quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

João Rocha versus José Roquette

A guerra entre antigos líderes
do Sporting cruza gerações

Zangam-se as comadres, sabem-se verdades. E um desses duelos, quiçá o maior, está a dividir o eleitorado do Sporting, um clube desportivo com uma estranha tendência: em fases mais conturbadas, transforma-se quase num partido político com futebol e umas quantas modalidades. Hoje, quando a equipa entrar em campo, haverá duas horas de tréguas no pensamento - é um jogo para a Taça da Liga, com o Penafiel, mas é a camisola verde e branca em campo. Antes e depois continuarão os encontros (mais ou menos secretos), as ceias, os jantares, os emails, os telefonemas. E, sobretudo, uma divisão clara que se formou entre os fiéis do projecto Roquette e a vaga por um clube à imagem do que foi nas décadas de 70 ou 80, com João Rocha. Quem for por um é contra o outro: não há alternativa. Afinal, esta é apenas a maior das muitas guerras entre antigos líderes.
Dias da Cunha e Soares Franco tiveram duras trocas de palavras; Franco nunca gostou da forma como, quase do nada, Bettencourt avançou; Jorge Gonçalves e Sousa Cintra registaram episódios quase pitorescos entre ambos. Depois, no plano mais alto desta espécie de "regra", estão Rocha e Roquette. A ponto de, ainda hoje, decorrer um processo por difamação movido pelo segundo ao primeiro, após uma entrevista em que o presidente com mais mandatos acusou o "pai" da SAD de ter feito operações ilegais quando vendeu a sua posição no banco Totta, de ter liquidado o futuro do Sporting e de ter tentado fazer um acordo secreto com o FC Porto para dividir o poder no futebol português. Por isso, e numa altura particularmente difícil da vida dos leões, nasceu o movimento "João Rocha Jr. para a presidência" no Facebook, que tem mais de 5 mil seguidores. Sim, é verdade, estas guerras já saltaram uma geração e, agora, é um filho do ex-líder (ou alguém próximo) que pode avançar.
Passado Eduardo Fortunato de Almeida, sócio há 25 anos, foi o mentor de um movimento que, no domínio público, não quer ir contra ninguém. Mas vai porque qualquer que seja a figura em sufrágio, existe o objectivo de fazer regressar o velho espírito leonino das décadas de 70 e 80, com estádios cheios, romarias nos jogos fora e uma Juventude Leonina cada vez mais forte (parou neste ponto? Tem uma explicação: os filhos de João Rocha foram fundadores da primeira e maior claque de um clube português, em 1976).
E o que foi então a era Rocha? Em resumo, um período em que o clube ganhou 1210 títulos (três campeonatos e outras tantas Taças no futebol), em que tinha mais de 100 mil sócios (106 954) e um dia-a-dia cheio de vitalidade - as bancadas de Alvalade foram acabadas, nasceram os pavilhões, a pista de tartan, o centro de estágio, etc. Claro, teve pontos negativos como as constantes precipitações no departamento de futebol ou os despedimentos de treinadores, mas há (e não são assim tão poucos) quem queira voltar ao passado.
Em 1996 entra José Roquette, neto de José Alvalade. Rocha não conseguira implementar o primeiro projecto de clube-empresa (Sociedade de Construções e Planeamento) por causa do 25 de Abril, mas o economista fez nascer a SAD para promover um 25 de Abril no Sporting. Este era um ponto de um projecto que queria profissionalizar a gestão, regularizar dívidas ao fisco e à Segurança Social; criar um estádio e uma Academia; e tornar o clube independente em termos financeiros dos resultados desportivos. Em muitos pontos, falhou. Como no estádio, que deveria custar 75 milhões de euros e não dar passivo (entre governo, accionistas fundadores e venda de património estaria pago) em vez de ser o maior problema ainda hoje. Mas há (e não são assim tão poucos) quem queira isso para o presente.
Qualquer candidato que avance e responda à grande questão - revê-se no estilo João Rocha ou no projecto Roquette? - sabe que vai ganhar ou perder muitos apoiantes. É tempo para uma revolução (os mais moderados chamam-lhe renovação). E todos, de qualquer facção, querem isso para o futuro leonino.

