sexta-feira, 2 de novembro de 2007

A encruzilhada do Sporting

João Rocha: o último grande presidente do Sporting

Mais do que os acertos e falhanços de Carlos Freitas na contratação de jogadores, mais do que as trapalhadas com a marcação dos jogos da pré-temporada, mais do que as rocambolescas trocas de relvado do Estádio de Alvalade, mais do que a "gaffe" do funcionário no aeroporto, interpelando um jogador do Benfica pensando estar a falar com um reforço do Sporting, e mais do que as opções tácticas do treinador Paulo Bento, o verdadeiro problema leonino é estrutural, decorrendo da falta de uma liderança forte e de uma estratégia clara para a gestão do futebol e do clube.
Um exemplo: o presidente do Sporting, ao festejar a vitória da Taça de Portugal, não pode dizer que quer uma equipa de futebol baseada nos jogadores da formação e, na semana seguinte, assistir ao desmantelamento dessa estratégia com a saída de sete jogadores portugueses (um dos quais guarda-redes da selecção nacional), a dispensa de alguns valores seguros da formação e a entrada de oito jogadores estrangeiros que estavam a passar maus bocados noutras paragens. O Sporting tem de ser um clube vocacionado para a formação e para a conquista de títulos e jamais poderá ser uma espécie de clínica de reabilitação.
A verdade é que há mais de 20 anos que o Sporting não tem um presidente com a força, o carisma, a energia e a dedicação ao clube de um homem como João Rocha. Depois dele vieram Amado de Freitas, Jorge Gonçalves e Sousa Cintra (dedicou-se ao clube como os melhores mas faltavam-lhe outras qualidades). Depois, entrámos na era da SAD (sociedade anónima desportiva), com Pedro Santana Lopes, José Roquette, Dias da Cunha e Filipe Soares Franco. Mas nenhum destes protagonizou a força e o carisma de João Rocha, cuja presidência, nos anos setenta, teve como grande obstáculo o facto de Portugal atravessar um período difícil de transição política, social e económica.
Com a adopção do chamado “Projecto Roquette”, o Sporting deixou de ser dirigido num estilo "presidencialista" e os vários poderes foram entregues a tecnocratas (alguns deles simpatizantes de clubes adversários...), à imagem e semelhança de uma grande empresa ou da administração pública, em que cada departamento assume o seu papel e o seu protagonismo. O problema é que um clube de futebol não é um banco ou uma empresa de fabricar camisas ou salsichas. Um clube de futebol tem, desde logo, a pressão diária do sistema mediático. Um clube de futebol tem poderes e protagonismos internos mediatizáveis... Um clube de futebol implica saberes muito específicos que não se ensinam nem se aprendem nas universidades.
O que se passa actualmente no Sporting é reflexo de uma gestão de poderes partilhada, em que o presidente do clube e da SAD – em tempos havia dois presidentes… – não se assume como um líder forte. Pior do que isso, Filipe Soares Franco, que já confessou publicamente que só dedica uma hora por dia ao Sporting, é um presidente ausente, sem tempo para o clube, muito menos para representá-lo nas diversas instâncias do futebol. Numa reunião da Liga, se Pinto da Costa representa o FC Porto e Luís Filipe Vieira o Benfica, o Sporting deveria representar-se por Filipe Soares Franco. Por muito competente que seja Rogério de Brito, o representante do Sporting na Liga (e a figura dele não está em causa), não é a mesma coisa estar o presidente ou não estar o presidente. E ponto final.
Nos últimos dias, este afastamento dos principais dirigentes do Sporting em relação ao dia-a-dia do futebol leonino foi ainda mais notório, trazendo à tona esta fragilidade do clube. Filipe Soares Franco foi para Angola tratar de assuntos da sua OPCA. Miguel Ribeiro Teles não disse uma palavra em defesa do balneário. Carlos Freitas não respeitou as orientações do presidente da Assembleia Geral, Rogério Alves, que dissera há dias que é preciso aceitar as críticas e aprender com elas. Mais preocupado consigo próprio, Freitas não apareceu no clube, nem foi a Fátima, preferindo talvez fabricar notícias para os jornais, onde aparece a ensaiar uma tentativa de abandono do barco. A equipa foi para Fátima tendo Pedro Barbosa como chefe da comitiva. Por que é que não houve ninguém da SAD disponível para estar junto da equipa num jogo tão decisivo? Por que é que ficou outra vez Paulo Bento sozinho a defender o balneário e o Sporting?
Neste contexto, compreende-se a cara de funeral de Paulo Bento enquanto assiste aos jogos ou a sua irritação face às perguntas dos jornalistas. É que o treinador parece estar demasiado só e sabe que, para além do enorme desgaste a que está sujeito, está a ser queimado em lume brando. Porque o Sporting, além de Paulo Bento, não tem ninguém com uma palavra respeitável para o balneário e para o exterior. Se Liedson não tivesse inventado aquele golo a sete minutos do fim do jogo de Fátima, provavelmente Paulo Bento não teria espaço de manobra para continuar à frente da equipa.
O Sporting tem, por isso, um problema complicado para resolver. Se a equipa não começar a jogar futebol, a marcar golos e a ganhar jogos, é capaz de estar a caminho mais uma revolução. Aliás, o Sporting é dado a estas convulsões a meio das épocas. Tem sido sempre assim. Até em 1999-2000, ano em que fomos campeões 18 anos depois, houve mudanças com a época em andamento! Como houve mudanças, de presidente e tudo, a meio da época 2000-2001! E em 2005-2006 foi a mesma coisa! A questão é que, se Paulo Bento cair agora, não poderá cair sozinho. E se Carlos Freitas for embora, Pedro Barbosa e Paulo Bento também não poderão fazer de conta que não é nada com eles. Filipe Soares Franco sabe disso e já veio dizer que Carlos Freitas não sai. FOTO: "Record Online"

