


Foi sem dúvida um privilégio integrar a equipa de futebol do Sporting de 1981-1982, que, na opinião de muitos, era uma das melhores da Europa. Já repararam que continua a ser conhecida como “a equipa 81/82”?...Esta equipa, a sua organização, as relações entre os jogadores, os treinadores, os dirigentes e todos os que compunham o departamento de futebol profissional e de formação (ou ainda o seu relacionamento com os adeptos) deviam ser objecto de estudo obrigatório para todos os que, hoje em dia, integram o futebol profissional do SCP. Na destruição deste grupo, no ano seguinte, fruto da ambição desmedida e doentia de duas ou três pessoas, estão muitas das explicações para o que se passou no futebol do SCP durante todos estes anos. Outros tempos...
Representei o SCP durante doze anos e, como muitos outros, passei pela formação, já lá vão tantos anos, e aí aprendi a jogar futebol. Mas, sobretudo, aprendi a ser homem, aprendi a respeitar os outros, colegas ou adversários e a camisola do Sporting ou de outro clube que representasse. Sobretudo, quando passei a profissional, tive à minha volta uma quantidade de pessoas que, todos os dias, me recordavam o que tinha aprendido nos anos anteriores.
E assim, olhando hoje para trás, acho que tive sorte. Aprendi numa grande escola, onde trabalhava gente fantástica, competente, séria, com carácter, a quem nunca se ouviu uma crítica pública ao futebol profissional, por muito que lhes vão destruindo sistematicamente os jogadores que tanto trabalho lhes dão a formar. Esta gente, que merece todo o meu respeito e devia merecer os respeito de todos os sportinguistas, sejam eles simples adeptos, dirigentes ou profissionais a exercerem a sua actividade no clube, tem ultrapassado sempre os objectivos que lhes são pedidos e contribuído, de uma forma notável para a história riquíssima de um clube centenário, a que todos nos orgulhamos de pertencer.
Um abraço a todos, principalmente para todos os que têm, ao longo dos anos, trabalhado na formação do SCP e estão, nos dias que correm, a ser tão injustamente desrespeitados.
Desde que saí do Sporting, e já lá vão vinte e tal anos, nunca fiz declarações públicas sobre o clube. Por duas razões: entendo que já existem demasiadas pessoas a falar sobre tudo o que acontece, na maior parte das vezes sem saberem muito bem do que estão a falar e depois porque, na realidade, não me sentiria bem a fazer declarações sobre coisas que não conheço com alguma profundidade.
Na realidade não conheço nenhum dos intervenientes nos acontecimentos que se desenrolaram (ou que enrolaram) o SCP desde o início da época passada. Com excepção do Presidente, que tive o prazer de cumprimentar duas ou três vezes, sempre que me desloquei a Alvalade, a convite do SCP. Para mim é sempre uma honra ser convidado a estar presente em qualquer iniciativa promovida pelo Sporting e, como é evidente, um enorme prazer voltar, ainda que apenas por algumas horas à "minha casa".
Durante todos estes anos também nunca me opus, ou apoiei, nenhuma direcção, candidato ou tendência dentro do SCP. Isto não significa que não acompanhe tudo o que diz respeito ao clube com a maior atenção, e que não discuta, num círculo muito fechado composto pelos meus filhos e por dois ou três amigos que, como eu, conhecem muito bem o clube.
Desta vez resolvi "dizer" alguma coisa [na página do LEÃO DA ESTRELA no Facebook], embora ainda num sítio relativamente privado, porque entendi que se estavam a passar todos os limites do respeito que o SCP merece.
O respeito não se exige, como ouvi um responsável do clube afirmar, o respeito merece-se e o SCP é merecedor de todo o respeito. Nomeadamente por todos os que exercem funções no clube. Um abraço.
Virgílio Lopes, antigo futebolista do Sporting Clube de Portugal
Nota do editor – Virgílio Lopes, o "jogador-operário" do Sporting Clube de Portugal, onde se formou na década de 1970 e onde jogou na década de 1980, depois de ter feito o tirocínio em Famalicão durante três temporadas, escreveu na página do LEÃO DA ESTRELA no Facebook sobre o Sporting de 1981-1982. Face ao interesse manifestado por mim, Virgílio deu autorização para que o texto fosse publicado no blogue. O título é da responsabilidade do LEÃO DA ESTRELA. É um documento importante e pleno de actualidade sobre o futebol leonino, em particular sobre o futebol de formação, em que Virgílio Lopes contraria uma opinião expressa pelo actual director de futebol profissional, Costinha, justamente sobre a escola de formação do Sporting, a propósito de João Moutinho... Também por isso, o LEÃO DA ESTRELA decidiu publicar este depoimento, para que todos os sportinguistas possam debatê-lo.