sábado, 27 de outubro de 2007

RECORTES LEONINOS Sporting

DISCUTIR O SPORTING
Já ninguém, dentro do Sporting, é capaz de dizer seja o que for a Paulo Bento. E isso é muito mau. Vamos lá discutir o Sporting, sem que para isso seja necessário tirar uma licença.

[A PRESIDÊNCIA] Filipe Soares Franco é um presidente que está um bom par de metros acima do nível médio do dirigismo desportivo. Não é ironia face à sua estatura: é assim mesmo. Soares Franco talvez seja um presidente mais plural, em certo sentido, do que alguns dos seus antecessores, porque toda a vida conviveu com benfiquistas, sem o mais pequeno problema. Às vezes até passa a imagem de pouco sportinguismo mas isso resulta apenas da sua forma de estar na vida. Resiste, contudo, ao ‘pato-bravismo’ que se acha, facilmente, entre muitos dos presidentes que compõem o universo clubístico do futebol nacional. Devia ser mais consequente na abordagem do ‘Apito Dourado’.

[A ADMINISTRAÇÃO] A SAD fecha-se numa ideia muito unilateral sobre as questões do futebol. A ditadura da intolerância, associada à ditadura de um único saber, faz com que o efeito positivo da blindagem do balneário se perca na dificuldade de se alargar os horizontes. Também do pensamento.

[O TREINADOR] O endeusamento em torno de Paulo Bento – endeusamento que começou dentro do Sporting e se espalhou pelos corredores de um certo facilitismo lusitano – está a conhecer o lado negativo que esses fenómenos acabam sempre por revelar. A criação de mitos também é uma característica das sociedades modernas, cada vez mais mediatizadas. O cabelo do treinador e os sketches dos ‘Gatos’ ajudaram a criar uma aura de simpatia e popularidade junto de Paulo Bento, com a qual ele próprio soube conviver. É fácil lidar com os momentos bons. Mais difícil é lidar com as situações menos positivas. E, para alguns, o reconhecimento do erro é uma tortura, quando já não é possível questionar o mito. Saber conviver com a crítica, como defende Rogério Alves, é fundamental para o crescimento do Sporting. Tenho muitas dúvidas de que esta SAD e este treinador possuam essa capacidade. Colocando as coisas no plano do treinador dos leões: beneficiou de uma conjuntura interna favorável, agarrou a oportunidade, exibiu algumas qualidades, mas está longe – muito longe – de ser um grande treinador. Ninguém, dentro do Sporting, é capaz de dizer seja o que for a Paulo Bento. E isso é muito mau.

[OS JOGADORES] Na baliza, Stojkovic não fez esquecer Ricardo. Se fosse um grande guarda-redes, Tiago não teria passado tanto tempo no banco. Rui Patrício? Era preciso ter coragem para o lançar e dar-lhe confiança. Na defesa, Abel ataca bem e defende mal. Polga é muito bom. Tonel, a imagem da eficácia. Ronny tem um problema de autoconfiança para resolver. É um jogador incompleto e perder-se-á com facilidade. Gladstone? A SAD tem de justificar a sua aquisição. Paulo Bento não pode pensar que os jogadores, depois de ‘mortos’, são facilmente recuperáveis. Não são. Had? Pois há-de. Quando? Ninguém sabe. No meio-campo, o Sporting recusa-se a jogar com um bloco compacto, que defende quando perde a bola e ataca quando está na posse dela. Miguel "Fashion" Veloso já provou que, se não perder aviões, pode passar da relva para as passerelles da moda. Um jogador de alto rendimento que vai ficar pouco tempo em Alvalade. Moutinho é também um poço de energia, mas deveria ter nesta equipa um papel que não lhe é atribuído por mera teimosia. Os médios interiores têm de fazer mais jogo exterior (ir à linha e cruzar), mas talvez o Sporting não tenha, afinal, esse tipo de jogadores. Futebolistas para ocupar as posições do losango, tem-nos. Mas para protagonizar um futebol rápido, assente nas compensações, não os tem. É pena ver Adrien ser relegado. Claramente, no caso de Romagnoli, a SAD está a tentar justificar o investimento na sua compra. É um jogador de futebol curto, interessante no último passe e nas assistências laterais mas não é um número 10. Paredes e Farnerud, zero. No ataque, Liedson, Liedson e Liedson. Yannick Djaló é vítima do sistema táctico e do facto de não se ter arranjado o avançado certo para jogar ao lado de Liedson. De Purovic já se viu tudo. Isto é: muito pouco. Último aspecto: a filosofia de jogo. O Sporting tem de tornar-se numa equipa de ataque. Para recuperar uma tradição perdida.
Autor: Rui Santos, "Correio da Manhã", 27-10-2007

1 comentário:

Mário Silva disse...

"Yannick Djaló é vítima do sistema táctico " !!!!

Alguém me sabe dizer qual o sistema táctico ideal para este jogador?

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