36 comentários:

FAMIFARDAS disse...

Uma análise muito lúcida e muito certeira!

ACF disse...

"Com a adopção do chamado “Projecto Roquette”, o Sporting deixou de ser dirigido num estilo "presidencialista" e os vários poderes foram entregues a "burocratas" (alguns deles simpatizantes de clubes adversários...), à imagem e semelhança de uma grande empresa ou da administração pública, em que cada departamento assume o seu papel e o seu protagonismo. O que se passa actualmente no Sporting é reflexo de uma gestão de poderes partilhada"


Não vou defender os anteriores, porque esses também não eram perfeitos, mas a entrada de Pedro Santana Lopes no Sporting foi devastadora. Não falo de competências, porque eu próprio sou um leigo e incapaz de julgar os outros. Mas para mim competência e as qualidades humanas terão sempre que andar de mãos dadas pois sem umas, as outras não podem fazer tudo. Muito se perdeu, integridade, frontalidade e honestidade. O Sporting hoje em dia está minado por pessoas que querem lá ficar a qualquer custo, elogiam e pactuam com quem tem o poder, mas conspiram contra eles pelas suas costas enquanto se alinham com os sucessores. Este é que é o sistema que mina Paulo Bento e outros, o sistema da sobrevivência e de alianças, favores e "tachos". Foi esta mentalidade que Pedro Santana Lopes introduziu no Sporting, infelizmente.



André Figueiredo

Anónimo disse...

Análise BRILHANTE!

Parabens Leão da Estrela, ficou perfeitamente esclarecido o que aconteceu nos útlimos 10/15 anos do clube.

Parabens!

Anónimo disse...

Na estrutura actual do Sporting, o papel da SAD está, do meu ponto de vista, totalmente errado:

A SAD devería ser um complemento, um mecanismo, um veículo, um instrumento e um "ponta de lança" do Sporting Clube de Portugal, servindo como meio de transparência, profissionalismo e clarividência das contas e de tudo o mais (como, aliás de certa forma sucede nos nossos rivais) e não funcionar como um "clube paralelo", um "contra-poder", com uma ânsia de separatismo e de blindagem em relação ao Sporting Clube, que em minha opinião, desvirtua o porquê da sua existência e contribui para a perda da mistica e da tão essêncial e necessária cultura de Clube.

