domingo, 28 de fevereiro de 2010

Uma grande vitória para Carlos Carvalhal

O Sporting fechou em grande o desastrado mês de Fevereiro. Depois da série negra de sete jogos sem ganhar, que levou a equipa leonina a perder as hipóteses de lutar pela conquista da Liga, da Taça da Liga e da Taça de Portugal, eis que, numa semana, muito mudou em Alvalade, com duas vitórias robustas (3-0) e outras tantas exibições de encher o olho: uma frente ao Everton, que permite ao Sporting continuar na Liga Europa, e, agora, sobre o FC Porto, para a Liga Portuguesa, que serviu para salvar a honra leonina, dias depois da humilhação ocorrida no Estádio do Dragão para a Taça de Portugal. Renascido, o Sporting que não marcava golos passou a marcar três por jogo. E o Sporting que tinha sofrido goleadas, já não sofre um golo há três jogos consecutivos.
O que é que mudou? Essencialmente mudou a atitude competitiva. As duas vitórias leoninas desta semana aconteceram em dois jogos intensos do conjunto de Carlos Carvalhal, pressionando no campo todo, demonstrando alegria e vontade de trabalhar, espírito de sacrifício e de conquista, uma qualidade de jogo que há muito não se via em Alvalade e, sobretudo, impondo o ritmo de jogo, fazendo o adversário correr atrás do prejuízo.
Na partida com o FC Porto, o Sporting teve sorte porque fez tudo para ter sorte. De tal maneira que os jogadores leoninos que marcaram os três golos até tiveram a participação de assistentes improváveis: Yannick Djaló foi assistido por Rolando; Izmailov foi assistido por Bruno Alves e Miguel Veloso até foi assistido por um dos postes... Portanto, a sorte veio ter com o Sporting, mas o Sporting fez tudo por merecê-la, mostrando-se uma equipa forte, coesa e muito audaz, que banalizou o seu adversário. É assim que se ganham os jogos de futebol.
Donde, Carlos Carvalhal, o treinador, que entrou no Sporting pela porta do cavalo – nem sequer foi formalmente apresentado à comunicação social... – e que tem sido um homem só num navio sem comandante – mais a mais nos últimos tempos em que se fala insistentemente na sua substituição por André Vilas-Boas – merece mais respeito e merece recolher todos os louros pelas mudanças registadas na qualidade de jogo da equipa. E merece, sobretudo, que José Eduardo Bettencourt pense bem no que disse: “Carvalhal depende dos resultados”. Bastará o quarto lugar para renovar o contrato ou será preciso vencer a Liga Europa?... FOTOS: Reuters

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Izmailov: um jogador à Sporting

Estava tudo acertado entre o Sporting e o Lokomotiv de Moscovo para a transferência do russo Izmailov. Por 6 milhões de euros a Sporting SAD iria vender um dos seus activos mais importantes, numa altura em que todos os jogadores de qualidade são necessários. O facto de a Sporting SAD ter admitido negociar o atleta foi um mau sinal, pois deu a ideia de que a equipa estava à venda muito antes de terminar a temporada. Ao que parece, foi o jogador que ponderou melhor. E o negócio não se concretizou. Num comunicado enviado à CMVM, os “leões” justificam a decisão com o facto de "não ser oportuna a transferência imediata" do jogador para o clube russo. Independentemente do real motivo da suspensão da transferência, o que interessa é que Izmailov continua em Alvalade, ele que é um protótipo de um grande profissional, dentro e fora do campo. Em suma, um jogador à Sporting.

Subida constante

Audiência do blogue LEÃO DA ESTRELA em subida constante nos últimos dois meses, segundo dados do contador Clubstat.com. Oxalá o futebol do Sporting assuma também esta tendência, agora que Costinha foi escolhido para chefe.

Uma primeira página incontornável

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Noite perfeita em Alvalade

Depois de sete jogos sem ganhar, em que o Sporting realizou exibições sofríveis e registou resultados humilhantes, a grande vitória por 3-0 sobre o Everton e o apuramento para os oitavos-de-final da Liga Europa 2009-2010 foram uma agradável surpresa para a nação leonina. Uma surpresa assente numa exibição perfeita de uma equipa bem orientada por Carlos Carvalhal, provando que o problema do futebol sportinguista não está nos seus quadros desportivos.
O Sporting desta noite soube jogar à bola, soube ser competitivo, deu espectáculo, construiu um grande resultado e cumpriu o seu objectivo. Foi uma noite perfeita em Alvalade. Mais uma vez, o destaque vai para os jogadores da formação leonina, que tão castigados têm sido por alguns críticos de serviço. Frente ao Everton, porém, deram uma resposta magnífica, a fazer lembrar outras prestações europeias em que também se exibiram em bom nível. Rui Patrício, por exemplo, voltou a ser decisivo, mostrando-se ao melhor nível quando o Everton esteve à beira de empatar e levar a eliminatória. João Moutinho encheu o campo. Daniel Carriço esteve irrepreensível no sector defensivo. Yannick Djaló, embora verde na definição de muitos lances, exibiu-se como há muito não se via. Miguel Veloso também foi preponderante, tendo sido o marcador do primeiro golo (64'), servido de forma excelente por Carlos Saleiro, acabado de entrar. Depois, há a registar mais três jogadores que deram o necessário suplemento de qualidade: Pedro Mendes (peça basilar no meio-campo defensivo e autor do segundo golo, aos 76'), Izmailov (um tremendo erro ser vendido nesta altura) e Liedson (embora tenha ficado em branco e longe do golo). Os restantes cumpriram. Matías Fernandez até foi além da expectativa do treinador, pois entrou aos 89', ainda a tempo de marcar o terceiro golo no último lance de uma partida que merecia ter sido assistida por bem mais do que os 17 mil espectadores que foram ao Estádio de Alvalade.
O Sporting que venceu o Everton por 3-0 foi um exemplo de entrega, de entreajuda, de atitude competitiva, de concentração táctica e de capacidade de sofrimento. Mais: a equipa demonstrou uma qualidade no passe e na posse de bola que há muito tempo não revelava. O Sporting banalizou a equipa inglesa (que não tem nada a ver com aquela equipa que, já esta época, tinha sido goleada pelo Benfica), teve paciência e soube esperar pelo melhor momento para desferir o golpe de misericórdia, traduzindo o domínio que evidenciava em todos os capítulos do jogo desde o minuto inicial. Em suma: com este Sporting, sim, teria sido possível lutar em todas as frentes até ao fim.
Depois de exibições e vitórias como esta, tornam-se ridículas as críticas que têm sido feitas ao futebol leonino. Mas o problema não é de quem analisa. O problema é desta equipa, que na maioria das vezes se arrasta penosamente em campo até à humilhação suprema, para nos surpreender como agora, com a melhor exibição de uma temporada para esquecer, continuando na Europa apesar da catástrofe interna. Uma equipa assim é um paradoxo. Neste caso, não faltarão paradoxos de balneário... FOTOS: Associated Press e Reuters

Costinha, o chefe que se segue

O antigo internacional português Costinha é o sucessor de Ricardo Sá Pinto na direcção do futebol do Sporting. Costinha é um sócio muito recente do clube leonino, onde nunca jogou. Mas é mais um nome associado ao sucesso do FC Porto no caminho de Alvalade. Não tem experiência na função, mas quando jogava à bola era tratado por "Ministro".

