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domingo, 19 de julho de 2009

O cancro táctico que está a minar o Sporting

O famigerado “losango de Paulo Bento”, sendo um modelo de jogo como outro qualquer, está, porém, a ser mais prejudicial ao clube leonino do que parece. É uma espécie de cancro táctico que está a minar o Sporting, não só como equipa de futebol ganhadora, mas também como clube formador e como clube que precisa de rendibilizar a sua formação para ser economicamente sustentável.
Nos tempos de sucesso – que nos últimos 30 anos têm sido cada vez mais escassos e pontuais, infelizmente –, as equipas de futebol do Sporting foram sempre cimentadas num casamento perfeito entre um restrito grupo de grandes jogadores criativos (daqueles que chamam público aos estádios) e um conjunto de jogadores-operários. Afinal, o grande segredo das equipas equilibradas. Foi assim em 1982 com Freire e o trio maravilha formado por Manuel Fernandes, Oliveira e Jordão, bem secundado por jogadores-operários que eram o sustentáculo da equipa, como Bastos, Zezinho, Virgílio, Barão, Nogueira, que vestiam o fato-macaco mesmo em dias de gala, sendo simples e eficazes na destruição do jogo contrário…
Sem esta simbiose entre a arte e o trabalho, o futebol do Sporting jamais foi a algum lado, muito menos quando a criatividade dos seus jogadores foi reprimida por um sistema táctico demasiado conservador. E o Sporting de hoje é uma equipa reprimida, sendo talvez essa a explicação para o seu jogo monocórdico e irregular, ou revelador de "imaturidade", na expressão do treinador.
Quando assumiu o comando técnico da equipa, há quatro anos, Paulo Bento aplicou o “losango” como sistema táctico – utilizando “quatro estacas no meio-campo”, na expressão feliz de Luís Freitas Lobo, no "Expresso" –, com dois pontas-de-lança móveis em toda a largura da frente de ataque, com missões também defensivas.
As primeiras vítimas deste sistema foram jogadores que actuam nos extremos do relvado, como o camaronês Douala e os portugueses Silvestre Varela (hoje a dar resultados ao FC Porto) e David Caiado (já desligado do clube), que foram forçados a procurar outras paragens.
Haverá outros jogadores da formação do Sporting que não são aproveitados ou que têm ficado pelo caminho, por não encaixarem no sistema que o treinador Paulo Bento segue como um dogma. Diogo Viana, por exemplo, acabou vendido ao FC Porto. Pereirinha é um sobrevivente, resistindo porque tem sido adaptado em toda a faixa direita da equipa. Mas tarda em tornar-se indiscutível. O mesmo acontecendo com Yannick Djaló, outro ex-extremo na formação...
Por falar em formação é preciso recordar que o primeiro critério de Aurélio Pereira para aprovar um jovem na academia de Alcochete é justamente a capacidade técnica dos candidatos a futebolistas. Logo, têm prioridade aqueles atletas que são exímios a conduzir a bola ou nos lances de um para um. Os artistas que empolgam os estádios e que dão fama à formação leonina. É por isso que o Sporting é reconhecido como uma das melhores escolas de extremos do mundo, tendo formado jogadores como Paulo Futre, Luís Figo, Simão Sabrosa, Ricardo Quaresma, Cristiano Ronaldo, Nani.
Curiosamente, Nani foi o último extremo formado no Sporting a dar lucro ao clube. Foi o primeiro jovem lançado por Paulo Bento (logo que assumiu funções como treinador principal), mas também foi o último a sair de Alvalade valorizado. Depois dele, ninguém despontou. Em quatro anos, Paulo Bento não conseguiu valorizar mais nenhum jogador, além de Nani. Antes pelo contrário: os jogadores que saem, saem desvalorizados. Os que ficam, marcam passo.
De resto, o “losango da equipa principal” entra em rota de colisão com o 4X3X3 dos escalões de formação. Donde, o Sporting estará a formar extremos nas suas equipas jovens que, depois, não consegue rendibilizar na equipa principal, tudo em nome de um sistema táctico que colide com o jogo mais largo e ambicioso das camadas jovens, prejudicando uma cultura coerente que seja um modelo para todo o clube. Daí que o jovem talento Diogo Viana tenha ido directamente para o FC Porto sem passar pela equipa principal...
É um problema sério demais para ser ignorado pelos dirigentes sportinguistas. A verdade é que, à excepção de Liedson (o único grande achado internacional nos últimos cinco anos) ou João Moutinho, o Sporting não tem hoje nenhuma estrela indiscutível. E por isso é que, desde Nani, em 2007, não consegue vender jogadores. Porque não está interessado, em função da falta de alternativas vindas da formação, ou porque o mercado não está disponível para largar os milhões das cláusulas de rescisão, encontrando mais barato noutras paragens. Ora aqui está uma questão estratégica do futebol leonino, a que José Eduardo Bettencourt deve dar prioridade.