Outra questão que me parece pertinente: Nos moldes actuais, a SAD paga ao Sporting Clube de Portugal a utilização do emblema do Clube nas camisolas dos seus "activos"?

Porque "retirando" ao Clube receitas que, origináriamente, seríam suas e transferindo-as para a SAD ou outras empresas do denominado "Grupo Sporting" é depois muito mais fácil vir com o argumento de que o Clube não é viável e que é preciso tomar medidas...

Anónimo disse...

Este post complemnta com o post do - compromissosporting.blogspot.com - vale a pena dar uma olhadela...É elucidativo.

Anónimo disse...

O lobo sai da toca: afinal o desejado é o regresso dos Rocha ao Sporting. Tanta cacetada no actual status quo tinha de ter uma razão escondida.
Com os meus 40 anos a ver futebol em Alvalade tenho muito a dizer sobre isso. E infelizmente já percebi que vocês não perceberam que foi com ele que começou o declínio do clube.
Talvez passe por cá para vos dar umas pistas. Mas é gente demasiado perigosa e com demasiadas ligaçõs marginais para que gostasse de os ver novamente no clube. Disso tenho a certeza.

Anónimo disse...

Não concordando com tudo, revejo-me em muito nest artigo. Também considero o Sr. João Rocha o último grande Presidente do nosso Sporting. Que saudades, essencialmente do ecletismo que nos fazia ser enormes a nível nacional e internacional.

PS - Caro Leão da Estrela estou a gostar mais da linha editorial por si seguida nos últimos tempos. Sem política é tudo mais engraçado.

Anónimo disse...

O anti-lampião da estrela é o verdadeiro actual adepto do nosso clube. Farto de ganhar! Assim se explica que fale com tanto orgulho do homem que iniciou o acabar do Sporting. O Projecto "Aproveitador do Sporting" não foi mais do que o inicio do fim. Nunca o Sporting teve tantas dividas, nunca tivemos tão poucas modalidades, nunca tivemos tão poucos sócios, nunca tivemos tão pouca paixão. É por causa de senhores como o anti-lampião da estrela que eu me afasto cada dia que passa,eu e muitos como eu. É dificil explicar o sentimento que tenho hoje em dia pelo meu Sporting. Não sou nem nunca serei adepto da SAD (maldita a hora em que foi criada), ou melhor odeio mesmo a SAD e todos os que a compõem. A academia só serviu para afastar cada vez mais os nossos atletas da massa associativa, pois a formação é tão boa hoje como nos tempos em que apenas tinhamos o pelado para treinar. O segredo da formação não é a academia, é o corpo de olheiros que temos espalhados pelo país e estrangeiro que permitem ir buscar bem cedo os valores que despontam por esse mundo fora. A academia é um local non-grato, sitio para esconder o que de mal se passa no clube, refugio de lampiões que trabalham a seu belo prazer no MEU clube. Longe vão os tempos em que os atletas passavem no meio de nós para irem treinar, saudando-nos, dando autografos, fazendo a delicia dos mais novos, cativando muitos a serem do Sporting. Hoje esta empresa não interessa a ninguem, apenas a meia duzia de senhores que se aproveitam do nome e das infra-estruturas do clube para se encherem. Sou do Sporting Clube de Portugal desde que nasci e serei até morrer, mas tenho muita pena de já não sentir pelo clube o que sentia quando era pequeno, quando vivia aquelas tardes em Alvalade a ver o hoquei, os grandes jogos de Andebol, a nossa enorme equipa de voleibol (nunca esquecerei o dia em que perdemos o campeonato de voleibol contra os lamps a ganhar 2-0 e perdemos 2-3, chorei parecia uma madelena arrependida), esse tempo já passou.
Grande abraço ao anónimo (grande amigo, reconheço essa maneira de escrever tão bem!!!) e ao Juveneno, outro grande homem das modalidades.

Lagarto

joaquim agostinho disse...

Análise lúcida só faltou dizer que quem manda no clube é o sindicato bancário aquem o clube foi empenhado por Roquette. Será que no Sporting não existe uma pessoa para o dirigir, que compreenda que quanto mais títulos se ganhar mais ganham todos? Infelizmente em algumas coisas já não somos um clube grande e cada vez somos mais pequenos.

