quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Bettencourt contestado também por accionistas

Presidente do Sporting admite
que é "nabo e incompetente",
mas garante que não é vigarista.

O dia começou com uma revelação - as calças de ganga estão proibidas aos funcionários do Sporting, para "cultivar a imagem profissional, questão com impacto importante na representação e imagem do clube". Mais tarde, na AG da SAD, viram-se umas quantas calças de ganga, ou jeans, entre pessoas do staff lisboeta. E sobretudo nos mais de 100 contestatários que, de forma cívica, se foram juntando perto do edifício-sede para protestar contra a actual direcção e o momento leonino. "Sporting, acorda" foi uma das frases mais ouvidas entre o movimento que critica a gestão de José Eduardo Bettencourt, sem esquecer os presidentes desde 1995. Mas as farpas não ficaram por aí e, no auditório de Alvalade, onde se realizou a AG, alguns accionistas de calças vincadas (grande parte estavam assim vestidos) também não pouparam os dirigentes - e o ambiente aqueceu...
Logo de início, e numa altura em que, pela primeira vez, se ouviram na sala os protestos que já vinham da rua (sempre bem "protegidos" por muitos polícias, a ponto de o contingente destacado ser semelhante ao de um jogo de alto risco, com corpo de intervenção e tudo...), ouviram-se as primeiras manifestações contra a actual administração da SAD. Mas, como era de esperar, tudo o que foi apresentado passou com maioria - por exemplo o ordenado do presidente, José Eduardo Bettencourt (Nobre Guedes, Sousa Louro e Lino de Castro serão administradores remunerados, mas o líder, questionado sobre o montante, negou-se a dar mais explicações), passará a ser 300 mil euros brutos por ano. Com uma nuance - JEB decidiu abdicar dos "variáveis", que devem passar por prémios pelos desempenhos desportivos e económico-financeiros.
Ainda assim, os accionistas presentes ficaram surpreendidos com a abstenção de Pedro Baltazar, o antigo administrador não-executivo, que detém 11,67% de acções da SAD (por via Nova Expressão) e que em breve deverá negociar todos esses "papéis" com o próprio Sporting. No final, cerca de 85% votaram a favor.
A apresentação do relatório e contas, que também passou sem a mínima dificuldade, acabou por suscitar maiores críticas, não só pelo resultado em si - mais de 26 milhões de euros de prejuízo no exercício - mas, e principalmente, pela política de contratações, pelos resultados e pelos gastos. "É uma vergonha justificar-se com o azar, senhor presidente", exclamou mesmo um dos accionistas mais críticos dentro da sala e que tocou num caso específico: Pongolle.
José Eduardo Bettencourt, numa primeira instância, chegou a dizer que havia muitos outros jogadores que foram contratados e não renderam, mas mais tarde admitiu que o francês acabou por não ter o rendimento esperado. Um pouco mais aceso, disparou: "Posso ser nabo e incompetente a nível desportivo mas sou tão ou mais sportinguista que o senhor." "Vigarista é que não sou", completou. Sobre o fundo irlandês que detém metade dos passes de Torsiglieri, Dier e Tobias, as explicações ficaram guardadas para o próximo relatório. "Os investidores pediram-nos discrição e respeitamos isso", foi explicado.

FONTE: Bruno Roseiro, jornal i, 30-09-2010
Obs. - Títulos da responsabilidade do LEÃO DA ESTRELA

A falência do País e o salário de Bettencourt

O paradoxo não poderia ser maior. No dia em que o Governo do País anunciou mais cortes nos salários e mais aumentos de impostos, que vão castigar os bolsos dos portugueses e dos sportinguistas, a decisão mais importante da Assembleia Geral da Sporting SAD foi aprovar um salário de 300 mil euros por ano para o seu presidente, José Eduardo Bettencourt!... Considerando que em 2009-2010 recebeu 219 mil euros, o presidente do Sporting acaba por ser aumentado, passando a receber 21.500 euros mensais iliquidos. Estes gestores da treta vivem mesmo noutro mundo...
Num clube falido e quando todo o País é impelido a apertar o cinto, passando a ganhar menos no final do mês, pagando mais impostos e perdendo abonos de família e outros rendimentos, há um homem que é premiado. Um homem que, sublinhe-se, só tem feito asneira no exercício do cargo que ocupa, como o prejuízo superior a 26 milhões de euros do último ano de gestão da SAD leonina comprova. Mas esse prejuízo (que duplicou em relação ao exercício anterior) foi aprovado, como têm sido aprovados outros disparates nos últimos anos. É o Sporting de Bettencourt no seu melhor.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Sócios manifestam-se em Alvalade




Estádio de Alvalade, 29 de Setembro de 2010. Lá dentro decorria uma assembleia geral de accionistas da empresa Sporting SAD. Clique no vídeo para ver as imagens FOTO: "Record Online"

Abrantes Mendes quer Abramovich no Sporting

"O resultado do Sporting é a 'belenização', sem desprimor para os belenenses, é tornar-se igual ao Belenenses, ou seja um clube que vive do passado que nunca teve arte e engenho para se projectar no futuro."

"O Sporting precisa de novos rostos, nova vontade, nova alma."

"Há mais de 10 anos que o Sporting tem levado uma vida de enganos, de ilusões de manipulações que tem conduzido ao estado em que se encontra, que é um estado à beira da falência."

"Só vejo uma solução: é aparecer um magnata, porque o Sporting com um passivo que ronda os 400 milhões de euros, e não tendo activos, o Sporting hoje não tem nada. O grande candidato seria, por exemplo, Roman Abramovich, ou o xeque Mansour bin Zayed [proprietário do Manchester City]."

"É impossível melhores resultados. A equipa é fraquinha, não chama, não cria expectativas em relação a efeitos futuros."

"O Sporting vive a maior crise de sempre."

Sérgio Abrantes Mendes, candidato derrotado à presidência do Sporting, em 2006, e antigo presidente da Assembleia Geral do clube, Agência Lusa, 29-09-2010. Mais opiniões de SAM sobre a gestão leonina aqui.

Se o ridículo matasse Alvalade seria um cemitério

Com problemas muitos graves para resolver, o Sporting Clube de Portugal lança um conjunto de normas internas, ao nível da indumentária dos trabalhadores da instituição, de senso muito duvidoso, que prometem entrar para o anedotário do clube.
O mais curioso é que, se esse regulamento não for extinto, doravante, o Sporting não vai poder contratar um atleta que tenha uma tatuagem no corpo, sob pena de violação deste conjunto de regras absolutamente ridículo.
Como a imagem documenta, José Eduardo Bettencourt tem andado a violar as regras, com as calças de ganga que usa de vez em quando, tendo absoluta necessidade de comprar mais uns fatos novos, talvez para rivalizar com Costinha. E a gravata tem de ser verde ou pode ser azul e branca?... FOTO: "Record"

O Estádio de Alvalade e a coragem de Costinha

"Olho para a relva do Estádio de Alvalade e dá-me vontade de chorar. Olho para o estádio e pergunto-me como é que se construiu um estádio assim: não tem acesso do autocarro aos balneários e há sítios em que não se vê a bola... (...) A relva não está boa por causa das temperaturas e porque está mal colocada. Será que as pessoas que construíram o estádio não pensaram nisso?"
Costinha, director do futebol do Sporting

Costinha tem toda a razão quando fala sobre a relva do Estádio José Alvalade. De facto, o Estádio de Alvalade, que, lamentavelmente, foi desenhado por um arquitecto benfiquista, o pós-moderno Tomás Taveira, é o único dos três grandes estádios portugueses que serve para tudo menos para jogar futebol. E também não serve para todos verem o jogo, como muito bem lembrou Costinha.
Por feliz coincidência, estas palavas de Costinha vieram a público no dia em que Godinho Lopes, o antigo dirigente e presidente da sociedade leonina responsável pela construção do Estádio de Alvalade, também apareceu publicamente a confirmar que está no terreno atento ao lugar do presidente José Eduardo Bettencourt... Donde, Costinha, sem saber, ao ter tido a coragem de atacar os construtores do estádio, criticou a obra de José Roquette e arrumou para um canto uma eventual candidatura de Godinho Lopes...
Sou sportinguista desde criança, não só pelo desempenho desportivo da equipa de futebol do Sporting e das equipas de outras modalidades, nomeadamente o atletismo, o ciclismo e o hóquei-em-patins, mas também pela arquitectura do antigo Estádio de Alvalade, que os empreiteiros que mandavam em José Roquette destruiram para sempre.
A ideia de um novo estádio foi bem vendida e os sócios do Sporting foram bem anestesiados. O novo estádio é mau e não cumpriu nenhum dos seus objectivos: o piso de jogo é péssimo, o centro comercial faliu e há zonas do estádio sem visibilidade para todo o estádio. Porém, por muito menos dinheiro, o Sporting poderia ter modernizado o velho estádio e não estaria hoje tão endividado.
A destruição do velho Estádio de Alvalade tornou o Sporting num clube mais igual aos outros. Hoje, para as chamadas equipas pequenas, jogar na Luz, no Dragão, em Alvalade, em Aveiro ou em Leiria é rigorosamente a mesma coisa. Porque os estádios deixaram de ser particularidades que os distinguiam. O Estádio de Alvalade, por exemplo, deixou de ter uma "curva belíssima", que agora só existe nos cânticos...
Voltando às palavras de Costinha sobre a péssima qualidade da relva, seria importante que o Sporting assumisse publicamente, de uma vez por todas, por que motivo é que nenhuma relva resulta naquele terreno de jogo. Sou leigo na matéria, mas já reparei que o Estádio de Alvalade é o único que não tem aberturas entre a fila de cadeiras mais alta e a cobertura que permitam a entrada de raios solares que "alimentem" o relvado. Donde, grande parte do terreno de jogo nunca vê a luz do sol. Não sei se tem a ver com isso. Mas se tiver, só há uma solução: demolir e fazer de novo.