sábado, 17 de maio de 2008

A lesão de Liedson

Entre o dia em que sofreu a lesão e o dia da operação ao joelho passaram 20 dias! Quase três semanas para concluir que Liedson, afinal, tinha sofrido uma rotura de ligamentos no joelho esquerdo. Por que é que foi preciso tanto tempo?...
O avançado brasileiro lesionou-se em 27 de Abril, no jogo com o Marítimo. E ainda chegou a ser hipótese a sua recuperação para a final da Taça de Portugal. Estranhamente, e apesar de estarmos na vanguarda da tecnologia médica, só três semanas depois é que os médicos descobriram, afinal, que a lesão do jogador era grave. Não terá sido tempo demais?...
Liedson foi operado nesta sexta-feira e vai parar cinco meses, o que significa que não estará a cem por cento antes de Outubro. Que recupere depressa e bem e que os colegas de equipa, nesta hora difícil, lhe dediquem a conquista da Taça de Portugal são os votos do LEÃO DA ESTRELA!

terça-feira, 29 de abril de 2008

A ausência de Liedson

Nos últimos três jogos que faltam disputar, em que o Sporting tem como objectivo garantir o segundo lugar na I Liga e ganhar a Taça de Portugal, o pior que poderia acontecer era que a ausência de Liedson em cada desafio fosse mais falada do que a presença dos restantes jogadores do plantel. Seria a maneira mais fácil de a equipa fracassar. Para que isso não aconteça, será determinante o discurso de Paulo Bento e dos dirigentes leoninos, tanto para o balneário como para o exterior.
Com Liedson, aparentemente, fora dos combates que ainda restam, inclusive a final da Taça de Portugal, é fundamental motivar os jogadores que estarão disponíveis e convencê-los de que são capazes de garantir com sucesso os objectivos do Sporting. Até porque a equipa não vai entrar em campo com dez jogadores. Entrará sempre com onze. Tal como o adversário.
Sabemos, evidentemente, que Liedson é um dos jogadores que não sabem jogar mal. Marca golos, faz pressão no último terço do campo, está sempre em movimento e participa nas missões ofensivas com uma grande qualidade. Também sabemos que não há na linha de avançados do plantel leonino alguém com a sua dimensão técnica e com um raio de acção tão alargado. Mas é nestas alturas que a linha de comando tem que saber motivar, de modo a que as fraquezas se transformem em forças suplementares. Motivar com palestras de balneário, mas, sobretudo, motivar também mostrando aos jogadores os vídeos dos momentos mais gloriosos da história do Sporting, com imagens de grandes vitórias e imagens de grandes alegrias de milhares e milhares de sportinguistas no País e em comunidades lusas espalhadas pelo Mundo.
É provável que muitos dos jogadores não saibam o que foi o “7-1” ou que jamais tenham visto a onda de alegria popular que invadiu as ruas do País, de norte a Sul, com a conquista do título do ano 2000. Ora, se o aspecto psicológico funcionar (e não tem funcionado, infelizmente…), o Sporting ainda pode salvar a temporada. Para começar, talvez não seja má ideia entrar no Estádio da Mata Real, em Paços de Ferreira, e procurar a vitória desde o primeiro minuto, com esforço, dedicação e devoção. Para que a Glória seja uma realidade! FOTO: Marcos Borga (Reuters)

