terça-feira, 30 de novembro de 2010

Eduardo Barroso diz que foi "saneado da tribuna"

"O presidente do FC Porto foi tratado em Alvalade como um lorde.

Temos que mostrar o nosso desagrado. Temos todo o direito.

O Liedson deitou a bola para fora quando o Moutinho estava aleijado. O Moutinho ignorou o Maniche caído no chão.

Villas-Boas teve gestos de símio, até foi confrangedor. Tanto histerismo. Não sabe perder nem sequer empatar.

O treinador do Porto falou em caça ao homem. Só prova que não tem estabilidade nenhuma. Já estava todo destrambelhado. Tive vergonha por ele.

Inaceitável o que Vukcevic fez no sábado. Senti-me gozado. Um comportamento perfeitamente inaceitável.

Fui saneado de ir para a tribuna de honra porque me ia portar mal. Ia assobiar o nosso ex-capitão. Tenho mais anos de sócio do que a maioria dos que lá estavam.

Porque é que a direcção não deixou a Juventude Leonina utilizar as faixas de desacordo das afirmações do meu presidente? Tinham todo o direito. Foi uma vergonha.

Já não sei o que pensar do meu presidente. Primeiro o nosso ex-capitão era uma maçã podre, depois diz aquilo dele?

Um líder tem que saber ser coerente e ser líder de umas tropas, no bom sentido. Foi a gota de água. Para mim acabou!

Estou muito, muito desiludido. Não sei se vou resistir a esta desilusão."

Eduardo Barroso, TVI 24, 29-11-2010, citado pelo blogue Sangue Leonino

domingo, 28 de novembro de 2010

Sporting censura Juventude Leonina

"Passam jogadores, presidente
e treinador... Mas só o Sporting
é o nosso grande amor"

Frase da coreografia preparada pela Juventude Leonina para o Sporting-FC Porto, que foi censurada pelo Sporting Clube de Portugal

sábado, 27 de novembro de 2010

Sporting empata e dá mais um passo atrás

Joaquim Oliveira, Pinto da Costa e José Eduardo Bettencourt, assim alinhados no camarote presidencial do Estádio José Alvalade, assistiram ao empate (1-1) entre o Sporting e o FC Porto. E tudo ficou na mesma. Ou melhor, a equipa leonina deu mais um passo atrás, pois perdeu mais dois pontos neste campeonato penoso que está a fazer, pelo segundo ano consecutivo. À 12ª jornada, o Sporting regista 17 pontos perdidos, enquanto na época passada também já tinha perdido 18. Muita fruta... E a equipa dá mostras de que não tem argumentos para FC Porto e Benfica. Na Luz perdeu 2-0.
Neste jogo, o Sporting foi mais competente do que o costume, mas acabou igual a si próprio. Nos cinco jogos anteriores realizados em Alvalade, tinha marcado uma média de 1 golo por jogo. Ora, marcou um golo ao FC Porto. Continuou na média. E sofreu um, ficando com 12 tentos sofridos em outras tantas jornadas, o que também não é média que um candidato ao título deva apresentar. Como em outros jogos, o Sporting também viu uma bola bater na barra, num excelente remate do regressado Pedro Mendes. Mas essas não contam...
Doravante, resta à equipa leonina lutar pelo segundo lugar. É que, ao empatar com o FC Porto, o Sporting perdeu o seu 17º ponto em apenas 12 jornadas. Mais de um ponto perdido por partida. E se o Benfica ganhar nesta jornada, o segundo lugar ficará a cinco pontos!... Já o FC Porto foi a Alvalade perder apenas o seu 4º ponto em 12 jogos.
O FC Porto apresentou-se em Alvalade mais relaxado do que no costume, sem dinâmica ofensiva, sem capacidade para criar espaços. O colectivo portista parecia tolhido pelos assobios do povo sportinguista a João Moutinho, que registou uma exibição apagada, não obstante ter conseguido aparecer num momento decisivo, participando no golo da sua equipa.
O Sporting começou muito concentrado, muito aplicado e reforçado pela solidez defensiva de Pedro Mendes. Ao intervalo, a vitória leonina por 1-0 era inteiramente merecida. O golo foi de Valdés, um reforço do último Verão a justificar plenamente a contratação, embora, aparentemente, precise de mais e melhor trabalho físico para aguentar mais tempo no jogo.
No segundo tempo, as coisas foram diferentes. O FC Porto abriu mais o seu jogo e acabou por empatar. Depois, Liedson - que nesta partida regressou aos seus bons velhos tempos - ainda provocou a expulsão de Maicon, mas o Sporting, decididamente, não sabe jogar contra equipas de dez jogadores. E, como se viu naquele final terrível contra o Vitória de Guimarães, jogando com dez ainda é pior... FOTO: Associated Press

"Caso" Maniche. Reflexões sobre um plantel

Ex-vice de Soares Franco arrasa
gestão Bettencourt-Costinha

1. A generalidade da comunicação social imputou a derrota do SCP contra o V. Guimarães à expulsão do jogador Maniche, que agrediu um adversário, em gesto alegadamente irreflectido.

2. Maniche, não obstante o brilho da sua carreira, foi sempre um jogador instável e temperamental, características que não se têm atenuado com a idade; no Colónia, seu anterior clube, pagou a maior multa de que há memória, por comportamento incorrecto com o público.

3. Já no SCP tinha exteriorizado algum destempero, com o arremesso de uma garrafa de água no final do jogo com o Benfica, o que lhe custou um jogo de suspensão.

4. O que surpreende, portanto, é que alguém ainda se surpreenda com estas instabilidades de um jogador que a Europa não quis e que o SCP resolveu acolher, numa linha de aproveitamento de jogadores em fim de carreira que já com a contratação de Ângulo não tinha dado grandes resultados.

5. Causa assim alguma apreensão ouvir o treinador do SCP dizer que contava com o Maniche para trazer estabilidade e maturidade à equipa, contribuições para que ele claramente não está talhado.

6. Este episódio traz acuidade a uma questão mais vasta e importante que é a de saber qual a estratégia subjacente ao actual plantel da equipa profissional de futebol do SCP.

7. Eu sei que o SCP tem especialistas, conselheiros, entendidos, scouters, olheiros e tutti quanti, que seguramente se pronunciam sobre o movimento de aquisições e dispensas.

