sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Mário Moniz Pereira, 90 anos

A história da sua vida, noventa anos "bem vividos", confunde-se com a do atletismo, que ama como ninguém, e também com a do fado. Ao fazer "quatro vezes vinte mais dez", como gosta de dizer, Moniz Pereira mantém o sorriso de felicidade e cita o refrão do fado que o celebrizou: "Valeu a Pena".
O ritmo de trabalho já não é tão frenético, necessariamente. Tem mais tempo para ouvir música, como o fado, de que é talentoso cultor. Um dos seus sucessos é o “Valeu a Pena”, que Maria da Fé celebrizou.
"Sempre fiz o que gosto com muita felicidade. Enquanto tiver saúde, podem contar comigo", assegura aquele que Manuel Sérgio chamou de “maior treinador de todos os tempos”. E o caso não é para menos: "fez" oito campeões de nível mundial e olímpico, a começar pelo lendário Carlos Lopes.
Mário Moniz Pereira, nascido a 11 de Fevereiro de 1921, em Lisboa, é a referência do atletismo no pós-guerra, especialmente depois do 25 de Abril. Sempre ao serviço do Sporting, de que é sócio número 2, e muitas vezes com a “camisola das quinas”. Mas fazendo da defesa do atletismo uma constante, próxima da intransigência.
Pelo Sporting foi, sucessivamente, atleta, seccionista, treinador e, por fim, vice-presidente, desde a direção de Santana Lopes.
Acabado o Liceu, entrou para o INEF, actual Faculdade de Motricidade Humana. Já depois da II Guerra Mundial, dava aulas como assistente e iniciava os primeiros passos como treinador no clube. O contacto com o estrangeiro, a partir de 1948, dá-lhe experiência. Aprender, sempre, é o seu lema.
A consagração só veio depois de 1974, após muitos anos de luta e quando já centenas de atletas lhe tinham passado pelas mãos. Conseguiu para os seus atletas a dispensa de meio dia de trabalho e isso foi o arranque para uma verdadeira “avalanche” de sucessos, com destaque para os títulos olímpicos e os recordes mundiais.
Duro e exigente no dia-a-dia, a ponto de ganhar fama de obstinado e fanático, tem sido venerado por quase todos que com ele trabalharam. Uma coisa não se lhe nega: o empenho militante com que defende os interesses da modalidade, em contraposição com o futebol.
Portugal vive numa “ditadura futebolística”, diz para quem o quiser ouvir... ele que até foi preparador físico da seleção nacional e muitas vezes é visto na tribuna da direção "leonina", a assistir a jogos do “desporto-rei”.
Irónico, mordaz, espírito vivo, apadrinhou iniciativas como a Associação de Amizade Portugal-Portugal, uma humorada “resposta” às associações de amizade que profileram a seguir à "revolução dos cravos".
O comando direto do atletismo do Sporting deixou-o após Barcelona´92. Mas o “Senhor Atletismo” - como já era chamado - não esqueceu a sua velha paixão. No seu gabinete na sede do "leão", continua a preencher os seus caderninhos de registo de resultados, instrumento de trabalho inseparável desde há décadas. E a seguir tudo o que se passa na modalidade.
De vez em quando, desce à pista, afasta com diplomacia o treinador e dá o treino, cronómetro na mão, como nos velhos tempos. E nos bastidores, tudo passa por ele e analisa ao pormenor os adversários do Sporting, decidindo em última instância quem compete.

FONTE: Agência Lusa, 10-02-2011

2 comentários:

Anónimo disse...

Um senhor, a quem o Sporting muito deve. O Sporting e o país. Parabéns, embora atrasados. Ulisses

Luis Magalhães Pereira disse...

Parabéns Sr. Atletismo! Muitos dias destes!

Foi pena que tivesse aceite o "presente envenenado" de se tornar dirigente do Sporting!

Saudações Leoninas

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