terça-feira, 31 de agosto de 2010

Celsinho: o novo Ronaldinho anda por aí...

Celsinho, o célebre "novo Ronaldinho Gaúcho", está em nova encruzilhada na sua carreira de ex-futuro craque do futebol mundial. O médio brasileiro, que Carlos Freitas descobriu na Rússia, em 2007, como aposta leonina para o futuro, estava emprestado à Portuguesa dos Desportos, da segunda divisão brasileira, mas pediu para regressar a Lisboa, cuja noite o atleta conhece bem. E o clube brasileiro fez-lhe a vontade.

José Eduardo Bettencourt deixou o Twitter

José Eduardo Bettencourt abandonou a rede social Twitter, à qual tinha aderido pouco depois de ter sido eleito presidente do Sporting Clube de Portugal, em Julho de 2009. Na altura, a adesão ao Twitter - noticiada em toda a comunicação social - foi explicada como uma forma de o presidente se aproximar dos sócios e adeptos sportinguistas, comunicando com eles sempre que tivesse algo de importante a revelar em apenas 140 caracteres.
Depois de uma liderança fria e distante de Filipe Soares Franco, para quem os sócios e adeptos leoninos eram “clientes”, José Eduardo Bettencourt, certamente aconselhado pela asssessoria de comunicação – que na altura era repartida entre Miguel Salema Garção e António Sousa Duarte – decidiu, então, aderir à rede social Twitter. Mas a iniciativa, pioneira entre os dirigentes desportivos portugueses, não teve grande sucesso. De tal modo que, há vários meses, o presidente leonino, muito discretamente, deixou de “twittar”
Não se sabe se terão sido orientações do novo assessor de imprensa, Nuno Dias, no sentido de resguardar o presidente leonino, tanto mais que José Eduardo Bettencourt já começava a ser muito conhecido pelas calinadas ditas em público… O antigo atleta leonino Bessone Basto, que foi apoiante do actual presidente do Sporting, até chegou a dizer: "Bettencourt só abre a boca para dizer asneiras."

Os sobreviventes

Em cinco anos, desde a temporada 2006-2007, já entraram e sairam do Sporting um total de oito pontas-de-lança: Carlos Bueno, Alecsandro, Rodrigo Tiuí, Milan Purovic, Luiz Paez, Derlei, Sinama Pongolle e Felipe Caicedo. De todos estes, o luso-brasileiro Derlei foi o que melhor se entendeu com Liedson. O brasileiro Alecsandro, que agora é o melhor marcador do Internacional de Porto Alegre (6 golos em 17 jogos), também teve alguma utilidade. De qualquer modo, esta imagem da primeira página de "A Bola" revela que Liedson e Yannick Djaló - que Paulo Bento utilizou como avançados em 2006-2007, ano em que Djaló foi integrado no plantel principal - formam uma dupla de sobreviventes no ataque leonino que continua a resolver jogos. Um caso único de longevidade no mesmo clube entre os candidatos ao título nacional. Ontem, na Figueira da Foz, os dois estiveram nos três golos leoninos. Não são pinheiros. São pinheirinhos. A verdade é que há pinheiros que entram e saem sem deixar grande rasto. E eles ficam...

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Sporting já está no terceiro lugar

Paulatinamente, a equipa do Sporting ganha o hábito de vencer. Desta vez, ganhou por 3-1 na Figueira da Foz. É certo que foi perante uma Naval frágil, que não ofereceu grande oposição. Apesar disso, e mesmo tendo sido no único estádio da I Liga Portuguesa onde o Sporting ganhou sempre, não deixou de ser uma vitória muito importante, que atirou o Sporting para os lugares cimeiros da classificação, mais concretamente para o terceiro lugar. Um lugar acima da classificação final da temporada passada.
Ao cabo de três jornadas, Paulo Sérgio já conseguiu elevar o Sporting a uma classificação melhor. É aí que o Sporting vai ficar, tranquilamente, à espera da próxima jornada, que só será disputada daqui a quinze dias, altura em que receberá o Olhanense, em Alvalade.
Na Figueira da Foz, mesmo sem o tal pinheiro pedido por Paulo Sérgio, o ataque leonino produziu mais três golos na noite em que Liedson regressou aos golos depois de longo jejum: marcou um (de belo efeito, mas beneficiando de uma posição irregular não sancionada pelo árbitro) e sofreu mais uma falta que originou outro, na transformação de um castigo máximo - meio que está a fazer do chileno Matías Fernandez um goleador inesperado, com dois golos em dois jogos.
Com uma exibição sóbria, a equipa leonina impôs-se logo na primeira parte, que terminou a vencer pela margem mínima. No segundo tempo, a equipa sportinguista, então com mais espaço, chegou tranquilamente ao 3-0, com golos assinados por Matías Fernandez e Yannick Djaló, acabando por passar ao lado de uma goleada. A Naval ainda apontou o tento de honra, em resultado de uma desatenção imperdoável da defesa leonina num lance de bola parada. Um hábito terrível, este. FOTOS: Reuters

Hugo Viana: caro prò SCP, mas não para o Braga

O médio Hugo Viana, do Valência, formado em Alvalade, não regressou ao Sporting neste Verão porque, segundo Costinha, seria incomportável pagar-lhe o ordenado pedido. Hugo Viana desmentiu. Depois do pequeno desaguisado entre Costinha e Viana na praça pública, nunca mais se falou no assunto.
Entretanto, o Sporting contratou Valdés, que parece ser mais um chileno intermitente. Dirão que estará em período de adaptação. A treta do costume, que serve para justificar os barretes que enfiam. Que me lembre, o único grande futebolista estrangeiro que tardou em adaptar-se ao Sporting foi o grande Beto Acosta. O mesmo que ainda hoje serve para esconder contratações falhadas, como a de Sinama-Pongolle.
Voltando a Hugo Viana, jogador da formação leonina, a quem o Sporting não tinha dinheiro para pagar... Agora, o Braga, que tem cerca de metade do orçamento do Sporting e está na Liga dos Campeões, acaba de contratar Viana a título definitivo, por 3 anos. O Sporting de Braga pode pagar a Hugo Viana aquilo que o Sporting Clube de Portugal não pode. E Valdés, ganha mais ou ganha menos do que Hugo Viana em Braga?... Seria bom saber...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Limpeza de balneário em Alvalade

O mercado de Verão está fechar e Costinha vai limpando o balneário leonino enquanto é tempo. O Sporting acaba de anunciar a colocação no mercado de mais dois jogadores que não entram nas opções do treinador Paulo Sérgio: o guarda-redes Vladimir Stojkovic vai representar o Partizan Belgrado, por empréstimo, até final da temporada. Já o defesa-central Tonel foi vendido ao Dínamo Zagreb. Só falta solucionar o futuro de Pedro Silva e Marco Caneira.
Entretanto, o francês Sinama-Pongolle foi emprestado aos espanhóis do Saragoça. Confirmam-se 6,5 milhões de euros deitados fora, ou melhor, deitados no passivo leonino... Sem contar com o chorudo ordenado mensal. Quem foi que recomendou Pongolle ao Sporting? Algum treinador? Onde é que está o relatório técnico que justificou a compra do avançado francês? E quem foi o dirigente que aceitou pagar tamanha fortuna, tendo em conta as dificuldades financeiras do clube?... Enquanto estes erros não tiverem responsáveis, rostos visíveis, a quem ssócios e accionistas possam apontar o dedo, eles continuarão a ser praticados com frequência.
Isto não quer dizer que um clube tenha de acertar em todas as contratações que faz. Isso é humanamente impossível, escapando ao contrtolo de técnicos e dirigentes. Porém, contratar Felipe Caicedo, Miguel Angulo e Sinama-Ponguelle, todos num espaço de apenas seis meses, como foi o caso, é demais!...

