sexta-feira, 25 de março de 2011

Os desesperados

Há um filme, do realizador Manoel Oliveira, intitulado “O Dia do Desespero” (1992), que conta a história verídica e dramática dos últimos anos de vida do escritor Camilo Castelo Branco, em finais do século XIX. Cego, não podendo continuar a escrever para viver, Camilo afundava-se sem remissão num conflito íntimo, ou melhor, interno, “um drama em gente”, como diria Fernando Pessoa.
Ora, para alguns candidatos à presidência do Sporting – refiro-me a Godinho Lopes, o candidato da continuidade, e Pedro Baltazar, que apelido como o candidato da “continuidade inteligente” – são justamente dias de desespero aqueles que passam e se aproximam do dia 26 de Março.
Godinho e Baltazar mais não fazem do que desenvolver um ataque cego contra um único candidato e também contra os sportinguistas que o apoiam. Nesta campanha negra nunca vista no Sporting, houve até um candidato a vice-presidente que afirmou que os sportinguistas que dizem que Godinho representa a continuidade “são completamente burros”.
Cegos como Camilo, Godinho e Baltazar não conseguem a ver a maneira de ganhar as eleições pelas suas ideias e pelos seus projectos, nem conseguem ver a forma lícita de derrotar Bruno de Carvalho, o candidato da mudança e da lufada de ar fresco numa grande instituição desportiva que parou no tempo e que se degrada a cada dia que passa.
Godinho e Baltazar estão desesperados porque sabem que os sportinguistas querem um novo ciclo no clube a partir deste sábado. Daí a avalanche de notícias que apenas visam denegrir a vida pessoal e empresarial de Bruno de Carvalho e o seu projecto de gestão desportiva para o Sporting Clube de Portugal. E isto acontece porque temos um sistema mediático desportivo com vícios de muitos anos, onde os atropelos e as manipulações nos meios de comunicação social não são objecto de queixa, por parte das vítimas, não sendo, portanto, alvo de investigação por parte das autoridades, nomeadamente a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).
Nesta campanha leonina vale tudo. Até o jornal “A Bola”, que como meio de comunicação controlado pelo Benfica quer um Sporting manso e controlado pela banca, foi ao Brasil entrevistar Liedson – cuja venda em Janeiro ficou para sempre como um símbolo da miséria da continuidade – para que o ex-avançado leonino nos dissesse que, se fosse eleitor, “votava na lista de Carlos Freitas”. O problema da continuidade é que tem de se agarrar a tudo, pois, desta vez, uma primeira página com José Roquette só faria Godinho Lopes perder mais votos.
Ao ver os debates e ao ler os jornais, as coisas são cada vez mais claras. Godinho Lopes passou a campanha a justificar-se – a construção do estádio, as contas do estádio, os elementos da continuidade, a promiscuidade com a banca, etc. – e a debitar ideias e frases feitas pela sua fortíssima assessoria de comunicação, que ainda há poucos anos ensinava Luís Filipe Vieira a discursar em público.
À medida que a sua performance foi caindo nas sondagens, Godinho nunca explicou como vai arranjar 100 milhões de euros e foi lançando nomes de treinadores e jogadores sem critério (que tanto podem vir como não vir, o que é extraordinário, fazendo dos meios de comunicação social autênticos panfletos de campanha). Já sobre o treinador de Bruno de Carvalho, o holandês Marco Van Basten, curiosamente o único que esteve em Alvalade e que foi apresentado em carne e osso, parece que o seu valor técnico deixou de estar em causa e saem agora pseudonotícias de última hora a colocá-lo na rota da Fiorentina…
Sem o passado de Godinho para ocupar o tempo em justificações, Pedro Baltazar – uma espécie de extensão moderna da continuidade – ficou com o terreno livre para atacar Bruno de Carvalho sem dó nem piedade. Para disfarçar, atacou Godinho com banalidades, do tipo “não percebe nada de futebol”. O que permite concluir que Baltazar é apenas uma das faces da continuidade que teria por objectivo eleitoral dividir os votos da mudança.
Dias Ferreira, agora que descobriu ter sido enganado pelo projecto José Roquette, emergiu não pelo projecto que tenha apresentado, mas como crítico da “continuidade”, mas num registo que tem favorecido Bruno de Carvalho no combate contra Godinho Lopes.
Já Sérgio Abrantes Mendes, o homem que teve razão antes do tempo, parece estar a falar sozinho. Todos concordam com ele, mas não votam nele. Perdeu, por isso, uma excelente oportunidade de integrar um projecto de mudança, dando-lhe ainda mais força. O seu contributo, porém, não pode ser desperdiçado. O Sporting precisa de todos para mudar com sucesso.