Vukcevic e outros descontentes

É impressionante a sucessão de trapalhadas no Sporting tendo como protagonistas jogadores e empresários. E impressiona também a falta de protecção ao treinador, Paulo Bento, que, em todos os casos, aparece como o único responsável do clube. Uma situação com a qual Filipe Soares Franco deveria preocupar-se seriamente, de modo a blindar o balneário e estabilizar o grupo de trabalho.
Primeiro foi Stojkovic, depois Liedson, depois Purovic… A história mais recente, que marca a actualidade no Sporting nesta fase tão crucial da temporada, tem como protagonista Vukcevic, que está descontente com a sua condição de suplente. O engraçado é que, uma semana depois de o jogador ter afirmado que continuaria no Sporting e que se encontrava bem em Alvalade, aparece o empresário Zoran Stojadinovic a fazer ameaças e considerações inconcebíveis, afirmando, por exemplo, que não entende por que é que Vukcevic - a melhor contratação de Carlos Freitas, que já fala português, sendo um exemplo para outros estrangeiros que chegam a Alvalade - não é titular. “Se continuar assim, vamos ter de falar no final da época”, ameaça, ao jornal "A Bola", o agente FIFA, que também gere a carreira de outra “estrela” descontente, o também montenegrino Purovic. A juntar a estas casos há outro tipo de instabilidade, essa resultante das tentativas dos empresários de inflacionar o valor dos ordenados ou dos passes dos jogadores. O que acontece, invariavelmente, um dia depois de um bom jogo dos atletas que precisam de arranjar contrato. A ideia que fica é que não há ninguém no Sporting que ponha os empresários em sentido.

sábado, 5 de abril de 2008

Soares Franco, Cristiano Ronaldo e a formação

Há frases cujo efeito se revela imprevisível, ou mesmo assassino, e que, por isso, deveriam ser evitadas. Mas é um risco que todas figuras públicas correm quando têm um microfone à sua frente. Em Glasgow, Filipe Soares Franco colocou-se à disposição dos jornalistas portugueses e foi respondendo às perguntas que lhe faziam. A certa altura, um deles questionou o presidente leonino sobre a venda prematura de Cristiano Ronaldo ao Manchester United, procurando saber se Filipe Soares Franco achava se tinha sido um bom ou um mau negócio para os cofres do Sporting a sua venda em 2003, quando ainda tinha 18 anos, tendo em conta a evolução e o rendimento desportivo entretanto mostrado pelo atleta. Ora, a resposta do líder sportinguista foi, no mínimo, surpreendente: “O Cristiano Ronaldo que hoje está no Manchester não é o Cristiano Ronaldo que saiu do Sporting.”
Não será preciso muito esforço para entender o raciocínio de Soares Franco. Basicamente, o presidente do Sporting quis dizer que, em quase cinco anos de trabalho em Inglaterra, Ronaldo evoluiu como jogador aquilo que ninguém pensaria em Alvalade, quando o atleta foi vendido, já com a temporada 2003-2004 em preparação, prejudicando a planificação técnica elaborada pelo treinador Fernando Santos.
Porém, o que está implícito naquela frase de Soares Franco – que atribuiu a explosão mundial de Cristiano Ronaldo à escola de formação do clube de Carlos Queirós… –, é algo muito mais sério. Sobretudo quando se pretende afirmar o Sporting Clube de Portugal pela qualidade da sua escola de formação. No fundo, Soares Franco pôs em causa a Academia de Futebol do Sporting como centro de formação de talentos de qualidade mundial, dizendo aos jovens futuros craques leoninos que, para evoluírem a sério no futebol de alta competição, terão que deixar Alcochete logo que possam. E pôs em causa a equipa principal do Sporting como espaço de crescimento de futebolistas de alto rendimento. A declaração do presidente, que deveria constituir um motivo de reflexão em Alvalade, nomeadamente no congresso que está em preparação, não ajudará nada na valorização da camisola do Sporting junto dos jovens atletas, nem foi nada agradável para os treinadores e todos aqueles que trabalham no futebol leonino, seja no futebol de formação, seja no futebol profissional.
Tudo isto numa pequena frase sobre a venda de Cristiano Ronaldo, que foi, de facto, prematura. Mas terá sido o negócio possível entre um clube português que se está a perder em juros a pagar à banca e uma máquina riquíssima e organizada do futebol mundial, que, segundo o presidente do Sporting, até é melhor na formação de jogadores.