8. Simplesmente, essa realidade, por muito respeitável que seja, não preclude as interrogações que as escolhas feitas no actual plantel suscitam.

9. Na reabertura do mercado de 2009, o SCP foi comprar o João Pereira e o Sinama-Pongolle, que não podiam jogar a Liga Europa, na qual o SCP estava empenhado, sendo a única frente em que poderia ainda brilhar; ao ver o SCP a tentar marcar um golo (que valeria a eliminatória) ao Atlético de Madrid em Alvalade, não pude deixar de me lembrar de tamanho paradoxo.

10. Simon Vukcevic foi dispensado do plantel para o Olympiakos de Atenas no final da época passada; recambiado para Lisboa (porquê?), é hoje dos poucos jogadores com perfume que ainda fazem Alvalade sonhar, mas, como critério de escolha, estamos conversados.

11. Adrien, Pereirinha e Wilson Eduardo estão fora alegadamente a rodar, o que, no caso dos dois primeiros, que já jogaram na Champions, é algo paradoxal; face ao que tenho visto, penso que onde eles fazem falta é no SCP.

12. Custa-me a perceber a gestão do dossier Izmailov. Mesmo tratando-se de um jogador difícil, ou com um empresário difícil, não haverá talento no SCP para cativar o jogador e evitar (mais) uma perda anunciada?

13. Continuo a achar que a "maçã podre" João Moutinho é uma história mal contada e tenho seguido com alguma azia o jeito que ele tem feito ao FCP.

14. Visivelmente, Torsiglieri escolheu Alvalade para aprender a jogar futebol; a decisão será boa, mas interrogo-me se o SCP tem de pagar por isso.

15. Nuno André Coelho e Zapater vieram à troca, sendo por definição jogadores que os clubes a quem vendemos jogadores não precisavam e usaram para baixar a factura, ou seja, não terão sido escolhas, mas conveniência, como os factos se têm encarregado de demonstrar.

16. Caneira, Purovic, Stojkovic, Pedro Silva e o próprio Grimmi são de nenhuma utilidade ao plantel, só se fazem sentir no final do mês.

17. A isto há que somar o Liedson e o Pedro Mendes, mais atreitos a paragens por força da idade, o Yannick e o Saleiro, em clara regressão evolutiva, e o Hélder Postiga, que parece só jogar em ano de final de contrato.

18. Não me pronuncio sobre um tal Tales, contratado no último dia do mercado regular, porque nunca tive o prazer de o ver jogar.

19. Claro que há coisas boas, a progressão notável do Daniel Carriço, a estreia do Cédric ou a afirmação do Rui Patrício.

20. Só que - e com muita mágoa o digo - as coisas más são mais do que as coisas boas.

21. A equipa de futebol vem, de forma paulatina mas inexorável, diminuindo o seu valor e enfraquecendo a sua performance; basta olhar para os resultados e para a sua composição.

22. Mais do que profissões de fé de acrisolado sportinguismo e promessas de amanhãs que cantam, importa ter a consciência que, com este plantel, o SCP dificilmente ganhará o que quer que seja.

23. E não acho que seja só por causa do (pouco) dinheiro; não encontro na montagem da equipa do SCP um critério discernível e objectivo, uma estratégia, a equipa continua macia, baixa e leve, vejam-se os golos que o SCP sofre de bola parada e os que não marca da mesma forma.

24. Claro que seria muito mais cómodo ignorar esta situação e continuar a prometer que é para a próxima, que não há mais margem de erro e outros lugares-comuns já estafados, mas, com essa atitude, o clube não vai a lado nenhum.

25. Desejo vivamente que o presidente, a SAD e toda a estrutura consigam dar a volta a esta tão delicada equação. Os sportinguistas, esses, ficar-lhe-iam, de certeza, eternamente gratos. Ex-dirigente do Sporting

AUTOR:
Carlos Barbosa da Cruz, ex-vice-presidente do Sporting, sócio nº 2639, "Público", 27-11-2010

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Sporting sintético

O Sporting lucrou 10,5 milhões de euros no primeiro trimestre desta época, contra prejuízos no ano passado; mas está a ficar para trás em receitas. É um paradoxo: o clube, por ser gerido responsavelmente, está a apequenar-se.
O lucro vem da venda de jogadores, incluindo a de Moutinho. Foi um bom preço, mas quem ficou com um “patrão” foi o Porto. E o Sporting vai baixando assistências.
Como outros, o Sporting está refém da banca. A diferença é que o Benfica e o Porto continuam a pedir crédito e a tê-lo contra a expectativa de receitas de risco: Champions (de onde o Benfica está eliminado, para mal dos seus credores) e venda de jogadores. Ao contrário, o Sporting tem sido zeloso e responsável.
Mas esta “boa gestão financeira” está a ser madrasta. Como demonstrava o “Público” no sábado, Porto e Benfica estão a descolar do Sporting, que perde bilheteira e patrocínios. “Mais duas épocas assim e o Sporting pode começar a aproximar-se mais do Braga e Guimarães que do Benfica e Porto”, afirmava Hélder Varandas, especialista em finanças do futebol.
O Sporting está a trocar o risco financeiro por outro risco: o de encarquilhar-se, ser um clube com menos custos e receitas. Enquanto isso, o Braga faturou mais na Champions que o Sporting com Moutinho.
É como a hipótese de trocar a relva de Alvalade por plástico: um raciocínio de boa gestão (face aos inultrapassáveis problemas atuais) mas sem “alma” desportiva. Mais do que um relvado sintético, o Sporting precisa de um superlativo sintético: ser Sportinguíssimo. De outra forma, pode tornar-se um pequeno clube grande.