O verdadeiro Leão da Estrela

Se julga que o Leão da Estrela é apenas o filme rodado em 1947 por Artur Duarte, em que Anastácio (interpretado por António Silva), sportinguista de gema, vai ao Porto, de visita ao seu amigo Barata, para ver um F. C. Porto-Sporting, engana-se. Não, o primeiro leão da Estrela foi um animal a sério, um felino de grande juba que Inácio José de Paiva Raposo trouxe de África e doou a Lisboa em 1869.
A câmara municipal mandou construir uma jaula e pôs o bicho em exposição no Jardim da Estrela, tendo ficado guardado numas instalações provisórias no Campo Pequeno enquanto a obra se fazia. A imprensa da época conta que o transporte do leão para a Estrela, a pau e corda, ao lombo de doze galegos foi o primeiro espectáculo para os basbaques.
A 6 de Maio de 1869, o "Jornal do Comércio" contava que nunca o jardim tinha sido tão concorrido, com o Zé Povinho não só a ver o leão, mas também a atormentá-lo, atirando-lhe paus e pedras e provocando-o com guarda-chuvas e bengalas. A polícia teve de intervir para descanso do bicho.
Passados três anos, o leão deu em entristecer e deixou de caminhar. João Pedro Correia, veterinário, descobriu a causa da doença: por falta de exercício as unhas tinham crescido tanto que se cravaram na almofada das patas, provocando-lhe enormes dores. Na época ainda não se usavam os dardos anestesiantes, pelo que foi preciso agarrar o leão com uma corda para que um enfermeiro do hospital veterinário e o respectivo conservador conseguissem cortar-lhe as unhas. Isto só foi conseguido após muitas tentativas falhadas, conta o "Jornal da Noite", de 16 de Março de 1872.

António Mendes Nunes,
jornal i, 29-09-2010

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Accionista Pedro Baltazar ameaça Sporting SAD

Inédito. Sporting compra acções
a accionista e ex-administrador
para evitar processo em tribunal.


Antes de reduzir para metade o capital social da Sociedade Anónima Desportiva (SAD), no âmbito do projecto de reestruturação financeira, o Sporting deverá comprar a participação de um dos seus accionistas de referência, a Nova Expressão, dirigida por Pedro Baltazar. Tudo para compensar o empresário (e ex-administrador da SAD) e impedir que este avance com uma acção legal contra uma operação que implicará a perda de metade do seu investimento financeiro, como acontecerá, de resto, com os restantes accionistas.
Ainda que nenhuma das partes assuma a conclusão (ou sequer a existência) do negócio, os responsáveis leoninos já terão um princípio de acordo com Pedro Baltazar para adquirir os 11,667 por cento do capital social da SAD, aproximadamente 2,450 milhões de acções (0,91 euros por título ao final da sessão bolsista de ontem, em que perderam 13,33 por cento em relação a sexta-feira).
"Por enquanto, não posso dizer nada sobre isso. Essas coisas têm de ser anunciadas primeiro à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários [CMVM], já que se trata de uma participação qualificada", referiu ao PÚBLICO Filipe Nobre Guedes, administrador responsável pelo pelouro financeiro da SAD leonina.
Também a Nova Expressão, num e-mail assinado pelo seu director-geral, Manuel Falcão, não confirmou o eventual acordo: "A posição na Sporting SAD é integralmente detida pela Nova Expressão SGPS e o seu conselho de administração nunca fez qualquer declaração sobre o tema das suas questões [de uma venda ao Sporting]."
A empresa garantiu, por outro lado, que estará "representada com a totalidade da sua participação no capital social" na assembleia geral (AG) da Sporting SAD, em que será discutida e aprovada o "relatório de gestão", que implica um prejuízo de 26,461 milhões de euros, o segundo maior de sempre.
Com a aquisição desta importante participação, o Sporting reforçaria os 68 por cento que actualmente detém de forma directa (pelo clube) e por via indirecta (a SGPS que controla o grupo empresarial "leonino" e que é detido a cem por cento pelo clube), mas, acima de tudo, impediria uma acção legal por parte da Nova Expressão, pouco entusiasmada em perder metade do investimento feito em acções da SAD - o custo desta operação para o Sporting será (por causa da diminuição de capital) a perda de metade do valor pago.
Nobre Guedes garantiu ao PÚBLICO que já está ultrapassado o prazo legal de dez dias para se interpor uma providência cautelar contra a deliberação da assembleia geral da SAD de 9 de Setembro último, com a aprovação do plano para a sua reestruturação financeira - este plano, em traços gerais, implica uma redução de capital de 42 milhões de euros para 21 milhões, seguindo-se um novo aumento de capital em 18 milhões de euros e com o lançamento de um montante máximo de 55 milhões de euros em valores mobiliários obrigatoriamente convertíveis (VMOC) em acções da SAD num prazo máximo de cinco anos.
Mas, segundo o PÚBLICO apurou, existe ainda a possibilidade de qualquer accionista poder apresentar uma acção para pedir a anulação da deliberação da AG da SAD de 9 de Setembro, já que o prazo, neste caso, é de 30 dias. Uma acção que teria o mesmo efeito de uma eventual providência cautelar.

Obs. - Título e pós-título da responsabilidade do LEÃO DA ESTRELA

Costinha tropeçou no joelho de Izmailov

Independentemente de quem paga ou não paga a intervenção cirúrgica na Alemenha, uma coisa é certa: depois de confirmada a necessidade de Izmailov ir à faca, por causa do mesmo problema que afectou o joelho que impediu o jogador russo de defrontar o Atlético de Madrid, o director do futebol do Sporting, Costinha, após a gritaria feita contra o atleta (num episódio infeliz de afirmação da sua pretensa autoridade), só tinha uma de duas coisas dignas a fazer: pedir desculpa a Izmailov ou demitir-se imediatamente!...
Donde, mais do que a necessidade de mudar mentalidades, o que é preciso é mudar alguns comportamentos no Sporting... Recorde-se que, por causa de dores no joelho, Izmailov não estava em condições de defrontar os espanhóis, tendo sido multado por se ter recusado a jogar. Alguns meses depois, foi o próprio departamento médico do Sporting a confirmar a necessidade de o jogador ser operado. Afinal, Izmalov estava mesmo doente do joelho. Afinal, o jogador não deveria ter sido multado...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O Sporting e a responsabilidade de Bettencourt

Caro LEÃO DA ESTRELA,
Permita-me uma pequena reflexão sobre o momento do nosso clube:

1.º UMA QUESTÃO DE IMAGEM
- O Sporting aparenta organização e profissionalismo. O discurso tecnocrático é fluente.
- Vamos aumentando o nosso património desportivo nas mais diversas modalidades, colectivas e individuais.
- Temos um apelativo sítio electrónico, que espelha ambição e irradia pujança.
- Temos um estádio novo e a Academia é admirada e citada pelos adversários como um exemplo a seguir.
- A Direcção conseguiu convencer a banca e renegociou a dívida; a marca "Sporting" parece ter futuro.
- Mas o Sporting não sobreviverá muito mais tempo só de imagem. Exige-se sucesso no futebol profissional!

2.º A RESPONSABILIDADE DO PRESIDENTE
- O financeiro José Eduardo Bettencourt vem claudicando na gestão desportiva.
- A comunicação para o exterior não ajuda.
- O Sporting perde terreno em termos de intervenção e de afirmação política.
- Os presidentes das assembleias gerais (do clube e da SAD) têm demasiado protagonismo.
- Pelos núcleos sportinguistas passa muita da afirmação do clube. A relação do Sporting com os seus núcleos carece de ser fortalecida, dos pontos de vista directivo, social e comercial.
E não se pense que um ciclo de vitórias próximo ou um simples troféu podem inverter este estado de alma!
Saudações Leoninas!

Fernando Vale, Vila Real (enviado por e-mail)

Costinha e as mentalidades leoninas

"Quero mudar algumas mentalidades."

"Quem vem para o Sporting, o primeiro pensamento que tem de ter é o de ganhar. Quando digo ganhar, não digo vencer a todo o custo, mas, sim, ser profissional, honesto, ter ambição e vontade de honrar esta camisola e de deixar os adeptos que vêm ao Estádio satisfeitos e com vontade não só de encher Alvalade, como de nos acompanhar noutros campos, em Portugal."