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A esperança leonina

"Esperamos que os adeptos do Sporting façam a diferença e nos ajudem a passar este obstáculo difícil. O Everton tem feito bons resultados ultimamente mas com humildade, trabalho e determinação, esperamos estar na eliminatória seguinte."
Carlos Carvalhal, sobre o jogo com o Everton, para a segunda mão dos 1/16 avos-de-final da Liga Europa, "A Bola Online", 24-02-2010

"A Liga Europa é muito importante. A equipa sente e tem uma vontade tremenda de mostrar que pode eliminar o Everton."
José Eduardo Bettencourt, Antena 1, 24-02-2010

"O FC Porto insere-se nos 10 jogos que faltam para poder garantir o quarto lugar [na Liga Portuguesa]"
José Eduardo Bettencourt, Antena 1, 24-02-2010

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Manoel: JEB ausente por "motivos pessoais"

O antigo futebolista do Sporting Manoel foi alvo de uma ação de solidariedade em Alvalade, durante um jantar, realizado esta segunda-feira, que juntou antigos companheiros de equipa e algumas figuras do clube, cuja receita reverteu a seu favor. Manoel, de 57 anos, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), há cerca de um ano, que veio agravar a débil situação financeira em que se encontrava, facto que, tendo chegado ao conhecimento do seu antigo colega de equipa José Eduardo, mobilizou um conjunto de pessoas e vontades no sentido de o ajudar nesta altura crítica da sua vida.
Estiveram presentes 140 pessoas no jantar, pelo qual, cada uma, pagou 35 euros, dos quais 30 reverteram para Manoel, a maioria das quais companheiros de profissão do seu tempo, mas também de épocas precedentes e posteriores, entre eles Manuel Fernandes, Inácio, Barão, Venâncio, Conhé, Oceano, Marinho, Carvalho, Melo, Freire, Ademar, Zezinho, Esmoriz, Cadete, Alberto, Figueiredo, Vaz e Artur Correia.
Presentes também atuais dirigentes, como Ernesto Ferreira da Silva, Dias Ferreira, Rogério Alves, Agostinho Abade e Paulo Abreu, e figuras da oposição, como Abrantes Mendes, Abílio Fernandes e Paulo Pereira Cristóvão. Ausência notada foi a do presidente José Eduardo Bettencourt, para a qual alegou "motivos pessoais".
Além do jantar, foi aberta uma conta no Banco Popular, para quem quiser ajudar Manoel poder transferir os seus donativos, e leiloados dois quadros do seu antigo companheiro de equipa Rui Jordão, que não pôde estar presente por se encontrar em Londres.
Em declarações à Agência Lusa, Manoel, cujas dificuldades em expressar-se são notórias pela sequelas do AVC, confessou-se "muito emocionado" com a iniciativa e "feliz" por "rever, conviver e matar saudades" de antigos companheiros de equipa, o que "não fazia há um século".
Um deles, o “grande” capitão Manuel Fernandes, confessou a sua satisfação por reencontrar Manoel "lúcido" e recordou um episódio quando este chegou a Alvalade: "Virei-me para o Jordão e disse-lhe: eh pá"! chegou um gajo com cabedal para levar porrada e distrair os defesas adversários da gente."
"Ele foi muito importante no sucesso daquele trio comigo, o Jordão e com o Keita, porque abria-nos muitos espaços que nós, que éramos tecnicamente mais dotados, aproveitávamos", lembrou à Lusa Manuel Fernandes, que o tratava "carinhosamente por Manoel preto".
Além das suas qualidades como jogador (“segurava a bola como poucos e era poderoso nos contactos físicos”) e profissional "sério e dedicado", Manuel Fernandes elogia as qualidades pessoais de Manoel, "sempre brincalhão, bem disposto e pronto a ajudar".
Outro companheiro dos seus tempos, Augusto Inácio, que mobilizou todo o plantel da Naval 1.º Maio, além do "staff" técnico e do próprio presidente Aprígio Santos, a contribuírem para a conta bancária de solidariedade a Manoel, também enaltece o lado humano deste.
"Como homem, quem não gostasse do Manoel não gostava de ninguém", referiu Inácio, que conta outro episódio que partilhou com ele: "Uma vez, num treino, dei um soco na coxa do Manoel e quase parti a mão. Ele, a brincar, desafiou-me a dar-lhe outro murro - era uma força da natureza”.
Quem desencadeou esta onda de solidariedade em torno de Manoel foi o seu antigo colega José Eduardo, que guarda do antigo colega uma imagem de companheirismo e boa disposição contagiante, a quem não podia virar as costas nesta altura tão complicada da sua vida. FONTE: Agência Lusa, 22-02-2010

Ainda o "caso" Sá Pinto-Liedson...

"Record", 22-01-2010

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Moita Flores e a sucata leonina

"A culpa não é do treinador [Carlos Carvalhal]. Com a qualidade dos jogadores que temos nem que tivéssemos o melhor treinador do mundo lá íamos. Fosse o Mourinho ou o Ferguson, que eu prezo muito."

""[O Sporting é] um problema de 'ovos' e de estrutura."

"[É] um paradoxo. O clube já formou dos melhores jogadores do mundo. Mas depois anda no estrangeiro a comprar sucata. Tirando o Liedson, o Moutinho ou, quando não anda preocupado com o penteado, o Veloso, a maioria são bons é para jogar no Benfica."

Moita Flores, adepto do Sporting, "24 Horas", 22-02-2010

A solidariedade com a Madeira

Cristiano Ronaldo é um símbolo da escola de futebol do Sporting Clube de Portugal. Como bom madeirense, o futebolista do Real Madrid mostrou solidariedade com a sua terra, mostrando ao mundo que não se esquece do lugar onde nasceu. Um lugar que foi destruído pela força da água da chuva e que, agora, precisa do apoio de todos para a respectiva reconstrução. Porque a vida continua. Disso não se lembrou o Sporting Clube de Portugal... Mas lembrou-se o presidente do FC Porto, Pinto da Costa, que vai organizar um jogo de solidariedade com os madeirenses, em que vai participar Cristiano Ronaldo. Sim, o tal símbolo da formação leonina. Já não bastavam os maus resultados dentro do campo. Também fora dele contamos cada vez menos, nomeadamente em causas sociais como esta. FOTO: Reuters

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Bettencourt e a gestão desportiva

O QUE O BLOGUE "LEÃO DA ESTRELA" ESCREVEU HÁ 8 MESES
(Um texto que, incrivelmente, continua bem actual)...

José Eduardo Bettencourt é apenas mais um entre os vários dirigentes da chamada “linha de Roquette” que nos últimos anos não conseguiram evitar que o Sporting fosse atirado para a pré-falência, ao terem partido de um défice de 30 milhões de euros, em 1995, que já disparou até 360 milhões (na versão conhecedora de Bettencourt).
Neste tempo, o “Projecto Roquette” construiu um estádio, mas hoje o Sporting deve quase três. Fez a Alvaláxia – prometida como um centro comercial moderno que seria a grande alavanca potenciadora de uma gestão de sucesso do estádio – mas acabou por vendê-la ao desbarato por não ter sabido geri-la. Prometeu um pavilhão e não o fez. Vendeu património imobiliário. Teve uma fábrica de talentos que produziu e vendeu, umas vezes bem, outras vezes mal, atletas como Simão Sabrosa, Hugo Viana, Cristiano Ronaldo, Ricardo Quaresma, Nani… Para além de ter negociado saídas de jogadores como Naybet, Amunike, Sá Pinto, Delfim, Aldo Duscher, Custódio, Joseph Enakarhire, Deivid…
Nestes 14 anos, o Sporting não soube rendibilizar devidamente jogadores como Nuno Valente, Caneira, Peixe, Dani, Beto, Porfírio, José Dominguez, Paíto, Toñito, Rodrigo Tello, Danny, Lourenço, Silvestre Varela, Tinga, Beto (guarda-redes), entre outros. Isto sem falar das caríssimas estrelas sul-americanas que enganaram tudo e todos nos loucos tempos de Norton de Matos. Foi por essa altura que Dias Ferreira – agora candidato a presidir à assembleia geral – patrocinou uma acção judicial contra o Sporting, em representação de Carlos Queirós, que rendeu uma verba considerável ao actual seleccionador nacional. E sem falar na frustrada aposta na prospecção internacional de jovens talentos, mais actual, que só resultou em fracassos: Yannick Pupo, Alison Almeida, Luiz Paez e Ronny, que não se afirma na equipa principal…
É a má gestão dos recursos humanos de que fala Jorge Sampaio, sendo motivo de profunda reflexão o facto de o Sporting não saber explorar ao máximo as suas potencialidades próprias, não obstante ter sido servido por tanta gente ilustre e conhecida da banca e da gestão. Tudo isto, deu resultados desportivos abaixo das expectativas. Dois campeonatos (um em cada sete anos), 3 Taças de Portugal e 5 Supertaças.
Agora, Bettencourt, que até já berra frases como “Até os comemos!”, fala em implantar em Alvalade “o modelo do FC Porto”, sem calcular como isso representa uma crítica forte ao que tem sido feito até agora no futebol do Sporting, pondo em causa o próprio Paulo Bento como treinador da equipa, não se percebendo, portanto, porque escolhe o mesmo treinador para um ciclo que apresenta como totalmente novo em relação ao passado recente. Por outro lado, está a dizer aos sportinguistas que, com Bettencourt na presidência, a subserviência face ao poder do Norte vai continuar. E a prová-lo até já disse que Pinto da Costa daria um bom presidente da Liga de Clubes.
Lá entre as duas margens do rio Douro, de onde em tempos passava a ponte rumo ao Sul e já estava a perder (enquanto hoje passa a ponte para trabalhar para os títulos em Vila Nova de Gaia), Pinto da Costa deve dar gargalhadas de contentamento, só em pensar na hipótese de o Sporting continuar a ser dirigido pelos bons rapazes do costume que, incapazes de derrotá-lo por qualquer dos meios disponíveis, querem agora imitá-lo, como quem se junta aos bons para ser como eles. Só que isso significa vender o esforço, a dedicação, a devoção e glória do Sporting a um preço muito abaixo do seu valor no mercado. Como tem acontecido nos últimos anos. A troco de umas taças e do crónico segundo lugar.
Um Sporting como está é o que interessa ao FC Porto, como esclareceu o portista Rui Moreira no programa "Trio de Ataque" (RTP) e é também o que interessa ao Benfica, como demonstra a azia do benfiquista José Manuel Delgado, de "A Bola", ao dissertar sobre um alegado "não" de Eriksson ao candidato Paulo Cristóvão. Como se Eriksson pudesse andar por aí a dizer que vai para o Sporting sem saber quem vai ganhar as eleições...
LEÃO DA ESTRELA, 03-06-2009

