sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Zico quer ser treinador do Sporting

"Lembro-me dele, [José Antunes Coimbra, o pai], a fazer bacalhau no fogareiro, aos domingos de manhã. Por volta das 11h00, ligava a Rádio Eldorado, que transmitia os jogos do futebol português, e chamava-nos para ouvir os relatos do Sporting e do Benfica. A minha mãe era brasileira, filha de português e italiano. O meu pai saiu de Tondela para o Brasil com 9 anos..."

"Há uma equipa que eu gostaria de treinar, que é o Sporting. Mas é bom deixar bem claro que não estou a pedir emprego, falo por questões afectivas, como uma forma de homernagear o meu pai. No Flamengo, que é um clube de massas, ele viveu no Brasil a mesma paixão que tinha pelo Sporting."

Zico, antigo internacional do Brasil e ex-treinador do Olympiakos, "Sábado", 29-12-2010

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

As férias de Natal e as compras de Inverno

O último jogo do Sporting Clube de Portugal realizou-se a 20 de Dezembro. Foi o último de 2010. O próximo, que será o primeiro de 2011, só se jogará no dia 3 de Janeiro. Uma distância de 15 dias entre as duas partidas. Os emigrantes portugueses, que vieram a Portugal para uns dias de turismo em Lisboa ou no Porto, não puderam ver futebol português ao vivo, aumentando, assim, as parcas receitas dos clubes.
Em tempo de festa natalícia, com as famílias disponíveis e com tempo para o lazer, o futebol português fecha para férias. Ao contrário do futebol inglês, por exemplo. Também é capaz de ser por isso que as sociedades anónimas desportivas (SAD) portuguesas dão lucro que até chateia. Só assim se explica tanta agitação no mercado de compra e venda de jogadores.
Era bom que assim fosse. O problema é que a má gestão é facilmente iludida com contratações a meio da temporada. De jogadores e de directores-gerais. O abismo é já ali. Ano após ano, é assim que as responsabilidades por muitos falhanços são apuradas.

Motivos para despedir

Segundo revela o diário "i", o Tribunal de Contas diz que há motivos para despedir gestores da CP, do Metro de Lisboa e da Refer. E os gestores das sociedades anónimas desportivas do Sporting Clube de Portugal, do Futebol Clube do Porto e o Sport Lisboa e Benfica, que estão a destruir o futebol português?... Não lhes acontece nada?...

O único Benfica-Sporting de Jesus vestido de verde


Treinador do Benfica entrou aos 28'
e saiu aos 80'. No pior ano de sempre
do Sporting. Faz hoje 35 anos.


Dezembro. Ora aí está a data mais propícia para falar de Jesus. Por isso, nada melhor que evocar o 28 de Dezembro... Sim, sim, 28 de Dezembro, ou julgavam que estávamos a escrever sobre outra data qualquer?
Há 35 anos, em 1975, nesse tal dia 28, realizou-se o dérbi Benfica-Sporting, na Luz, para a 14ª jornada do campeonato nacional. O resultado foi o menos aliciante de todos (0-0) e este jogo podia perder-se no tempo, como muitos outros que não passaram à história por este ou aquele motivo. Podia... mas o "i" não vai deixar que isso aconteça. O excesso de curiosidades impede-o. Sobretudo se tivermos em conta que não havia um nulo entre Benfica e Sporting há 17 jogos, desde 1969, e que o leão Da Costa falhou uma grande penalidade, aos 30 minutos. Mas isto são "peanuts".
Na altura em que Da Costa marcou o penálti, já Sporting e Benfica haviam feito uma substituição cada, com as saídas de Malta da Silva - naquela tarde a defesa-direito, empurrando Artur Correia para a esquerda - e Manuel Fernandes. E um tal Jesus entrou para o lugar do Manel, aos 28'' (bem dissémos que este número era importante).
Exactamente, é mesmo assim como está a ler, o actual treinador do Benfica já jogou um dérbi, e fê-lo com a camisola do Sporting, há precisamente 35 anos. Como não há bela sem senão, Jorge Jesus saiu antes do fim.
E é aí que reside a curiosidade-mor daquela tarde: no seu único dérbi, JJ entrou (para substituir o lesionado Manuel Fernandes) e saiu (substituído por Baltasar). Ao todo, foram 52 minutos em campo, que ainda lhe garantiram elogios dos jornais desportivos de então.
De 0 a 5, o "Record" deu-lhe nota 3: "Foi de uma utilidade total. Não quebrou o ritmo da equipa e saiu esgotado pelo esforço positivo dispendido". Também "A Bola" elogiou Jesus, com nota 5, no máximo de 10. "Quando entrou, o Sporting continuou a jogar como se nada tivesse acontecido."
Nessa tarde, sem qualquer cartão exibido pelo árbitro César Correia, de Faro (outra "excentricidade"), o Sporting apagou a Luz e disso se aproveitou o Boavistão de José Maria Pedroto para se assumir como líder da liga na passagem de ano para 1976, com o 9-0 à CUF.
No final do campeonato, as contas foram outras, com o Benfica de Mário Wilson a sagrar-se campeão nacional e o Sporting de Juca a fazer a pior campanha de sempre no campeonato, com o quinto lugar que o atirou para fora das competições europeias. E Jesus, um médio mais em jeito que em força, não se impôs naquele tridente do meio-campo (Fraguito, Nélson e Valter), o que motivou a transferência para o Belenenses.
Dos 12 jogos efectuados de leão ao peito, só um foi a titular, precisamente na sua estreia oficial, em Alvalade, com o Beira-Mar (2-0), resolvido com dois autogolos. De resto, 11 presenças como suplente, uma deles a dar golo, à Académica, em Coimbra. Precisamente a cidade que viu Virgolino Jesus, pai de Jorge, lesionar-se na perna direita em Abril de 1945 e nunca mais representar o Sporting. Virgolino esse que marcou na estreia pelo Sporting dos Cinco Violinos (4-3 ao Atlético, na Tapadinha) e jogou dois dérbis com o Benfica numa época em que não havia cá substituições.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Damas: sofrer 5 golos e ser o melhor em campo

