segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Obrigado, Liedson!...

Para anunciar à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) a venda de Liedson ao Corinthians, o Conselho de Administração da Sporting SAD precisou de emitir dois comunicados. Curioso é que, no segundo, após terem sido feitas as contas, os 2,5 milhões de euros de ordenados que o Sporting deixará de pagar ao atleta sejam identificados como geradores de “um impacto positivo nas contas da sociedade”. Um miserabilismo atroz!...
É claro que se esqueceram dos golos que ficarão por marcar… Oops… Golos?... Isso interessa para alguma coisa?... Isso é futebol, não interessa nada...
Obrigado, Liedson, que eles não sabem o que fazem!...

COMUNICADO I, ÀS 15h34:
Nos termos e para efeitos do cumprimento da obrigação de informação que decorre do disposto no artigo 248º, nº1 al. a) do Código dos Valores Mobiliários, a Sporting Clube de Portugal – Futebol, SAD, vem informar ter chegado a acordo com o Sport Club Corinthians Paulista para a cedência definitiva dos direitos desportivos do jogador Liedson da Silva Muniz, com efeitos a partir do próximo dia 7 Fevereiro.
Lisboa, 31 de Janeiro de 2011

COMUNICADO II, ÀS 18h21:
Nos termos e para efeitos do cumprimento da obrigação de informação que decorre do disposto no artigo 248º, nº1 al. a) do Código dos Valores Mobiliários, a Sporting Clube de Portugal – Futebol, SAD vem informar, em complemento ao comunicado relativo ao acordo celebrado com o Sport Clube Corinthians Paulista para a transferência do jogador Liedson da Silva Muniz, que a mesma terá um impacto positivo nas contas da sociedade, nos exercícios de 2010/11 e de 2011/12, de €4.679.540,00, dos quais € 2.105.000 pela transferência dos direitos desportivos do jogador.
Lisboa, 31 de Janeiro de 2011

A propaganda de Braz da Silva

José Braz da Silva é um grande candidato à presidência do Sporting porque a sua propaganda é paga, certamente a peso de ouro, à agência de comunicação de Luís Paixão Martins, o mesmo que trabalhou nas primeiras eleições de José Sócrates e Cavaco Silva, em 2005 e 2006, respectivamente. Até agora, Braz da Silva deixou-se fotografar bem enquadrado e não disse nada sobre o Sporting a não ser o óbvio, ou seja, que tem de ser um clube ganhador. E hoje, até há um jornal, no caso o diário "i", a explicar que Braz da Silva é igual a Luís Filipe Vieira, porque não quer ser remunerado no Sporting, e que terá na sua equipa formas de agrupar a família leonina, dando destaque a Rogério Alves, acolhendo os "centuriões" que acompanham o ex-presidenciável, e também aos apaniguados do mítico João Rocha, que querem um corte com o passado recente.
No fundo, a agência de comunicação de Luís Paixão Martins está a dar a Braz da Silva a estratégia que vem nos livros, colocando o candidato-surpresa que ninguém conhece de lado nenhum no pedestal da magnanimidade.
No início havia 100 milhões de euros para fazer do Sporting uma grande equipa europeia. Agora parece que não há dinheiro nenhum. Ou haverá se os investidores aparecerem. Enfim, o céu leonino está muito nublado. Mas oxalá que tudo isto sejam apenas sinais da mudança de tempo. Mas para um tempo novo, com sol em Alvalade todas as manhãs...
Obs. - É pena que Agostinho Abade, o eterno dirigente leonino que, afinal, é parceiro dos negócios de Braz da Silva, não se tenha lembrado desta solução missionária há mais tempo.

domingo, 30 de janeiro de 2011

É preciso dar a volta a isto

O Sporting perdeu com o Estoril, da II Liga. O problema do futebol do Sporting de hoje, que nunca existiu antes, nem mesmo nos tempos mais difíceis ao longo de 105 anos de história, é que, se os jogadores leoninos vestirem a camisola do Paços de Ferreira ou do Olhanense, nós nem notaríamos que tinham trocado de camisola...
Ironicamente, o primeiro reforço de Inverno (no caso, o termo reforço para definir um jogador ex-Paços de Ferreira e sem clube, depois de ter sido dispensado pelos gregos do PAOK, será uma hipórbole) confirma o nível a que chegou o clube que José Alvalade fundou para ser tão grande como os grandes da Europa.
Ou seja, o futebol da equipa do Sporting de hoje é tão banal, tão banal, que passa muito bem por qualquer equipa portuguesa da I Liga que luta para não descer de divisão. E os árbitros já se aperceberam disso e apitam tudo contra a camisola verde e branca.
No Estoril-Sporting, por exemplo, o árbitro Cosme Machado assinalou duas grandes penalidades contra a equipa leonina, que não assinalaria se em vez do Sporting estivesse a jogar o FC Porto ou o Benfica. No fundo, tratam-nos como pobretanas e totós.
No início da temporada, José Eduardo Bettencourt afirmou: “Vamos vender cara a derrota e seremos dignos como os campeões!..." Ora, a profecia está a cumprir-se semana após semana.
É preciso dar a volta a isto. Ainda não sei como. Mas é preciso dar a volta. Numa manhã de sol da Primavera que se aproxima...

Um contrato já não é um contrato...

... E o futebol do Sporting está entregue à bicharada.

sábado, 29 de janeiro de 2011

O dinheiro de Angola

O facto de o dinheiro para o futebol leonino poder vir de Angola não importa para nada. O Sporting Clube de Portugal é um clube global, com adeptos em todo o mundo, incluindo em Angola. Logo, o dinheiro pode vir de qualquer canto. O que importa é saber quem são as pessoas, a sua credibilidade. E as histórias que se contam não são as melhores. É esperar para ver... FOTO: "Diário de Notícias"

Memórias do leão Mário Jorge

"Malcolm Allison ficou comigo
só para me ver passar a bola..."

Tudo começou com um desafio de um amigo que já estava no Sporting. Com 12 anos, Mário Jorge decidiu faltar às aulas para ir treinar ao Sporting. Ficou com uma falta na caderneta, mas garantiu o início de uma carreira com uma ligação quase exclusiva ao Sporting. Fez 22 golos em 263 jogos pelos leões e hoje, mais de 32 anos depois da estreia, continua a sofrer pelo Sporting. Em dia de Estoril-Sporting para a Taça da Liga, o "i" foi falar com o director desportivo dos canarinhos. Um jogador que participou na mítica goleada de 7-1 sobre o Benfica, em 1986 (ver foto). Nesse jogo, Manuel Fernandes brilhou com quatro golos, mas foi Mário Jorge a abrir o marcador: fez o 1-0 aos 15 minutos e o 4-1 aos 68.

A 12 de Setembro de 1979 estreou-se pela equipa sénior do Sporting num jogo contra o Estoril, apesar de ainda ser júnior. Como é que isso aconteceu?
Havia falta de jogadores e tiveram de recorrer aos juniores. E entrei nos últimos dez minutos para o lugar do Helinho. Foi bom para ter um contacto com o futebol profissional. Na altura não havia muitos jogadores juniores a ir à equipa principal e foi uma sensação indescritível.

O treinador Rodrigues Dias deu-lhe algum conselho especial?
Nem por isso. Foi uma coisa natural. Disse-me simplesmente que jogasse sem nervos e sem problemas. E que era para jogar os últimos dez minutos.

É chamado na primeira jornada e depois nunca mais é utilizado. Chegou para se sentir campeão?
Obviamente que me senti campeão. Além de ter sido chamado aqueles dez minutos, treinava frequentemente com o plantel. Estava já enquadrado para preparar a transição para o futebol sénior. Nessa altura já estávamos instruídos. Tínhamos bons dirigentes, que nos levavam para o rumo certo. E o respeito pelos mais velhos não podia faltar. Não jogar mais foi algo natural. Quando sou chamado já tinha contrato profissional mas ainda era júnior. E foi nos juniores que fiz o resto da época.