FONTE: Bruno Roseiro (texto) e Gonçalo Lobo Pinheiro (foto), jornal "i", 20-01-2011

14 comentários:

lawrence disse...

Apesar de ser Benfiquista e de há muitos anos ter tido uma "pega" sobre negócios com João Rocha, simpatizo mais com a sua ala, ou quiçá, com o seu Sportinguismo.
A ala Roquette pode perceber muito de negócios mas aparentemente não utiliza o coração. Só a cabeça e a calculadora!
E ao que parece, se tiver que fazer um pacto com o diabo, fá-lo!
Boa oportunidade para perceber-mos se os sócios também preferem manter o pacto ou desmanchá-lo!

vitor disse...

Só há verdadeiramente uma figura leonina que podia editar este blogue, a ilustre figura leonina do Dias Ferreira. Não sei se é essa ou não a intenção, até porque o notável faz questão de dizer amiúde que não passa cartão ao que por aqui se passa, no que eu não faço a mais pequena ideia se corresponde ou não á verdade. Só que muito do carácter do PMAG passa por aqui.

Para que não fiquem duvidas do meu apreço pelo notável em causa, antes Dias Ferreira há vinte anos que o Rogério hoje.

Resta desejar contnuação da trampa de trabalho ao Leão da Estrela.

SL

Leão Apeensivo disse...

Basta de presidentes copinhos de leite, quero um presidente que arrote para os microfones da comunicação social sempre que for preciso, mande dar porrada em jornalistas avençados. Quero no fundo, um presidente que incuta medo e respeito nos adversários, comunicação social e ás estruturas do futebol tuga.
Quero ver Alvalade num inferno para os outros e um paraíso para nós.

Hugo disse...

Para mim a questão nem é tanto do modelo de financiamento. Cada um tem o seu e cada qual acha que o seu é melhor que o do outro. Partindo do princípio que as intenções de José Roquette e amigos eram honestas, o projecto falhou como podia ter triunfado. São apostas. Às vezes dão certo outras vezes não.

Mais importante é a atitude da próxima equipa governataiva. Se for como as últimas, cheias de boas intenções, cheias de lisura, de boa educação, de respeito, de ética irrepreensível, quase parecendo que se preocupa mais com os interesses do futebol do que com os interesses do Sporting, então não vamos sair da cepa torta.

O próximo presidente não pode ter medo de sujar as mãos, de fazer tudo o que dentro da legalidade (não quero um presidente que vá à fruta) se pode fazer, de aproveitar ao máximo as lacunas da lei, de recorrer a truques contabilísticos para aumentar o capital disponível para investimento, de fazer a vida negra aos adversários que venham a Alvalade, de pressionar constantemente a arbitragem, de começar a formar na Academia em primeiro lugar sportinguistas e só depois jogadores e sobretudo que não se contente em ser o melhor a seguir ao Porto e não governe contra os adeptos que na maior parte dos casos não têm sangue azul nem querem um clube onde o importante é competir e não ganhar.

Gonçalo disse...

E que tal uma candidatura do Leão da Estrela?

Vale a pena pensar nisto...

:)

http://sportingunido.blogspot.com

Leão Carioca disse...

O Sporting continua a viver do passado e numa certa dicotomia na sua génese.

De um lado temos os presidentes nobres, do outro os presidentes "self-made men".

João Rocha foi um presidente que marcou pelo crescimento do Sporting Eclético.

Com ele não ganhamos muito no futebol, mas eramos competitivos e respeitados. Num total de 34 títulos nacionais (campeonatos, taças e supertaças) o Sporting venceu 7.

Mas o forte deste senhor foram as modalidades. Com ele o Sporting era o clube mais forte nas modalidades. Deu estruturas ao clube que potenciaram o desenvolvimento das modalidades e os desportistas portugueses desejavam todos jogar em Alvalade.

