quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Não se passou nada. E o Boavista regressa à I Liga


Em 2004, o então presidente do Sporting Clube de Portugal, António Dias da Cunha, chamou os bois pelos nomes. Pinto da Costa e Valentim Loureiro foram ao tribunal. A magistratura portuguesa ficou atrapalhada. Foram todos absolvidos. Não se passou nada. Ou melhor, passou. Dias da Cunha foi banido do dirigismo desportivo alegadamente traído no próprio clube. O Sporting nunca mais foi campeão. E, passados 8 anos, até o Boavista tem um lugar à espera na I Liga. Viva o futebol português!...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Quando foi campeão, o Sporting sabia das armadilhas


"Quando Dias da Cunha foi eleito presidente do Sporting, depressa se apercebeu da falcatrua que era o nosso futebol. Não sabia para que lado se havia de virar. Fui então contactado pelo seu assessor, Carlos Severino, para ver que disponibilidade tinha para trabalhar directamente com o presidente com a função de o alertar dos perigos que o clube corria. Inicialmente não me mostrei muito interessado, mas por outro lado pensei que poderia lutar por dentro e combater a corrupção, até porque a Polícia Judiciária já me tinha como consultor e não me pagava nada. Aceitei, mediante um bom vencimento e com a condição, por mim proposta, de que se não gostassem do meu trabalho despedia-me sem qualquer tipo de indemnização. Fiquei por lá seis anos, mas no meu segundo ano fomos campeões nacionais, principalmente porque o Sporting sabia com 15 dias de antecedência as armadilhas que lhes estavam a preparar. Um exemplo: 15 dias antes avisei o presidente que no jogo X que antecipava um jogo com o Porto, o árbitro da partida seria fulano e que Beto e Rui Jorge iriam ser espicaçados por esse árbitro durante o encontro para este encontrar motivos para os expulsar. No dia do jogo confirmou-se a minha informação. Num outro caso, num jogo decisivo para a conquista do campeonato, frente ao Boavista, soube que o árbitro da partida tinha ido almoçar com Valentim Loureiro, que era presidente da Liga. Avisei o presidente e todos ficaram em pânico. Não sabiam o que fazer porque não havia provas. Disse-lhes que a única coisa a fazer era Manolo Vidal, antes do jogo, quando fosse entregar as fichas aos árbitros, deveria dizer: "Então o almoço de terça-feira foi bom?" Mais nada. Quando o árbitro ouviu aquela pergunta associou de imediato a intenção do delegado ao jogo e ficou em pânico, contou-me depois Manolo Vidal. Durante esse jogo o árbitro até beneficiou o Sporting e fomos campeões. O árbitro não sabia que provas tínhamos e como era internacional, não colocou a sua carreira em risco. Mas a conquista do campeonato desencadeou uma série de invejas dentro do próprio clube e quando dei por ela estava a lutar contra gente que estava a ser paga pelo clube, mas que queria que este perdesse para conquistarem o poder e poderem fazer os seus negócios. Cheguei mesmo ao ponto de saber que os meus relatórios semanais eram entregues, por gente do Sporting, aos nosso principais inimigos, Porto e Boavista. Não sou nem nunca fui sportinguista e nunca escondi isso. Era apenas o meu trabalho."

Marinho Neves, ex-jornalista, no blog Cabelo do Aimar (ver aqui entrevista na íntegra)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Maior vitória na Liga Portuguesa é do Sporting


Há 70 anos, o Sporting venceu o Leça por 14-0, com nove golos de Peyroteo, que também ficou na história como o jogador com mais golos marcados num só jogo. Grandes memórias leoninas, escritas pelo jornalista Rui Miguel Tovar, no jornal "i":

Excluído à base dos regulamentos, por não terminar nos dois primeiros do seu campeonato regional, o FC Porto acaba por entrar na 1.a Divisão em 1941/42 com a ajuda da Federação Portuguesa de Futebol, que alarga a competição para 12 equipas. Dessa vez vai do Minho (Vitória de Guimarães) ao Algarve (Olhanense).
No novo sistema, o Benfica ganha a liga com quatro pontos de avanço sobre o Sporting, resultantes de duas vitórias sobre os leões (4-1 no Lumiar e 4-3 no Campo Grande). Honra lhe seja feita, o título de campeão assenta bem aos benfiquistas, mas os sportinguistas também conquistam um título, ou uma espécie de – tão ou mais memorável até por continuar a ser falado ao longo de 70 anos. Falamos do 14-0 ao Leça, o resultado mais desnivelado de sempre no campeonato nacional.