AUTOR: Pedro S. Guerreiro, "Record". 25-11-2010

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O dia em que o FC Porto perdeu 5-1 no Jamor

Estádio do Jamor. A relva cortada em faixas longitudinais e aí vai Vasques isolado para fazer o 3-1. FOTO: ASF

"No Estádio do Jamor, cuja relva se apresentava cortada em faixas longitudinais, dando um belo aspecto e oferecendo ao espectador um convite mudo, mas insistente, a dar uns pontapés na bola, cerca de 30 mil pessoas assistiram a um espectáculo triste, não obstante a beleza da tarde outonal, em que a orquestra sportinguista executou, em todos os tons, a marcha fúnebre que acompanhou à última morada uma grande equipa, o FC Porto. Dir-se-ia, de facto, que aquilo esteve longe de ser uma luta desportiva, porque não houve luta, mas sim uma missa de requiem por alma de um conjunto cujas tradições estão gravadas indelevelmente no historial desportivo português. É lamentável, mas a verdade obriga a dizer e a contar o encadeamento dos factos, tais quais eles decorreram, lenta e cruelmente, para onze dos jogadores em campo e - é curioso acentuar - para todos os espectadores, especialmente para a maioria deles, a puxar pelos leões."
É assim que o "Jornal de Notícias", do Porto, abre a crónica de jogo do Sporting-FC Porto de 26 de Setembro de 1954. A orquestra do Sporting foi executada por Carlos Gomes, Caldeira, Pacheco, Janos, Passos, Juca, Galileu, Vasques, Martins, Travaços e Albano, que, ao longo dos 90 minutos, "correram muito mais" do que os portistas, que interpretaram a marcha fúnebre, através de intérpretes da craveira de Barrigana, Virgílio, Osvaldo, Porcel, Sarmento, Eleutério, Carlos Duarte, Hernâni, Teixeira, José Maria e Carlos Vieira. No apito, Curinha de Sousa, de Portalegre, de quem ninguém apontou um defeito que fosse.
Com a relva cortada em faixas longitudinais, o Sporting cedo demonstrou ao que ia, com golos de Galileu (que não o Galilei) e Martins, aos oito e aos 32 minutos. Na segunda parte, outro festival de "ataque ao primeiro toque" e "desnorte do FC Porto", só salvado pelo pontapé de Teixeira (67'') numa jogada de insistência de Virgílio, o Leão de Génova, assim alcunhado pela imprensa italiana pelo seu espírito combativo e never-say-die após um particular entre Itália e Portugal. Mas o FC Porto só jogou com um leão, o Sporting com 11. Um hat trick de Vasques (60'', 65'' e 82'') avolumou o triunfo categórico dos verde-e-brancos, que já sonhavam com o pentacampeonato, decidido na última ronda mas a favor do arqui-rival Benfica numa final de cortar a respiração, porque o Belenenses já festejava o seu segundo título nacional quando Martins (Sporting) fez o 2-2 nas Salésias. Por essa altura, o FC Porto andava tranquilo, no quarto lugar, afastado que estava o espectro da descida de divisão que pairou nas Antas com aqueles 5-1 no Jamor. Nessa tarde, à terceira jornada, o FC Porto subiu o país de comboio mas desceu ao último lugar, empatado com o Sp. Covilhã, ambos com um só ponto.

FONTE: Rui Tovar, jornal "i", 24-11-2010

Uma "maçã podre" chamada Bettencourt

Em Julho de 2010:
"Uma equipa ganhadora tem de cuidar bem do seu jardim. No arranque de uma época nova tínhamos um pomar com uma maçã podre e essa maçã iria contaminar todo o ambiente. O negócio [venda de João Moutinho ao FC Porto] foi feito porque o Sporting quis, porque não queria no seu pomar uma maçã podre."

Em Novembro de 2010:
"Não percebo por que é que foi desenterrado o caso Moutinho que foi no Verão passado. Foi sempre um profissional fantástico. Reconheço no João um profissional extraordinário. Não gostaria de ver atitudes menos correctas em relação a ele."

A cada dia que passa, a verdadeira maçã podre revela-se em todo o seu esplendor... José Eduardo Bettencourt não está a gozar com os sportinguistas, nem com o Sporting Clube de Portugal. Está, em primeiro lugar, a gozar com ele próprio, desempenhando o papel de um palhaço sem palavra!... Só que o presidente do Sporting é pago a peso de ouro. Não pode limitar o seu trabalho a estas macacadas. Haja paciência!...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Mário Wilson: única expulsão foi no Sporting

Esta foto da ASF é uma relíquia leonina. Da esquerda para a direita, o técnico inglês Randolph Galloway (único treinador a ganhar três campeonatos seguidos no Sporting), o guarda-redes Azevedo, o avançado Wilson e o defesa Vieirinha.

Dono de frases que ficaram na história, como "quem treina o Benfica, arrisca-se a ser campeão" ou "se não confiasse no Benfica, ia vender preservativos para o Rossio", Mário Wilson é um treinador de inegáveis méritos, com carreira longa e de sucesso.
Além de levar a Académica a um inédito e nunca mais visto segundo lugar no campeonato de 1966-67, foi para o Benfica em 1975. Uma época rendeu-lhe o título nacional numa acérrima e inesperada disputa com o Boavista de Pedroto, que ficou a dois pontos. Em 1978, alcançou o ponto mais alto da sua carreira, à frente da selecção nacional.
Em Setembro de 1979, convocou nove portistas para o particular com a Espanha, em Vigo, a oito dias do Milan-FC Porto, da segunda eliminatória da Taça dos Campeões. Ganhou dois inimigos de peso (José Maria Pedroto e Pinto da Costa) mas seguiu o seu caminho. Depois de muitas experiências em variadíssimos clubes, incluindo no estrangeiro (Marrocos), seria chamado para o Benfica por Artur Jorge, que, coincidência, Wilson fora buscar para a Académica dos juniores do FC Porto, em 1967. Com a saída de Artur Jorge, o adjunto tomou conta da equipa e levantou a Taça de Portugal em 1996 (3-1 ao Sporting, na final do verylight), repetindo o feito de 1980 (1-0 ao FC Porto... de Pedroto), aquando da segunda passagem pelos encarnados. Isto é Mário Wilson como treinador.
Mas o que vamos agora (des)escrever é Wilson como jogador. E ele que foi um jogador de grande envergadura física, com nome feito no Sporting (1949-51) e na Académica (1951-63). De Moçambique, chegou ele no Verão de 1949, para fazer esquecer o grande Peyroteo, ainda hoje o melhor marcador na história do campeonato nacional com 330 golos, mais dez que Eusébio. Quando chegou à metrópole, com apenas 20 anos, Wilson impressionou de imediato pela compleição física, fortalecida pela prática de basquetebol, atletismo e voleibol em Lourenço Marques (agora Maputo), além do futebol no Desportivo. Na época de estreia, Wilson somou mais golos (23) que jogos (21), correspondendo assim à figura de herdeiro de Peyroteo.
Na segunda época, a pontaria já não foi a mesma (ainda assim, 14 golos em 19 jogos), salpicada pelo mau génio de que resultou uma expulsão, a primeira de um jogador do Sporting frente ao FC Porto, no campo do Lumiar, a 15 de Outubro de 1950. Os leões ganharam 3-0 mas a jogar com dez toda a segunda parte. Logo aos 12 minutos, Mário Wilson entrou duro sobre Pinto Vieira, que foi assistido fora do relvado por três minutos. Nesse período, trocou empurrões com o central Carvalho. A troca de galhardetes resultou numa entrada em campo enfurecida de Pinto Vieira, que empurrou Wilson e este respondeu-lhe com um murro. O árbitro Augusto Pacheco, de Aveiro, expulsou o avançado leonino, que serviu uma suspensão de três jogos, castigo nada habitual para aqueles tempos. "Voltarei mais forte", profetizou. E ei-lo ainda aí, a gozar de um prestígio inabalável e intocável. É o grande capitão, que mantém esse posto apesar dessa expulsão, a sua única na carreira em 280 jogos.