Costinha, jornal "Sporting", 28-09-2010

domingo, 26 de setembro de 2010

Basta de incompetência, dentro e fora do campo!

Um golo fantástico de Carlos Saleiro e a estreia de Diogo Salomão não mereciam, mas o Sporting empatou frente ao Nacional, em Alvalade, por 1-1, um resultado que era proibido. Mas aconteceu, elevando para três o número de jogos da equipa leonina sem ganhar, dois dos quais em Alvalade, com equipas teoricamente inferiores.
Ao fim de seis jornadas na Liga 2010-2011, o Sporting regista 2 vitórias, 2 empates e duas derrotas. Isto não é de uma equipa com os pergaminhos do Sporting Clube de Portugal. Por isso, é tempo de o treinador, Paulo Sérgio, que é mais um erro de "casting", confessar a sua impotência, pedindo a demissão, pois o Sporting, com o devido respeito, ainda não é o Olhanense, o Paços de Ferreira ou o Vitória de Guimarães, os antigos clubes de Paulo Sérgio que, curiosamente, estão todos à frente na classificação. O mesmo deveriam fazer José Eduardo Bettencourt e Costinha, este o responsável por contratações de amigos de qualidade duvidosa e por dispensas inexplicáveis. Gastaram dinheiro para que a equipa ficasse igual ou mesmo pior.
Se o Sporting Clube de Portugal ainda é dos sócios, é tempo de parar de comprometer o futuro do clube, dando novamente a palavra ao povo leonino. Os resultados não deixam dúvidas: a gestão de Bettencourt caminha a passos largos para duas temporadas de fracassos desportivos e financeiros. São motivos compreensíveis e mais do que suficientes.
Não é preciso dizer muito mais. Os sportinguistas estão fartos de ser enxovalhados. Os sportinguistas estão fartos de ver o FC Porto jogar futebol e ganhar. Os sportinguistas estão fartos de um clube que é um factor de depressão e não uma fonte de prazer e alegria. Os sportinguistas estão fartos de ser a rampa de lançamento dos adversários (como aconteceu na Luz). Estamos fartos de ver outros clubes que não o nosso Sporting Clube de Portugal quando olhamos para os primeiros lugares da classificação.
Se estes dirigentes (que já ultrapassaram a gestão de Jorge Gonçalves no desvario...) não conseguem mais, tenham vergonha na cara e demitam-se, honrando, assim, o emblema leonino. Basta de incompetência, dentro e fora do campo!... FOTOS: Reuters

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O Sporting e a FPF...

O que é que o Sporting tem a dizer sobre o que se passa na Federação Portuguesa de Futebol? Gilberto Madaíl deve sair ou deve continuar? Quem é que José Eduardo Bettencourt apoia para presidência da FPF? Gilberto Madaíl? Vítor Baía? Ou o presidente da AF Lisboa? Quem é que Bettencourt apoia: um candidato apoiado por Pinto da Costa ou um candidato não apoiado por Pinto da Costa?... Era bom saber... A não ser que o clube leonino já não conte para esse campeonato...

Obs. - Depois da presidência da Liga, o FC Porto prepara-se para assumir a presidência da FPF. Pelo menos, é assim que se entende a disponibilidade agora tornada pública por Vítor Baía. A saída do Dragão no último defeso era apenas uma medida estratégica, confirmando que Pinto da Costa vê mais a dormir que os seus homólogos de Lisboa acordados...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A experiência de Maniche

O internacional português Maniche foi contratado pelo Sporting tendo o seu amigo Costinha justificado a sua contratação com o facto de ser um jogador experiente. Pois é. Mas logo no primeiro dérbi, o atleta, que é dos mais bem pagos do plantel leonino, fez uma asneira mais consentânea com um miúdo acabado de sair dos juniores e foi expulso.
Quando se dirigia para o balneário, no final do jogo, parece que Maniche estava com a cabeça quente e respondeu a alguns insultos provenientes das bancadas, agarrando numa garrafa de água e atirando-a em direcção aos adeptos benfiquistas. Por causa da brincadeira, não jogará com o Nacional. Por isso, pediu desculpa ao grupo de trabalho. Foi um acto irreflectido após uma derrota desenhada uma hora antes?... Então para que serve o raio da experiência?...
O que vale é que Maniche não deverá fazer falta, caso se confirme o regresso de Pedro Mendes, que é talvez o melhor profissional, dentro e fora do campo, contratado pelo Sporting nos últimos anos, sendo um exemplo para os mais novos, que merecia ter sido distinguido com a braçadeira de "capitão" de equipa.

Os joelhos de Venâncio e falta de memória

Num exclusivo do LEÃO DA ESTRELA, o antigo jogador leonino Virgílio Lopes escreve sobre o antigo "capitão" Pedro Venâncio, a falta de memória no Sporting (que provoca o desrespeito pelos seus símbolos) e as campanhas de marketing do clube "manhosas" e por vezes "incompreensíveis". O título deste "post" é da responsabilidade do LEÃO DA ESTRELA.

Esta é uma boa oportunidade para dizer alguma coisa sobre o Venâncio. Em primeiro lugar, o Pedro é, na minha opinião, o último grande símbolo do Sporting. Colocou sempre em primeiro lugar os interesses do Sporting, arriscando, tantas e tantas vezes, a sua carreira e o seu futuro. Não conheci ninguém com uma capacidade de sacrifício, uma entrega e uma disponibilidade para servir o clube, em todas as condições, sujeitando-se ao que fosse necessário sem nada pedir em troca, que se pudesse comparar com ele. Fui testemunha de muitos desses momentos.
Era, aos dezoito anos, quando se tornou profissional, um defesa central fabuloso e um homem com uma postura absolutamente exemplar. Não atingiu talvez, como atleta, o lugar que todos os que com ele privávamos diariamente prevíamos. As lesões eram terríveis e por vezes aquilo que assombrava era que, apesar delas, ainda conseguisse jogar ao nível que apresentava.
Quanto à sua postura como homem manteve-se inalterável. O Venâncio foi um futebolista por quem todos tinham um enorme respeito, dentro e fora do clube, foi um capitão de equipa exemplar, um brilhante treinador no futebol de formação e um dedicado e leal adjunto no futebol profissional. Sobretudo nesta última função conseguiu aquilo que é extraordinariamente difícil: ser leal ao seu clube e ao treinador com quem trabalhava.
Nem quando foi tristemente desrespeitado pelo Sporting, o Venâncio deixou perceber o quanto isso lhe doía e manteve um silêncio que traduzia uma enorme prova do seu respeito pelo Sporting. Em resumo o Pedro Venâncio fez aquilo que só os verdadeiros símbolos desta instituição são capazes de fazer: serviu sempre o seu clube sem nunca lhe passar sequer pela cabeça servir-se dele.
Ser um símbolo do Sporting Clube de Portugal é ter um lugar muito especial na história do clube. Apenas uns poucos o conseguiram ao longo dos anos e convém que continuemos a ser extraordinariamente exigentes quanto às qualidades necessárias para pertencer a esse pequeno grupo, que é composto não apenas por futebolistas mas também por dirigentes, funcionários e atletas de outras modalidades.
Custou-me muito ver a ignorância de alguns adeptos sportinguismos, aqui na Internet, sobre um figura impar do Sporting como foi o grande massagista Manuel Marques. Seria bom que os responsáveis pela comunicação do clube fossem realmente responsáveis e não deixassem morrer na memória dos adeptos algumas destas figuras que foram, e serão sempre, enormes exemplos de sportinguismo e de bem servir o clube do seu coração. Talvez o retorno fosse bem maior do que o que tem sido conseguido com estas últimas campanhas promocionais manhosas e por vezes verdadeiramente incompreensíveis.
Se não conhecem a história do clube, e nalguns casos isso é tristemente evidente, procurem quem a conheça e mantenham-na viva. Nestes tempos em que alguns daqueles que são apresentados como símbolos, fabricados artificialmente por dois ou três jornalistas amigos, ajudados por alguns dirigentes, se vão servindo do clube em vez de o servirem, são fundamentais os exemplos dos grandes sportinguistas, que são na realidade o nosso orgulho. Os outros são apenas bons atletas ou dirigentes competentes, por exemplo. Alguns, para mal do Sporting, nem são competentes nem sérios.
Voltando ao Pedro Venâncio. Estivemos a conversar no dia da Festa de Homenagem ao Iordanov e contou-me que os joelhos estão a ceder definitivamente e que teme inclusivamente pela sua capacidade de mobilidade no futuro. Se no Sporting não sabem desta situação, tinham a obrigação de saber. De qualquer forma ficam agora informados.
Espero que tenha à sua disposição os médicos e os recursos de recuperação que o Clube possui. De forma sincera e atenta. Aproveitamentos para melhorar a imagem são, como é evidente, desonestos e deploráveis.
O Pedro Venâncio sentir-se-ia definitivamente mais feliz se percebesse que valeu a pena tudo o que fez pelo Sporting Clube de Portugal, e que continua a ser admirado e respeitado, pelos dirigentes e adeptos do seu clube.
Quanto ao que o Venâncio afirmou ao DN, não estou de acordo. O que o Sporting precisa acima de tudo é de competência. Se quem desempenhar funções no clube, for competente e adepto do Sporting melhor ainda. Mas em primeiro lugar tem que estar a competência, qualidade que nos últimos anos não tem sido propriamente abundante em Alvalade.