Brinca na Areia disse...

Esta muito exagerada esta análise mas é respeitável como todas. Sobre o Freitas fiz uma análise ao acerto nas contrataçoes do Carlos Freitas na sequência do trabalho feito pelo jornal O JOGO no dia de hoje

www.fondosurgradabaja.blogspot.com

Soylent Green disse...

Vejo muitos comentários mas não vejo ninguém a meter o dedo na ferida. O "declínio" do SCP é o "declínio" do futebol português em geral que começou com a estratégia de bipolarização regional do pintinho da fruta e as suas ligações às associações, arbitragem, liga de clubes, claques marginais e alianças ocasionais com um clube de Lisboa no sentido de enfraquecer o outro.
Foi precisamente no tempo de João Rocha que tudo começou e este ficará na História do futebol portugês como o grande derrotado nesse processo que transformou o futebol luso naquilo que é hoje por não ter sabido fazer frente à nova "ordem" que se estava a criar. O único presidente leonino que, de algum modo, percebeu as forças com que estava a lidar foi José Roquette, só que esse tinha mais que fazer do que ser presidente de um clube de futebol.

Anónimo disse...

Um tipo que assina como "lagarto" é cá um exemplo se sportinguismo... para mim, é insulto... deve ser "sportinguista à Vitor Pereira ou à Rui Santos"...

Soylent Green disse...

Quero só acrescentar que essa bipolarização, iniciada por Pedroto (que copiou o modelo de Sá Carneiro), e que levou o "Papa" ao poder, transformando o nosso futebol naquilo que é hoje, colheu fortes apoios na classe política e económica "cansada do centralismo de Lisboa" e que viu nessa atitude a grande oportunidade de conseguir um lugar ao sol. É por isso que no caso "Apito Dourado" a montanha vai parir um rato.

verdao(sl) disse...

Caro Leão da Estrela:

O seu post dava um congresso porque afinal versa os últimos 30 anos do nosso SCP.

Na minha opinião põe demasiado acento tónico nesta ou naquela figura para justificar êxitos ou fracassos mas esquece-se de questionar a responsabilidade que todos nós, sportinguistas, temos nos destinos do clube. É muito comum assistir na blogosfera a autênticos “fuzilamentos” dos dirigentes. Muitas vezes eu pergunto-me: quantos destes são sócios? Quantos se dispõe a vir ver um jogo e a apoiar nos bons e nos maus momentos? Os que vivem longe de Lisboa por acaso apoiam a equipa quando esta joga mais perto de casa? Quantos são apenas sportinguistas das horas más, isto é, quantos apenas criticam? As responsabilidades são nossas, de todos. O problema é estrutural sim senhor e nasce muito do facto de termos poucos associados para a grandeza do clube. É que estes ou quaisquer dirigentes passarão e o clube ficará.

Algumas notas:

João Rocha foi efectivamente um presidente que deixou marca no clube mas a verdade é que os tempos de então são bem diferentes dos de hoje. O ecletismo era a bandeira do clube e acumulávamos títulos no andebol, atletismo, basquete, hóquei, etc. Provavelmente muitos dos adeptos que hoje têm 40 anos foi assim que começaram a interessar-se pelo SCP. Só que então era "fácil" manter diversas equipas com jogadores praticamente amadores, grande parte deles sportinguistas notáveis, que enchiam pavilhões. Hoje qualquer jogador categorizado de andebol, basquete, etc, recebe 5.000 € ou muito mais os patrocinadores não aparecem e os pavilhões estão vazios. Para que queremos este ecletismo?

O projecto Roquette foi um projecto pioneiro que nos proporcionou títulos e a renovação do clube. Pelo caminho foram cometidos erros, alguns de palmatória, mas como a minha memória não é curta, sei que estamos melhor do que antes da sua implementação. Roquette é frequentemente injustiçado pelos sportinguistas mas a verdade é que hoje os nossos adversários usam um modelo plagiado do nosso. O seu defeito mais visível era não perceber de futebol, mas para isso teve lá gente que foi paga por pretensamente perceber. As maiores criticas a Roquette infelizmente vêm de linhas demagógicas que quase nada têm para nos oferecer.