O lucro do Sporting

O futebol do Sporting já está a dar lucro. São mais de 10 milhões de euros, dizem eles.

domingo, 21 de novembro de 2010

Ufa!, Paulo Sérgio conseguiu vencer uma ex-equipa

Ufa!, Paulo Sérgio conseguiu ganhar a uma ex-equipa e o Sporting seguiu em frente na Taça de Portugal. Um golo marcado no último lance da primeira parte, por intermédio de Yannick Djaló, num remate que bateu num defesa contrário e traiu o guarda-redes do Paços de Ferreira, deu ao Sporting o passaporte para a próxima eliminatória da Taça de Portugal. Uma vitória por 1-0, demonstrando que as vitórias leoninas continuam muito magras. Tal como o futebol produzido pela equipa. Muito esforçado, sem grande qualidade e a tremer até ao fim. Os 8.700 espectadores que estiveram em Alvalade são testemunhas.

O drama de Paulo Sérgio

O treinador do Sporting, Paulo Sérgio Bento, tem um drama: desde que dirige a equipa leonina, nunca conseguiu ganhar a uma ex-equipa sua. Logo na primeira jornada da Liga, perdeu em Paços de Ferreira (que orientou em 2008-2009 e parte da época seguinte). Também na condição de visitante, cedeu um empate em Aveiro diante do Beira-Mar (por onde Paulo Sérgio passou em 2007-2008). A jogar em Alvalade, empatou sem golos com o Olhanense (onde começou como treinador) e foi derrotado pelo Vitória de Guimarães (onde estava antes de assinar pelo Sporting). Só lhe falta jogar com o Santa Clara, por onde também passou como treinador, o que será impossivel, pois a equipa dos Açores já está fora da Taça de Portugal e da Taça da LIga...
"São coincidências infelizes para mim, mas, como é óbvio, esperamos inverter isso já amanhã [hoje]", declarou o técnico na conferência de antevisão à partida desta noite (20h15, Sport TV) contra o Paços de Ferreira, da quarta eliminatória da Taça. Uma partida que Paulo Sérgio considera tratar-se de uma final. Ao que o futebol do Sporting chegou...

sábado, 20 de novembro de 2010

Finanças: Benfica e FC Porto afastam-se do SCP

Em 2 anos, Sporting aproxima-se
do Sp. Braga e V. Guimarães,
alerta especialista em finanças

Ponto 1: a Sociedade Anónima Desportiva (SAD) do FC Porto teve lucro pela quarta temporada seguida, enquanto as do Benfica e do Sporting acumularam prejuízos pelo segundo ano consecutivo. Ponto 2: na época do regresso aos títulos, o Benfica aumentou em larga escala as receitas e as despesas. Ponto 3: Benfica e FC Porto começam a distanciar-se do Sporting, quer ao nível de receitas, quer de despesas.
Estas são três das principais conclusões que se podem retirar da análise comparada dos relatórios e contas enviados pelas três SAD à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e que foram publicados nas últimas semanas.
Comparar as contas dos três grandes clubes portugueses é mais difícil do que seria imaginável quando se fala de sociedades cotadas em bolsa. É que as contas reveladas pelas três principais SAD dizem respeito a universos diferentes, porque uma inclui quase todas as empresas do grupo (Benfica), outra quase todas mas não a totalidade do estádio (FC Porto) e outra exclui quase todas as restantes empresas do grupo (Sporting).
O PÚBLICO centrou-se, por isso, naquilo que é comparável: o universo das SAD, deixando de fora os valores das outras empresas do grupo (consolidado).
A primeira conclusão é que só o FC Porto garantiu lucros na época passada. Um valor baixo (400 mil euros) e “só possível graças a receitas extraordinárias como a vendas de jogadores”, como destaca Hélder Varandas, especialista em finanças do futebol — a SAD portista, no entanto, só no próximo exercício incluirá os valores das vendas de Bruno Alves e Raul Meireles.
Já o Benfica — e mesmo com um aumento considerável de receitas e a venda de Di María (a transferência de Ramires só será contabilizada em 2010/11) — teve um prejuízo de 20,3 milhões de euros. É certo que o clube da Luz não contou na temporada passada com as importantes receitas da Liga dos Campeões, mas os “custos [65,4] são enormes”, diz Hélder Varandas.
A situação do Sporting é ainda mais preocupante. Mesmo tendo custos bastante inferiores aos dos dois rivais, a SAD de Alvalade apresentou o maior prejuízo: 26,5 milhões de euros. Hélder Varandas sublinha que o clube teve de partir para a reestruturação financeira, para sair de uma situação de capitais próprios negativos (vulgarmente definida como falência técnica).
E se é verdade que nos custos e receitas da época passada, a distância que separa o Sporting do FC Porto é praticamente igual à que separa portistas do Benfica, uma análise mais larga no tempo mostra FC Porto e Benfica a alternarem na liderança das receitas e o Sporting a ficar para trás. O clube de Alvalade ressentiu-se não só da ausência da Liga dos Campeões, mas também da quebra nas receitas de patrocínios e de bilheteira.
“Mais duas épocas assim e o Sporting pode começar a aproximar-se mais do Sp. Braga e V. Guimarães que do Benfica e FC Porto”, avisa Varandas.
Apesar de algumas diferenças, os clubes continuam a ter nos direitos televisivos, bilheteira e patrocínios as principais receitas fixas. Ao que se junta a venda de jogadores, algo particularmente importante no FC Porto, que tem sido o “grande” a explorar mais esta vertente.
A SAD portista, por outro lado, é aquela que gasta uma maior quota dos proveitos operacionais em salários (77 por cento), contra 68 do Sporting e 65 do Benfica.
Será este um modelo sustentável? “Acho que não é. Os clubes têm de ter cuidado com aumentos de endividamento. A dada altura, gastaram mais do que tinham e agora pagam muitos juros, numa altura em que eles estão baixos. E vão subir”, alerta Hélder Varandas, considerando que é preciso actuar na despesa e “inventar receitas”: “As receitas televisivas são importantes. O Benfica anda atrás disso para resolver o seu problema”, diz, apontando ainda a cedência de direitos das apostas desportivas como outro caminho.