Na época seguinte actuou em dois jogos pela equipa principal e esteve perto de ser dispensado.
Quando faço a transição para os seniores, com 19 anos, disseram-me que era importante ir rodar, para jogar com frequência noutro clube.

O que os fez mudar de ideias?
O Malcolm Allison. Quando chegou ao Sporting fez um treino para observar os mais jovens. Foi um treino simples, apenas de passe e recepção, e ele, só de me ver a passar a bola, quis ficar comigo. Foi um treinador muito importante para mim.

Recebeu muitos conselhos?
Não, com ele não havia disso. Era muito exigente e aqueles que tinham capacidade para trabalhar mereciam a confiança dele. Gostava de jovens com valor, mas, como é hábito em treinadores ingleses, mantinha a distância. Queria era jogadores com rendimento, não perdia tempo com conversas laterais. Era um treinador justo: quem trabalhava bem jogava ao fim--de-semana.

Essa altura, 1981-1982, foi uma grande época para si?
Foi a minha afirmação como jogador profissional no Sporting. O treinador apostou muito em mim e tínhamos uma equipa fantástica. Fizemos a dobradinha e só não fomos à final da Taça UEFA porque desprezámos um pouco o Neuchâtel Xamax, uma equipa suíça sem grande valor. O futebol suíço não tinha grande afirmação na Europa e pensámos que a eliminatória (oitavos-de-final) ia ser fácil.

Nesse ano fica conhecido por um golo importante ao FC Porto.
Foi uma semana um bocado atribulada. Dizia-se que o Jordão não ia jogar e que o substituto ia ser eu. As pessoas ficaram um pouco apreensivas por ser um jovem a jogar num jogo tão importante para o título. O que é certo é que fui chamado, assumi a responsabilidade e marquei o golo da vitória, por 1-0. O mais curioso é que, apesar de estar a jogar a defesa-esquerdo nessa época, actuei mais na frente para marcar o Gabriel, um lateral que subia muito. As coisas correram completamente ao contrário e ele é que teve de se preocupar comigo.

Depois de uma época tão boa, chega a primeira chamada à selecção.
Tive um excelente baptismo, estreei-me contra o Brasil num "empate" 0-4. Eles tinham vindo do Mundial de Espanha e eram uma das melhores selecções brasileiras de sempre, uma das melhores que vi jogar. Além disso, a nossa selecção tinha muitos jogadores que eram novidade. Era uma época conturbada na selecção.

A passagem pela selecção tem muitas interrupções mas é titular no famoso jogo na Alemanha que garante a presença no Mundial do México, em 1986.
Mais uma vez, foi uma situação de recurso. O Futre não estava em condições e também havia outros jogadores lesionados. Não havia mais ninguém e tiveram de me escolher.

Sentia isso, que era sempre uma opção de recurso?
Sentia, porque os critérios na selecção eram muito duvidosos. O Sporting não atravessava um bom período e as escolhas recaíam quase sempre em atletas do Benfica e do FC Porto. Mas apostaram em mim dessa vez e só soube duas ou três horas antes do jogo. Correu tudo bem e até no Sporting começaram a olhar para mim de maneira diferente. Diziam-me: "Nem nós pensávamos que jogavas assim tanto."

E em 1986-1987 marca três golos no campeonato. Todos ao Benfica e dois deles no 7-1. É um jogo que fica marcado...
É a maior vitória de sempre em dérbis. O Benfica até era favorito, mas correu tudo bem ao Sporting e começámos a sentir que estávamos a fazer algo histórico. Começámos a marcar e não abrandámos. Cada vez que íamos à frente marcávamos golo e a inspiração do Manuel Fernandes também foi determinante.

Em 1989 sai do Sporting e é emprestado ao Beira-Mar.
O Manuel José, com quem tinha feito a minha melhor época, afirmou que era preciso acabar com as prima donnas no Sporting e eu fui um dos jogadores que saíram. Sentia-me capaz de continuar e até acredito que ele se arrependeu daquele desabafo. Em Aveiro fui feliz e estivemos quase a chegar às competições europeias.

E regressa ao Sporting...
Sim, mas já era tudo diferente. Tive mais dificuldades, senti que vinha mesmo de fora e não houve uma grande aposta. Começou a aparecer uma nova geração de jogadores e as pessoas entenderam que não devia continuar.

Até que chega o Estrela de Jesualdo Ferreira...
Era um bom projecto, para subir à primeira divisão. Na altura precipitaram-se ao despedir o Jesualdo Ferreira, porque tinha todas as condições para criar um bom grupo e subir à primeira divisão. Ele era o Queiroz da minha geração, com uma grande história em selecções. É indiscutivelmente um dos treinadores em Portugal que mais percebem de futebol.

E o que acontece depois?
Estive dois anos parado e pedi ao Carlos Manuel para ir treinar ao Estoril, para ficar em forma e perder algum peso. Comecei a mostrar que ainda tinha espírito para aquilo e ele disse-me que podia ajudar o Estoril, que quase subiu (1994/95).

O Estoril voltou a surgir na sua vida.
Parece que o destino quis que acontecesse. A minha estreia profissional foi com o Estoril, em 1981/82 somos campeões contra o Estoril e, curiosamente, a minha estreia pelo Estoril é contra o Sporting, no jogo de inauguração da iluminação.

E como é defrontar o Sporting, mesmo que agora seja como director?
Tenho um grande carinho pelo Sporting mas já vejo as coisas de uma forma diferente. É óbvio que tem significado, mas o meu trabalho é o Estoril.

E custa ver as críticas dos sportinguistas ao famoso Estoril-Benfica que se jogou no Algarve?
Isso dava quase para outra entrevista. Não vale a pena estar a falar disso porque é passado. Houve algumas situações que em nada prestigiam o futebol. Mas pronto, as pessoas também sabem o que se passou.

E como vê o Sporting actualmente?
Sou uma pessoa atenta, mas a única preocupação é o Estoril. O Sporting está a passar por momentos difíceis e as pessoas que comandam têm de saber dar o devido valor ao futebol. Tem de se dar mais importância ao futebol e não perder tanto tempo noutros assuntos. E não se pode estar constantemente a fazer comparações com outros clubes, o Sporting tem de ter um projecto próprio, como se faz nas grandes equipas e nos grandes clubes.

Pensa voltar ao Sporting?
Não estou a pensar nisso. As pessoas têm de dar passos certos e estar preparadas para os vários desafios, e neste momento só penso no Estoril.

FONTE:
Rui Pedro Silva, jornal "i", 29 de Janeiro de 2011

"Expresso" diz que dinheiro de Braz vem de Angola

O "Expresso" deste sábado revela que o Sporting Clube de Portugal poderá ser comprado por capital angolano, no âmbito da candidatura-surpresa do empresário José Braz da Silva, que conta com o apoio de Agostinho Abade, um dirigente histórico do clube de Alvalade.