Aborda com alguma ironia as actividades do actual presidente, vincando que lhe dedica apenas uma hora. Independentemente de se achar muito ou pouco eu pergunto-lhe: aceitava um presidente remunerado em full-time? Deveria FSF, ou qualquer outro presidente, abdicar completa ou parcialmente da sua actividade profissional? Quanto à representação do clube na Liga, etc, crê que é nas cerimónias protocolares que realmente se trata dos destinos do futebol?

Sente-se a sua antipatia por Carlos Freitas.1º não acredito que este se tenha ausentado sem o ter previamente combinado com o departamento. Depois se estavam Pedro Barbosa e Ribeiro Telles (vice-presidente) em Fátima Paulo Bento não estava sozinho. Estranho o seu comentário “a coisa promete” porque pareço notar alguma satisfação com um prenúncio de crise. Mas olhe que não me parece que a coisa prometa assim tanto, pois creio que se está a empolar questões que não passam de fait-divers.

Saudações Leoninas

LEÃO DA ESTRELA disse...

Amigo VERDÃO:
Um presidente em "full-time"? Claro que sim. A grandeza do Sporting exige um presidente pago pelo clube para trabalhar para o clube. Com menos a poupança de um ou dois administradores do universo leonino não faltaria dinheiro para um bom salário do presidente do Sporting. Provavelmente, com ganhos financeiros e de eficácia na gestão do clube...
Quanto às actividades de FSF, não usei ironia. Limitei-me a constatar factos. Quanto a dedicar "uma hora por dia ao clube" foi o próprio que revelou, numa recente entrevista à "Visão".
Antipatia por Carlos Freitas? Absolutamente nenhuma. Antipatia pelas suas contratações? Certamente. Mas é uma opinião antiga. Não é de agora. Basta ir ao aquivo do LEÃO DA ESTRELA e recuar até Junho último. "A coisa promete", mas não me alegra.

Mário Costa disse...

Porque não quero nem devo ser precipitado.., apenas quero salientar o meu desagrado pelo post...
Vem na sequência de muitos outros, com objectivos idênticos..., o que lamento, num blog Sportinguista e, supostamente, feito para Sportinguistas.

Tenho discordado muitas vezes de PB e de algumas "coisas" feitas por esta SAD.
Mas isto já começa a ser demais..!!!

Para que não restem dúvidas:

Sou Sócio "pagante" e portador de Gamebox, apesar de morar a 200 km de Lisboa.

Saudações Leoninas!

Anónimo disse...

Como sempre a razão não está toda do mesmo lado.
Não estou totalmente de acordo com o Leão da Estrela, mas não estou em desacordo.
Tenho 60 anos e há 57 que digo ( e sinto) que sou do Melhor do Mundo - o SPORTING.
Nada tenho contra A, B, ou Y, mas quero o melhor para o meu Clube.
Dantes tinha orgulho em dizer-me Sportinguista, mas agora tenho, algumas vezes, vergonha.
As modalidades são caras, mas os outros arranjam patrocinadores e nós só arranjamos os que pagam aos 3 por igual.
A passagem do FCP a clube nacional, por obra de JM Pedroto, fez com que a principal rivalidade deixasse de ser Sporting/slb para passar a ser slb/FCP, o que fez com que fossemos perdendo protagonismo, que acompanhado com a falta da propaganda feita pelas "amadoras", origina a diminuição da massa adepta e simpatizante sportinguista.
Andei cerca de 20 anos com a camisola do Sporting vestida, e podem acreditar que vi muitos adversários que seriam "neutros" (simpatizantes de clubes ditos pequenos) que se tornaram sportinguistas por nós sermos os melhores nas modalidades.
Um clube desportivo não é uma empresa qualquer. Os actuais dirigentes tratam-nos como clientes. Nós não somos clientes: SOMOS OS DONOS DO SPORTING CLUBE DE PORTUGAL.
Escolher ser do Sporting não é a mesma coisa que escolher entre o BES o BPI ou o Santander qual dá melhores taxas de juro, ou entre o Modelo e o Pingo Doce qual vende os seus produtos mais baratos.
Ser de um clube é emoção, desejo de vitória, orgulho nas nossas cores.
É o grande problema do Sporting de hoje: está entregue a pessoas com pouca ou nenhuma cultura desportiva.
VIVA O SPORTING!!!

zerapaz disse...