Virgílio Lopes, futebolista do Sporting Clube de Portugal nas décadas de 1970 e 1980 (via Facebook:
http://www.facebook.com/leaodaestrela)

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Carta de um sportinguista assustado

Caro LEÃO DA ESTRELA,
O momento não é bom… A equipa não convence! O treinador não convence! Os dirigentes não convencem! O (nosso) Sporting dos últimos anos, não convence!
O discurso vindo de Alvalade tem sido pautado por frases pré-construídas e não muito tranquilizantes. Quantas vezes, nos últimos anos, ouvimos jogadores e treinadores no final de jogos dizer “temos que mudar a atitude para o próximo jogo…”; “vamos melhorar já no próximo jogo…”; “não podemos continuar assim…”; blá.. blá... blá…
O que mais assusta é o facto de, actualmente, não se vislumbrar ninguém (dos ditos notáveis ou não) que levante a voz, que questione, que queira dar outro rumo, enfim, que se indigne com o estado “zombie” instaurado no nosso Clube.
Ainda esta semana assisti a discursos de ilustres sócios que, pela sua posição privilegiada como comentadores em programas televisivos, poderiam ajudar a iniciar outro rumo, mas não!
Até aqui, as frases pré-construídas reinam: “O Sporting bateu-se de igual com o Benfica, faltou a eficácia e sorte…”; “até entrámos bem…”; “quero felicitar a sócia n.º 6 pelo seu salto de pára-quedas no seu 87.º aniversário…”...
O quê??? Por muito respeito que tenha à sócia n.º 6 (Grande Sportinguista), o que é que interessa isso??? Vai ajudar a marcar golos?…
Enfim, isto tudo assusta-me… Saudações Leoninas!

P.S.: Parabéns pelo blogue, que acompanho diariamente!

Filipe Costa Martins (enviado por e-mail)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

"Vice" do Sporting gostava de ser presidente

José Maria Espírito Santo Ricciardi é vice-presidente do Conselho Fiscal e Disciplinar do Sporting Clube de Portugal e presidente do BES Investimento. É um dos homens-fortes do BES no clube de Alvalade e foi o arquitecto da candidatura de José Eduardo Bettencourt, que a linhagem da continuidade teve muitas dificuldades para parir, ao ponto de, agora, a Sporting SAD, no relatório de gestão da empresa, criticar as "eleições tardias" de 2009.
Ricciardi é também accionista da Sporting SAD, com 12 mil acções. Afirma que cresceu a admirar Yazalde e que celebrou a vitória de 7-1 sobre o Benfica, a maior alegria que o Sporting lhe deu, nos idos anos da década de 1980.
Em entrevista ao "Diário Económico", não expressa uma palavra sobre a gestão de Bettencourt e revela que ambiciona ocupar-lhe o lugar: "Gostava muito de ser presidente do Sporting". Uma revelação que seria insustentável noutro clube. Mas no Sporting quase tudo é possível... Eis José Maria Ricciardi em discurso directo:

"[Yazalde foi] garantidamente, um dos melhores avançados que o Sporting teve."

"[O maior desgosto foi] a derrota de 6-3 frente ao Benfica, em Alvalade, na altura em que o clube tinha uma das suas melhores equipas."

"[Comprar acções do Sporting] é um investimento da razão. Acho que consigo recuperar o investimento realizado entre 1995 e 2000. Penso que comprei as acções na altura da gestão do dr. José Roquette. São 12 mil e são as únicas que tenho. Como presidente de um banco de investimento resolvi não ter outro tipo de acções que não essas e as do BES."

"O Sporting pode transformar a SAD numa entidade rentável e lucrativa. Para isso é necessária a reestruturação financeira, entretanto aprovada, que prevê a redução do endividamento e a emissão de VMOC. A reestruturação irá capitalizar a SAD e a dívida estará mais adequada ao 'cash-flow' gerado pelo clube. Apenas lamento que o processo tenha sido demasiado moroso."

"Já tinha confessado que gostava muito de ser presidente. Neste momento, não é conciliável com a carreira profissional na área financeira. Para mim e para qualquer sportinguista seria uma enorme honra poder ocupar um cargo com essa importância."

"O Sporting está absolutamente dotado de jogadores e treinador para poder disputar o título e é um dos candidatos ao título deste ano."

José Maria Ricciardi, "Diário Económico", 18-09-2010

O alerta de Pedro Venâncio

"Faltam sportinguistas no clube."

Pedro Venâncio, antigo "capitão" do Sporting Clube de Portugal, "Diário de Notícias", 21-09-2010

SAD critica "eleições tardias" no Sporting CP

Como presidente das duas instituições José Eduardo Bettencourt consegue a proeza de ser simultaneamente crítico e criticado...

"A época desportiva 2009-2010, não pode, de forma alguma, ser dissociada das alterações vividas no governo do clube e da sociedade em função de eleições tardias, para a presidência do Clube e posterior cooptação a 1 de Julho de 2009, do seu Presidente, para Presidente do Conselho de Administração desta Sociedade."

"A enorme perturbação que assolou o Clube, teve consequências também a nível da gestão da sociedade. Efectivamente, o anúncio tardio da candidatura à presidência do Dr. José Eduardo Bettencourt, impediu a elaboração atempada de uma estratégia clara que compatibilizasse os anseios da Sociedade com os do Clube, e apenas adiou a demissão inevitável de dirigentes e técnicos, com relevantes serviços prestados ao Clube e à Sociedade."

"Com o clima existente, e com a recuperação, em cima da hora, de colaboradores fundamentais para o bom desempenho desportivo da sociedade, antevia-se uma época recheada de dificuldades, o que infelizmente viria a verificar-se. A pouco justa eliminação da Fase de Grupos da Champions, da nossa equipa de futebol profissional, pela Fiorentina, marcou muito negativamente a época do ponto de vista desportivo e financeiro, com óbvios impactos no nível de desmobilização dos nossos adeptos."

"A preparação da época foi claramente afectada pelas eleições tardias à Presidência do Sporting Clube de Portugal, a que acresceu o facto da estrutura operacional dirigente e técnica da Sociedade estar demissionária."

"No âmbito das movimentações consideradas fundamentais para o acréscimo de competitividade da equipa, foram contratados, no final de Dezembro, os jogadores, João Pereira ao Sporting Clube de Braga, Sinama Pongolle ao Atlético de Madrid e Edson Sitoe “Mexer” ao Desportivo de Maputo (em parceria com a empresa Traffic), foi revogado o Contrato de Trabalho com o Miguel Ângulo e concretizada a cedência, a título de empréstimo do jogador Vladimir Stojokovic ao Wigan Atletic Football Club."

Relatório de Gestão da Sporting SAD, relativo ao ano 2009-2010

Sporting deveria contratar treinador estrangeiro

Caro LEÃO DA ESTRELA,
Concordo em grande parte com o que escreve, relativamente ao dérbi. Não sei se o Sporting tem melhor ou pior equipa que na passada época, isso se verá no final da Liga. O que vejo é uma equipa sem rumo, mais talhada para jogar para o lado e para trás do que visar as redes adversárias.
Ontem assumimos a postura que se previa do Benfica: entrámos com medo de perder e com uma estratégia "conservadora". Sempre pensei que o treinador ousasse lançar algumas das apostas de Lille, nomeadamente o jovem Diogo Salomão. Mas não, voltámos ao esquema habitual que tantas dores de cabeça nos tem causado neste início de época.
Como escrevi ainda no final da época passada, o Sporting deveria contratar um treinador estrangeiro. Alguém com provas dadas e com conhecimento do futebol português. Por exemplo desconheço se Co Adriaanse foi abordado mas era um nome que me agradava, por ser alguém que, quando no FC Porto, aplicava as suas ideias sem se preocupar muito com as "bocas" dos jornais ou mesmo com as pressões da direcção portista; o resultado saldou-se pela conquista do campeonato e da taça. Os nossos três últimos títulos também tiveram chancela estrangeira, mesmo o do famoso "1999-2000" quando Matterazzi montou e preparou a equipa.
Não é que eu queira a mudança de treinador, mas Matterazzi saiu à 7.ª jornada... e ainda fomos campeões! De qualquer modo, há que ter fé e esperar por melhores dias.
Saudações Leoninas do Interior.