Atlético de Madrid vence Supertaça

Mesmo desfalcado do guarda-redes Roberto (que o Benfica comprou por 8,5 milhões de euros) e do avançado Sinama-Pongolle (por quem o Sporting deu 6,5 milhões), o Atlético de Madrid, de Quique Flores, Simão Sabrosa, Paulo Assunção e Reys, venceu o poderoso Inter de Milão, por 2-0, e conquistou a Supertaça Europeia 2010. Curiosamente, o vencedor foi a equipa que, na época passada, com dois empates, travou o Sporting Clube de Portugal nas provas europeias.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Festa verde na Dinamarca

A festa foi verde na Dinamarca, como há muito não se via em participações europeias do futebol leonino. A qualidade do futebol do Sporting Clube de Portugal, uma equipa em reconstrução, está muito distante da qualidade do futebol do Sporting de Braga, mas o sucesso dos minhotos na Liga dos Campeões, que tinha sido evocado como exemplo pelo treinador Paulo Sérgio, inspirou mesmo a equipa leonina no jogo da segunda mão do “play-off” de acesso à fase de grupos da Liga Europa, em Copenhaga, frente ao Brondby. Resultado: 3-0, a favor dos “leões”, o resultado que interessava, uma vitória que poupou o treinador leonino Paulo Sérgio e a nação sportinguista de “uma grande desilusão”.
Foi uma das reviravoltas mais sensacionais da história do clube leonino nas provas europeias, uma vez que foi conseguida fora de casa, num ambiente particularmente adverso, dado o apoio enorme dos adeptos dinamarqueses, inebriados pela surpreendente vitória por 2-0, em Lisboa, oito dias antes.
Há que dizê-lo: o Sporting tinha obrigação de ultrapassar este obstáculo, porque o Brondby é uma equipa fraquinha, que está a léguas de distância dos adversários poderosos que o Sporting defrontou na Liga dos Campeões nos últimos anos. Porém, a equipa leonina só conseguiu estar em vantagem na eliminatória já depois dos 180 minutos das duas partidas, ou seja, já no período de descontos desta segunda mão, quando Yannick Djaló, servido por Liedson, marcou um terceiro golo de belo efeito. Até então, os sportinguistas só sofreram. Uma derrota em Alvalade, na semana anterior. E, agora, uma exibição mais uma vez nada conseguida na Dinamarca, que apenas valeu pelos golos marcados, os dois primeiros, curiosamente, apontados por dois defesas: Evaldo e Nuno Coelho (este um grande golo, porque obtido na execução de um grande remate de longe, e não um "frango" do guarda-redes...).
O importante é que o Sporting evitou o pior, que seria não participar na Liga Europa 2010-2011. E pela forma como o acesso foi conquistado, nomeadamente pelo contexto difícil, que incluiu um golo de Liedson mal anulado, talvez o Sporting tenha saído da Dinamarca com uma equipa. Vamos ver no próximo jogo para a Liga Portuguesa. FOTOS: Associated Press

Paulo Sérgio quer evitar "grande desilusão"

"Para mim seria [uma grande desilusão ficar fora das competições europeias], mas nunca andam na minha cabeça os cenários negativos. Uma derrota nunca trás nada de bom e uma eliminação também não. E eu assumo: para mim seria uma grande desilusão ficar de fora da fase de grupos da UEFA. Mas vamos trabalhar e estamos convencidos que vamos ser capazes de permanecer. Sabemos que, pelo resultado da primeira mão, que é completamente mentiroso e enganador em relação ao que foi o jogo, temos uma tarefa complicada, mas o futebol é assim mesmo."

"Neste momento, o Brondby [que ganhou 2-0 em Alvalade] tem 50 por cento do caminho andado, enquanto nós vamos ter que o andar todo. Eles têm uma vantagem boa, mas nós confiamos que, se conseguirmos repetir o jogo que fizemos na primeira mão, mantendo o rumo de jogo e mantendo a eficácia, seremos nós a seguir em frente. É nisso que nós acreditamos, mas será um jogo perigoso, já que o Brondby vai continuar a espreitar o contra-ataque..."

"Vamos ter de ser uma equipa que sabe o que quer, que procura os golos, mas que não pode fazer isso de qualquer maneira. Tem de ter sempre um bom equilíbrio no centro do terreno para impedir contra-ataques, bem posicionada e muita concentração nas bolas paradas para conseguir o resultado que pretende."

"Se o Brondby com o volume de jogo que criou fez dois golos em Alvalade, porque é que o Sporting não pode fazer dois ou três aqui na Dinamarca. Temos de acreditar. São 90’ e temos de fazer um jogo equilibrado, sem ninguém estar a pensar em fazer o segundo golo antes de ter feito o primeiro, de forma muito consciente daquilo que são as nossas capacidades."

Paulo Sérgio, treinador do Sporting, "Público", 25-08-2010

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A estrela de Tonel deixou de brilhar. Porquê?...

Cinco temporadas, 163 jogos e 13 golos, muitos deles decisivos em vitórias arrancadas a ferros. Apesar disso, a estrela do defesa-central Tonel, de 30 anos, cujo contrato com o Sporting termina no final desta época, deixou de brilhar no grupo de trabalho quando Costinha assumiu controlo de tudo o que envolve o futebol do clube, apoiado pelo agente FIFA Jorge Mendes. Isto muito antes de chegar o treinador Paulo Sérgio.
"Já não há palavras para descrever o processo do Tonel. Ninguém entende. Só o Paulo Sérgio entende. Ainda se estivéssemos a jogar bem e os centrais estivessem a fazer grandes exibições...", desabafa um dos admiradores do atleta, num blogue consagrado a Tonel, intitulado precisamente "O Leão nº 13".
No fundo, trata-se de mais um jogador com vários anos de leão ao peito que Costinha quer ver fora de Alvalade. Só assim se entende a sua dispensa, uma vez que, aparentemente, Tonel é afastado sem motivos de ordem técnica. O que ajuda a explicar certas escolhas polémicas, nomeadamente ao nível de contratações que falharam. A não ser que o problema de Tonel seja o facto de ter menos cinco centímetros do que a fasquia mágica de 1,90 metros, preconizada por Paulo Sérgio para fazer crescer a equipa, não em futebol jogado, mas em altura pura e dura.
Por esse motivo, o Sporting preferiu contratar ao Vélez Sarsfield um defesa argentino suplente (Torsiglieri, que nem convocado é em Alvalade) em vez de um titular (Otamendi), só porque este tem menos de 1,90 metros de altura. Porém, mesmo não tendo essa altura, o FC Porto acaba de contratá-lo.

Obs. - Por falar em contratações falhadas no Sporting. Milan Purovic, o ponta-de-lança que não marca golos, contratado ainda no tempo de Carlos Freitas (uns anos antes de Angulo, Caicedo, Pongolle, entre outros), foi emprestado ao Belenenses, da II Liga. O Sporting conseguiu, finalmente, devolver o atleta ao mercado. José Eduardo Bettencourt e Costinha estão de parabéns!... Entretanto, ainda é preciso colocar Stojkovic (é estranho que o anti-benfiquista Costinha não tenha ido ao almoço com Luís Filipe Vieira tratar da troca do guarda-redes sérvio pelo milionário Makukula, que ganha 100 mil euros mensais), Pedro Silva e Caneira.

O ABC da reestruturação financeira do Sporting
(e as razões pelas quais não faz sentido)

Tenho visto na blogosfera leonina, assim como nos jornais desportivos, muita falta de informação (ou desinformação consoante os casos), sobre o que é verdadeiramente o projecto de reestruturação financeira – tal como vem proposto desde o tempo de Filipe Soares Franco. Antes do mais há que esclarecer três pontos:

- Este projecto nada tem de semelhante com o que foi inicialmente negociado em 2005, ao contrário do que deixa entender
aqui um blogger anónimo.

- O controlo da SAD não fica assegurado com 51% do capital, uma vez que não estão garantidos 51% dos direitos de voto mas apenas 26,33%.

- A reestruturação financeira não permitirá investimentos avultados no futebol, como adiante se mostra, ao invés do que é dado a entender em
asneiras difundidas pela agência Lusa e publicadas em diversos meios de comunicação.