A concentração de Bettencourt

Ficámos a saber, na semana passada, que o Sporting vai passar a ter uma estrutura mais parecida com a do FCP. Os poderes passarão a estar mais concentrados no presidente. Que o teto da minha sala de jantar me caia já em cima se tenho alguma simpatia por Pinto da Costa. Mas até o mais cego dos antiportistas reconhecerá a competência do sujeito. Sabe comprar jogadores, sabe vender jogadores, sabe de futebol. Por boas e péssimas razões tem autoridade no clube.
Muitas cabeças pensam melhor do que uma, diz-se. A dispersão de poderes por muitas cabeças dilui responsabilidades, também se sabe. Respondo com uma lapalissada: depende sempre das cabeças. Muitas cabeças mal preparadas pensam pior do que uma boa cabeça. A dispersão de poderes por gente medianamente competente é menos arriscada do que a concentração de poderes num incompetente.
Se Bettencourt tivesse dito isto há meio ano, talvez eu comprasse, por pragmatismo, o presidencialismo, apesar de ser um pouco avesso a homens autossuficientes. Mas seis meses passados da sua gestão, não é fácil explicar como a sucessão de erros a que assistimos se resolveria na concentração do poder em quem os cometeu. A não ser que Bettencourt nos esteja a querer dizer que a culpa desses erros não é sua. E isso seria, para alem de falso, feio.
A solução dos problemas do Sporting passa por uma reavaliação do projeto que nasceu na presidência de José Roquette. A começar pelo fim da tutela de instituições bancárias sobre o clube. E para este novo caminho são precisos novos protagonistas. Sendo certo que não é em figuras com nenhuma credibilidade, em que a oposição infelizmente apostou no passado, que se encontrará a alternativa.

Autor: Daniel Oliveira, "Record", 19-02-2010
Obs. - Título da responsabilidade do LEÃO DA ESTRELA

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Sporting deve 10 vezes mais do que em 1995

Sousa Cintra deixou a presidência do Sporting com activos imobiliários superiores ao passivo
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"Em 1995, os activos imobiliários cobriam em mais do dobro o passivo do Sporting. Era este o balanço das contas antes de o clube de Alvalade entrar na era dos gestores profissionais, que mais não têm conseguido do que fazer disparar de forma galopante o passivo do clube – são quase 300 milhões de euros."
"Correio da Manhã", 20-02-2010

“Em 1995, o Sporting tinha um passivo de seis milhões de contos [30 milhões de euros], mas só em activos imobiliários [terrenos] tinha cerca de 70 milhões de euros. Visto que os activos imobiliários eram propriedade do Sporting Clube de Portugal, qual foi a assembleia geral e em que data é que permitiu a alienação da totalidade do património que existia em 1995?”
Tomás Aires, vice-presidente do Sporting entre 1989 e 1995

"A construção do novo Estádio José Alvalade foi a primeira razão para que o passivo do Sporting começasse a disparar. O estádio custou cerca de 110 milhões de euros, estava inicialmente adjudicado à Somague, de Vaz Guedes, que depois acabou por ser indemnizado pelo cancelamento da adjudicação - Godinho Lopes era o vice-presidente do Sporting que fazia a gestão do projecto do novo estádio. A construção do Alvalade XXI acabou por derrapar. Inicialmente, José Roquette previu que o estádio custaria 15 milhões de contos (75 milhões de euros), mas o recinto dos leões custou para cima dos 100 milhões."
"Correio da Manhã". 20-02-2010

"Também a Academia teve um custo acima das previsões de Roquette (o presidente estimava que custasse cinco milhões de euros e custou cerca de 15). As duas infra-estruturas – estádio e Academia – custaram cerca de 125 milhões de euros e o passivo não anda longe do dobro. Ou seja, o Sporting fez uma obra mas agora deve duas. Terá agora um acordo com a Câmara de Lisboa que lhe vai permitir receber 18 milhões de euros (parte em imóveis). Um balão de oxigénio."
"Correio da Manhã", 20-02-2010

A nulidade do costume

O Sporting empatou (0-0) com o Olhanense, no Algarve, e somou mais um jogo sem ganhar. O sétimo consecutivo, igualando a segunda pior série sem vitórias da história do clube, que aconteceu na década de 1960, precisamente numa altura em que o Sporting confirmava uma tendência: passava a ganhar o campeonato nacional com menos frequência. Este ano, vai dando para manter o quarto lugar. Mas, seguindo este ritmo, até o "objectivo" da temporada parece estar ameaçado. A equipa leonina voltou a ser a nulidade a que nos habituou. A temporada nunca mais acaba. FOTOS: Carlos Brito (Reuters)

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Luís Figo apanhado no escândalo das escutas

O antigo craque do Sporting Luís Figo apoiou José Sócrates na campanha para as últimas eleições legislativas, mas foi agora apanhado no "caso das escutas", havendo suspeitas de corrupção na negociação do apoio eleitoral de Figo à reeleição do primeiro-ministro socialista.
Segundo revela o semanário "Sol", as autoridades estão a investigar se empresas participadas pelo Estado (a Portugal Telecom e a Tagusparque) pagaram esse apoio político a Figo, à razão de 250 mil euros por ano, através de um contrato com a Fundação Luís Figo. José Mourinho também foi sondado, mas o contrato não avançou.
Independentemente da gravidade do que está em causa, esta história "pornográfica" da política portuguesa (mais uma, e a expressão até é do jovem "boy" Paulo Penedos, assessor da administração da PT, num dos telefonemas escutados...) vai certamente acabar com futuros apoios de figuras do desporto a candidatos políticos. Porque, daqui em diante, ninguém irá acreditar na sinceridade desses apoios. É bom que assim seja. Para que a nossa democracia perca tiques terceiro-mundistas. Para que o eleitor comum decida cada vez mais em função de um projecto político e não em função dos apoios que esse projecto diz possuir, ainda que tenham sido comprados, muitas vezes com o dinheiro do próprio povo, que é o que está a ser investigado em Portugal.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Pongolle: mais um barrete de Bettencourt

O Sporting Clube de Portugal foi o clube europeu que mais gastou na compra de jogadores no último mercado de Inverno. Com os resultados que se conhecem, o que prova que, também no futebol, o dinheiro não é tudo...
Um dos atletas que entraram em Alvalade foi o francês Sinama Pongolle, tapado no Atlético de Madrid e com a carreira em crise há tempo demasiado. Ainda assim, José Eduardo Bettencourt, que nesta temporada já tinha enfiado os barretes de Felipe Caicedo e Miguel Angulo, resolveu puxar os cordões à bolsa, pagando uma fortuna pelo terceiro barrete da época (6,5 milhões de euros, ou seja, um valor que torna Pongolle no atleta mais caro da história leonina, a par de Rodrigo Tello).
A verdade é que o Pongolle não tem feito outra coisa que não seja saltitar entre o banco de suplentes e o estaleiro dos lesionados. E quando joga não faz nada que valha o que ganha. Estamos perante um jogador comprado a pensar no futuro, dado que Silvestre Varela, formado em Alvalade, afinal, nunca serviria para uma equipa como o Sporting, embora, pelo FC Porto, até já marque golos ao Arsenal...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Sporting e dinheiro