Fernando Vale (enviado por e-mail)

domingo, 19 de setembro de 2010

Maniche pauta o ritmo e Liedson já não resolve

Na marcação de um pontapé-de-canto contra o Sporting, André Santos, que não aparece na imagem, encolheu-se perante Luisão, deu-lhe as costas e assistiu Cardozo. O paraguaio já rematou de primeira e a bola caminha para o fundo da baliza leonina. O Benfica abria o marcador...
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Perder 2-0 com o 13º classificado da Liga Portuguesa prenuncia mais uma temporada para esquecer. Foi muito fraco o desempenho colectivo do Sporting, que, na Luz, frente a um Benfica em estado crítico, somou a segunda derrota nesta Liga 2010-2011 e aumentou para oito o número de pontos perdidos em apenas cinco jornadas.
É mau demais, mas reflecte a qualidade da matéria-prima que dá corpo à equipa do Sporting, desde a equipa técnica aos jogadores, passando pelos dirigentes. Foi preciso esperar 57 minutos para ver um remate à baliza de Roberto, por sinal uma perdida incrível de Liedson, o que diz bem da modorra do futebol leonino.
O Sporting foi uma equipa inofensiva que perdeu com um Benfica cheio de medo de voltar a perder pontos no Estádio da Luz, dando um sinal muito mau quanto ao que resta da temporada que agora está a começar. Uma temporada que, a avaliar pelos resultados já apurados, deverá ser tão longa e penosa como a transacta.
De facto, uma equipa cuja velocidade do seu futebol é comandada pelo ritmo do veterano Maniche (e do experiente Valdés, cuja contratação não se compreende) e que tem Liedson no ataque, que, é preciso reconhecer, também já não resolve (e voltou a perder golos que noutros tempos não falharia), não pode ir muito longe. Em cinco jogos, o Sporting não marcou golos em três. É muito jogo em branco. Decididamente, jogar na Liga Portuguesa não é o mesmo que jogar na Liga Europa... FOTO: Associated Press

A selecção de Jorge Mendes

Neste processo aberrante e patético de escolha do novo seleccionador nacional de Portugal todos os protagonistas (ou quase todos) meteram os pés pelas mãos. Até o infalível José Mourinho, que, forçado pela exigente imprensa espanhola, teve que dizer que não disse aquilo que disse, mas de forma a ficar bem visto pelos portugueses, para que a porta da selecção continue bem aberta para um futuro cada vez mais próximo...
Só uma figura escapou totalmente a este tsumani de equívocos: Jorge Mendes, o maior empresário do mundo, que hoje é o homem que verdadeiramente manda na selecção nacional de futebol. A prova disso é que o futuro seleccionador será um dos homens de Mendes, talvez para dar lastro internacional a muitos jogadores que estão no mercado para dar milhões a muitos bolsos.
Lamentavelmente, a experiência, o mérito e a competência de um treinador já não contam muito como critérios de escolha, mesmo quando está em causa o cargo de seleccionador nacional. O que conta mesmo é o critério de Jorge Mendes. Não deu José Mourinho por dois jogos, dará Paulo Bento, a segunda escolha.
Quem apareceu de mão estendida, a fzer figuira de moço de recados, foi o inefável presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Gilberto Madaíl. Paulo Bento também teve de vir a público dizer que ninguém tinha falado com ele. Só o grande empresário não precisa de se justificar. E assim vai a selecção portuguesa de futebol. Ou melhor, a selecção nacional de Jorge Mendes. Abençoada por Pindo da Costa. Os clubes de Lisboa assistem a tudo, porque também dependem do grande empresário, afinal, o verdadeiro dono da bola...

sábado, 18 de setembro de 2010

Naquela tarde, nem Eusébio lhes valeu...



Neste domingo há um Benfica-Sporting. Mas houve um jogo entre as duas equipas que tenho o maior prazer em recordar. O Sporting ganhou na Luz por 4-2, com 4 golos de Lourenço, o único jogador do mundo que conseguiu marcar tantos golos num só jogo naquele estádio. Resta acrescentar que foi na semana em que eu nasci. Costumo dizer que é por isso que nasci sportinguista.

Memórias do "leão" Artur, o ruço do Benfica

Setúbal, 25 de Setembro de 1977: Artur vai cortar um lance, sob o olhar do "capitão", Laranjeira, e de Jordão. FOTO: Nuno Ferrari (ASF)
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A impetuosidade era a sua imagem de marca. Constantemente insatisfeito, através de gestos e atitudes, o ruço tem uma carreira ímpar no futebol português. Foi o lateral-direito da selecção durante a década 70 (Maio-72 a Novembro-79), totalizando 35 jogos, e de três clubes com grande tradição: Académica, Benfica e Sporting.
A sua história, porém, não é como outras. Campeão nacional de juniores no Benfica, com Humberto Coelho, Toni, Vítor Martins e Nené, quis tirar o curso de Medicina, o que o obrigou a uma transferência para a Académica. Lá passou três boas épocas até perceber que era impossível conciliar estudos e futebol. Optou pela bola e voltou ao Benfica, em 1971. Seis anos depois, o primeiro grande susto, vítima de uma pleurisia. Afastado dos relvados e com o Benfica em digressão, não lhe renovaram o contrato. Sensível a este episódio, João Rocha estendeu-lhe a mão e Artur passou para o outro lado da Segunda Circular.
Em 1980, no início da terceira época pelos leões (24 de Setembro), sofreu um acidente cardiovascular que lhe acabou com a carreira desportiva. No jogo de homenagem entre Benfica e Sporting, em 1981, Toni definiu-o da melhor forma: "No Sporting, era o único jogador à Benfica."

“Sou sócio do Benfica desde que nasci. Nunca pensei jogar naquela equipa [Sporting], mas o Benfica mandou-me embora. Na prática, foi assim. Durante seis anos [de 1971 a 1977] estive sempre a ganhar o mesmo: 34 contos por mês. Em 1974, o presidente Borges Coutinho prometeu-me 500 contos e uma festa de homenagem quando renovasse o contrato, em 1977. Ora em 1977 fomos campeões, com o Mortimore, e o Romão Martins [director-desportivo do Benfica] ofereceu-me uma festa de homenagem de 200 contos e 27 contos de ordenado. Onde é que já se viu passar de 34 para 27 contos? Como é possível baixar de ordenado? Ameacei com a saída e disseram-me que, como eu era benfiquista, nunca sairia. Mas estavam a empurrar-me para fora do meu clube e saí. O João Rocha apanhou-me descontente e fui parar ao outro lado da Segunda Circular.”

“[O primeiro jogo pelo Sporting foi com o Benfica], em Alvalade. Primeira jornada do campeonato nacional. Na altura a equipa visitante entrava primeiro em campo, depois os árbitros e no fim a equipa da casa. Quando entrei e vi aquelas camisolas vermelhas do outro lado fiquei confuso. E triste.”

“Quando o jogo começou voltei-me para [Chalana] e disse-lhe "não te ponhas para aí com coisas, que eu perco a cabeça e levas uma paulada", e ele responde-me "ó ruço, não há problema, estamos em família". Logo na primeira jogada passou-me a bola entre as pernas. Era a pior coisa que me podiam fazer. Depois [aos 8''] há um canto e... golo do Benfica, foi o Chalana de cabeça. Voltei-me para ele e disse-lhe "agora estás tramado" e o Chalana só me dizia "ó ruço, foi sem querer, a bola bateu-me na cabeça..." E por acaso tinha sido. Mas o Fraguito empatou [aos 20''] e ninguém perdeu.”

“Nessa primeira época [1977-1978], ganhámos a Taça de Portugal ao FC Porto. No campeonato ficámos em terceiro. Quando cheguei ao Sporting o treinador era um brasileiro que apareceu por aí e saiu logo em Dezembro. Chamava-se Paulo Emílio. Certo dia [20 de Novembro de 1977], fomos jogar ao Norte, estava o Riopele [de Pousada de Saramagos, no concelho de Famalicão] na I Divisão, e ele, o treinador, quis levar a mulher a conhecer o Minho. Na manhã do jogo o treinador não apareceu. Almoçámos e nada do treinador. Fomos para o jogo e ele continua desaparecido em combate. O Manuel Marques, chefe do Departamento de Futebol, lá me disse para orientar a equipa. Ao intervalo estávamos a perder 2-1. Fiz uma substituição [entrada de Baltasar e saída de Cerdeira] e ganhámos 3-2. No final do jogo apareceu o treinador com uma conversa do género: "Não há problema, eu sabia que vocês ganhavam." Fez uma brincadeira igual na Madeira [4-0 ao Marítimo, na semana seguinte, a 27 de Novembro]. Acabou por sair no Natal.”

“[Em 1979-1980], foi um campeonato tramado, resolvido por um autogolo do Manaca, em Guimarães. Falou-se muito desse golo porque Manaca tinha sido do Sporting, mas foi um autogolo. Meteu mal a cabeça à bola, pronto. Se não fosse ele, estava lá o Manuel Fernandes atrás dele para marcar. Nessa época, Sporting e FC Porto andaram pegados o tempo todo e aquilo eram finais todas as semanas. Dessa vez o Benfica andava longe do poder. A três jornadas do fim fomos jogar às Antas e empatámos 1-1, mas o António Garrido fez das suas. Marcou um penálti inexistente. Disse-lhe logo que tinha arranjado um emprego para toda a vida. Depois mandou repetir esse penálti duas vezes até a bola entrar. Foi um abuso.”

“Sabes o que eu fazia sempre que chegava o intervalo do Sporting? Perguntava ao roupeiro: "Olha lá, pá, como é que está o Benfica?" Ninguém no Sporting me levava a mal. Nem na Académica [1969-71]. Eu sou do Benfica, e eles sabiam.”

