domingo, 30 de outubro de 2011

Só Jéffren parece fora desta onda verde


O Sporting cumpriu o objectivo de vencer o Feirense, no Estádio de Aveiro, e manteve Benfica e FC Porto sob pressão. No horizonte, cresce a expectativa em relação ao Benfica-Sporting de finais de Novembro, onde a equipa leonina poderá chegar em posição confortável, bastando para isso vencer em Alvalade a União de Leiria. Já o Benfica terá de ir a Braga e o FC Porto a Olhão.
O Feirense não foi um adversário fácil. Mas o Sporting venceu com a categoria e a clareza a que nos tem habituado. Capel, tal como um abre-latas, tratou de “expulsar” Henrique (55’), por acumulação de cartões amarelos, abrindo caminho a uma vitória construída com os golos da dupla holandesa formada por Wolkswinkel (na marcação de uma grande panalidade indiscutível) e Schaars.
A equipa leonina somou a décima vitória consecutiva (sexta na I Liga), mantendo-se a três pontos de Benfica e FC Porto. Como se viu nas bancadas e dentro do campo, o Sporting está de volta.
Só o espanhol Jéffren, um jogador que ainda não justificou o investimento, parece fora desta onda verde. Aos 84', já com o resultado feito, saiu do campo sem dar explicações a ninguém. Um assunto para a SAD resolver como deve ser. Isto é, preservando a autoridade do treinador Domingos Paciência e defendendo a solidariedade que todos devem ao grupo de trabalho. Nada que não se possa resolver. FOTO: Reuters

sábado, 29 de outubro de 2011

Schaars, o novo xadrezista de Alvalade


Foi muito mencionada, por vários sportinguistas, a magnífica entrevista de Schaars ao diário “O Jogo”. Curiosamente, na terceira página da entrevista, tiraram uma foto ao holandês a mexer num tabuleiro de xadrez. Xadrez, esse, que é um jogo de estratégia, tal como é o futebol. Onde devemos saber o que vamos fazer, mas somos melhores quanto mais rápido conseguirmos antever as movimentações do nosso adversário.
“É essa a minha maior virtude. Vejo coisas antes de elas acontecerem. Se calhar é por isso que falam da minha liderança”, afirma Schaars.
Muitos, como eu, duvidavam do seu estado físico depois de uma grave lesão e, no início, sentiu dificuldades de compreensão do modelo de jogo da equipa, dificuldades essas reconhecidas pelo próprio e por Domingos.
Schaars é hoje o mais importante jogador do Sporting. Não é o que marca golos ou fascina com fintas, mas é o pêndulo discreto do meio-campo, o que mantém a pressão alta, o que descobre os espaços e faz “passes inteligentes”. Schaars é uma espécie de Hugo Viana, com menos veludo nos pés, mas com maior intensidade de jogo.
A sua racionalidade e liderança são reflectidas nos comentários justos que faz sobre os diversos colegas, de que fala na entrevista: Rinaudo (“precisa de ser mais esperto”), Wolfswinkel (“bom rapaz e a melhorar”), Capel (“não é Messi, mas a equipa precisa dele e ele precisa da equipa”) ou Carrillo (“não é muito esforçado, mas tem qualidade e só tem 19 anos”).
Schaars faz parte de algo que tenho de elogiar. A qualidade humana de todos os reforços do Sporting, todos com boa cabeça, frios, mas muito unidos e contribuindo para um balneário blindado à prova de bala. E Schaars vai mais longe: “Sim. Somos o Sporting e temos de mostrar aos adversários que somos um grande clube. Temos de agir em vez de reagir.” E vai dizendo que vai lutar para um Sporting campeão. Porque a racionalidade do discurso de Domingos tem a ver com a gestão de um balneário jovem, mas o Sporting onde entra é para ganhar.

