quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A morte de Aurélio Márcio

Com a morte do minhoto de Fafe e do mundo Aurélio Márcio (1919-2010), o jornalismo desportivo português perdeu uma das suas grandes referências. Morreu aos 91 anos e ainda trabalhou até há bem pouco tempo. Já tinha mais de 80 quando esteve no Mundial 2002. Foi, aliás, o jornalista do mundo com mais presenças em fases finais de Mundiais de futebol (11), tendo sido distinguido pela FIFA por isso.
Há mais de 20 anos, andava eu a começar no jornalismo pela "Gazeta dos Desportos" e por "O Comércio do Porto", ainda me cruzei com ele em vários estádios de futebol. Quando o futebol ainda era jogado ao domingo à tarde. Mas não me atrevia a dirigir a palavra ao "senhor Aurélio Márcio", então já idoso. Tinha por ele o enorme respeito e veneração que temos pelos mais velhos que admiramos. Foi, aliás, com ele que também aprendera a ler quando "A Bola" era a preto e branco, publicava-se três vezes por semana, sujava as mãos, mas era muito bem escrita. Um jornal onde pontificavam nomes sonantes do jornalismo português do século XX, como Alfredo Farinha, Vítor Santos, Carlos Pinhão, Carlos Miranda, Homero Serpa, entre outros, além, claro, de Aurélio Márcio. Todos já falecidos.
Foram jornalistas em que acreditávamos e que respeitávamos, independentemente de sabermos o clube desportivo da sua preferência. Porque eram competentes e escreviam bem. Tão bem que ler uma entrevista escrita por Alfredo Farinha ou por Aurélio Márcio, por exemplo, nos dava mais pormenores de enquadramento e da atmosfera que rodeava a conversa do que hoje nos dão muitas das entrevistas feitas pela televisão.

4 comentários:

zigofrigo disse...

Percebe-se... os zero comentários...

Há figuras e há figurões e, normalmente, os figurões ocupam o palco principal!

Gostei!!!

Honestamente, não sei qual a cor futebolística deste grande Senhor do Jornalismo, embora já ouvi dizer que é benfiquista, e tem todo o direito!

Acima disso, está um carácter nobre e que muita falta faz ao jornalismo actual!

Mais vale tarde do que nunca!

Anónimo disse...

Apesar de benfiquista era um jornalista a sério, isento. RIP Aurélio Marcio. Ulisses

João Gonçalves Caetano disse...

Subscrevo inteiramente este post, porque mesmo sendo adepto do Sporting desde miúdo, também aprendi a ler com "A Bola". Tantas vezes o meu pai me pedia para eu ir comprar o jornal e eu lá ia, mas depois escondia-me em casa para ser o primeiro a ler todos estes "monstros sagrados" do jornalismo português. Relembro em especial o Grande Vítor Santos, chefe de redacção (e tio do Rui Santos, que também era jornalista da "A Bola"), que escrevia de uma forma admirável. Guardo a grata recordação de o ter conhecido pessoalmente e da sua enorme humildade e simplicidade quando lhe falhei das suas grandes crónicas. Não me esqueço também de uma cronicazinha deliciosa que cada um deste senhores escrevia quando era enviado especial ao estrangeiro e que se chamava "Hoje Jogo Eu". Era sempre sobre um facto, um episódio, uma peripécia do país onde estavam, mas não tinha nada que ver (directamente) com o futebol. Que grande jornal era "A Bola"!

Saudações Leoninas

JOAO ALVES DA COSTA disse...

Obrigado pelo carinho e justiça reconhecida à memória de meu Pai, Aurélio Mãrcio, um Jornalista, Cronista e Escritor invulgar, em cuja Casa me ensinou sempre o «motto» = «JORNALISTA NÃO TEM CLUBE».
O meu Pai viajou pelos cinco recantos do Planeta com todas as equipas de futebol e, tal como eu, igualmente, me ensinou, nunca foi sócio de qualquwr clube. O Pai amava a Liberdade e a Qualidade da ALTA REPORTAGEM.

Obrigado a Todos,
~
João Alves da Costa
=
joao.alvesdacosta53@gmail.com
=
Lisboa - Portugal

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