Quando Eusébio chega a Portugal, em Dezembro de 1960, o Sporting é o maior clube nacional e os 10-9 ao Benfica em matéria de títulos de campeão conferem essa (ligeira) superioridade. Quinze anos depois, com a saída de Eusébio, o futebol já não era o mesmo, e o Benfica goleava o rival por expressivo 21-14. Nesse período, a táctica era bem simples: por cada três títulos seguidos de campeão dos benfiquistas, o Sporting enchia-se de brio e interrompia a saga, que calhava sempre em ano de Mundial. Foi assim em 1966, 1970 e 1974. A leitura também pode ser feita ao contrário: quando o Sporting irritava o vizinho, eram três anos de jejum. E foi precisamente o que aconteceu em 1970.
Na época 1969-70, o Sporting só perdeu uma vez em 26 jornadas (0-3 em Coimbra) e foi campeão com oito pontos de avanço sobre o Benfica, segundo classificado - uma vantagem altamente dilatada e nunca antes vista entre os rivais da Segunda Circular. Na época seguinte (70-71), o Benfica foi campeão e pelo meio espezinhou o Sporting - invencível há 30 jogos para o campeonato, desde o tal atropelo em Coimbra -, com um concludente 5-1 na Luz, a 27 de Dezembro de 1970. Faz hoje 40 anos, portanto.
Eusébio abriu a conta aos 24 minutos e Artur Jorge aumentou a contagem aos 31'', na primeira parte. Após o intervalo, outro festival de golos, com Nené (50'') e Artur Jorge (57'' e 90'') a castigarem o guarda-redes leonino: Vítor Damas, de seu nome.
O que é de espantar neste dérbi não é o cabaz de Natal dos benfiquistas, nem o hat-trick de Artur Jorge. Concedemos, é meritório, mas o mais incrível destes 5-1 (estávamos tão empolgados com os golos do Benfica que nos esquecemos de mencionar o ponto de honra dos leões: José Carlos, de penálti, aos 70'') é que Damas foi eleito o melhor em campo pela imprensa desportiva, "A Bola" e "Record". Atenção que não é o melhor do Sporting, mas sim o melhor do jogo, de todos os jogadores em campo. E atenção que não foram 26, e sim 24, porque o Benfica de Jimmy Hagan não fez qualquer substituição (inglesises...).
Posto isto, é caso para perguntar como é possível sofrer cinco golos, nenhum deles de penálti, e ainda assim ser eleito o melhor em campo. Os laterais do Sporting têm a resposta na ponta da língua. O esquerdino Hilário, por exemplo, deu-se conta da evolução de Damas. "Acompanhei os treinos de captações, na Rua do Passadiço, em campos de basquetebol pelados. Os miúdos faziam torneios lá e o Damas foi por aí fora até ser meu colega de equipa. Lembro-me perfeitamente desse jogo na Luz, em que perdemos 5-1 e o Damas foi eleito o melhor em campo. Sem ele na baliza tínhamos levado muitos mais golos. Nesse dia, ele sofreu cinco golos mas fez milagres para evitar outros tantos."

"DAMAS ERA O HOMEM-ARANHA..."

Pedro Gomes também estava presente na Luz nessa tarde inglória, como defesa-direito, do lado oposto ao de Hilário. "Yashin era o Aranha Negra. Damas era o Homem-Aranha. Tinha elasticidade, impulsão e reflexos apuradíssimos. Era seu costume fazer defesas impossíveis. Aliás, os bons guarda-redes são aqueles que defendem as bolas de golo. Nesse jogo com o Benfica, os Eusébios, os Nenés, os Artures Jorge, os Jaimes Graça, os Simões vinham de todos os lados e nós nem sabíamos de que terra éramos. Às vezes um Benfica-Sporting dava nisto. E foi o Damas que evitou um resultado ainda mais dilatado. Ao ponto de ter sido eleito o melhor em campo. Pouco há a dizer quando se perde 5-1 e o elogiado é o guarda-redes!"
Pedro Gomes não quer ficar por aqui, puxa pela memória e continua a falar de Damas. "Além de tudo o que representava na baliza, o Damas era bastante bom com os pés. Nas peladinhas que fazíamos durante a semana, notava-se uma habilidade fora do comum para um guarda- -redes. Nos tempos que correm, Damas não teria qualquer dificuldade em jogar com os pés. Estava, portanto, avançado para o seu tempo. Aliás, sei que ele chegou como avançado nos treinos de captação do Sporting. Como era o mais novo, lá foi para a baliza. O Sporting e Portugal ganharam um guarda-redes!"
Queremos interromper outra vez mas Pedro Gomes continua no túnel do tempo. "Joguei com ele e também o treinei, na era-Toshack [84-85], quando eu era adjunto do John. Conheci-o bem e ele detestava perder. Até empatar! Uma vez empatámos com a Académica [4-4, a 20 de Janeiro de 1985], em Alvalade, e ele chegou ao balneário a dizer que não queria jogar mais. ''Diga isso ao Toshack'', disse-me ele zangadíssimo. Era um jogador inconstante quando as coisas não corriam bem à equipa. Tinha receio de ser cúmplice. Alguns minutos depois falei calmamente com ele e já estava tudo bem. Foi uma irritação do momento."


sábado, 25 de dezembro de 2010

A esperança de Vítor Melícias

"Tenho esperança que o Sporting tenha um ano de 2011 positivo, mas nesta altura há coisas bem mais importantes. Celebramos o nascimento de Jesus e esta é uma época de esperança e respeito pelo próximo. É uma oportunidade de reflectirmos e procurar uma aproximação aos que mais precisam."

"O futebol, pela universalidade e a mobilidade de pessoas tem o poder de unir mentalidades em torno do mesmo objectivo. Há uma comunhão de interesses que devem ser orientados para os mais necessitados. Há que recuperar os valores da fraternidade e solidariedade, pois só assim será possível vivermos num mundo são e pacífico."

"[José Mourinho] teve a iniciativa de se deslocar a Israel, estar junto de pessoas com outras mentalidades e necessidades. Teve gosto em ali estar, teve prazer em passar as suas experiências e alertou para a importância de juntar culturas e crenças diferentes em torno de um único objectivo: o de um Mundo melhor."

"A crise será ultrapassada se pararmos de olhar para o umbigo e passarmos a ser um pouco mais solidários. Faço as minhas orações para que todos possam ter um Natal feliz e que todos possam contribuir para um País melhor e mais justo. O 'fair-play' que se pede no futebol, é o mesmo que peço para a sociedade: respeitando o próximo seremos pessoas melhores."