Estamos a 22 de Fevereiro de 1942 e é domingo, 6.a jornada da 1.a divisão. No calendário há um FC Porto-Benfica. O quê, FC Porto-Benfica (4-1) na Constituição? Ó meus amigos, isso não é nada comparado com um Sporting-Leça! Aliás, com este Sporting-Leça. Nessa tarde de chuva, os leões não só entram na história pelo resultado (ainda hoje a oitava maior goleada de sempre a nível mundial) como também por Peyroteo, autor de nove golos. A avaliar pela crónica no “Diário de Notícias”, o internacional português até podia ter feito mais. “Com mais empenho por parte de Peyroteo, é de crer que tivesse estabelecido um recorde ainda mais impressionante.” Então o homem marca quatro golos na primeira parte, cinco na segunda e ainda o acusam de molenga? Xiiii... Nos dias de hoje, em pleno século xxi, Peyroteo é uma referência incontornável como o goleador mais eficaz de sempre no futebol mundial, graças à média de 1,67 golos (330) por jogo (197) no campeonato nacional. Superior a Pelé, Puskas, Di Stéfano e muitos outros. Daí que continue a ser referido em blogues da especialidade como um dos mais talentosos avançados do pós-Guerra e pré-Pelé.
No Lumiar, o Sporting treinado pelo húngaro Jopseh Szabo não joga apenas com Peyroteo. O onze, vestido de verde-escuro, começa com o guarda-redes-espectador Azevedo, continua com os defesas Rui de Araújo e Cardoso, prossegue com os médios Aníbal Paciência, Daniel e Marques para desaguar no quinteto de avançados com Mourão, Soeiro, Peyroteo, Canário e Cruz. O Leça, equipado à Sporting, responde com Jaguaré (brasileiro, titular do Sporting em 1936 e conhecido como o primeiro guarda-redes a usar luvas em Portugal); Godinho e Valdemar; Juca, Elísio e Rocha Lima; Chelas, Nini, Lúcio, Quecas e Joaquim. Na segunda volta, o Sporting só ganha 3-0. Sem Peyroteo claro. Senão...
A verdade é que esse campeonato é notável pela quantidade de goleadas por oito golos de diferença ou mais. Ora veja: 4.a jornada (9-1 no Sporting-V. Guimarães e 10-1 no Unidos de Lisboa-Ac. Porto), 6.a (14-0 no Sporting-Leça), 12.a (10-1 na Académica-Barreirense), 14.a (11-2 no Sporting-Académico do Porto e 9-1 no Académica-Carcavelinhos), 16.a (12-1 no FC Porto-Carcavelinhos e 9-0 no Belenenses-Leça), 17.a (11-1 no Barreirense-Vitória de Guimarães), 19.a (9-0 no Académico do Porto-Olhanense) e 20.a (9-0 no FC Porto-Olhanense). O 14-0 do Sporting ao Leça (que desce de divisão) é o resultado mais gordo. Que até podia ser mais volumoso ainda, porque Canário atira duas bolas ao poste e o árbitro setubalense Palma Soeiro anula mal um golo ao Sporting por fora-de-jogo inexistente, de acordo com o cronista do DN.

Em Portugal nunca se vira uma coisa assim e jamais se viu. No resto do mundo, só o 19-0 do Flora Tallinn ao Mardu em 1992, o 17-1 do Apoel Nicósia (que apanha 16-1 do Sporting na maior goleada das competições europeias) ao Aris Limassol em 1966 e o 15-1 do Slavia Praga ao Ceske Budejovice em 1947 ultrapassam a raça do leão. Já os números de Peyroteo, inultrapassáveis. Nove golos em 90 minutos é muito. Mesmo que não se tivesse esforçado por aí além...

Rui Miguel Tovar, jornal "i", 21-02-2012

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Sá Pinto começa com empate na Polónia

 
“Encontrámos um ambiente frenético, que foi de grande pressão sobre o árbitro. Os jogadores foram extraordinários e tiveram uma atitude fantástica. Ainda não apresentámos o futebol que queremos, mas era difícil circular a bola, com este terreno. A equipa do Legia tem uma grande capacidade física, não param durante noventa minutos. É de salientar fundamentalmente a atitude competitiva e o querer e a vontade, para dar a volta a um momento negativo, e entrar num momento positivo.”