A operação, tal como estava anteriormente planeada, processar-se-á em 3 passos.

Passo 1 – Operação Harmónio

Uma operação harmónio é uma operação através da qual uma empresa reduz parte do seu capital para cobrir prejuízos acumulados, aumentando-o em seguida através da emissão de novas acções. No fundo, é o assumir da incapacidade de recuperar prejuízos passados, “limpando” os mesmos dos capitais próprios através de uma redução de capital.
Desgraçadamente, esta é a segunda operação do género que a SAD leonina propões aos accionistas em apenas 6 anos. Já em 30 de Junho de 2004 o capital social foi reduzido de 54,9 M.€ para 22 M.€, sendo a diferença de 32,9 M.€ destinada à cobertura de prejuízos acumulados nos exercícios anteriores…
É necessário esclarecer que a operação harmónio agora proposta, com uma redução de capital de 21 M.€ e um novo aumento de capital de 18 M.€, não irá traduzir-se numa entrada de fundos uma vez que o Sporting (Clube) irá participar no aumento de capital através de novo financiamento bancário. Os recursos postos à disposição da SAD serão utilizados para abater dívida bancária no mesmo montante, no âmbito da reestruturação. Trata-se portanto de uma mera operação de recomposição de capitais e absorção de prejuízos.

Passo 2 – Emissão de VMOC (Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis)

Por sua vez a emissão de VMOC (não são mais que obrigações que pagam juro até à conversão em acções) representa, apenas, substituição de dívida – obrigações emitidas para pagamento de dívida bancária. As obrigações permitem uma maior folga na tesouraria da SAD, através da redução anual do reembolso de capital em dívida de 55 milhões de euros, mas quase nenhuma poupança de custos/juros nos próximos anos. Imagine-se, a título de exemplo, que a entrada de fundos substitui dívida bancária com um prazo de reembolso de 20 anos – em média reduz-se o reembolso durante esse período em 2,75 M.€ por ano. Ou seja, 10% do investimento realizado em jogadores nos últimos meses !!!
Ver aqui… Outra opção seria investir este dinheiro em jogadores e galopar em direcção a um passivo de 450 M.€, o que é impensável.
Essa folga de tesouraria, tem no entanto um custo brutal para os Sportinguistas. Ao emitir os VMOC, o Sporting perde a maioria do capital da SAD se não entregar os seus últimos activos à sociedade. As contas são as seguintes:

- Sporting detém actualmente 68,60% do capital da SAD de 42 M.€

- Sporting passará a deter 83,09% do capital da SAD após operação harmónio (assumindo que subscreve a totalidade do aumento de capital), do novo capital social de 39 M.€ (42 – 21 + 18)

- Sporting passará a deter 34,47% do capital da SAD após operação harmónio e emissão de VMOC, do novo capital social de 94 M.€ (39 +55)

A forma “encontrada” para garantir 51% do capital da SAD na posse do Sporting é um novo aumento de capital em espécie, ou seja, a entrega de activos à SAD por parte do SCP. O valor desses activos (X) pode facilmente ser calculado resolvendo a seguinte equação:

[(34,47% * 94 M.€) + X] / (94 M.€ + X) = 50,01%

Ou seja, X = 29,2 M.€.

Estima-se portanto que a SAD irá ficar com um capital final de cerca de 123 M.€.

Passo 3 – Integração da Academia e dos direitos de superfície do Estádio

Conhecendo a avaliação feita à Academia de pouco mais de 20 M.€ – cujo relatório nunca foi público – mas que assumia incompreensivelmente que o novo aeroporto em Alcochete não traz valor acrescentado aos terrenos, e uma vez que esse valor não perfaz os 29 M.€ acima calculados, resta ao Clube passar também para a SAD os direitos de superfície do Estádio José Alvalade.

Resultado final da reestruturação proposta

Antes ainda de revermos as consequências, um facto: é absolutamente inaceitável que toda esta engenharia financeira nunca tenha sido claramente explicada aos sócios.

- No Congresso Leonino, realizado em Santarém, José Castro Guedes, mentor do projecto, limitou-se a mostrar alguns slides com as contas da reestruturação financeira numa base de caixa, recusando-se a entregar esses mesmos slides aos 50 sócios/delegados presentes, bem como qualquer outro elemento contabilístico do Grupo Sporting, conforme
requerido por 8 delegados presentes, representando 200 votos de sócios. Esse requerimento nunca teve resposta, prevalecendo em Santarém a exposição contabilística de “mercearia”;

- A Sporting Comércio e Serviços foi vendida à SAD sem ser conhecido sequer um balanço da sociedade; a avaliação da Academia nunca foi tornada pública; a autorização para a redução de participação na SAD e trespasse da Academia nunca tiveram aprovação em AG;

- As Assembleias Gerais têm sido um desfilar de silêncios, justificados com a necessidade de “não maçar os sócios”, ou por “falta de condições de segurança”;

- Os pedidos de elementos informativos, ao abrigo do art.20º/1/d dos Estatutos, são constantemente ignorados, motivo mais que suficiente para impugnar qualquer Assembleia Geral.
Este pedido e consequente recusa, assinada pelos serviços do Clube, são apenas um triste exemplo;

- A informação enviada para as redacções deixa entender que tudo não passa de uma operação para “dotar a SAD da capacidade necessária de investir na sua equipa de futebol".

Ora sendo o futebol a única actividade capaz de gerar mais-valias regulares que nos levem à redução do passivo, a venda da sua gestão e capital a terceiros tem de ser explicada de forma transparente. Uma opção pela privatização da principal modalidade do Sporting e pela venda de 50% dos activos que lhe restam exige clareza.

Neste cenário final o Sporting e a intervenção dos sócios ficam limitados a:

- Gestão das modalidades;

- 25% das quotizações dos sócios,

- 50,1% de uma SAD que deixa de controlar – onde terá direito a apenas 26,3% dos direitos de voto. Note-se, a título explicativo, que as acções do tipo B estão limitadas a 10% dos direitos de voto e o Sporting apenas detém 16,33% de acções do tipo A, sem limitações de voto, conforme resulta do artigo 13º dos
Estatutos da SAD.

É isto que os sócios querem?

Alternativas

Finalmente chegamos à questão final: existe alternativa? Claro que sim.
Toda a reestruturação montada não vai permitir mais que uma ligeira redução dos encargos de tesouraria, implicando um custo imediato de alguns M.€ em custos bancários na montagem da operação, obrigando a uma perda total de poder por parte dos sócios com e ao esvaziar do Clube dos seus activos.
Por forma a conseguir o mesmo efeito de tesouraria há que renegociar a dívida bancária para prazos mais alargados, ajustando os reembolsos de capital aos anos de venda de jogadores da formação e oferecendo em contrapartida novos colaterais aos credores. Ou reduzir a massa salarial do Grupo Sporting em 200 mil € /mês. Ou criar um Fundo de Investimento para os passes da formação. Ou criar fundos de Fomento Desportivo. Ou vender o “naming” do estádio durante alguns anos, por doloroso que seja. Ou recuperar a dinâmica de merchandising do Clube através da rede de Núcleos do Sporting.
Ou, a hipótese mais valiosa de todas, com um efeito equivalente à reestruturação proposta pela “Geração da Dívida”. Recuperar/angariar 20.000 sócios – a base de todo o programa Ser Sporting.
Não seria essa verdadeiramente a solução de futuro que o Sporting necessita?