Vítor Melícias, presidente do Secretariado da União das Misericórdias Portuguesas e membro do Conselho Leonino, "A Bola", 24-12-2010

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Couceiro traz fato discreto para Costinha

O Sporting iniciou uma nova era. Que, como uma hera, tem a ambição de trepar na classificação e reduzir um fosso crescente cavado nos últimos tempos para FC Porto e Benfica, os grandes rivais. Para isso, José Eduardo Bettencourt, presidente do clube, terminou a reestruturação do grupo e construiu um fato que será vestido por José Couceiro, o novo director-geral dos leões. Que, em paralelo, vai transformar o fato de Costinha numa peça bem mais discreta. É um facto. E, entre os mais de 50 fatos que tem em casa, o director do futebol surgiu ontem com o mais discreto na apresentação oficial do ex-técnico no FC Porto (que volta a ser seu superior cinco épocas depois): escuro, de fino corte, sem vestígios de cores que chamem a atenção ou padrões em xadrez. Tal como Paulo Sérgio, que não dispensou a gabardine azul escura própria de quem está mais ligado ao terreno. Agora, é tempo de trabalho, dizem os intérpretes. Ou seja, de todos arregaçarem mangas e vestirem o fato-macaco. Ah, já agora, e de apertarem o cinto - porque esta realidade é igual à do país.
"Não venho fazer milagres nem tenho varinha mágica para virar o que está mal", assume Couceiro, mais preocupado com "a integração rápida na equipa, o conhecimento de todos os dossiês do clube e as conversas com as pessoas que fazem parte da estrutura". "Não corrigir o que ainda está mal em primeiro lugar seria prejudicial. Preocupa-me mais que sejamos uma equipa do que uma fuga para a frente", acrescenta. Outra vez com a palavra "equipa" pelo meio, que foi quase tantas vezes utilizada como os pontos que os lisboetas registam na Liga (25). Porque a ideia é mais importante nesta fase do que falar em eventuais reforços.
Têm chegado ao clube várias propostas de empresários, sobretudo do mercado brasileiro, que está nesta fase em explosão face à cadência diária de entradas e saídas. Um mercado que o próprio Couceiro conhece e até gosta particularmente. Mas existe a hipótese de nem chegar a haver reforços na reabertura de mercado. "Não há ninguém que contrate jogadores sozinho, até o nosso presidente faz depois de conversas colegiais. Nem trago nenhuma lista de jogadores, tudo depende das necessidades e da disponibilidade porque não temos cá nenhuma máquina de fazer euros", disse, antes de criticar (de forma indirecta) os clubes que investem em dois/três reforços para conseguirem ainda chegar à Champions e aumentarem as receitas, "o que leva às vezes ao engano". Ou seja, tudo o que o Sporting fez em Dezembro de 2009, com as aquisições de João Pereira e Pongolle (nove milhões) para ficar em quarto lugar. Até porque há mais um pormenor: em 2011, o clube tem de dar 27,8 milhões de euros à banca.
Na teoria, os leões querem "funcionar de forma transversal para minorar barreiras, facilitar trabalho e aumentar a transparência". Por exemplo, na contratação de um atleta, decidida pelo núcleo duro do futebol, tem de ser ouvido José Nobre Guedes, responsável pela parte financeira, e Sousa Louro, com a pasta comercial. E há algo de bom, pelo menos como se assistiu na contratação de Couceiro: o mês e meio de contactos, bem como as cinco reuniões que teve em Alvalade, nunca saíram para o exterior. Porque é isto tão vital? Porque foi apresentado como a vitória que todos mais queriam.
Sigilos à parte, o director-geral do futebol leonino, que está abaixo de Bettencourt mas acima de Costinha, fez questão de esclarecer que "não houve qualquer pasta esvaziada". Nem mesmo a do Ministro - que Couceiro diz conhecer desde os 10 anos, quando o médio era infantil do Oriental -, que assumia quase todo o protagonismo a nível do balneário. "Coloquei uma condição para aceitar: que não seria o elemento a entrar para desestabilizar. E quero ser bem aceite por todos, apesar de ter funções de chefia. A pensar individualmente é que não vamos lá, aqui não vai existir ninguém contra ninguém", assegurou, apesar das informações recolhidas pelo i e que vão no sentido contrário às mesmas. "Este espaço que vou ocupar era do presidente e não do Costinha, logo não há nenhum esvaziar".
No final, desejos de bom Natal e Ano Novo para todos. Particularmente para os associados que fizeram questão de ver a apresentação. A linguagem mais académica de Bettencourt a explicar o novo modelo organizacional passou despercebida. Já as ideias "realistas mas não fatalistas" de Couceiro tiveram aplausos. O caminho continuará a passar pela aposta na formação e foi por isso também que o ex-técnico recusou convites da Turquia e das Arábias. Agora, é só vestir o tal fato, que servirá ainda de escudo a uma estrutura do futebol já muito desgastada.

FONTE: Bruno Roseiro, jornal "i", 23-12-2010
Obs. - Título da responsabilidade do LEÃO DA ESTRELA

O Pai Natal é Verde!...

O LEÃO DA ESTRELA deseja a todos os sportinguistas e a todos os leitores do blogue um Natal Feliz, com saúde, paz e amor, e um Ano Novo repleto de sucessos pessoais e profissionais!...

Cantatore, um treinador sem paciência...

"Estou farto de aturar gente maluca."

Declaração de Vicente Cantatore, treinador do Sporting, em 1997-1998, ao demitir-se do cargo, ao fim de 26 dias no clube

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Couceiro não trouxe varinhas mágicas

"É uma honra poder voltar ao Sporting e fazer parte desta equipa. Sabemos que atravessamos um momento difícil, mas um convite destes mexe com qualquer pessoa."

"Já trabalhei com as maiorias das pessoas que hoje compõem esta casa. Aqueles com quem não trabalhei já os conheço há bastante tempo. Tomei esta decisão de cabeça fria, com a razão a falar mais alto. Sei que não é um momento fácil, que não existem varinhas mágicas, mas quero fazer parte de uma equipa decisiva para o futuro do Sporting."

"Agora tenho de tomar decisões e para isso tenho de falar com as pessoas que constituem o Sporting. Quero uma equipa solidária, e onde todos trabalhem como um coletivo, pois só assim poderemos ultrapassar os nossos problemas."