Fundo de 100 milhões para mudar o Sporting

O empresário José Braz da Silva está a criar um projecto para o Sporting que consiste na criação de um fundo de investimento privado de 100 milhões de euros para "salvar o clube da agonia" e contratar jogadores. Agostinho Abade, actual presidente do Conselho Fiscal dos leões, faz parte do projecto, como o próprio o confirmou ao DN. "O Sporting, como todas as empresas, tem ciclos e Braz da Silva pode ser um grande presidente. Ele faz-me lembrar João Rocha, para mim o melhor presidente até hoje", disse.
O projecto passa por duas fases. Na primeira, uma emissão privada de 50 milhões de euros, cada investidor terá de entrar com pelo menos um milhão. Depois, para atingir o dobro desse valor, os 100 milhões finais, haverá uma segunda emissão de participação mais baixas. "Para ser competitivo é preciso ter activos de qualidade. Por isso estamos a pesar um projecto credível e transparente que consiste em criar um fundo de 50 milhões, numa primeira fase, e mais 50 milhões já com o projecto em andamento a ser aberto a todos os sócios", explica o próprio ao DN. O projecto deverá ser anunciado para a semana.
Este sócio dá a cara pelo projecto inovador, mas não quer para já revelar quem está com ele. Nem se isso passa por uma candidatura à presidência do clube. O DN sabe que se trata de um grupo de empresários portugueses e angolanos, com negócios nos dois países, que são sportinguistas e pretendem investir no futebol. O objectivo é claro: "Obter liquidez para investir em jogadores." Sobre se o projecto é uma bandeira para a campanha eleitoral ou se é candidato à presidência do Sporting, Braz da Silva deixa tudo em aberto. "Tenho todas as condições para ser candidato. Sou sócio, adoro o Sporting e tenho uma vida profissional que me permite assumir um compromisso dessa natureza, mas ainda não é a altura certa para revelar isso. O que importa é o projecto, que pode ser a última ou uma das últimas oportunidades de devolver o equilíbrio financeiro ao clube", diz.
Braz da Silva tem uma certeza: "O presidente deve servir o clube, por amor, não pode é servir-se do clube e ser remunerado por algo que devia fazer por gosto." Assim, "não faz sentido pedir alguma coisa aos sócios sem oferecer algo primeiro", diz, justificando que o presidente "deve ser um subscritor do fundo". Além de contactos em Portugal e Angola, existem abordagens a empresários noutros países.
E que retorno esperam ter desse investimento? "O futebol é uma indústria e nós temos de o considerar como tal, só assim é possível potenciar um dos melhores e mais rentáveis produtos do País. Portugal faz mais dinheiro com a venda de jogadores do que com outro produto. Ganham os clubes, ganham os jogadores e ganha o Estado, com o pagamento de IVA e outros impostos", responde Braz da Silva, gestor da Finertec, empresa com interesses na área da energia em Angola, Cabo Verde e Portugal, que controla a Construtora do Tâmega. O gestor deu o exemplo de como o antigo Estádio José de Alvalade foi construído. "O clube entrou com 50 milhões provenientes das receitas e um grupo de 40 associados contribuiu com 1,2 milhões e ainda serviram de avaliadores para mais 50 milhões que o clube pediu aos bancos, e assim se fez o estádio."

FONTE:
"Diário de Notícias", 29-11-2011

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Rogério Alves e o projecto para o Sporting

"O que é importante neste momento, para o Sporting, é que as pessoas que têm mais responsabilidade no clube, que são muitas e nas quais me incluo, pensem colectivamente qual é o melhor projecto para que o clube tenha um futuro brilhante, como brilhante é o seu passado."

Rogério Alves, candidato a candidato à presidência do Sporting, "Record Online", 27-01-2011

Virgílio pede um rumo para o Sporting

Virgílio em acção, frente a Diamantino, na mítica goleada de 7-1 sobre o Benfica, em 14 de Dezembro de 1986

> > >

"Símbolo do Sporting? A sério?". Às vezes o entrevistador é que ouve as perguntas. Mas antes também tinha respondido com a total garantia dos números - um campeonato, duas Taças, duas Supertaças e 201 jogos depois, entre 1976 e 1988 (com três anos de empréstimo ao Famalicão), Virgílio é um símbolo. E, por isso, transporta uma cultura leonina "que não se perdeu mas anda adormecida". "Quem é do Sporting sabe o que é; quem não é, nunca perceberá". Do presente, o antigo médio (e lateral direito, e defesa-central, e líbero...) ressalva que "só quer deixar os homens trabalhar e evitar ruído exterior"; do passado, recorda a "fantástica época de 1981-82"; do futuro, só pede uma coisa: "que a nau tenha um rumo". "Até pode sofrer pequenos desvios pelas circunstâncias mas deve seguir sempre um caminho. Só isso reavivará o clube".

Mais de 20 anos depois, o que recorda da longa passagem pelo Sporting?
É uma parte fundamental da minha vida. Tenho dúvidas se era primeira ou segunda casa, pelo tempo que lá passava... Fiz amigos, tive alegrias, tristezas, trabalhei com pessoas que respeito. Ah, saudades...

Qual é o episódio mais marcante que guarda? Ou, no estilo "i", o episódio mais caricato que passou em tantas épocas?
Eh pá, nunca me lembro. Mas basta estar com os outros e é só histórias, algumas impublicáveis. Há uma recordação marcante - 1981-82, quando regressei e ganhámos tudo. Era das melhores equipas da Europa, foi tudo bem feito, trabalhado e havia uma grande amizade entre todos.

E Oliveira-Jordão-Manuel Fernandes.
Tem graça - um dia destes, puseram uma fotografia nossa num fórum do Sporting. O primeiro comentário destacava o ataque; o segundo, o meio-campo [Virgílio, Ademar e Nogueira]; o terceiro, a defesa [Barão, Carlos Xavier, Eurico e Mário Jorge]. Assim se prova que era um conjunto de individualidades bom mas que formava uma grande equipa. E quando era para trabalhar, era mesmo a sério.

E como vê hoje o futuro do Sporting?
É motivo de preocupação: foram-se destruindo os alicerces do edifício que alberga o futebol e agora por mínimo que seja o sopro tudo abana. Não existem nomes providenciais para mudar, interessa mesmo é reconstruir esses alicerces de forma firme, segura, como já chegou a ser.

Acha que o clube perdeu identidade?
Todos os clubes têm uma identidade própria. O Sporting tem! Pode estar diluída mas deve ser reavivada, tendo outra vez um futebol à Sporting. O que é isso? Não consigo bem explicar. Quem não é sportinguista não entende. Não se deve pensar no que os adeptos podem fazer pelo clube mas sim exactamente o contrário.

Como - a pergunta que todos fazem?
O Sporting tem três milhões de adeptos espalhados pelo mundo mas o sentimento está adormecido. E isso não tem nada a ver com populismos - o Sporting tem uma história riquíssima, a obrigação não deve ser falar do passado mas sim acrescentar algo mais. E isso ainda é possível.

Foi uma das várias pessoas contactadas por José Eduardo para o projecto desenvolvido para o futebol do clube. Acredita que pode acrescentar algo?
Foram muitas pessoas e muito trabalho - logo, a resposta está na pergunta. Conheço o José Eduardo há muitos anos, tem um conhecimento profundo do Sporting e, quando se mete num projecto assim, tenta chegar à perfeição. Desta conjugação de saberes, experiência, sportinguismo sairá um trabalho meritório. É importante colocar as pessoas a discutir sobre o clube, contribuindo com ideias. E não é o papel, cor ou a letra que devem interferir de falar do essencial: o conteúdo.

Portanto, acredita nesta "Bíblia"...
Prefiro chamar-lhe matriz de processos e boas práticas. Ideia: depois de ser traçado um rumo consolidado e sério, mantê-lo. Sem isso, não é possível gerir o futebol do Sporting com estabilidade. E olhe que o futebol não é tão subjectivo como se diz por aí... Se sair daqui e for para o Brasil, até posso fazer pequenos desvios por algumas circunstâncias mas a manter o rumo, sem alterar a rota. Caso contrário, ainda vou parar à África do Sul...

FONTE: Bruno Roseiro, jornal "i", 27-01- 2011

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Zapater surpreendido consigo próprio

"Isto nunca me tinha acontecido. Marcar quatro golos em dois jogos é algo que não consigo explicar. Dizem que a sorte é para quem trabalha, mas também para quem a busca."