“Quem anda no futebol há vinte anos, como eu, sabe que o futebol é feito de detalhes. Há detalhes que fazem a diferença. Pelo que me disseram, no segundo golo do Legia, havia fora-de-jogo. Há também um penálti no lance do Carrillo. Gostava de dar os parabéns aos três jogadores que entraram, aos que ficaram de fora, e também aos que ficaram de fora e mandaram mensagens de apoio.”

“É uma honra e um orgulho ser treinador do meu clube. É uma emoção enorme. Vou viver estas emoções constantemente. O jogo tem grande intensidade, mexe connosco. Para quem gosta do treino e do jogo, é um sonho poder treinar o seu clube.”

Ricardo Sá Pinto, após a sua estreia oficial como treinador do Sporting, sobre o empate (2-2) com o Legia de Varsóvia, na Polónia, na primeira mão dos 16 avos-de-final da Liga Europa

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Nossa, que biolência!...


Sobre a substituição de Domingos Paciência por Ricardo Sá Pinto no cargo de treinador do futebol do Sporting só me ocorre exclamar como aquela senhora portista que agora está no Benfica: "Nossa, que biolência!..."

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Um naufrágio de muitos milhões



Estou muito longe e por isso não pude ver o naufrágio do Sporting, neste sábado, na ilha da Madeira. Só é pena que tenha sido um naufrágio de muitos milhões de euros, ou seja, do Sporting mais caro dos últimos dez anos. É bom não esquecer isso. É tempo de explicarem como deve ser a merda que andam a fazer. 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Rinaudo jogou e o Sporting ganhou


Como escrevi há algumas semanas, o problema do Sporting, que cavou um fosso pontual em relação ao primeiro lugar da Liga Portuguesa e contribuiu para a eliminação da Taça da Liga, estava na ausência forçada do argentino Rinaudo (ver aqui). A verdade é que, na Madeira, Rinaudo voltou à equipa e o Sporting ganhou ao Nacional (3-1), carimbando o acesso à final da Taça de Portugal. Rinaudo, aliás, assinalou o regresso com estrondo: um bom golo!... Depois da tempestade, cheira a bonança no futebol leonino. FOTO: "Record Online"

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

COM SCP - Rui Paulo Figueiredo.


Aos dois novos "xerifes" da COM SCP, desejo-lhes publicamente as boas vindas às suas novas funções.

Desde o passado dia 2 do presente mês que Rui Paulo Figueiredo e Luís Godinho Lopes são os dois novos rostos por detrás da COM SCP.

Qualquer pessoa de actue de boa fé apenas lhes pode desejar boa sorte agora que abraçam este novo desafio de instituir competência e acima de tudo PROFISSIONALISMO a um departamento que há 7 anos que tem vindo gradualmente a deteriorar-se.

Espero que não tenham medo de revoluções nem de tomar decisões difíceis como as que foram tomadas em alguns outros departamentos.

Os erros, equívocos e gafes do passado não lhes podem ser imputados e deve-lhes ser dada a oportunidade de começar de fresco, sem "cadastro" e sem o ónus de responsabilidade pelo que está para trás.

É um virar de página que todos devem fazer em conjunto, tendo em vista não só respeitar quem agora entra em cena e merece essa oportunidade e espaço de manobra, mas também respeitar a instituição Sporting que não tem culpa de por vezes estar tão mal apetrechada a nível de recursos humanos.

Aproveito igualmente para informar os estimados leitores de que esta foi a minha última contribuição para este espaço. Espero que este continue a ser um blogue de referência como tem sido até hoje e desejo que a troca de ideias entre todos nós tenha sido sempre proveitosa e estimulante. Pela minha parte foi sempre um prazer e nunca houve um momento menos bom no que diz respeito ao feed-back que recebi de todos vós.

Um bem-haja. Um abraço e Saudações Leoninas.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Amadores insensatos


Regra Nº1 do dirigismo desportivo é não estar envolvido em "guerras" contra a imprensa em tempos de crise desportiva.