Infelizmente o pós-Rocha, é totalmente focado no futebol. Quase todas as modalidades desaparecem e só o Atletismo continua, muito por culpa de Moniz Pereira que conseguiu manter viva a modalidade.

Hoje o Sporting é uma sombra do Sporting dos tempos de João Rocha. Perdeu o objectivo de ser o maior clube português para passar a ser um simples carrapto do seu maior adversário de Lisboa.

O ódio ao Benfica, cegou os adeptos durante os reinados de Sousa Cintra (que não se lembra do caso do Paulo Sousa e do Pacheco), com Roquette (as alianças com Pinto da Costa e a transferência cheia de luvas de joão pinto), etc... etc... e deitamos tudo a perder.

Hoje o clube já não é mais nosso. Sim quem "manda" no clube são os sócios... mas a quase totalidade do clube está hoje na SAD, que é dos bancos.

Há alguns sportinguistas que queriam manter vivo o sonho de Rocha, por que é o nosso sonho. Porque acreditamos que o desporto nacional é bem mais que futebol. É saudar (no Sporting ou nos outros clubes) os Carlos Lopes, os Carlos Lisboas, os Carlos Resendes, os Livramentos, os Joaquins Agostinhos, etc... etc...

Antes o desporto Português tinha muitas vedetas... hoje está cheio de Argentinos, Brasileiros, Americanos, etc... nada contra eles. Mas é pena que os portugueses só estejam nas bancadas ou no Sofá.

E na nossa casa, gente como Sousa Cintra, Roquette, Jorge Gonçalves, Santana Lopes, Soares Franco, etc... têm muita responsabilidade com o que aconteceu com o desporto português.

Espero que a futura direcção pense no Sporting Multi-desportivo e nos ajude a ser competitivos no Basquete, no Voley, no Hoquei, no Andebol, no Atletismo, etc... etc... chega de pensar só no futebol. O Sporting é bem mais do que isso!

Johnny_Bigodes disse...

E não é que o J.Rocha em 16 anos conseguiu, com estabilidade, uma média semelhante em relação à ala "roquettista" em 15 e sem estabilidade? Patético, 16 anos, 3 campeonatos e ele é q foi bom presidente...dizem mal de tudo e de todos e dps querem voltar a uma era q dá 1 campeonato de 5 em 5 anos, lololol

Leão Carioca disse...

Caro Johnny_Bigodes... Não foram 3 campeonatos em 16 mas sim em 13. De 1973 a 1986. E roquette e seus amigos só ganharam 2 campeonatos.

Mas eu não me esqueço o que era o Sporting nessa altura. Era muito mais que futebol e os sportinguistas tinham alegrias no andebol, basquetebol, voleibol, hoquei, atletismo, etc... etc...

Além disso Rocha soube sempre manter as finanças do Sporting bem organizadas e mesmo assim construir muito património. Os outros construiram, mas as dívidas foram tantas que hoje é tudo dos bancos. Sim é tudo dos bancos, pois dentro de 5 anos o BES e o BCP vão ser os donos da SAD.

Anónimo disse...

Cabe a palavra aos Sportinguistas que decidirão, espero que em consciência: haja esclarecimento e luta eleitoral. VIVA O SPORTING que não obstante continua ainda a ser o 2º/3º maior clube DESPORTIVO europeu!

Anónimo disse...

Leão Carioca,Donos??? Deves estar é muita bebado. Vai arrotar para outro lado, pá!!! Deves pensar que vem um arabe qualquer e compra isto tudo!!! O Sporting enquanto tive as acções do tipo A, manda sempre! OUVISTE??? SEMPRE!!!!

Anónimo disse...