João Mineiro, licenciado em Gestão com especialização em Finanças, sócio nº 18.075 do Sporting Clube de Portugal, site "Ser Sporting", 25-08-2010

O Braga e a imprensa

A vitória do Braga na imprensa desportiva portuguesa desta quinta-feira: "A Bola" e "O Jogo" estiveram muito bem, dando toda a primeira página à vitória bracarense em Sevilha. É assim que o futebol português pode crescer fora do círculo formado por Sporting, Benfica e FC Porto. Parabéns!
Já o "Record" quis ser diferente: teve medo de não vender jornais fora da região de Braga e preferiu dar destaque a uma eventual compra de um Benfica em crise, dando ao feito minhoto apenas uma falsa manchete que, num primeiro olhar, não reflecte devidamente a importância da vitória portuguesa na Europa do futebol. É assim que o futebol português marca passo e não se desenvolve.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O sucesso do Braga e o dinheiro no futebol

O Sporting Clube de Braga, um pequeno clube da província, gasta 12,5 milhões de euros anuais com o futebol, menos de metade do que aquilo que gasta o Sporting Clube de Portugal e 10 vezes menos do que gastam os espanhóis do Sevilha. Mesmo assim, o vice-campeão português está na Liga dos Campeões, sendo o primeiro clube português situado fora de Lisboa e Porto a conseguir o apuramento para a mais importante prova de clubes do planeta. E continua candidato ao título nacional.
O sucesso bracarense prova que, também no futebol, o dinheiro não é tudo. Donde, as palavras de esperança dos gestores da SAD do Sporting, quando dizem que a reestruturação financeira visa libertar mais dinheiro para investir no futebol (levando-nos a pensar que, nessa altura, o futebol leonino será mais competitivo), não aquecem nem arrefecem a nação sportinguista.
Porque uma equipa competitiva é formada com os melhores jogadores e não com os jogadores mais caros. É formada com bons treinadores. Por outras palavras, uma equipa competitiva nem sempre é aquela que proporciona as melhores comissões aos intermediários do negócio de compra e venda de jogadores, onde, em muitos casos, estão incluídos os dirigentes dos clubes.
Só nas compras de Pongolle (um antigo craque francês em decadência) e Torsiglieri (um defesa-central argentino que era suplente do agora portista Otamendi, este com menos de 1,90 metros de altura...) o Sporting gastou 10 milhões de euros (cerca de um terço do orçamento anual). Ou seja, quase 50 por cento de todo o dinheiro que o clube já investiu na compra de jogadores desde Janeiro. Dá que pensar, quando esses jogadores nem sequer convocados são. Mas ninguém pede responsabilidades ao conselho de administração.
Mas o que acontece no Sporting também acontece no Benfica e até em maior escala, porque também investe mais. Basta olhar para o negócio da compra do guarda-redes espanhol Roberto, por 8,5 de euros, o oitavo guarda-redes mais caro da história do futebol. FOTO: Cristina Quicler (AFP Photo)

Obs. – O Sporting de Braga vende jogadores e não perde capacidade competitiva. Só nesta década, já vendeu três laterais-direitos ao Sporting: Luís Filipe (aquele que marcou o primeiro golo leonino no novo estádio, ao Manchester United), Abel e João Pereira (que insulta os árbitros sempre que é derrubado por um adversário). Os três somados não dão um lateral-direito titular indiscutível, daqueles que nos dão toda a confiança dentro do campo. É por isso que o Braga vende jogadores e não perde capacidade competitiva. Entretanto, também vendeu Evaldo ao Sporting. Curiosamente, o Sporting não conseguiu comprar um dos melhores jogadores bracarenses, o defesa-central Rodriguez. Porquê? Terá sido pelo facto de o peruano ter menos de 1,90 metros de altura? Se calhar foi mesmo...

Parece que almoçaram "Frango à Roberto"...

Onde é que está alguém com alto nível, que a gente não vê ninguém, nesta manchete de "A Bola"?... Será que o Sporting vai trocar o guarda-redes internacional sérvio Stojkovic por esse grande goleador Makukula, pelos vistos, o mais recente ídolo do treinador Paulo Sérgio?...
Depois de ter resolvido um problema do meio-campo do FC Porto, vendendo João Moutinho ao desbarato ao amigo Pinto da Costa, será que José Eduardo Bettencourt vai resolver o grave problema da baliza do Benfica? E quando é que Bettencourt começa a resolver os problemas do Sporting?...
De resto, se o motivo do encontro teve a ver com as modalidades amadoras, o que é que o presidente do Sporting foi tratar no almoço com Luís Filipe Vieira? Terá ido aprender como é que se faz um pavilhão ao lado do estádio?... Se foi isso, tudo bem.
É que o director das modalidades do Sporting, Mário Patrício, que também esteve na "cimeira", dá uma entrevista de duas páginas precisamente na edição de hoje de "A Bola", e não faz uma única referência a algum assunto a resolver com o Benfica. No mínimo, é curioso...
Por outro lado, dizem que Bettencourt e Vieira querem um pacto de não agressão ao nível das transferências de atletas das modalidades ditas amadoras. Mas qual foi a agressão que houve nos últimos tempos?... Paulo Fernandes, treinador campeão no futsal leonino, foi para o Benfica porque o clube de Alvalade não estava interessado na sua continuidade e procurou um novo ciclo com o ex-seleccionador nacional Orlando Duarte.
Que a gente saiba, as únicas agressões entre os dois clubes de Lisboa foram perpetradas por adeptos benfiquistas que, como vândalos, invadiram à pedrada a Academia de Alcochete, num jogo Sporting-Benfica, no final do Campeonato Nacional de Juniores 2008-2009. Houve pedradas, poderia ter havido mortes. Mas de Bettencourt nem uma palavrinha...
Mas, imaginemos que, de facto, o motivo desta "cimeira de alto nível" teve a ver exclusivamente com assuntos relativos às modalidades: por que é que os presidentes dos dois clubes não falaram à comunicação social, informando, de forma transparente, o que foi tratado durante o repasto? Ao fazer o que fizeram, ignorando os jornalistas e fugindo do restaurante como quem não pagou a conta, Bettencourt e Vieira trataram todos os sócios do Sporting e do Benfica como uns grandes parolos... Caso contrário, não apareciam em público. Quem não quer ser visto não vai almoçar fora de casa.

(última actualização às 19h30)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Sporting em 1999-2000: mau começo, final feliz

A pré-temporada da época 1999-2000, sob a direcção de Giuseppe Materazzi, não convenceu lá grande coisa. No entanto, eu, que assisti ao trabalho de preparação nas Caldas da Rainha, posso dizer que o técnico italiano tratou bem do físico dos jogadores. Foi de tal ordem que, nos primeiros jogos de preparação, eles nem andavam.
Há 18 anos sem vencer o campeonato, parecia que o Sporting ia ter mais um ano de jejum. O futebol não era bonito e a fraca exibição em Campo Nou, nos 100 anos do Barcelona, foi mais bem penalizante que o resultado, derrota por 3-1. A crítica espanhola arrasou a equipa leonina e "A Bola" titulava com esta frase: "Mais um episódio da casa dos horrores de Materazzi!"
No primeiro jogo do campeonato, os leões foram até aos Açores para defrontar o Santa Clara, então treinado por Manuel Fernandes. Aos 20 minutos, o Sporting perdia por 2-0. Na tribuna VIP, os dirigentes leoninos não disfarçavam o mal-estar, que tinha a ajudar o calor e a grande humidade do ar que quase sufocava. O encontro acabaria com um empate a 2 bolas.
O resultado deixou os dirigentes da SAD muito incomodados, em especial Paulo Abreu, que era o líder na altura. No aeroporto, a conversa ia mesmo parar à substituição imediata do técnico. A frase mais ouvida era: "Mais vale agora que estamos no começo do que mais à frente quando já não houver hipóteses."
Materazzi nem os seus adjuntos tinha por perto no aeroporto. Estava sozinho, a aperceber-se que estava a ser visado, como que já condenado a deixar rapidamente o Sporting. Isso acabou por acontecer um pouco mais tarde. Foi à 5ª jornada, após um empate, em Braga, frente ao Gil Vicente. Para trás estava uma derrota por 3-0 na Noruega, com o Viking, para a Taça UEFA. Na 2ª mão, em Alvalade, a equipa já foi dirigida por Augusto Inácio e o resultado foi uma magra vitória por 1-0. O resto já todos sabemos. Sporting foi campeão, após 18 anos de espera.
Apesar de não ter tido sorte nos resultados, Materazzi não deixou de ser marcante para todos aqueles que com ele lidaram, como foi o meu caso. Era, e é certamente, um homem sério, de coluna direita, defensor do seu grupo e sempre com uma postura correcta e tranquila. Tenho a certeza que a equipa acabou por beneficiar da boa preparação física que ministrou no início de época e, por isso, também foi um dos que contribuíram decisivamente para a conquista do Campeonato em 2000. Afinal o que começou mal acabou em grande.
O arranque desta temporada de 2010-2011 está a ser também muito problemático. Derrotas para o campeonato e para a Liga Europa não auguram nada de bom. E o que aflige mais é perceber-se que a equipa do Sporting é pior que a da época passada. Saíram os dois melhores jogadores - Moutinho e Veloso -, Izmailov está de fora e Paulo Sérgio não parece ter "unhas" para esta "guitarra". As aquisições não convencem.
Os tempos são difíceis em Alvalade. Em 1999, a resposta aos desaires iniciais foi uma revolução completa. A direcção da SAD foi toda mudada, o treinador também foi mudado e os resultados apareceram.
Nesta altura não sei se uma mudança radical chega para dar a volta à situação actual. Os erros cometidos ao longo de muitos anos, este incluído, estão a puxar o Sporting para um patamar muito abaixo dos pergaminhos do clube. A esperança é a última coisa a morrer, mas também essa parece estar arredada dos adeptos leoninos.