Quando o clube está a atravessar uma crise é muito mais vulnerável a ataques e a sua credibilidade e competência é mais fácil e questionar, é por essa razão que um dirigente experiente não é arrogante nem é insensato ao ponto de hostilizar a imprensa. Aprende a conviver com ela, sem prepotências nem demagogias.

Como eu previ há três semanas atrás (hiperligação), o Sporting vai suportar uma 2ª volta muito penosa e vai ser "agredido" pela imprensa a torto e a direito pois neste momento é fácil fazerem-se coisas destas, o Sporting está fragilizado e sem capacidade de responder (em campo) às críticas e à chacota a que vai ser sujeito.

Qualquer dirigente inteligente não teria movido "guerrinhas" desnecessárias contra a Sportv, Maisfutebol e Público, pois um dirigente com experiência no futebol saberia que um campeonato tem muitos altos e baixos e que mais cedo ou mais tarde a onda crescente que o Sporting surfava até finais de Novembro ia perder a sua força e depois seria preciso gerir a situação com inteligência e sem criar distracções.

Os de Alvalade optaram por barrar o Maisfutebol na Academia (uma semana depois tiverem que levantar a sanção), decidiram barrar a Sportv (na CI seguinte já não o fizeram), decidiram barrar o Público (duas semanas depois o SCP já se tinha esquecido de tudo), ameaçaram jornalistas com queixas crimes, etc.

E agora, como vai ser até finais de Maio?

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Discurso Oco



Esta noite após o jogo, Domingos Paciência soou oco, respondeu às perguntas dos jornalistas mas fê-lo com frases feitas e com pouca ou nenhuma convicção.

Deu respostas que começam a soar ridículas, já para não dizer surrealistas, jogo após jogo, desaire após desaire ninguém acredita nas justificações ou "desculpas" do Mister.

Para onde vai este barco desgovernado liderado por um treinador triste, desorientado, emocionalmente exausto, já sem respostas em campo ou nas conferências de imprensa?

Já vi o Sporting jogar pior futebol, mas uma série de resultados como esta não me recordo de ver em tempos recentes.

Não acredito que Domingos Paciência seja o "problema" ou pelo menos não acredito que seja o principal problema, mas também não tenho razões para acreditar que o Sporting vá vencer o Nacional e o Marítimo na Madeira.

E depois? Cai a guilhotina em Domingos? O que resolverá isso quando há tanta coisa errada na estrutura do clube. Não me parece que Luís Godinho Lopes seja um mau presidente, mas rodeou-se de pessoas sedentas por vedetismo.

Se Domingos cair só vejo uma solução. Luíz Felipe Scolari. Não é de forma alguma treinador que eu aprecie, mas tem carisma suficiente para sozinho conseguir resistir a desorganização em seu redor.

Falar de arbitragens é cair no ridículo e é ignorar o facto incontornável que esta equipa de futebol tem sido desportivamente incompetente nas passadas 8 semanas.

Só falta amanhã o Yannick marcar um golo para ser a cereja em cima do bolo....

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Independentes pedem demissão de Godinho Lopes


Da Candidatura Independente ao Conselho Fiscal e Disciplinar do Sporting, nas últimas eleições, recebi um comunicado que, pela sua importância, publico na íntegra no LEÃO DA ESTRELA:
Após a divulgação dos resultados da “análise da evolução da situação patrimonial do Grupo Sporting Clube de Portugal”, vulgo “auditoria”, e as subsequentes explicações e retirada de ilações – ou falta delas – pelo Presidente do Conselho Directivo (CD), a Candidatura Independente ao Conselho Fiscal e Disciplinar vem comunicar o seguinte:

1. Os sócios que compuseram a Candidatura Independente (CI) ao Conselho Fiscal e Disciplinar nas últimas eleições têm vindo, pelo menos desde 2007, a alertar para o gravíssimo rumo e situação económico-financeira do Sporting Clube de Portugal (SCP), e a defender a realização de uma verdadeira auditoria externa, independente, à gestão do Grupo SCP desde o início do denominado “Projecto Roquette”, ou seja, desde 1995.

2. A CI estranha que a auditoria agora realizada não tenha abrangido, salvo algumas excepções, o início da “Era Roquette”, e que o período em análise se inicie em 1 de Agosto de 1998, e não logo após as eleições que empossaram Pedro Santana Lopes como Presidente do CD, e estranha igualmente que não tenha havido, por parte do actual Presidente do CD, uma explicação para tal facto.

