"A equipa do Sporting, em termos mentais, não se pode perder tacticamente..." Muito pior do que os comentários indecifráveis de Carlos Manuel, na Sport TV, é o futebol desconexo do Sporting, que, esta noite, voltou a desiludir, em Alvalade, ao perder por 2-0, com os dinamarqueses do Brondby, comprometendo seriamente o acesso à fase de grupos da Liga Europa. É caso para dizer que, em termos europeus, o Natal do Sporting, este ano, pode chegar em Agosto...
Na pré-temporada, José Eduardo Bettencourt tinha dito que os jogadores do Sporting iriam “vender cara a derrota", sendo "dignos como os campeões". Mas o que temos visto é que nem esse estranho objectivo do presidente leonino tem sido cumprido pela equipa de Paulo Sérgio. E o discurso do treinador, que é um discurso próprio de um treinador do Sporting, começa, porém, a soar a conversa de vendedor de banha da cobra, tal é a diferença entre as palavras ditas e o jogo jogado. Na verdade, tanto em Paços de Ferreira, como agora, em Alvalade, contra uma equipa fraca, mas organizada, prática e objectiva, como o Brondby, o Sporting vendeu uma derrota humilhante por um preço demasiado barato.
O Estádio de Alvalade assistiu a uma espécie de segunda parte do jogo de Paços de Ferreira, com um Sporting de fogachos, sem identidade, sem capacidade de sofrimento, sem talento e, muitas vezes, sem vontade, como em toda a primeira parte. Só durante alguns minutos, quando o resultado já estava feito e estava decorrida uma hora de jogo, é que Liedson, por duas vezes, e Nuno André Coelho traduziram uma curta reacção leonina com remates que se transformaram em três ocasiões soberanas para marcar. Mas a equipa não teve sorte. Porque a sorte, costumam dizer, é de quem a procura. E, no resto do tempo, o Sporting não existiu. Nomeadamente no momento dos golos nórdicos, gentilmente oferecidos pela defesa lisboeta. Ou então quando o pseudo-renascido Hélder Postiga, com a baliza na frente, cabeçeou muito por cima, como quem não sabe jogar à bola. Muito fraco. A Liga Europa é uma miragem...