Carlos Severino, ex-assessor de imprensa do Sporting, autor do blogue "Repórter 24", 19-08-2010

André Santos, o recuperador de bolas do SCP

André Santos: o Sporting apostou em jogadores experientes, mas o reforço que se destaca na equipa leonina é um jovem produto da formação...

André Santos, do Sporting, e Elias, do Portimonense, foram os jogadores que, na 2ª jornada da I Liga Portuguesa, conseguiram mais recuperações de bola (23), em 90 minutos de jogo. Um dado muito positivo na exibição do jovem médio leonino, um produto da formação leonina que, na época passada, rodou na União de Leiria.
No jogo com o Marítimo, André Santos ainda assinou um remate à baliza que poderia ter dado golo e executou 41 passes certos (87 por centos dos passes feitos ao longo da partida com o Marítimo). Ainda no Sporting, e segundo dados oficiais da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, o defesa-central Nuno Coelho (ex-FC Porto) foi o segundo jogador com mais recuperações (12) e o lateral-esquerdo Evaldo (ex-Sp. Braga) o terceiro com nove. Maniche registou 6 recuperações e estreante Zapater apenas 4.
Curiosidade: o montenegrino Vukcevic, que jogou 72 minutos e executou um remate à trave, na marcação de um livre, não fez uma única recuperação de bola, ao contrário dos seus companheiros do ataque Liedson (3 recuperações) e Yannick (6 recuperações). FOTOS: "A Bola Online"

domingo, 22 de agosto de 2010

Penálti no fim do jogo alivia Alvalade

O futebol do Sporting continua desgarrado e inconsequente, sem alma e sem ordem, fazendo sofrer os sportinguistas e não dando nenhumas garantias para o futuro, agora que começa a temporada. Desta vez, deu para ganhar ao Marítimo, por 1-0, graças a uma grande penalidade indiscutível, que só chegou aos 89 minutos e que foi concretizada por Matías Fernandez. Foi um alívio em Alvalade, Até então, e no meio de longos bocejos de quem assistia, no estádio ou pela televisão, o Sporting só tinha criado perigo recorrendo a esporádicos remates de longe.
Nesta vitória arrancada a ferros, o espanhol Zapater fez a sua estreia (tendo mostrado que o Sporting não perdeu nada com a sua entrada envolvida no negócio da venda de Miguel Veloso ao Génova...) e Rui Patrício voltou a estar entre os melhores jogadores do Sporting.
Liedson sofreu a falta que deu origem à grande penalidade que decidiu a vitória, mas no resto da partida revelou que já não resolve como antigamente. Os anos pesam. Nele e em Maniche. Já o jovem André Santos ganha peso na equipa. Mas o desempenho global está fraquinho. Dois jogos, um golo marcado e outro sofrido. Valem os três pontos na classificação, que são já de vantagem sobre o rival Benfica. FOTO: Reuters

Obs. - José Eduardo Bettencourt e Costinha estão escondidos desde que o Sporting perdeu em Paços de Ferreira. Se calhar, vão começar a falar hoje ou durante a semana que agora começa. Ora, é bom lembrar que o treinador Paulo Sérgio esteve a semana inteira entregue a si próprio, dando o corpo às balas, acabando por perder-se numa troca de galhardetes com um antigo presidente do clube, que só lhe ficou mal. Pelos vistos, o Sporting não mudou de vida.

Sporting precisa de assumir um caminho

Carta enviada por Yazalde 76, sócio do Sporting Clube de Portugal devidamente identificado:

Começo por ter a honestidade intelectual de declarar que fui um dos que preconizaram aquilo que se veio a denominar Projecto "Roquette". Apoiei, desde então, as directrizes das sucessivas direcções do Sporting Clube de Portugal.
Reconheço não apenas que se cometeram erros mas que se racionalizou demasiado o clube sem que os resultados aos mais diversos níveis o justificassem.
Apesar de não me entusiasmar, apreciei deveras o trabalho de Paulo Bento nos 4 anos que treinou a equipa principal. Não fosse a corja habitual – sistema, árbitros e comunicação social – teria sido claramente o melhor período de resultados da história que vivi (desde Novembro de 1964). Mas também não esqueço que tenho quase 46 anos e fui campeão nacional de futebol apenas 7 vezes...
Posto isto, e dado que estamos numa encruzilhada, para onde deveremos ir?
A actual direcção herdou uma situação difícil a todos os níveis e com o tempo a escassear mais do que o habitual tem balbuciado, especialmente no futebol profissional. Se a reestruturação financeira está finalmente perto de estar concluída. Se nas modalidades se reencontrou o caminho, não apenas do sucesso, mas do orgulho em ser Sporting. Quanto ao futebol... E engana-se quem pensa que há saídas fáceis e milagrosas. (...)
Impõe-se uma séria reflexão e o traçar de um caminho. Não quero menosprezar o trabalho de todos aqueles que estiveram no Congresso em Santarém, nos quais me incluo, mas foi, no mínimo, inconsequente.
Confesso não estar seguro de qual seja o caminho certo, mas dou o meu modesto contributo. O futebol é essencialmente amor e paixão. (...) O que as pessoas querem é ver o seu clube ganhar e assim terem algumas alegrias.
Orgulho-me de fazer parte de um clube em que as pessoas cantam "O Sporting é o nosso grande amor". Mas, infelizmente, aqueles que o amam – da única forma que deveria ser o amor, incondicional e absoluto – não são muitos. A maior parte apenas ama quando ganha. Mas essa é a natureza das coisas e pelo menos neste campo não pretendo ser D. Quixote.
Estou certo de que a maioria dos adeptos apenas quer uma coisa. Ganhar. A qualquer custo e sem olhar a meios. É um caminho. Perigoso, porque só pode ganhar um, por piores ou melhores que sejamos. Mas ainda assim um caminho. (...)
Teremos finalmente de nos dar ao respeito e exigir ser respeitados pela corja habitual. Mas percorrendo ou não esse caminho, temos de definir uma política desportiva estável e consequente que nos guie.
Ao longo dos últimos anos aprendemos à nossa custa o mapa da formação, os seus méritos e perigos. Estaremos hoje todos de acordo que deveremos formar jogadores para o, e à Sporting, e não para os negociarmos. Os negócios decorrerão (ou não) naturalmente, mas esse não pode nem deve ser o objectivo e muito menos a mentalidade que incutimos nos que formamos.
Uma das coisas que mais me incomoda é o facto de "situação" e "oposição" esgrimirem argumentos corporativos e economicistas – activos, investimentos, auditorias, rentabilidade, etc. – que não alimentam mas minam o sentimento.
O facto de sermos dos poucos clubes que ano após ano tem governo e oposição também diz muito. A meu ver – e sem entrar em detalhes estéreis para este efeito – existem duas opções:
a) RESULTADISTA. Potencialmente mais eficaz a curto prazo. Espectáculo é na Ópera. Futebol é para ganhar nem que seja meio a zero com o golo marcado no último minuto, com a mão e fora de jogo. Exemplos? Domingos Paciência, do SC Braga, o mais italiano dos treinadores. Mas também Paulo Bento que com a sua tranquilidade espremeu tudo que podia de plantéis frágeis.
b) ATACANTE. Mais divertido e entretido, mas de resultados duvidosos num mundo dominado pelo "bas fond" e num campeonato de retranca. O futebol do queremos marcar mais um que o adversário. Exemplo? Co Adrianse e os seus 3 defesas.
Nenhum deles é garantia de sucesso, leia-se vitórias. Mas o segundo claramente rega melhor o nosso amor e paixão e proporciona mais entretenimento.
Esta é a minha perspectiva. Teremos de assumir um caminho. Estável e com um objectivo. Frontal e sério. Por isso talvez seja tempo de pensar em prazos e objectivos. O de Roquette era 2 títulos em cada 5 anos ou se preferirem ganhar 40% das vezes. Ganhámos 1 em 10. 10%. Mas recordo que também nesse tempo se experimentou um caminho. Caminho esse que curiosamente não deu logo resultados porque o Sistema – da forma mais descarada e impune de que me lembro – não deixou. Lembram-se do Mirko Jozic?
Mas não pode ser um projecto de um ano apenas. Será que estaremos disponíveis para esperar?...