Só não estou a ver quem foram os 8 jogadores da formação que abandonaram!
Quanto ao Sr. João Rocha só me lembro de ter perdido o Futre, entre outros, "por dá cá aquela tralha", como diz o Toni...

Anónimo disse...

Bem... falaram aqui no voleibol, 1990/1991, o tal título perdido para os lamps... tb estava na Nave, nessa noite de Sábado... e no dia seguinte, perdemos o título de Juniores, em Futebol na Tapadinha, na Final (nessa época foi assim, nesses moldes), a penaltys, em que até o Poejo falhou um penlaty no desempate, que nos teria assegurado logo uma vitória! Valha-nos a conquista da 3ª Taça das Taças em Hóquei em Patins, nessa época!!!

LEÃO DA ESTRELA disse...

Ao ZÉRAPAZ e a todos os participantes:
João Rocha não era perfeito. Também cometeu erros. Não lhe perdoou, por exemplo, o despedimento de Malcolm Allison e a aposta em António Oliveira para treinador-jogador aos 30 anos, ou a saída de Paulo Futre. Mas também não posso esquecer que foi ao Benfica buscar Artur, Jordão e Eurico. E foi ao Norte buscar Oliveira (desavindo com o FC Porto) e, no ano em que perdeu Futre, foi ao FC Porto buscar Sousa e Jaime Pacheco. Haveria hoje esta capacidade de resposta??? Hoje há uma paz podre entre os principais clubes que mata a futebol.
De resto, o que este "post" pretendeu assinalar é que João Rocha foi o último grande presidente do Sporting. Mas o seu tempo já passou. Ele constitui apenas uma figura do património histórico leonino.

LEÃO DA ESTRELA disse...

AO ZÉRAPAZ:
Sobre jogadores que saíram - Sete portugueses que saíram do Sporting: Nani, Miguel Garcia, Caneira, Carlos Martins e Custódio (todos formados no SCP), Ricardo e João Alves (este contratado por Carlos Freitas há dois anos, que custou, imagine-se, 2,5 milhões de euros)

O 7 Maldito disse...

Eh pá...há aqui um comentador que diz ser "portador de Gamebox". Quem o ouvir até pode pensar que é uma doença grave, amigo.

Abraço Impróprio para Cardíacos

Filipe Reis disse...

O trabalho de sapa do dono deste blog contra a actual Direccão do Sporting é mais do que evidente mas esta de chamar ao João Rocha, "o último grande presidente" é hilariante.

Um homem que está ligado ao período mais negro da nossa história e que contribuiu directamente para nos transformar no terceiro clube do país atrás da bimbalhada é aqui apontado como exemplo a seguir.

Inacreditável.

joaquim agostinho disse...

João Rocha quando entrou o Sporting estava a ser dirigido por uma comissão administrativa. Promoveu iniciativas que salvaram os clubes na altura ( bingos, postos de combustíveis etc.)e todos andaram a seu reboque. Percebeu que era a paixão que movia o clube e as vitórias o seu oxigénio. Para isso desenvolveu as amadoras para ter sempre êxitos para apresentar que enchiam de orgulho os Sportinguistas e que esbatiam a falta de títulos no futebol dominado por um sistema encarnado.
Saíu por não ter forças para sózinho lutar contra o polvo que se estava a formar no Norte. João Rocha depois destes anos todos ainda apaixona discussões. Só tenho pena da idade que tem e da sua saúde precária.

Anónimo disse...

nao posso concordar mais com este post. cada linha era uma facada, mas pq é verdade. foi como um lavar de cara e acordar.parabens. e vamos nos acordar o sporting. se nao é o presidente ausente, temos de ser nos socios ou adeptos. temos de procurar alguem com força carisma...um LIDER.

Mário Costa disse...

Tem alguma coisa contra os "portadores de Gamebox" e que pagam as suas quotas, caro "7..Maldito"?
É esse o seu nome????