Zapater, médio espanhol do Sporting, contratado no último Verão ao Génova, envolvido na transferência de Miguel Veloso para o clube italiano, "A Bola Online", 25-01-2011

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Parlamento: 25% dos deputados são do Sporting

Em 230, 68 são do Benfica,
59 do Sporting e 41 do FC Porto

O dia das presidenciais gelou as movimentações no universo leonino. E percebe-se: até em termos práticos, o Sporting tem variados interesses na política. Exemplos: Palha da Silva, o vice-presidente do Conselho Directivo demissionário, é director de campanha de Cavaco Silva; alguns deputados, como Pedro Lynce ou Miguel Frasquilho, fazem parte do Conselho Leonino que caiu na quarta-feira; e Luís Campos Ferreira, do PSD, eleito por Viana do Castelo, chegou a ser falado como possibilidade para a presidência dos leões. Aliás, se há sítio onde o clube não está muito atrás do rival Benfica (e até fica à frente do FC Porto) é na Assembleia da República - 59 dos actuais deputados são adeptos do Sporting (que só não tem representantes na Madeira e em Vila Real, ganhando na bancada parlamentar do PSD) contra 68 das águias e 41 dos dragões. Mas, agora que se virou a página da Presidência da República (por cinco anos, porque as maiorias, de 90% ou menos, não caem ano e meio depois), já existe nova eleição no horizonte. A do Sporting. Com o problema de não haver ainda qualquer candidato.
A nível de sondagens internas, podem retirar-se conclusões após esta primeira semana pré-eleições: Rogério Alves e Godinho Lopes surgem como uma espécie de Cavaco Silva e Manuel Alegre (um é do Olhanense, outro do Benfica), embora não devam existir grandes hipóteses de vitórias na volta inaugural. O primeiro, líder da assembleia geral da SAD leonina, é um candidato natural à sucessão de José Eduardo Bettencourt e conseguiu, em poucos dias, tornar-se no alvo a abater nas urnas por todos os restantes interessados; o segundo, antigo vice-presidente de Dias da Cunha e "pai" das grandes infraestruturas recentes (novo estádio e Academia), tem reúnido apoios até entre alguns dos actuais órgãos sociais e procura a ajuda de outros senadores, como Luís Duque. Um, outro ou os dois terão a benção dos grandes partidos.
E, acreditando que listas com um peso menor podem surgir - como Zeferino Boal, que se arriscava a estar entre Defensor de Moura, do Vianense, e o madeirense José Manuel Coelho -, o interessante é mesmo atentar na terceira grande força que está a nascer em forma de movimento, seja ela liderada por João Rocha Jr., alguém próximo do filho do antigo presidente ou outro nome que pudesse beneficiar do interesse crescente de uma ala que têm intenção de romper com o passado. No fundo, como Fernando Nobre, num projecto completamente apartidário mas não apolítico. Afinal, Sporting e política chegam mesmo a confundir-se. Outro exemplo? "Haverá alguém disponível para resolver problemas e fortalecer o clube mas, numa fase ou outra, posso colaborar", disse Rui Barreiro. Quem? O secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural.

Obs. - Título e destaque da responsabilidade do LEÃO DA ESTRELA

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Sporting à campeão no Funchal

O Sporting venceu o Maritímo por 3-0, no Funchal, e confirmou que, com o presidente José Eduardo Bettencourt demissionário, tem sido mais fácil ganhar por números claros. Depois da goleada (4-0) sobre o Penafiel para a Taça da Liga, em Alvalade, a equipa de Paulo Sérgio marcou três golos sem resposta ao Marítimo, treinado pelo antigo médio leonino Pedro Martins. Em dois jogos, sete golos marcados e nenhum sofrido.
No Funchal, num jogo que não foi fácil, pois a equipa madeirense discutiu-o até onde pôde, a equipa sportinguista, que já perdeu tantos pontos que agora luta pela terceiro lugar como quem luta pela vitória no campeonato, teve um desempenho à campeão. Sofreu, soube sofrer e matou o jogo nos momentos certos.
Rui Patrício, que fez a sua estreia na Liga Portuguesa precisamente no Estádio dos Barreiros, em 2006-2007, numa noite em que garantiu a vitória defendendo uma grande penalidade, confirmou que é um dos melhores guarda-redes portugueses e que está num excelente momento de forma.
O médio espanhol Zapater, que marcou os dois primeiros golos da equipa, está a revelar dotes de goleador nunca vistos. Somou dois golos aos dois que tinha marcado ao Penafiel, saindo do Estádio dos Barreiros com a etiqueta de um dos melhores em campo. Um autêntico reforço de Janeiro. É um reforço bem preciso, para que o Sporting termine a temporda com dignidade.
Ah! E o "genovês" Miguel Veloso, que saiu em troca com Zapater, o que é feito de Miguel Veloso? Enquanto a bola for redonda o futebol vai continuar a pregar-nos muitas partidas... FOTO: Gregório Cunha (AFP/Getty Images)

sábado, 22 de janeiro de 2011

Eleições no Sporting deveriam ser a 13 de Maio...

(...) Estive a ler, com atenção, o velho projecto Roquette; li as maiúsculas e as minúsculas (é quase tudo maiúsculas porque foi feito para o nosso estimado e mui prezado ex-ex-ex-ex-presidente ler); e não há nenhuma referência ao período da bambochata. No documento, diz que o Sporting vai ser campeão, e uma das grandes cinco equipas europeias do próximos século, mas não diz lá nada sobre o clube passar a pertencer ao Millennium. Temo que, a qualquer momento, o lema do Sporting passe de "Esforço, Dedicação, Devoção e Glória" para "Quem sabe, sabe, e o SCP é que sabe".
Sempre desconfiei que o projecto Roquette era uma forma do velho se vingar e deixar três milhões de pessoas com os olhos esbugalhados. Neste momento, não desejo um 25 Abril no Sporting; quanto mais não seja porque ainda lá estão o Costinha e o Paulo Sérgio e o 25 Abril foi uma revolução sem sangue; mas estranho que as eleições não sejam marcadas para 13 de Maio. Fazia mais sentido, uma vez que o que se está a preparar é mais uma aparição estrambólica de um enviado do Espírito Santo e os sócios a fazer figura de pastores.
Nos últimos anos o meu clube andou a fazer alianças com o Manchester United, o Manchester City e o Porto, talvez tenha chegado a altura de ter um presidente capaz de se aliar ao Sporting.
Posto isto, quero deixar claro que prefiro Carmen Miranda a Rogério Alves e que 100% de mim prefere o Valentim Loureiro ao Rui Oliveira e Costa; e peço encarecidamente a alguém que empurre o Dias Ferreira de uma escada, antes que ele tenha ideias! Confesso que estou tão farto do meu clube que por vezes tenho vontade de torcer pelo Sistema. (...)

João Quadros, humorista, adepto do Sporting, "Jornal de Negócios", 21-01-2011

Ricciardi disse gostava de ser presidente do SCP

José Maria Espírito Santo Ricciardi é vice-presidente demissionario do Conselho Fiscal e Disciplinar do Sporting Clube de Portugal e presidente do BES Investimento. É um dos homens-fortes do BES no clube de Alvalade e foi o arquitecto da candidatura de José Eduardo Bettencourt, há 18 meses, que a linhagem da continuidade teve muitas dificuldades para parir, ao ponto de a Sporting SAD, no relatório de gestão da empresa 2009-2010, ter criticado as "eleições tardias" de 2009.
Ricciardi é também accionista da Sporting SAD, com 12 mil acções. Afirma que cresceu a admirar Yazalde e que celebrou a vitória de 7-1 sobre o Benfica, a maior alegria que o Sporting lhe deu, nos idos anos da década de 1980.
Em entrevista recente ao "Diário Económico" (18-09-2009), não expressou uma palavra sobre a gestão de Bettencourt e revelou que ambiciona ocupar-lhe o lugar: "Gostava muito de ser presidente do Sporting". Eis José Maria Ricciardi em discurso directo:

"[Yazalde foi] garantidamente, um dos melhores avançados que o Sporting teve."

"[O maior desgosto foi] a derrota de 6-3 frente ao Benfica, em Alvalade, na altura em que o clube tinha uma das suas melhores equipas."

"[Comprar acções do Sporting] é um investimento da razão. Acho que consigo recuperar o investimento realizado entre 1995 e 2000. Penso que comprei as acções na altura da gestão do dr. José Roquette. São 12 mil e são as únicas que tenho. Como presidente de um banco de investimento resolvi não ter outro tipo de acções que não essas e as do BES."