Yazalde 76 (associado do Sporting Clube de Portugal, devidamente identificado; depoimento enviado por e-mail)

O jornal oficial

É extraordinário: quando o Benfica perde, o vermelho desaparece da primeira página de "A Bola". Digno de um jornal oficial...
Entretanto, a imprensa italiana dá o Sporting como muito interessado em Bolatti, que eu saiba, uma antiga "maçã podre" do plantel portista. Mas, sobretudo, trata-se de mais um ex-portista. Enfim, só podem estar a brincar. Ou é mesmo verdade?... Dizem que o River Plate, o Liverpool e o Bordéus também estão interessados no jogador. Mas isso é manobra de empresário para impressionar José Eduardo Bettencourt...
Falemos do jogo de hoje, com o Marítimo: Pongolle, que é uma espécie de "Roberto do Sporting", não foi convocado, por lesão. Nada de novo. O que é preciso é que o Sporting consiga vencer os madeirenses, sacudindo a onda negra para os lados de Carnide...

sábado, 21 de agosto de 2010

Paulo Sérgio diz que Santana Lopes é estúpido

"Não li, nem ouvi, mas ele [Pedro Santana Lopes] é sportinguista. Precisamos é de mensagens de apoio e não de destruição. (...) Para gente estúpida não tenho paciência."

"Os meus jogadores são sempre os melhores do Mundo. São eles que defendo até à morte, e é com eles que vou defender as cores do Sporting. Há quem brinque com esta frase, mas eu mantenho-a."

"Ando angustiado desde que perdi em Paços de Ferreira. É verdade que não ando feliz, mas não perdi a confiança no grupo."

Paulo Sérgio, treinador do Sporting, na conferência de imprensa de lançamento do jogo com o Marítimo, "Correio da Manhã Online", 21-08-2010

Santana Lopes diz que o SCP "é mau demais"

"Tenho procurado manter silêncio sobre muitos assuntos, também pela simpatia que tenho por José Eduardo Bettencourt. Mas aquilo é mau de mais. Os jogadores que noutros clubes jogam para a frente, chegam a Alvalade e começam a jogar para o lado. E, semanas depois, para trás. Evaldo é um exemplo. João Pereira é a excepção."

"Já agora, quero exteriorizar mais algumas opiniões sobre o futebol do Sporting que, há tanto tempo, nos deixa tristes. Para começar, confesso que já estamos saturados de perder com o Paços Ferreira..."

"Está na hora de tomar a decisão sobre Stoykovic, guarda-redes da selecção da Sérvia. Zapater, dizem que sim, Pongolle, continuamos à espera. Falta liderança, espírito de conquista."

"Costumo discutir muito com os meus filhos sobre Liedson. São fãs incondicionais. Como muitos adeptos de outros clubes. Amigos meus do Porto e do Benfica - especialmente estes - dizem que gostavam de contar com o "Levezinho" nas respectivas fileiras. É, sem dúvida, um finalizador muito eficaz. Mas, para mim, o problema do Sporting é o chamado "fio de jogo". O Sporting nunca tem jogadas automatizadas, nunca joga para a frente. Precisamos de jogadores que sejam bons no "um para um". Jogadores que, quando recebem a bola, não dêem sempre uma volta sobre si mesmos mas que, antes, comecem a correr para a baliza ou "tabelem" para ir buscar a bola mais à frente... Ora, para isso, têm de ganhar, em velocidade, aos defesas."

"Já sei que todos somos "treinadores de bancada" e que "cada cabeça, cada sentença". Mas, tem sido tanto tempo com esta sensaboria e a "metermos para dentro" o que nos apetece dizer. Apetece ver em Alvalade um grande jogador, uma grande jogada... Nem que se desinvista noutros... Para quem tem idade para isso, lembram-se do Yazalde, do Keita, do Damas, do Oliveira, do Jordão, do Manuel Fernandes, do Fernando Peres? Estamos fartos de bocejar naqueles jogos. Queremos vibrar. Queremos ganhar."

Pedro Santana Lopes, primeiro presidente do Sporting da era "Projecto Roquette", em 1995-1996, em texto escrito no seu blogue pessoal, 20-08-2010
FOTO: José Pedro Tomaz ("i")

Os fatos de Costinha

1997 não foi ano de Mundial nem de Europeu. Mas houve um acontecimento extraordinário no futebol português, com a transferência de um desconhecido do Nacional da Madeira, então na 2.a divisão B, para o estrangeiro. O nome? É muito comprido. Abreviemos para Costinha.
"Assinei por cinco anos com o Valência", contou ele ao "i" há uns dias. "Mas o mundo desabou quando me encontrei no hotel com o Jorge Valdano [na altura, treinador do Valência e agora dirigente do Real Madrid]. Disse-me que era uma contratação do presidente [Francisco Roig] e não dele. Ele queria um trinco como o Guardiola do Barcelona ou o Redondo do Real Madrid. Não estava preparado para suportar essa carga de exigência do treinador [despedido na terceira jornada, com zero pontos em nove possíveis]. Então, pedi ao meu empresário para me colocar noutra equipa. Acertei a saída com o presidente e tive a possibilidade de ir treinar ao Mónaco. Eles queriam um médio e a primeira opção não aceitou sair do clube, o Paulinho Santos, do FC Porto. Fui eu e, no final do segundo treino, o Tigana [treinador do Mónaco] perguntou-me se queria ficar. Respondi-lhe: ''Claro que sim.''"
É aqui, no Verão de 1997, que a vida de Costinha muda significativamente. Cresce como atleta, ao ponto de começar a ir à selecção nacional com a frequência de outros nomes mais mediáticos como Figo e Rui Costa, e vira modelo para os restantes companheiros. E modelo no sentido de elegância e admiração no balneário mais chique da Europa. Aparece então a alcunha de Ministro, que ainda lhe assenta que nem uma luva.
"O Henry [Thierry, avançado do Mónaco e da França] era danado para a brincadeira. Como eu ia de fato para o treino todos os dias, ele começou a chamar--me de ministro. A alcunha espalhou-se por todos os companheiros e pegou. Alcunhas há muitas mas essa ficou. Até hoje."
É verdade. Ainda hoje, Costinha, grande fã de James Bond, carrega esse nome, agora por força do contacto diário com a imprensa portuguesa como director de futebol do Sporting.
O "i" apanhou-o em seis dias diferentes e fotografou-o com seis fatos. Seis dias e seis fatos, soa-lhe a pleonasmo? Mas não é. Há um mês, Costinha falou com o jornal "Expresso" e vestiu três fatos durante a entrevista (tem mais de 50 completos em casa, além de carros e relógios "cheios de pinta"). O gosto pela elegância, ao estilo de um agente secreto, dá-lhe para isto. E para governar o Sporting. Que teima em continuar sem vestir nada para cobrir os maus resultados.