Rui Calafate

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A maior goleada da temporada


Mais uma grande vitória do Sporting, a nona consecutiva, desta vez sobre o Gil Vicente, por 6-1. É a maior goleada da Liga Portuguesa 2011-2012. Quando sobra atitude, o resto vem por acréscimo. Neste caso, os golos. Até Capel marca dois golos num só jogo, o que aconteceu pela primeira vez na sua carreira, e ambos de cabeça, o que também não é habitual. E Bojinov também saiu da penumbra, estreando-se a marcar e logo por duas vezes.
Alguns anos depois, o Estádio de Alvalade voltou a ser uma sala de espectáculos. De grandes espectáculos de futebol, com um Sporting altamente competitivo, a marcar golos  e a ganhar. Desde o jogo de Paços de Ferreira – o tal jogo que poderia valer uma temporada, como escrevi na altura – que tudo sai bem à equipa de Domingos Paciência. E quando tudo sai bem, as coisas saem cada vez melhor.
Por isso, é preciso recuar 13 anos, até à temporada de 1998-1999, a última do longo jejum de 18 anos sem ganhar o campeonato, então sob o comando técnico de Mirko Jozic, para encontrar um Sporting com melhor desempenho após oito jornadas disputadas.
O tempo não é de euforias, como, sagazmente, alerta Domingos Paciência. Mas há razões para um grande optimismo. Mas os sinais são muito bons. Nas duas últimas vezes em que o Sporting marcou 6 golos na Liga Portuguesa foi campeão ou esteve muito perto de ser campeão. Em 2004-2005 (vitória por 6-1 sobre o Boavista) perdeu o título, ingloriamente, com um golo ilegal no Estádio de Carnide, na penúltima jornada. Em 2001-2002 (vitória de 6-0, em Paços de Ferreira) foi campeão.
Para já são apenas sinais. É assim que estas vitórias devem ser entendidas. O tempo continua as ser de cerrar fileiras e de olear a máquina. O futebol do Sporting esteve muito tempo deprimido e sem ganhar. Em futebol as coisas podem surgir do nada, mas a solidez de uma estrutura e a cultura de vitória não nascem de um dia para o outro. O caminho faz-se caminhando. FOTO: Reuters

sábado, 22 de outubro de 2011

Sporting. União em campo e guerra nos bastidores


No futebol jogado dentro do campo, o Sporting está em alta. Mas fora do campo continua um clube dividido. E as eleições para a presidência da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) parecem revelar a existência de uma guerra de poder em Alvalade, que não seria desejável neste momento de relançamento desportivo do clube.
Quando o presidente Luís Godinho Lopes diz que o clube apoia o portista Fernando Gomes como presidente da FPF, parece estar a seguir os altos desígnios estratégicos de Pinto da Costa, como, de resto, acontece há muitos anos, com maus resultados, desportivos e financeiros.
Quando vemos Luís Duque, o homem que manda na sociedade anónima que gere o futebol profissional, a manifestar o seu apoio ao candidato Carlos Marta, é natural que os sportinguistas fiquem confusos com a divisão dos apoios.
Depois de ouvirmos Godinho Lopes, em Tavira, a dizer aos sportinguistas do Algarve que a sua direcção "mata" quaisquer atitudes divisionistas, aumenta a percepção de que a desorientação continua a ser uma imagem de marca do clube fundado por José Alvalade. E a ideia de que se trata de um "apoio pessoal" de Luís Duque é risível. Porque, nesta matéria, que é crucial para a política desportiva do Sporting, o seu administrador não pode sujeitar a sua posição pública a amizades pessoais.
Portanto, fora do campo, a divisão estratégica continua. Aliás, em escassos seis meses do consulado de Godinho Lopes, já é a segunda vez que Luís Duque aparece em público em dissonância com o presidente do clube. A primeira foi quando ameaçou demitir-se. Falta saber se há relação entre os dois episódios.
Uma coisa é certa: a existência de vozes e opções dissonantes em matéria de política desportiva enfraquecem o Sporting Clube de Portugal perante os agentes do futebol português.
Dentro do campo, porém, tudo mudou. O Sporting voltou mesmo. O treinador Domingos Paciência e os jogadores encontraram um rumo e o desempenho da equipa, que ainda está em crescimento, após oito vitórias consecutivas, começa a assustar os adversários directos. É o que nos vale.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Sporting a 100% na Liga Europa

 