[Texto publicado no sítio
Sporting Apoio, 24-03-2011]

5 comentários:

Hammill disse...

Excelente texto.

Não sei se haverá bipolarização nas candidaturas, mas sei que essa bipolarização existe efectivamente na escolha dramática que se nos apresenta:

Continuação deste ciclo de mediocridade, promiscuidade, incompetência, tecnocracia, dependência, desinvestimento e de gestão danosa para os interesse do clube - G. Lopes, Baltazar e Dias Ferreira.

Corte radical com a Continuidade através do inicio dum novo ciclo histórico no Sporting. Um ciclo de Investimento, Ambição, Orgulho, Independência, Entusiasmo, Mobilização e Associativismo reunidos num programa que defenda os genuínos interesses do SCP - Bruno de Carvalho e Abrantes Mendes

A diferença é flagrante e a escolha é óbvia para os sócios que ambicionam ter de volta o Sporting Clube de Portugal.

Eu vou votar na Lista C - Bruno de Carvalho

Anónimo disse...

Acho que nos últimos dias o Bruno de Carvalho se estendeu completamente quando o apertaram sobre o fundo. Já toda a gente percebeu que o fundo é algo muito mal amanhado e que nunca conseguiu explicar. É pena, mas é a vida!!!!!!

José Leal disse...

Sempre achei interessante haver estes textos que tentam doutrinar o «povo», como se fosse preciso estar a explicar às pessoas «atenção estes são os bons e aqueles são os maus. Não se esqueçam, estes são os bons e aqueles os maus!»

Então esse final sobre o Abrantes Mendes, fonix, qualquer sportinguista com vergonha na cara (e eu não sou sportinguista sou sócio do Benfica e quem me dera que no Benfica aparecessem alternativas como o Mendes) teria a obrigação moral de votar no Abrantes Mendes. O único que não vende sonhos, o único que foi à luta em tempo próprio, o único cuja prova do tempo lhe veio dar razão. E neste momento mantem a coerência. Querem melhor «cartão de visita» do que este para vosso líder?

Mas a malta cala a consciência e vai atrás de sonhos, de jogadores, de fundos, em vez de lidar com a realidade com aquele que sempre o fez.

Possivelmente, como sou benfiquista, este comentário não vai passar.

Mas gostava de fazer esta chamada de atenção aos sportinguistas, de quem está a ver de fora, para terem atenção se não estão a votar em campanhas de comunicação em vez de votar em projectos, pessoas e sportinguismo.

Saudações Desportivas

Anónimo disse...

desculpa que te diga mas nos ultimos 2 debates o BC esteve mal, e perdeu claramente gás.

o adepto comum continua a dar muita importancia a nomes de jogadores nestes momentos, e desconfia do facto de nao ouvir nomes daquele lado. é um facto, triste, mas real.

o godinho colocou alguns nomes importantes na mesa e o baltazar tambem ganhou folego embora de facto estejam os dois contra o BC. mas ontem o baltazar tb falou muito contra DF e GL, talvez porque tenha tido a sensacao de que recuperou hipoteses.

fico atento, apenas, uma vez que sou do benfica e nao tenho preferencias nestas eleicoes.

Anónimo disse...

Muito bom!

Em frente, BRUNO!

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