José Couceiro, na conferência de imprensa de apresentação como director-geral do futebol do Sporting, 22-12-2010

Bettencourt demora ano e meio a formar estrutura

"[José Couceiro] vem trazer valor acrescentado à estrutura do clube."

"[Com a integração de José Couceiro] fica concluída a reestruturação do Sporting. Faltava um responsável pelo pelouro do futebol."

"O Sporting, como um todo, tem o seu modelo organizacional completamente definido e com total transparência. José Couceiro será o director-geral da Sporting Clube Portugal SAD, com responsabilidade na área técnica, chefiada por Paulo Sérgio, e na direcção do futebol, liderada por Costinha."

"As conversas com José Couceiro decorrem há mais de um mês. É inédito que se tenham realizado cerca de cinco reuniões aqui no Estádio [de Alvalade] sem que nada se soubesse, e congratulo-me por isso. É a prova de que é possível e foi fácil tratar de tudo com confidencialidade, sem ter pedido segredo a ninguém. O valor da marca Sporting começa a ser sentido pelos seus colaboradores."

"José Couceiro não vem fazer nenhum milagre. Ninguém neste clube faz milagres, procuramos dar o nosso melhor. O que espero é trabalho e dedicação."

"[A estrutura do clube] era curta para atingir os objectivos pretendidos."

José Eduardo Bettencourt, na apresentação de José Couceiro como director-geral do Sporting, 22-12-2010
Foto: Bruno Fernandes ("Record")

Regresso de Couceiro surpreende Carlos Janela

"Este momento tem muitas semelhanças com 1998, quando Couceiro chegou ao Sporting. Eu estava no lugar que agora é do Costinha e tivemos uma discussão desagradável porque Couceiro impôs Carlos Manuel como treinador e as contratações de Leão, Renato e Damas. Como não estava de acordo com a linha de orientação do Sporting, demiti-me."

"Vejo este regresso com alguma surpresa. As pessoas crescem, evoluem, consolidam pensamentos e ganham experiência. Pode ser que desta vez as coisas resultem. O tempo, às vezes, ajuda as pessoas a melhorarem princípios, filosofias, métodos e pode ser que seja este o caso."

Carlos Janela, ex-secretário técnico do Sporting, em declarações à Rádio Renascença, citado pelo "Record", 22-12-2010

A morte de Aurélio Márcio

Com a morte do minhoto de Fafe e do mundo Aurélio Márcio (1919-2010), o jornalismo desportivo português perdeu uma das suas grandes referências. Morreu aos 91 anos e ainda trabalhou até há bem pouco tempo. Já tinha mais de 80 quando esteve no Mundial 2002. Foi, aliás, o jornalista do mundo com mais presenças em fases finais de Mundiais de futebol (11), tendo sido distinguido pela FIFA por isso.
Há mais de 20 anos, andava eu a começar no jornalismo pela "Gazeta dos Desportos" e por "O Comércio do Porto", ainda me cruzei com ele em vários estádios de futebol. Quando o futebol ainda era jogado ao domingo à tarde. Mas não me atrevia a dirigir a palavra ao "senhor Aurélio Márcio", então já idoso. Tinha por ele o enorme respeito e veneração que temos pelos mais velhos que admiramos. Foi, aliás, com ele que também aprendera a ler quando "A Bola" era a preto e branco, publicava-se três vezes por semana, sujava as mãos, mas era muito bem escrita. Um jornal onde pontificavam nomes sonantes do jornalismo português do século XX, como Alfredo Farinha, Vítor Santos, Carlos Pinhão, Carlos Miranda, Homero Serpa, entre outros, além, claro, de Aurélio Márcio. Todos já falecidos.
Foram jornalistas em que acreditávamos e que respeitávamos, independentemente de sabermos o clube desportivo da sua preferência. Porque eram competentes e escreviam bem. Tão bem que ler uma entrevista escrita por Alfredo Farinha ou por Aurélio Márcio, por exemplo, nos dava mais pormenores de enquadramento e da atmosfera que rodeava a conversa do que hoje nos dão muitas das entrevistas feitas pela televisão.

Os despojos do dragão em Alvalade

O que têm em comum José Couceiro, Nuno Valente, Costinha, Maniche e Hélder Postiga? Em 2004-2005 representavam o FC Porto, o primeiro como treinador e os restantes como jogadores, numa temporada de má memória para o clube nortenho. Em 2010-2011, estão todos no Sporting Clube de Portugal: Couceiro é director-geral do futebol (cargo que já desempenhou com insucesso em 1997-1998), Nuno Valente é treinador-adjunto (ao que parece sem habilitações para ir para o banco de suplentes), Costinha ainda é director do futebol e Maniche e Hélder Postiga ainda jogam. Nuno André Coelho é outro ex-portista em Alvalade. É jovem, mas nunca foi titular no FC Porto e tarda em afirmar-se no Sporting.
Também Pedro Mendes (2003-2004) e Derlei (2002-2004) representaram o FC Porto (curiosamente os dois melhores valores que na última década jogaram no Porto e, depois, no Sporting). O treinador Fernando Santos, que trabalhara no FC Porto, também passou por Alvalade (2003-2004), sem sucesso. No fundo, o Sporting Clube de Portugal, sem estratégia própria no mercado e sem identidade (e sem identidade não há militância), está transformado numa espécie de circuito final da carreira de muitos ex-portistas.
São os despojos do dragão, cuja colocação em Alvalade o próprio dragão agradece, pois ganha influência no terreno de um potencial inimigo e fica com os colocados pessoalmente agradecidos para sempre. Além disso, e como o Sporting não ganha campeonatos, pelo que não satisfaz a realização profissional dos jogadores, as boas relações entre os dois clubes abrem caminho à mudança para o Porto dos jogadores que Pinto da Costa quiser. João Moutinho foi o último exemplo. As macacadas que envolveram a história são matéria de segundo plano que só interessa para vender jornais e ocupar o povo durante uns tempos. E no Porto já lá estavam Beto (guarda-redes) e Silvestre Varela (que também não servia os interesses do Sporting). Não sabemos o que vai acontecer a Vukcevic, que entretanto mudou de empresário, passando a ser representado por Pini Zahavi, o homem que colocou Moutinho no FC Porto.
O FC Porto sabe que terá sempre adversários fortes em Lisboa. A questão é saber quantos. Se tiver apenas um (o Benfica) será muito melhor do que se tivesse dois (Sporting e Benfica). Por isso, o problema do Sporting não se resolve com mais ou menos director-geral, nem como mais ou menos treinadores, nem com mais ou menos jogadores. Resolve-se com uma estratégia diferente corporizada por pessoas diferentes. Mas isso já é chover no molhado.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