"O Sporting pode transformar a SAD numa entidade rentável e lucrativa. Para isso é necessária a reestruturação financeira, entretanto aprovada, que prevê a redução do endividamento e a emissão de VMOC. A reestruturação irá capitalizar a SAD e a dívida estará mais adequada ao 'cash-flow' gerado pelo clube. Apenas lamento que o processo tenha sido demasiado moroso."

"Já tinha confessado que gostava muito de ser presidente. Neste momento, não é conciliável com a carreira profissional na área financeira. Para mim e para qualquer sportinguista seria uma enorme honra poder ocupar um cargo com essa importância."

"O Sporting está absolutamente dotado de jogadores e treinador para poder disputar o título e é um dos candidatos ao título deste ano."

José Maria Ricciardi, "Diário Económico", 18-09-2010

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Academia do Sporting no Oriente

A Sporting SAD celebrou um acordo de parceria para exploração e desenvolvimento da Academia Sporting na República Popular da China e na Região Administrativa Especial de Macau, no âmbito da sua estratégia de internacionalização, anunciou hoje o clube.
O acordo, celebrado com “parceiros locais de origem portuguesa, entre os quais uma instituição financeira”, prevê estabelecer “uma rede de escolas Academia Sporting e, a médio prazo, a possibilidade de vir mesmo a criar uma academia de futebol” em Macau, “à imagem das academias Sporting em Alcochete e em Bloemfontein, África do Sul”.
Para Diogo Matos, director de Projectos Desportivos da Academia Sporting e responsável pela área da internacionalização, “o mercado asiático constitui-se como uma clara prioridade na estratégia de expansão, quer pela sua dimensão, quer pelo seu poder económico, quer ainda pelo potencial de desenvolvimento de projetos ligados à formação. Nesse sentido, Macau, por razões óbvias, assume-se como uma plataforma privilegiada para a exploração de oportunidades de negócio nessa zona do globo”.
O clube esclareceu ainda que tem “prestes a arrancar” projectos no Brasil, Estados Unidos, Irão e Índia, sem esquecer Angola e Moçambique, “onde existem já contactos avançados para a exploração de eventuais oportunidades de desenvolvimento” de planos daquela natureza, afigurando-se assim 2011 “como o ano da plena afirmação do projecto de internacionalização da Academia Sporting”.

FONTE: Agência Lusa, 21-01-2011

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

João Rocha versus José Roquette

A guerra entre antigos líderes
do Sporting cruza gerações

Zangam-se as comadres, sabem-se verdades. E um desses duelos, quiçá o maior, está a dividir o eleitorado do Sporting, um clube desportivo com uma estranha tendência: em fases mais conturbadas, transforma-se quase num partido político com futebol e umas quantas modalidades. Hoje, quando a equipa entrar em campo, haverá duas horas de tréguas no pensamento - é um jogo para a Taça da Liga, com o Penafiel, mas é a camisola verde e branca em campo. Antes e depois continuarão os encontros (mais ou menos secretos), as ceias, os jantares, os emails, os telefonemas. E, sobretudo, uma divisão clara que se formou entre os fiéis do projecto Roquette e a vaga por um clube à imagem do que foi nas décadas de 70 ou 80, com João Rocha. Quem for por um é contra o outro: não há alternativa. Afinal, esta é apenas a maior das muitas guerras entre antigos líderes.
Dias da Cunha e Soares Franco tiveram duras trocas de palavras; Franco nunca gostou da forma como, quase do nada, Bettencourt avançou; Jorge Gonçalves e Sousa Cintra registaram episódios quase pitorescos entre ambos. Depois, no plano mais alto desta espécie de "regra", estão Rocha e Roquette. A ponto de, ainda hoje, decorrer um processo por difamação movido pelo segundo ao primeiro, após uma entrevista em que o presidente com mais mandatos acusou o "pai" da SAD de ter feito operações ilegais quando vendeu a sua posição no banco Totta, de ter liquidado o futuro do Sporting e de ter tentado fazer um acordo secreto com o FC Porto para dividir o poder no futebol português. Por isso, e numa altura particularmente difícil da vida dos leões, nasceu o movimento "João Rocha Jr. para a presidência" no Facebook, que tem mais de 5 mil seguidores. Sim, é verdade, estas guerras já saltaram uma geração e, agora, é um filho do ex-líder (ou alguém próximo) que pode avançar.
Passado Eduardo Fortunato de Almeida, sócio há 25 anos, foi o mentor de um movimento que, no domínio público, não quer ir contra ninguém. Mas vai porque qualquer que seja a figura em sufrágio, existe o objectivo de fazer regressar o velho espírito leonino das décadas de 70 e 80, com estádios cheios, romarias nos jogos fora e uma Juventude Leonina cada vez mais forte (parou neste ponto? Tem uma explicação: os filhos de João Rocha foram fundadores da primeira e maior claque de um clube português, em 1976).
E o que foi então a era Rocha? Em resumo, um período em que o clube ganhou 1210 títulos (três campeonatos e outras tantas Taças no futebol), em que tinha mais de 100 mil sócios (106 954) e um dia-a-dia cheio de vitalidade - as bancadas de Alvalade foram acabadas, nasceram os pavilhões, a pista de tartan, o centro de estágio, etc. Claro, teve pontos negativos como as constantes precipitações no departamento de futebol ou os despedimentos de treinadores, mas há (e não são assim tão poucos) quem queira voltar ao passado.
Em 1996 entra José Roquette, neto de José Alvalade. Rocha não conseguira implementar o primeiro projecto de clube-empresa (Sociedade de Construções e Planeamento) por causa do 25 de Abril, mas o economista fez nascer a SAD para promover um 25 de Abril no Sporting. Este era um ponto de um projecto que queria profissionalizar a gestão, regularizar dívidas ao fisco e à Segurança Social; criar um estádio e uma Academia; e tornar o clube independente em termos financeiros dos resultados desportivos. Em muitos pontos, falhou. Como no estádio, que deveria custar 75 milhões de euros e não dar passivo (entre governo, accionistas fundadores e venda de património estaria pago) em vez de ser o maior problema ainda hoje. Mas há (e não são assim tão poucos) quem queira isso para o presente.
Qualquer candidato que avance e responda à grande questão - revê-se no estilo João Rocha ou no projecto Roquette? - sabe que vai ganhar ou perder muitos apoiantes. É tempo para uma revolução (os mais moderados chamam-lhe renovação). E todos, de qualquer facção, querem isso para o futuro leonino.

FONTE: Bruno Roseiro (texto) e Gonçalo Lobo Pinheiro (foto), jornal "i", 20-01-2011

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

João Rocha Jr.

João Rocha Jr. é apenas o filho de João Rocha, que foi um dos melhores presidentes do Sporting Clube de Portugal em 105 anos de história gloriosa. Ou talvez o melhor. No entanto, tal como acontece nas empresas, a capacidade de gerir um clube desportivo também não se transmite pelo sangue. Gostaria muito de estar enganado, mas, ao que parece, João Rocha Jr. não passa de um nome. Um nome tão forte que, 25 anos depois, ainda mobiliza os sportinguistas. O que, diga-se, é um sinal mais do que evidente da orfandade da família sportinguista. Para a geração de dirigentes do "Projecto Roquette", é absolutamente vergonhoso!...