FONTE:
Hugo Daniel Sousa, "Público", 20-11-2010

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Postiga tem duas caras. Uma alegre, outra triste...

Octávio Machado tenta explicar
irregularidade do avançado

Hélder Postiga transferiu-se "cedo de mais para o futebol inglês". Disse-o ontem Octávio Machado, primeiro treinador do ponta-de-lança na equipa sénior do FC Porto, procurando justificar a carreira irregular do autor de dois dos quatro golos com que Portugal derrotou os actuais campeões do mundo e da Europa.
O "processo de aprendizagem" foi interrompido quando Postiga foi obrigado a trocar o FC Porto pelo Tottenham na era Co Adriaanse, decorria a temporada de 2003/04. E Postiga, ao contrário de Cristiano Ronaldo ou Nani, foi para um clube "que não tem a paciência do Manchester United". "Não é um caso isolado", referiu o ex-técnico à TSF, juntando ao exemplo os casos de Simão Sabrosa (que foi para Barcelona em 1999) e do próprio Ricardo Quaresma (que em 2003 se aventurou no mesmo clube da Catalunha).
A verdade é que Hélder Postiga, um dos heróis do Portugal-Espanha, é um jogador de duas caras, uma alegre e outra mais circunspecta. A explicação para esse pormenor da carreira deu-o o próprio Postiga numa entrevista em 2006, altura em que o ponta-de-lança sorria ao serviço de Jesualdo Ferreira. "Confiança", respondeu. "Quando ela é dada, fica-se mais à vontade e até no jogo as coisas boas surgem naturalmente. Cabe-me a mim ser o primeiro a acreditar no meu valor, mas também é importante que as pessoas acreditem e explorem o valor de cada jogador." Foi assim com José Mourinho, provavelmente o treinador que mais sumo retirou dele, também com Jesualdo Ferreira e pontualmente com mais um par de treinadores que lhe passaram pela frente.
Hoje volta a acontecer com Paulo Sérgio (Postiga tem apenas um golo no campeonato, mas seis no total das competições) e com o seleccionador nacional Paulo Bento. "Os treinadores ajudam", lançou no final do duelo ibérico Postiga, sorriso rasgado e alguns recados nas entrelinhas. "Do presente posso falar." Octávio Machado, como é habitual, foi directo ao assunto. Foi "relegado" por Carlos Queiroz, que "contrariou os seus princípios" ao assimilar Liedson.
O Estádio da Luz assistiu ao "bis" de Postiga, que se vira pela última vez no dia 14 de Outubro de 2006 - não tinha jogado na selecção por estar lesionado, mas marcou dois golos pelo FC Porto frente ao Marítimo, revelando uma confiança que há muito não se lhe via. Pela selecção, o ponta-de-lança não bisava desde o Portugal-Estónia de 8 de Setembro de 2004 (4-0). Anteontem, foi titular pela primeira vez desde 15 de Junho de 2008 (um Suíça-Portugal a contar para a fase final do Euro). Aproveitou dois passes de João Moutinho para fazer dois golos, o 13.º e o 14.º com a camisola da selecção AA (conta 36 em todos os escalões da selecção). No final, deixou a promessa de mais. Será este o ano de Postiga?

FONTE: Luís Octávio Costa, "Público", 19-11-2010

Taveira, o arquitecto de Alvalade

Eis o arquitecto Tomás Taveira. Benfiquista do coração, foi o homem que fez o projecto do Estádio José Alvalade, onde a falta de luz solar e ventilação impede a relva natural de viver... Foi também ele que optou pelas cadeiras em várias cores de modo a simularem a presença de muito público mesmo com o estádio quase vazio. O homem era, de facto, um visionário... Agora, uns dez anos depois, há sportinguistas que acordaram para a realidade e querem pedir responsabilidades ao arquitecto... Mas acordaram tarde, evidentemente.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Atletismo do Sporting fora de Alvalade

Há uma boa notícia em Alvalade: o Sporting acaba de anunciar uma academia para o atletismo. Objectivos: aumentar significativamente o número de praticantes, captar novos talentos, ser uma referência na formação e alimentar as equipas seniores. Mas não há bela sem senão. Na sessão em que José Eduardo Bettencourt apresentou o projecto, Moniz Pereira voltou a lamentar a falta de uma pista de atletismo no Estádio José Alvalade. O homem tem toda a razão. Mas ninguém lhe deu ouvidos. FOTO: "A Bola Online"

domingo, 14 de novembro de 2010

Importa-se de repetir?!...

"Provámos que quando queremos somos agressivos e coesos."

A avaliar por esta declaração do treinador do Sporting, Paulo Sérgio, após a vitória por 2-1, sobre a Académica de Coimbra, o problema leonino é quando os jogadores não querem...

sábado, 13 de novembro de 2010

Hugo Almeida, o oferecido

Tenho muita simpatia pelo jogo e pelo estilo de Hugo Almeida, actualmente nos alemães do Werder Bremen. Mas acho que o antigo ponta-de-lança do FC Porto está demasiado oferecido ao Sporting... O que é de desconfiar. Ele que seria mais um ex-dragão em Alvalade...
Ainda não há nada entre Hugo Almeida e o Sporting, mas já estamos fartos da notícia. Por mim, que vá para o FC Porto "de olhos fechados", como ele diz que iria. Mas é preciso saber se Pinto da Costa está interessado.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Jordão tinha pendurado as botas. Mas voltou...

