sábado, 16 de julho de 2011

Acosta. “O Paulinho vibrava mais do que nós”


Ao serviço do Sporting Clube de Portugal, entre 1999 e 2001, o internacional argentino Acosta,  o grande Beto Acosta, ou simplesmente Matador, para os adeptos leoninos, ganhou um campeonato nacional e uma Supertaça portuguesa. Fez 99 jogos e marcou 48 golos. Deixou a sua marca. Em Alvalade não há quem não se lembre dele. Hoje dá uma entrevista ao jornal “i”. Eis o que importa reter sobre a excelente passagem por Alvalade:

“[Ao ingressar no futebol europeu aos 32 anos] queria provar a mim próprio que estava bem. E o Sporting pareceu-me o desafio ideal. Está no meu coração, é um clube com uma história riquíssima e uns adeptos muito especiais. A começar no Paulinho, o roupeiro. Ele vibrava mais que nós...”

“Havia tanta boa gente... (…) Além dos argentinos Duscher, Quiroga, Hanuch e Kmet, o Beto, o Rui Jorge, o Barbosa, o Nuno Santos, que era o terceiro guarda-redes. Era jovem mas tinha carisma. E o César Prates, não me poderia esquecer dele. Ele simplesmente ria-se de tudo e mais alguma coisa. Até nos jogos. Às vezes falhava um cruzamento, eu olhava para ele e já o via a recuar para o seu lugar com uma cara de menino traquinas, que tinha feito uma asneira mas que não queria que lhe dissessem nada. Que figura!” 

“A verdade é que a segunda época [1999-2000], a primeira completa, foi um sonho tornado realidade. Pelos golos, pelo ambiente à volta da equipa e pelo título de campeão. Que luxo, hein? E olha que eu era o homem sortudo da equipa… Não ouvia o Schmeichel a gritar (…). Que figura. Muito profissional. (…) Ele é dinamarquês. As pessoas do Norte da Europa são mais distantes que os latinos, e estes são mais apaixonados que qualquer outro povo.”

“Conheci lugares sensacionais. [O Bossio, guarda-redes do Benfica] levava-me sempre ao ‘Barbas’ [na Costa da Caparica]. O Barbas. Meu Deus. Aquilo é pior que jogar no Estádio da Luz. Entrava de cabeça baixa para não repararem em mim. Sempre muito bem tratado. Pelo dono e pelos clientes. Sinto que deixei uma boa impressão em Portugal. Gosto muito do teu País.  Ainda por cima fui campeão nacional. [Foram] dias muito loucos, entre a derrota com o Benfica em Alvalade e a vitória sobre o Salgueiros lá em cima. Tudo acabou em bem, com uma festa descomunal.”

“[Com Materazzi] havia o problema da língua, claro, mas isso não explica tudo. Ele falava italiano e transmitia as suas ideias ao Ayew, que tinha jogado em Itália [Lecce]. O Ayew explicava em português para uns, em castelhano para os outros e em inglês para o Schmeichel. Reforço a ideia, o problema da língua não explica tudo. Eu não falo quase nada inglês e entendia-me muito bem com o Schmeichel, por exemplo. Dentro do campo, a linguagem do futebol é só uma. Com o Materazzi, o Sporting simplesmente não funcionou com as suas ideias, pronto. Cada um seguiu o seu caminho, chegou o Inácio e fomos campeões.”

“[O cancro na tiróide] foi um sofrimento, o jogo mais difícil da minha vida. Imagina-te com 44 anos a receber uma notícia daquelas. Só ouvir a palavra ‘operação’ já me assustou. O mundo desabou. Caiu-me tudo. Em 20 anos de carreira nunca fui operado. E depois isto. Já está tudo ultrapassado. Passei alguns dias no hospital a seguir um tratamento, que me fez engordar uns sete, oito quilos, e que me fez ver a série "Lost" de uma ponta a outra, mas estou óptimo de saúde e até já voltei a jogar futebol.”

4 comentários:

PB disse...

Fantástica entrevista.

Rui Martins disse...

Para sempre o nosso Matador! Grande Beto Acosta.

Rui Martins disse...

Grande Beto! Para sempre o nosso Matador.

Dangerfields disse...

Saudades do matador! Era velho.. estava gasto... e foi o que se viu! ENORME

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