João Vieira Pinto disse na RTP-N que o Sporting tinha de fazer uma opção: ou assumia que não lutava pelo título de campeão ou investia muito mais dinheiro no futebol.
Discordo totalmente: essa é a solução mais fácil. Se uma equipa está mal, injeta-se dinheiro, compram-se dois ou três bons jogadores e resolve-se o problema. Ora as coisas não são assim. Basta pensar um bocadinho para ver isso. O Braga está em 2.º no campeonato e tem certamente um orçamento inferior ao do Sporting, para já não falar nos do FCPorto e do Benfica.
Claro que há jogadores decisivos, que só por si resolvem jogos. Messi inventa golos sozinho. Drogba mete bolas que nenhum outro conseguiria meter. Mas esses jogadores fenomenais contam-se pelos dedos. O futebol é um jogo coletivo - e assenta sobretudo na organização e na dinâmica coletivas. Aí é que reside o seu segredo.
A prova está neste Benfica de Jesus, que joga o dobro do Benfica da época passada, embora tenha quase os mesmos jogadores. Simplesmente esses jogadores estão integrados numa dinâmica onde rendem muito mais.
A equipa do FC Porto também é um exemplo desta verdade. Com Pinto da Costa, o clube atingiu uma tal personalidade, uma tal estabilidade, que os jogadores (e até o treinador) passam e a equipa mantém um rendimento semelhante. E, na Europa, o FC Porto elimina ano após ano equipas com orçamentos muitíssimo superiores ao seu. Dizer que, para os resultados melhorarem, um clube tem de investir mais, é afirmar o óbvio. Só que esse óbvio nem sequer é sempre verdade...

Autor: JOSÉ ANTÓNIO SARAIVA
Fonte: "Record", 17-02-2010

Sportinguistas solidários com Manoel

O antigo avançado do Sporting Manoel, sofreu recentemente um acidente vascular cerebral e um grupo de adeptos do clube está a organizar um jantar no Estádio de Alvalade de recolha de fundos para ajudar o ex-futebolista brasileiro. O evento está marcado para a próxima segunda-feira, dia 22, pelas 20h00, no Restaurante Casa XXI, no Estádio José Alvalade, e cada participante pagará 35 euros, sendo que 30 euros revertem para o antigo companheiro de Jordão e Manuel Fernandes.
Na organização estão o antigo lateral-direito José Eduardo, que foi colega de equipa de Manoel, bem como Mário Casquilho e Graça Nunes de Carvalho. As reservas devem ser feitas pelo e-mail andreia.santos@casadomarques.pt ou pelos telefones 21 7512380, 21 7512397 ou 91 6508856. Os organizadores da homenagem disponibilizam ainda uma conta bancária para que, quem não possa estar presente no jantar, não fique impossibilitado de contribuir: Banco Popular "Auxílio ao Manoel" NIB 0046 0013 00600194227.90.
Nascido a 14 de Fevereiro de 1953, em Porto Alegre, no Brasil, Manoel ingressou no Sporting aos 23 anos, na temporada de 1975-76. Ao lado dos portugueses Manuel Fernandes e Jordão e do maliano Salif Keita, o brasileiro fez parte de uma das melhores linhas atacantes de sempre do futebol leonino, tendo sido decisivo na conquista do Campeonato Nacional da época de 1979-80, sagrando-se segundo melhor marcador da prova (12 golos) logo atrás de Rui Jordão (31 golos).
À semelhança de muitos outros avançados que passaram pelo Sporting Clube de Portugal, Manoel teve o seu dia de glória a 13 de Março de 1977, num "clássico" contra o Benfica, disputado em Alvalade, a contar para a Taça de Portugal. Um jogo memorável, onde Manoel marcou os três golos da vitória leonina (3-0).
No final da época de 1980-1981, com 28 anos e após 6 épocas em Alvalade, Manoel deixou o Sporting. Em Portugal, ainda jogou no Portimonense e no Sporting de Braga.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Dias Ferreira e Bettencourt não se entendem

O comentador da SIC Notícias Dias Ferreira, que por acaso é presidente da Assembleia Gral do Sporting, criticou José Eduardo Bettencourt por este considerar que o clube não é uma organização vencedora. Ferreira lamentou que Bettencourt não o tenha feito numa reunião leonina e tenha preferido fazê-lo diante de jornalistas. O presidente do clube reagiu em Liverpool...

"Estou em desacordo [com José Eduardo Bettencourt] e foi uma afirmação infeliz. (…) Estou mais ou menos de acordo se o presidente está a falar da SAD. A história do Sporting fala por si e prova que é uma organização vencedora. (…) [Faz falta à SAD] uma pessoa com a competência do prof. Moniz Pereira. (…) [Bettencourt] foi inoportuno, intempestivo e injusto."
Dias Ferreira, presidente da Assembleia Geral do Sporting, falando enquanto comentador do programa “Dia Seguinte”, na “SIC Notícias”, citado no "Record Online", 15-02-2010

"Estou mais preocupado com aquilo que as pessoas que trabalham no Sporting dizem. Está na altura de falarmos nas coisas como elas são. Não assumi este cargo para me refugiar na frieza. Estou aqui para dar o peito às balas e as críticas não me abalam. Respeito todos os sportinguistas."
Resposta de José Eduardo Bettencourt, “Record Online”

Liga Europa com decisão em Lisboa

EVERTON-SPORTING, 2-1 (Liga Europa, primeira mão dos 1/16 avos-de-final). A equipa de futebol do Sporting insiste em dar razão ao seu presidente, José Eduardo Bettencourt, quando este diz que o clube leonino "não é uma organização vencedora" - revelação que deixou a nação sportinguista em estado de choque, abrindo mais uma polémica em Alvalade, agora envolvendo os próprios dirigentes...
Em Liverpool, frente a um Everton que tinha vindo de uma vitória sobre o Chelsea, a equipa de Carlos Carvalhal somou mais uma derrota e o quinto jogo consecutivo sem ganhar. Um penálti "inventado" por Liedson nos minutos finais da partida, que Miguel Veloso concretizou, deu ao Sporting o balão de oxigénio que traz a discussão da eliminatória para o jogo da segunda mão, em Lisboa. Destaques positivos na exibição leonina: Rui Patrício, Pedro Mendes, Izmailov, Liedson e Yannick Djaló.
"No meio deste ruído todo, os jogadores do Sporting ainda conseguem focalizar-se. Temos a eliminatória em aberto", comentou, no final, o treinador Carlos Carvalhal, numa alusão evidente ao terramoto provocado pelas últimas declarações do presidente do clube. FOTO: Tim Hales (AP Photo)

"Bettencourt só abre a boca para dizer asneiras"

"Não sei o que vai acontecer à equipa depois das recentes declarações do presidente. Devia ter ficado mais tempo no Brasil. Apoiei-o e enganei-me. Só abre a boca para dizer asneiras e está a preparar-se para ser o pior presidente que o Sporting já teve."

"Não concordei com as contratações e é preciso que os jogadores se unam. Temos uma defesa muito baixa que vai enfrentar uma equipa que aposta no futebol direto e nos lances de bola parada. Nunca vi tanta asneira em tão curto período de tempo. José Eduardo Bettencourt está a prejudicar o Sporting. Eu peço desculpa aos sócios por lhe ter dado apoio nas eleições."

Bessone Basto, ex-atleta de diversas modalidades no Sporting e apoiante de José Eduardo Bettencourt nas últimas eleições internas, "Record", 16-02-2010

QUEM É BESSONE BASTO?