Aos 35 anos, Jordão voltou ao futebol para jogar no Setúbal de Malcolm Allison, ao lado de Meszaros e Manuel Fernandes. Uma equipa de proscritos leoninos que chegou ao quinto lugar. Faz hoje 23 anos...

Ágil e felino, Rui Jordão foi mais uma pérola achada em África. Quando jogava no Sporting de Benguela, os leões de Portugal quiseram contratá-lo, mas não se chegaram à frente, razão pela qual o Benfica, astuto, aproveitou para o ter na sua equipa, a troco de 30 contos.

Jordão entrou directamente para os juniores. Uma época depois (71/72), subiu aos seniores pela mão de Jimmy Hagan. Estreou-se nas competições europeias (4-0 ao Wacker) e só depois na I Divisão (2-1 ao Beira-Mar). Com Eusébio na recta final da sua carreira, os adeptos apostavam em Jordão para ser o sucessor do rei. Obviamente, nunca chegou lá, mas foi apresentando argumentos, como o título de melhor marcador do campeonato, em 1976, com 30 golos em 28 jogos! Daí à cobiça dos estrangeiros foi um passo. Estrasburgo, Racing White, Betis e Bayern Munique quiseram-no, mas o Benfica fechou sempre as portas... até surgir o convite do Saragoça, no Verão de 1976. Mas os problemas físicos denunciados pelo médico (embora ignorados pelo presidente) e, sobretudo, as invejas do paraguaio Arrua, a ex-estrela da equipa, criaram, desde logo, um grande mal-estar, razão pela qual permaneceu apenas uma época em Espanha. Quando pediu ao Benfica para regressar, viu negada a sua pretensão. O Sporting ficou então com ele e não se deu nada mal. Tal como a selecção portuguesa, que se qualificou para o Euro-84 à conta de um penálti da sua autoria frente à URSS. E os dois golos frente à França no tal jogo do nosso descontentamento, nas meias-finais, em Marselha.

Com Manuel Fernandes, garantiu mais dois títulos de campeão nacional, a acrescentar aos quatro conquistados pelo Benfica, sem esquecer o seu segundo título de melhor marcador, em 1980, com 31 golos em 29 jogos. Em Alvalade, era um ídolo e por lá ficou até Maio de 1986. Nessa época 1985-86, incompatibilizou-se com o treinador Manuel José e não jogou os últimos dois jogos do campeonato (Benfica e Salgueiros), substituído por Ralph Meade. O seleccionador José Torres queria convocar Jordão para o Mundial-86 mas este, de candeias às avessas com Manuel José, não foi chamado para o México. Nem ele, nem Manuel Fernandes, que se sagrou melhor marcador do campeonato nacional dessa época. Mas se Manuel Fernandes continuou no Sporting, como capitão, já Jordão pendurou as chuteiras, aos 34 anos. Parecia uma decisão definitiva. Parecia...

Um ano depois, no Verão de 1987, foi a vez de Manuel Fernandes sair de Alvalade, rumo ao V. Setúbal, treinado pelo inglês Malcolm Allison, o tal que levara o Sporting à dobradinha (campeonato nacional e Taça de Portugal) em 1982. Estes dois mais o guarda-redes húngaro Meszaros eram três ex-sportinguistas a conviver no mesmo balneário e chamaram um quarto elemento: Jordão. O avançado demorou mas lá aceitou o convite. "Durante cinco meses treinou connosco, para recuperar a forma física. Acabou por assinar", conta um orgulhoso Roger Spry, numa alusão ao dia 12 de Novembro de 1987, quando Jordão fechou contrato com os sadinos. "Ele estava tão bem preparado que ainda fez duas épocas. Aliás, duas grandes épocas", garante o preparador físico inglês que estava a começar a dar nas vistas no Bonfim, pelos seus treinos excêntricos, com música. Desta vez, ele não nos está a dar música. Com 35 anos, Jordão estreou-se no Bonfim, com um golo (1-3 com o Chaves). Com 36 anos, em 1988-89, despediu-se à grande, com o V. Setúbal a acabar o campeonato em quinto lugar, a três pontos da Taça UEFA (ou do Sporting, como preferir). Só à sua conta, Jordão marcou 11 golos, em 36 jogos - igual a Aparício e melhor que um tal Cadete (oito). E então sim, pendurou as chuteiras. Definitivamente.

FONTE: Rui Tovar, jornal "'i", 12-11-2010

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Sporting inovador em tudo, até nas luvas...

Jaguaré. O primeiro guarda-redes
a usar luvas em Portugal
foi do Sporting Clube de Portugal


