a gabardine azul escura própria de quem está mais ligado ao terreno. Agora, é tempo de trabalho, dizem os intérpretes. Ou seja, de todos arregaçarem mangas e vestirem o fato-macaco. Ah, já agora, e de apertarem o cinto - porque esta realidade é igual à do país.
"Não venho fazer milagres nem tenho varinha mágica para virar o que está mal", assume Couceiro, mais preocupado com "a integração rápida na equipa, o conhecimento de todos os dossiês do clube e as conversas com as pessoas que fazem parte da estrutura". "Não corrigir o que ainda está mal em primeiro lugar seria prejudicial. Preocupa-me mais que sejamos uma equipa do que uma fuga para a frente", acrescenta. Outra vez com a palavra "equipa" pelo meio, que foi quase tantas vezes utilizada como os pontos que os lisboetas registam na Liga (25). Porque a ideia é mais importante nesta fase do que falar em eventuais reforços.
Têm chegado ao clube várias propostas de empresários, sobretudo do mercado brasileiro, que está nesta fase em explosão face à cadência diária de entradas e saídas. Um mercado que o próprio Couceiro conhece e até gosta particularmente. Mas existe a hipótese de nem chegar a haver reforços na reabertura de mercado. "Não há ninguém que contrate jogadores sozinho, até o nosso presidente faz depois de conversas colegiais. Nem trago nenhuma lista de jogadores, tudo depende das necessidades e da disponibilidade porque não temos cá nenhuma máquina de fazer euros", disse, antes de criticar (de forma indirecta) os clubes que investem em dois/três reforços para conseguirem ainda chegar à Champions e aumentarem as receitas, "o que leva às vezes ao engano". Ou seja, tudo o que o Sporting fez em Dezembro de 2009, com as aquisições de João Pereira e Pongolle (nove milhões) para ficar em quarto lugar. Até porque há mais um pormenor: em 2011, o clube tem de dar 27,8 milhões de euros à banca.
Na teoria, os leões querem "funcionar de forma transversal para minorar barreiras, facilitar trabalho e aumentar a transparência". Por exemplo, na contratação de um atleta, decidida pelo núcleo duro do futebol, tem de ser ouvido José Nobre Guedes, responsável pela parte financeira, e Sousa Louro, com a pasta comercial. E há algo de bom, pelo menos como se assistiu na contratação de Couceiro: o mês e meio de contactos, bem como as cinco reuniões que teve em Alvalade, nunca saíram para o exterior. Porque é isto tão vital? Porque foi apresentado como a vitória que todos mais queriam.
Sigilos à parte, o director-geral do futebol leonino, que está abaixo de Bettencourt mas acima de Costinha, fez questão de esclarecer que "não houve qualquer pasta esvaziada". Nem mesmo a do Ministro - que Couceiro diz conhecer desde os 10 anos, quando o médio era infantil do Oriental -, que assumia quase todo o protagonismo a nível do balneário. "Coloquei uma condição para aceitar: que não seria o elemento a entrar para desestabilizar. E quero ser bem aceite por todos, apesar de ter funções de chefia. A pensar individualmente é que não vamos lá, aqui não vai existir ninguém contra ninguém", assegurou, apesar das informações recolhidas pelo i e que vão no sentido contrário às mesmas. "Este espaço que vou ocupar era do presidente e não do Costinha, logo não há nenhum esvaziar".
No final, desejos de bom Natal e Ano Novo para todos. Particularmente para os associados que fizeram questão de ver a apresentação. A linguagem mais académica de Bettencourt a explicar o novo modelo organizacional passou despercebida. Já as ideias "realistas mas não fatalistas" de Couceiro tiveram aplausos. O caminho continuará a passar pela aposta na formação e foi por isso também que o ex-técnico recusou convites da Turquia e das Arábias. Agora, é só vestir o tal fato, que servirá ainda de escudo a uma estrutura do futebol já muito desgastada.

FONTE: Bruno Roseiro, jornal "i", 23-12-2010
Obs. - Título da responsabilidade do LEÃO DA ESTRELA

8 comentários:

Anónimo disse...

Conseguem enervar um morto,com as as parvoíces de alguns comentários. Critica-se o que se tem que criticar,mas só pelo facto de não se alinhar com a monarquia já são cobras e lagartos. Vejam bem,na apresentação de Couceiro a primeira coisa que dizem dele é que é sobrinho neto de Peyroteo e não se diz nada da sua competência ou falta dela.Mesmo antes da conferência de imprensa vê-se Maurício do Vale a colocar em Couceiro um emblema do clube.Será que ele como sportinguista não teria um emblema em casa para o ter colocado antes de chegar ao estádio? Agora tem que se referir o que ele,com todo o apoio que tinha da SAD, do Paulo Abreu do charuto,só fez merda e até chegou a trazer o roupeiro do Salgueiros para secretário técnico do Sporting.

Camilo disse...

Ao "LEÃO DA ESTRE",
Um Santo e Feliz Natal.
www.ocalabote.blogspot.com
www.broncasdocamilo.blogspot.com

Anónimo disse...

Se o Couceiro vai ocupar um lugar que era do presidente, será o salário do Couceiro descontado do salário do JEB?...

40PostasPescada disse...

estás a repetir-te, embora essa cena do emblema na lapela seja uma coisa importantissíma :-)

Leão de Alvalade disse...

Boas Festas!

Anónimo disse...

Não está má a analogia dos fatos. Não era isso que se clamava? para a saída do Costinha. Despromoveu-se e vá lá... Foi um discurso realista, quer se goste quer não. Não sou nenhum santo. Ulisses

porta10a disse...

Caro Leão da Estrela,

Feliz Natal e que 2011 seja fantástico.

Marcelo Silva
Porta 10A

Fernando Vale disse...

Caro Leão da Estrela
De facto e da forma como põe a questão parece ser mesmo assim, só que:
Penso que ninguém colocará em causa o sportinguismo do nosso presidente.
Como ninguém colocou em causa o sportinguismo dos pretéritos presidentes.
Já o profissionalismo de alguns colaboradores, deve questionar-se!
O problema de fundo do Sporting, enquanto instituição, é querer ser sério.
Assim, o Sporting não conseguirá ombrear com FC Porto, SL Benfica, SC Braga, etc.
Quando houver justiça em Portugal, de certo o Sporting será campeão.
Quando o rigor financeiro for exigido a todos, nós estaremos em melhores condições.
Sim, porque querer comparar as práticas de gestão dos três grandes não será possível.
O FC Porto tem sido uma máquina de fazer dinheiro. O défice continua!
O SL Benfica tem desbaratado milhões com aquisições. O défice disparou nos últimos 5 anos!
E o Sporting? Afogado em compromissos financeiros, tem-se limitado a renegociar dívidas e a vender as "jóias da coroa".
Enquanto o futebol for uma atividade económica de "faz-de-conta" não vamos lá. Já o diria o nosso antigo Presidente António Dias da Cunha!
Saudações Leoninas do Interior e
Votos de Boas Festas,
Fernando Vale
Vila Real

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