quinta-feira, 27 de março de 2008

O Sporting e a ressurreição de Carlos Martins

A ressurreição de Carlos Martins no futebol espanhol, ao serviço do modesto Huelva, que esteve na origem do seu regresso à selecção nacional portuguesa, levanta um problema novo à administração do Sporting. Completamente recuperado fisicamente, o jogador, proscrito em Alvalade, por se ter incompatibilizado com Paulo Bento e com o médico Gomes Pereira, pode muito bem ser o próximo seguir as pisadas de outros ex-craques leoninos, como Ricardo Quaresma e Simão Sabrosa, vestindo uma das camisolas dos eternos rivais FC Porto e Benfica. E mais um caso desses seria humilhante para a nação sportinguista, cuja academia de futebol ganharia em definitivo a imagem de ser formadora de jogadores cujo alto rendimento é exibido em proveito dos adversários leoninos mais directos...
É verdade que Carlos Martins, jogador que transporta a chamada "mística sportinguista", não conseguiu afirmar-se em definitivo no Sporting, contrariamente ao que tinha prometido no arranque da temporada de 2006-2007. Mas, dada a regularidade com que tem jogado em Espanha, confirmada pelos 90 minutos jogados no Portugal-Grécia, também é verdade que o departamento médico do Sporting parece ter tido responsabilidades na irregularidade de Carlos Martins, provocada por problemas físicos não detectados pelos clínicos de Alvalade e, ao que parece, resolvidos na Alemanha, à revelia de Paulo Bento e de Gomes Pereira. Depois, vieram os confrontos verbais nos jornais, agravando as incompatibilidades pessoais. Entretanto, o jogador, provando que tinha revelado alguma imaturidade no relacionamento com a comunicação social, que é própria da juventude, mas demonstrando que tem carácter, já veio a público retirar o que tinha dito em relação a Paulo Bento …
Em nome dos grandes interesses do Sporting Clube de Portugal, faria todo o sentido promover as pazes entre as partes, de modo a que o clube possa recuperar um activo, apesar de tudo querido da massa associativa que gosta do melhor futebol de Carlos Martins. A questão é que houve erros das duas partes. Seria, por isso, importante que o presidente Filipe Soares Franco e Miguel Ribeiro Teles provassem que são líderes e patrocinassem o encontro entre os desavindos, em favor do clube. Paulo Bento, Gomes Pereira e Carlos Martins incompatibilizaram-se no exercício da sua profissão. É normal em todas as profissões. Mas mais do que isso: o jogador, que é o elo mais fraco desta história, afinal, tinha razões para ir à Alemanha. Por isso, da mesma forma que se incompatibilizaram, as partes do conflito também deveriam revelar agora humildade e sentido de responsabilidade em nome do clube que lhes pagava o vencimento ao fim do mês.
Poderiam dar uma lição sem precedentes no clube e um sinal claro para o futuro, no sentido em que, independentemente das pessoas, o Sporting Clube de Portugal é o elo mais forte da nação leonina. Porque o Sporting não pode continuar a excluir pessoas, como tem acontecido ao nível dirigente, à medida que uma divergência acontece. FOTO: AP Photo

segunda-feira, 17 de março de 2008

Contradições leoninas

Paulo Bento disse que não tem havido justiça na avaliação do desempenho do Sporting na temporada em curso e que o balanço só deve ser feito no fim. O treinador leonino considera ainda que a equipa ainda pode fazer “uma boa época” e "uma I Liga razoável". Pelo meio, foi traído pela sinceridade, ao revelar que o Sporting “não pode errar mais”. Isto é, entrou em contradição porque considerou injusto o que se diz da equipa e, ao mesmo tempo, confessou que a equipa já errou demais.
Numa coisa Paulo Bento tem razão e merece o reconhecimento: as aspirações leoninas continuam intactas em três frentes (Taça da Liga, Taça de Portugal e Taça UEFA), o que, em condições normais, seria motivo de alegria e mobilização da nação sportinguista. Mas não é isso que acontece.
O verdadeiro problema, e aí Paulo Bento não pode falar que há injustiça na avaliação que se faz ao Sporting deste ano, são as exibições miseráveis na grande maioria dos jogos, mesmo quando terminam com a vitória leonina. Outro problema: os erros de “casting” nas contratações avalizadas pelo próprio Paulo Bento, que agora recorre à “prata da casa” para salvar o que resta da época.
A prestação da equipa fora de casa, em jogos para o campeonato, é uma das piores da história do clube. E isso faz de cada jogo do Sporting um exercício de má propaganda do futebol, condenando ao fracasso uma boa campanha de angariação de sócios recentemente lançada. No Sporting, o apito final de cada jogo não pode significar um momento de alívio para técnicos e jogadores...
A época leonina é mesmo cheia de contradições. O futebol é feio e sofrido, mas a equipa já ganhou a Supertaça, está na final da Taça da Liga, nas meias-finais na Taça de Portugal e nos quartos-de-final da Taça UEFA. E beneficiando da crise benfiquista, ainda pode chegar ao segundo lugar na I Liga. Sem futebol para nos emocionar, valha-nos a frieza dos números.