Carvalho (1966), Meszaros (1982), Damas (1986), Ivkovic (1990), De Wilde (1998), Nélson (2002) e Ricardo (2006). O Sporting já teve guarda-redes para todos os gostos e feitios, e sete deles até foram a Mundiais, mas nenhum foi o primeiro a usar luvas em Portugal, o primeiro a cuspir na bola antes dos penáltis e o primeiro a provocar adversários nos balneários. Esse foi Jaguaré, o brasileiro que jogou no Sporting entre 10 de Novembro de 1935 e 5 de Abril de 1936.
Naquele período, Jaguaré fez sete jogos pelo Sporting, ganhou seis e perdeu um, com o Benfica (1-2), mas sagrou-se campeão de Lisboa, numa altura em que a época futebolística abria com os regionais e fechava com o Campeonato de Portugal (precursora da Taça de Portugal). A sua estada em Portugal serviu apenas de ponte de passagem para o Marselha, uma vez que o Sporting apostava mais no jovem Azevedo (20 anos), com Dyson (23) a suplente. Já com 30 anos, Jaguaré não se fixou em Portugal.
Longe iam, portanto, os tempos em que ele se impunha na baliza do Vasco da Gama para qualquer pretendente a guarda-redes. Quando alguém se apresentava no São Januário para uns testes, Jaguaré inventava o exercício dos livres directos. Assim que o rival se colocava no meio da baliza, Jaguaré rematava com tanta força que o punha K.O. No dia seguinte, o pretendente não aparecia e assim Jaguaré mantinha-se a titular absoluto.
Foi assim, aliás, que se sagrou campeão carioca em 1929, com uma equipa de luxo: Jaguaré; Brilhante e Itália; Tinoco, Fausto e Mola; Pascoal, Santana, Russinho, Mário Matos e Oitenta e Quatro (sim senhor, havia um jogador chamado Oitenta e Quatro, que já não foi a tempo de ir ao Europeu de França).
Esse Vasco, que deu 7-0 ao Flamengo, fez então uma excursão pela Europa e Jaguaré, com o seu estilo inconfundível, foi logo contratado pelo Barcelona. De lá, vítima de preconceito (foi o primeiro negro a jogar pelos catalães), foi para Lisboa.
Os seis meses no Sporting garantiram-lhe, como já vimos, um título e tantas histórias. Numa delas, com o Benfica, cuspiu na bola antes de um penálti. O gesto confundiu Aníbal José, que atirou por cima. O árbitro mandou repetir o lance, sabe-se lá porquê. Jaguaré voltou a cumprir o seu ritual e Aníbal José atirou para defesa do guarda-redes, que agarrou na bola, ou a bichinha como ele a chamava, e fê-la rodar com o indicador. No balneário, houve problema com os benfiquistas. O futebol, para ele, era um circo. E bastava vê-lo entrar em campo para perceber isso. Porque, corre a lenda, Jaguaré dormia sempre até dez minutos antes do início do jogo e só entrava em campo depois de colocar a cabeça debaixo do chuveiro de água fria.
Outro momento inesquecível: no seu último jogo pelos leões, com a Académica, no Campo Grande, o guarda-redes saiu da área para travar um contra-ataque dos estudantes e iniciou um ataque com toda a calma do mundo. Detalhe: ele já tinha sido avançado e defesa na adolescência, por uma equipa amadora.

PENÁLTI Em França, Jaguaré atingiu o estatuto de super-estrela mundial. Não somos nós quem dizemos, é a revista "Sport", de 22 de Julho de 1938. "Aos 22 minutos, Laurent, back do Metz, fez um penálti. Para surpresa de todos os espectadores, Jaguaré, do Marselha, abandonou o seu posto na baliza, encaminhou-se para o "goal" adversário e colocou-se diante da bola. Quando o árbitro apitou, bateu o penálti e ouviu-se uma exclamação da assistência. Bola ao canto e golo. Foi um lance sensacional. Um guarda-redes a marcar um golo a outro. Jamais houve um caso destes no nosso país. Mas isso não foi tudo. Aos 73 minutos, Jaguaré defendeu um penálti de Donzelle com um salto formidável. Pela sua actuação na decisão, Jaguaré recebeu as felicitações do presidente de França.
Em 1941, Jaguaré volta para o Brasil, com receio de ficar na Europa durante a Segunda Guerra Mundial, mas cai em decadência. Entrega-se ao vício da bebida e envolve-se em lutas de rua. Numa delas, com três polícias, em Santo Anastácio, interior paulista, acaba por morrer. É enterrado como indigente, sem luvas.

FONTE: Rui Tovar, jornal "i", 10-11-2010

Maniche, a experiência dentro e fora do campo

Depois deste gesto, dirigido a jornalistas, Maniche durou pouco tempo em Colónia, na Alemanha. Acabou em Alvalade como um dos jogadores do Sporting mais bem pagos. Nesta temporada, já foi expulso duas vezes. É um jogador da máxima confiança de Costinha. Faz amanhã 33 anos. Pode festejar à vontade, pois foi castigado com dois jogos de suspensão.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Jesualdo Ferreira, o homem de quem se fala

Já se fala em Jesualdo Ferreira como o próximo treinador do Sporting Clube de Portugal... O lóbi portista não descansa... Quando os sportinguistas acordarem deste pesadelo já nem haverá leão no emblema!...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Nabos e incompetentes

Já é tempo de aquela que é, talvez, a maior equipa técnica do futebol profissional do Sporting Clube de Portugal juntar as trouxas e deixar Alvalade rapidamente. É uma equipa técnica com treinadores para tudo e mais alguma coisa. Até tem treinadores sem qualificação para estar no banco leonino. Naturalmente, todos juntos não dão um treinador de jeito. São todos uns nabos e uns incompetentes (para utilizar uma imagem do presidente José Eduardo Bettencourt), sem estofo para trabalhar no Sporting.
Se o treinador Paulo Sérgio tivesse estofo, teria pedido desculpa a todos os sportinguistas pela miserável derrota com o Vitória de Guimarães, em Alvalade, que deixa a equipa a 13 pontos do líder, em apenas 10 jornadas. E os jogadores, por esta hora, deveriam estar a dar umas voltas ao relvado. Com Maniche a correr o dobro dos companheiros (estamos para ver qual é o valor da multa que vai pagar pela agressão brutal que provocou a sua expulsão e a queda da equipa como um baralho de cartas).
Contratem o Manuel Fernandes e um bom preparador físico. E preparem a próxima temporada com toda a calma. Ponham lá o relvado sintético, se o problema for da relva natural. Façam tudo o que for preciso para não terem mais desculpas. Mas, por favor, deixem de brincar aos futebóis e de enganar a nação sportinguista!... FOTO: Associated Press

Vencer o Guimarães

A vitória histórica do FC Porto sobre o Benfica (5-0) não foi um bom resultado para um Sporting que quer ser campeão. O ideal teria sido um empate com muitos golos, de preferência com vários frangos de Helton e, claro, de Roberto. De qualquer modo, entre as possíveis vitórias do FC Porto, foi, sem dúvida, muito bom que o Benfica tivesse sido humilhado. Mas isso só tem valor se o Sporting vencer hoje o Vitória de Guimarães, subindo ao segundo lugar. FOTO: Reuters

sábado, 6 de novembro de 2010

Pedro Gomes: "Sporting tem duas faces"

"Este Sporting tem duas faces. Uma na Europa e outra no campeonato. É certo que os últimos jogos na Liga têm sido positivos, mas a derrota com o Gent não ficou bem e afecta a imagem de um clube perder com uma equipa que de facto é fraca."