FONTE: Jornal "i", 21-08-2010
Obs - Título da responsabilidade do LEÃO DA ESTRELA

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O Natal do Sporting pode chegar em Agosto...

"A equipa do Sporting, em termos mentais, não se pode perder tacticamente..." Muito pior do que os comentários indecifráveis de Carlos Manuel, na Sport TV, é o futebol desconexo do Sporting, que, esta noite, voltou a desiludir, em Alvalade, ao perder por 2-0, com os dinamarqueses do Brondby, comprometendo seriamente o acesso à fase de grupos da Liga Europa. É caso para dizer que, em termos europeus, o Natal do Sporting, este ano, pode chegar em Agosto...
Na pré-temporada, José Eduardo Bettencourt tinha dito que os jogadores do Sporting iriam “vender cara a derrota", sendo "dignos como os campeões". Mas o que temos visto é que nem esse estranho objectivo do presidente leonino tem sido cumprido pela equipa de Paulo Sérgio. E o discurso do treinador, que é um discurso próprio de um treinador do Sporting, começa, porém, a soar a conversa de vendedor de banha da cobra, tal é a diferença entre as palavras ditas e o jogo jogado. Na verdade, tanto em Paços de Ferreira, como agora, em Alvalade, contra uma equipa fraca, mas organizada, prática e objectiva, como o Brondby, o Sporting vendeu uma derrota humilhante por um preço demasiado barato.
O Estádio de Alvalade assistiu a uma espécie de segunda parte do jogo de Paços de Ferreira, com um Sporting de fogachos, sem identidade, sem capacidade de sofrimento, sem talento e, muitas vezes, sem vontade, como em toda a primeira parte. Só durante alguns minutos, quando o resultado já estava feito e estava decorrida uma hora de jogo, é que Liedson, por duas vezes, e Nuno André Coelho traduziram uma curta reacção leonina com remates que se transformaram em três ocasiões soberanas para marcar. Mas a equipa não teve sorte. Porque a sorte, costumam dizer, é de quem a procura. E, no resto do tempo, o Sporting não existiu. Nomeadamente no momento dos golos nórdicos, gentilmente oferecidos pela defesa lisboeta. Ou então quando o pseudo-renascido Hélder Postiga, com a baliza na frente, cabeçeou muito por cima, como quem não sabe jogar à bola. Muito fraco. A Liga Europa é uma miragem...

Diogo Salomão, a surpresa

Frente aos dinamarqueses do Brondby gostaria de ver Paulo Sérgio a surpreender o adversário e os sportinguistas colocando em campo a irreverência, a juventude e a capacidade técnica que Diogo Salomão nos mostrou na pré-temporada. Não me falem em inexperiência da jovem descoberta leonina. Um jovem entre vários trintões demasiado maduros (Anderson Polga, Maniche, Liedson, etc.) é bem preciso para que a equipa do Sporting tenha algum sangue na guelra (1) de modo a fazer os desequilibrios necessários para uma grande noite europeia. Tenha coragem, Paulo Sérgio! E surpreenda-nos!... FOTO: Record

(1) - Ter o sangue da guelra, segundo o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, da Porto Editora, significa "ser muito vivo e proceder inconsideradamente". É disso que o futebol do Sporting precisa.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O plano financeiro de Bettencourt

Depois de concluídas as negociações entre o Sporting e os bancos financiadores (BES e BCP), o plano de reestruturação financeira e recapitalização da SAD do Sporting, que será sujeito a uma assembleia geral de accionistas, agendada para 9 de Setembro de 2010, às 18h00, no Estádio de Alvalade, que hoje foi comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), implica as seguintes operações:

1 - Redução do capital social de Euros 42.000.000,00 para Euros 21.000.000,00, destinada à cobertura de prejuízos, a efectuar mediante a redução do valor nominal da totalidade das acções representativas do capital social de Euros 2,00 para Euros 1,00;

2 - Aumento do capital social no montante de Euros 18.000.000,00, passando de Euros 21.000.000,00 para Euros 39.000.000,00, a realizar por novas entradas em dinheiro através de emissão de 18.000.000 (dezoito milhões) de novas acções ordinárias, escriturais e nominativas, com o valor nominal de 1 Euro cada, através de subscrição pública com respeito pelo direito de preferência dos accionistas, pelo preço de subscrição de 1 Euro;

3 - Emissão de Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis em acções da sociedade (“VMOC”), escriturais e nominativos, no montante máximo de Euro 55.000.000,00 (cinquenta e cinco milhões de euros), de valor nominal de 1 Euro cada, com prazo máximo de 5 anos, com preço de subscrição de 1 Euro, com taxa de juro nominal anual bruta de 3%, obrigatoriamente convertíveis em acções ordinárias da Sporting SAD a um preço de conversão de 1 Euro. A emissão será efectuada através de subscrição pública, com respeito pelo direito de preferência dos accionistas.

Segundo José Eduardo Bettencourt, que apresenta este plano com um ano de atraso - recorde-se que, na campanha eleitoral, em Maio de 2009, revelou que apresentaria o plano num prazo de dois meses após a eleição... - a implementação destas medidas "permitirá" à SAD do Sporting, "por um lado, elevar os seus capitais próprios, deixando de estar abrangida pela previsão do art. 35º do Código das Sociedades Comerciais, e, por outro lado, dotar a Sociedade dos meios necessários à gestão da sua actividade".
Como não sou economista, nem percebo de malabarismos financeiros - os mesmos que, nos últimos 15 anos, conduziram o Sporting Clube de Portugal à ruína -, deixo os comentários para os especialistas...
De qualquer modo, um leigo percebe perfeitamente que, se as coisas, do ponto de vista financeiro, ficarem como Bettencourt pretende, isso significa que, doravante, o presidente do Sporting deixará de ter desculpas para eventuais falhanços de gestão.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

De Franceschi e a camisola verde e branca...


Leia mais sobre De Franceschi no LEÃO DA ESTRELA, clicando aqui.

Carriço promete reacção leonina

"Sabemos que o jogo [com o Paços de Ferreira] não correu como esperávamos, falhámos muitas ocasiões de golo, mas a equipa, certamente, vai reagir da melhor maneira. E temos já uma próxima batalha, na quinta-feira, e vamos corresponder. Esperamos que os sócios estejam sempre connosco como estiveram na Mata Real. Foram importantes, apesar de não termos conseguido a vitória. A equipa está unida e vamos reagir."

"O grupo está unido, está forte. Sabemos que perdemos o primeiro jogo, mas há muito campeonato pela frente e estamos em todas as competições para ganhar e trazer sucesso ao clube."

"Espero que compareçam no estádio quinta-feira [frente ao Brondby, em jogo da primeira mão de acesso à fase de grupos da Liga Europa] (...). Se remarmos todos para o mesmo lado, vai ser muito mais fácil."