terça-feira, 11 de março de 2008

O pior da história leonina

Não há vitória para uma taça qualquer que esconda a miséria leonina na I Liga Portuguesa, que é a prova mais importante do ano - ainda que esta semana possa ficar marcada pelo apuramento para os quartos-de-final da Taça UEFA, que alimentará a ilusão de que o Sporting tem uma equipa de dimensão europeia. A realidade é que abrimos os jornais e vemos o futebol do Sporting a ser falado pelos piores motivos. Agora, fazem levantamentos aos piores anos de sempre no campeonato português e comparam esses momentos desportivamente miseráveis com o desempenho na Liga 2007-2008. Era inimaginável, mas estas aulas do pior da história leonina estão a ser dadas todos os dias. Quem não sabia, fica a saber que, a oito jornadas do fim, o Sporting já esteve pior do que agora. Em 1964-65 estava em sexto lugar. Em 1968-69 estava em sétimo lugar. Este ano, pelo menos, ainda estamos em quinto lugar... Ora aqui deve estar uma boa razão para manter o "sobrevivente" Paulo Bento como treinador, apesar de a equipa do Sporting estar pior classificada do que no tempo de Jorge Gonçalves!... Entretanto, não seria má ideia fazer um levantamento ao número de lesões musculares por temporada nos últimos 30 ou 40 anos e procurar perceber se as oscilações no número dessas lesões têm alguma coisa a ver com a qualidade das equipas médicas e de preparação física.

terça-feira, 4 de março de 2008

RECORTES LEONINOS João Moutinho


UM EXEMPLO DE PROFISSIONALISMO

João Moutinho continua a ser a expressão máxima da regularidade num Sporting de contrastes. O capitão dos "leões" cumpre, na próxima jornada, 100 jogos na Liga portuguesa e continua a ser, aos 21 anos, um exemplo de profissionalismo.

Sporting-Pampilhosa, Taça de Portugal, 4 de Janeiro de 2005, minuto 71": José Peseiro chama um jovem franzino, de 18 anos, para refrescar a equipa, numa altura em que os "leões" tinham o encontro resolvido (4-1). João Moutinho corria os primeiros 20 minutos em Alvalade em partidas oficiais.
Sporting-Benfica, Liga, 38 meses mais tarde. Com a braçadeira de capitão, Moutinho disputa a sua 150.ª partida, em apenas quatro temporadas com a camisola sportinguista. Assinala a efeméride com uma grande exibição, plena de precoce maturidade e brilhantismo.
A comandar o meio-campo leonino, o "jovem veterano" provou mais uma vez que é no centro do terreno que se revelam todas as suas qualidades. Está encontrada a melhor solução para a ausência de Romagnoli. Os argumentos convenceram: passes rasgados para os sprintes de Vukcevic e Tiuí; recuperações cirúrgicas e rápidas transições atacantes. Acima de tudo, incansável.
Na próxima jornada, o polivalente jogador (que domina todas as posições do meio-campo) cumprirá o seu 100.º encontro numa Liga portuguesa que poderá perder em breve o talento de mais esta jóia da mina inesgotável da Academia de Alcochete – basta que um clube estrangeiro repare nas qualidades deste internacional. Com contrato até 2013 em Alvalade, Moutinho mantém níveis estatísticos insuperáveis: é o único jogador do plantel que participou em todos os encontros disputados esta época, tendo perdido apenas os primeiros 45" da eliminatória da Taça da Liga, com o Fátima, no Restelo (1-2). Apontou seis golos esta temporada (tantos como o avançado Purovic), mais dois do que em cada uma das épocas anteriores, sendo ainda responsável por três assistências para golos dos seus companheiros. João Moutinho é a expressão máxima da regularidade neste Sporting de tão vincados contrastes.
AUTOR: Paulo Curado, “Público”, 04-03-2008