Pedro Gomes, antigo futebolista, vencedor da Taça das Taças, em 1964, e treinador-adjunto do Sporting, em 1984-1985, "A Bola", 05-11-2010

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A marca de Dias da Cunha

O tempo é o melhor juiz da história. E num fim-de-semana em que FC Porto e Benfica se defrontam, importa que os sportinguistas pensem nisto. Tendo em consideração a conjuntura do futebol português e os resultados obtidos, António Dias da Cunha foi o melhor dos quatro presidentes do Sporting na primeira década do século XXI. Foi campeão nacional (na última vez em que o clube foi campeão, em 2001-2002) e levou o Sporting à final da Taça UEFA, algo que só acontecera nos anos da década de 1960. Mas não foi pelas conquistas desportivas que Dias da Cunha deixou a sua marca no clube e no futebol português. Não é por acaso que, ainda hoje, passados seis ou sete anos, quando alguém fala em "sistema", lembra-se do presidente do Sporting António Dias da Cunha e da sua cruzada contra o sistema corrupto que então dominava o futebol português, tendo como seus rostos Pinto da Costa e Valentim Loureiro. O que resultou num escândalo que evidenciou as graves fragilidades da justiça portuguesa, incapaz de entender o que se passa nos bastidores do futebol. Depois de Dias da Cunha, instalou-se no Sporting um regime de dependência do FC Porto e de Pinto da Costa. E o clube leonino desapareceu dos jogos de poder do futebol nacional. O que Pinto da Costa fizer estará bem feito. Lamentável, obviamente.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A primeira derrota na Europa dos pequenos

O Sporting estava a viver uma espécie de lua-de-mel, com sete jogos sem perder e quatro vitórias consecutivas. Mas do bom momento não sobraram, esta quinta-feira, mais do que pequenas memórias, com a equipa de Paulo Sérgio a perder por 3-1, em Gent, e a sofrer o primeiro desaire na fase de grupos da Liga Europa.

"Público Online", 04-11-2010 / FOTOS: AFP Photo e Reuters

Hoje é dia de goleada

Hoje é Dia de Liga Europa, logo, se a lógica funcionar - embora não haja lógica no futebol - é dia de o Sporting golear. O Gent-Sporting é às 18h00, na Sport TV1.

Carta Aberta a José Eduardo Bettencourt

Exmo. Senhor Presidente do SCP,
Dr. José Eduardo Bettencourt,

No exercício das suas funções como presidente do Sporting Clube de Portugal e da SAD, o Dr. José Eduardo Bettencourt tem muito por onde ser criticado. O blogue LEÃO DA ESTRELA tem sido, aliás, crítico frontal da sua gestão como presidente do clube e da SAD, por razões factuais expostas em sucessivos escritos.
A avaliação de um dirigente desportivo é fácil de fazer: basta olhar para o que foi prometido – “um Sporting muito forte”… –, para o que foi cumprido e tirar as conclusões. No caso do Sporting, um cruzamento interminável de factores negativos têm concorrido para que tudo corra mal. Não há resultados desportivos, não há resultados financeiros e sobram notícias da mais diversa natureza, grande parte delas sem motivos de orgulho para o Sporting e os sportinguistas. Tudo isso, o senhor Presidente justificou invocando a Lei de Murphy, segundo a qual, “se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará".
O motivo desta carta aberta, senhor Presidente, é para lhe dizer que a coisa está a correr tão mal que até alguns dos seus consócios do Conselho Leonino andam de cabeça perdida por causa de uma fotografia, que mostra o Dr. José Eduardo Bettencourt, no seu direito inquestionável a uma vida privada, bem disposto, numa festa entre amigos. Uma fotografia que não tem nada de extraordinário, nem de errado, mas que sócios com responsabilidades acrescidas – pelo cargo que ocupam no clube – resolveram espalhar, indignados com a figura do presidente do clube.
Quero dizer-lhe, senhor Presidente, que o blogue LEÃO DA ESTRELA recebeu várias cópias dessa fotografia, há uns meses, pouco tempo depois das suas famosas férias no Brasil. Obviamente, a fotografia não foi publicada no LEÃO DA ESTRELA, nem foi feita qualquer referência a ela. Porque, simplesmente, não havia nenhum motivo para o fazer. Na verdade, ninguém tem nada a ver com aquilo que o Presidente do Sporting faz ou deixa de fazer nos seus tempos livres. Provavelmente, o problema dos alegados autores deste acto criminoso – basta consultar o Código Civil (artigo 79, sobre o direito à imagem) ou o Código Penal (artigo 192º, sobre a devassa da vida privada) – é que talvez já não tenham amigos com quem confraternizar. O Dr. José Eduardo Bettencourt saberá de quem se trata…
Senhor Presidente, o que é extraordinário, e que diz muito da grave doença que está a enfermar o Sporting Clube de Portugal, é que um caso destes seja objecto de preocupação e ocupação de membros do Conselho Leonino. Ora, imagino que não tenha sido para isso que foi criado este órgão de consulta do Conselho Directivo e da Assembleia Geral. Donde, seria capaz de valer a pena equacionar a sua extinção, numa próxima revisão estatutária. Um Conselho Directivo, um Conselho Fiscal e uma Assembleia Geral são órgãos suficientes. Ah! E um voto por cada sócio em cada eleição interna. Haveria mais democracia e mais espaço para respirar… Seria bom para o futuro do Sporting Clube de Portugal!...
Saudações Leoninas,

Luís Paulo Rodrigues, editor do LEÃO DA ESTRELA

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Agitação no Conselho Leonino

Qual é o motivo da grande preocupação do momento que está a agitar os membros do Conselho Leonino do Sporting Clube de Portugal, que está a provocar troca de correspondência electrónica entre eles e a gerar pedidos de expulsão do clube de, pelo menos, um dos membros desse órgão social da colectividade leonina? O pomo da discórdia é José Eduardo Bettencourt. E mais não digo. Por agora.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

J. E. Bettencourt é "um excelente presidente"

“O Sporting tem um excelente presidente. É verdade que também não apareceu mais ninguém para tomar conta do clube, mas o actual líder é bom e merece que o ajudem.”

Manuel Vilarinho, ex-presidente do Benfica, "Record", 01-11-2010
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