domingo, 16 de outubro de 2011

Obrigação cumprida em Famalicão


O Sporting cumpriu a obrigação de vencer em Vila Nova de Famalicão (0-2) 
e seguir em frente na Taça de Portugal, mas a forma como decorreu a partida e chegou à vitória está longe de poder deixar sossegados os seus responsáveis e simpatizantes. Jogou contra uma equipa que ainda este ano ascendeu ao terceiro escalão do futebol nacional e composta por jogadores que só treinam após o horário dos seus afazeres profissionais, mas raramente teve o jogo na mão.
É certo que dois golos sem resposta não podem deixar grandes dúvidas quanto ao desfecho final, mas deve dizer-se também que o Sporting construiu o resultado graças a uma grande penalidade e aos momentos posteriores de descontrolo por parte dos atletas do Famalicão. Os protestos que se seguiram à decisão do árbitro valeram aos famalicenses três cartões amarelos, sendo que dois desses jogadores acabariam por ser expulsos na sequência de nova admoestação.
E se a grande penalidade que permitiu a Wolfswinkel dar vantagem à equipa no marcador surgiu numa altura em que o Famalicão parecia, pela primeira vez no jogo, dar mostras de poder incomodar a defesa do Sporting, o golo que fixou o resultado foi obtido quando a equipa da casa jogava já em inferioridade numérica. Foi o coroar de uma jogada de envolvimento no lado direito do ataque. A bola circulou entre vários jogadores, fazendo deslocar a defesa do adversário, e o cruzamento de Pereirinha encontrou Wolfswinkel liberto no coração da área, para um cabeceamento eficaz. O exemplo de como o Sporting deveria ter actuado perante um adversário que se fechou o mais que pôde junto da sua área.
O jogo foi, porém, quase sempre muito diferente. A equipa de Alvalade dominou largamente e, no início, até criou algumas oportunidades, mas o certo é que nunca conseguiu mandar na partida e envolver o adversário. O Famalicão obedecia ao guião defensivo e, à medida que o tempo corria, os jogadores iam ganhando confiança. Passado o sobressalto inicial, conseguiram chegar ao intervalo deixando a sensação de que poderiam fazer sofrer o adversário.
Logo no início da segunda parte, os avançados da casa obrigaram o guarda-redes do Sporting a fazer a primeira intervenção, e seguiram-se mesmo outras duas jogadas que colocaram a defesa em apuros, até que surgiu o penálti salvador.
Após o segundo golo da equipa leonina, o Famalicão começava a dar sinais de quebra física e a segunda expulsão (por acumulação de amarelos) foi disso consequência evidente. Mas nem mesmo a jogar contra nove o Sporting foi capaz de mandar no jogo. Prova disso é o facto de, já nos instantes finais, Marcelo Boeck ter negado aos famalicenses o golo que bem fizeram por merecer. Foi um remate de cabeça na sequência de um livre na ala direita, com o guarda-redes brasileiro a fazer aquela que foi, provavelmente, a defesa da noite.
E mesmo tendo vencido a equipa mais poderosa, pela forma como decorreu o jogo, bem pode dizer-se que houve taça em Famalicão. Não só pela forma como o jogo foi disputado, mas também pela festa nas bancadas, que mais de uma década depois voltaram a encher-se de público.
TEXTO: José Augusto Moreira, "Público", 16-10-2011 FOTO: "A Bola"

1 comentário:

KYLE disse...

espero q tenham se sentido relaxados e nao seja sinal de q estas paragens para a seleçao revelem algum indice de baixa produtividade daqui em diante!

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