O famigerado “losango de Paulo Bento”, sendo um modelo de jogo como outro qualquer, está, porém, a ser mais prejudicial ao clube leonino do que parece. É uma espécie de cancro táctico que está a minar o Sporting, não só como equipa de futebol ganhadora, mas também como clube formador e como clube que precisa de rendibilizar a sua formação para ser economicamente sustentável.Nos tempos de sucesso – que nos últimos 30 anos têm sido cada vez mais escassos e pontuais, infelizmente –, as equipas de futebol do Sporting foram sempre cimentadas num casamento perfeito entre um restrito grupo de grandes jogadores criativos (daqueles que chamam público aos estádios) e um conjunto de jogadores-operários. Afinal, o grande segredo das equipas equilibradas. Foi assim em 1982 com Freire e o trio maravilha formado por Manuel Fernandes, Oliveira e Jordão, bem secundado por jogadores-operários que eram o sustentáculo da equipa, como Bastos, Zezinho, Virgílio, Barão, Nogueira, que vestiam o fato-macaco mesmo em dias de gala, sendo simples e eficazes na destruição do jogo contrário…
Sem esta simbiose entre a arte e o trabalho, o futebol do Sporting jamais foi a algum lado, muito menos quando a criatividade dos seus jogadores foi reprimida por um sistema táctico demasiado conservador. E o Sporting de hoje é uma equipa reprimida, sendo talvez essa a explicação para o seu jogo monocórdico e irregular, ou revelador de "imaturidade", na expressão do treinador.
Quando assumiu o comando técnico da equipa, há quatro anos, Paulo Bento aplicou o “losango” como sistema táctico – utilizando “quatro estacas no meio-campo”, na expressão feliz de Luís Freitas Lobo, no "Expresso" –, com dois pontas-de-lança móveis em toda a largura da frente de ataque, com missões também defensivas.
Quando assumiu o comando técnico da equipa, há quatro anos, Paulo Bento aplicou o “losango” como sistema táctico – utilizando “quatro estacas no meio-campo”, na expressão feliz de Luís Freitas Lobo, no "Expresso" –, com dois pontas-de-lança móveis em toda a largura da frente de ataque, com missões também defensivas.
As primeiras vítimas deste sistema foram jogadores que actuam nos extremos do relvado, como o camaronês Douala e os portugueses Silvestre Varela (hoje a dar resultados ao FC Porto) e David Caiado (já desligado do clube), que foram forçados a procurar outras paragens.
Haverá outros jogadores da formação do Sporting que não são aproveitados ou que têm ficado pelo caminho, por não encaixarem no sistema que o treinador Paulo Bento segue como um dogma. Diogo Viana, por exemplo, acabou vendido ao FC Porto. Pereirinha é um sobrevivente, resistindo porque tem sido adaptado em toda a faixa direita da equipa. Mas tarda em tornar-se indiscutível. O mesmo acontecendo com Yannick Djaló, outro ex-extremo na formação...
Por falar em formação é preciso recordar que o primeiro critério de Aurélio Pereira para aprovar um jovem na academia de Alcochete é justamente a capacidade técnica dos candidatos a futebolistas. Logo, têm prioridade aqueles atletas que são exímios a conduzir a bola ou nos lances de um para um. Os artistas que empolgam os estádios e que dão fama à formação leonina. É por isso que o Sporting é reconhecido como uma das melhores escolas de extremos do mundo, tendo formado jogadores como Paulo Futre, Luís Figo, Simão Sabrosa, Ricardo Quaresma, Cristiano Ronaldo, Nani.
Por falar em formação é preciso recordar que o primeiro critério de Aurélio Pereira para aprovar um jovem na academia de Alcochete é justamente a capacidade técnica dos candidatos a futebolistas. Logo, têm prioridade aqueles atletas que são exímios a conduzir a bola ou nos lances de um para um. Os artistas que empolgam os estádios e que dão fama à formação leonina. É por isso que o Sporting é reconhecido como uma das melhores escolas de extremos do mundo, tendo formado jogadores como Paulo Futre, Luís Figo, Simão Sabrosa, Ricardo Quaresma, Cristiano Ronaldo, Nani.
Curiosamente, Nani foi o último extremo formado no Sporting a dar lucro ao clube. Foi o primeiro jovem lançado por Paulo Bento (logo que assumiu funções como treinador principal), mas também foi o último a sair de Alvalade valorizado. Depois dele, ninguém despontou. Em quatro anos, Paulo Bento não conseguiu valorizar mais nenhum jogador, além de Nani. Antes pelo contrário: os jogadores que saem, saem desvalorizados. Os que ficam, marcam passo.
De resto, o “losango da equipa principal” entra em rota de colisão com o 4X3X3 dos escalões de formação. Donde, o Sporting estará a formar extremos nas suas equipas jovens que, depois, não consegue rendibilizar na equipa principal, tudo em nome de um sistema táctico que colide com o jogo mais largo e ambicioso das camadas jovens, prejudicando uma cultura coerente que seja um modelo para todo o clube. Daí que o jovem talento Diogo Viana tenha ido directamente para o FC Porto sem passar pela equipa principal...
É um problema sério demais para ser ignorado pelos dirigentes sportinguistas. A verdade é que, à excepção de Liedson (o único grande achado internacional nos últimos cinco anos) ou João Moutinho, o Sporting não tem hoje nenhuma estrela indiscutível. E por isso é que, desde Nani, em 2007, não consegue vender jogadores. Porque não está interessado, em função da falta de alternativas vindas da formação, ou porque o mercado não está disponível para largar os milhões das cláusulas de rescisão, encontrando mais barato noutras paragens. Ora aqui está uma questão estratégica do futebol leonino, a que José Eduardo Bettencourt deve dar prioridade.
De resto, o “losango da equipa principal” entra em rota de colisão com o 4X3X3 dos escalões de formação. Donde, o Sporting estará a formar extremos nas suas equipas jovens que, depois, não consegue rendibilizar na equipa principal, tudo em nome de um sistema táctico que colide com o jogo mais largo e ambicioso das camadas jovens, prejudicando uma cultura coerente que seja um modelo para todo o clube. Daí que o jovem talento Diogo Viana tenha ido directamente para o FC Porto sem passar pela equipa principal...
É um problema sério demais para ser ignorado pelos dirigentes sportinguistas. A verdade é que, à excepção de Liedson (o único grande achado internacional nos últimos cinco anos) ou João Moutinho, o Sporting não tem hoje nenhuma estrela indiscutível. E por isso é que, desde Nani, em 2007, não consegue vender jogadores. Porque não está interessado, em função da falta de alternativas vindas da formação, ou porque o mercado não está disponível para largar os milhões das cláusulas de rescisão, encontrando mais barato noutras paragens. Ora aqui está uma questão estratégica do futebol leonino, a que José Eduardo Bettencourt deve dar prioridade.





