domingo, 20 de março de 2011

Bruno de Carvalho. Os russos, os fundos e a banca

“Os russos subscrevem a totalidade [do capital do fundo]. Nós suportamos os ordenados e ainda se conseguiu uma divisão favorável ao Sporting nas vendas [numa relação de 60 por cento para o clube e 40 por cento para os investidores].”

“Há o Fundo anunciado com o BES que que tenciono activar e melhorá-lo. O Sporting tem a possibilidade de chegar ao banco com um cliente de 50 milhões que lhe vai dar outra capacidade de negociação com as entidades credoras. De repente, o Sporting já não tem de passar o tempo todo a pedir e pode renegociar o serviço de dívida e novos fundos. Terei força junto da banca.”

“O Sporting não vai gastar verbas em contratações. Não terá de suportar nada dos jogadores e quando forem vendidos assegura 60 por cento. Isto não são condições muito saudáveis? Há condições mais saudáveis do que isto? O Sporting vai ficar com capacidade financeira. Parece que toda a gente se esquece que o Sporting não é só um conjunto de encargos e dívidas, também é um conjunto de proveitos e vai ser ainda mais, porque o nosso modelo de negócio não se prende só com o fundo. O risco da contratação de jogadores está diluído pelos investidores. Mas queremos a agregação e mobilização dos sócios, com o aumento de quotização, de fidelização, venda de bilhetes, venda de game-boxes. Possibilidade de melhor negociação com os parceiros, de negociação séria com as entidades credoras. Criou-se isto do Fundo, que é importante, mas não é o único ponto do nosso programa. Estas condições que eu revelei na Rússia demonstram que até nesta negociação o Sporting fica favorecido.”

“Não acredito em soluções negociadas com os Bancos via candidatos. Não é possível que um candidato tenha acesso às contas. O que eu já mandei, pela apresentação do meu programa e fundo, foram muitas mensagens claras aos bancos que podem ter no Sporting um interlocutor de grande valia para todos. Um Sporting asfixiado como nos últimos anos é um Sporting fraco e eles não querem um Sporting fraco.”

“Tenho sido contactado por investidores de vários países, inclusive portugueses. Para já e para estes primeiros 50 milhões foram as pessoas com quem foram negociadas as melhores condições para o Sporting. Quem pôde assistir à apresentação notou que são pessoas a nível governamental, desportivo e financeiro. Pessoas muito importantes. Foi dito por eles que se escancarou uma porta para que profissionais desportivos portugueses possam ir para a Rússia desenvolver o seu trabalho. Não só esta negociação permite um Sporting com força para ser campeão, como abre as portas a Portugal a um sector que também precisa de apoio. Conseguiram-se duas coisas importantes: uma garantia de que o Sporting vai ficar forte e pode ser campão já no próximo ano e para Portugal fomentar a exportação de profissionais portugueses para a Rússia. Não é só o Sporting, mas portugueses. Isto não é apenas bom, é excelente. Acho que acertei em cheio nestes investidores.”

“As pessoas serem ou não ex-agentes do KGB nada tem de interesse, nem para o investimento para o Sporting e para Portugal. Houve várias pessoas ex-Pide em vários governos depois da queda de Salazar. Já foi o tempo em que se dizia que os soviéticos comiam criancinhas ao pequeno almoço. Estamos a falar de homens com poder, de homens ligados ao desporto e Governo da Rússia. Mais credível do que isto não existe. Os russos são exemplos de sucesso. Não ia apresentar pessoas que não dessem garantias de não ter este dinheiro. Eles têm-no. Isto é ao mais alto nível. Foi dito na Rússia e na apresentação do fundo que houve encontros com o vice-primeiros ministro Shukov. Isto não é bom para Portugal?”

“As decisões são todas do Sporting e do presidente. Eles disseram que vão dar o empurrão para o Sporting ser campeão. Os enviados portugueses lá estavam espantados e a perguntar como foi possível pôr pessoas de reconhecida influência a falar no Sporting. Tenho negócios com a Rússia há dez anos, só falo e respiro o Sporting e essas pessoas passaram a sentir carinho pelo clube. Os outros candidatos deviam era dizer: "Que bom, o Sporting consegue atrair investidores deste nível." Como nenhum dos candidatos tem ideias nem programa só falam em múltiplos de 50, eu pergunto se é uma solução para o Sporting, por exemplo, Pedro Baltazar a pôr dinheiro no Sporting, que teve chatices e devido a essas chatices ficou com o passe de Carriço na mão? Eu não vou ficar com o passe de nenhum jogador na mão. Godinho Lopes tem 100 milhões de nada. Vai pedir 40 milhões à banca. Fui o único que dei a cara, que mostrou quem são os investidores. O que eu diria é que podia perceber se apenas eu saísse na Comunicação Social, mas as pessoas vão dizendo umas patranhas e eu é que faço tudo mal. Pedro Baltazar vai pôr dinheiro no Sporting? Mas qual dinheiro? Para a Nova Expressão sair do Sporting o que custou ao Sporting? O passe de Carriço. Eu trouxe parceiros para o Sporting e que vão alavancar o desporto português.”

“Quer se queira quer não, isto é um clube desportivo que vive da sua marca que não é mais do que o seu universo de apoio - adeptos e sócios. Quando não acarinharmos essa marca, não vale a pena ter empresas, pois os accionistas não vão ter lucro nenhum. A dimensão do Sporting é dada pelos três milhões de sportinguistas e quando eles perderem o poder de intervenção no clube, acabou-se a galinha de ovos de ouro da SAD. O Sporting só vai poder intervir no seu futuro enquanto comandar a SAD. A SAD é tudo: Futebol, Academia, Comércio e Serviços. Quando o Sporting deixar de mandar na SAD, nem que seja pela ‘golden-share‘ que não é nada (é um engodo, pois um dia a União Europeia vai acabar com isso), o Sporting tem de assegurar o que sabe fazer há mais de 100 anos que é ser campeão. Não são empresários que sabem como o Sporting vai ser campeão.”

“As pessoas devem ter algum rigor intelectual. Há várias maneiras de se fazer o fundo, porque o fundo é para iniciar já para o reforço da nova época. Ao fazermos um acordo entre dois agentes económicos e esse acordo, com as regras todas definidas, não precisa de nenhum aval da CMVM. Ou fazemos o fundo fora de Portugal e não é preciso o aval da CMVM, ou começamos após as eleições a cumprir os trâmites para o fundo ser integrado na CMVM. O importante não é cumprir ou não burocracias, mas cumprir desígnios e objectivos. Está definido como o Sporting se vai relacionar com os investidores. É ridículo andarmos nisto. As pessoas têm de dizer se o investimento em jogadores nesta base é bom. É excelente. Essas questões vão resolver-se a partir de dia 27.“

“A Europa é um mercado muito interessante e não tem sido bem aproveitado pelo Sporting. Não é por haver investidores russos que vamos focalizar aí o investimento. Quero é dizer que todas as decisões sobre contratações relacionadas com o dinheiro do Fundo vão estar nas mãos do Sporting e de Bruno de Carvalho. As decisões serão sempre do Sporting e minhas.”

Bruno de Carvalho, candidato à presidência do Sporting, entrevistado pelo
"Correio da Manhã", 20-03-2011

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