António Bessone Basto, nasceu em Algés, a 9 de Novembro de 1945 no seio de uma família fortemente ligada ao desporto. O avô paterno, Rodrigo Bessone Basto, um apaixonado da natação, leva o neto a diversas travessias do Tejo e funda um dos mais emblemáticos clubes da natação portuguesa, o Sport Algés e Dafundo.
O pai, também Rodrigo, já tinha herdado o gosto pela modalidade, e participa nos Jogos Olímpicos de Helsínquia, em 1952, como membro da equipa nacional de pólo aquático. A mãe, Genovesa Rosa, chega a praticar natação, e a irmã colecciona mesmo alguns títulos.
Foi assim com toda naturalidade que o pequeno António Bessone Basto, com apenas três anos, se inicia na natação do Algés e Dafundo.
Aos oito, para orgulho do avô, faz a primeira travessia do Tejo e aos 12 tem a primeira internacionalização. O pai passa a ser uma influência determinante, já que a certa altura assume o cargo de seleccionador nacional, mas para António isso não representa qualquer vantagem, muito pelo contrário. Certa vez sofre os efeitos de uma intoxicação alimentar, mas é "obrigado" pelo pai a cumprir uma prova de estafetas. O rigor e a disciplina não lhe diminuem a admiração pelo progenitor.
Nos anos 60 é figura da natação nacional, sagrando-se Campeão em quase todas as distâncias e estilos. Durante três anos é Campeão Ibérico das estafetas de 4x100 e 4x200 metros livres e vence duas vezes os Jogos Luso-Brasileiros.
Soma 37 internacionalizações, representando Portugal no Europeu de Leipzig, em 1961, e nas Olimpíadas de Tóquio, em 1964.
No pólo aquático defende as cores do Algés e Dafundo e Sporting Clube de Portugal.
É o atleta mais ecléctico e premiado do desporto português. Bessone Basto guarda mais de 1500 medalhas e troféus ganhos em provas de diversas modalidades desportivas, a par de distinções como a Medalha de Mérito Desportivo e a Medalha de Amizade do Comité Olímpico Português. Arrecada seis medalhas de ouro para nadador do ano, o troféu para o melhor atleta dos anos 60 e o Rugido do Leão, atribuído pelo Sporting.
Na mesma década de 60 passa a praticar andebol e a paixão que dedica às coisas torna-o num jogador de sucesso. Sagra-se vencedor de sete Campeonatos Nacionais e três Taças de Portugal na baliza dos «leões». Como jogador de campo, pelo Atlético de Algés e pela Liga de Algés, é o melhor marcador em várias competições. Representa a selecção de Andebol 45 vezes.
A pesca submarina é outra modalidade em que Bessone Basto se distingue, ao serviço do Sporting, Oriental e ACM. É 15 vezes internacional e ganha três Campeonatos Nacionais individuais, dois em duplas e dez por equipas. Internacionalmente, alcança o sétimo lugar no Mundial 75, no Peru, e o segundo no Mundo Submerso 76.
Em todas as modalidades que pratica nunca muda de clube, «onde começava, acabava. Não fazia sentido para mim estar inserido num grupo numa época, convivendo e partilhando determinados objectivos e depois, na época seguinte, defrontar esse mesmo grupo, agora noutra equipa...».
Da mesma forma e em defesa dos mesmo valores, repudia o "doping". Em três anos, é ainda campeão militar em todas as provas que disputa e participa numa Taça Ibérica de Raguebi, pelo Belenenses.
Judo, Karaté, Basquetebol, Ténis e Ténis de mesa são outras modalidades em que participa, numa vida inteiramente consagrada ao desporto.
António Bessone Basto tem como principal actividade a gestão de uma empresa que comercializa todo o tipo de produtos ligados às actividades náuticas, especialmente à caça submarina. Dirige a secção de actividades subaquáticas do Sporting há mais de uma quinzena de anos, cheios de sucessos (conquista de inúmeros títulos na modalidade de caça submarina), e de vez em quando ainda mergulha em aventuras que o levam a passar seis e sete horas dentro de água.

TÍTULOS CONQUISTADOS AO SERVIÇO DO SPORTING:
7 Campeonatos Nacionais de Andebol (1966, 1967, 1969, 1970, 1971, 1972 e 1973).
3 Taças de Portugal de Andebol (1972, 1973 e 1975).
Internacionalizações: 45 (Andebol), 37 (Natação) e 10 (Pólo Aquático).

FONTE: "Diário de Notícias", 21-08-2008

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Carlos Cruz arrasa gestão de Bettencourt

Carlos Barbosa da Cruz, ex-vice-presidente do Sporting, que foi apontado como candidato à presidência, tendo desistido em favor de José Eduardo Bettencourt, saiu em defesa da gestão de Filipe Soares Franco, arrasando Bettencourt. A guerra civil está instalada em Alvalade. Desta vez entre a própria elite dirigente, dominada pela banca, que manda no clube e que colocou Bettencourt na presidência. Será o princípio da implosão do que resta do famigerado "Projecto Roquette"?... Eis o que diz Carlos Cruz...

"Bettencourt tem tido uma gestão em que concentra os poderes, o que não está em conformidade com a tradição e prática, nem com os estatutos. Há indícios preocupantes de uma crise institucional e perda de identidade. Não me revejo no modelo de governação de Bettencourt, nem nas críticas, nem nas justificações que dá para o momento que o Sporting está a atravessar."

"Ele [Bettencourt] foi vice-presidente de Soares Franco durante quatro anos. Faz críticas e dissocia-se delas, mas foi parte integrante da estrutura. Isso não me parece correcto da parte dele."

"A SAD de Soares Franco transitou integralmente para o mandato de Bettencourt, com Paulo Bento a treinador, Pedro Barbosa como director para o futebol, Ribeiro Telles e Rita Figueira. Quem perpetuou essa estrutura foi Bettencourt."
Idem

"Não foi Bettencourt que os mandou embora. Todos saíram pelo seu próprio pé. E o pilar da candidatura de José Eduardo Bettencourt à presidência do clube foi manter a SAD inalterável.”

Carlos Barbosa da Cruz, “Correio da Manhã”, 15-02-2010

A frente europeia do Sporting

Há quem diga que o Sporting está em Liverpool para salvar a época no confronto com o Everton, para a Liga Europa. Mas haverá alguma coisa para salvar da temporada que o Sporting está a fazer? Sabedor disso e de muito mais, talvez Miguel Salema Garção tenha toda a razão quando diz que o Everton-Sporting de amanhã será apenas "mais um jogo". Enfim, o prenúncio não é o melhor.

Manuel Fernandes não quer voltar a ser enganado

“Se há três anos, os jovens saídos da formação eram jogadores com talento, era natural que agora, mais maduros, dessem outra sustentabilidade à equipa. Não houve evolução? Se não houve, então o problema é de quem dirige. João Moutinho, Veloso, Pereirinha, Adrien já não são meninos.”

“Às vezes é a equipa que globalmente não funciona e quem sofre são sempre os mais jovens. Vejam o que está a acontecer com o Rui Patrício.”

“Há muita gente com outra opinião, mas o Sporting está a correr o risco de perder um excelente guarda-redes. Vejam o que o Barcelona e o Real Madrid fizeram. Quando começaram, o Casillas e o Valdés deram muitos frangos. Estão lá há dez anos... O Rui Patrício está a começar e tem muita, muita qualidade.”

“[Regressar ao Sporting?] Tenho dois anos de contrato com o Vitória de Setúbal. (…) Tenho um contrato de 2 anos que quero cumprir. Estou feliz, numa cidade e num clube de que eu gosto e estou perto da minha família.”

“[E se tivesse um convite?] Isso não depende de mim. Recebi um convite do U. Leiria quando estava no ASA de Angola e disse que só saía se o clube o permitisse.”

“O problema [do regresso ao Sporting] é que só os adeptos é que gostam de mim...”

“Se calhar aconteceu a Carvalhal o que me aconteceu a mim [em 2000-2001]. A mim enganaram-me, ao Carlos foram honestos e disseram-lhe que ficava até final da época e que depois logo se veria. Eu nunca teria saído do Santa Clara se fosse só para ficar meia época no Sporting. Mas prometeram-me que era para ficar ano e meio. Como aconteceu em toda a minha vida sportinguista, não assinei nada. Só que quando perdi um jogo, o contrato já era só de meio ano... Bom, o que interessa é que agora estou muito feliz em Setúbal e quando posso vou ver o meu Sporting.”

Manuel Fernandes, treinador do V. Setúbal e sócio do Sporting CP, "Record", 14-02-2010

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Pensamentos profundos de Bettencourt

"Desde Fevereiro que o dr. Soares Franco estava demissionário e o clube esteve um ano parado. E depois é muito dificíl arrancar."