quinta-feira, 21 de junho de 2007

A política de contratações

Gladstone, Izmailov e, agora, Derlei. As três primeiras contratações externas do Sporting para a nova temporada têm um traço comum que representa um risco para o projecto ganhador anunciado pelo presidente Soares Franco. É que estamos a falar de três jogadores escolhidos por Carlos Freitas que chegam a Alvalade à procura de uma reabilitação das suas carreiras profissionais. São três jogadores com provas dadas, é certo, mas também é verdade que são três jogadores que não têm andado de braço dado com o sucesso. Gladstone, que já falhara uma primeira aventura europeia, era suplente no Cruzeiro; Izmailov, depois de sacudido por lesões, não mais evidenciou todo o seu potencial, que fez dele uma estrela emergente do futebol russo; e sobre Derlei, em fim de carreira, já sabemos o que fez no Benfica nos últimos meses. Portanto, o Sporting, que apesar da venda de Nani continua a ser um clube deficitário, acaba por comprar apenas aqueles que outros concorrentes na Liga dos Campeões não querem, na esperança de que a coisa funcione. É um risco que Paulo Bento assume, ao elogiar esta política de contratações. Mas afirmar que os jogadores já contratados são “ideais” para “reforçar” o plantel e têm o “perfil e características” pretendidas talvez seja um exagero. Afinal, o Sporting contrata o que pode contratar. Depois vê-se... Se houver azar com algum destes "craques", não faltarão miúdos da Academia prontos a dar o litro, cheios de força, de técnica, de prazer em jogar à bola e de muita ambição. E a aposta na formação continuará a ser uma bandeira do Sporting… Já foi assim em 2006-2007.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

O futuro capitão do Sporting

Com a transferência de Custódio para o Dínamo de Moscovo, a nomeação de um novo capitão da equipa de futebol do Sporting será um dos dossiês para decidir na pré-temporada. Na última época, Custódio foi o capitão, por escolha do treinador Paulo Bento, que também nomeou Ricardo e João Moutinho, como segundo capitão e terceiro capitão, respectivamente. Foi uma solução que veio de cima.
Há dias, o jornal “A Bola” surpreendeu com mais uma daquelas notícias que nos obrigam a ler tudo até ao fim para ficarmos a saber o mesmo. “Caneira provável capitão se ficar no plantel”, revelava “A Bola” na primeira página. Lá dentro, o título “Caneira a capitão”. No corpo da notícia havia de tudo. Desde “forças no Leão” a querer alterar o estatuto do internacional português até “alguns altos responsáveis do clube” que vêem em Caneira qualidades para capitão. “Algumas figuras do universo futebolístico sportinguista” também eram mencionadas como defensoras de um capitão “mais interventivo”. “Vários dirigentes de destaque no clube” também acham que Caneira deveria ser o capitão, pelo que consideram que Ricardo e João Moutinho – os capitães que se seguiriam como “seria mais lógico” – devem ser descartados. “A Bola” diz ainda que até “alguns jogadores” consideram que Caneira é que deve ser o capitão.
Bom, se isto não é o tal “jornalismo de sarjeta” de que recentemente falava o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, que tutela a Comunicação Social, andará, certamente, muito perto da sarjeta. Porque “A Bola” deveria, no mínimo, dizer quem são as tais “figuras do universo futebolístico sportinguista” e os jogadores que defendem Caneira como próximo capitão. E deveria perguntar a Paulo Bento se voltará a decidir quem será o capitão ou se deixará a tarefa da escolha para os próprios jogadores. Como esse trabalho não foi feito, a notícia cheira a encomenda destinada a condicionar a escolha. Aliás, não deixa de ser curioso que se fale em Caneira para capitão e, ao mesmo tempo, a continuidade do jogador em Alvalade continue “envolta num ponto de interrogação”
Não estando em causa o profissionalismo de Marco Caneira e a sua experiência multifacetada - de que fez parte uma incursão no Benfica… -, pensamos, no entanto, que o jogador não reúne todas as condições para ser o próximo capitão do Sporting. Por uma razão principal: Caneira não pertence aos quadros do clube. E da mesma forma que o Sporting viveu quase cem anos para admitir um capitão estrangeiro – o búlgaro Yordanov – não deverá entregar a braçadeira de capitão a um atleta cuja continuidade no clube está em dúvida sempre que o mercado reabre.
Um capitão deve projectar uma imagem exemplar em todos os níveis. Uma imagem exemplar pelas suas qualidades humanas e profissionais. E dentro das qualidades profissionais, o vínculo ao clube é fundamental, desde logo como sinal para o interior do grupo de trabalho. O futebol do Sporting, que tem apostado numa política de contratações externas que passa pelo empréstimo com opção de compra, não pode, no entanto, deixar de consolidar um grupo forte entre aqueles futebolistas que são da casa, que são dos “nossos”, que são um exemplo para todos. É a mística gerada por esse grupo que deve acolher e integrar da melhor forma aqueles que vão entrando em cada reabertura do mercado, fazendo com que todos sejam “nossos” quando vestem a camisola verde e branca… É daquele grupo "acolhedor" que terá de sair o futuro capitão do Sporting.
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