O Sporting soma e segue na Liga Europa 2011-2012. Nesta quita-feira, na noite de Matías Fernandez, em Alvalade, o Leão, muito forte colectivamente, venceu por 2-0 os romenos do Vaslui e assegurou antecipadamente a passagem aos 16-avos-de-final da prova. Um triunfo que, até ao Ano Novo, vai libertar a mente da equipa leonina, que agora pode concentrar-se exclusivamente nas provas nacionais. FOTO: Reuters

domingo, 16 de outubro de 2011

Obrigação cumprida em Famalicão


O Sporting cumpriu a obrigação de vencer em Vila Nova de Famalicão (0-2) 
e seguir em frente na Taça de Portugal, mas a forma como decorreu a partida e chegou à vitória está longe de poder deixar sossegados os seus responsáveis e simpatizantes. Jogou contra uma equipa que ainda este ano ascendeu ao terceiro escalão do futebol nacional e composta por jogadores que só treinam após o horário dos seus afazeres profissionais, mas raramente teve o jogo na mão.
É certo que dois golos sem resposta não podem deixar grandes dúvidas quanto ao desfecho final, mas deve dizer-se também que o Sporting construiu o resultado graças a uma grande penalidade e aos momentos posteriores de descontrolo por parte dos atletas do Famalicão. Os protestos que se seguiram à decisão do árbitro valeram aos famalicenses três cartões amarelos, sendo que dois desses jogadores acabariam por ser expulsos na sequência de nova admoestação.
E se a grande penalidade que permitiu a Wolfswinkel dar vantagem à equipa no marcador surgiu numa altura em que o Famalicão parecia, pela primeira vez no jogo, dar mostras de poder incomodar a defesa do Sporting, o golo que fixou o resultado foi obtido quando a equipa da casa jogava já em inferioridade numérica. Foi o coroar de uma jogada de envolvimento no lado direito do ataque. A bola circulou entre vários jogadores, fazendo deslocar a defesa do adversário, e o cruzamento de Pereirinha encontrou Wolfswinkel liberto no coração da área, para um cabeceamento eficaz. O exemplo de como o Sporting deveria ter actuado perante um adversário que se fechou o mais que pôde junto da sua área.
O jogo foi, porém, quase sempre muito diferente. A equipa de Alvalade dominou largamente e, no início, até criou algumas oportunidades, mas o certo é que nunca conseguiu mandar na partida e envolver o adversário. O Famalicão obedecia ao guião defensivo e, à medida que o tempo corria, os jogadores iam ganhando confiança. Passado o sobressalto inicial, conseguiram chegar ao intervalo deixando a sensação de que poderiam fazer sofrer o adversário.
Logo no início da segunda parte, os avançados da casa obrigaram o guarda-redes do Sporting a fazer a primeira intervenção, e seguiram-se mesmo outras duas jogadas que colocaram a defesa em apuros, até que surgiu o penálti salvador.
Após o segundo golo da equipa leonina, o Famalicão começava a dar sinais de quebra física e a segunda expulsão (por acumulação de amarelos) foi disso consequência evidente. Mas nem mesmo a jogar contra nove o Sporting foi capaz de mandar no jogo. Prova disso é o facto de, já nos instantes finais, Marcelo Boeck ter negado aos famalicenses o golo que bem fizeram por merecer. Foi um remate de cabeça na sequência de um livre na ala direita, com o guarda-redes brasileiro a fazer aquela que foi, provavelmente, a defesa da noite.
E mesmo tendo vencido a equipa mais poderosa, pela forma como decorreu o jogo, bem pode dizer-se que houve taça em Famalicão. Não só pela forma como o jogo foi disputado, mas também pela festa nas bancadas, que mais de uma década depois voltaram a encher-se de público.
TEXTO: José Augusto Moreira, "Público", 16-10-2011 FOTO: "A Bola"

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Famalicão-Sporting, um jogo de emoções fortes