"Enquanto os nossos principais opositores aceleraram muito, nós perdemos três ou quatro anos em que nada aconteceu."

"O Sporting não é uma organização vencedora."

"Se o Paulo Bento cá estivesse, faríamos uma grande dupla, porque seríamos dois a dar o corpo às balas."

"Neste momento, pragmaticamente, o quarto lugar é o objectivo. Podem chamar-me o que quiserem."

"Gostava que o Sporting de Braga se sagrasse campeão nacional."

"Carlos Carvalhal depende da sorte e dos resultados."

"Começámos já a preparar a próxima época e vamos ter uma equipa competitiva."

José Eduardo Bettencourt, "A Bola", 13-02-2010

sábado, 13 de fevereiro de 2010

José Eduardo Bettencourt no seu melhor

Quem ouviu José Eduardo Bettencourt durante a campanha para a presidência do Sporting não pode ficar surpreendido com o descalabro leonino. Basta recordar o que ele disse antes das eleições, em Maio e Junho últimos, tendo, mesmo assim, conquistado 90 por cento dos votos. Muita da irresponsabilidade que liquidou a equipa de futebol do Sporting em poucos meses está nas linhas e nas entrelinhas. Ora confiram.

"Ordenado? A família disse-me que estava maluco."

"Sei o que perdi, não sei o que vou ganhar. Ainda não falei com a Comissão de Vencimentos."

"Com Paulo Bento e mais uns 'treinos' seremos campeões."

"Temos condições para ficar em primeiro no próximo ano. Paulo Bento é um guerrilheiro."

“"Uma palavra especial para Pedro Souto. Foi muito correcto. Já lhe disse que lamento por ter sido induzido em erro, mas foi tratado da mesma forma que a minha mulher, a minha família e o meu patrão, enganei-os a todos."
Referindo-se ao facto de der dito a Pedro Souto que não seria candidato

“Senti-me empurrado para avançar. Para se entrar nisto é preciso ser-se tonto.”

“[Paulo Bento] foi decisivo para eu avançar. Não é demagogia.”

“Ganhar 800 mil euros é disparate. Ganharei o que for proposto. Por ser o Sporting, faço mais de 50 por cento de desconto.”

“Tenho um convite para ser reintegrado no banco [Santander] no final do meu primeiro mandato. Não como administrador, mas como director. Mas espero ficar no Sporting, com a longevidade e saúde de Pinto da Costa.”

"O FC Porto tem um modelo eficiente de poucas pessoas, mas ambiciosas, trabalhadoras, que põem os interesses do clube acima de tudo, com uma pessoa que manda. Todos sabem qual é. O Sporting tem gente a mais a todos os níveis. Gostava de ver esse modelo e o da minha organização, com metas definidas e que no fim responsabiliza as pessoas. Haverá um emagrecimento no meu Sporting, menos gente a dar palpites.”

"Há uma vontade muito grande de se ser capaz de unir a grande família sportinguista."

"Em vez de muitíssimo vou passar a ganhar muito, pois tive de abdicar de coisas importantes. Mas esse muito continua a ser muitíssimo para o português comum. Abdiquei de metade e tiro o meu chapéu a quem abdique de cem por cento. Também podia trabalhar de borla, se ficasse com 10 por cento de cada transferência [de jogadores]. Comigo não será assim. Vou sair-vos caro, mas será tudo direitinho, a pagar impostos e a ajudar o País. Digo-vos isto à cabeça, para que tudo fique transparente."
Sobre o seu salário, falando no Núcleo Sportinguista de Portimão

"Unir e mobilizar a Família Sportinguista, em torno de um projecto responsável e ganhador, assente nos valores da ética, rigor, exigência, competência e seriedade."
Compromisso da candidatura

“Respeito esses números [20 mil euros mensais propostos pelo candidato Paulo Cristóvão como tecto salarial do presidente do Sporting]. Mas há um limite a partir do qual não consigo abdicar. Se fosse solteiro trabalhava de borla. Não sou. Defini como tecto máximo 400 mil euros brutos por ano. Não conheço muitas pessoas que tenham ido por menos...”

“Admito acrescentar contributos [ao projecto financeiro], mas este problema tem de ser atacado pela raiz, não vai lá com festinhas.”

“[O modelo do FC Porto é referência?] Do que mais gosto é o meu – menos gente no processo de decisão, mais consistência, estancar o que é necessário... A eficácia aumenta e o produto melhora.”

“[Sobre a falta de militância] temos de perceber o que está mal, a comunicação emocional tem falhado. E os jogadores têm de participar mais... Lembro-me daquela celebração de golos em que a equipa formava um círculo no meio-campo com Sá Pinto, Dominguez... Adorava ver aquilo. Galvaniza-me.”

“Os sócios têm sempre razão. E são o ponto mais importante. As pessoas serão distribuídas por várias áreas com uma outra a cobrir tudo, de forma a conseguir uma gestão mais equilibrada e racional. O modelo actual às vezes castra. É importante saber passar melhor a mensagem.”

“Temos uma candidatura com muita força, pessoas capazes e apoios significativos. E é tudo genuíno. Penso que é isso que tem cativado.”

“É a última oportunidade que o Sporting tem. É um clube bélico, existem animosidades, embirrações... É um clube que se notabilizou também pelas coisas más. De uma vez por todas, é preciso paz.”

“Os indivíduos são, de forma geral, egoístas. Um profissional de carreira curta tende a ser mais. Vou ter dificuldades em lidar com egoísmos que perturbem harmonias do conjunto mas, às vezes, nem os melhores resolvem conflitos.”

"Há muita gente que anda preocupada com querelas e mariquices, autênticos patetas com punhos de renda, que até ao dia das eleições vão inventar 50 mil coisas. Carta de ligeiros não dá para conduzir camiões. Comecem pelos iniciados e deixem os seniores para quem sabe."

Estas e outras declarações, assim como de outros protagonistas e a análise do LEÃO DA ESTRELA, podem ser consultadas clicando aqui.

Treinando para o quarto lugar

FOTO: "Record Online"

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Em defesa de Carlos Carvalhal

Caríssimo Leão da Estrela,
Sou um seguidor assíduo do seu blogue e participante activo no
Fórum SCP. Penso que estes dois espaços são uma demonstração que o Sporting está vivo e que não se restringe às pessoas que presidem, neste momento, o clube.
Envio-lhe este e-mail devido à perseguição inescrupulosa que o director do jornal
"Record" tem feito ao actual treinador do Sporting. Independentemente de sermos a favor ou contra a permanência do técnico (eu nunca fui apologista desta contratação), não deixa de ser um funcionário de um clube histórico de Portugal e que, por isso mesmo, merece todo o respeito por parte da imprensa. Uma coisa é criticar, outra é vilipendiar de forma absurda. O "Record" deixou de elaborar críticas construtivas em relação a este assunto e começou uma autêntica caça ao homem.
Por tudo isto, venho-lhe pedir humildemente, se for possível, que elabore um "post" sobre este assunto. No Forum SCP iniciei um tópico justamente sobre isto, onde defendo a necessidade de um "blackout" total ao jornal em questão. A razão deste pedido que lhe faço tem a ver com a mediatização a que o seu blog é, de forma inteiramente justa, exposto. Aqui pode ver o tópico específico sobre este assunto: Blackout ao Record. O meu muito obrigado. Saudações Leoninas!