Daniel Carriço, jogador do Sporting, "A Bola Online", 16-08-2010

domingo, 15 de agosto de 2010

A tradição funcionou no Estádio da Luz

A Académica venceu o Benfica (2-1) na Luz. Um resultado nada surpreendente. Em 2007-2008, a Académica ganhou 3-0, também no Estádio da Luz. E em 2008-2009 ganhou 1-0. Portanto, em quatro temporadas, registaram-se três vitórias da equipa de Coimbra. A tradição funcionou no Estádio da Luz. FOTO: Reuters

Para acabar de vez com a ilusão e a mentira

Uma onda depressiva continua a invadir os sportinguistas porque o futebol do Sporting Clube de Portugal há muito tempo que vive na ilusão e na mentira. E a principal mentira é fazer de conta que o Sporting tem uma grande equipa de futebol que luta pela vitória em todas as frentes. Não tem, obviamente.
A grave situação financeira e desportiva que o Sporting está a atravessar tem um rosto histórico (José Roquette) e tem vários rostos institucionais (José Eduardo Bettencourt, presidente do clube e da SAD; Pedro Mil-Homens, director da Acedemia que o próprio critica e administrador da SAD; Agostinho Abade, presidente do Conselho Fiscal; Dias Ferreira, presidente da Assembleia Geral; e Ernesto Ferreira da Silva, mandatário da candidatura de JEB e presidente do Conselho Leonino).
Estamos perante um grupo de gestores da treta que não percebem nada de futebol e que são comidos todos os dias nos meandros muito específicos do futebol português. Para eles, basta ocupar as cadeiras mais douradas do Estádio de Alvalade ou do Estádio do Dragão (de preferência, ao lado de Pinto da Costa, o "Papa"), para serem homens felizes e realizados.
São estes seres que patrocinam a ilusão e a mentira em que o Sporting vive mergulhado. Um clube que, 15 anos depois de José Roquette, tem uma dívida financeira 10 vezes superior e que, neste intervalo de tempo, se deixou ultrapassar pelo FC Porto em número de títulos conquistados no futebol português, sendo atirado para o terceiro lugar.
A ilusão e a mentira têm sido, de resto, o mote da gestão desastrosa de José Eduardo Bettencourt, curiosamente o primeiro presidente profissional do clube. Foi ele que prometeu um Sporting "muito forte". Foi ele que prometeu um Sporting ecléctico e a lutar pelo título no futebol.
Esqueceu-se, porém, de construir um plantel decente. Por falta de dinheiro, mas também por incompetência. Daí ter colocado os destinos do futebol do Sporting nas mãos de Costinha, um homem associado para sempre ao sucesso do FC Porto e que, em todas as entrevistas que dá, tem de afiançar que é sportinguista desde pequenino...
Por isso, o Sporting só tem um caminho a seguir: precisa, urgentemente, de corrigir o discurso vencedor e ambicioso que tem assumido, porque ele está nos antípodas da realidade, devendo apontar como objectivo principal desta época a mera conquista de um lugar de acesso à Liga Europa. Para acabar de vez com a ilusão e a mentira, que está a transformar os sportinguistas em seres depressivos na sociedade portuguesa.

Pinto da Costa e os "amigos" do Sporting...

"Torço pelo Sporting. Nós temos dois clubes: o nosso, que não muda, e o clube onde estão os nossos amigos."

"[A contratação de João Moutinho] foi uma ideia do acaso. Em Junho deste ano, o empresário do Moutinho falou-nos e disse que tinha um documento em que o Sporting dava autorização para vender o jogador por dez milhões de euros sem limitações para Portugal. Quis ver o documento e quando me assegurei de que assim era perguntei ao Villas Boas se o jogador lhe interessava. Quando ele me disse que sim, marquei reunião com o Sporting, depois de o seu presidente me ter dito que concordava com o negócio. A seguir, tivemos também o cuidado de mandar uma mensagem ao Moutinho a perguntar se ele estava interessado em vir para o FC Porto. A resposta dele foi: "Já"."

"Quando o Moutinho soube que poderia vir para o FC Porto, já o Sporting tinha reuniões marcadas connosco para esse negócio."

Pinto da Costa, "Expresso", 14-08-2010

O masoquismo de Paulo Sérgio

"Não fizemos um jogo brilhante [com o Paços de Ferreira], mas podíamos ter saído daqui com outro resultado. Fomos pouco eficazes, mas as bolas vão entrar. Seria mais preocupante se não conseguissemos chegar à baliza."

"O jogo foi equilibrado e não rendemos aquilo que podiamos render; eu sou o responsável pela derrota."

"A equipa conseguiu ser equilibrada, mas foi pouco criativa. Não gostei de ver tantas oportunidades desperdiçadas. Temos de fazer mais para ter e merecer o apoio massivo dos adeptos."

Paulo Sérgio, em Paços de Ferreira, TVI, 14-08-2010

sábado, 14 de agosto de 2010

O pior começo possível

Ver o Sporting perder na primeira jornada da Liga com uma equipa que luta para não descer de escalão é algo de que não tenho memória. Mas aconteceu no arranque desta Liga 2010-2011. A jornada inaugural ainda não está toda disputada e o Sporting já está com três pontos de atraso em relação ao líder.
Depois do discurso iluminante do treinador Paulo Sérgio (afinal, verificamos agora que a letra não diz com a careta...) e de alguns fogachos animadores que foram visíveis em alguns jogos da pré-temporada, o Sporting perdeu em Paços de Ferreira (1-0) e o futebol leonino caiu na real. Na Mata Real, mais precisamente.
O conjunto leonino ("conjunto leonino" é uma força de expressão...) ainda deu um arzinho da sua graça, criando algumas oportunidades de golo, daquelas que as grandes equipas não costumam desperdiçar. Mas a equipa de Paulo Sérgio não acertou com a baliza contrária e mandou no jogo apenas por pouco tempo.
Na segunda parte, o Sporting não teve pulmão, não teve imaginação, não teve identidade e, sobretudo, não teve talento para dar a volta a uma derrota que estava à vista muito antes do apito final do árbitro. Para o Sporting, foi o pior começo possível. O guarda-redes Rui Patrício foi o melhor jogador leonino. O que diz quase tudo. FOTO: Reuters

A roubalheira já começou

O Benfica ainda não entrou em campo, mas a roubalheira já começou na I Liga Potuguesa 2010-2011. Na Figueira da Foz, o FC Porto não acertava com a baliza da Naval 1º de Maio e o jogo aproximava-se do fim, apitado pelo pseudo-árbitro Paulo Baptista - o mesmo badalhoco que, há poucos anos, também numa primeira jornada, em Alvalade, num jogo com o Trofense, transformou uma falta dois metros fora da área numa grande penalidade contra o Sporting...
Pois bem, na Figueira, esse Paulo Baptista, nos últimos 10 minutos, lá providenciou uma grande penalidade que decidiu a contenda. A favor do FC Porto, claro. Talvez para que Pinto da Costa se cale e deixe de falar dos 5 cartões vermelhos que dias antes tinham sido perdoados aos jogadores do Benfica (que nem assim conseguiram ganhar a Supertaça ao FC Porto).

Tudo começa em Paços de Ferreira...

"Sei a energia daquela gente e a matriz daquelas equipas. Jogar à Paços significa humildade, trabalho e determinação. Só ter talento não chega para ganhar na Mata Real."

"Não chega só levar as camisolas verdes e brancas à Mata Real. Vai ser preciso trabalhar muito e correr tanto ou mais que o Paços."

"Às vezes parece que quase nos arredam dessa luta [pelo título]. Já fizeram o pódio e têm alguma dificuldade em colocar-nos lá. É um desafio provar a toda a gente que vamos ter peito para enfrentar essas batalhas."

Paulo Sérgio, "Público", 14-08-2010

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Travassos e a imprensa desportiva

Faz hoje 55 anos que um jogador português, Travassos, um dos "Cinco Violinos" do Sporting, foi, pela primeira vez, convocado para uma selecção da Europa. A imprensa desportiva portuguesa, a pobre e manietada imprensa desportiva, ignora esse facto histórico. Só o "Record" o lembrou, mas discretamente, na pequenina coluna das efemérides. De resto, nem uma linha sobre este momento histórico do futebol português. E nós sabemos que Rui Costa, se comemorasse os 20 anos da sua primeira internacionalização pela principal selecção portuguesa, teria, no mínimo, duas páginas em "A Bola". E se Eusébio fizesse anos, teria direito, pelo menos, a um suplemento especial.
Mas há excepções. Felizmente, há um jornal de informação geral que dá o exemplo. O diário "i", o benjamim da nossa imprensa, dirigido pelo excelente jornalista Manuel Queiroz, é o único jornal a recordar a história da convocação do primeiro jogador português para a selecção da Europa, que popularizou o sportinguista Travassos como o "Zé da Europa". Parabéns!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...