José Couceiro regressa a Alvalade

Em 1997-1998 foi director-geral
do futebol do Sporting e falhou

José Couceiro está de regresso ao Sporting para ocupar o cargo de director-geral do futebol do clube, que, curiosamente, já ocupou em 1997-1998, também numa temporada agitada, com muitos treinadores, tendo um deles, o chileno Vicente Cantatore, abandonado o clube ao fim de 26 dias, confessando-se "farto de aturar gente maluca". Antes de Cantatore, a equipa tinha sido treinada por Octávio Machado e Francisco Vital. Depois dele, veio Couceiro, como director-geral e Carlos Manuel como treinador. E a coisa também acabou mal.
Nessa altura, o Projecto Roquette afirmava a sua pujança económica comprando jogadores caríssimos na América do Sul (Carlos Miguel, Kmet, Bruno Ginémez, Leandro, etc.), mas a instabilidade não deixava o balneário de Alvalade. As compras não surtiam efeito e a equipa perdia-se abaixo do terceiro lugar.
Hoje, a situação é bem mais grave, porque o Sporting apresenta uma dívida colossal, muitas divisões internas e já não se sabe o que é o famigerado Projcto Roquette. Mas há um ponto em comum: chama-se José Couceiro, que, como se de um bombeiro se tratasse, é cntratado por Jossé Euardo Bettencourt para o cargo de director-geral de futebol do Sporting, com responsabilidade sobre Costinha.
Ainda não se sabe se Costinha deixa Alvalade, mas é evidente que a contratação de Couceiro visa substituir o director do futebol leonino, que agora tem a porta de Alvalade aberta para a sua saída. Aliás, o seu futuro ficou traçado no dia em que abriu uma frente de guerra com um ex-presidente do clube, no caso, José Sousa Cintra.

QUEM É JOSÉ COUCEIRO

Treinador e sindicalista de futebol, José Júlio de Carvalho Peyroteo Martins Couceiro nasceu a 4 de Outubro de 1963, em Lisboa, sendo sobrinho-neto de Peyroteo, uma das maiores glórias do Sporting.
Como futebolista e enquanto defesa central teve uma carreira discreta, tendo representado, enquanto sénior, clubes dos escalões secundários como o Montijo, o Barreirense, o Atlético e o Estrela da Amadora.
Couceiro desistiu da carreira de futebolista aos 29 anos. Entretanto, já tinha iniciado a sua ligação ao Sindicato de Jogadores Profissionais de Futebol, para o qual foi eleito presidente em 1993. Até 1997, ano em abandonou o cargo, conseguiu dar grande visibilidade ao sindicato, que até então tinha uma actuação muito apagada.
Em inícios de 1998, José Couceiro experimentou uma nova área no futebol tendo aceite o cargo de director-geral do Sporting. Apostou na contratação do treinador Carlos Manuel, mas as coisas não correram bem e acabou por sair do clube em Março do ano seguinte, numa altura em que já quase não tinha poderes de decisão.
Em Abril de 1999, assumiu o cargo de administrador no Alverca, que exerceu até pedir demissão no final da época 2001/2002, quando o clube desceu à Divisão de Honra. Contudo, acabou por ficar com poderes reforçados e assumiu a responsabilidade da orientação técnica da equipa de futebol. Enquanto treinador levou o Alverca ao segundo lugar, o que permitiu o regresso à divisão principal. Couceiro manteve-se como treinador, mas na época 2003/2004 não conseguiu evitar que o clube descesse de novo à segunda divisão.
De qualquer forma, o trabalho de Couceiro enquanto treinador ganhou destaque e acabou por ser contratado, em 2004/05, pelo Vitória de Setúbal. Apesar da equipa ter um orçamento limitado, conseguiu andar sempre entre os primeiros lugares. A meio da época Couceiro acabou por ser convidado para treinar o Futebol Clube do Porto, em substituição do espanhol Victor Fernandez, levando a equipa ao segundo lugar. Mesmo assim, no final da temporada foi dispensado. Entretanto, o Setúbal, já com outro treinador, ganhou a Taça de Portugal, título que também entra no currículo de Couceiro.
Já com a temporada 2005/06 em curso, substituiu no comando técnico do Belenenses o treinador Carlos Carvalhal. Depois assumiu o cargo de seleccionador de Sub-21 de Portugal, prosseguindo a sua carreira de treinador no estrangeiro, orientando, sucessivamente, Lituânia, Kaunas, Lituânia,Gaziantepspor e, de novo, a seleccção da Lituânia.

A morte de Pôncio Monteiro

Com a morte de Pôncio Monteiro (1940-2010) desapareceu um grande portista. Um portista sério, que se ouvia com interesse e curiosidade. E um portista a sério. Daqueles que dão gosto defrontar. Porque Pôncio Monteiro era daqueles que não precisavam de fruta ou de café com leite para estar sempre na primeira linha a defender o seu Futebol Clube de Porto. Por isso, com a sua morte, o FC Porto fica empobrecido pela perda de uma das suas vozes mais lúcidas e contundentes.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Paulo Sérgio vai comer o bacalhau em Alvalade

Se o adversário não pressionar muito e se não fizer marcações muito apertadas, como aconteceu dos jogos da fase de grupos da Liga Europa, o Sporting vai jogando à bola. E vai ganhando bem, como aconteceu nesta segunda-feira, em Setúbal, desta vez para a Liga Portuguesa, perante uma equipa de Manuel Fernandes que esteve uns furos abaixo do jogo de há uma semana para a Taça de Portugal. Com esta vitória, o treinador leonino Paulo Sérgio vai poder comer o bacalhau natalício mais ou menos descansado.
O Sporting isolou-se no terceiro lugar, ao vencer em por 3-0, em jogo que encerrou a 14.ª jornada da Liga Portuguesa. Dois golos de Yannick Djaló (20 e 56 minutos) e um de Abel foram suficientes para a equipa leonina sair de Setúbal com os três pontos e com uma exibição que permitiu apagar a eliminação da semana passada na Taça de Portugal, igualmente frente ao Vitória sadino.
Com este triunfo, e após o deslize do Vitória de Guimarães, que perdeu em Aveiro com o Beira-Mar, o Sporting continua a lutar por um lugar de acesso à Liga Europa, isolando-se no terceiro posto com 25 pontos, menos 13 que o líder FC Porto e menos cinco que o Benfica, segundo classificado. FOTO: "Reuters"