João Ribeiro da Silva (enviado por e-mail)

Um empatezinho para o quarto lugar

Facto verdadeiramente notável desta noite: o Sporting não perdeu. Empatou a zero golos em Paços de Ferreira. Mas atenção: para manter o quarto lugar, que é o grande objectivo do momento apontado pelo digníssimo conselho de administração da Sporting SAD, pode não chegar. FOTO: Miguel Vidal (Reuters)

O embuste leonino

"O Sporting não é, não tem tiques e não tem hábitos de uma organização vencedora. Vamos ter que pedalar muito para ter hábitos de organização vencedora, a todos os níveis. Não apenas os onze jogadores que entram em campo mas todas as pessoas que devem ter uma postura, enquadramento e forma de trabalho completamente diferente."
Depois de ter dito isto, numa conversa com jornalistas, que decorreu nesta sexta-feira na Academia do Sporting, o presidente José Eduardo Bettencourt só teria uma atitude a tomar: demitir-se imediatamente. Mas não. Até repisou a sua ideia, considerando que o clube não tem "as condições necessárias para sentir que tem as mesmas probabilidades de outros para ganhar".
Ora, quem diz isto oito meses depois de ter dito precisamente o contrário em campanha eleitoral é porque falhou redondamente. Sem o saber, José Eduardo Bettencourt acabou por desferir uma dura crítica a Paulo Bento (porque, em quatro anos a ficar em segundo lugar, não conseguiu fazer do Sporting uma organização vencedora), confessando, ao mesmo tempo, que não sabia bem ao que ia quando decidiu candidatar-se à presidência do Sporting. Deste modo, voluntária ou involuntariamente (presumo que involuntariamente...), enganou os associados. A questão é que a doença agora detectada por Bettencourt não é daquelas que medram de um dia para o outro. Por outras palavras, um candidato que prometeu um Sporting ganhador à imagem do FC Porto não pode descobrir, ao fim de escassos oito meses, que, afinal, não há condições... Mais a mais tendo pertencido aos anteriores elencos directivos.
Mais do que treinadores ou jogadores o Sporting precisa de bons dirigentes. O embuste leonino está na sua cúpula dirigente. O Sporting não precisa de dirigentes que analisem a conjuntura ao sabor dos ventos para se defenderem dos seus erros. Para isso não faltam comentadores de bancada, nos jornais, na blogosfera ou em qualquer outro meio de difusão. O Sporting precisa é de dirigentes que apontem um caminho e que o alcancem. Que assumam as responsabilidades quando falham, afastando-se. E que sejam glorificados quando têm sucesso.

As férias no Brasil podem fazer mal ao cérebro

"Se o Paulo Bento cá estivesse, faríamos uma grande dupla, porque seríamos dois a dar o corpo às balas."

José Eduardo Bettencourt, "Record Online", 12-02-2010

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A troca que Carvalhal abortou

Trocar Miguel Veloso por Ricardo Quaresma para fomentar o marketing e o merchandising? Como?!... O treinador Carlos Carvalhal teria pulso sobre o irreverente jogador do Inter de Milão num balneário sem rei nem roque? Se calhar, Carvalhal decidiu bem, ao ter preferido Miguel Veloso, ou melhor, o bom Miguel Veloso da primeira parte desta temporada... Ao treinador só escapou uma coisa: há muitos neurónios lesionados no plantel leonino, o que é um dos sintomas da falta de liderança directiva...
Quanto ao facto de esta notícia ter sido agora plantada da imprensa, duas semanas depois do fecho do mercado de Inverno, cheira-me a uma estratégia bettencourtiana destinada a encontrar bodes expiatórios, começando por fragilizar ainda mais o elo mais fraco deste filme, que, obviamente, é o treinador Carlos Carvalhal. Mas o calvário do treinador só agora começou... FOTO: Miguel Riopa (AFP Photo)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A falência do "Projecto Roquette"



Depois de quatro derrotas consecutivas, com duas goleadas humilhantes sofridas aos pés dos dois rivais históricos (FC Porto e Benfica), o Sporting Clube de Portugal precisa de parar e colocar tudo em causa. Para começar de novo. Do zero. Porque, assim, não dá mais.
Por nada que se pareça com isto, Dias da Cunha, há cinco anos, foi escorraçado de Alvalade e do futebol português. José Eduardo Bettencourt, se tiver dignidade e vergonha na cara, deverá estar a escrever o discurso da sua demissão. Da sua e da de um conselho directivo que não sabe dirigir nem a própria vida pessoal de cada um dos seus membros, como comprovaram as intempestivas férias brasileiras do primeiro presidente profissional da história do clube.
O edifício leonino, que, sob a liderança de José Roquette, acolheu os gestores profissionais da banca de braços abertos, porque eles seriam a solução certeira contra o amadorismo aventureiro dos que só têm amor à camisola, ruiu como um baralho de cartas ao fim de 15 anos. Esses dirigentes de aviário não foram solução porque revelaram toda a sua incompetência, falindo um projecto cheio de nada, a não ser dívidas astronómicas e humilhações desportivas sem paralelo. De facto, os últimos seis meses foram os mais incríveis da história centenária do Sporting.
Se Bettencourt e os seus pares se mantiverem agarrados a um poder que hoje não passa de um palco de sofrimento no desporto nacional, então podemos concluir que estes gajos querem mesmo acabar com o Sporting Clube de Portugal.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A equipa é que está a precisar de férias...

O Sporting somou a quarta derrota consecutiva, desta vez com o Benfica (1-4, em Alvalade), porque não tem presidente, não tem direcção, não tem treinador, não tem equipa, não tem relvado e, ainda por cima, apanhou pela frente um árbitro habilidoso (por sinal o único português que vai ao Mundial'2010) que, desde o apito inicial, demonstrou um único objectivo: garantir a vitória benfiquista no mais curto espaço de tempo, como ficou demonstrado ao expulsar João Pereira logo aos 6 minutos.
Este jogo (que afastou o Sporting da Taça da Liga) e o resultado final espelham bem a temporada da equipa leonina, marcada por mau futebol, por resultados altamente negativos e pela indisciplina no balneário.
A quatro longos meses do termo da temporada, os jogadores do Sporting já perderam tudo: Liga, Taça de Portugal e Taça da Liga. O que acontece pelo segundo ano consecutivo. Resta a Liga Europa. Mas esta espécie de equipa não dá garantias a ninguém, nem mesmo aos sportinguistas mais fervorosos. Um dia depois de o presidente José Eduardo Bettencourt ter regressado do Brasil, quem está a precisar de férias é a equipa do Sporting... FOTO: Armando França (AP Photo)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Notícias de Bettencourt...

"Infelizmente, estou a par de tudo..."
José Eduardo Bettencourt, presidente do Sporting, ao chegar a Lisboa, nesta segunda-feira, após um período de férias no Brasil, durante o qual a equipa leonina foi goleada no Estádio do Dragão e perdeu com a Académica, em Alvalade

Manuel Fernandes dá táctica para vencer o Benfica

Para um sportinguista marcado pela derrota com a Académica, em Lisboa, o momento mais feliz do último sábado foi aquele em que Cardozo falhou o penálti em Setúbal. Isto não se escreve, é conversa de café, a não ser que se fale de Manuel Fernandes. É certo, aquela bola na trave deu-lhe um empate e qualquer coisa de vitória. Sim, porque isto de mostrar que o Benfica nem sempre é um papão, mas também uma equipa que perde pontos com um dos clubes mais remendados da Liga, satisfaz muita gente, desde o treinador modesto ao adepto desiludido. Lá está, só mesmo o leão Manuel Fernandes pode viver as duas situações, mesmo que na hora de falar de Alvalade a conversa vá parar ao politicamente correcto. "Pois é, aquele resultado em Alvalade não deu jeito nenhum... é que a Académica é do nosso campeonato!"
Muito bem. Apanhado no meio de um domingo chuvoso, depois de ter ido a Peniche ver o filho Tiago marcar pelo Alcochetense - "também é avançado, está a fazer uns golos" -, o treinador do Vitória explica como conseguiu enganar Jorge Jesus. A partir de agora, o antigo futebolista que marcou doze golos ao Benfica só fala de futebol puro.

1. Tristezas não pagam dívidas "Digo sempre a verdade aos meus jogadores e a mensagem que lhes tenho passado é que esta equipa não tem nada a ver com a da primeira volta. O Vitória de Setúbal está melhor e a crescer, é preciso acreditar nisso. Ao longo da semana não percebi os jogadores muito afectados com a goleada de 8-1 sofrida no Estádio da Luz e, ao Mário Felgueiras, o guarda-redes que sofreu os oito golos, disse-lhe apenas uma coisa: 'Esquece.' Tínhamos de acreditar nas nossas capacidades, isso é meio caminho andado para se conseguir alguma coisa."

2. Cardozo não pode ter livres directos "Foi uma das preocupações ao longo da semana: não entrar a matar à frente da área, não podíamos cometer muitas faltas naquela zona porque o Benfica resolve jogos a partir dali, especialmente com os livres do Cardozo. Estivemos bem nesse aspecto.