Quando não se concorda com o que aqui vem escrito.., como eu, neste caso..., há que dizê-lo, ou não?

Ah, e já agora..., não se esconder atrás de anonimatos ou "coisas parecidas"...

João Rocha foi um grande Presidente, sem dúvida, mas fez também muita asneira.., ou será que não?

Eu apoio esta direcção, embora não concorde com algumas coisas que faz....

Saudações Leoninas!

Anónimo disse...

Desafio o Leão da Estrela a falar sobre o que João Rocha disse, depois de uma reunião do conselho leonino em que foi apresentado o "Projecto Roquette", e as suas estratégias de alianças a norte.

Soylent Green disse...

25 de Abril no Sporting?
O Futebol português é que precisa de um 50 de Abril que isto com 25 já não vai lá!

O 7 Maldito disse...

Oh amigo Costa, não fique nervoso. Foi apenas um comentário jocoso. Porque também eu padeço desse seu mal. Também eu sou "portador de Gamebox", com sintomas agravados a cada 15 dias. Aliás, já me está a dar uma urticária fortíssima e ainda são 21h56...
E também pago quotas, comprei um lugar por 20 anos e investi (leia-se perdi dinheiro) em acções da SAD.
Não me leve a mal por ter feito uma inocente graçola com o termo que empregou, ok? Guarde essa energia toda para gritar amanhã, tal como eu farei.

Abraço Impróprio para Cardíacos.

Mário Costa disse...

Um abraço também para si, meu caro!

Amanhã,infelizmente, não vou poder lá estar.., pq quero lá ir 4ª feira e o orçamento não dá....

Como lhe disse moro a 200 Km de Lisboa.., e só em portagens e gasóleo lá iam + ou - 50€....! Para além de 2ª feira ser dia de trabalho....

Mas vou fumar 10 cigarros.., pelo menos.., (isso é quase uma "fatalidade" para ver,na TV, a vitória do nosso Sporting contra a equipa da "minha" terra...!

Saudações Leoninas!

Anónimo disse...

Se assinar Lagarto é mau, ser anti-lampião mostra toda a tua fraqueza enquanto sportinguista. És dispensável no meu Sporting, por isso se estás contente com este projecto miserável, continua... pode ser que continues a fomentar o teu anti-benfiquismo ou anti-tripeiro, porque eles vão continuar a ganhar e tu a ver navios.

Lagarto

Mário Costa disse...

Por que é que não houve ninguém da SAD disponível para estar junto da equipa num jogo tão decisivo? Por que é que ficou outra vez Paulo Bento sozinho a defender o balneário e o Sporting?

Mas então Ribeiro Telles não é Vice-Presidente? Não faz parte da SAD...?

E Pedro Barbosa não faz parte da tão criticada estrutura?

Parece-me que, quer um quer o outro estiveram lá....!

Então explique lá pq afirma que PB "esteve sozinho" em Fátima...?!?!

Ao menos que haja rigor, neste "vale tudo" para malhar na Direcção actual do nosso Sporting..!

FAMIFARDAS disse...

sr. COSTA:
CITE UM DIRIGENTE DO SPORTING QUE SEJA QUE TIVESSE FALADO SOBRE O MAU MOMENTO DESPORTIVO DEPOIS ENTRE A DERROTA COM O FÁTIMA E O EMPATE COM O NACIONAL. OU SERÁ QUE PARA OS DIRIGENTES DO SPORTING PERDER, GANHAR OU EMPATAR JÁ É A MESMA COISA?

Anónimo disse...

Olá, saudações leoninas a todos.

Acompanho este blog há muito, mas só hoje decidi escrever as primeiras palavras.
Independentemente do grau de razão do autor do post e editor do blog - Leão da Estrela -, a verdade é que, mais do que discutir as pequenas estórias do nosso clube temos que olhar para o fundo da questão.
E o fundo da questão é sermos capazes de perceber que 'um grande clube de futebol (ou desportivo, se quiserem) em portugal, nos dias de hoje' (porque este é o contexto real em que nos movemos e não outro), precisa de:

- gestão competente das suas operações;
- gestão ultra-competente da vertente financeira, ao nível do melhor que possa existir, dada a enorme complexidade deste dossier (de controlo de custos operacionais, à montagem de operações de financiamento, passando pela gestão de capital circulante, etc, etc.);
- gestão visionária da parte comercial e de marketing, capaz de catapultar o 'top line' do clube, inventando receitas, multiplicando sócios e simpatizantes, no fundo aumentando o valor económico do mercado e o tamanho da fatia captada pelo clube.