A culpa não é de Paulo Sérgio

Esta noite, se o Sporting voltar a perder em Setúbal (oxalá consiga ganhar...), desta vez para a Liga Portuguesa, a culpa não será do treinador Paulo Sérgio (que muitos, como Judas, se preparam para crucificar na praça pública).
O treinador, apesar de limitado para um clube com a dimensão do Sporting Clube de Portugal (não confundir o clube centenário que amamos com a garotada que manda na SAD), dispõe de um plantel também limitado e gravemente dilacerado pela forte influência do empresário Jorge Mendes. De resto, o treinador Sérgio é um mero um peão nesta estratégia destruidora do Sporting.
Por isso, o grande culpado será sempre o presidente José Eduardo Bettencourt. A culpa é só dele. Já o seu empresário de estimação Jorge Mendes limitou-se a facturar. Mendes que também meteu Costinha em Alvalade. Em apenas um ano e meio, eis a grande maioria dos grandes jogadores contratados por Bettencourt, todos eles barretes confirmados, que explicam a erosão do futebol sportinguista:
Marco Torsiglieri (defesa-central)
Mexer (defesa-central);
Nuno André Coelho (defesa-central);
Maniche (médio);
Matías Fernandez (médio);
Miguel Angulo (médio);
Zapater (médio);
Tales (médio);
Felipe Caicedo (avançado);
Sinama Pongolle (avançado).
Talvez na próxima reabertura do mercado, em Janeiro, haja mais nomes para juntar à lista...

domingo, 19 de dezembro de 2010

Wilson Eduardo decide no Beira Mar

Se o avançado Wilson Eduardo (na foto), formado no Sporting e emprestado ao Beira Mar, marca golos e dá vitórias aos aveirenses, então poderá ser dispensado em definitivo pelo clube de Alvalade. Tal como Silvestre Varela e outros - como João Moutinho, vendido ao FC Porto por menos de metade da cláusula de rescisão, passando de "maçã podre" a excelente profissional depois de ter deixado Alvalade... -, também Wilson Eduardo pode ser capaz de não servir os interesses de um Sporting rico, ambicioso e competitivo.
Já o ponta-de-lança Purovic, o gigante inventado há 3 anos por Carlos Freitas, por 2 milhões de euros, que esteve emprestado ao Belenenses, demonstra ser um futebolista de outra galáxia. Um autêntico pinheiro. Por isso é que o Sporting da dupla Bettencourt-Costinha acaba de resgatá-lo. Ou melhor, porque a ironia deste texto pode não ser entendida como tal, o Belenenses é que acaba de devolvê-lo. Talvez seja mais um a merecer um aumento de 20 por cento. Nunca se sabe... FOTO: "A Bola"

sábado, 18 de dezembro de 2010

Salário de Maniche aumenta 20%

Ao ter participado em 20 jogos desta temporada, mesmo sem ter cumprido os objectivos, o veterano Maniche viu o seu contrato de 1 milhão de euros anuais renovado automaticamente com o Sporting. Um contrato de 1 milhão de euros com um aumento de 20 por cento, segundo revela o jornal "i". Na próxima época, Maniche estará mais velho e, muito provavelmente, ainda vai correr menos. Mas isso dá-lhe um aumento de ordenado. O País aperta o cinto e até corta nos ordenados, como acontece na função pública. No Sporting, continua o regabofe.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Frente e verso


 

Vera Santos, simpatizante do Sporting Clube de Portugal, capa da edição portuguesa da "Penthouse", nº 2, Dezembro 2010

Turismo de Inverno na Bulgária...

Ouvi dizer que o Sporting esteve esta semana na Bulgária para jogar com o Levki de Sofia, em jogo a contar para a Liga Europa. E que até perdeu por 1-0. Mas eu não vi o Sporting a jogar. Vocês viram? Será que alguém viu o Sporting a jogar para contar como foi? Ou será que o Sporting foi à Bulgária só para fazer turismo de Inverno?... FOTO: "Record"

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Levanta-te. Tu és o Sporting!...