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Yazalde, a independência do Sporting

Craque argentino chegou
a Lisboa faz hoje 40 anos


Um, dois, três, quatro, cinco, seis. O Benfica estica-se no número de jogadores argentinos, mas todos juntos não conseguem marcar tantos golos (nem metade...) como Chirola. Mas quem é este?
Um, dois, três, quatro, cinco, seis... E golo! Hector Yazalde só demorou seis minutos a encontrar o caminho da baliza para se estrear a marcar pelo Sporting, nos 4-1 ao Boavista, para o campeonato nacional. É "defeito" de argentino, senão veja-se os casos de Caniggia (Benfica 94/95) e Fandiño (FC Porto 48/49), só para citar os grandes, que também marcaram na estreia pelos respectivos clubes.
Faz hoje 40 anos que o Sporting contratou Yazalde, um dos melhores avançados que passaram por Portugal. Em apenas quatro épocas de leão ao peito, Chirola pulverizou recordes, alguns inéditos (primeiro sportinguista a ganhar a Bota de Ouro, em 1974, e primeiro jogador estrangeiro de uma equipa portuguesa a participar num Mundial, no mesmo ano de 74), outros imbatíveis (46 golos num só campeonato). Foi há portanto 40 anos que Abraão Sorin, vice-presidente do Sporting, viajou de São Paulo, onde estava de férias, em direcção a Buenos Aires para fechar o negócio. Na altura com 25 anos, Yazalde era jogador do Independiente e fora ele quem garantira o título argentino de 1970, razão pela qual havia uma série de convites (Santos, Palmeiras, Valencia, Lyon, Nacional Montevideu e Boca Juniors).
Apercebendo-se do seu valor, o Sporting ofereceu-lhe 4200 contos, valor correspondente a um fora de série, justamente para lhe garantir o interesse imediato e dar-lhe a volta à cabeça. Com Sorin na capital argentina e a vontade de Yazalde em jogar no Sporting, o único problema era o entendimento entre jogador e clube. Yazalde queria receber 20% do total da transferência e o Independiente não estava para aí virado. Um toque aqui, outro ali e umas horas fechados num escritório resolveram o impasse a bem, a troco de 3500 contos. Com o dinheiro, Yazalde mandou construir uma vivenda em Buenos Aires para os pais e só depois de escolhido o local da empreitada é que viajou para Lisboa, onde chegou a 11 de Fevereiro. De cá, só saiu no Verão de 1975, vendido por 12.500 contos para o Marselha, quando o Real Madrid oferecera 27 mil contos no ano anterior.
No Sporting, Yazalde ganhou um campeonato (73/74), duas Taças de Portugal (72/73 e 73/74), duas Botas de Prata como melhor marcador do campeonato nacional (46 golos em 73/74 e 30 em 75/76), uma Bota de Ouro como melhor marcador da Europa (73/74) e outra de Prata como segundo melhor da Europa (75/76). No plano social, também criou raízes em Portugal, ao casar-se em Lisboa com a actriz/modelo portuguesa Carmizé, com quem formou um dos casais mais badalados da altura, e de quem teve dois filhos.
E imaginar que Yazalde, nascido num bairro pobre de Buenos Aires com mais sete irmãos, só queria ser médico e jogar futebol no Boca Juniors. Nunca cumpriu esses sonhos mas, em alternativa, fez sonhar todos aqueles que o viram jogar, que sempre o elogiaram pela capacidade de encaixe e extremo fair-play na hora das duras faltas dos adversários. Yazalde morreu em Junho de 1997, com 51 anos, vítima de cirrose hepática, mas continua a ser um dos jogadores mais completos no mundo fantasioso do PES (Pro Evolution Soccer). Na parte dos clássicos, lá está Chirola com 95 (de 0 a 100) na pontaria à baliza, 92 de cabeça, 90 na técnica do remate, 86 na execução do drible, 85 na potência do remate, 83 na stamina e 80 no trabalho de equipa.

FONTE: Rui Tovar, jornal "i", 18-01-2011

Acabou. O Sporting é mesmo dos bancos

BES e BCP compraram
VMOC's na semana passada


O BES e o BCP podem ficar com a maioria do capital da SAD dentro de cinco anos, mas o clube não perderá o controlo estratégico da sociedade uma vez que possui 8,79 por cento de ações especiais.
No âmbito do processo de reestruturação financeira do Sporting, os dois bancos adquiriram na semana passada 99,7 por cento dos 55 milhões de euros em VMOC (valores mobiliários obrigatoriamente convertíveis em ações), porque a procura pelos particulares se ficou pelos 0,3 por cento.
Um especialista em gestão financeira conhecedor do processo, que pediu o anonimato, disse à agência Lusa que “58 por cento do capital da SAD ficará nas mãos dos bancos” dentro de cinco anos se o Sporting entretanto não exercer a “call option” (opção de compra) sobre aqueles valores.
O facto de a banca eventualmente ficar com a maioria do capital não quer, no entanto, dizer que o clube perca o controlo sobre a SAD, porque, como recordou o mesmo especialista, “o Sporting ainda detém 8,79 de ações com direito de veto”, as quais “asseguram o controlo estratégico” da sociedade.
O clube tinha 16,333 por cento de ações especiais, mas a percentagem foi reduzida para 8,79 na sequência da "operação harmónio", que consistiu numa primeira redução do capital social da SAD de 42 para 21 milhões de euros, seguida de um aumento de capital de 18 milhões - apenas com ações do tipo B, sem direitos especiais -, para um total de 39 milhões de euros.
A alternativa ao exercício da “call option” é o Sporting acompanhar um eventual aumento de capital através da cedência em espécie dos direitos de superfície do Estádio José de Alvalade, que, de acordo com a mesma fonte, “estará avaliado entre os 15 e os 18 milhões de euros”.
Contudo, o prospeto da operação faz referência à possibilidade de, “por opção do titular” dos VMOC (os bancos), haver um vencimento antecipado, com a conversão dos valores em ações da Sporting SAD, “a partir do final do segundo ano”, hipótese em que não haveria lugar ao pagamento de juros vincendos.

FONTE: Agência Lusa, 18-01-2011

Mercado quer revolução no Sporting

"O facto de as acções do Sporting terem tido, após o anúncio da demissão de Bettencourt, a maior subida dos últimos oito meses, sugere que os investidores, tal como os sócios, querem uma revolução na gestão e um ‘tsunami' na equipa de futebol. Será, todavia, tudo isto possível sem um mecenas caído do céu?"

"Muita coisa tem de mudar em Alvalade. E muitos mais riscos têm de ser assumidos para resgatar o Sporting do processo em curso de ‘gatificação' do leão."

Miguel Coutinho, jornalista, "Diário Económico", 18-01-2011

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Bettencourt promete dar "o máximo"

José Eduardo Bettencourt vai continuar em funções na presidência do Sporting até finais de Fevereiro. "Mantenho-me em funções até ao final de Fevereiro, como está previsto. E darei o meu máximo em prol do Sporting. Como é obrigatório", disse, nesta segunda-feira, o 40º presidente da história do Sporting, que está demissionário. A confirmar-se a prometida dedicação ao clube, os sportinguistas têm fortes razões para estarem preocupados... FOTO: "Record" - Arquivo

