“O que existiu entre mim e Rogério Alves e outros sportinguistas foi algo que não existiu anteriormente: diálogo. Depois disso chegou-se à conclusão que os objectivos e as premissas eram basicamente os mesmos em relação a muitas coisas que o Sporting precisa.”
“Não concebo que qualquer vice-presidente ou vogal de uma futura direcção não seja executivo. Posso garantir que quem integrar este projecto estará aqui para trabalhar e não para decorar. Não haverá gorduras. Tanto eu como Rogério Alves [cabeça de lista para a assembleia geral] ou Carlos Barbosa [presidente do ACP e vice-presidente com o pelouro comercial] e outros elementos centrais desta candidatura concordamos com estas directrizes.”
“Este grupo mereceu a confiança do sector económico que lhe permite estar a desenvolver um projecto, no qual tem que estar obrigatoriamente uma grande renovação geracional, que será uma realidade no clube. A ideia é fazer renascer o Sporting a nível financeiro, mas também enquanto potência desportiva no futebol e nas restantes modalidades.”
“Não se pode colocar este grupo de pessoas sob o estigma da continuidade. Quando todas as listas estiverem constituídas, veremos quem é que irá representar a dita continuidade e a ruptura. Se calhar, irá haver surpresas."
“Há pessoas, [como Filipe Nobre Guedes], que estiveram muito envolvidas em projectos financeiros cruciais para o clube, que estão a decorrer neste momento, e que terão obrigatoriamente de continuar. Não queremos uma política de terra queimada com o passado. (…) Queremos é romper com os momentos menos bons e o desnorte que ocorreu, mas nem tudo foi mau no passado.”
“[Braz da Silva] telefonou-me a dizer que contava comigo e eu, que não o conhecia, disse-lhe que provavelmente iríamos ser adversários nas eleições. Ficámos de falar posteriormente. (…) Ele entrou na corrida eleitoral com uma boa máquina comunicacional e andou um pouco a pregar sozinho no deserto, já que não tinha quem o contradissesse. Eu não acreditava naquela forma de estar. Quem quer candidatar-se de uma forma séria deverá, em primeiro lugar, falar com quem conhece a situação financeira do clube. Coisa que nem Braz da Silva, nem Bruno de Carvalho [outro candidato anunciado] fizeram.”
“Há dois anos aceitei ser o cabeça de lista do movimento ‘Ser Sporting’, porque após dois meses de almoços e jantares ninguém teve coragem de dar a cara. Fui o único. Não admito que coloquem em causa o meu carácter e ainda ninguém me disse rigorosamente nada a esse respeito. É verdade que amadureci em relação ao Sporting nos últimos meses. Compreendi, por exemplo, que é um clube com idiossincrasias muito suas, que mais nenhum clube tem. Umas boas e outras más.”
“Continuo a querer que o Sporting seja bastante mais pró-activo e interventivo, com poder e influência naquilo que são as estruturas do futebol em Portugal.”
“Gostaria que aparecessem efectivamente muitos candidatos porque estas eleições ocorrem numa encruzilhada histórica para o Sporting. Não há muito mais margem de erro e as pessoas têm de olhar para projectos e não para nomes. (…) O Sporting tem tudo para continuar a ser um ‘grande’, mas uma coisa é certa: o que aconteceu não pode voltar a acontecer. Quando temos dinheiro, sabendo que não o temos com a abundância de outros rivais, temos de ser mais sagazes nas contratações. Temos de antecipar mais rapidamente os bons negócios e voltar a investir na Academia. O dinheiro não é tudo e o clube ainda consegue ter muita força e despertar todo o tipo de paixões, embora os números digam que os adeptos estão a abandonar Alvalade e a deixar de pagar cotas.”
“]O Sporting tem condições para ser campeão nos próximos anos], mas não é sério dizer que vamos ser campeões. O que é possível dizer é que se vai reunir um conjunto de pessoas que querem reorganizar internamente, unir os adeptos e falar a uma só voz, porque só assim será possível voltar a conquistar títulos. As vitórias não se resolvem somente dentro das quatro linhas e o Sporting tem de voltar a ser um clube ouvido, respeitado e interventivo no futebol nacional. Se o nosso projecto vencer, terá à sua frente um grupo de pessoas motivadas para devolver o clube ao lugar que merece. Irá ser desenvolvido um trabalho duro, que muitas vezes não será visível para ninguém. E terá em Godinho Lopes um presidente forte, com ideias e com linhas claras para o clube.”
Paulo Pereira Cristóvão, apoiante e membro da candidatura de Godinho Lopes à presidência do Sporting, “Público”, 12-02-2011