Sim, o Cabeça de Cotonete é uma perda eventualmente irreparável para o panorama humorístico nacional, e merecia uma medalha pelo muito que fez pela imagem dos cretinos (em abstracto), no sentido de mostrar que podem – apesar dos resultados obviamente catastróficos – estar à frente de coisas (agrupamentos de escuteiros, seitas religiosas, filas de supermercado, o Sportém – esse tipo de coisas). Mas confio no filão inesgotável de imbecis e bêbados (ou de imbecis bêbados, como o Rui Oliveira e Costa) que a lagartagem possui para alimentar de palhaços o cargo máximo do Circo do Lumiar.



Pela minha parte, aposto numa linha de continuidade e folgo em ver que se perfila como forte candidato mais um palerma de proporções bíblicas. Faço figas para que seja o totó do Rogério, até porque há à venda coisas dessas que estão aí na imagem, o que facilitaria claramente o nosso trabalho no programa (parecendo que não, o cabelo do boneco do Cabeça de Cotonete exigia manutenção). Além disso, tem um potencial do tamanho do vazio entre as orelhas do Ernesto Ferreira da Silva para nos continuar a dar material inadvertidamente humorístico.

Lagartagem, vejam lá isso. O slogan da campanha até pode ser ‘Milhouse forever’ (ou seja, cerca de ano e meio

Anónimo disse...

o que mais me dói é ver que passamos de 2º clube nacional , para ser-mos os bobos da corte e ultrapassados pelos corruptos !!pois 1º ´foi , é e será o Benfica quer queira o não admitir . quem vê os videos do jeb a cantar com o dias ferreira e Comp. lda , fica com um sentimento de terrivel pena e vergonha dos vechames que nos fazem passar enquanto Sportinguistas . eu sei que dói mas será muito tarde para mais alguma vez ser-mos o que já fomos enquanto clube !!! não nos esqueçamos que não temos o poder associativo do Benfica , pois quem levantou o Clube foram os sócios que disseram sim ao Luis Vieira . Ele encarregou-se de se rodear de gente capaz , profissional ... e agora basta ver a OBRA !!! acho que não será necessário mencionar pois não ??? Deixemo Benfica e olhemos para nós !!! Pois esse sim tem sido o nosso problema .

Sporting até morrer disse...

Johnny Bigodes,

O comentário só o compreendo por dever ser ainda muito novinho, certo?

Os tempos de João Rocha:

- No estádio não se viam assistências de menos de 20.000 como hoje acontece.

- Lutávamos sempre pelo título em qualquer modalidade.

- Os sportinguistas passavam o fim-de-semana inteiro à volta de Alvalade para assistir a tudo o que era desporto que envolvesse uma equipa do Sporting, pois tinhamos campos de treino e pavilhões à voltado estádio.
Isto para não falar dos treinos, sempre concorridos, e onde a proximidade entre adeptos e jogadores era algo de impressionante.

- O clube era dos sócios e não da SAD.

- O passivo não existia.

- Iniciou-se o processo de transformação do escalões jovens e surgiram os primeiros frutos através de jogadores como Futre, Mário Jorge, Litos, Carlos Xavier, Fernando Mendes, Venâncio, etc.
inciou-se um ciclo de vitóriuas nos escalões jovens onde só o Porto nos últimos 30 anos consegue lutar com o Sporting.

Não contes só os títulos do futebol, que até foram muitos se queres que te diga.
Conta todos os títulos que ganhámos, colectiva e inividualmente, nacional e internacionalmente.

Conta com a revolução de uma mentalidade, uma espécie de onda sportinguista que levou o clube a tornar-se o segundo com mais títulos a nível europeu em todas as modalidades.

Conta o número de sócios que tivemos.

Conta o número de sócios atletas que este clube tinha.

Verifica que a maior parte dos que apoiam hoje o Sporting no estádio são ainda dessa geração que aprendeu a orgulhar-se de um clube eclético e vencedor, num patamar de grandeza que nenhum outro clube em Portugal conseguirá alguma vez alcançar.

SL
José

Filipe Fernandes disse...

E se Bettecourt suceder a... Bettencourt?

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...