3. Os números agora divulgados apenas surpreendem quem não tem estado atento aos resultados da SAD e do clube. Recordamos que na campanha eleitoral de 2009 foi divulgado e confirmado pelo SCP um valor de passivo do Grupo SCP acima dos 300 milhões de euros.

4. A origem do gigantesco passivo agora veiculado, de 375 milhões de euros, foi-nos explicada de forma simplista há alguns anos atrás pelo actual vice-presidente do CD, José Castro “Nobre” Guedes, mas é agora perfeitamente confirmada por esta auditoria financeira: uma parte importante do passivo tem origem na exploração cronicamente negativa da actividade do futebol profissional, e o restante teve origem na construção do novo Estádio e da Academia.

5. Por isso mesmo, consideramos absurda a tentativa do Presidente do CD de se distanciar dos resultados, agora divulgados, e que deveriam fazer corar de vergonha quem geriu o Clube nos últimos 16 anos. Recordamos que Godinho Lopes foi o Vice-Presidente para o Património nos CDs de José Roquette e de Dias da Cunha, e igualmente Presidente da sociedade “Estádio José Alvalade”, e como tal o responsável máximo pela construção do Estádio e da Academia (sendo o responsável último pela derrapagem financeira destas obras).

6. Godinho Lopes é igualmente responsável por prejuízos de 45,7 milhões de euros na SAD, já neste mandato, de acordo com o relatório e contas apresentado. As suas declarações recentes, prevendo prejuízos em 2012 e 2013, permitem antecipar um passivo consolidado superior a 400 milhões de euros. Preocupante, quando há uma ausência de rumo por parte dos dirigentes empossados para inverter a situação.

7. Esta auditoria não é a auditoria que interessa ao SCP e aos Sportinguistas, pois apenas mostra a evolução do património e contas do Grupo SCP. Esta auditoria não explica as opções tomadas, não aponta responsáveis nem níveis de responsabilidade, nem analisa os contornos dos vários negócios realizados, que resultaram em prejuízos tremendos para o SCP. Esta auditoria não explica, por exemplo, por que razão os terrenos do antigo Estádio José Alvalade foram vendidos, sob a tutela de Godinho Lopes, à empresa MDC – cujo líder escolheu para padrinho dos filhos… o próprio Godinho Lopes – por cerca de metade do preço médio de mercado, nem explica por que razão o então Director-Geral do Clube, Diogo Gaspar Ferreira, transitou do SCP (entidade vendedora) para a MDC (entidade compradora) pouco depois da realização do negócio. Igualmente não se percebe, ou talvez se perceba, como é possível que Duarte Galhardas, actual vogal do Conselho Directivo do SCP e por coincidência fiscal único da referida MDC, tenha sido o elemento indicado por Godinho Lopes para gerir todo este processo de auditoria.

8. Esta auditoria não explica igualmente por que razão foi paga à empresa “Dignidade & Firmeza”, que era pertença da mulher de Amadeu Lima de Carvalho, actualmente o principal arguido do processo da Universidade Independente, uma comissão de 1,8 milhões de euros aquando da venda do património não desportivo, negócio realizado por Filipe Soares Franco. Também não explica por que razão a empresa em questão foi criada posteriormente à deliberação que aprovou a proposta para compra do referido património, em sede de Conselho Leonino a 16 de Novembro de 2006. Não explica igualmente os contornos do próprio negócio de venda do Alvaláxia à empresa Silcoge, negócio verdadeiramente leonino em benefício desta empresa, e em prejuízo claríssimo do SCP.

9. Godinho Lopes apressou-se a ilibar os responsáveis pelo estado a que chegou o SCP, possivelmente porque ele próprio é, conforme referido, um dos principais causadores do mesmo, assim como o seu Vice-Presidente responsável pelo pelouro financeiro do Grupo SCP desde 2006, José Castro “Nobre” Guedes.

10. Fazemos igualmente notar que nenhum Conselho Fiscal e Disciplinar do SCP ou da SAD, desde 2006 liderados por Agostinho Abade e por José Maria Ricciardi, Presidente do BES Investimento, alertou os sócios do SCP para o deslizar da situação económico-financeira do Grupo SCP. Pelo contrário, ao longo dos anos foram regulares os votos de louvor e de agradecimento do CFD ao trabalho do CD. Por esta razão, os referidos dirigentes são altamente responsáveis pela actual situação do Clube, pois falharam em toda a linha na execução das suas funções fiscalizadoras, que estão definidas nos Estatutos do SCP.