Em 33 anos, é a quarta vez que Futebol Clube de Famalicão e Sporting Clube de Portugal vão jogar para a Taça de Portugal, no Norte. Para mim é sempre um jogo de emoções fortes e contraditórias. Por duas razões compreensíveis: o FC Famalicão é o clube da terra onde nasci e onde vivo, e também o clube que representei como jogador, episodicamente, nas camadas jovens; e o Sporting Clube de Portugal é o clube do meu coração.
Foi, por isso, com grande emoção que assisti ao vivo ao primeiro jogo entre as duas equipas, na temporada 1977-1978, curiosamente numa época em que o Sporting venceu a Taça de Portugal e o FC Famalicão foi campeão nacional da II Divisão e subiu à I Divisão. Recordo esse jogo a propósito de um texto sobre Salif Keita, num "post" que escrevi aqui.
Nessa altura, o Famalicão era treinado por José Carlos, antigo defesa e "capitão" leonino. Na defesa, alinhava Zezinho, emprestado pelo Sporting. No Famalicão pontuavam Reinaldo e Jacques, que seriam mais tarde avançados do Benfica e do FC Porto.
Em 1984-1985, o Sporting voltou a Famalicão (então na II Divisão Zona Norte), tendo a equipa leonina vencido por 4-2. Pelo Sporting jogaram Béla Katzirz (guarda-redes húngaro que não fez esquecer Meszaros), Carlos Xavier, Oceano Cruz, António Morat, Pedro Venâncio, Vânio Kostov, Manuel Fernandes, António Sousa, Mário Jorge, Eldon e Rui Jordão. Marcaram pelo Sporting Venâncio, Carlos Xavier, Eldon e Jordão.
Em 2000-2001, com Manuel Fernandes como treinador, o Sporting voltou a Famalicão para ganhar com dificuldade no prolongamento. Agora, aí está mais um Famalicão-Sporting, o segundo do século XXI. O jogo será uma grande festa do futebol, dado o grande entusiasmo que está a gerar na cidade. Estarei lá, obviamente.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Deixem jogar o Rinaudo!...


A equipa do Sporting é a que sofre mais faltas na I Liga Portuguesa 2011-2012. É um sinal muito bom, pois significa que a equipa de Domingos Paciência, mesmo tendo em conta o fraco rendimento das primeiras jornadas, é das mais competitivas da prova. Em 7 jornadas, o Sporting já sofreu um total de 136 faltas, o que dá uma média de 20 por jogo.
Curiosamente, o médio defensivo Rinaudo, que supostamente até poderia cometer muitas faltas, é um dos jogadores da I Liga portuguesa mais massacrados com entradas dos adversários à margem das leis do jogo. Em 382 minutos em campo, o argentino Rinaudo – que no último jogo foi expulso em Guimarães, numa decisão, no mínimo, muito injusta dessa espécie de árbitro chamada Bruno Paixão – já sofreu um total de 25 faltas, o que significa que sofre uma falta em cada 15 minutos de presença em campo. Curiosamente, Rinaudo apenas cometeu 13 faltas, ou seja, precisa de jogar 29 minutos para cometer infringir as leis do futebol. À sua frente há 23 futebolistas mais faltosos. Em função destes dados, é caso para dizer: deixem jogar o Sporting e deixem jogar o Rinaudo!...

domingo, 2 de outubro de 2011

A paixão de saber sofrer


Mais uma vitória do Sporting, agora por 1-0, em Guimarães, a sexta vitória consecutiva, e mais uma excelente exibição do conjunto leonino, a jogar com 10 e contra 12 na maior parte do tempo de jogo. Sim, eu sei que o Spoorting não jogou nada bonito, mas deixou em Guimarães uma lição de entreajuda e uma marca de pragmatismo que nos dizem estarmos perante uma equipa que tem condições de lutar de igual para igual com FC Porto e Benfica na luta pelo título nacional.
Não consigo evitar umas palavrinhas sobre Bruno Paixão, a espécie de árbitro que fez questão de expulsar Rinaudo sem motivo, e que exibiu ao longo do jogo a conhecida dualidade de critérios com que a rede mafiosa da arbitragem portuguesa costuma decidir vencedores e derrotados. Desta vez, essa dualidade de critérios só não deu mais prejuízos para a equipa sportinguista porque o futebol do Vitória de Guimarães se revelou distante da qualidade e da eficácia de outros tempos.
No entanto, Paixão fez uma arbitragem digna de um autêntico filho da puta – pois eliminou da partida, gratuitamente, um jogador muito influente na equipa de Domingos Paciência, ainda no primeiro terço do jogo, e obrigou o Sporting a mudar toda a estratégia e a prejudicar o espectáculo. Daí resultou uma equipa leonina cada vez mais encolhida, embora com capacidade de sofrimento, segura, eficaz e solidária.
Reza a história que, em Guimarães, nasceu Portugal. E, neste domingo, nasceu também um verdadeiro candidato ao título nacional de futebol 2011-2012. Em Alvalade, está a crescer uma equipa que volta a ser um orgulho para todos os sportinguistas. FOTO: Getty Images

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