Os falsos sportinguistas

Gosto muito de futebol e sou sportinguista desde que me conheço. Sócio com emblema de 25 anos de fidelidade (tenho muitos mais anos, mas com intermitências). Já não vou ao estádio há vários anos. Desisti de ir depois de ver o comportamento abjecto de algumas claques. Sou “sportinguista” mas respeito os adversários. Não admito a ordinarice organizada. Um popular chamar "filho da puta" ao árbitro num momento de raiva, compreendo e até posso achar graça. Uma massa organizada a cantar em coro hinos de ódio e a praticar violências sem pejo, isso nunca. Com bandeiras a lembrar suásticas? Não, não contem comigo.
Quando o Sporting joga com o Porto, o Benfica, o Setúbal ou o Carcavelinhos, quero que jogue melhor e ganhe. Não me importo muito que jogue pior e ganhe. Não gosto é de perder, nem de ganhar com truques extra quatro linhas. E mesmo dentro das quatro linhas não gosto de árbitros que se “enganem” premeditadamente. Sou ferrenho, mas tenho “fair play”.
Este ano tenho-me abstido de comentar a péssima carreira do meu clube. Limito-me a não pagar as cotas há uns meses. É o meu protesto. Acho que se têm cometido asneiras a mais, mas enfim… Chegou, porém, a hora de explodir. Quando vejo um senhor chamado Maniche, que eu conheci como jogador do Benfica e do Porto, e que chegou em fim de carreira ao Sporting, dizer que há muitos “falsos sportinguistas” a dizerem mal do clube, não resisto mais. A seguir, logo no dia imediato, vejo um senhor chamado Costinha, a quem chamam “Ministro” não sei porquê (será uma ofensa, já que ninguém parece gostar de políticos neste país?), e que eu conheci como destacado centro campista do FCP, dizer a Sousa Cintra que se “deve meter na sua vida” e deixar de comentar questões do Sporting, aí chegou-me a mostarda ao nariz.
Eu sei que hoje em dia todos são “profissionais” e mudam de clube por dá cá aquele milhão de euros. Tudo bem, é assim a vida. Mas ver esses “profissionais” chegarem a um novo clube, que lhes paga bem, e confessarem que são “sportinguistas” desde o berço, é algo que não me cai bem. Não gosto de ver o Coentrão dizer que é “sportinguista” desde que se conhece e que ir para o Sporting é o sonho da sua vida, e depois ir para o Benfica, nem me soa muito bem ver o Maniche estar “agora no clube do seu coração”.
São “profissionais”? Então calem-se. Recebam o ordenado, joguem o melhor que possam a defender as cores do seu patrão, mas esqueçam o clubismo. Calem-se! Se se sentem mal com os “falsos sportinguistas”, mudem de clube, vão embora, que não fazem falta nenhuma. Eu sei que o Sporting é um “ninho de vespas” (como acontece em todos os clubes), mas há as vespas sportinguistas e há as vespas que voam de colmeia em colmeia. As vespas sportinguistas até podem dizer muito disparate, mas quase sempre querem o melhor para o clube.
As opiniões são livres e assim se devem manter. Mas lições de moral de “profissionais” da bola, não obrigado. Joguem, e calem-se. Os sportinguistas e os falsos sportinguistas pagam cotas, ou simplesmente sofrem com o clube, e não mudam de emblema, não se transferem, não recebem luvas, não fazem contratos milionários. Estão 18 anos sem ver a cor da taça de campeão, mas aguentam. Firmes. Protestam, criticam, dizem mal do presidente e do treinador, mas estão ali sempre, enquanto todos os outros vão mudando. Eles “são” o clube.
Antigamente podia dizer-se que havia jogadores que “eram” o clube. Hoje não há. Antigamente, os dirigentes e os directores desportivos trabalhavam de borla e até metiam dinheiro do seu bolso no clube. “Eram” património do clube. Hoje são pagos. Pagos para trabalhar no que sabem (e ás vezes muito bem pagos para fazerem asneiras consecutivas). Os sócios não pagam a uns senhores para depois os ouvirem chamar-lhes “falsos sportinguistas”. Façam favor de ter um certo pudor e tento na língua.
Já agora, mais uma questão: o senhor “Ministro” Costinha afirma que o senhor Sousa Cintra deve estar calado, porque senão ainda torna pública uma papelada que tem em seu poder. Ora bem, isto é muito grave e não deve ficar por aqui: o senhor “Ministro” Costinha insinua que tem em seu poder algo de comprometedor sobre a gestão do senhor Sousa Cintra. Nesta altura do campeonato, o senhor “Ministro” Costinha só tem uma atitude a tomar: revelar o que sabe ou demitir-se. Esta insinuação é muito grave para o clube e os sócios têm obrigação de saber o que se passa.
Eu sei que, “nesta altura do campeonato”, os sócios são a última das preocupações das direcções e das SAD, muito mais interessadas nos bancos e na CMVM. Os sócios são o verbo-de-encher. Mas era bom que de vez em quando tivessem algum respeito por eles, como neste caso, e esclarecessem de vez esta questão.


Lauro António, cinesta, adepto e sócio do Sporting Clube de Portugal, enviado por e-mail

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Dicionário diz que os sportinguistas são lagartos



O jornalista da SIC António Cancela referiu-se a Paulo Sérgio como "treinador dos largartos". Foi o suficiente para que grande parte da nação sportinguista tivesse motivos para se sentir insultada ou enxovalhada. Porém, o jornalista, que já foi editor de Desporto da SIC, aparentemente, não cometeu nenhum lapso (ao contrário do que a própria SIC admitiu, depois, num pedido de desculpas à comunidade leonina).
O dicionário de Língua Portuguesa da Priberam (www.priberam.pt), disponível na Internet, dá um significado "informal" de lagarto como sendo "adepto do Sporting Clube de Portugal", que, por sua vez, é igual a "sportinguista". Algo que o departamento de comunicação do Sporting parece desconhecer, como se deduz da leitura da nota oficial divulgada no sítio do clube na Internet. Ler aqui.
O Sporting Clube de Portugal, em defesa da marca leonina, deveria, por isso, queixar-se à equipa científica que elaborou o dicionário e não à estação de televisão SIC. Tanto mais que estamos perante uma significação apenas informal, que não é justificada por qualquer fundamentação de ordem cultural ou histórica e que carrega uma conotação negativa sobre a instituição Sporting Clube de Portugal, o que não é mencionado no referido dicionário. Seria como considerar que "galinha" ou "gaivota" significam "adepto do Sport Lisboa e Benfica". Ou considerar que "porco" significa "adepto do Futebol Clube do Porto". Nestes dois casos também estaríamos perante significações informais...

Costinha grosseiro com Sousa Cintra

"Meta-se na sua vida."

Costinha reagindo a declarações de Sousa Cintra, em que o antigo presidente do Sporting se mostrou preocupado com a situação do clube, "Rádio Renascença", 14-12-2010

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A insustentável renovação de Maniche

Maniche é um jogador em fim de carreira. Foi contratado pelo Sporting porque é amigo de Costinha, porque é representado por Jorge Mendes e porque não tinha mercado. E não pela sua experiência. Muito menos pelo seu exemplo e pelo seu profissionalismo. Aliás, a sua experiência em atitudes anti-profissionais só tem prejudicado a equipa do Sporting. Em menos de metade da temporada já regista duas expulsões, uma das quais decisiva para o descalabro da equipa de Paulo Sérgio, no jogo frente ao Vitória de Guimarães, em que o Sporting perdeu três pontos de forma escandalosa.
Não obstante tudo isto, Maniche é dos jogadores mais bem pagos do Sporting (ganha mais de um milhão de euros por ano) e tem um contrato que lhe dá a renovação automática logo que vista 20 vezes a camisola leonina. Por isso, estamos perante um contrato demasiado caro para as pobres finanças do clube. Um contrato que é só mais um erro grosseiro de gestão desportiva e financeira e que só foi possível por se tratar de um amigalhaço do director do futebol do Sporting. E pelo facto de o Sporting ser hoje um clube sem rei nem roque, em que cada problema é suplantado por um problema ainda maior. Não encontro outra explicação.