O BES e a estratégia do ziguezague leonino

Há um ano, tinha José Eduardo Bettencourt seis meses de presidência do Sporting Clube de Portugal, o clube de Alvalade, absolutamente em contramão face aos tempos difíceis da economia portuguesa e mundial, interrompeu anos e anos de poupança. No espaço de uma semana, Bettencourt anunciou as contratações do português João Pereira – que até foi apresentado pela Juventude Leonina… – e Sinama-Pongolle (um avançado francês cujo primeiro golo em Portugal foi na própria baliza leonina…), num investimento de 9,5 milhões de euros. Quase metade daquilo que o clube paga por todo o futebol numa temporada.
Não havia memória de, em Alvalade, se abrir desta forma os cordões à bolsa. E dizia-se, na altura, que a fúria de investimento na equipa de futebol não ficaria por ali, o que significaria uma mudança radical de modelo de negócio do futebol português em muito tempo. E a verdade é que, no ano seguinte, houve dinheiro para oferecer ao veterano Maniche um dos contratos mais altos do plantel...
Os maus resultados desportivos da primeira metade da época 2009-2010 foram, com toda a certeza, a razão desta fúria consumista que, de repente, se viveu em Alvalade. Porém, o tempo confirmou que estávamos perante medidas irracionais ou de uma fuga para a frente que ainda está a ser paga, quando todos os indicadores económicos aconselhavam a moderação.
Há um ano, Paulo Bento já tinha sido substituído por Carlos Carvalhal e Ricardo Sá Pinto ainda mandava no futebol, pois este ainda não tinha andado à bofetada com Liedson. Mas Jorge Mendes já mandava em Alvalade. De tal modo que chegou, na altura, a oferecer Costinha ao meio-campo leonino, tendo a proposta sido vetada por Carvalhal. Na altura, a história foi contada e ninguém a desmentiu. José Eduardo Bettencourt seguiu de férias para o Brasil e, no regresso, prometeu um “Sporting muito forte”. Até que a época ficou comprometida de vez.
Este ano, o filme desportivo está a repetir-se. Antes de se demitir, José Eduardo Bettencourt resolveu a magna questão da reestruturação financeira – o que interessa aos bancos e não ao clube – e, no plano dirigente, deixou ficar Costinha próximo do balneário e contratou o antigo treinador do FC Porto José Couceiro, que tem sido portador de uma estratégia diferente no que concerne à gestão desportiva. Diz Couceiro, e muito acertadamente, que o Sporting tem de se virar para os talentos da sua formação. E de repente, todos os jogadores que mexem, que estão ou que estiveram na formação do Sporting, interessam para reforçar a equipa de futebol. O que é lamentável é que o Sporting esteja entregue a esta gente que não sabe o que quer, sendo, por isso, um clube tão mal dirigido. E estamos a falar de gestores previamente caucionados pelo Banco Espírito Santo do sportinguista Ricardo Salgado (cujo sportinguismo, que se saiba, nunca deu nada ao clube). A gestão de Bettencourt, é preciso lembrar, foi inventada pelo BES. Com os resultados que se viram. Porque não há estratégia, a não ser pôr a trabalhar a máquina registadora das dívidas à banca.
Em apenas um ano e meio, o Sporting já passou pela fase “Paulo Bento forever”, pela fase “Jorge Mendes sempre; Formação nunca mais”, para voltar agora à fase “A Formação é tudo”. É a estratégia do ziguezague. Assim, não admira que o clube esteja falido. Como não admira que esteja a perder terreno para FC Porto e Benfica.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Acabou o património. Vamos ao futebol!...

Desde que me conheço como sportinguista, estava João Rocha na presidência do Sporting Clube de Portugal, nas décadas de 1970 e 1980, sempre se falou muito do património imobiliário do clube. É estranho, mas do Benfica e do FC Porto só ouço falar de jogadores, de treinadores, de golos e de títulos. Nunca ouvi falar do património do Benfica ou do património do FC Porto. Sei que eles têm estádio, têm pavilhão e têm academia. Não sei se têm património. Já o património do Sporting é sempre tema de conversa quando se fala da crise do clube. Josão Rocha sonhou com uma cidade desportiva e José Roquette, 20 anos mais tarde, planeou um novo estádio e a academia. Não fez o pavilhão, ao contrário de Luís Filipe Vieira e Pinto da Costa. Mas sobrou terreno, o do antigo estádio (criminosamente demolido com o acordo dos sócios), e, claro, mais investimentos imobiliários na zona envolvente ao novo estádio para gerarem receitas que fortalecessem a equipa de futebol. O que nunca aconteceu. O dinheiro nunca apareceu para fazer do Sporting uma equipa de futebol com dimensão europeia. O clube, aliás, está há anos a apertar o cinto.
Agora, em 18 meses, José Eduardo Bettencourt, enunciando o propósito de tornar o clube governável, desbaratou o que restava do património. O Sporting Clube de Portugal não é dono da academia, nem do estádio. Não tem pavilhão. E tem uma SAD falida.
Donde, sem património, sem o tal património imobiliário que tem gerado tantos apetites leoninos, talvez agora o Sporting esteja em condições de começar a pensar no futebol, ou melhor, numa grande equipa de futebol, de dimensão europeia, como sonhou José de Alvalade, há mais de 100 anos.
Na verdade, o mal do Sporting têm sido interesses, vaidades e vinganças pessoais e negociatas que nada têm a ver com a missão desportiva da instituição. Oxalá esta crise acabe por limpar de Alvalade os patos-bravos que acabaram com o património. O grande património, afinal, não é de betão: são os adeptos, de Norte a Sul do País, e espalhados pelo estrangeiro. O grande património são os atletas, as vitórias e os títulos. O grande património é a marca Sporting, conhecida em todo o País e no estrangeiro. Por isso, agora que o património acabou, vamos ao futebol!...

Crise no Sporting: por uma Comissão de Gestão

O melhor para o futuro do Sporting Clube de Portugal seria parar para pensar. A melhor solução passaria pela nomeação de uma comissão de gestão, que incluisse elementos das duas listas que se candidataram às eleições de 2009, eventualmente com uma distribuição de nomes que reflectisse os resultados eleitorais. A missão dessa Comissão de Gestão, prevista nos estatutos do clube, seria prosseguir a gestão corrente do clube e preparar o processo eleitoral num período de 90 dias. Seria o melhor caminho para encontrar uma solução consensual, que se impõe, em função da gravidade da situação financeira e desportiva que afecta o Sporting. O clube, que, como bem sublinha Paulo Pereira Cristóvão, "está hoje muito mais pobre" do que há 18 meses, quando José Eduardo Bettencourt ganhou as eleições, precisa de uma solução bem pensada e, sobretudo, ajudada por todos. Alvalade não pode acolher mais aventureiros.

Bettencourt: um desastre anunciado

José Eduardo Bettencourt é apenas mais um entre os vários dirigentes da chamada “linha de Roquette” que nos últimos anos não conseguiram evitar que o Sporting fosse atirado para a pré-falência, ao terem partido de um défice de 30 milhões de euros, em 1995, que já disparou até 360 milhões (na versão conhecedora de Bettencourt).
Neste tempo, o “Projecto Roquette” construiu um estádio, mas hoje o Sporting deve quase três. Fez a Alvaláxia – prometida como um centro comercial moderno que seria a grande alavanca potenciadora de uma gestão de sucesso do estádio – mas acabou por vendê-la ao desbarato por não ter sabido geri-la. Prometeu um pavilhão e não o fez. Vendeu património imobiliário. Teve uma fábrica de talentos que produziu e vendeu, umas vezes bem, outras vezes mal, atletas como Simão Sabrosa, Hugo Viana, Cristiano Ronaldo, Ricardo Quaresma, Nani… Para além de ter negociado saídas de jogadores como Naybet, Amunike, Sá Pinto, Delfim, Aldo Duscher, Custódio, Joseph Enakarhire, Deivid…
Nestes 14 anos, o Sporting não soube rendibilizar devidamente jogadores como Nuno Valente, Caneira, Peixe, Dani, Beto, Porfírio, José Dominguez, Paíto, Toñito, Rodrigo Tello, Danny, Lourenço, Silvestre Varela, Tinga, Beto (guarda-redes), entre outros. Isto sem falar das caríssimas estrelas sul-americanas que enganaram tudo e todos nos loucos tempos de Norton de Matos. Foi por essa altura que Dias Ferreira – agora candidato a presidir à assembleia geral – patrocinou uma acção judicial contra o Sporting, em representação de Carlos Queirós, que rendeu uma verba considerável ao actual seleccionador nacional. E sem falar na frustrada aposta na prospecção internacional de jovens talentos, mais actual, que só resultou em fracassos: Yannick Pupo, Alison Almeida, Luiz Paez e Ronny, que não se afirma na equipa principal…
É a má gestão dos recursos humanos de que fala Jorge Sampaio, sendo motivo de profunda reflexão o facto de o Sporting não saber explorar ao máximo as suas potencialidades próprias, não obstante ter sido servido por tanta gente ilustre e conhecida da banca e da gestão. Tudo isto, deu resultados desportivos abaixo das expectativas. Dois campeonatos (um em cada sete anos), 3 Taças de Portugal e 5 Supertaças.
Agora, Bettencourt, que até já berra frases como “Até os comemos!”, fala em implantar em Alvalade “o modelo do FC Porto”, sem calcular como isso representa uma crítica forte ao que tem sido feito até agora no futebol do Sporting, pondo em causa o próprio Paulo Bento como treinador da equipa, não se percebendo, portanto, porque escolhe o mesmo treinador para um ciclo que apresenta como totalmente novo em relação ao passado recente. Por outro lado, está a dizer aos sportinguistas que, com Bettencourt na presidência, a subserviência face ao poder do Norte vai continuar. E a prová-lo até já disse que Pinto da Costa daria um bom presidente da Liga de Clubes.
Lá entre as duas margens do rio Douro, de onde em tempos passava a ponte rumo ao Sul e já estava a perder (enquanto hoje passa a ponte para trabalhar para os títulos em Vila Nova de Gaia), Pinto da Costa deve dar gargalhadas de contentamento, só em pensar na hipótese de o Sporting continuar a ser dirigido pelos bons rapazes do costume que, incapazes de derrotá-lo por qualquer dos meios disponíveis, querem agora imitá-lo, como quem se junta aos bons para ser como eles. Só que isso significa vender o esforço, a dedicação, a devoção e glória do Sporting a um preço muito abaixo do seu valor no mercado. Como tem acontecido nos últimos anos. A troco de umas taças e do crónico segundo lugar.
Um Sporting como está é o que interessa ao FC Porto, como esclareceu o portista Rui Moreira no programa "Trio de Ataque" (RTP) e é também o que interessa ao Benfica, como demonstra a azia do benfiquista José Manuel Delgado, de "A Bola", ao dissertar sobre um alegado "não" de Eriksson ao candidato Paulo Cristóvão. Como se Eriksson pudesse andar por aí a dizer que vai para o Sporting sem saber quem vai ganhar as eleições...