3. A manha dos bloqueios "Também toda a gente sabe que o Benfica faz muitos golos de bola parada, são conhecidos os bloqueios feitos por jogadores como Luisão e Javi García, nos cantos, para libertarem um terceiro elemento que muitas vezes é o David Luiz. Estávamos avisados para isso mas falhámos, no lance do golo que sofremos, não fomos suficientemente rápidos na marcação ao David Luiz. Estivemos geralmente bem mas aquele lance também podia ter sido evitado."

4. Proibido romper "O problema do Saviola - a facilidade com que ele sai da marcação para ir receber a bola à linha lateral - tentámos resolvê-lo com a utilização de três centrais. Assim, se o Saviola fosse embora, a marcação era dividida entre o central e o lateral, mas sempre com a preocupação de nunca abrir um buraco no meio. O Benfica, por outro lado, rompe o jogo muito à base de três jogadores (ou quatro, quando está o Fábio Coentrão). Não podíamos deixar o Saviola, o Aimar e o Di María pegarem na bola e avançarem em velocidade; aceleram a equipa, tornam-se perigosos; aquelas zonas do campo tinham de estar tapadas."

5. Neca e Barbosa fora do sítio "O Neca é um número 10 mas quisemos desviá-lo sempre do centro do terreno, para não ter de levar com a marcação do Javi García e estar à vontade assim que pegasse na bola. Ao mesmo tempo, o Hélder Barbosa sabia que devia cair sempre nas costas do defesa lateral do Benfica que subisse, aproveitando esse espaço vazio concedido pelo adversário. Se o conseguisse fazer, receberia a bola e iria arrastar um central do Benfica com ele, desequilibrando a defesa. Isto é normal, no fundo é um pouco o que o Saviola também faz muito bem no ataque do Benfica."

6. Espaço: o que o Benfica oferece "Queríamos uma defesa compacta mas o Neca, o Hélder Barbosa e o Keita tinham de estar na frente, prontos para aproveitar aquilo que o Benfica oferece: o facto de pôr muitos jogadores no ataque e conceder algum espaço. Foram sempre incómodos."

7. Regula a saltar do banco "Não estou nada de acordo com algumas crónicas, especialmente aquelas que dizem que o Benfica empatou porque jogou mal; empataram também por mérito nosso. O ascendente que o Benfica teve nos últimos 15 minutos deveu-se muito à quebra física da nossa equipa. Aí, soubemos sofrer mas também conseguimos recuperar algum equilíbrio com a entrada do Regula - substituiu o Neca, que estava muito cansado e foi importante para continuarmos a ter a bola no lado direito do ataque."

E assim Manuel Fernandes enganou Jorge Jesus. "Também tive a vantagem de já ter jogado esta época contra o Benfica, pela União de Leiria. Tentei pedir mais ou menos o mesmo", disse. O jogo até foi parecido - David Luiz voltou a fazer um autogolo; a grande diferença é que desta vez Cardozo não resolveu.

FOTO: Mário Cruz (Lusa)

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Vocês sabem do que é que eu estou a falar...

Uma entrevista de Octávio Machado, antigo treinador do Sporting, ao jornal "i". Onde se fala do Sporting e do futebol português. Leitura indispensável. Aqui. FOTO: Alexandre Almeida (Kameraphoto)

Mário Felgueiras: Mais um formado em Alvalade...

Mário Felgueiras, de 23 anos, o guarda-redes do Vitória de Setúbal, foi decisivo ao travar o jogo ofensivo do Benfica, garantindo um empate à equipa orientada pelo "nosso" Manuel Fernandes. Mário Felgueiras, um internacional do futebol jovem que é dos quadros do Sporting de Braga, é mais um guarda-redes formado no Sporting, a juntar a Rui Patrício e Beto, este no FC Porto. Tal como Silvestre Varela, que hoje é decisivo no ataque do FC Porto, também Mário Felgueiras deixou Alvalade pela porta das traseiras, sem qualquer retorno desportivo ou financeiro para o Sporting, apesar de o atleta ter sido internacional pelas selecções jovens... O que prova que os bons guarda-redes também passam pela academia leonina. Mário Felgueiras deixou Alvalade em 2005, tendo sido emprestado ao Sporting de Espinho. Seguiu-se o Portimonense e o Sporting de Braga. Agora está emprestado ao V. de Setúbal. Mas se o Sporting quiser o guarda-redes de volta terá de abrir os cordões à bolsa... Assim não vale a pena ter a melhor Academia de Futebol da Europa... FOTO: "A Bola"

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Carta aberta a José Eduardo Bettencourt

Caríssimo José Eduardo Bettencourt,
Mais uma vez venho dedicar-te umas palavras. Lembras-te das últimas, antes da tua eleição? Pois bem, nessa altura indicava-te um caminho e mostrava algum receio, mas acreditava em ti, embora com algumas reservas... Agora, passados 8 meses da tua presidência e em vesperas do jogo mais importante da vida do Sporting, preciso de dizer algumas coisas.
Leste bem, não te enganaste. Amanhã, contra a Académica, é o jogo mais importante da história do Sporting. Daí o titulo "o Futuro é Amanhã"... E porquê?, perguntas tu. Como tu deves ter ouvido, já que estás a apanhar sol e a beber um xopinho em Copacabana, o Sporting foi humilhado no Porto. E isto após a derrota em Braga. Dizem que tu ficaste chocado! Imagina só como terão ficado aqueles que estão cá, imagina só... Mas tu não estavas cá. Férias, diziam os jornais... Férias há muito marcadas.... Achas que o presidente do clube que tu admiras tirava férias a meio da época e não ia com a equipa a um jogo crucial? Achas que ele fazia isso? Nesta altura era obrigatório estares cá... Não tinhas um aviãozito que te trouxesse na segunda e te levasse na quarta? Nem um? E depois continuavas a apanhar sol...
Dizem que és capaz de chegar a tempo do jogo com a agremiação de Carnide... Ó Zé, tu és presidente a tempo inteiro e remunerado.... E tiras férias a meio da epoca? Amanhã, recebes a equipa treinada por aquele que era a tua primeira escolha para a sucessão de Paulo Bento. O bruxo Villas Boas, que não conseguiste ir buscar a um clube do fim da tabela. Tás a ver o filme? Esse treinador quer aproveitar o mau momento e tirar partido disso. Imagina uma derrota com eles. Imagina só!!! A seguir jogamos com a colectividade de Carnide. Tás a ver o filme? Achas que com 3 derrotas no bucho a equipa tem cabeça para os defrontar? Sabendo que no primeiro passe falhado começam os assobios... Supõe que somos goleados na terça... Achas que consegues manter o teu lugar? Achas que sais calmamente de Alvalade? Imagina só... Tudo começa amanhã! Para teu bem e do Sporting, espero que a equipa consiga ganhar aos "Estudantes" e depois eliminar o Benfica... Porque se isso não suceder, espera-nos o abismo até Maio e arriscas-te a ficar na historia como o presidente que levou o Sporting ao charco. Infelizmente, não vejo condições para a gente sair do buraco onde tu meteste o clube... Mas vamos acreditar.
Outra coisa Zé... Havia mais, mas é só mais esta.... Li num artigo da blogosfera que "o JEB tem-na curta" e interroguei-me: "Curta? O quê?!..." Será que estavas em alguma praia naturista no Brasil e foste fotografado em pelota? Infelizmente não era isso... Parece que combinaste dar mais bilhetes ao Benfica! Mais bilhetes, Zé! Ao Benfica! Afinal, Zé, é a tua memória que é curta! Sabes, o Benfica, que foi à Academia invadir e apedrejar os nossos, e tu combinaste dar mais bilhetes, o dobro? Ó Zé, tás bom da cabeça? Que merda é essa? Tens memória curta? Vá, acaba lá o teu merecido repouso e regressa a tempo. O Sporting merece ser salvo.
Mauro Rebelo (carta enviada por e-mail, antes do jogo Sporting-Académica)

Sporting de mal a pior

SPORTING-ACADÉMICA, 1-2 (18ª Jornada da Liga Portuguesa). Terceira derrota consecutiva da equipa leonina e uma incapacidade gritante para jogar em Alvalade. Em perto de 100 anos de competições oficiais não há registo de um Sporting tão fraco. Está a chegar o Benfica (para a Taça da Liga). E o presidente, em férias no Brasil, também. FOTOS: Marcos Borga (Reuters - Sport Soccer) e Miguel Riopa (AFP - Getty Images)
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