“[Jimmy Hagan] era tramado. Mas bom treinador. Naquele tempo os jogadores só ganhavam o prémio de jogo na totalidade se jogassem. Ora podíamos estar a ganhar por 6-0, com duas substituições por fazer, o pessoal no banco a pedir "Ó mister, dá para entrar?", e ele nada. No balneário nem ai nem ui. E era terrível nos treinos. Já com a idade que tinha, fazia todos os exercícios que nos mandava fazer. Fartava-se de puxar por nós, a correr à volta do relvado.”

“Em Março de 1974, no último dérbi pré-revolucionário, ganhámos 5-3 em Alvalade, mas nem imaginas a arbitragem do Raul Nazaré nesse dia! Marcou-nos dois penáltis. Ao primeiro, a castigar falta inexistente minha sobre o Dé, que se atirou para dentro da área, disse-lhe logo: não faças isso, Raúl, que nós vamos lá abaixo e marcamos dois golos. Dito e feito: de 2-3 para 2-5 foi num piscar de olhos.”

“[Em 1974-75, na Luz, apostei com o Yazalde um lanche. (…) Foi um jogo esquisito. O Móia, que nunca marcou um golo na vida, deu-nos avanço e foi o Yazalde quem empatou. No final, eu e o Chirola [alcunha de Yazalde] saímos juntos do estádio e levei-o a uma marisqueira em Benfica. Pelo caminho, uma série de adeptos: "Ó Artur, mas estás com esse porquê?'' E eu respondia: ''O jogo já acabou. Agora somos amigos."”

“Ou passava a bola ou o jogador, nunca os dois. Mas nunca aleijei ninguém. O maior problema eram os árbitros. Eu fazia “tackles”, roubava a bola e o árbitro não só assinalava falta defensiva como ainda me mostrava o cartão amarelo. E eu dizia-lhes: "Porra, mas tu não vês a final da Taça de Inglaterra?" Era dos poucos jogos que dava na televisão, a par da final da Taça dos Campeões. Mas a Taça de Inglaterra era um espectáculo e um encanto que só visto. Os mais fracos da III Divisão ganhavam aos da I e o jogo era sempre a correr, com muitos “tackles”, nunca punidos pelo árbitro. Só em Portugal é que aquilo era falta...”

Rui Tovar,
i, 18-09-2010

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

MEMÓRIAS LEONINAS Benfica-SCP 2005-2006


Benfica 1 - Sporting 3 Liga Portuguesa 2005-2006

Memórias do "leão" Mário Wilson


"Quando cheguei a Portugal
foi para jogar no Sporting."


Em 1951, o Lille afastou o Sporting da final da Taça Latina. O outrora leão Mário Wilson relembra o amadorismo da época, quando só se treinava três vezes por semana. Já lá vão quase 60 anos. Na altura a grande prova da Europa do futebol denominava-se Taça Latina.
Em 1950, o vencedor tinha sido o Benfica, mas em 1951 o Sporting queria imitar a graça do seu rival. Para isso teria de ultrapassar o Lille nas meias-finais a realizar em Turim, Itália.
Sem Peyroteo, que se tinha transferido para o Belenenses, o Sporting deu oportunidade a dois jovens reforços provenientes de Moçambique que viriam a ser figuras ilustres do futebol português: Juca e Mário Wilson. Na frente de ataque pontificavam quatro dos célebres cinco violinos - Vasques, Jesus Correia, Travassos e Albano.
"É uma sensação brutal recordar esse tempo", diz, com emoção, Mário Wilson ao DN. "Vim substituir o Peyroteo, cheguei a Portugal com o Juca, um estilista da bola", afiança o homem que nessa temporada fez 14 golos, os mesmos que Jesus Correia e menos 20 que… Vasques. "Poucos se lembram que quando cheguei a Portugal foi para jogar no Sporting. Sobre o Lille, na época era uma equipa relativamente famosa… e profissional. Do jogo, o primeiro, tenho ideia de que houve um atraso, chegámos na véspera à meia-noite, o que era normal por causa dos transportes…", lembra.
O Sporting empatou a primeira partida a um golo e o encontro teve mesmo de terminar porque as equipas não desempatavam e a luz artificial era algo que não existia. No jogo de desempate, os franceses, mais frescos, pois tinham chegado a tempo e horas a Itália, golearam 6-4 (após prolongamento), com três golos de Vasques (e outro de Caldeira) para os leões. E termina aqui a relação entre Sporting e Lille, que acabaria goleado na final pelo AC Milan (0-5).
A verdade é que desse duplo encontro saiu uma história. Vários clubes italianos e, inclusivamente, o Benfica tentaram contratar o "violino" Vasques, mas Ribeiro Ferreira, presidente do Sporting à altura, convenceu o avançado a permanecer aumentando o seu vencimento para 1200 escudos. Mas não ficou por aí. "Segundo sei, ajudou o Vasques a montar um negócio de frigoríficos do qual o Travassos foi também sócio. Era uma situação habitual. O Sporting ajudava os seus jogadores, que não eram profissionais, a terem bons empregos", refere ao DN o actual presidente da Assembleia Geral do Sporting, Dias Ferreira.
Mário Wilson confirma o amadorismo. "Só treinávamos três vezes por semana. Tínhamos um inglês como treinador, o Randolph Galloway. Não falava português, mas achávamos piada às suas expressões. Sabia dinamizar um grupo que já era fantástico", remata. (...)

MEMÓRIAS LEONINAS Benfica-SCP 1987-1988

MEMÓRIAS LEONINAS Benfica-SCP 1985-1986

MEMÓRIAS LEONINAS Benfica-SCP 2003-2004

"Leões" fazem de palhaços no circo da Luz

O Benfica foi campeão nacional em Maio, mas só vai receber a taça no próximo domingo, já em finais do mês de Setembro. É só mais um número do circo que é o futebol português. E o seu palhaço-mor, Gilberto Madaíl, vai ao relvado do Estádio da Luz entregar o troféu e as medalhas aos jogadores do Benfica. Não a todos, porque alguns já foram embora...
Gilberto Madaíl, que quer contratar José Mourinho para a selecção nacional por dois jogos apenas (outra palhaçada), escolheu precisamente o jogo Benfica-Sporting para entregar os brindes aos benfiquistas. É claro que só pode ser mais um acto de provocação, que o Sporting Clube de Portugal não pode tolerar.
Luís Filipe Vieira, que tem participado em cimeiras com José Eduardo Bettencourt, poderia dar um exemplo de bom senso, travando a palhaçada do próximo domingo. Mas não vai fazê-lo porque é um dirigente que defende os interesses do seu clube e dos seus apaniguados. Num dérbi centenário entre dois clubes rivais, o simbolismo de uma equipa receber o título de campeã antes de um jogo entre ambas é tremendo...
O "dragão" Fernando Gomes, que teve o apoio do Sporting para ser eleito presidente da Liga, também poderia ter mais respeito pelo clube leonino, onde, segundo Pinto da Costa, estão os amigos do presidente portista.
Mas tenho uma leve suspeita que, para essa gente, o Sporting já só serve para fornecer alguns jogadores bons e a preços de saldo... A não ser que José Eduardo Bettencourt nos surpreenda e diga ou faça alguma coisa nas próximas horas...

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Sporting ganha em França pela primeira vez

O Sporting entrou da melhor forma na fase de grupos da Liga Europa 2010-2011, ao vencer por 2-1 no terreno do Lille (também quarto classificado na Liga francesa da época passada), com golos de Vukcevic e Hélder Postiga, ainda na primeira parte, o melhor período da equipa portuguesa. Foi a primeira vitória leonina em terras gaulesas em provas da UEFA.
Com o Benfica na agenda leonina, já no domingo, Paulo Sérgio soube surpreender e ser ousado, optando por apresentar uma equipa formada por jogadores de segunda linha. E até não se notou muito... Assim foi possível ver em acção o médio ofensivo Diogo Salomão (a confirmação de uma revelação, a merecer outras oportunidades, eventualmente já no Estádio da Luz…) e Torsiglieri (um defesa-central a rever).
O modo como o jogo decorreu foi de encontro às pretensões do treinador leonino: uma entrada forte, que se traduziu numa primeira parte irrepreensível da equipa leonina (resultando em dois golos de vantagem), enquanto que, no segundo tempo, com o Sporting mais contido, houve mais Lille, tendo a defesa portuguesa resolvido a questão, sofrendo apenas um golo, que não manchou uma exibição atenta e segura de Tiago, uma surpresa na baliza.
Esta época, foi a terceira vitória do Sporting em jogos disputados fora de Alvalade para as competições europeias. Numa partida onde Hélder Postiga marcou um excelente golo, daqueles que ficam na memória. O problema é que Abel nem sempre cruza como cruzou e Hélder Postiga só remata de fora tão certeira de longe a longe… FOTOS: Reuters