A preocupação de João Rocha

"Tenho vivido com tristeza estes momentos do Sporting. Lamento o ponto a que se chegou."

João Rocha, presidente do Sporting entre 1974-1986, "Correio da Manhã", 14-12-2010

Maniche a lutar pela renovação automática

"Dispensamos críticas dos falsos sportinguistas."

"Record", 14-12-2010

domingo, 12 de dezembro de 2010

O aprendiz de dirigente ainda não se demitiu

Quando entrou no Sporting Clube de Portugal para dirigir o futebol leonino, depois de ter sido vetado como jogador pelo treinador Carlos Carvalhal e dias depois de ter pendurado as botas em Itália, disse que vinha para Alvalade para conjugar o verbo ganhar. Mas até agora ainda só conjugou o verbo perder. Na ápoca passada havia uma desculpa: não tinha sido ele a preparar a temporada. Tudo bem. Para este ano teve todo o tempo do mundo. Teve até tempo demais para armar trapalhadas com vários jogadores, levando-os a deixar Alvalade, como se o Sporting fosse um clube rico que pudesse desperdiçar recursos. O valor da equipa que ele descaracterizou está à vista de todos. Ainda não chegamos ao Natal e já estamos afastados da Taça de Portugal e a 13 pontos do primeiro lugar da Liga Portuguesa, ao fim de apenas 13 jornadas. Entretanto, já se preparam para ir ao mercado corrigir os erros que fizeram no Verão. Costinha, o aprendiz de dirigente de que estamos a falar, ainda não se demitiu. Ai se fosse no FC Porto, o que seria do Costinha com esta folha de serviços!...

sábado, 11 de dezembro de 2010

Sporting afastado da Taça de Portugal

O Sporting da dupla Bettencourt-Costinha já tinha sido afastado da luta pelo título nacional de futebol. Hoje, foi eliminado da Taça de Portugal, perdendo (2-1) no terreno do Vitória de Setúbal do nosso "Leão" Manuel Fernandes. Ainda não chegamos ao Natal. Só falta mesmo saber até onde vamos na Taça da Liga. Este é o tal "Sporting muito forte" prometido por José Eduardo Bettencourt. Pinto da Costa deve estar a rir às gargalhadas. Enquanto estivermos neste impasse que nos conduz até à morte, o FC Porto só tem que se preocupar com o Benfica. Vamos a caminho do terceiro ano consecutivo sem ganharmos um único título.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Tempo instável em Lisboa

"Benfica e Sporting
estão unidos pela instabilidade"

Título do "Diário Económico", 10-12-2010

domingo, 5 de dezembro de 2010

A vitória por 3-1 foi melhor do que a exibição

Se há vitórias por 1-0 que nos deixam muito satisfeitos com a nossa equipa, depois de uma vitória por 3-1 deveríamos ficar ainda muito mais satisfeitos. Mas nem sempre é assim. Com é sabido, no futebol, há momentos em que os números são relativos. É o que acontece com a vitória do Sporting sobre o Portimonense, por 3-1, no Estádio do Algarve, para a 13ª jornada da Liga Portuguesa.
A equipa do Portimonense é das mais frágeis da Liga Portuguesa. E isso viu-se em campo. Na primeira parte, o Sporting fez o primeiro golo por Hélder Postiga, na primeira vez que foi à baliza contrária com vontade de marcar, abrandou e deixou-se empatar. Antes do intervalo, dois golos de rajada (Maniche e André Santos) pareciam ter aberto a porta de uma goleada. Mentira.
No segundo tempo, a equipa leonina voltou ao controlo, e nem sempre bem. Tanto que o Portimonense esteve mais perto do segundo golo do que o Sporting do quarto. Mas tudo ficou na mesma até ao apito final, demonstrando a pobreza geral de uma partida que valeu pelo último quatro de hora da primeira parte. Apesar de tudo, para a equipa de Alvalade, o resultado é bom. Como se costuma dizer, é melhor do que a exibição. FOTO: Reuters

sábado, 4 de dezembro de 2010

Oceano: "SCP não sabe aproveitar figuras do clube"

“Há muita gente sportinguista com enorme potencial e que podia ser útil ao clube, casos de Manuel Fernandes, Carlos Xavier e Venâncio, entre outros. As SAD afastaram os sócios do clube e o Sporting não sabe aproveitar as figuras do clube. Temo que o afastamento será ainda maior. O Sporting tem negligenciado figuras que podiam ajudar o clube a ser mais forte.”

“O presidente [José Eduardo Bettencourt] terá as suas convicções e ideias, mas penso que se devia tentar trazer para dentro do clube pessoas que já jogaram no Sporting. Mas não o fazer por fazer, mas sim pelo que essas pessoas podem captar em termos de mobilização.”

“[Costinha] tem capital de experiência grande que construiu na carreira como jogador, mas está num cargo novo e ainda a aprender. Pode fazer muitas coisas ao serviço do Sporting. Tudo vai depender dos resultados.”

“Tenho saudades do Sporting, é uma casa que me irá marcar para sempre, mas nunca vou desejar o mal de ninguém em proveito próprio. Quando acontecer o meu regresso, e se acontecer, será de forma natural.

“Moutinho fez muitos jogos pelo Sporting e não há que falar mal dele como capitão. O Carriço conheço bem. Treinei-o nos sub-21, tem liderança, é respeitado e representa bem a mística do Sporting. A idade não tem nada a ver com a atribuição de uma braçadeira. Fui capitão e sei que essa condição não tem nada a ver com a escolha de campo antes de um jogo. É preciso raça, entrega e ser capaz de empurrar a equipa para a frente, puxar pelos colegas e dar exemplo. O Carriço reúne esses predicados.”

“No tempo de Jorge Gonçalves como presidente. Havia ordenados em atraso, podia ter rescindido e tive uma proposta concreta de Pinto da Costa. Agradeci, mas entendi que seria uma traição, ainda para mais num momento de fragilidade do clube.”

Oceano Cruz, antigo internacional do Sporting e “capitão” de equipa nos períodos 1984-1990 e 1994-1998 e ex-seleccionador nacional de Sub-21,
“Correio da Manhã”, 04-12-2010
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