quinta-feira, 30 de agosto de 2007

"A Bola" e a sorte do Benfica

Há muito que o jornal "A Bola" não é o que era. Era um jornal dominado por benfiquistas, mas era um jornal credível e respeitado por todos. Até ganhou a fama de ser "a bíblia do desporto". Hoje já não é assim. O rigor que só "A Bola" fornecia já é um património do passado. Basta dar uma vista de olhos pela edição 2007 dos "Cadernos de 'A Bola'" - uma espécie de guia anual dos campeonatos nacionais de futebol - para perceber como o jornal da Tavessa da Queimada se encontra em plano inclinado, atingido pelo vírus da incompetência profissional. Um problema que se tornou evidente quando o jornal deixou de ser um trissemanário bem escrito e bem reflectido e passou a ser mal escrito diariamente. Numa coisa "A Bola" continua fiel a si própria: é que continua a ser um jornal dominado por benfiquistas. Basta Rui Costa espirrar ou fazer anos para ter duas ou quatro páginas de textos laudatórios com fotografias bem enquadradas. Vem isto a propósito da edição de hoje do jornal que já foi de jornalistas brilhantes como Carlos Pinhão, Vítor Santos, Alfredo Farinha, Aurélio Márcio, Carlos Miranda, entre muitos outros. O que "A Bola" de hoje prova é que a realidade é aquilo que o jornalista quiser que ela seja. A propósito do apuramento do Benfica para a fase de grupos da Liga dos Campeões, "A Bola" consegue ser totalmente contraditória. Na primeira página, o director, ou quem o substituiu, escreveu: "A SORTE NÃO CAIU DO CÉU". Nas duas páginas da crónica do jogo, que foram escritas por um dos jornalistas que estiveram em Copenhaga, o título e o texto dizem absolutamente o contrário: "HÁ DIAS EM QUE SE PODE SAIR DE CASA E ESPERAR A SORTE". É uma no cravo e outra na ferradura! É a sorte do Benfica!

7 comentários:

BOLA NA ÁREA disse...

Luis Paulo, o problema de A BOLA é o de outros jornais que deixaram de apostar nos jornalistas que sabem fazer a diferença e que ou prescindiram deles, por serem incómodos, ou os arrumaram em prateleiras - como aconteceu no jornal da Travessa da Queimada com João Alves das Costa...e também com Rui Santos. A reportagem passou a ser um género menor e conseguir dar um cheirinho numa edição dominada por aquilo a que na giria todos chamamos "portices", "benfiquices" e "sportinguices" - e outras preguicites... - é tarefa enorme. Os planos de edição fazem-se com dois dias de antecedência e as primeiras páginas oscilam entre a imagem do craque a festejar ou em pose de tristeza. As primeiras páginas são decididas em reuniões plenárias, onde qualquer golpe de asa pode acabar cortado à catanada. As novas gerações são híbridas, mas não têm culpa. Como se costuma dizer, a culpa é do sistema, que baixou o nivel de exigências e que vulgarizou o meia bola e força. E os bons repórteres que despontam são rapidamente tentados a mergulhar em águas tépidas, produzindo páginas e páginas ora sobre nada ora sobre coisa nenhuma. Haja, porém, esperança. Dando como exemplo A BOLA, vale sempre a pena ler o que sai das...penas de António Casanova, Carlos Vara, Nuno Vieira, Rogério Azevedo, António Simões (epístolas à parte), José Manuel Freitas, Paulo Montes e mais uns tantos. Lamentavelmente, o excepcional tornou-se a excepção e a regra há muito que não é de ouro.

LF disse...

Caro Leão,

É um facto que A Bola actual nada tem a ver com o extraordinário jornal que era há 20/30 anos atrás (lembro-me por exemplo que a propósito dos jogos no estrangeiro, trazia fantásticas crónicas sobre a história e a cultura dos países).
Mas julgo que o problema não está apenas n'A Bola, sendo generalizável a todos os jornais, desportivos ou não.

A imprensa escrita ainda não se adaptou totalmente a um novo tempo, em que a internet dita regras, e em que as pessoas se habituaram a dispor de informação na hora, sendo que no dia seguinte já a actualidade é outra.

A concorrência entre os jornais desportivos também acabou por nivelá-los por baixo, procurando cada um ser mais sensacionalista que o outro.
O facto de se terem tornado diários fez com que tivessem de explorar outros aspectos, para mim pouco interessantes (designadamente os treinos das equipas, os aniversários dos jogadores etc), pois na verdade salvo alguns momentos da temporada, não há matéria para um dirário desportivo manter sempre a qualidade e o interesse.

Apesar de tudo, A Bola ainda me parece o melhor.
É verdade que tende para o Benfica (demais até para mim que sou benfiquista mas procuro e prezo a informação isenta, pois se quiser sectarismo tenho o jornal do clube), mas em termos de estrutura jornalística, qualidade gráfica, qualidade de textos, equilíbrio entre noticias e opinião, parece-me inquestionavelmente à frente da concorrência.

No caso concreto não me parece que tenha havido incoerência alguma. O Benfica teve muita sorte, é um facto, mas pelo que correu, pela forma como os jogadores se entregaram, pelo espirito de grupo demonstrado (e que andava algo ausente), acabou por merecer essa sorte.
Sem sorte não teria passado, mas só com ela e sem trabalho também não.
Penso que é esta a ideia. Com a qual aliás concordo.

O INFERNO DA LUZ disse...

Senhor Leão: o problema não é de "A Bola". No caso que realça, até podemos ser mais papistas que o papa e dizer que é um jornal pluralista, onde um jornalista viu sorte outro não viu sorte nenhuma. Você, que pela maneira que escreve parece que já foi jornalista, sabe, portanto, que duas pessoas a ver o mesmo acidente têm versões diferentes. Veja lá agora um jogo de futebol. Eu, por exemplo, não vi sorte nenhuma do Benfica em Copenhaga, como não vi, como Jorge Coroado, falta no lance do Porto-Sporting que deu a vitória ao Porto. Você, que é sportinguista, diz que é um lance duvidoso, eu, que sou benfiquista, e o Jorge Coroado, que é belenenses, dizemos que o árbitro errou. Veja lá como são as coisas. Deixe lá a Bola em paz e procure contradições e omissões dentro do seu sporting. vai ver que não lhe falta matéria. E já agora, se tiver paciência, veja o que escrevi sobre a Bola e os outros jornais. fique bem...

Anónimo disse...

No jogo com o Copenhaga é óbvio que o Benfica se pode dar por muito feliz por não ter sofrido um único golo, tantas foram as oportunidades dos dinamarqueses!
Os primeiros 15 minutos foram de sufoco...no 1º remate do Benfica, marcam...
Em suma, sorte, muita sorte teve o Benfica neste jogo...mais do que qualidade de jogo (muito pouca!) ou mérito (foi mais azelhice dos avançados do Copenhaga!), o Benfica teve foi muita sorte...
Claro que as verdades custam ouvir, não é meus caros amigos?!?!?!

Anónimo disse...

Benfica? Só leite em toda a sua historia, chegam a finais europeias apanhando os seus adversários em má fase, veja-se contra o Munited na luz, em que nao jogaram nadaaaaaaaaa, ate beto marca um golo fdx?????

Liverpool na luz? fdx outro jogo deles pa esqueçer, Barça na Luz?

LEITEEEEEEEEEEEEEEEEE é o que o benfica tem mais...

Mérito?

Luís Rodrigues disse...

E o Fernando Santos queixava-se que o clube não tinha uma politica de comunicação...

Sportingman disse...

Sempre foi assim, é por isso que nunca o leio!

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