[Texto publicado pelo LEÃO DA ESTRELA @ 03.06.2009]

sábado, 15 de janeiro de 2011

José Eduardo Bettencourt demite-se!

"O melhor para a vida do Sporting Clube de Portugal é que eu deixe de ser presidente deste grande clube", afirmou há momentos José Eduardo Bettencourt, em Alvalade. O Sporting perdeu hoje por 3-2 com o Paços de Ferreira. Pode ficar a 8 pontos do segundo lugar, caso o Benfica vença o seu jogo.

Levanta-te. Tu és o Sporting!...

Por respeito à história gloriosa do Sporting Clube de Portugal, o blogue LEÃO DA ESTRELA não vai escrever nada sobre o jogo Sporting-Paços de Ferreira, disputado hoje, em Alvalade, a contar para a 16ª jornada da I Liga Portuguesa 2010-2011.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Salomão salta do banco para dar a vitória

Não sei o que é que Paulo Sérgio faz durante a semana quando treina o plantel do Sporting Clube de Portugal. O Sporting venceu o Sporting de Braga em Alvalade, por 2-1, um resultado feito nos primeiros 17 minutos da partida, mas foi preciso que o avançado Hélder Postiga saísse da partida, lesionado, aos 8 minutos, para que a equipa leonina rematasse à baliza e marcasse um golo. Quem rematou? O frenético Salomão, pois claro, o rapaz que esta semana viu o ordenado melhorado e entrou para o lugar de Postiga. Como marcou? De calcanhar, como um craque. Depois, Salomão continuou a jogar muito e bem. Até que, aos 80 minutos, Paulo Sérgio resolveu afastar o jovem atleta, trocando-o pelo defesa-central Nuno André Coelho. Burrice do treinador. Burrice e falta de respeito por um atleta em crescimento, que está a ser a grande revelação positiva do Sporting 2010-2011. Sim, porque revelações negativas não faltam... Já depois dos 90 minutos, o mesmo Paulo Sérgio fez entrar Carlos Saleiro, que nem deve ter tocado na bola. Foi só mais uma vez. O treinador deve andar a gozar com o miúdo.
O importante é que o Sporting ganhou. E desta vez, a equipa de Paulo Sérgio foi tremendamente eficaz. Salomão (11') e Valdés (13') remataram e marcaram. Depois, Paulo César marcou o tento de honra do Braga (17'). O que, na altura, não parecia que iria ser o último golo de um jogo então veloz e aberto. Daí até ao fim, porém, o Sporting foi segurando a vantagem, graças a duas ou três excelentes defesas de Rui Patrício. Liedson, no segundo, tempo, ainda tentou marcar o terceiro, mas o poste, numa vez (claro...), e o guarda-redes, noutra, mantiveram-no afastado dos golos. FOTO: Reuters

Obs - A vitória do Sporting representou uma boa entrada de José Couceiro na Liga Portuguesa e no ano que agora começa. Não percebi foi a cara de parvo de José Eduardo Bettencourt a olhar para o ar (talvez para um ecrã de TV para ver a repetição...), depois do golo sensacional de Diogo Salomão. Porque não celebrou?... Não gostou?... Naquela tribuna VIP não se pode festejar um golo do Sporting?...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Caneira, Izmailov e o papel de Bettencourt

Marco Caneira, de 31 anos, não é nenhum craque. Longe disso. Nunca foi. Nem se pode considerar que seja um bom defesa, daqueles que se afirmam como titulares com facilidade, não obstante ter sido já internacional por Portugal. Basicamente, Caneira, como outros jogadores, é mais um produto da capacidade negocial do seu empresário. Aliás, nunca foi um indiscutível por onde passou. Apesar disso, ganha cerca de um milhão de euros por temporada ao serviço do Sporting, com quem tem contrato até 2012. Ao serviço do Sporting, não, uma vez que, nesta temporada, Caneira só é pago para treinar. Agora espera uma proposta do clube para rescindir amigavelmente. Entretanto, parece que ainda é credor de 400 mil euros relativos a prémio de assinatura. Sim, prémio de assinatura. Os bons empresários sabem negociar. E os clubes mal servidos de dirigentes limitam-se a abrir as pernas. É assim que se caminha rumo à falência.
Ora, José Couceiro não vem fazer milagres, como ele, aliás, reconheceu. Os primeiros sinais da sua intervenção vão no sentido de resolver problemas que há muito fragilizam o grupo de trabalho do futebol leonino. O que é positivo. Desde o referido Marco Caneira até Izmailov. Situações que foram criadas pela brutalidade do jovem Costinha, com o instinto de marcação do território próprio de quem está a começar...
Mas o trabalho que Couceiro agora parece estar a fazer não abona nada em favor de José Eduardo Bettencourt. Pelo contrário. Em primeiro lugar, se Costinha falhou como responsável pelo futebol sportinguista, a responsabilidade pela sua escolha foi de José Eduardo Bettencourt. Logo, quem falhou foi José Eduardo Bettencourt.
Mas há mais: ao ter contratado Couceiro para um lugar acima de Costinha (a nova fase de reestruturação do futebol do clube não passou de uma história mal contada para enganar criancinhas), José Eduardo Bettencourt (que, em ano e meio, já vai no quatro chefe para o futebol) provou que é um presidente absolutamente inútil. Inútil porque face a um problema que afecte a equipa de futebol do Sporting tem demonstrado ser incapaz de impôr o bom senso ou de desautorizar os maus decisores. Ou então concorda com tudo, o que seria muito grave.
O facto de a "novela" que tem Izmailov como protagonista durar há quase um ano é absolutamente inadmissível!... A venda de João Moutinho ao FC Porto, curiosamente criticada pelo antigo administrador da SAD Carlos Freitas, foi outro erro clamoroso de Bettencourt e por aí adiante. Com Pinto da Costa, dirigente desportivo de quem Bettencourt se confessa seguidor, isso jamais aconteceria!...
Até agora, Bettencourt decidiu mal por intermédio de Costinha. E prepara-se para decidir por intermédio de José Couceiro. Sendo assim, onde é que está a mais valia do ex-gestor de topo do Banco Santander? Será que só serve para tocar maracas e dizer uns disparates?... FOTO: "A Bola"

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O golo de Liedson


O Sporting venceu a Naval por 2-0, em jogo a contar para a Taça da Liga 2010-2011. Do jogo, vale a pena rever o golo de Liedson, apontado uns minutos depois de Vukcevic ter aberto marcador, já com mais de uma hora de jogo decorrida. Clique na imagem.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...