Madaíl não anda a tomar os remédios todos

A selecção portuguesa de futebol, uma das melhores do mundo, poderá ser treinada por José Mourinho só por dois jogos, segundo pretende o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Gilberto Madaíl. Não é brincadeira do 1º de Abril. É mesmo coisa séria. É de imaginar, por isso, a risota internacional que a notícia vai provocar...
No fundo, a Federação, que foi anfitriã do Euro 2004 e quer organizar, com a Espanha, o Mundial 2018 ou 2022, está a transformar a selecção nacional portuguesa numa equipa de solteiros e casados, que escolhe para treinador o tipo mais esperto da aldeia. Para esse efeito, Madaíl está a tentar um acordo com o treinador português e, obviamente, com o Real Madrid.
Portugal tem alguns dos melhores jogadores do mundo, mas também tem alguns dos melhores treinadores da actualidade. José Mourinho é apenas um desses treinadores de grande qualidade. Ao querer contratar Mourinho por 2 jogos - uma tontice na esteira de outras que têm marcado a actualidade na Federação Portuguesa de Futebol - Madaíl está a negar a existência de uma escola de treinadores portugueses, contribuindo, deste modo, para desacreditar ainda mais o futebol português.
Sendo o Real Madrid um clube de futebol e não uma casa de variedades, o bom senso acabará por prevalecer: acabando Mourinho por declinar o convite por qualquer motivo, que até poderá ser alheio a ele próprio. E o próximo selecionador será sempre uma segunda escolha. Por tudo isto, somos levados a pensar que Gilberto Madaíl não anda a tomar os remédios todos.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Oops... Paulo Bento ainda não é o seleccionador

O Sporting Clube de Portugal também dá cartas na formação de treinadores, mas Paulo Bento ainda não é o novo seleccionador nacional. Não está, por isso, garantida a tranquilidade na selecção de Portugal. Segundo uma anedota publicada aqui, parece que há um líder na Federação Portuguesa de Futebol: "O processo de escolha do seleccionador nacional e respectiva equipa técnica está ser liderado pelo Presidente da FPF, Gilberto Madaíl..." Pois sim. Liderado por Gilberto Madaíl...

E o árbitro do Benfica-Sporting é... Carlos Xistra!

Foi o árbitro que apitou o jogo que deu o último título conquistado pelo Sporting, a Supertaça Cândido de Oliveira 2008 (vitória sobre o FC Porto, por 2-0, com dois golos de Yannick Djaló). Depois de saber que Carlos Xistra será o árbitro do próximo Benfica-Sporting, a primeira coisa que veio à minha cabeça disse-me que estamos perante um árbitro capaz de não aguentar a pressão do Benfica... Espero estar enganado. Domingo à noite conversamos.
Entretanto, recordo o que escrevi sobre a arbitragem de Xistra no referido FC Porto-Sporting, da Supertaça 2007-2008, disputado em 16 de Agosto de 2008: "Igual ou pior do que na época passada continua a arbitragem. Carlos Xistra, o tal "leão da serra", como foi apelidado na semana finda pela impensa desportiva nortenha, começou o jogo com uma gritante dualidade de critérios, deixando passar impunes cargas violentas de Bruno Alves sobre Derlei. Em vez do cartão amarelo, Xistra optou por mostrar conversa, muita conversa... E a grande penalidade assinalada contra o Sporting é, no mínimo, muito duvidosa. Pelo contrário, no primeiro lance alegadamente faltoso sobre Cristiano Rodriguez, a "conversa" com Anderson Polga limitou-se à amostragem de um cartão amarelo, condicionando o defesa leonino logo nos primeiros minutos. E Polga nem sequer atingiu intencionalmente o jogador portista, tocando-lhe de raspão depois de chutar a bola, porque, em virtude da lei da gravidade, o pé do jogador brasileiro tinha de voltar ao relvado..."
E no próximo domingo, como será?...

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Arbitragem: Benfica TV abre guerra na Luz



Os comentadores do canal "Benfica TV" discordam de Luís Filipe Vieira, Rui Costa e Jorge Jesus, a propósito da arbitragem em Guimarães. Está aberta uma guerra interna, que poderá fazer rolar cabeças no departamento de comunicação do Benfica, aumentando a taxa de desemprego... Confira no vídeo, os comentários em directo ao Guimarães-Benfica...

Rogério Alves "substitui" Bettencourt...

O Sporting Clube de Portugal tem um presidente do Conselho Directivo e da SAD a tempo inteiro, mas continua tudo na mesma, sem opinião sobre coisa nenhuma, como no tempo em que o presidente só tinha uma hora por dia para dedicar ao clube. O que, diga-se, também se compreende, depois de tantas cimeiras com Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira para vender jogadores ao FC Porto e ao Benfica...
José Eduardo Bettencourt nem sequer foi capaz de marcar terreno nos meios de comunicação, quando sabia com antecedência que o Benfica tinha um plenário dos órgãos sociais (mais uma manobra de pressão sobre o próximo árbitro...) marcado para segunda-feira, para anunciar medidas drásticas...
Na semana que antecede o Benfica-Sporting, o silêncio do presidente leonino torna-se ensurdecedor a cada dia que passa, em virtude dos berros de Luís Filipe Vieira contra as arbitragens (e não só...). E acabou por ser o presidente da mesa da Assembleia Geral da SAD, Rogério Alves, a responder aos desabafos e manobras do presidente do Benfica, mostrando-se "preocupado" com as "críticas exacerbadas" à arbitragem, que têm por objectivo, obviamente, pressionar o árbitro do próximo dérbi. Claro que Rogério Alves é uma voz de referência no universo leonino, mas, como diz a publicidade, não é a mesma coisa…
"Que o Benfica-Sporting seja uma homenagem à verdade desportiva e que ninguém se sinta coagido a ter de vir repor aquilo de que o Benfica se tem vindo a queixar”, alertou Rogério Alves. Estamos totalmente de acordo. Porque o Benfica anda desesperado, pois não pode perder mais pontos, querendo ser beneficiando já na próxima jornada, ao abrigo da famosa lei das compensações que vigora no futebol português.
O que é de lamentar é que o Sporting (apoiante entusiasta da direcção da Liga liderada pelo "dragão" Fernando Gomes...) só hoje tenha aberto a boca, e através do presidente da Assembleia Geral da SAD... Isto para não falar da trapalhada gerada em torno do agendamento do jogo com o Benfica... Enfim, o costume. FOTO: Paulo Pimenta ("Público")

domingo, 12 de setembro de 2010

Memórias de Manuel Negrete






"Estava sempre acompanhado dos brasileiros do Sporting. O Mário, o Zinho e o Silvinho. Na Quinta do Lambert, ao pé do estádio. Eles mostraram-me Lisboa de uma ponta à outra."

"[E dormias cedo?] Sim, sim. Casa, treino, almoço, casa, jantar, casa. Tudo muito simples."

"Às vezes, ia [jantar] com o Eusébio. Falávamos horas e horas sobre futebol. Ele ensinou-me muito sobre o futebol português de então."

"No México, os jogos costumam ser ao meio-dia, com o sol a pique e uns estádios grandes, com espaço entre o relvado e as bancadas. [Em Portugal], eram muitas vezes ao pôr do Sol ou à noite, em relvados e estádios incríveis, sem condições. E quando chovia, tudo piorava. Precisava de ficar em Lisboa mais um ano, porque o primeiro seria obrigatoriamente de adaptação."

"Eu queria. Mucho, muchísimo [continuar no Sporting]. Os adeptos acarinhavam-me, diziam-me sempre a mesma palavra que era paciência, paciência, desde aquela porta famosa [10A] até ao campo de treinos. Mas o Sporting trocou de treinadores nesse ano. Primeiro, o Manuel José. Depois, o Marinho. Finalmente, o Keith Burkinshaw, um inglês. E a minha influência foi diminuindo, diminuindo, até parar de jogar. Ai, ai, esses directores do Sporting. O meu último jogo foi com o Salgueiros. E estava a chover a potes. Entrei na segunda parte e não fiz nada. Isso foi em Janeiro de 1987."

"Ao Barcelona até marquei um golo, na Taça UEFA. Ganhámos 2-1 em Alvalade mas como tínhamos perdido 1-0 no Camp Nou, fomos eliminados. Aliás, nessa Taça UEFA marquei um outro golo, ao Akranes, quando ganhámos lá 9-0."

"[E o Benfica?] Ah, os 7-1. Fui um espectador atento [risos]. Diz-me um lugar melhor do que no banco de suplentes! Eu ali tão perto da glória. Grande jogo e grande vitória. Os clássicos eram sempre assim. Com o FC Porto de Futre, Madjer e Gomes era a mesma coisa."

"[E o Sporting era de quem?] Ehhh, tantos. O Damas, grande guarda-redes. Esteve no Mundial-86, como eu. O Oceano que era um poço de força, derrubava toda a gente, companheiros de equipa incluídos. Era ele que nos abria o caminho para a grande área adversária. O Mário, um brasileiro cheio de talento. Os miúdos da formação como o Litos, o Fernando Mendes, o Mário Jorge. E o capitão Manuel Fernandes. Nos estágios, almoçava e jantava na mesa dele. Na mesa do capitão, vinha sempre mais um jarro de vinho, como bónus. Era isso e Coca-Cola. No México, não se bebia muito. Aqui, bebia sem parar. E, lá está, na mesa do capitão era a dobrar."