Tudo isto é básico.
O que não é básico é perceber que, tal como uma empresa a sério ou até um país a sério, o Sporting precisa, acima de tudo, de uma liderança:

1. clarividente (o futebol é uma indústria peculiar; o sucesso desportivo é o oxigénio em que deve assentar qualquer visão estratégica);
2. ambiciosa (lutar pelo céu, para ganhar a terra; nunca menos do que isso.. a começar pela linguagem utilizada);
3. obstinada em ser bem sucedida.

Um clube como o Sporting precisa de pessoas que compreendam que um projecto desportivo, tem:
- uma vertente desportiva, em sentido estrito;
- uma componente POLÍTICA;
- uma componente económico-financeira;
- e uma componente EMOCIONAL.

Perfis destes, no futebol, como no desporto, como na sociedade em geral, não se encontram em abundância.

Este é o verdadeiro problema do clube. Líderes que entendam este comentário INTUITIVAMENTE, que respirem este princípios 24 horas por dia e que queiram, já agora, verdadeiramente FAZER HISTÓRIA.

Tudo o resto é a espuma dos dias.

Saudações de um sportinguista.


JAS.

Anónimo disse...

Caros companheiros de bancada ...
O que posso dizer com este movimento que vejo a acontecer na internet, é que se existe uma oposição ao actual que a mesma apareça com ideias e projectos concretos.

Quanto ao endeusamento que se faz aqui ao João Rocha, o que posso dizer é que não é mais do que isso, um simples endeusamento.

Sinceramente não me revejo na presidência do Sporting pela parte do João Rocha nem sequer considero que tenha tido um palmarés de grande valia durante o seu reinado.

Na realidade, a presidência do João Rocha foi:

1972/1973 - 1986/1987 (14 épocas)

Seniores

3 – 1ºs lugar
2 – 2ºs lugar

4 Taças
2 Finais de Taça Perdidas

2 Campeonatos Juniores
3 Campeonatos Juvenis
3 Campeonatos Iniciados
Total: 8

Após projecto Roquete, contanto a partir da presidência de Santana Lopes

Pedro Santana Lopes
1995-1996

1994/1995 - 2005/2006 (13 épocas)

Seniores

2 – 1ºs lugar
4 – 2ºs lugar

3 Taças
2 Finais Perdidas

3 Campeonatos Juniores
5 Campeonatos Juvenis
3 Campeonatos Iniciados
Total: 11

* Não fiz a referência à Supetaça por a mesma só se ter realizado a partir de 1978

Basta fazer as contas ... e, temos de pensar, que durante este período após projecto roquete, construiu-se um estádio novo e uma academia.

Um nota importante: Temos de nos lembrar que durante grande parte da presidência do João Rocha, o Pinto da Costa ainda não tinha aparecido com a força que depois viemos a conhecer, porque como se sabe, não se perde somente por que estamos fracos mas também porque os outros podem estar mais fortes.

Segunda Nota: Quando pela passagem de Manuel José por alvalade, o mesmo ficou com um número reduzido (penso que 15) de jogadores para o estágio de pré-época. Foi sem dúvida um dos piores planeamentos de sempre. Advinham quem era o presidente do Sporting nessa altura? ... pois sim João Rocha.

Leão das Caldas

Anónimo disse...

Caro LdE, o post é notável e estou de acordo que o presidente devia estar a tempo inteiro e remunerado. Só que no universo leonino não há ninguém suficientemente conhecedor de gestão e futebol e com relações político/financeiras capaz de cortar com o sistema e levar o Sporting a ser líder e não subalterno do poder instalado!Talvez um 25 de Abril interno resolva o problema, mas mesmo assim será muito complicado.

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