11. A forma como foram divulgados os resultados desta auditoria é igualmente de lamentar. Um instrumento desta importância, com este impacto no passado, presente e futuro do SCP, teria necessariamente de ser apresentado e discutido numa Assembleia Geral Extraordinária. Lançamos desde já aos actuais órgãos sociais o desafio de convocarem uma AG extraordinária para esse efeito, pois é necessário que este assunto seja discutido e os sócios devidamente esclarecidos em reunião magna do Clube.

12. A averiguação e imputação de responsabilidades não constitui “caça às bruxas” ou “exumação de cadáveres”, como grotescamente a têm descrito alguns dos mais que presumíveis implicados nessas responsabilidades. Pelo contrário, esse exercício não é apenas uma obrigação ética, face ao cenário de colapso em que irresponsavelmente foi lançada uma das mais relevantes instituições nacionais – é também uma imposição dos Estatutos do SCP, que contêm normas, das quais há anos se vem fazendo letra morta, de responsabilização civil e disciplinar dos dirigentes pelos prejuízos causados pelas decisões que tomam. Não cabe a Godinho Lopes, ou a qualquer Presidente do CD, a liberdade de interpretar as disposições estatutárias de acordo com as suas preferências ou convicções pessoais.

13. Não é difícil perceber a razão pela qual os resultados da auditoria, que já estava pronta desde Novembro de 2011, foram apenas agora divulgados. Não é inocente que este timing coincida com as notícias, cuidadosamente lançadas na comunicação social, sobre a possível entrada de um investidor estrangeiro, e suportadas pela opinião de supostos especialistas do foro económico que tudo sabem explicar mas que nunca antes alertaram para esta situação. O Presidente do CD deve explicar aos sócios o atraso de dois meses na divulgação dos resultados da auditoria.

14. Muito em breve iremos seguramente ser confrontados com a possibilidade da entrada de um investidor estrangeiro na SAD, o que implicará a perda do controlo da mesma por parte do SCP. Ou seja, um privado, individual ou societário, passará a ser o dono do Sporting Clube de Portugal – e assim morrerá o ideal que, há mais de um século, o fez nascer como “uma unidade indivisível constituída pela totalidade dos seus associados”, matriz identitária que consta do art. 1º dos seus Estatutos.

15. Consideramos que os sócios do SCP devem rejeitar toda e qualquer proposta que passe pela perda da maioria que o Clube detém no capital social da SAD. Consideramos que os donos e senhores do SCP são e devem continuar a ser os sócios, e que o Clube tem que manter-se dono e senhor de todas as suas actividades desportivas.

16. A solução que o actual Presidente do CD, digno representante da “geração Roquette”, apresentará aos sócios, será dourada como a única possível “salvação”. Pelo contrário, consideramos que esta é a via que irá definitivamente matar o SCP, e que existem caminhos alternativos que permitam efectivamente resgatar o Clube.

17. Esta solução tem que passar por três medidas principais: (1) o afastamento do Clube de todos os dirigentes envolvidos no “Projecto Roquette” e com responsabilidades na gravíssima situação actual, apuradas após a realização de uma verdadeira auditoria de gestão; (2) a renegociação firme, corajosa e realista da dívida bancária, de forma a reduzir drasticamente os encargos financeiros anuais; e (3) a redução drástica dos custos com pessoal, como ponto de partida para que se alcance o equilíbrio da exploração operacional. Se analisarmos as últimas épocas, bem como o descalabro no balanço entre contratações e vendas de jogadores, facilmente verificamos duas realidades: (i) maior investimento não tem sido sinónimo de maior rendimento desportivo, (ii) os maiores encaixes financeiros com venda de jogadores foram com jogadores formados no Clube, e não com jogadores adquiridos pelas administrações e gestores de activos profissionais da SAD.

18. A CI informa igualmente que está a analisar a possibilidade de apresentar queixa-crime no Ministério Público pelos actos de gestão perpetrados por quem teve responsabilidades, de gestão e de fiscalização, no Clube nos últimos 16 anos.

Independência. Rigor. Verdade.

3 de Fevereiro de 2012
 A Candidatura Independente ao Conselho Fiscal e Disciplinar
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