Manuel Negrete, antigo internacional mexicano, jogador do Sporting em 1986-1987 (cinco golos em 21 jogos), i, 31-08-2010

sábado, 11 de setembro de 2010

Futebol, futebol, é no Norte do País...

Futebol, futebol, é no Norte do País... Viram os ex-sportinguistas a jogar à bola e a marcar golos no sensacional FC Porto, 3-Sp. Braga, 2? Não há dúvidas: o Sporting Clube de Portugal é uma grande escola de futebol... FOTO: Associated Press

Era proibido empatar com o Olhanense...

Era proibido, mas o Sporting Clube de Portugal deixou-se empatar (0-0), em Alvalade, com o modesto Olhanense. E até poderia ter perdido o jogo, caso o árbitro da partida, por sinal com o apelido Gralha, não tivesse anulado um golo aparentemente limpo aos algarvios (aos 38', num lance em que, curiosamente, para além do golo de Jardel, a ter existido uma falta, seria uma grande penalidade contra o Sporting...). Mas o pior é que os sportinguistas que foram ao estádio até gostaram. E até bateram palmas no fim. Enfim, o Sporting já não é o que era. E os sportinguistas parecem viver vivem sob anestesia geral.
O Sporting, que tem esbanjado dinheiro na gestão financeira do seu futebol, tendo anunciado esta semana o dobro do prejuízo do ano anterior, revela-se agora esbanjador de pontos, seguindo na peugada do Benfica. De facto, este início de campeonato está a ser comprometedor para os clubes de Lisboa, pois já começam a olhar para o FC Porto de baixo para cima...
Se havia jogo que o Sporting teria obrigatoriamente de vencer era este. Por muitas razões. Desde logo, pelo próprio Sporting e pela estratégia do seu conselho de administração. É preciso não esquecer que esta foi a semana em que os accionistas aprovaram o famigerado projecto de reestruturação financeira. Donde, a equipa leonina teria que ter dado tudo em campo, para vencer, também em nome dessa reestruturação financeira.
Além disso, o Benfica perdeu ontem e será o adversário do próximo domingo. Em vez de seis pontos e do ânimo em alta, o Sporting vai à Luz só com quatro pontos de vantagem e desconfiado das suas capacidades. Vencer a Olhanense também seria importante no início de mais um ciclo, que inclui o arranque da fase de grupos da Liga Europa.
Assim não aconteceu. O Sporting voltou a sofrer em Alvalade (em 180 minutos de Liga só marcou um golo de grande penalidade), tendo sido novamente incapaz de criar os desequilíbrios suficientes para sufocar um adversário defensivo. As poucas ocasiões de golo criadas foram desperdiçadas, num ou noutro caso de forma escandalosa. E como desta vez não houve uma grande penalidade, a equipa de Paulo Sérgio ficou em branco.
O empate foi péssimo. Teve sabor a derrota. Assim não dá. Na próxima jornada, o jogo da Luz, seja o que Deus quiser. FOTO: Reuters

Luís Filipe Vieira é um cómico

O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, é um cómico. À quarta jornada da Liga 2010-2011 já anda a berrar contra as arbitragens. Depois dos prejuízos de arbitragem de Guimarães, o seu objectivo é muito claro: ser altamente compensado já no próximo jogo, precisamente contra o Sporting Clube de Portugal. Vieira é um cómico porque, na final da Taça da Liga 2008-2009, ninguém o ouviu falar sobre a escandalosa arbitragem de Lucílio Baptista, que, ao assinalar uma grande penalidade-fantasma contra o Sporting, roubou o troféu do museu leonino. Mas Vieira fez pior: escondeu-se bem escondido e ordenou que o director de comunicação, João Gabriel, provocasse a nação sportinguista, mostrando ao País, numa conferência de imprensa, a taça vergonhosamente conquistada pelo Benfica.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Jesus já não faz milagres

Mais do que dar atenção aos pontos perdidos pelo Benfica (que estará, certamente, a fazer um dos piores campeonatos da sua história), importa que o Sporting vença a Olhanense, em Alvalade, com golos e bom futebol, de preferência, de modo a que a equipa leonina, na quinta jornada, entre no Estádio da Luz com seis pontos de avanço e muita confiança. E assim, a depressão, que na época passada afectou a nação sportinguista, poderá afectar gravemente os benfiquistas, uma vez que o Benfica, já muito depenado em apenas quatro jornadas, não poderá perder essa partida, sob pena de passar a registar 12 pontos perdidos em apenas cinco jornadas, o que significaria entregar o título... Ora, é precisamente essa pressão que poderá facilitar a tarefa leonina. A verdade é que, como se viu em Guimarães, Jorge Jesus não chega para todas as adversidades e já não faz milagres no Benfica. Que Paulo Sérgio seja capaz de fazê-los no Sporting.

Os dois salários de Bettencourt

Estou à espera que o Sporting Clube de Portugal, a Sporting SAD, a Sporting Património e Marketing ou o próprio José Eduardo Bettencourt venham a público durante o dia de hoje, por qualquer meio, desmentir esta notícia, sob pena de os sportinguistas começarem a ter ainda mais razões para pensar o pior do seu presidente.

Eriksson, o ideal para a selecção portuguesa

Considerando que José Mourinho não está disponível; considerando que Manuel José está vetado pelo "sistema", pois não verga a espinha nem alinha em fretes; considerando que Paulo Bento é demasiado novo para ser queimado vivo; o treinador ideal para a selecção portuguesa de futebol seria o sueco Sven-Göran Eriksson!...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Acabaram as desculpas

A assembleia geral de accionistas do Sporting aprovou por larga maioria - mais de 80 por cento dos votos presentes - o plano de reestruturação financeira, tido como o único meio de equilibrar a gestão da sociedade anónima que gere o futebol do clube. Isto significa que acabaram as desculpas para os falhanços de sempre no futebol profissional.
Agora, a grande questão é saber o que será do Sporting Clube de Portugal, do futebol e das modalidades, ou o que é que os dirigentes que, nos últimos 15 anos, deram cabo do clube, enquanto instituição credível em termos desportivos e financeiros, têm em mente fazer.
Espero estar muito enganado, mas os protagonistas já deram provas suficientes de que não são de confiança. Basta olhar para o último relatório de actividades e contas da Sporting SAD. Tenho para mim que este plano dito de reestruturação financeira (quando havia quem tivesse apresentado soluções alternativas) arrisca-se a não passar de mais um expediente, como outros, também aprovados e aclamados nos últimos anos, que terá por finalidade adiar por uns tempos o fim do Sporting Clube de Portugal, permitindo olear as tesousarias de bancos e afins enquanto for possível, à custa, claro, das camisolas do emblema leonino e dos "clientes" que ainda acompanham o clube.
O Sporting, infelizmente, está transformado numa delegação dos interesses bancários. E no plano desportivo, para além de ter deixado de ser uma voz ouvida e respeitada pelos agentes do futebol, parece ter-se transformado na filial mais importante do FC Porto. A propósito, não sabemos o que pensa o Sporting sobre o que se passa na Federação Portuguesa de Futebol e na selecção nacional, mas sabemos que apresentou queixa contra a RTP, por causa de uma "cassete" com imagens de defesas de um guarda-redes espanhol do Benfica...
Ora, o foco principal do clube leonino deveria ser proporcional à sua grandeza, tendo uma voz credível e respeitada como suporte da sua política desportiva e apostando na promoção desportiva, a começar por uma equipa de futebol de dimensão nacional e europeia, procurando ser a melhor em Portugal e deixando boa figura lá fora. No fundo, é este desígnio que nos vendem todos os anos através dos discursos (não obstante os dirigentes leoninos pensarem no Sporting como um clube cada vez mais exclusivamente lisboeta...).
A verdade é que o projecto de um futebol do Sporting ganhador e competitivo tem sido constantemente adiado. Nos últimos anos a desculpa era a falta de dinheiro. Vai deixar de existir a partir de agora. E a grande equipa de futebol para ganhar títulos em Portugal e deixar boa impressão na Europa? Virá a seguir?...

Gestão de Bettencourt é um buraco sem fundo

A SAD do Sporting vai apresentar o dobro do prejuízo verificado na época futebolística de 2008-2009, atingindo os 26,4 milhões de euros no exercício findo em 30 de Junho de 2010, que corresponde ao primeiro ano da gestão de José Eduardo Bettencourt. Segundo a convocatória para a assembleia geral dos accionistas leoninos, a realizar no próximo dia 29 de Setembro, o Sporting vai propor a aprovação do Relatório e Contas com um “resultado líquido negativo de 26,461 milhões de euros", enquanto o anterior balanço tinha sido de um prejuízo de 13,349 milhões de euros. O Sporting estava tecnicamente falido no final do consulado de Filipe Soares Franco. Com a gestão profissional de Bettencourt transformou-se num buraco sem fundo ainda maior... E o anti-sportinguista sou eu?... CONSULTE AQUI O RELATÓRIO E CONTAS 2009-2010.

Obs. - José Eduardo Bettencourt recebeu 219 mil euros em remunerações para gerar um prejuízo de 26,4 milhões. Como li algures, a incompetência paga-se caro.
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